Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque podemos nos reunir novamente em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Desejamos dar a Ele toda a glória, o poder, o domínio, o amor e a admiração do nosso coração.
Nosso Pai celestial, desejamos que Cristo seja exaltado em nosso meio, que seja glorificado entre o Seu próprio povo, ainda nesta noite. Como Te louvamos e agradecemos, ó Senhor, porque amas a Tua igreja e entregaste a Ti mesmo por ela. Tu dizes:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Ó Senhor, como Te louvamos e adoramos.
Oramos para que, nesta noite, ao nos reunirmos em Tua presença, mais uma vez abras a Tua Palavra para nós e abras o nosso coração à Tua Palavra, para que ela não seja apenas algo a ser ouvido e transmitido, mas algo trabalhado no nosso próprio ser, na nossa própria vida.
Ó Senhor, desejamos ver o Teu reflexo na Tua igreja, na vida conjunta do Teu povo. Entregamos este tempo em Tuas mãos. Tu sabes que, sem Ti, nada podemos fazer, mas, contigo, todas as coisas são possíveis. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
O livro de Apocalipse é um livro de imagens.
Não sei se algum dia chegamos a uma idade em que deixamos de gostar de livros ilustrados. Quanto a mim, sempre gosto de ler livros ilustrados. E o livro de Apocalipse é um livro de imagens.
Nas últimas noites, temos visto belas imagens, uma após outra. E, se Deus quiser, nesta noite gostaríamos de ver mais algumas. Vocês poderiam abrir juntos em Apocalipse 14?
Este é um capítulo muito rico, cheio de imagens. Mas, nesta noite, vamos nos limitar a apenas duas.
E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, tendo o Seu nome e o nome de Seu Pai escritos na fronte.
E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas e como a voz de um grande trovão: e a voz que ouvi era como a voz de harpistas tocando suas harpas;
e cantam como que um novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos: e ninguém podia aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil, os que haviam sido comprados da terra.
Estes são os que não se contaminaram com mulheres; pois são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá. Estes foram comprados dentre os homens, para serem primícias para Deus e para o Cordeiro.
E na sua boca não se achou mentira: são sem mácula.
E olhei, e eis uma nuvem branca; e sobre a nuvem vi Um assentado, semelhante a um filho de homem, tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada.
E outro anjo saiu do templo, clamando com grande voz Àquele que estava assentado sobre a nuvem: Lança a Tua foice e ceifa; porque chegou a hora de ceifar; pois a seara da terra está madura.
E Aquele que estava assentado sobre a nuvem lançou a Sua foice sobre a terra; e a terra foi ceifada.
Encontramos nessas duas passagens duas belas imagens. A primeira é o Cordeiro sobre o monte Sião, com cento e quarenta e quatro mil reunidos ao Seu redor, todos com o nome do Pai e o nome do Cordeiro na fronte. E eles cantam um novo cântico.
Depois, a partir de Apocalipse 14:14, encontramos outra bela imagem. Vemos Um semelhante ao Filho do Homem assentado sobre uma nuvem branca, com uma foice afiada na mão. E veio uma voz do céu dizendo que havia chegado o tempo. Ele lança a foice e recolhe a colheita.
Creio que não vamos confundir estes cento e quarenta e quatro mil com aqueles cento e quarenta e quatro mil de Apocalipse 7. Sabemos que, no livro de Apocalipse, esse número é mencionado em dois lugares.
Em Apocalipse 7, encontramos cento e quarenta e quatro mil sendo selados. Aqui, encontramos outros cento e quarenta e quatro mil com o nome do Pai e do Cordeiro na fronte. Ora, estes não são os mesmos.
Vocês precisam me desculpar novamente por esta pequena interpretação. Mais uma vez, digo: espero que, ao final desta hora, vocês esqueçam todas as interpretações e entrem na realidade disso. Portanto, não discutam comigo por causa da interpretação. Isso gera tensão. O importante é a realidade. Se pudermos chegar à realidade, depois vocês poderão interpretar como quiserem. Então, tenham paciência comigo enquanto apresento um pouco de interpretação.
Ao lerem cuidadosamente Apocalipse 7 e Apocalipse 14 a respeito desses dois grupos de cento e quarenta e quatro mil, vocês encontrarão diferenças suficientes para nos convencer de que não são um só grupo, mas dois grupos distintos.
