É segunda-feira à noite, 9 de junho de 1975, em Richmond, Virgínia. A ministração está a cargo do irmão Stephen Kaung.
Gostaria de começar lendo algumas passagens aqui e ali. Não sei quanto conseguiremos abordar esta noite, mas veremos à medida que avançarmos.
Deuteronômio 1:5
Além do Jordão, na terra de Moabe, começou Moisés a declarar esta lei.
Deuteronômio 4:1-2
Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os preceitos que vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos dá.
Não acrescentareis à palavra que vos ordeno, nem dela diminuireis; para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que vos ordeno.
Deuteronômio 29:1
Estas são as palavras da aliança que o Senhor ordenou a Moisés que fizesse com os filhos de Israel na terra de Moabe, além da aliança que Ele fizera com eles em Horebe.
Este quinto livro de Moisés é chamado Deuteronômio. A própria palavra significa a reapresentação da lei — a declaração da lei pela segunda vez — ou a segunda lei.
Antes que os filhos de Israel entrassem na terra prometida, nas planícies de Moabe, Moisés reapresentou a lei que Deus havia dado aos seus pais no monte Horebe. Ao reapresentar a lei, ele a desenvolveu e a explicou a eles.
Agora, se vocês compararem Êxodo 20 com Deuteronômio 5, encontrarão exatamente as dez palavras — isto é, os Dez Mandamentos. Sabemos, naturalmente, que os Dez Mandamentos constituem a base da lei. Os estatutos e os preceitos foram todos fundamentados nas dez palavras.
Assim, em certo sentido, podemos dizer que é a mesma lei sendo declarada pela segunda vez. Mas sabemos que, sob a lei dada aos filhos de Israel no monte Horebe, eles não puderam entrar na terra prometida.
A lei lhes foi dada para que a guardassem; contudo, por causa da fraqueza de sua carne, eles não a guardaram. Não foram capazes de guardar a lei e, por a terem transgredido, aquela geração caiu morta no deserto. Não lhes foi permitido entrar na terra prometida.
Portanto, se a lei foi declarada pela segunda vez e era a mesma lei, a mesma aliança, como foi que a nova geração conseguiu entrar na terra prometida?
É por isso que Deuteronômio às vezes é chamado de segunda lei — não apenas a lei declarada pela segunda vez, mas a segunda lei. Por quê? Porque aqui encontramos Deus fazendo outra aliança com os filhos de Israel nas planícies de Moabe, além da aliança que Ele fizera com eles em Horebe.
Era quase a mesma, mas não exatamente a mesma. Em Deuteronômio 29:1, somos informados de que estas são as palavras que Moisés lhes falou como a aliança de Deus com eles, além da aliança que Deus fizera com eles no monte Horebe.
Agora, qual era a diferença? Em todos os aspectos exteriores, parecia que eram iguais; contudo, havia uma diferença. A diferença era que, sob a pura lei de Deus, ninguém conseguia entrar na terra prometida.
Os filhos de Israel, a segunda geração, puderam entrar na terra prometida não porque fossem justos. Se vocês lerem o livro de Deuteronômio, verão que Deus deixou isso muito claro para eles: “Não pensem que vocês podem entrar porque são mais justos”. Deus disse: “Vocês não são. Vocês são um povo de dura cerviz”.
Foi por causa da maldade dos povos que estavam na terra, não por causa da justiça de Israel. Foi porque Deus Se lembrou de Sua promessa a Abraão, a Isaque e a Jacó. Foi porque Deus era um Deus fiel.
Não foi por causa da fé do povo, mas por causa da fidelidade de Deus. E Deus disse: “Não pensem que vocês entram porque são mais fortes do que os povos que habitam a terra”. Deus disse: “Na verdade, eles são mais fortes do que vocês. Mas é porque Eu os amo que vocês podem entrar e possuir a terra”.
Portanto, irmãos e irmãs, vocês podem ver muito claramente que eles não entraram na terra porque guardaram a lei. Ninguém conseguiria, quer fosse a primeira geração, quer fosse a segunda. Foi-lhes permitido entrar por causa do amor de Deus, de Sua fidelidade e de Sua misericórdia.
Mas Deus de fato lhes reapresentou a lei, e essa reapresentação da lei está relacionada à terra. Depois que entrassem na terra pela misericórdia de Deus, deveriam aprender a dar ouvidos à Palavra de Deus — não como seus pais, que não ouviram a voz de Deus.
Depois que entrassem na terra prometida, deveriam ouvir a Palavra de Deus. Se obedecessem a Deus, poderiam permanecer na terra.
Irmãos e irmãs, eles não entraram na terra porque guardaram a lei. Mas, depois que entraram na terra pela misericórdia de Deus, receberam a ordem de guardar a lei. Se dessem ouvidos e guardassem a lei, permaneceriam por muito tempo na terra. Se não o fizessem, seriam expulsos da terra.
Mas isso não era tudo. Se fosse tudo, eles entrariam na terra pela misericórdia de Deus, mas seriam expulsos dela por não guardarem a lei.
