Senhor Jesus Cristo, buscamos a Tua face.
Está escrito:
A luz da glória de Deus está na face de Jesus Cristo.
Ó Tu, que, naquele único e terrível momento, abriste mão da presença do rosto de Teu Pai, para que jamais tivéssemos de passar por isso; para que fôssemos recebidos e permanecêssemos na luz do semblante de Deus.
Nesta manhã, introduze-nos nessa bendita herança por meio da Tua Cruz: a face, o semblante, o favor e a certeza de não sermos abandonados por nosso Deus.
Que este seja, de fato, um tempo dentro do véu, em que habitemos na luz do semblante — na face do Senhor Jesus Cristo —, com todo o seu grande e maravilhoso significado.
Agora buscamos a Tua face enquanto esperamos em Ti. Mostra-nos a Tua face, Senhor, por amor do Teu Nome. Amém.
Nesta última hora deste ministério em particular, precisamos buscar uma graça especial para reunir e concentrar tudo o que foi dito ao longo desta semana.
E penso — talvez devesse dizer, sinto — que a direção do Senhor é fazermos isso tendo diante de nós uma parte desta Carta aos Hebreus. À medida que a carta se aproxima do fim, chegamos à parte que corresponde a Hebreus 12.
Está em Hebreus 12:25-28 — não vou ler tudo:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Pois, se não escaparam aqueles que rejeitaram Aquele que os advertia na terra, muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos Daquele que nos adverte do céu;
Cuja voz então abalou a terra:
Mas agora Ele prometeu, dizendo: Ainda uma vez farei tremer não somente a terra, mas também o céu.
E esta expressão, Ainda uma vez, significa a remoção das coisas que são abaladas, como coisas que foram feitas, para que permaneçam as coisas que não são abaladas.
Pelo que, recebendo um reino que não pode ser abalado, tenhamos graça, pela qual ofereçamos a Deus um serviço que Lhe seja agradável, com reverência e temor.
Um reino que não pode ser abalado.
Portanto, como temos procurado compreender e mostrar, o que está em questão é a importância desta chamada Carta aos Hebreus para o tempo presente. “Ainda uma vez” — isto é, nesta dispensação que teve início com Cristo — vem o abalo: primeiro, das coisas terrenas; depois, do lado celestial das coisas.
O aspecto terreno, penso eu, fazia referência especial ao que estava prestes a acontecer no judaísmo antigo, tradicional e histórico.
Esta carta provavelmente estava relacionada a isso — não posso afirmá-lo com certeza, porque os expositores e estudiosos divergem quanto a quem a escreveu, quando foi escrita e a quem exatamente foi dirigida. Vocês não precisam se preocupar com isso. Mas estou bastante convencido de que ela estava relacionada àquilo que o Espírito Santo sabia que estava prestes a acontecer ao judaísmo histórico e, consequentemente, a Israel.
É provável que esta carta tenha sido escrita no ano 69. E vocês sabem o que aconteceu no ano 70.
Se isso for verdade, houve um intervalo muito curto entre a redação desta carta e a destruição de Jerusalém, que foi tão completa, tão terrível.
Alguns de vocês, em especial, terão lido Josefo. Se leram a parte sobre a invasão e a destruição de Jerusalém, sabem que é uma das coisas mais terríveis que se podem ler na história.
Isso aconteceu no ano 70, e tudo naquela Jerusalém foi devastado e desolado. Os judeus foram dispersos, como diz Pedro, pelo Ponto, pela Galácia, pela Capadócia, pela Bitínia e por toda parte.
O que era terreno foi subitamente abalado — não apenas abalado, mas derrubado e devastado. Até hoje não se recuperou disso. Não há templo. Não há um Israel integrado na terra.
Bem, esse é o lado terreno. Essa é a profecia, como vocês sabem, extraída do Antigo Testamento, de que isso aconteceria.
É interessante — muito interessante, significativo e instrutivo — voltar ao contexto dessa profecia, o que não faremos agora, para examinar seu cenário na história de Israel e as condições que estavam surgindo no tempo de Ageu.