Por exemplo, os cento e quarenta e quatro mil selados em Apocalipse 7 são selados dentre as doze tribos de Israel. Em outras palavras, são o remanescente fiel da nação de Israel.
Já aqui, em Apocalipse 14, vocês encontram os que são selados sendo reunidos dentre os habitantes da terra. Em outras palavras, são reunidos dentre a humanidade em geral — não de Israel, mas da humanidade em geral.
Os que são selados em Apocalipse 7 recebem o selo do Deus vivo. O Cordeiro não é mencionado. Mas aqui vocês encontram, na fronte destes cento e quarenta e quatro mil, o nome do Pai e o nome do Cordeiro.
Imediatamente, vocês percebem a diferença. Um é o selo do Deus vivo, o Criador. O outro é o nome do Pai e do Cordeiro.
O primeiro grupo de cento e quarenta e quatro mil é selado na terra, porque os quatro ventos estão sendo retidos. Antes de os ventos começarem a soprar e trazer destruição à terra, esses cento e quarenta e quatro mil são selados para que sejam protegidos de danos e males.
Mas ali, em Apocalipse 14, vocês encontram os que são selados sobre o monte Sião. Acho que, a esta altura, já devemos saber o que o monte Sião representa.
Os que são selados em Apocalipse 7 são selados antes de começar a tribulação, para que sejam guardados durante ela. Mas, em Apocalipse 14, os que são selados já passaram pela tribulação. Já estão do outro lado.
Os que são selados em Apocalipse 7 aparecem entre o sexto e o sétimo selos. Mas aqui vocês encontram os selados já sobre o monte Sião. Assim, comparando essas duas passagens, vocês encontram diferenças suficientes para mostrar que são dois grupos inteiramente distintos.
Agora, vamos voltar nossa atenção para este segundo grupo de cento e quarenta e quatro mil. Em primeiro lugar, eles estão sobre o monte Sião.
É claro que sabemos que o monte Sião aqui não significa o monte Sião literal, isto é, em Jerusalém, porque, quando aqueles que estão sobre o monte Sião começam a cantar, a voz vem do céu.
Em outras palavras, este é um monte Sião celestial, como nosso irmão nos tem dito nestas manhãs: o monte Sião, o próprio céu; a sede da autoridade; a plenitude de Cristo.
Agora, queridos irmãos e irmãs, vocês veem que esses cento e quarenta e quatro mil entraram na plenitude de Cristo. Não é isso que Deus tem em mente para a Sua própria igreja?
Efésios 1:22-23 diz:
A igreja, que é o corpo de Cristo, a plenitude Daquele que tudo enche em todos.
É a vontade de Deus que Sua igreja seja cheia da plenitude de Cristo. A igreja é a plenitude de Cristo porque experimentou Cristo em toda a Sua plenitude. Isso é o monte Sião.
Mas aqui vocês encontram os cento e quarenta e quatro mil que já chegaram ao monte Sião. Eles estão ali. Estão ali na plenitude de Cristo.
Em segundo lugar: eles têm na fronte o nome do Pai e o nome do Cordeiro.
Se você colocar um nome na sua testa, todos vão perceber. É um lugar de grande destaque.
É claro que sabemos que isso pode ter diferentes significados. Mas acho que há pelo menos um significado aqui: esses cento e quarenta e quatro mil, com o nome do Pai e o nome do Cordeiro na fronte, expressam uma coisa.
Porque confessaram o Senhor enquanto estavam na terra, apesar de todas as tribulações e dificuldades, são, portanto, plenamente reconhecidos pelo Pai e por nosso Senhor Jesus.
Ali vocês veem que eles são reconhecidos pelo Pai. O Senhor disse:
Se vocês Me confessarem diante dos homens, Meu Pai os confessará diante dos santos anjos.
Aqui vocês encontram esses cento e quarenta e quatro mil sendo declarados publicamente como pertencentes a Deus. Deus diz: “Olhem para estas pessoas. Elas são Minhas. Eu as reconheço como Minhas”.
Deus não Se envergonha deles. Deus reconhece publicamente essas pessoas. Sabem, a oração de Paulo é que eu não seja envergonhado — que o Senhor não Se envergonhe de mim. Há uma paixão em seu coração.