Assim, aqui encontramos, no livro de Deuteronômio, por assim dizer, a nova aliança de Deus — outra aliança com eles. Deus disse: “Agora, se vocês não guardarem a Minha Palavra, não guardarem a Minha lei, serão expulsos. Mas Eu, em Minha misericórdia, os trarei de volta”.
Essa é a aliança nas planícies de Moabe. Ela vai além da aliança que Deus fez com os pais deles no monte Horebe. Embora fosse a mesma lei, a segunda era sustentada pela graça. A entrada deles foi pela misericórdia.
Esperava-se que os filhos de Israel — tendo o coração tocado pelo amor de Deus — se dispusessem a amar a Deus. Assim, permaneceriam por muito tempo na terra.
Naturalmente, agora isso é história. Ao olharmos para trás, sabemos exatamente como tudo aconteceu. Pela misericórdia de Deus e por causa da fidelidade de Deus, Deus os conduziu à terra prometida, e eles receberam a terra.
Mas, depois que se estabeleceram na terra e prosperaram, logo se esqueceram de Deus. Não guardaram a lei. Deus lhes enviou Seus profetas repetidas vezes para adverti-los, mas eles não quiseram se arrepender. Por fim, foram levados para o cativeiro; foram dispersos por toda parte.
Mas, graças a Deus, Deus prometeu trazê-los de volta. Essa é a aliança que Deus fez com eles nas planícies de Moabe.
Agora, o que isso significa para nós? Irmãos e irmãs, naturalmente, não estamos debaixo da lei; estamos debaixo da graça. Se ainda estivéssemos debaixo da lei, ainda estaríamos debaixo de escravidão. Jamais conseguiríamos desfrutar de Cristo, nossa terra, em toda a Sua plenitude.
Isso é bem verdade. Mas, queridos irmãos e irmãs, às vezes nos esquecemos. Pensamos que, por não estarmos debaixo da lei, não estamos debaixo de coisa alguma.
Porque somos salvos pela graça, de alguma maneira, depois de termos tomado posse de Cristo, começamos a nos desviar. Ao fazer isso, não conseguiremos tomar posse plenamente daquilo que nos pertence.
Espiritualmente falando, embora não estejamos debaixo da lei, mas debaixo da graça, há uma lei que Deus de fato nos dá. Se queremos permanecer por muito tempo na terra, se queremos tomar posse plenamente daquilo que nos pertence, há uma lei que precisamos guardar.
Não são os Dez Mandamentos. Vocês se lembram de que, em João 15:10, o Senhor disse:
Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor.
Não é porque hoje estamos debaixo da graça que não existe lei alguma. Há uma lei.
Qual é a lei da graça? Qual é a lei que Deus nos deu hoje? Vocês se lembram de que, na nova aliança, em Hebreus 8:10, Deus disse:
Porei as Minhas leis em sua mente,
E também em seu coração as escreverei;
E Eu lhes serei Deus,
E eles Me serão povo.
Em outras palavras, não estamos sem lei. Temos, sim, uma lei, mas uma só: a lei régia do amor, a lei da graça, a lei do Espírito da vida.
Deus não nos dá dez leis, dez mandamentos, nem cem mandamentos. Não, há apenas uma. É a lei do amor. É a lei da vida. É a lei do Espírito da vida.
Agora, se guardarmos essa lei, permaneceremos em Cristo. Se permanecermos Nele, e Ele permanecer em nós, então daremos muito fruto.
Muitas vezes, irmãos e irmãs, sabemos que estamos em Cristo e que Cristo está em nós. Sabemos que isso é graça. É pela graça de Deus que agora estamos em Cristo, e que Cristo agora está em nós.
Mas às vezes nos perguntamos por que não damos fruto, por que não conhecemos mais de Cristo, por que não tomamos posse plenamente daquilo que nos pertence, por que ainda somos tão fracos e tão pobres, por que conhecemos tão pouco de Cristo e experimentamos tão pouco Dele. Precisamos entender o motivo.
Em João 15:4, somos instruídos:
Permanecei.
Vocês precisam permanecer — fazer sua morada, continuar Nele. Então Ele fará Sua morada em vocês.
Agora, como permanecemos em Cristo? Os filhos de Israel permaneciam na terra guardando a lei. Essa era a única condição. Como permanecemos em Cristo? Permanecemos em Cristo guardando a lei do Espírito da vida.
Por isso, vocês encontram em 1 João 2 que temos a unção dentro de nós. O Espírito da vida está em nós. Como precisamos seguir o ensino de Deus! A unção dentro de nós nos ensinará em todas as coisas, e tudo o que Ele ensina é verdadeiro, não é mentira.
Se obedecermos ao ensino da unção, permaneceremos em Cristo. Graças a Deus, estamos em Cristo. Podemos tomar posse daquilo que nos pertence, mas há uma condição: precisamos permanecer em Cristo.
Como permanecemos em Cristo? Ele colocou Seu Espírito — o Espírito da vida — dentro de nós. O Espírito da vida tem Sua lei, e Ele nos ensinará de dentro, não de fora.