A profecia é retomada e trazida até aqui, tantos anos depois, e aplicada à situação que esta Carta aos Hebreus aborda naquele momento de crise.
O abalo da terra se aplica particularmente ao abalo da antiga Jerusalém, do antigo Israel. Afirmamos isso e deixamos o assunto aí. Mas essa é apenas metade da declaração.
Ainda uma vez abalarei não somente a terra, mas também o céu.
À luz do que temos dito nesta semana, pela manhã e à noite — à luz de tudo isso e do conteúdo integral desta carta —, certamente estamos certos ao dizer que o cristianismo, que é o outro lado, se assim quiserem, o lado celestial, também será submetido a semelhante abalo.
Talvez não estejamos muito longe da verdade se dissermos que isso já começou. Está acontecendo. Está avançando. Está se espalhando.
Vocês talvez pensem que ainda não chegou ao seu país. Bem, se estão falando apenas de coisas materiais e de estruturas econômicas externas, pode haver sintomas disso; mas, espiritualmente, é algo mundial: o abalo do cristianismo, o abalo daquilo que podemos chamar de lado celestial das coisas, distinto do Israel terreno e histórico.
Mas o ponto é que haverá um abalo universal na economia de Deus, na ordenação soberana de Deus — um abalo universal.
Para quê? Aqui se diz: para que nada reste, a não ser aquilo que o próprio Deus estabeleceu.
Observem essa pequena expressão:
Como coisas que foram feitas.
Quem as fez? São coisas feitas pelo homem.
As coisas que Deus fez e estabeleceu são as que permanecerão, ao final, e é para isso que serve o abalo.
Ora, esta carta apresenta uma comparação e um contraste abrangentes, ou uma distinção, entre o que é passageiro e o que é permanente; entre o que é temporal e o que é espiritual; entre o que é terreno e o que é celestial.
Essa é a Carta aos Hebreus. É isso que temos enfatizado o tempo todo: já não é o “não” —
Não tendes chegado…
Mas:
Tendes chegado…
Duas grandes ordens abrangentes, duas economias, duas soberanias — como quer que vocês as chamem. Toda esta carta trata, de um lado, das coisas transitórias, que não permanecem; e, do outro, das coisas permanentes, que subsistem.
As coisas que não podem ser abaladas permanecerão. Essa é a comparação e o contraste, ou a distinção, que esta carta faz como um todo.
Aqui, como uma espécie de parêntese, permitam-me dizer isto. É importante lembrarmos que esta carta foi escrita a um povo que, por um longo período, ocupara a posição de povo que Deus havia tirado do mundo para Si mesmo.
Ela mostra que é possível um povo assim perder o caminho. É possível um povo assim tornar sua posição terrena — meramente terrena — ou tornar essa posição presa à terra.
E esse é o ponto desta carta: não apenas para Israel, mas para os cristãos. Esta é a carta da vocação do alto, não é? Este é o lado celestial. Este é o novo Israel, que Deus tirou do mundo para Si mesmo e para Seus próprios propósitos.
Mas, do começo ao fim desta carta, percorre este lembrete: um povo que, por tanto tempo, fora assim separado para Deus acabou perdendo de vista o objetivo, perdendo o caminho, e não chegou ao destino.
Hebreus 3 trata inteiramente disso. Eles não entraram. Pereceram no deserto.
Há uma luta terrível entre o que deveria ser dito e o que o tempo permite dizer. Ah, não deixem Hebreus 3 de lado. Preciso incluí-lo.
Ali vocês têm o povo que não conseguiu entrar, que pereceu no deserto. Vejam, eles não puderam entrar por causa da incredulidade. Isso é Hebreus 3.
Mas Hebreus 4 começa, e vocês não avançam muito antes de encontrar isto:
Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito.
Não vou me estender sobre isso. Mas o ponto é que, no deserto onde pereceram, isso aconteceu porque não fizeram distinção entre alma e espírito.
É claro que não compreendiam a doutrina, mas viviam na alma. Essa é a vida do eu: o eu dirigindo tudo — como isso nos afeta, o que vamos obter disso, o que isso significa para os nossos interesses.