Aqui vocês veem que o Senhor não Se envergonha de reconhecer essas pessoas como Suas, como pertencentes a Ele.
Em terceiro lugar: eles estão ali tocando harpas e cantando um novo cântico. Ninguém pode compreender, ninguém pode aprender esses cânticos, a não ser esses cento e quarenta e quatro mil.
Sabem, a harpa é um instrumento do coração. Quando você toca a harpa, é como se tocasse as cordas do seu coração.
Ao tocar uma trombeta ou outro instrumento, você pode simplesmente tocá-lo. Mas, ao tocar uma harpa, seu coração precisa estar envolvido. Em outras palavras, ela é um instrumento do coração. A música que sai da harpa é a música do seu coração.
Enquanto tocam a harpa, eles cantam um novo cântico. E a característica peculiar desse novo cântico é que ninguém pode aprendê-lo, a não ser esses cento e quarenta e quatro mil.
Se temos aptidão musical, pensamos que podemos aprender qualquer composição. Embora uma composição possa ser muito difícil, se temos ouvido e talento musicais, certamente podemos aprendê-la.
Mas aqui vocês encontram um cântico que ninguém pode aprender, a não ser aqueles que passaram por essa experiência. Na verdade, esse é o verdadeiro significado de um cântico. Ele precisa vir do coração. Precisa ser o fruto da experiência do nosso coração.
Esses cento e quarenta e quatro mil não são crentes superficiais. Eles passaram por muita coisa. E, ao passarem por tudo isso com o Senhor Jesus, saem com um novo cântico. É assim que o cântico celestial sempre é composto. Eles cantam um novo cântico.
Em quarto lugar: eles foram comprados da terra. De toda tribo, língua, nação e povo, Deus os comprou para Si.
Em quinto lugar:
Estes são os que não se contaminaram com mulheres; pois são virgens.
Não sei como vocês interpretam isso. Pessoalmente, não acho que se possa tomar esse versículo literalmente, porque, se o fizermos, o celibato realmente passa a ser uma virtude diante de Deus. Isso não parece se harmonizar com todas as outras qualificações espirituais.
Portanto, pessoalmente, vou interpretá-lo como tendo um significado espiritual. Como nosso irmão mencionou certa manhã, vocês se lembram de que, em 2 Coríntios 11:2, Paulo disse:
Tenho zelo por vós com zelo de Deus; porque vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como uma virgem pura.
E Paulo disse que temia que, assim como a serpente enganou Eva, alguém fosse enganado e desviado da simplicidade que há em Cristo.
Ora, sabemos que, ao crermos no Senhor Jesus, todos somos como virgens prometidas em casamento a Cristo. Um dia Ele voltará, e esse será o dia do casamento. Mas, por enquanto, todos os crentes são considerados virgens diante de Deus.
Esses cento e quarenta e quatro mil permanecem castos diante de Deus. Não foram contaminados. Não foram seduzidos. Não foram enganados e desviados daquela simplicidade que há em Cristo Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, estamos vivendo numa época repleta de enganos de toda espécie. E todos esses enganos têm um único propósito: nos afastar da simplicidade de Cristo.
Estamos nos tornando cada vez mais complicados. Estamos nos tornando cada vez mais misteriosos. Falta aquela simplicidade para com Cristo, aquela singeleza de coração, aquele relacionamento correto com o Senhor.
Não devemos nos deixar desviar por muitos pensamentos, imaginações e fortalezas. Como nosso irmão disse, vocês sabem, a serpente lança um pensamento:
É verdade que Deus não permite que vocês comam de nenhum dos frutos?
Quantas vezes todos nós somos enganados por muitos pensamentos e imaginações, e eles nos afastam daquela simplicidade para com Cristo. Somos facilmente contaminados por muitas coisas.
Mas esses cento e quarenta e quatro mil são como virgens. Não foram contaminados. Foram prometidos em casamento ao Senhor. Não dão ouvidos a muitas vozes. Apegam-se à simplicidade que há em Cristo.
Então Ele diz:
Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá.
Gosto muito desta expressão:
Seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá.
Nós seguimos o Cordeiro? Seguimos o Cordeiro para onde quer que Ele vá?
