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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Called Unto His Eternal Glory In Christ #4: Christ in You-all the Hope of Glory © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Called Unto His Eternal Glory In Christ #4: Christ in You-all the Hope of Glory
    Called Unto His Eternal Glory In Christ #4: Christ in You-all the Hope of Glory
    Lambert, Lance

    A Casa de Deus e Sua Glória Eterna

    Vamos abrir em algumas passagens das Escrituras.

    1 Pedro 5:10-11. Estes são os versículos que temos considerado nestas reuniões à noite:

    E o Deus de toda a graça, Que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo, depois de haverdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, estabelecerá e fortalecerá.
    A Ele seja o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.

    Agora vamos à Antiga Aliança, a Deuteronômio 12.

    Deuteronômio 12:5-7:

    Mas buscareis o lugar que o Senhor, vosso Deus, escolher dentre todas as vossas tribos, para ali pôr o Seu nome, a Sua habitação; e para lá ireis;
    E para lá trareis os vossos holocaustos, os vossos sacrifícios, os vossos dízimos, as ofertas alçadas da vossa mão, os vossos votos, as vossas ofertas voluntárias e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas;
    E ali comereis perante o Senhor, vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que puserdes a mão, vós e as vossas famílias, naquilo em que o Senhor, teu Deus, te houver abençoado.

    Deuteronômio 12:11:

    Então haverá um lugar que o Senhor, vosso Deus, escolherá para nele fazer habitar o Seu nome; para lá trareis tudo o que vos ordeno: os vossos holocaustos, os vossos sacrifícios, os vossos dízimos, as ofertas alçadas da vossa mão e todos os vossos votos escolhidos que fizerdes ao Senhor.

    Agora vamos a Isaías 11:10. É um versículo maravilhoso:

    E acontecerá, naquele dia, que a raiz de Jessé, posta por estandarte dos povos, será buscada pelas nações; e o Seu lugar de repouso será glorioso.

    Agora Isaías 60:7, a última parte do versículo:

    E glorificarei a casa da Minha glória.

    Esta é uma palavra diferente no hebraico. A outra é a palavra normalmente usada para glória, mas esta também traz a ideia de beleza. Não é apenas glória, mas uma glória cheia de beleza. Algumas versões traduzem assim: “Embelezarei a Minha casa com beleza”.

    Isaías 60:13:

    A glória do Líbano virá a ti; o abeto, o pinheiro e o buxo juntamente, para embelezar o lugar do Meu santuário; e farei glorioso o lugar dos Meus pés.

    Salmos 132:8:

    Levanta-Te, ó Senhor, para o Teu lugar de repouso; Tu e a arca da Tua força.

    Salmos 132:13-14:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Desejou-a para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de repouso para sempre:
    Aqui habitarei, pois o desejei.

    Mais uma passagem da Antiga Aliança: Ageu 2:6-9.

    Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, farei tremer os céus, a terra, o mar e a terra seca;
    E farei tremer todas as nações; e virá o Desejado de todas as nações; e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos.
    Minha é a prata, e Meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos.
    A glória posterior desta casa será maior do que a anterior, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos.

    Agora vamos à Nova Aliança, a Efésios 2:20-22:

    Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular;
    No Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor;
    No Qual também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.

    Por fim, voltemos à primeira carta de Pedro, 1 Pedro 2:4-6:

    Chegando-vos a Ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas eleita e preciosa para Deus,
    Também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.
    Porque está contido na Escritura: Eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa; e quem Nele crê não será envergonhado.

    Oração

    Vamos orar juntos?

    Amado Senhor, tendo nos lembrado de Ti e de todo o Teu grande amor por nós, agora nos achegamos a Ti com toda a simplicidade e pedimos: Senhor, toma o ministério da Tua Palavra e usa-o para trazer iluminação e entendimento a todos os nossos corações.

    Somente o Teu Espírito Santo pode fazer isso. Senhor, pedimos que nos seja concedido, nesta noite, esse espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento de Ti mesmo. Mesmo que já tenhamos visto estas verdades, precisamos vê-las com mais profundidade e clareza do que nunca.

    Precisamos ver como elas se aplicam à nossa vida, ao nosso lar, à nossa família e às nossas congregações. Senhor, somente Tu podes fazer isso. Nós Te agradecemos porque nos concedeste uma unção, e nesta noite nos colocamos, pela fé, nessa unção de graça e poder, tanto para falar a Tua Palavra como para ouvi-la.

    Querido Senhor, vem ao nosso encontro. Toca os nossos corações, Senhor. Leva-nos a uma nova caminhada Contigo, a uma nova compreensão do Teu propósito para os nossos dias e para a nossa geração. Nós Te daremos todo o louvor e toda a glória, pois pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.

    Graça e Glória

    Bem, acho que agora já é tarde demais para revermos qualquer coisa do que dissemos antes. Mas esta pequena frase de 1 Pedro 5:10 tem estado muito no meu coração durante este período:

    O Deus de toda a graça, Que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo.

    Eu não fazia ideia do que o Senhor realmente queria para estes dias até poucos dias antes de nos reunirmos. Mas creio que o Senhor me deu algo muito claramente, da parte Dele mesmo. Não peço desculpas por isso. Creio que foi o Senhor Quem me deu, e, portanto, deve haver uma razão clara para Ele ter dado isso.

    Glória é uma palavra muito mal compreendida e desvalorizada nos círculos cristãos. Nós a usamos de maneira muito leviana: “Glória! Ah, que bom, glória!” — sem realmente entender o que estamos dizendo.