A vida do eu é a vida da alma. O espírito não é isso. O espírito é voltado para Deus; é a vida de Deus.
Essa separação não foi feita no deserto. Embora tivessem saído por uma obra tão poderosa de Deus, se tornado o povo de Deus e sido separados para Ele, persistiram naquilo que agora chamamos, na linguagem do Novo Testamento, de vida da alma.
Não houve distinção, nenhum corte nítido — como o de uma espada de dois gumes, que corta para os dois lados — entre a vida do eu e a vida do espírito.
Eles pereceram no deserto. E vocês me dizem que isso não é uma possibilidade para os cristãos? Esse é o ponto da carta, entendem?
Não tratem Hebreus 3 e 4 como simples divisões mecânicas do texto e sigam adiante. Perguntem: por que eles pereceram no deserto? Por que não entraram? Por quê?
Bem, aqui está. Não houve esse corte nítido entre o eu e o Senhor, entre alma e espírito.
Penso que esse é um assunto sobre o qual vocês já ouviram falar demais. Fala-se demais disso atualmente; tornou-se um tema muito fascinante. Nada capta mais depressa a atenção intelectual das pessoas do que começar a falar sobre alma e espírito. É um assunto muito interessante para a mente, não é? Está muito em voga.
Estou chegando a um ponto em que quero falar das realidades, não dos nomes; do significado, não da linguagem ou da terminologia. Mas isso é apenas uma observação à parte.
O que eu estava dizendo é isto: esta carta foi dirigida a um povo que, por muito tempo, ocupara a posição de povo separado para Deus, mas que, por fim, perdeu o caminho e a herança — o significado da sua separação.
Por quê? Voltamos ao mesmo ponto: o lado terreno, o judaísmo preso à terra. E Deus disse: “Vou abalar isso. Vou abalar essa ligação à terra, e de modo tão devastador que não haverá templo, nem Jerusalém, nem sede alguma para a nação”.
Tudo será despedaçado. Vou remover isso por meio do abalo. E Ele o fez, e tem feito; e isso tem prosseguido ao longo de todos estes séculos.
Mas Ele não para aí. A carta passa ao outro lado: “Vou abalar também esta outra coisa — este cristianismo”.
Ele veio do céu, com o Espírito Santo enviado do céu. Mas o coração dos homens fez com o cristianismo o que havia feito com o judaísmo: trouxe-o para a terra, prendeu-o à terra, tornou-o carnal.
O Senhor, prevendo isso, profetizou: “Também abalarei isso”. O cristianismo como sistema meramente terreno irá para o cadinho. Irá para o fogo. Somente aquilo que é real e verdadeiramente celestial, e procedente do Espírito de Deus, sobreviverá e sairá de lá.
Vocês percebem a força desta carta.
Por isso — e aqui, queridos amigos, seria necessária mais uma semana —, se vocês percorrerem esta carta, descobrirão que ela se divide em duas linhas: a linha da precaução, ou advertência, e a linha da determinação.
Agora, um pequeno estudo bíblico para vocês — não aqui. Percorram a carta e observem as nove vezes em que ocorre a expressão para que não.
Temamos, pois, para que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no Seu descanso, não suceda parecer que algum de vós tenha ficado para trás.
Nove vezes essa expressão, para que não, é usada ao longo da carta. Procurem-na e examinem seu contexto: para que não aconteça isso por esta razão, para que não aconteça aquilo por aquela razão. Talvez eu aborde apenas um trecho ilustrativo de cada seção.
Depois, dez vezes — nove vezes para que não, indicando precaução; dez vezes — vocês encontram “façamos”. “Façamos”, dez vezes.
Ligada a essa expressão, “façamos”, há uma exortação à determinação. Sejam determinados. Vocês não podem dar nada disso por garantido. Não chegarão lá deixando-se levar à deriva.
Essa é a primeira advertência, entendem? Para que, de modo algum, passemos ao largo, à deriva. Passar ao largo, à deriva — esse é o sentido real da expressão. Vocês ficam à deriva.
A imagem por trás disso é muito simples, mas muito clara em sua implicação. Eu costumava velejar na Escócia.