Vocês sabem para onde Ele vai? Ele segue o caminho da cruz. É por esse caminho que Ele vai. E vocês veem que os cento e quarenta e quatro mil seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá.
Eles não seguem o Senhor escolhendo a própria direção e o próprio caminho. Isso não é seguir o Cordeiro. Eles seguem o Cordeiro deixando que o Cordeiro conduza o caminho. E descobrimos que, invariavelmente, será o caminho da cruz.
É um caminho que significa negar a si mesmo, tomar diariamente a nossa cruz e segui-Lo. Significa não apenas tomar a cruz, mas ser crucificado nela — ser eliminado.
Para onde quer que Ele vá. Sabem, é muito fácil dizer isto: “Seguirei o Cordeiro para onde quer que Ele vá”. Então vocês descobrem que Ele vai a lugares inesperados.
Imediatamente dizemos: “Senhor, não esperávamos que fosses até lá, nem que fosses tão longe”.
Mas aqui vocês encontram os cento e quarenta e quatro mil completamente comprometidos com o Cordeiro. Não importa aonde o Cordeiro vá, eles vão para lá. Eles O seguem.
Estes foram comprados dentre os homens, para serem primícias para Deus e para o Cordeiro.
Vamos deixar isso por um momento. Voltaremos a esse assunto.
E na sua boca não se achou mentira.
Sabemos que Satanás é mentiroso e é o pai de todas as mentiras. O mundo inteiro está sob uma grande mentira. Como ele distorce a verdade! Como engana com mentiras!
Em contraste, vocês veem que, na boca dos cento e quarenta e quatro mil, não se encontra mentira alguma.
Talvez vocês pensem que não ter mentira na boca seja uma coisa pequena em comparação com as outras. Eles seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá — isso, sim, é algo importante. Mas não se acha mentira na boca deles. Qual é a importância disso? Parece ser uma coisa pequena.
Mas, quando vocês examinam a própria vida, o coração, a boca — que maldição! O oposto da mentira é a verdade, e a verdade é a realidade.
Na boca deles não se achou mentira. Em outras palavras, são testemunhas fiéis e verdadeiras de Deus e do Seu Cristo. Falam o que viram, ouviram e experimentaram. Falam a verdade em amor.
Não procuram dizer uma coisa e querer dizer outra. Não procuram continuar agradando aos homens. Falam a verdade em amor. Em outras palavras, são autênticos. São autênticos, autênticos até mesmo naquilo que dizem.
Sabem, é muito difícil encontrar uma pessoa autêntica nesta terra. O mundo inteiro é uma mentira. Todo o sistema é uma mentira, e estamos vivendo nesse sistema.
Quanto mais envelhecemos, mais espertos nos tornamos. E, colocando de outra maneira, sabemos fingir. Sabemos encobrir as coisas. Sabemos fazer manobras. Sabemos ser diplomáticos — dizer uma coisa e querer dizer outra, ou dizer muitas palavras sem querer dizer nada.
Nós nos tornamos muito espertos. E vocês sabem, no mundo inteiro, na sociedade, é assim que as coisas são. Você não pode se dar ao luxo de ser autêntico. Se for autêntico, é um tolo. É muito difícil encontrar uma pessoa autêntica.
Mas, sabem, diante de Deus, essa é uma característica muito importante. Se não formos autênticos, não poderemos ser espirituais. E ser autêntico no que se diz é a expressão plena da autenticidade.
Então, aqui vocês encontram os cento e quarenta e quatro mil. Eles são muito autênticos. Não vivem na falsidade, no fingimento. São pessoas muito autênticas e se tornam testemunhas autênticas e verdadeiras de Cristo.
E então Ele diz que são sem mácula. Quem é sem mácula? Nosso Senhor Jesus.
Vocês se lembram de Hebreus 9:14. Ali diz que Ele ofereceu a Si mesmo pelo Espírito eterno, como um sacrifício sem mácula. Ele é Aquele que não tem mácula, nada que possa ser censurado — perfeito, um sacrifício perfeito.
Certa manhã, vocês ouviram nosso irmão dizer: “Isso é perfeito — maravilhoso”. Mas aqui vocês encontram os cento e quarenta e quatro mil sendo declarados por Deus como sem mácula.