    Não existe uma palavra que substitua glória. Majestade, magnificência, esplendor — essas palavras não transmitem realmente a realidade e a verdade contidas nesta palavra: glória. Somente o Espírito Santo pode nos revelar isso.

    Mas, quando o Deus da glória aparece a um filho de Deus, aquela vida já não consegue se satisfazer com nada menos do que a glória de Deus: a cidade de Deus, o Messias de Deus, o reino de Deus, o trono de Deus, o povo de Deus, os redimidos.

    Quando o Deus da glória aparece a nós, vemos o Messias no Deus da glória. Vemos, no Deus da glória, a cidade de Deus, a noiva. Vemos, no Deus da glória, o tesouro que Deus deposita em nossa vida por meio de todas as dificuldades, aflições e tribulações pelas quais passamos.

    É algo tremendo. Não me admira que seja o Deus de toda a graça Quem nos chama para essa glória eterna. Não somos dignos dela. Não a merecemos. Somos pecadores que ficaram aquém da glória de Deus.

    Mas Ele é o Deus de toda a graça. Ele tomou os destroços sem valor, os restos à deriva que você e eu somos neste mundo, e nos trouxe para uma nova caminhada com Ele.

    Isso remonta a Abraão. Desde que Deus o tomou para Si, Ele vem tomando pessoas para Si e introduzindo-as em Seu propósito.

    Não é extraordinário que você e eu tenhamos nos unido a pessoas como Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Josué, Samuel e Davi? Eu poderia continuar, continuar e continuar. Isso me maravilha: a companhia dos eleitos de Deus, chamados pelo Senhor, escolhidos pelo Senhor, salvos pelo Senhor, chamados à Sua eterna glória em Cristo.

    Bem, é maravilhoso conhecer o Senhor. Estas duas palavras, graça e glória, caminham juntas. São gêmeas — gêmeas divinas. Você não pode separá-las. Nunca chegará à glória sem a graça de Deus. Graça e glória pertencem uma à outra.

    Na primeira noite, falamos sobre sermos chamados à Sua eterna glória em Cristo. Na segunda noite, falei sobre Cristo em vocês, uma esperança certa de glória. Ontem à noite, falei sobre o caminho para a glória — o caminho que é único. Não há alternativas. Você e eu temos de percorrê-lo se quisermos chegar à glória de Deus.

    A Casa Cheia de Glória

    Nesta noite, quero tomar esta pequena frase de Ageu:

    Encherei esta casa com a Minha glória.

    É algo extraordinário. Aqui você tem um indício disso: quem dera fosse apenas o Senhor e eu. Mas você percebe que isso envolve mais do que eu, mais do que você.

    Ouça Colossenses 1:27:

    Cristo em vós.

    De propósito, não falei disso na outra noite. Uma das melhores coisas da versão antiga em inglês era que ela distinguia thee, thou, you e ye. Quando se usava “you”, era plural.

    Agora todos usam “you”, de modo que você não sabe se a referência é a uma pessoa ou a várias. Mas é Cristo em você, e em você, e em você, e em você — não apenas Cristo em mim.

    A glória de Deus é grande demais para uma única pessoa. A glória do nosso Senhor Jesus, essa glória eterna em Cristo, é muito maior. Eu não posso revelá-la ou manifestá-la adequadamente em mim mesmo. São necessários todos os santos de todos os tempos, todos os redimidos, para expressar a glória eterna de Deus em Cristo.

    Você tem aí um indício de que essa questão de Cristo em nós, essa esperança certa de glória, está relacionada a outras pessoas. Seria muito mais fácil se fosse apenas eu. Para começar, quando é só você, é possível viver iludido. Você pode seguir sem esforço e fazer as coisas à sua maneira.

    Mas, ah, são os outros. São os santos que constituem o problema. Quando há outras pessoas percorrendo o mesmo caminho, e você precisa se relacionar com elas, ser disciplinado por elas e, de algum modo, permanecer junto delas, esse é o maior problema que temos.

    Você encontra a mesma coisa em Hebreus 2:10, quando se diz a respeito do Senhor Jesus que Ele está:

    Conduzindo muitos filhos à glória.

    Não basta conduzir você como filho — seja você mulher ou homem, você é filho de Deus, uma criança de Deus.

    Não se trata apenas de conduzir você pessoalmente à glória. Ele está conduzindo muitos filhos à glória. Portanto, em cada geração precisa haver relacionamento — relacionamento com outros crentes, com outros que estão percorrendo o mesmo caminho para a glória.

    A Casa de Deus na Antiga Aliança

    Isso me leva a toda essa questão da casa de Deus. A tipologia que encontramos no Antigo Testamento me impressiona. Espero não estar indo rápido demais para vocês, mas há tanta coisa para dizer.

    A tipologia do Antigo Testamento é extraordinária. Não é exagero dizer que essa questão do tabernáculo, ou do templo, é um ponto central do propósito eterno de Deus na Antiga Aliança.

    Você a encontrará em toda parte, em toda parte. Quando seus olhos forem abertos, descobrirá que essa questão do lugar de repouso de Deus, da habitação de Deus — prefiro a palavra lar; em inglês, é uma boa palavra de origem anglo-saxônica, melhor do que habitação —, do lar de Deus, da morada de Deus, está em toda parte.

    Crônicas é um exemplo. A maioria dos cristãos nem sequer se pergunta por que temos os dois livros de Samuel, os dois livros de Reis e depois percorremos tudo de novo nos dois livros de Crônicas. Por que o Senhor retoma tudo outra vez?

    Porque Samuel e Reis, esses quatro livros, tratam do trono e do reino. Mas Crônicas diz que, no coração do reino, está o lar de Deus. Em Crônicas, vemos tudo do ponto de vista da casa de Deus, do lar de Deus, do lugar de repouso de Deus.