Saíamos para passar o dia velejando, mas o momento de maior apreensão — o momento mais tenso — era quando voltávamos para alcançar nossas amarras.
Se a maré corria forte, com a correnteza e o vento, lá estavam as nossas amarras. Era preciso reduzir a propulsão, baixar as velas e orientar a proa para as amarras.
Então todos se punham a trabalhar: um com um croque na proa; outro deitado de bruços no convés, com as mãos estendidas para alcançar a amarra, agarrá-la e segurá-la.
Porque a maré, ou a correnteza, podia até arrastar você para o mar se não segurasse firme. A tensão, o perigo, era perder a amarra e passar por ela à deriva — e ali adiante estavam as rochas.
Passar ao largo, perder a amarra e ficar à deriva — levado pela maré, pela correnteza ou pelo vento. Ah, que momento tenso! Você conseguiu agarrá-la e segurou firme, e agora pode puxar o barco até as amarras e prendê-lo bem.
Ah, chegamos em casa. Agora está tudo bem; podemos ir para dentro.
Essa é a imagem realmente empregada aqui: para que não passemos ao largo, à deriva. À deriva, à deriva, à deriva. Para que não. Cuidado. Advertência.
Tudo isso nos é apresentado. Mas, ah, que totalidade! Essa plenitude e esse caráter definitivo de Cristo, apresentados em Hebreus 1 e 2, e tudo o que há nesta carta — a grande herança, essa tremenda totalidade. E a primeira advertência é: vocês podem ficar à deriva.
Vocês podem ficar à deriva. Serão levados para além do destino e arrastados pela correnteza, pela brisa do momento.
Paulo expressa isso com outras palavras, de outra maneira:
Levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.
É a mesma coisa.
Portanto, essa é uma ilustração das advertências para que não, e afirmo que há nove delas. É por isso que digo que seria necessária mais uma semana. Mas lá estão elas: para que não, para que não fiquemos à deriva.
Ao lado disso está a exortação:
Retenhamos firmemente.
Apoderemo-nos.
Prossigamos.
Vou acrescentar apenas mais um fragmento, porque penso que ele esclarece o assunto e pode ter uma aplicação: “Para que, endurecidos pelo engano do pecado, não sejamos desviados”.
O engano do pecado — vocês já pensaram nisso? O que é o engano do pecado?
A palavra pecado é abrangente. Não a restrinjam a apenas um dos seus significados. O pecado tem muitos aspectos. Atua de muitas maneiras. Vocês podem chamar isto de pecado, aquilo de pecado e outra coisa de pecado — mil coisas, sim —, mas são apenas aspectos de uma única realidade.
Qual é o significado da palavra pecado na Bíblia? Errar o alvo. Errar o alvo.
Vocês podem errá-lo por isto ou por aquilo, por muitas razões; mas, no fim, tudo se resume a isto: vocês erraram o alvo.
O pecado, em seu sentido abrangente, é errar o alvo. O engano do pecado consiste em desviá-los do alvo.
Qual é o alvo?
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação.
Vocês erraram o alvo. O engano consiste em desviar.
O que você quer dizer com esse engano? Bem, para mim, neste momento, para o propósito desta manhã, é a conveniência no lugar do princípio.
Não há nada que desvie mais, que cause mais dano espiritual, do que a conveniência — agir por cálculo de conveniência.
Ah, quantas tragédias tenho visto na vida de homens piedosos, servos do Senhor, justamente por causa disso. Mais de um homem foi colocado diante do pleno propósito de Deus — ah, com perfeita clareza —, mas ocupava uma posição no mundo cristão.
E esse pleno propósito exigia muitos ajustes quanto à sua posição, ajustes quanto aos seus relacionamentos.
“Se eu fizer isso, minha grande porta de oportunidade para o Senhor se fechará. Se eu fizer isso, perderei minha influência em favor do Senhor. Se eu seguir esse caminho, talvez me envolva em tantas coisas que, sabe, acabarão representando uma perda para o Senhor.”
Alguém é responsável por uma organização. De uma maneira ou de outra, ela precisa receber apoio.