Essa é a vontade de Deus. Leiam Efésios 1:4, e encontrarão:
Assim como nos escolheu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e sem mácula diante Dele em amor.
Deus nos escolheu antes da fundação do mundo. Em outras palavras, este é o Seu propósito: que sejamos santos e sem mácula diante Dele. Sem culpa, sem mancha, sem ruga, nem coisa semelhante, mas sem mácula diante Dele.
Como podemos ser sem mácula diante de Deus? Observem a pequena expressão: “em amor”. Em amor, seremos apresentados diante de Deus como santos e sem mácula. É o amor que cobre muitas coisas. É o amor que nos torna santos e sem mácula.
Então vocês encontram em Efésios 5:25-27:
O Senhor Jesus também amou a igreja e entregou a Si mesmo por ela;
para que a santificasse, tendo-a purificado pela lavagem da água com a Palavra;
para apresentar a Si mesmo a igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante; mas santa e sem mácula.
Como podemos ser sem mácula? Tudo começa e termina com o Seu amor. Ele amou a igreja e entregou a Si mesmo por ela. Ele nos lava pela lavagem da água com a Palavra.
Em outras palavras, vocês veem que Sua vida, ao ser soprada, é como a água que nos lava juntamente com a Palavra de Deus. Somos lavados diariamente, diariamente, até sermos considerados santos e sem mácula diante Dele.
É como um sacrifício sem mácula. Então ele pode ser oferecido a Deus.
Agora, depois de vermos todas essas descrições dos cento e quarenta e quatro mil, nós nos perguntamos quem são eles. São um povo tão maravilhoso, tão privilegiado. Mas quem são eles?
Não pretendo saber quem são. Só posso dizer isto.
Em Apocalipse 7, encontramos uma multidão incontável em pé diante do trono e diante do Cordeiro. Dizemos que ela representa os vencedores da igreja ao longo dos vinte séculos.
Agora, chegando à consumação final, é como se Deus tivesse separado, de toda aquela multidão incontável, um grupo especial para ser a representação de todos os vencedores.
Sabem, eu me pergunto se isso representa a elite dos vencedores. Mesmo entre os vencedores há graus. Alguns podem governar dez cidades, e outros, cinco. A glória desta estrela é diferente da glória daquela estrela.
Eu me pergunto — estou apenas pensando em voz alta — se esses cento e quarenta e quatro mil representam o pensamento pleno de Deus a respeito dos vencedores da igreja.
Cento e quarenta e quatro mil — se isso significa literalmente o número exato, ou se apenas apresenta um número redondo para mostrar os múltiplos de doze, eu não sei.
Só sei que o Senhor parece escolher um grupo de pessoas e nos mostrar aquilo que corresponde plenamente a Ele.
Ao lerem essas descrições dos cento e quarenta e quatro mil, vocês descobrem que eles correspondem plenamente a Cristo. Estão com o Cordeiro. São um com o Cordeiro. Vão aonde quer que o Cordeiro vá.
Estão unidos ao Cordeiro como um só. O caráter do Cordeiro os caracteriza. E aqui, irmãos e irmãs, vocês sabem, é isso que significa ser vencedor: o pensamento pleno de Deus a respeito dos vencedores.
Vamos prosseguir depressa, porque eu realmente não sei.
Aqui vocês encontram uma descrição: eles devem ser primícias para Deus e para o Cordeiro. Quem são esses cento e quarenta e quatro mil? As primícias da igreja. Primícias — isso nos sugere alguma coisa?
Vocês se lembram de Êxodo 23:19. Ali diz:
As primeiras das primícias da tua terra trarás à casa do Senhor, teu Deus.
Se vocês abrirem em Levítico 23, encontrarão a mesma coisa. Deus disse a Moisés que dissesse ao povo que, depois de entrar na terra e começar a colher, deveria trazer as primícias, um feixe das primícias, à casa, ao sacerdote, para ser apresentado a Deus antes de poder comer qualquer produto da terra, a fim de ser aceito por Deus.
Ah, sabem, se vocês lerem Deuteronômio 26, verão que, quando eles apresentam as primícias a Deus, a cena é muito comovente. Talvez nos ajude simplesmente ler essa passagem.