    Você já se perguntou por que encontramos esta expressão extraordinária ao longo do Antigo Testamento?

    O lugar onde farei habitar o Meu nome.

    Ou:

    O lugar onde porei o Meu nome.

    Você não acha essa expressão extraordinária? A maioria dos cristãos está tão acostumada com a Bíblia que nunca faz essas perguntas. O lugar onde Ele põe o Seu nome; o lugar onde o Seu nome habita. Mas um nome não habita em um lugar, não é verdade? O que isso significa?

    Para começar, os nomes na Bíblia têm um significado muito maior do que o modo como usamos nomes hoje. Muitas vezes escolhemos nomes para nossos filhos porque são bonitos ou porque soam bem. Não é assim na Palavra de Deus.

    Na Palavra de Deus, os nomes das pessoas eram frequentemente proféticos quanto a todo o seu destino e todo o seu caráter. O nome representava a pessoa.

    O nome de Deus representa Seu coração e Sua mente. Representa Seu caráter, Seu ser, Seu propósito, Seu reino, Seu trono e Sua redenção.

    Farei habitar ali o Meu nome.

    Em outras palavras, o Senhor quer algo que O represente, que O expresse, que expresse Seu coração e Sua mente — um lugar onde Ele possa ser inteiramente Ele mesmo; onde possa descansar, não apenas visitar, não apenas abençoar, não apenas usar, mas sentir-Se em casa.

    Na Antiga Aliança, encontramos toda essa realidade extraordinária. Grande parte do Antigo Testamento trata da construção da casa de Deus, da reconstrução da casa de Deus ou da conclusão da casa de Deus. Está em toda parte. Veja Zacarias, Ageu, Malaquias, Isaías — o grande profeta evangélico. Para onde quer que você se volte, encontrará essa realidade extraordinária.

    Jerusalém, a cidade escolhida por Deus, era o lugar onde Sua habitação, Sua morada, Seu lugar de repouso foi construído.

    O Programa Divino de Edificação

    Tudo isso tem muito a nos ensinar. Não sei se está chegando a vocês com a clareza com que desejo que chegue, pelo Espírito Santo.

    Havia um profeta chamado Zacarias. Ele esteve profundamente envolvido na conclusão do segundo templo.

    Vocês se lembram de que, certo dia, ele teve uma visão. Viu duas oliveiras. Viu um candelabro de ouro com sete braços e sete lâmpadas e compreendeu imediatamente: era a menorá, o candelabro do templo.

    De cada lado havia uma oliveira, e das oliveiras saíam ramos. Ouro — ouro líquido — saía das oliveiras para o candelabro e se tornava combustível para a luz. A sua versão diz “azeite dourado”, mas não há “azeite” no hebraico. É ouro.

    Zacarias, como tantos de nós, estava mais interessado em si mesmo e em seu ministério do que no âmago da questão. Ele perguntou ao anjo: “Quem são estes?”

    O anjo disse:

    Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
    Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície; e ele trará a pedra de remate com aclamações: Graça, graça a ela.

    Depois, fala-se do prumo. Em outras palavras, tudo tem a ver com a construção. Suas mãos haviam realizado a obra; suas mãos a concluiriam.

    Certamente entendemos que toda essa visão não diz respeito apenas à casa de Deus como uma teologia. Ela diz respeito a um programa de edificação. É, se me permitem colocar em minhas próprias palavras, um programa de edificação divino e eterno.

    O candelabro não é apenas uma representação da igreja. Representa algo mais: a expressão prática da igreja.

    Muitas de nossas congregações estão inteiramente absorvidas pela verdade. É tudo o que enxergamos. Não nos preocupamos com evangelização, com alcançar as pessoas, com almas morrendo ao nosso redor ou com ir ao encontro do mundo. Tudo o que nos interessa é uma teologia da igreja. Isso não é a igreja.

    A igreja é o lugar onde as pessoas são edificadas em Cristo, relacionadas umas às outras, e crescem em direção à Cabeça, o Senhor Jesus. Isso é a igreja.

    Pois a igreja é o lugar onde o homem encontra Deus e Deus encontra o homem. É um lugar ao qual vêm as nações, os não salvos, os gentios — como dizia a versão antiga, os pagãos. Eles entram nesta casa do Senhor, pois:

    Será chamada casa de oração para todas as nações.

    Isso nos atinge e nos impacta. De repente, começamos a perceber que não se trata apenas de uma verdade na qual estamos concentrados ou centrados. Trata-se de um programa de edificação.

    Deus toma esse símbolo do candelabro de ouro de sete braços como símbolo desse programa de edificação. É preciso haver homens e mulheres cheios do Espírito. Sem homens e mulheres cheios do Espírito Santo, não pode haver uma igreja em funcionamento. Há apenas uma teologia.

    Mas, onde o Espírito Santo derrama a vida de Cristo em alguns crentes, começa a haver uma edificação. Um relacionamento começa a ser produzido pelo Espírito Santo. E há luz.

    Espero não estar generalizando aqui, sinceramente. Mas somos, basicamente, de segunda geração. Esse é o maior perigo na história da igreja. É aí que transformamos poder vivo em teologia sistematizada.

    Farei habitar ali o Meu nome.

    Você acredita que pode haver edificação da igreja sem compaixão pelo mundo que está morrendo? Quer me dizer que pode haver uma igreja que não se importa em nada com a nação em que se encontra? Isso é uma contradição em termos.

    O Nome de Jesus e a Igreja

    Farei habitar ali o Meu nome.

    Considere o Novo Testamento, a Nova Aliança.