“Se eu seguir a orientação que foi indicada, perderei meu apoio financeiro.” Isso é conveniência — agir por cálculo — em face daquilo que Deus indicou.
A questão é: confiarei no Senhor para cuidar daquilo que procede Dele? Já não me interesso por nada que não seja do Senhor; mas, se é Dele, posso confiar que o Senhor cuidará disso enquanto Lhe obedeço e sigo o caminho que Ele indicou?
Ou vou me apegar à minha posição de oportunidade, às portas abertas e à influência em favor do Senhor, e seguir esse outro rumo? Entendem o que quero dizer? O engano que leva a errar o alvo.
Tenho visto mais de uma tragédia que, depois de anos, se tornou evidente para todos: aquele homem havia perdido o caminho. Aquele homem estava destinado a algo maior, a algo diferente. O Senhor tinha um propósito para aquele homem, mas a conveniência entrou em cena.
Ele defendia sua conduta alegando que ela atendia aos interesses do Senhor. Esse é o engano do pecado.
Esta carta diz que vocês podem ser desviados pelo engano do pecado: conveniência em vez de princípio.
Assim, voltamos ao ponto. Hebreus, a Carta aos Hebreus, é uma declaração daquilo que permanece e é duradouro, em contraste com aquilo que passa e é transitório.
E isso não importa? Certamente importa, e de maneira suprema: o que pode ser abalado e o que é inabalável.
O Novo Testamento compreende vinte e seis livros. Vocês gostariam de contar vinte e sete; podem fazê-lo, mas digamos vinte e seis.
A maioria deles foi escrita para combater alguma forma de um esforço universal para destruir aquilo que veio com Jesus Cristo.
Gostariam que eu repetisse? É uma afirmação bastante densa, eu sei. A maior parte do Novo Testamento foi escrita para combater alguma forma de um esforço universal para destruir aquilo que veio com Jesus Cristo.
Entenderam agora? Essa é a afirmação — muito abrangente. Vocês precisam desdobrá-la e aplicá-la a cada livro do Novo Testamento.
Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos e assim por diante: cada um foi escrito para combater alguma coisa. Vocês aceitariam isso como uma chave de leitura? Não estamos em meio a um conflito em Mateus? O Senhor Jesus não está em conflito em Marcos, em Lucas e em João?
É uma atmosfera de conflito, de antagonismo. Isso não é verdade?
Então prossigam pelas cartas. Em cada uma delas há alguma forma desse esforço universal para destruir aquilo que veio com Jesus Cristo.
O Novo Testamento é uma reação abrangente contra uma tentativa multifacetada de subverter a Igreja e perverter o significado do Filho de Deus.
Nessa afirmação, vocês têm o Novo Testamento e seu verdadeiro significado. Procurem realmente compreendê-lo dessa maneira.
Agora, o principal ponto de ataque nesse esforço abrangente e universal — o principal ponto de ataque sempre foi, e continua sendo, a medida de Jesus Cristo.
A medida de Cristo.
Em primeiro lugar, precisamos mantê-Lo completamente fora. Não Lhe dar nenhum espaço. Essa é a batalha dos séculos. Assim que vocês trazem Jesus Cristo para algum lugar, surgem problemas; o conflito começa. É preciso mantê-Lo fora.
Ah, vejam como foi com Paulo ao passar de cidade em cidade. Ele mal havia chegado, mal havia dito alguma coisa.
Não sei quanto ele havia dito em Filipos. O que disse foi apenas a um pequeno grupo, não sabemos exatamente quantos, à beira do rio, fora da cidade.
Ele entrou na cidade sem pregar, até onde sabemos; sem levantar questões, até onde sabemos. Mas o diabo sabia.
O diabo possuía aquela jovem, aquela mulher que servia de médium. Que sutileza:
Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação.
O diabo pregando o evangelho.
Parece que o próprio diabo está glorificando o Senhor Jesus. Ah, há algo muito sutil aqui no que diz respeito à questão em jogo.
Mas o ponto é que, a partir do mundo invisível, onde se reconhece e se compreende o verdadeiro significado de Cristo, surge esse conflito onde quer que chegue algo que represente Cristo, ou algo que seja, em sua realidade, Cristo.