E será que, quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança, e a possuíres, e nela habitares,
tomarás das primeiras de todos os frutos da terra, que recolheres da terra que o Senhor, teu Deus, te dá; e as porás num cesto, e irás ao lugar que o Senhor, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o Seu nome.
E virás ao sacerdote que houver naqueles dias, e lhe dirás: Declaro hoje ao Senhor, teu Deus, que entrei na terra que o Senhor jurou a nossos pais que nos daria.
E o sacerdote tomará o cesto da tua mão e o porá diante do altar do Senhor, teu Deus.
E responderás e dirás diante do Senhor, teu Deus: Meu pai era um arameu errante, e desceu ao Egito, e ali peregrinou, sendo poucos em número; e ali se tornou uma nação grande, poderosa e numerosa.
E os egípcios nos maltrataram, e nos afligiram, e nos impuseram dura servidão;
e clamamos ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, e viu a nossa aflição, e o nosso trabalho, e a nossa opressão;
e o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa, e com braço estendido, e com grande terror, e com sinais, e com maravilhas;
e Ele nos trouxe a este lugar, e nos deu esta terra, uma terra que mana leite e mel.
E agora, eis que trouxe as primeiras dos frutos da terra que Tu, ó Senhor, me deste. E as porás diante do Senhor, teu Deus, e adorarás diante do Senhor, teu Deus;
e te alegrarás em todo o bem que o Senhor, teu Deus, te deu, a ti e à tua casa, tu, e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.
É uma cena muito, muito comovente. Ao trazerem suas primícias a Deus, os israelitas oravam: “Nosso pai era um sírio, peregrinando no Egito, quase perecendo. Mas Deus nos tirou da escravidão e nos trouxe a esta terra prometida”.
“Aqui está o fruto da terra. Reconhecemos que nos foi dado por Deus, e agora o devolvemos a Deus”. E ali eles adoram a Deus. Esse é o significado das primícias.
Se conhecemos alguma coisa de agricultura, sabemos que, quando cultivamos um campo — digamos, um campo de trigo —, geralmente encontramos nesse campo uma pequena porção de trigo que amadurece primeiro.
De alguma forma, essa pequena porção parece conseguir absorver mais luz do sol, mais nutrientes. Ela amadurece antes do restante do trigo. Seca primeiro. Desprende-se da terra primeiro. Essas são as primícias do campo.
Geralmente, as primícias são o melhor. Mas os israelitas não comem as primícias. Quando as recolhem, levam-nas a Deus e as oferecem a Ele: “Senhor, isto é Teu”.
Queridos irmãos e irmãs, aqui vocês encontram os vencedores da igreja como as primícias da igreja. A igreja é como um campo de trigo.
Todos os filhos de Deus nasceram do alto. Não há diferença na vida que cada um recebeu. A diferença está apenas no amadurecimento. Os que amadurecem primeiro são o melhor — não é uma diferença de natureza, apenas uma diferença de grau.
Então, aqui vocês encontram as primícias. Quem são os vencedores? Os vencedores, em certo sentido, não são diferentes dos demais filhos de Deus. A vida que recebem é a mesma vida que os outros recebem. Compartilham a mesma vida. Estão no mesmo campo.
Mas alguns amadurecem primeiro. Secam primeiro. Ficam amarelos primeiro. São recolhidos primeiro.
Bem, vocês podem interpretar isso de maneiras diferentes. Podem dizer que o sol representa o Sol da justiça, nosso Senhor Jesus. De alguma forma, eles recebem mais graça — não que Deus faça acepção de pessoas, mas, de alguma forma, recebem mais graça. Ficam amarelos primeiro.
Ou vocês podem dizer que o sol representa a tribulação deste mundo, como aquela virgem em Cântico dos Cânticos 1:6:
Não me olheis com desprezo porque sou morena; o sol me queimou.
Talvez seja pelas tribulações, eu não sei.
Mas, de alguma forma, vocês encontram alguns na igreja — quer passem pela tribulação, quer desfrutem, de algum modo, mais da graça de Cristo — que estão prontos primeiro. Amadurecem primeiro. Desprendem-se primeiro.
Sabem, quando o trigo está maduro, a raiz toca o solo muito levemente. Basta levantá-lo e colhê-lo. Está pronto.