    A noiva compartilha o nome de seu Marido: Jesus. Considere o lar de Deus: é um lar que compartilha o nome de Jesus. Considere a cidade de Deus: é o nome do Senhor que está naquela cidade. Considere o corpo do Senhor Jesus: ele não tem um nome diferente do de sua Cabeça. Compartilha o mesmo nome.

    Agora você começa a entender por que, quando chegamos ao último livro da Bíblia, o apóstolo João se volta ao ouvir atrás de si um som de trombeta e uma voz falando?

    Ao se voltar, ele vê sete candelabros de ouro. Eles representam sete igrejas em sete localidades diferentes — uma igreja em sete localidades. Você entende?

    É um candelabro. Mas ouça isto: Jesus diz a Éfeso — logo a Éfeso, uma das melhores igrejas:

    Se não te arrependeres, virei e removerei o teu candelabro do seu lugar.

    Isso significa que tudo acaba? Que a rotina acaba? É claro que não. Os estudos bíblicos continuarão. As reuniões de oração continuarão. O partir do pão continuará. Toda a rotina da igreja continuará. Mas o candelabro se foi.

    O que isso significa? Ouça-me: o que significa? Significa que a edificação parou. Aquilo se tornou um memorial. Tornou-se uma lápide. Morreu. A obra de edificação do Espírito Santo parou.

    Esse é o testemunho de Jesus. Aquele candelabro, inteiramente de ouro, representa o testemunho de Jesus.

    Nós sustentamos esse testemunho assim como o candelabro sustenta as sete lâmpadas. Para que serve um candelabro se não há luz? Sustentamos a lâmpada sétupla e sua luz — luz para os crentes, luz para os aflitos, luz para os pobres, luz para o mundo.

    Não é fácil falar sobre um assunto como este. É doloroso.

    O Lugar de Repouso de Deus

    Que coisa bela o Espírito de Deus disse ao profeta Isaías:

    E o Seu lugar de repouso será glorioso.

    No hebraico, é mais simples. Não sei por que não é traduzido desta maneira. Diz simplesmente:

    O Seu lugar de repouso será glória.

    Quando levantaram o tabernáculo, no momento em que tudo foi concluído e tudo estava em seu lugar, a glória do Senhor veio, e eles não podiam entrar por causa dela.

    Quando levantaram o templo, quando tudo estava em seu lugar, quando a arca da aliança havia sido trazida para dentro e todos os utensílios do templo estavam em seus lugares, a glória do Senhor o encheu. Os sacerdotes não conseguiam permanecer em pé para ministrar.

    Era uma figura maravilhosa: o Seu lugar de repouso será glória.

    Que palavra maravilhosa encontramos em Salmos 132:8:

    Levanta-Te, ó Senhor, para o Teu lugar de repouso; Tu e a arca da Tua força.

    Isso é a presença do Senhor.

    Depois, em Salmos 132:13-14, está escrito:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Desejou-a para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de repouso para sempre:
    Aqui habitarei.

    Simplesmente não sei se isso está tocando vocês da maneira como eu gostaria que o Espírito de Deus me capacitasse a expressá-lo.

    Não há templo na cidade. O Senhor Deus e o Cordeiro são o templo. Não há necessidade da luz do sol ou da lua, pois o Senhor Deus e o Cordeiro são a sua luz. É ali que a glória de Deus a ilumina.

    Digo que isso é tremendamente grandioso. Para mim, é. Oro para que também seja para vocês.

    A Igreja Além dos Limites Denominacionais

    Eu era batista — e muito zeloso. Achava que não havia nada como os batistas.

    Mas, quando aquele dia chegou, vi o que era a igreja. Em um único instante, deixei de ser batista.

    Não é que eu seja contra os batistas ou contra qualquer outra pessoa. Creio no que os anglicanos e os episcopais têm por causa de sua igreja paroquial. Creio que isso é local — absolutamente correto. Uma igreja distribuída conforme o lugar onde você mora. Ora! Não tenho nenhum problema com isso.

    Sou presbiteriano porque creio nos presbíteros e creio na deliberação conjunta de presbíteros com presbíteros. Bem, nisso estou com os presbiterianos.

    Estou com os batistas porque creio que não existe outro tipo de batismo senão o batismo de um crente. Imagino que, em muitos aspectos, essa seja a forma judaica de batismo. Tentaram nos dizer que não era, mas agora sabemos, pelas descobertas arqueológicas mais recentes, que era muito comum.

    Sou quacre porque não creio que as coisas devam ser institucionalizadas. Sou dos Irmãos Abertos porque creio que é preciso dar lugar ao sacerdócio de todos os crentes. Eu poderia continuar e continuar. Sou pentecostal porque creio nos dons, e até os carismáticos têm seu lugar no mapa.

    Quando vi o que era a igreja, vi que ela incluía todo crente nascido de novo. Eu pertencia a eles; eles pertenciam a mim. Naquele momento, deixei de ser batista e me tornei cristão.

    Cristo como o Verdadeiro Templo

    Quando você considera toda essa questão do lar de Deus no Espírito, lembra-se do Senhor Jesus em João 2?

    Os judeus Lhe disseram:

    Que sinal nos mostras, visto que fazes estas coisas?

    Jesus lhes respondeu:

    Destruí este templo, e em três dias o levantarei.

    Os judeus disseram:

    Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e Tu o levantarás em três dias?

    Mas Ele falava do templo do Seu corpo.

    João 1:14 diz:

    O Verbo Se fez carne e tabernaculou entre nós.

    Jesus é o cumprimento da tipologia tanto do tabernáculo como do templo. Vocês entendem?