Não se trata de guardar regras e leis exteriores. A lei já não está gravada em pedra; está inscrita em nosso coração. Dentro de nós, sabemos. Dentro de nós, o Espírito Santo nos mostrará. Dentro de nós, a vida opera segundo a sua lei.
À medida que o Espírito da vida Se move dentro de nós, permanecemos em Cristo. Portanto, nossa vida cristã é uma vida de obediência. Simplesmente obedecemos, e esse é o significado de estar debaixo da graça.
Não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça. Estar debaixo da graça é diferente de estar debaixo da lei, porque não se trata de algo exterior. Debaixo da graça, a vida dentro de nós opera, e tudo o que precisamos fazer é obedecer, cooperar, seguir e andar segundo essa vida.
Ao fazermos isso, vocês verão que permanecemos por muito tempo na terra. Podemos desfrutar de tudo o que Cristo é para nós. Assim, em certo sentido, a lei e a terra estão relacionadas.
A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus é o segredo para tomarmos posse daquilo que nos pertence.
Agora, vocês encontram no livro de Deuteronômio que, mesmo antes de entrarem na terra prometida, Deus, por meio de Moisés, lhes disse que tipo de vida deveriam viver depois que entrassem na terra.
Graças a Deus, agora estamos em Cristo. Mas que tipo de vida devemos viver em Cristo? Como sabemos que estamos realmente vivendo em Cristo — que não é algo irreal, mas muito real?
Ao lerem o livro de Deuteronômio, vocês verão que Moisés disse aos filhos de Israel o que deveriam fazer depois que entrassem na terra e como deveriam viver nela.
Ao revelar-lhes como deveriam viver na terra, vocês verão que isso se dividia em duas partes. Uma é a vida coletiva; a outra é a vida pessoal.
A vida, como Deus a vê, tem esses dois aspectos. Portanto, a vida em Cristo tem seu aspecto coletivo, assim como seu aspecto pessoal. Esses dois aspectos precisam caminhar juntos.
Vocês não podem enfatizar apenas um desses dois aspectos. Se fizerem isso, sua vida será desequilibrada; será fraca. Mas, à medida que enfatizamos ambos os aspectos da vida, eles se fortalecem mutuamente. São complementares. Então a vida se torna uma vida completa.
Assim, ao dizer aos filhos de Israel como deveriam viver na terra, vocês veem que Deus enfatizou tanto a vida pessoal quanto a vida coletiva deles. Nesta noite, gostaríamos de mencionar apenas algumas coisas.
Para nós, o pessoal vem primeiro. Mas, para Deus, o coletivo sempre vem primeiro. Deus sempre começa com o objetivo final, com o fim, e então parte dali em direção ao começo. Nós sempre partimos do começo e vamos até o fim. A ênfase de Deus é muito diferente da nossa.
Assim, no livro de Deuteronômio, vocês veem que Deus revelou aos filhos de Israel como seria a vida deles na terra, e o coletivo veio primeiro.
Primeiro: Deus disse que, depois de entrarem na terra, não deveriam fazer o que estavam fazendo naquele momento no deserto, nem fazer o que faziam as nações daquela terra.
Depois que entrassem na terra, Deus disse: “Eu designarei um lugar onde colocarei o Meu nome, e então todos vocês deverão ir àquele lugar para oferecer sacrifícios e adorar”.
Hoje, vocês podem oferecer sacrifícios em qualquer lugar que desejarem, assim como as demais nações. Se um lugar as atrai — se veem uma árvore alta, uma grande rocha ou um lugar elevado —, então constroem um altar e adoram seu deus.
Agora, os filhos de Israel, por estarem viajando pelo deserto, não podiam permanecer naquele único lugar. Estavam aqui e ali, oferecendo sacrifícios e adorando a Deus em vários lugares. Mas Deus disse: “Depois que entrarem na terra, não deverá ser assim”.
Deus designaria um lugar, e todos os filhos de Israel iriam àquele lugar para oferecer sacrifícios e adorar a Deus.
Sabemos, naturalmente, que o lugar escolhido por Deus foi Jerusalém. Jerusalém foi o lugar que Deus escolheu. Em Jerusalém, foi construído um templo. A Jerusalém, todas as tribos de Israel iriam para oferecer sacrifícios e adorar a Deus — e a nenhum outro lugar.
Jerusalém se tornou o centro, o ponto de convergência, das doze tribos de Israel. Foi Jerusalém que manteve a nação como um só povo.
Suponham que Deus lhes tivesse permitido oferecer sacrifícios a Ele em qualquer lugar que lhes agradasse. Suponham que Deus lhes tivesse permitido adorá-Lo em lugares diferentes. Vocês sabem qual seria o resultado? Em pouco tempo, haveria doze nações, não uma só.
Para mantê-los como uma só nação e um só povo, Deus designou Jerusalém como o centro, e todas as tribos deveriam ir a Jerusalém. Jerusalém se tornou o centro daquele povo; ela os uniu em um só povo.
Jerusalém ocupava um lugar especial no coração dos filhos de Israel. Quer alguém fosse de Levi, de Dã ou de Issacar — fosse de qual tribo fosse —, Jerusalém era o amor do coração dos filhos de Israel.