Em outras palavras, vocês veem que eles estão no mundo, mas não são do mundo. Mal o tocam, e estão secos, maduros. Todos eles são pessoas amadurecidas.
As primícias são o melhor. Mas vocês acham que o melhor é para vocês mesmos desfrutarem? Não. O melhor deve ser apresentado a Deus no templo. É para Deus.
Queridos irmãos e irmãs, provavelmente temos uma concepção natural a respeito dos vencedores. Talvez nossa concepção seja: “Se eu for um vencedor, então terei muito para desfrutar”.
Bem, é verdade. O vencedor entra na alegria do Senhor. Isso é verdade, é verdade. Mas, fundamentalmente, ser vencedor não é desfrutar para si mesmo. Ser vencedor é permitir que Deus desfrute de você. Esse é o significado de ser vencedor.
Passar por todas essas tribulações, seguir o Cordeiro no caminho da cruz, ser rigorosamente disciplinado pelo Espírito de Deus — vocês acham que suportam essas coisas porque um dia terão muito para desfrutar? Terão, mas esse não é o motivo.
O motivo que move um vencedor é este: que eu possa ser um sacrifício e uma oferta a Deus.
Nenhum sacrifício pode ser oferecido se houver alguma mácula. Mas aqui vocês veem que eles são sem mácula. Com que propósito? Para ficarem ali e dizerem: “Vejam como sou perfeito”? Não.
Para serem oferecidos no altar, queimados e consumidos, até desaparecerem. Vocês estão dispostos a ser vencedores? Não há muito para vocês, mas há muito para Deus. Esse é o significado dos vencedores.
Não tenham um espírito mercenário e de barganha quando se aproximarem dessa questão dos vencedores. Eu conheço esse espírito, porque ele está em mim.
Sei que às vezes há um espírito de barganha, assim como Pedro disse:
O que teremos? Deixamos tudo por Ti. Agora, o que teremos?
O Senhor disse:
Sim, tereis cem vezes mais, com perseguições, e, na era vindoura, a vida eterna.
Há um espírito de barganha. Não é o espírito correto de um vencedor.
O espírito correto de um vencedor é que sejamos para Deus, para Sua satisfação e para Seu desfrute. Se formos consumidos e desaparecermos, graças a Deus, desde que Ele esteja satisfeito. Nada para nós mesmos; tudo é para Ele.
Sabem, as primícias garantem que a colheita virá. Se não houver primícias, nunca haverá colheita. Isso é certo.
Mas, quando um agricultor recolhe as primícias, sabe com certeza que virá uma colheita. Elas garantem a colheita.
Qual é a função dos vencedores? A função dos vencedores é que, por estarem maduros, conduzem a igreja à maturidade.
Há muitos anos, eu ficava perplexo com Efésios 4. Não sei se vocês também ficam perplexos com esse capítulo.
Aqui, em Efésios 4:13-15, está escrito:
Até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a um homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo;
para que não sejamos mais crianças, levadas de um lado para outro e carregadas por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro;
mas, falando a verdade em amor, cresçamos em tudo Naquele que é a cabeça, Cristo.
Em outras palavras, fiquei perplexo por muito tempo. Como a igreja poderia chegar a esse ponto? Como a igreja de Deus poderia chegar à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a um homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo? Como a igreja poderia chegar a isso?
Quanto mais eu olhava para as condições da igreja ao meu redor, quanto mais olhava para dentro de mim, mais decepcionado ficava. Cheguei ao desespero. Eu dizia: “Ela nunca, nunca poderá chegar lá”.
Era como se, quanto mais próxima estivesse a volta do Senhor, mais distante a igreja parecesse daquela maturidade. Não entendo. Não entendo como isso poderia se cumprir.
Se a volta do Noivo depender da maturidade da noiva, Ele nunca voltará. A noiva nunca amadurece — um bebê envelhecido.
Não sei se vocês têm o mesmo problema.
Até que, um dia — agradeço ao Senhor por nosso irmão Watchman Nee —, ele me explicou isso. Estou satisfeito. Não sei se vocês ficarão satisfeitos, mas eu estou satisfeito com essa explicação.
Ele começou a me explicar. Disse: “Irmão, esse chegar à plenitude de Cristo deve se cumprir nos vencedores da igreja”.