    Quando o Senhor Jesus foi ressuscitado dentre os mortos, foi como se outro tipo de templo tivesse sido levantado. Então começamos a compreender algo.

    Vocês ouviram enquanto eu lia Efésios 2, e tenho certeza de que perceberam como essas coisas são extraordinárias. Em primeiro lugar: um lar de Deus no Espírito.

    Você e eu devemos ser o lar de Deus pelo Espírito Santo e no Espírito Santo. Apague o Espírito, entristeça o Espírito, e tudo isso será apenas uma teoria.

    Um lar de Deus no Espírito. Você e eu. Fomos salvos pela graça de Deus. Devemos ser um lar de Deus no Espírito.

    Aqui está a segunda coisa: um templo santo no Senhor. Você já ouviu falar de algo assim? Um templo santo no Senhor.

    O Senhor Jesus disse:

    Destruí este templo, e em três dias o levantarei.

    Um templo santo no Senhor. Você está em Cristo? Bem, eu estou em Cristo. Isso significa que você e eu temos um relacionamento.

    Talvez não gostemos um do outro. Talvez sejamos diferentes em temperamento, raça e cultura. Pode haver mil e uma coisas que formem uma parede de separação entre mim e você, e entre você e mim.

    Mas tudo isso foi eliminado pela obra consumada do Senhor Jesus. O mais maravilhoso é que, assim como eu estou em Cristo, você também está em Cristo; e, assim como Cristo está em mim, Ele também está em você. Agora temos um relacionamento extraordinário uns com os outros.

    Descubro, pela graça de Deus, que estou em Cristo, mas não tenho um Cristo particular. Acho terrível essa expressão — “um Cristo particular” —, como se você tivesse seu próprio Cristo feito sob medida, Alguém Que Se acomoda a você, Alguém Que Se ajusta a você.

    Ah, aí está o meu Senhor Jesus. Ele é o Salvador e Senhor de todos nós. Estou Nele, e você está Nele. Ele está em você, e Ele está em mim. Temos um relacionamento duplo. Estamos no mesmo Senhor, e o mesmo Senhor está em nós.

    Agora temos um relacionamento espiritual, orgânico. Pertenço a você; você pertence a mim. Por que pertenço a você? Por que você pertence a mim? Porque pertenço ao Senhor Jesus, e você pertence ao Senhor Jesus. Você nasceu do Espírito de Deus, e eu nasci do Espírito de Deus. Agora temos um relacionamento.

    Um templo santo no Senhor. Todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. Isso não é extraordinário?

    O Processo de Edificação Conjunta

    Agora ouça isto:

    No Qual também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.

    No Qual? Em Cristo.

    Vocês estão me acompanhando? Bem, não durmam. Se estão me acompanhando, ouçam com atenção:

    Cresce para templo santo no Senhor.

    Bem ajustado.

    Juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.

    É um processo. É aí que surgem todos os nossos problemas. Esse é o ponto central do nosso problema. Quem dera, de algum modo, tudo isso fosse um fato consumado — algo realizado, algo já feito, concluído. Não, não, não. Isso é algo em que você cresce. É algo em que vocês são edificados juntos.

    Agora temos o problema. Se eu pudesse escolher as pessoas com quem seria edificado para formar o lar de Deus, seria muito mais agradável, porque eu poderia escolher. Mas não é assim.

    Deus toma pessoas muito diferentes de nós, coloca-nos juntos, e temos de permanecer juntos. Esse é o maior problema na vida da igreja.

    Se eu pudesse simplesmente dizer a você: “Adeus. O Senhor está me chamando para outra comunhão aqui perto”. A questão é que as coisas estão ficando um pouco quentes demais com você. Está um pouco difícil demais. Eu preferiria ir para esse outro lugar.

    Mas, é claro, não permanecerei lá. Normalmente, é sair da frigideira e cair no fogo, porque o seu problema vai com você. Você é o problema.

    Quando vai para outro lugar, você leva o problema consigo. Ah, ouço isso por toda parte: “O testemunho de Jesus se foi. A autoridade de Jesus como Cabeça se foi”.

    É muito fácil dizer isso. “Então vamos acompanhar o testemunho de Jesus, não é? Vamos acompanhar a autoridade de Jesus como Cabeça.” Não encontro nada disso no Livro.

    Se há crentes vivendo em sua localidade que estão firmados no fundamento do Senhor Jesus, você tem de permanecer ali. Não há saída de emergência.

    É como estar em uma panela de pressão. Você não pode sair; só pode soltar um pouco de vapor de vez em quando. Vocês estão sendo cozidos juntos para formar uma refeição maravilhosa.

    Ah, queridos irmãos e irmãs, como todos nós somos enganosos. “Não encontro o Senhor aqui.” Ora, ora.

    Algo muito interessante para mim é que, quando o Senhor falou às sete igrejas em Apocalipse 2 e Apocalipse 3, Ele não disse uma única vez: “Agora, vocês que são fiéis, saiam”.

    Mesmo onde havia nicolaísmo — o que significava uma hierarquia, uma hierarquia se desenvolvendo na liderança —, o Senhor disse: “Odeio isso”, mas nunca disse: “Saiam”. Ele disse: “Vença”.

    Mesmo onde havia uma Jezabel ensinando as coisas profundas de Satanás — vocês conseguem acreditar? —, o Senhor nunca disse: “Saiam”. Ele disse: “Vença”.

    Mesmo no caso da igreja de Laodiceia, tão morna que o Senhor disse: “Estou enjoado de você. Vou vomitá-la”, Ele nunca disse: “Saiam”. Ele disse: “Vença”.