Vocês se lembram do que o salmista disse em Salmos 137:5-6:
Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
Esqueça-se a minha mão direita da sua destreza.
Apegue-se a minha língua ao céu da minha boca,
Se não me lembrar de ti;
Se não preferir Jerusalém à minha maior alegria.
Em outras palavras, que eu fique sem fala. Ó Jerusalém! Os judeus estavam espalhados por todo o mundo, mas o que os mantinha unidos? Jerusalém. Todos os anos diziam: “No próximo ano, em Jerusalém”.
A cidade que Deus havia escolhido, onde Ele colocou Seu nome, os unia em um só povo e os mantinha como um só. Isso é uma vida coletiva.
Agora, queridos irmãos e irmãs, naturalmente estamos em Cristo. Que tipo de vida Deus quer que vivamos em Cristo? Deus quer que vivamos em Cristo como um povo disperso, cada um seguindo seu próprio caminho, adorando a Deus e oferecendo louvores a Ele?
Graças a Deus, sim, devemos oferecer louvores a Ele. Devemos adorá-Lo. Mas será que O adoramos apenas como indivíduos? A vida em Cristo é uma vida coletiva. É uma vida em conjunto. É uma vida como um só povo, um só corpo, como um só.
Mas como somos um? Como podemos realmente ser um? Como podemos realmente viver como um só? Qual é o nosso centro? Aonde devemos ir juntos?
Vocês se lembram de que o Senhor disse em Mateus 18:20:
Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Em outras palavras, há uma Jerusalém para nós, e a nossa Jerusalém é Cristo, nossa Cabeça.
Essa é a nossa Jerusalém. Não apenas vivemos em Cristo, mas deixamos que Cristo seja nossa Cabeça. Se exaltarmos Cristo e deixarmos que Ele seja nossa Cabeça, então todo o corpo será bem ajustado e unido.
Este é o lugar onde Ele colocou Seu nome: dois ou três reunidos em Seu nome. O que significa “em Meu nome”? Em Seu nome significa simplesmente que todos nos colocamos debaixo de Sua autoridade. Ele é nossa Cabeça.
Irmãos e irmãs, é muito simples — muito simples. Sempre que o povo de Deus se reúne em Seu nome, isto é, mantendo-se firmemente ligado à Cabeça, vocês verão que vivemos como um só.
Sempre que nos afastamos desse nome que está acima de todo nome, vocês verão que ficamos dispersos; ficamos divididos. Essa é a maneira de Deus manter Seu povo unido como um só.
Quando se reuniam em Jerusalém, eles iam até lá para oferecer seus sacrifícios e suas dádivas a Deus. Não iam de mãos vazias.
Quando nos reunimos, trazemos conosco os produtos da terra. Precisamos ser diligentes no cultivo da terra. Como precisamos ser diligentes em nossa vida diária para cultivar, por assim dizer, para explorar Cristo, para trabalhar em Cristo!
Assim teremos abundância para trazer à casa do Senhor e, juntos, O adoraremos e compartilharemos uns com os outros. Essa é a vida na terra.
Segundo: Deus ordenou que, todos os anos, três vezes por ano, os filhos de Israel fossem a Jerusalém — na Festa dos Pães sem Fermento, na Festa das Semanas, ou Pentecostes, e na Festa dos Tabernáculos.
Durante essas três festas, todos os homens — representando todos os filhos de Israel — deveriam ir juntos a Jerusalém, vindo de todas as direções. Ali adorariam a Deus.
Aqui vocês veem que o povo de Deus não é apenas um só povo, um só corpo, mas também um povo que se reúne. A vida em Cristo é uma vida de congregar. Porque somos um só povo, precisamos nos reunir.
A igreja é uma assembleia, um corpo. Em Hebreus, somos exortados a não deixar de nos congregar, especialmente à medida que vemos o dia se aproximar. Como precisamos nos reunir para encorajar uns aos outros, exortar uns aos outros e fortalecer uns aos outros em amor!
Os filhos de Israel eram um só povo e deveriam se reunir de tempos em tempos para encorajar uns aos outros no Senhor. Portanto, a vida em Cristo é uma vida de congregar.
Agora, com que frequência devemos nos reunir? Naturalmente, isso não significa três vezes por ano. Não é literal nesse sentido, porque, para nós hoje, é espiritual. Mesmo assim, o povo de Deus precisa se reunir.
Com que frequência devemos nos reunir? Depende de quanto podemos nos reunir. Não se trata de fazer o mínimo possível. Trata-se de fazer o máximo que pudermos.
Às vezes, naturalmente, temos nossa família e nossos filhos. Devemos cuidar dos nossos filhos. Não devemos deixá-los em casa todas as noites enquanto vamos a uma reunião. Isso não honra o Senhor.
Assim, vocês verão que o Senhor nos guiará e nos conduzirá. Coloquem as prioridades no devido lugar e sejam bem equilibrados — bem equilibrados. De qualquer maneira, vocês veem que é uma vida de congregar.