Os problemas surgem imediatamente. Mantenham-No fora. Mantenham-No fora. E, se Ele entrou, expulsem-No. Façam tudo para expulsar o que é de Jesus Cristo, se Ele conseguiu entrar em algum lugar.
Mas isso não é tudo: há também o esforço de desviar aqueles que O expressam; de enganar, de afastar do caminho, de introduzir falsos ensinos e uma falsa ideologia cristã.
Aquilo que é diferente em sua essência — que não é essencialmente Cristo —, algo acrescentado a Cristo: Cristo mais alguma coisa. Cristo mais alguma coisa.
As muitas coisas que estão sendo impostas ao cristianismo podem ser bem-intencionadas, mas não são a essência de Cristo.
Esse é o ponto de ataque: de alguma maneira, impedir a entrada, forçar a saída ou limitar a medida de Cristo.
Vocês sabem, queridos amigos — ou deveriam saber —, que a medida de Cristo é o fator determinante. Não apenas que Cristo entrou, não; mas a medida de Cristo.
Isso é Efésios, não é? A questão final é a medida de Cristo.
A medida de Cristo.
Quando vocês usam essa palavra, medida, são sempre levados a Ezequiel, não é? O final de Ezequiel — de que trata? Do templo.
Não estou propondo nenhuma interpretação disso. Quanto a ser algo literal, com a restauração de todos os sacrifícios do Antigo Testamento, vocês podem ter sua própria interpretação. Não estou tratando disso.
Mas o que vejo ali é que, quando esse templo aparece, ele é uma concepção celestial. O mensageiro celestial tem sua cana de medir e conduz o profeta de um lado para outro — ao redor, para dentro e para fora.
Como é detalhado, como é minuciosamente detalhado! Cada fragmento, cada mínimo elemento recebe uma medida.
Tudo está de acordo com essa medida, com essa cana ou linha celestial de medir. É medido por ela. Só tem seu lugar por possuir essa medida.
Agora, quer vocês gostem dessa interpretação ou não, creio que isso está bem no centro da Carta aos Efésios e do Novo Testamento.
Respondam espiritualmente a esta Carta aos Hebreus: chegamos a uma nova Jerusalém. Chegamos à morada do Deus Altíssimo. Chegamos a Sião.
Chegamos à realidade espiritual daquilo que Ezequiel viu: um templo espiritual.
Agora chegamos àquilo que, em cada detalhe, é medido segundo Cristo. Isto é Cristo? Quanto há de Cristo aqui?
Segundo a medida da estatura da plenitude de Cristo.
Esse é o início de Hebreus, não é, assim como de Efésios?
Portanto, o principal ponto de ataque é sempre retirar algo de Cristo, desviar de Cristo, colocar alguma coisa no lugar da própria essência — de Cristo em Sua essência.
De qualquer maneira, de qualquer maneira, de qualquer maneira — qualquer coisa, contanto que o resultado seja menos de Cristo: não tanto de Cristo, não mais de Cristo.
Isso tem a ver, então, com o senhorio de Cristo em tudo. O senhorio de Cristo.
É fácil cantar: “Coroai-O Senhor de tudo”. Uma bela ideia, um lindo pensamento, algo maravilhoso. Mas vocês percebem o que isso significa.
Não apenas o conjunto — esse maravilhoso templo, esse santuário —, mas até o último detalhe de toda a ordem celestial: o último detalhe, Cristo.
Na vida de vocês e na minha, Ele é Quem decide. Ele é o princípio que governa. Esse é o reino.
A terminologia cristã precisa ser resgatada e revista. Falamos sobre o reino, o Rei, a obra do reino, a expansão do reino.
Digo que essas palavras — reino, igreja e todas as outras — precisam ser resgatadas. Precisam de revisão.
O que é o reino? Bem, na língua original isso é bastante claro, mas perdemos seu sentido por causa de outra maneira de pensar. O reino de Deus é o governo soberano de Deus.
O governo soberano de Deus. Esse é o seu significado.