    Em outras palavras, essa edificação conjunta dos crentes é o lugar onde todo o problema se concentra. É o nosso relacionamento uns com os outros que determina se estamos vencendo.

    Não participamos dos pecados dos outros, mas lavamos seus pés. Nós os amamos. Cuidamos deles. Não nos tornamos amargurados.

    Relacionamentos Difíceis e Formação Espiritual

    Já contei esta história a vocês? É uma boa história.

    Charles Haddon Spurgeon, aquele grande pregador — sempre me disseram que era chamado de Príncipe dos Pregadores por causa de sua eloquência —, quando já havia percorrido cerca de um terço ou metade de seu ministério, e já estava no Tabernáculo Metropolitano, em Londres, começou a receber uma carta toda segunda-feira de manhã.

    A carta era muito cortês. Era endereçada ao senhor Spurgeon e apontava seus erros gramaticais no sermão, seus erros de dicção e, depois, os problemas no conteúdo da mensagem.

    O grande Charles Haddon Spurgeon começou a ter pesadelos porque não conseguia descobrir quem era. Obviamente, era alguém da congregação. A carta era entregue em mãos, por um mensageiro, toda segunda-feira.

    Isso lhe roubou toda a confiança. Por fim, decidiu que precisava investigar os bastidores e pegar aquele irmão ou aquela irmã — em nome do Senhor! Começou a se entregar à guerra espiritual e a esse tipo de coisa.

    Então, certo dia, o Senhor lhe disse: “Você quer que Eu remova o seu tesouro?”

    Charles Haddon Spurgeon respondeu: “O que queres dizer com meu tesouro? Isso é demoníaco”. Estou colocando em minhas próprias palavras.

    Então o Senhor lhe disse: “É assim que estou produzindo tesouro em você”.

    Daquele momento em diante, até o fim de sua vida, Spurgeon recebeu aquela carta toda segunda-feira de manhã e, até onde sei, nunca soube quem a enviava.

    Sabe aquela pessoa difícil com quem você tem de conviver? Você sabia que Deus a está usando para produzir tesouro em você?

    Sabe aquelas pessoas difíceis no escritório? Você sabia que Deus está usando aquele homem não salvo ou aquela mulher não salva no escritório para produzir tesouro em você?

    Você sabia que Deus os está usando para fazê-lo encarar a realidade de quem você é? É somente nesse tipo de relacionamento que descobrimos quem realmente somos.

    Lembro-me de um homem que certa vez me enviou uma carta. Era um homem muito importante nos círculos cristãos. No final daquela longa carta, disse: “Sabe, eu sou o homem mais humilde do mundo”.

    Esse irmão, como todos sabíamos, era a pessoa mais orgulhosa que se podia imaginar. Ele não fazia ideia. Havia entrado em conflito com outro grande líder e disse que aquele líder era arrogante e orgulhoso. Talvez isso explique algumas de suas situações.

    Lembro-me de outra senhora. Ela era irlandesa — o que é uma coisa muito boa! Não vou dizer seu nome, mas era um maravilhoso nome irlandês.

    Ela costumava dizer: “Você pode me contar qualquer coisa, porque sei guardar uma confidência”. Mas todos nós sabíamos: conte à titia, e a cidade inteira saberá dentro de uma hora — especialmente se você acrescentar: “Estou contando isso em confiança”.

    É impressionante, não é? Algumas pessoas são incrivelmente prolixas. Se você lhes disser que falam demais, ficarão muito zangadas e ofendidas. Não, nós não conhecemos a nós mesmos.

    Como passamos a conhecer a nós mesmos? Por meio do relacionamento. Não é em algum retiro no alto de uma montanha, onde estamos sozinhos com o Senhor, em algum lugar maravilhoso de nasceres do sol, pores do sol e pássaros cantando, que de repente enxergamos a nós mesmos.

    Isso não acontece dessa maneira, porque a maioria de nós não quer enxergar a si mesma. Temos uma ideia de nós mesmos que é bastante falsa. É irreal. A fachada precisa ser destruída pelo relacionamento com pessoas muito difíceis.

    Não é uma questão fácil. Estou dizendo: não é uma questão fácil. Preferiríamos gritar: “Agora eu e o Senhor vamos longe. Eu e o Senhor, estou no caminho para a glória — só eu e o meu Senhor”.

    Isso não funciona. O Senhor coloca o solitário, aquele que vive sozinho, em famílias. Ali, de repente, descobrimos que temos irmãos e irmãs que não escolhemos. O Senhor os escolheu.

    Ah, é por isso que tão poucos são calvinistas. Preferem ser arminianos nessa questão. Gostam de pensar que é apenas um acaso. Não é um acaso.

    Sua esposa não é um acaso. Seu marido não é um acaso. Seus filhos não são um acaso. Seus pais não são um acaso. O chefe no trabalho não é um acaso. Seus empregados não são um acaso.

    Na casa de Deus, se há um lugar onde o relacionamento pode ser muito doloroso, esse lugar é a casa do Senhor.

    Que coisa maravilhosa é quando os irmãos permanecem juntos. Irmãos na liderança jamais conseguem permanecer juntos sem pagar um preço. Alguém precisa dar a própria vida.

    As Pedras Vivas e a Pedra Angular

    Não sei se isso chega a vocês com vida e clareza, mas, quando leio a primeira carta do apóstolo Pedro, no capítulo 2, encontro algo tão extraordinário.

    Chegando-vos a Ele, pedra viva…

    Esse é o Senhor Jesus.

    Rejeitada, na verdade, pelos homens, mas eleita e preciosa para Deus.
    Também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais a Deus.