Terceiro: Deus dividiu a terra entre os filhos de Israel. Eles não ocupavam a mesma planície nem o mesmo monte. As doze tribos receberam terras diferentes.
Alguns viviam junto ao litoral, alguns viviam nas montanhas e alguns viviam nas planícies. Como receberam terras diferentes, alguns se tornaram pescadores, alguns agricultores, alguns pastores de rebanhos e alguns até mineradores.
Eles receberam terras diferentes e deveriam trabalhar nelas diligentemente. Vocês sabem, não é da vontade de Deus que não façamos nada. A preguiça nunca faz parte do caráter de Deus. Deus é um Deus diligente.
Mesmo depois de criar Adão e Eva, Ele os colocou no jardim. Vocês poderiam dizer que eles não precisavam se preocupar com o que comer, porque comiam dos frutos das árvores. Não precisavam trabalhar para ganhar a vida e, ainda assim, Deus os colocou para trabalhar.
Eles não trabalhavam para ganhar a vida, mas trabalhavam. Tinham de cultivar e guardar o jardim — não para ganhar a vida, mas para que houvesse crescimento, para a glória de Deus.
Depois que o homem foi expulso do jardim, passou a ter de trabalhar para ganhar a vida. Antes, o homem trabalhava para a glória de Deus, para desenvolver aquilo que Deus já havia criado e aumentar seu valor. Mas agora o homem precisa labutar e suar para ganhar a vida.
Naturalmente, nós, cristãos, uma vez que Deus nos redimiu, não trabalhamos apenas para ganhar a vida. Temos de trabalhar para ganhar a vida, mas, além disso, trabalhamos para glorificar a Deus.
Paulo disse em 2 Tessalonicenses 3:10:
Se alguém não quiser trabalhar, também não coma.
Temos de trabalhar. Temos de trabalhar na terra; temos de trabalhar em Cristo. Temos de aumentar o valor da terra e obter dela o máximo, para que tenhamos abundância para oferecer a Deus e compartilhar uns com os outros.
Nem todos recebem a mesma coisa. Há uma grande diversidade. Alguns têm peixes, alguns têm ovelhas, alguns têm cobre e ferro, alguns têm verduras e frutas.
Eles traziam os produtos da terra a Jerusalém para entregá-los a Deus e compartilhá-los uns com os outros. É unidade com diversidade, não uniformidade. Não tentem tornar uns aos outros iguais. Não tentem moldar os outros à sua própria imagem.
Somos diversos membros no corpo, membros uns dos outros. Todos somos membros diferentes. A graça e o dom que Deus dá a cada um são diferentes. Mas todos precisamos ser diligentes — diligentes em conhecer Cristo, diligentes em tomar posse Dele.
Então temos muito para oferecer a Deus e compartilhar com nossos irmãos e irmãs. Esse é o tipo de vida coletiva na terra. Não é uma vida egoísta; é uma vida que compartilha com Deus e com os outros.
Por outro lado, Moisés também lhes disse como deveriam viver como indivíduos — sua vida pessoal. Há algumas coisas que podemos mencionar.
Primeiro: eles tinham de viver uma vida de separação. Depois que entrassem na terra prometida, seriam um povo separado das nações. Portanto, não deveriam imitar as nações ao seu redor, nem as nações que destruíram. Deveriam ser separados para Deus e fazer tudo o que Deus ordenasse, não o que as nações faziam.
Isso é uma vida de separação. Queridos irmãos e irmãs, devemos viver uma vida de separação. Mas onde está a separação? Como nos separamos?
A separação hoje é algo espiritual; não é uma questão legalista. Muitas vezes, nós, cristãos, não entendemos o que é uma vida de separação. Pensamos que uma vida de separação significa estabelecer algumas regras e regulamentos.
Se vocês guardarem essas regras e regulamentos, então viverão uma vida de separação. Por exemplo, há certos lugares aonde vocês não vão e certas coisas que não fazem; então vocês são cristãos separados.
Mas, queridos irmãos e irmãs, no que diz respeito à nossa vida em Cristo, a separação é algo vivo. Não é uma questão legalista.
Vou usar uma ilustração da qual nunca consigo me esquecer. Não sei se vocês já ouviram falar da irmã Eva von Bodelschwingh. Ela estava ligada ao trabalho das diaconisas na Alemanha. Aqui neste país, em Liberty Corner, Nova Jersey, há diaconisas ligadas a esse trabalho.
A irmã Eva vinha de uma família muito rica, mas dedicou sua vida ao serviço de Deus. Elas cuidavam dos idosos e serviam às pessoas com lepra, às pessoas cegas e a outras pessoas necessitadas. Sua vida era uma vida de serviço.
A irmã Eva conhecia a Deus; conhecia muito bem o Senhor. Certa vez, ela estava viajando pela Inglaterra — ou talvez pela Escócia — na época do avivamento galês.
Ela estava viajando de trem e viu várias moças embarcarem. Elas conversavam em voz alta, transbordavam de vida e não estavam vestidas de maneira muito conservadora. As diaconisas usavam uniformes, coberturas para a cabeça e trajes rigorosos.