E aqui isso chega ao nível dos detalhes. Não se trata apenas de alguma concepção abrangente do reino. Não; trata-se de aonde vou hoje, do que faço hoje, do que o Senhor deseja de mim hoje. Esse é o reino de Deus.
Um reino que não pode ser abalado é dessa natureza — aquele em que tudo é Cristo.
Daí a necessidade de tornar conhecido o fundamento sobre o qual repousa a segurança: “Não pode ser abalado”. O fundamento sobre o qual repousa a segurança.
A segurança, é claro, é um assunto muito presente hoje, uma preocupação muito intensa, não é, neste mundo que fala tanto em segurança, segurança?
A seguradora Metropolitan de vocês — uma organização imensa — tem esta única palavra: segurança. Vocês sabem o que quero dizer.
Mas lembrem-se: seja qual for o fundamento da segurança deste mundo, nada é eternamente seguro, a não ser aquilo que é estabelecido por Deus. E isso diz respeito ao Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Esse é sempre o lado positivo do Novo Testamento.
E assim vou concluir lembrando-lhes das nove e das dez ocorrências.
Por que nove precauções? Por que, nove vezes, “Cuidado, para que não”? Como o Senhor toma precauções, até mesmo com Seus melhores servos, Seus servos mais usados!
Se estão realmente sob Seu governo soberano, quantas precauções Ele toma! Vocês se lembram? Ele já teve um servo maior do que o apóstolo? Já houve algum servo mais usado do que ele?
Arrisco-me a dizer que, nos anais da eternidade, esse homem ocupa uma posição muito elevada em preciosidade para o Senhor.
Para que, pela extraordinária grandeza das revelações, eu não me exaltasse demasiadamente, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para me esbofetear.
Três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim.
E Ele disse — não “Não”; o Senhor é sempre positivo:
A Minha graça te basta.
Mas a precaução do Senhor era preservar um servo tão usado e valioso do desvio, da terrível armadilha do orgulho — mesmo nas coisas santas, nas coisas de Deus e do céu. O orgulho espiritual é a pior espécie de orgulho.
Orgulho, orgulho — a devastação causada pelo orgulho.
Para que eu não me exaltasse demasiadamente.
A precaução de Deus: para que não, para que não. E aqui vocês têm essas nove advertências. Examinem-nas, amigos. Percorram-nas, não apenas como um estudo bíblico interessante, mas observem o perigo associado a cada para que não. Levem isso a sério no coração.
Este livro traz isso do começo ao fim: para que não, para que não, para que não. Estejam atentos. Vigiem.
Isto é da natureza daquilo que permanece para sempre — indestrutível e inabalável? Isto é Cristo?
Comprometam-se inteiramente. É aí que entra o outro lado: “Façamos”.
“Façamos”, dez vezes. Se vocês resumirem tudo, chegarão a isto: comprometam-se sem reservas e inteiramente. Comprometam-se.
Penso que isso significa algo além de se tornar cristão. Muitos que continuam sendo filhos de Deus, genuinamente nascidos de novo, não estão inteiramente comprometidos.
Não estão inteiramente comprometidos. Há outros interesses. Ainda têm um pé, ou mesmo um dedo do pé, no mundo — algo que representa uma alternativa à entrega total.
Mas a exortação aqui, mencionada dez vezes — “Façamos, façamos” —, é esta: por causa desse perigo, façamos.
A grande exortação de Hebreus 6:1:
Prossigamos.
Não fiquem à deriva. Não se deixem à mercê da correnteza do momento, da maré, do vento.
Nada nos manterá mais seguros do que uma atitude ativa e determinada.
Gosto daquela tradução da expressão. Vocês sabem, em nossa versão inglesa está:
Fervorosos de espírito, servindo ao Senhor.
E penso que foi Moffatt quem a traduziu assim:
Mantenham o fervor espiritual.
É sempre uma salvaguarda. Nada oferece maior proteção do que essa atitude ativa e determinada.
Lembram-se de Davi no terraço? Tragédia, catástrofe, calamidade na vida de Davi, deixando nele sua cicatriz. Por quê? Porque estava no terraço quando deveria estar na batalha — descansando quando deveria estar avançando.