“Quando os vencedores da igreja tiverem alcançado essa maturidade, quando nascer o filho varão, Deus considera que toda a igreja chegou lá”.
Não sei se vocês concordam, mas estou satisfeito. Parece que o Senhor realiza isso dessa maneira. Quando temos as primícias, a colheita está assegurada.
A obra dos vencedores não é para eles mesmos. Os vencedores são para toda a igreja.
Não pensem que somos vencedores e deixamos a igreja para trás. Que somos vencedores para podermos desfrutar do Senhor — não é assim, não é assim.
O próprio amadurecimento dos vencedores visa à maturidade de toda a igreja. Ele garante a colheita.
Pois, queridos irmãos e irmãs, esta é a primeira imagem — a primeira imagem.
Então vocês veem, na parte final deste capítulo, que chega a colheita. A colheita. O apóstolo João teve outra visão e viu o Filho do Homem assentado sobre uma nuvem branca.
Não sobre o monte Sião, mas sobre uma nuvem branca, com uma coroa de ouro na cabeça. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, e tem na mão uma foice afiada.
Mas Ele espera. Então outro anjo sai do templo e clama:
Agora chegou a hora. Lança a foice e recolhe a colheita.
O Senhor Jesus disse que ninguém conhece o tempo, senão o Pai. Quando o Pai diz que chegou a hora, a foice é lançada sobre a terra, e a colheita é recolhida.
Vocês se lembram de que, em Atos 1, o Senhor Jesus levou Seus discípulos ao monte da ascensão. Depois de falar com eles, foi elevado.
Todos estavam olhando para Ele. Ele foi elevado, e então uma nuvem O recebeu. Mas eles continuavam olhando. E dois homens vestidos de branco apareceram e disseram, em Atos 1:11:
Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Este Jesus, que dentre vós foi recebido no céu, virá assim, da mesma maneira como O vistes ir para o céu.
Quando o Senhor foi elevado, vocês veem que isso aconteceu em duas etapas. Na primeira, da terra até as nuvens, Ele podia ser visto — era visível. Depois, foi levado pelas nuvens até o céu — não era visto, era invisível.
Da mesma maneira, Ele voltará. Primeiro voltará do trono até as nuvens, de forma invisível. Depois virá das nuvens até a terra, visto por todos.
O Cordeiro sobre o monte Sião é agora o Filho do Homem assentado sobre uma nuvem branca, esperando para recolher Sua colheita. E vocês sabem o que é essa colheita? É toda a igreja.
Em 1 Tessalonicenses 4:16-18, o Senhor descerá nas nuvens, com uma voz de convocação, com um brado do arcanjo, com a última trombeta, e todos os que morreram em Cristo ressuscitarão. E todos os que estiverem vivos e permanecerem serão arrebatados aos ares para encontrar o Senhor nos ares. E estarão com o Senhor para sempre. Que isso sirva para consolar uns aos outros.
Queridos irmãos e irmãs, aguardamos a volta de nosso Senhor. Mas, na Sua volta, vocês veem que Ele precisa ter Suas primícias e precisa ter Sua colheita.
Quando os israelitas faziam a colheita, vocês sabem, eles mesmos desfrutavam dela. Cabe a vocês desejar ser as primícias para a satisfação e o desfrute de Deus, ou estar na colheita para a própria satisfação e o próprio desfrute.
Mas aqui, neste capítulo, vocês encontram as primícias, os vencedores e a igreja — todos são um. E serão a noiva do Cordeiro.
Nosso Pai celestial, Tu procuras as primícias para assegurar a colheita.
Todo o nosso coração se volta a Ti e a Cristo, para que tenhas as primícias. Confessamos que nossos pais eram todos como sírios, prestes a perecer, peregrinando no Egito sob escravidão e aflição.
Mas Tu nos tiraste de lá e nos trouxeste à terra prometida, e desejamos oferecer as primícias a Ti. Reconhecemos que elas Te pertencem. Tu serás satisfeito.
Ó Senhor, pedimos que enchas o nosso coração com esse desejo, para que possamos Te adorar, trazer as primícias e colocá-las aos Teus pés. Pedimos no precioso nome de nosso Senhor Jesus. Amém.