Ela olhou para aquelas moças e ouviu o que estavam conversando: estavam falando sobre o Senhor. Aonde estavam indo? Iam dirigir reuniões de avivamento. Estavam envolvidas no avivamento galês.
Em seu coração, a irmã Eva criticou muito aquelas moças. Pensou: “Como Deus pode usar essas pessoas? Elas não são separadas”. Ela se considerava separada por causa de seu uniforme e de todas essas coisas.
Quando chegou ao local, de fato, aquelas moças estavam conduzindo o avivamento, e Deus as usou poderosamente. Isso realmente a envergonhou. Ela disse: “Por quê? Por que Deus fez uma coisa dessas? Eu sou tão separada; elas não são separadas e, ainda assim, Deus as usou”.
A razão é que uma vida de separação não é uma questão legalista; é algo vivo. Naquilo que o Senhor havia mostrado àquelas moças, elas tinham sido obedientes. Por isso, o Senhor as abençoou.
Não era uma questão de dizer: “Vocês têm de se vestir desta maneira”, ou: “Vocês têm de agir desta ou daquela maneira”. Não, não é uma questão legalista. À medida que o Senhor os conduz, à medida que o Senhor lhes dá mais vida, à medida que vocês conhecem um pouco mais o Senhor, verão que o Senhor começa a edificar o muro de separação.
O muro de separação é a vida de Cristo. É o seu conhecimento vivo de Cristo que constitui o muro de separação.
O que é mundano? O que não é mundano? É a vida de Cristo em vocês que faz a separação. Quanto mais vocês conhecem a vida de Cristo, mais são separados daquilo que não é de Cristo.
Por causa disso, vocês não podem estabelecer um padrão e aplicá-lo a todos: “Isto é mundano, e aquilo não é mundano”. Vocês não podem fazer isso. É algo vivo.
Não quero dizer que vocês podem ser descuidados. Mas precisamos ver que nós, cristãos, devemos viver uma vida de separação, separados do mundo. Contudo, é uma separação viva, não uma questão legalista. Ela se baseia em nosso conhecimento de Cristo em vida.
Os filhos de Israel não deveriam apenas viver uma vida de separação; deveriam viver uma vida santa. Deus disse:
Eu sou santo; vós sereis santos.
Santo significa simplesmente separado para Deus. Não é apenas a separação, que é o aspecto negativo, mas ser para Deus. Eles deveriam viver positivamente para Deus.
Como devemos viver em Cristo? Precisamos não apenas viver uma vida de separação, mas também viver uma vida para Deus. Vivemos para Ele. Isso é santidade.
Santidade não é simplesmente alguma ideia que temos de como deveria ser uma vida santa. Santidade é uma vida para Deus, dedicada a Deus.
Curiosamente, a maneira como Deus disse aos filhos de Israel que vivessem essa vida santa incluía questões muito práticas. Vou mencionar algumas coisas.
A primeira coisa era seu hábito alimentar. Havia certas coisas que não deveriam comer. Não deveriam comer coisas impuras; deveriam comer apenas coisas limpas. Por comerem coisas limpas, eram santos.
Agora, naturalmente, ao aplicarmos isso a nós hoje, a lei levítica sobre alimentação não se aplica literalmente a nós. Por razões de higiene, talvez ainda haja valor nela, mas não há valor espiritual em seguir a lei levítica sobre alimentação apenas exteriormente.
Mas há um significado espiritual nisso: aquilo de que vocês se alimentam determina o que vocês são.
Como precisamos nos alimentar de Cristo! Como precisamos nos alimentar de Sua Palavra! Como precisamos nos alimentar de coisas limpas, e não de coisas impuras!
As pessoas neste mundo hoje são tão impuras. Por quê? Porque, dia após dia, tudo aquilo de que se alimentam é impuro. O que veem na televisão, o que leem nos jornais e o que veem ao seu redor — essas coisas são impuras.
Elas se alimentam dessas coisas, absorvem essas coisas, associam-se a essas coisas e a essas pessoas e, por fim, tornam-se iguais a elas.
Portanto, aqui vocês veem que a vida em Cristo consiste em alimentar-se do que é limpo. Oh, como precisamos nos alimentar de Sua Palavra, que é limpa e pura! Como precisamos nos alimentar de Cristo como nosso alimento e meditar Nele!
Como precisamos nos associar a outros crentes que nos ajudam a permanecer limpos! Comer também é associação; é comunhão. Portanto, viver uma vida santa começa com nosso hábito alimentar.
A segunda coisa que os tornava um povo santo era o dízimo. Em Deuteronômio, eles receberam a ordem de dar o dízimo de seus rendimentos.
Além das primícias, que deveriam oferecer a Deus, a décima parte deveria ser oferecida. Agora, por que Deus lhes ordenou que dessem o dízimo? Aquilo com que Ele Se preocupava não era apenas o método de dar o dízimo, mas o princípio e o espírito do dízimo.
Por que Deus ordenou aos filhos de Israel que dessem o dízimo de tudo? Para lembrá-los de que pertenciam a Deus.