Israel ficou se demorando no deserto durante quarenta anos, em vez de seguir adiante — avançar.
Prossigamos até a maturidade.
Não lançando novamente o fundamento, mas prossigamos. Prossigamos.
Muitas vezes o desgaste, o cansaço, o desânimo, o abatimento, a perplexidade e a decepção nos fazem dizer: “Já tive o bastante”. Eles tiram de nós a iniciativa. Ficamos inclinados a nos sentar.
Vez após vez, em nossa trajetória espiritual, precisamos cingir os lombos do nosso entendimento: “Não, isso não pode continuar. Isso não pode continuar. É uma rua sem saída. Entro aqui e não há passagem. A única maneira é sair daqui e prosseguir”.
Cuidado com suas ruas sem saída, suas águas estagnadas, seus caminhos sem passagem. Permaneçam na estrada principal, na via de passagem.
Nesse sentido, se quiserem, vocês podem estar marchando para Sião.
Quer a doutrina esteja correta ou não, tenham esse espírito. Vocês cantarão novamente naquele hino: “E andar pelas ruas de ouro”.
Como insistimos nisso! A Bíblia diz que não há ruas na Nova Jerusalém. Há apenas uma: uma rua de ouro.
Tudo ali é de Deus, na Nova Jerusalém, na Jerusalém celestial. Uma única coisa: uma rua de ouro. Vocês não vão escolher em que lugar morarão ali.
Vocês serão colocados na estrada do Senhor. Percebem o sentido figurado disso.
Tudo é de Deus, uma rua de ouro, e somente uma. Teremos de aprender a viver juntos, não é?
Mas o ponto — aquilo que integra e une — é:
Prossigamos até a maturidade.
Se todos tivermos essa disposição, não seremos enredados por essas coisas que desviam, por essas alternativas, esses substitutos, esses acréscimos impostos.
Isto significará, real e verdadeiramente, um aumento de Cristo, uma plenitude maior de Cristo? Ou é alguma coisa interessante, fascinante, algo que valerá apenas por um momento, por algum tempo, e depois desaparecerá, deixando-me desamparado?
É isso que acontece com tantas dessas coisas. Sim, apenas por um tempo. Vocês podem ver a história repleta dos destroços de coisas que, em certo momento, pareciam ser a grande realidade, a resposta definitiva.
A única realidade decisiva é o aumento de Jesus Cristo. O critério para tudo é o aumento de Jesus Cristo.
O desafio, o confronto e a prova universais giram em torno disso.
Já disse o suficiente. Encerro aqui.
Orem — confio que o farão — para que isto não seja apenas assunto de comentários, um mero tema, manhã após manhã. Que o Senhor faça disso um desafio para nós.
Ainda uma vez abalarei não somente a terra.
O abalo começou. Já começou.
O cristianismo entrou no grande fogo. O que permanecerá? Não as coisas que foram feitas, não as coisas do cristianismo que estão presas à terra.
Aquele reino, aquela realidade que não pode ser abalada. Sião não pode ser abalada, assim como os montes estão ao redor de Jerusalém — essa é a ideia do Antigo Testamento.
Mas aqui está: é aquilo que é real e verdadeiramente espiritual e celestial, que está em nós e no qual estamos.
É a isso que, para usar nossa primeira palavra nestas reuniões, estamos chegando. Que o Senhor nos ajude.
Senhor, com a pena indelével do Espírito do Deus vivo, escreve os termos da nova aliança em nosso coração, nas tábuas de carne do nosso coração — de modo indelével.
Que isso não passe com uma semana, com um ministério, com uma reunião de pessoas, por mais abençoado e alegre que tudo isso seja.
Mas que a intenção do próprio Senhor, revelada a nós, permaneça em nosso coração. Examina-nos continuamente, decidindo entre os dois caminhos, as opções, as alternativas.
Faze-nos voltar sempre a isto: isso significa mais de Cristo?
Senhor, ajuda-nos assim. Pedimos com ações de graças, em Nome do Senhor Jesus. Amém.