    Essa pedra viva, o Senhor Jesus, é a pedra angular. Uma pedra angular não é a casa.

    Por que o Senhor Jesus recebeu esse título, pedra angular? Examine o Antigo Testamento e encontrará isso repetidas vezes: profecias sobre a pedra angular.

    É uma pedra que colocamos em museus? É uma obra de arte que colocamos em salões magníficos? Não. É uma pedra angular. Tem a ver com o programa de edificação.

    Uma pedra angular é importante, significativa, tremendamente importante, mas indica um programa de edificação.

    Agora, a segunda coisa: uma pedra angular e mais uma pedra não formam um lar. Vocês entenderam?

    “Ah”, você diz, “quero acertar meu relacionamento com o Senhor Jesus. É isso que importa — meu relacionamento com o Senhor Jesus.” Uma pedra angular e uma pedra não formam um lar.

    É preciso ter todas as pedras vivas, não apenas relacionamentos com a pedra angular. É preciso haver uma casa.

    Você pode ter uma grande e bela pilha de pedras. Se for alemão ou holandês, elas estarão perfeitamente arrumadas. Se for inglês, provavelmente estarão amontoadas. Mas uma pilha de pedras não faz uma casa — nem mesmo quando está empilhada de maneira organizada.

    As pedras precisam encontrar seu relacionamento umas com as outras em relação à pedra angular — em outras palavras, em relação ao Senhor Jesus.

    O Trabalho do Canteiro

    Lembro-me muito bem de quando minha casa em Jerusalém foi reformada, anos atrás. Durante a Guerra da Independência de 1947-1948, haviam guardado toda a munição no meu sótão.

    Um atirador árabe habilidoso conseguiu disparar algo que também arrancou, com a explosão, todo o telhado da parte de trás da casa. Por isso, tiveram de reformá-la.

    Lembro-me de descer até lá. Naqueles dias, tudo chegava em jumentos. Todas aquelas pedras brutas vinham em cestos dos dois lados de uma fileira inteira de jumentos e eram despejadas diante da porta principal da casa.

    Esse velho canteiro, que não falava uma palavra de inglês, vinha acompanhado de um menino. Eles pegavam as pedras e as levavam para dentro.

    Nunca me esqueci de como ele pegava aquelas pedras. Até hoje não entendo isso, mas me lembro do problema que tive a respeito. Ele pegava uma pedra, olhava para ela, colocava-a aqui, às vezes ali, e depois a descartava.

    Outras ele colocava deste lado. Eu olhava para o que ele estava descartando e pensava: “Sei o que ele está tramando. Vai levar essas pedras para a própria casa. Não sou judeu à toa!”

    Pensei: “Esse homem parece tão simpático, tão amável, mas é um trapaceiro”. Então olhei para as pedras. Eram lindas. A pedra de Jerusalém é muito bonita. Sua cor vai do cinza ao amarelo, passando por tons esverdeados, laranja e vermelho.

    Olhei para as pedras que ele estava descartando. Eram absolutamente lindas. Obviamente, ele percebeu o que eu estava pensando, mas não conseguia se explicar. Só falava árabe.

    Por fim, o engenheiro, o supervisor de toda a obra, veio até mim e disse: “Entendo que você está com um problema a respeito dessas pedras”. Respondi: “Sim”.

    Ele disse: “Todas essas pedras têm defeitos. Ele sabe que poderia passar uma semana cortando, lascando e cinzelando uma delas, e então, no último momento, ela se partiria”.

    A pedra que os construtores rejeitaram.

    Ele passou semanas trabalhando. Nunca me esquecerei.

    Até hoje, assim que penso naquele velho, consigo vê-lo em minha mente, agora mesmo: tin, tin, tin, tin, tin, tin — hora após hora. Aquelas mãos idosas trabalhando.

    Um dos arquitetos da cidade, um dos meus vizinhos, veio até mim e disse: “Ah, estou tão contente por você estar fazendo isso à maneira antiga”.

    Ele disse: “Seu vizinho, que é um dos homens mais ricos do mundo, um multimilionário, viu o trabalho e disse: ‘Está morta. A pedra já não está viva. Está morta. Nunca mostrará cor’”.

    Ele disse: “Da maneira como você está fazendo, ao longo do dia e das estações, terá cores diferentes”.

    É verdade. Quanto à pedra do meu vizinho, não importa se chove, se há neblina ou se faz sol — é sempre da mesma cor: um amarelo sem vida.

    Mas as pedras trabalhadas por aquele velho respiram vida. Quando chove, ficam de um laranja-avermelhado intenso. Tão bonitas. Pedras vivas.

    Pedras vivas exigem trabalho manual. Isso leva tempo.

    Agora, vocês aqui — e devo dizer que na Europa também, porque estão seguindo vocês nisso — acreditam em coisas instantâneas: café instantâneo, até chá instantâneo agora. Que o Senhor perdoe a todos nós.

    Tudo instantâneo: creme instantâneo, bolo instantâneo, pão de ló instantâneo, isto instantâneo e aquilo instantâneo. Todos queremos santidade instantânea e queremos edificação conjunta instantânea. Isso não existe.

    O Senhor precisa trabalhar. Isso leva tempo. É trabalho manual. Tin, tin, tin, tin. Você acha que não está chegando a lugar algum. Isso leva tempo.

    A Igreja Imperfeita e a Obra de Deus

    Chegando-vos a Ele, pedra viva, também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais a Deus.

    Bem, preciso encerrar tudo isso. Acho que nosso tempo já acabou. Mas essa obra de edificação, esse candelabro, esse testemunho de Jesus indica trabalho — uma obra de construção.