Se Deus não lhes tivesse ordenado que dessem o dízimo, logo se esqueceriam. Pensariam: “Estas coisas nos pertencem”. Tornar-se-iam egocêntricos. Pensariam que tudo lhes pertencia e que pertenciam a si mesmos.
Ao dar o dízimo, eram lembrados de que tudo o que tinham havia sido dado por Deus. O dízimo era apenas um símbolo, um sinal, para mostrar: “Isto não é meu; é Teu. Estou devolvendo um décimo a Ti para mostrar que isto Te pertence. Tu és o Dono. Tu és o Doador. Tudo pertence a Ti”.
Tudo o que resta, eu desfruto com gratidão e ações de graças. Esse é, de fato, o significado do dízimo.
Irmãos e irmãs, hoje a questão não é simplesmente se os cristãos devem dar o dízimo ou como devem dá-lo. A questão é o princípio, o espírito do dízimo.
Sabemos que pertencemos a Deus? Sabemos que tudo pertence a Ele? Sabemos que não podemos reter nada Dele? Sabemos que tudo o que desfrutamos, desfrutamos com gratidão no coração?
Se tivermos esse tipo de espírito, isso nos torna um povo santo. Pode ser algo muito pequeno, mas de fato nos torna um povo santo — saber que pertencemos a Ele e que tudo é Dele.
Terceiro: para torná-los um povo santo, Deus ordenou uma coisa — a cada sete anos, deveria haver um ano de remissão.
Cada sétimo ano é um ano de remissão. Se alguém lhes devesse alguma coisa, no sétimo ano vocês deveriam perdoar a dívida.
Se seu irmão fosse pobre e se vendesse a vocês para ser seu servo, ele os serviria por seis anos. No sétimo ano, sairia livre — e não de mãos vazias. Vocês teriam de lhe dar aquilo de que precisasse.
Por que Deus ordenou aos filhos de Israel que fizessem tal coisa? Ao fazerem isso, tornavam-se um povo santo. Por quê? Porque as nações não faziam essas coisas.
Se alguém lhes devesse alguma coisa, as nações arrancariam dele cada centavo, com juros altos. Certamente, estavam interessadas em ganhar, não em perder.
Mas, entre os filhos de Israel, se seu irmão fosse pobre e precisasse pedir algo emprestado, vocês não deveriam se recusar a emprestar porque o sétimo ano estava próximo. Não deveriam dizer: “O próximo ano será o sétimo ano, e ele não terá de me pagar”.
Era o espírito, a atitude, que Deus estava formando dentro de Seu povo — uma atitude, um coração tão generoso e tão amplo quanto o de Deus.
Exteriormente, era apenas uma lei: o ano da remissão. Mas, na verdade, Deus procurava formar neles generosidade, um coração amplo e amor entre os irmãos.
Vocês acham que perdem ao fazer isso? De modo algum. A Bíblia diz que, depois de seis anos, vocês devem deixar seu irmão ir. Ele já os serviu por seis anos. Vocês receberam uma compensação mais do que suficiente.
Deixem-no ir e deem-lhe aquilo de que precisa. Não o deixem ir de mãos vazias. Qual será o resultado? Esse irmão pode vir até vocês e dizer: “Eu amo você. Amo sua família. Não quero sair livre”.
Então vocês o levariam à porta e furariam sua orelha junto ao batente; daí em diante, ele se tornaria seu servo por toda a vida.
Em outras palavras, não pensem que, por terem amor, por darem e serem generosos, vocês sofrerão perda. Não, vocês receberão muito mais. Esse irmão virá e os servirá para sempre.
É uma vida de amor que nos torna santos. Por meio dessas pequenas coisas, Deus nos ensina como precisamos ser um povo santo — não um povo mesquinho, estreito e avarento, mas um povo com amor e compaixão, disposto a dar.
Exteriormente, pode parecer que sofremos, mas, na verdade, ganhamos nossos irmãos. É uma vida de amor.
Não apenas uma vida de separação e uma vida santa, mas também uma vida pura. Uma vida pura.
Há uma diferença entre limpo e puro. As coisas podem estar limpas, mas não ser puras. A pureza é algo mais elevado do que a mera limpeza.
Nosso Deus é um Deus de pureza. Ele ama tudo o que é puro. Por isso, no Sermão do Monte, o Senhor disse em Mateus 5:8:
Bem-aventurados os puros de coração:
Porque eles verão a Deus.
Deus quer um coração puro — não algo misturado, mas puro.
Em Deuteronômio, há um capítulo cheio de instruções. Tenho de dizer que não conheço todas as aplicações espirituais dessas coisas. Mas, se vocês abrirem em Deuteronômio 22, encontrarão um capítulo muito interessante, cheio dessas pequenas coisas.
Deuteronômio 22:9-11
Não semearás a tua vinha com duas espécies de semente: para que não seja confiscado todo o fruto da semente que semeaste e o produto da vinha.
Não lavrarás com boi e jumento juntamente.
Não vestirás tecido misturado, de lã e linho juntamente.