    Se algum de vocês já fez uma obra, certamente sabe que sempre há bagunça quando os construtores estão trabalhando.

    Que coisa é essa que temos entre nós? Por que as pessoas estão sempre procurando a igreja perfeita? Não entendo essa ideia. Todo mundo está procurando a igreja perfeita.

    Acho que foi um velho monge que certa vez disse a um homem que procurava a igreja perfeita: “Quando você entrar nela, ela deixará de ser perfeita”.

    Mas todos temos essa ideia: estamos procurando o modelo perfeito, a igreja perfeita. Irmãos e irmãs, a igreja perfeita é a cidade. Esse é o resultado final.

    A igreja em sua expressão na terra é sempre imperfeita — sempre imperfeita. Essa é a marca característica da igreja na terra. É imperfeita. É uma bagunça. É um canteiro de obras.

    Há pedaços e peças por toda parte. Não parece bonito. Não está organizado. É uma obra de construção em andamento. Mas as pessoas dizem: “Ah, estou procurando algo perfeito”.

    Amigo, abandone essa ideia. Você se tornará perfeito estando no meio da bagunça da obra. É assim que será aperfeiçoado.

    Deixe-me colocar de outra maneira, se isso ajudar. Todos acham que a igreja no Novo Testamento era tão perfeita. Perfeita! Que tipo de óculos vocês estão usando?

    Veja Corinto. Eles se embriagavam à mesa do Senhor. Como conseguiam fazer isso com suco de uva, eu não sei, mas se embriagavam à mesa do Senhor.

    Eram glutões e gananciosos à mesa do Senhor. Posso até ouvir os crentes respeitáveis do século XX dizendo: “Estou saindo. Não vou ficar com essa gente. Embriaguez! Não vou chegar nem a quilômetros de distância dessa congregação”.

    Um rapaz dormindo com a mãe. A igreja dividida em quatro grupos: três com nomes de grandes líderes espirituais e um exclusivo: “Nós somos de Cristo”. De qualquer maneira, saia de lá!

    Veja uma boa igreja, Éfeso: nicolaísmo; haviam abandonado seu primeiro amor. Veja outra igreja e, de repente, há Jezabel ensinando as coisas profundas de Satanás. Vocês conseguem acreditar? “Fora! Estou fora!”

    A igreja dos primeiros tempos do Novo Testamento não era perfeita. Houve um casal que se levantou e deu seu testemunho. Um caiu morto. Quando a esposa entrou, ela também caiu morta.

    Vocês conseguem imaginar a reunião seguinte da igreja? Algumas pessoas dizendo: “Pedro, acho que você é um pouco severo. Quero dizer, fazer o irmão Ananias e Safira morrerem assim”.

    Não, meu amigo. A igreja primitiva não era perfeita. Era uma bagunça.

    Deus estava fazendo algo no meio da bagunça, porque aquilo era um canteiro de obras. É por isso que havia pedaços e peças por toda parte. Mas Deus estava fazendo algo na vida daquelas pessoas: aperfeiçoando-as para a glória, edificando-as como casa espiritual, para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios a Deus.

    O Chamado a Permanecer Juntos

    Bem, querido filho de Deus, qual é o desafio em tudo isso? Muito simples: você não pode chegar sozinho à glória eterna de Deus em Cristo.

    É com seus outros irmãos e irmãs que você chega. É por meio deles que o Senhor fará essa obra em você e, por meio de você, uma obra neles.

    Quando o Senhor tiver encontrado Seu lugar de repouso, edificado e concluído esse lugar, então Sua glória virá.

    Esse é o lar de Deus, o lugar onde Ele habita para sempre. É difícil acreditar, não é, quando pensamos em nós mesmos — que deveríamos ser a morada do Senhor para sempre.

    O que o Senhor fará na eternidade futura, não sabemos realmente. Tudo o que sabemos é que Ele tem um propósito, e esse propósito foi interrompido pelo pecado e pelo fato de termos ficado aquém da Sua glória.

    Virá um dia em que a casa estará concluída, a noiva estará aperfeiçoada e a cidade de Deus chegará. Com ela virá a glória de Deus.

    Então o Senhor nos dirá: “Agora vamos prosseguir com a obra. Aquilo que estava em Nossa mente no princípio, ao criar a humanidade, agora vamos realizar”.

    Então essa glória de Deus nos filhos de Deus, no povo de Deus, transbordará para toda a criação natural e para todo o universo. Que maravilha.

    Querido filho de Deus, não desista. Não jogue a toalha. Não deixe o inimigo derrotá-lo.

    Pela Sua graça, estamos no cortejo triunfal de Cristo. Permaneça ali e, pelo Deus de toda a graça, você alcançará Sua eterna glória em Cristo.

    Oração Final

    Vamos orar?

    Querido Senhor, sabemos que é necessário um compromisso de nossa parte para realmente sermos edificados juntos, para termos um relacionamento uns com os outros em Ti.

    Senhor, este mundo está cheio de divisão entre o Teu povo, desordem entre o Teu povo, facções e tantas outras coisas. Ah, Senhor, tem misericórdia de nós.

    Desafia os nossos corações nesta noite. Visto que somos candidatos à glória, visto que, pela Tua graça, Tu nos escolheste para sermos aqueles que participarão da glória eterna de Cristo — Senhor, desafia-nos pelo Teu Espírito.

    Produz em nosso coração um compromisso Contigo e, por amor a Ti, uns com os outros. Por mais pobre que seja a nossa congregação representada aqui, que permaneçamos juntos e avancemos juntos até que Tu tenhas realizado em nós a obra de edificação.

    Senhor, ajuda-nos. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.