Aqui vocês encontram três coisas. Deus disse que vocês não podem semear duas espécies diferentes de semente em sua vinha. Se o fizerem, tudo será confiscado.
A semente, nas Escrituras, sempre fala de vida. O semeador sai a semear a semente, que é a Palavra de Deus. A Palavra de Deus, depois de semeada em nós, torna-se vida em nós.
Em 1 João, vocês encontram que temos Sua semente dentro de nós. Essa é a vida de Cristo dentro de nós. Agora, vocês não devem semear duas espécies de semente. Em outras palavras, não deveria haver dois tipos diferentes de vida em nós.
Se vocês tiverem dois tipos diferentes de vida dentro de si, então tudo será confiscado. Temos a vida de Cristo dentro de nós, mas também temos em nós a vida adâmica.
Na realidade, há duas sementes na vinha. Temos a boa semente e temos a má semente. Temos Cristo vivendo em nós, mas também temos Adão vivendo em nós. Deus disse que não deveria ser assim. Ele não gosta disso.
É por isso que, quando Cristo morreu na cruz, nosso velho homem foi crucificado com Ele. Ele o removeu, porque é um Deus de pureza. Ele não gosta de nada misturado.
Irmãos e irmãs, quantas vezes percebemos que, em nossa experiência, nossa vida é muito misturada! Às vezes, a vida de Cristo parece se manifestar; em outras ocasiões, a vida de Adão parece levar a melhor.
Vocês veem que sempre há essa mistura em nossa vida. Deus não Se agrada disso. Deus já tomou providências para eliminar a outra semente.
Como precisamos nos firmar, pela fé, na realidade de nossa morte e ressurreição com Cristo, para que vivamos segundo a vida de Cristo e não andemos segundo a carne! Isso é uma vida pura.
A segunda coisa é esta:
Não lavrarás com boi e jumento juntamente.
Na terra de onde venho, antigamente, quando aravam os campos, usavam bois ou jumentos.
Para tornar o arado mais eficiente, geralmente colocavam dois bois ou dois jumentos juntos sob uma canga. A canga é uma barra com curvas entalhadas dos dois lados. Uma curva fica sobre o pescoço de um boi, e a outra curva fica sobre o pescoço do outro boi. Eles ficam unidos pela canga, e o agricultor ara enquanto eles puxam o arado.
Mas vocês não devem arar com um boi e um jumento juntos. O boi é um animal domesticado: disciplinado e de natureza dócil. Mas o jumento é um animal selvagem: indisciplinado e de temperamento irascível.
Quando vocês colocam um boi e um jumento juntos para arar o campo, o sulco nunca será reto. Irá para um lado e para o outro. Não dá para fazer isso.
É por isso que, em 2 Coríntios 6:14, somos instruídos:
Não vos prendais a um jugo desigual.
Somos crentes; pertencemos ao Senhor e não devemos nos colocar sob o mesmo jugo com os incrédulos.
Espiritualmente falando, arar é trabalhar. Ao fazermos a obra de Deus, não usemos dois tipos diferentes de força: o poder do Espírito e o poder da carne; a energia natural e a energia espiritual.
Não façam a obra com essas duas forças. Se o fizerem, nunca conseguirão seguir em linha reta. A obra de Deus será prejudicada.
Devemos trabalhar com o poder de Deus. Nossa força natural precisa ser quebrantada.
Terceiro, vocês encontram:
Não vestirás roupa de tecido misturado, de lã e linho juntamente.
Nas Escrituras, as vestes sempre falam de comportamento, conduta e obras.
A veste não deve ser tecida com lã e linho. A lã vem do reino animal; o linho vem do reino vegetal.
Um sacerdote que serve no templo não deve usar lã. Por quê? Porque, ao servir, se usar lã, ficará com calor e transpirará. Quando um sacerdote serve a Deus, usa linho. Deus quer mantê-lo fresco.
Em Apocalipse 19:7-8, vocês encontram que a noiva se preparou, e foi-lhe concedido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro:
Porque o linho fino são os atos de justiça dos santos.
O linho aqui representa Cristo, nossa justiça, à medida que Ele é entretecido em nossa vida pelo Espírito Santo. Então isso se manifesta como a justiça dos santos. Nossa justiça não é outra coisa senão Cristo.
Mas a lã representa aquilo que suamos para conseguir — como nos esforçamos e transpiramos para produzir algum mérito, algumas boas obras. Isso é algo que Deus não aceita.
Portanto, seja na vida, no trabalho, na conduta ou no comportamento, Deus ama a pureza. Deus ama que sejamos um povo puro.
De maneira bastante geral, nesta noite, porque o livro de Deuteronômio é tão extenso, mencionamos apenas um pouco do tipo de vida que devemos viver na terra — isto é, em Cristo.
Hoje temos uma vida coletiva, e também temos uma vida pessoal. Essas duas se fortalecem mutuamente.
Portanto, que o Senhor nos ajude a permanecer Nele e a viver o tipo de vida que Ele quer que vivamos em Cristo. Vamos orar?
Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque, por Ti, estamos em Cristo Jesus. Não porque sejamos capazes de guardar a Tua lei, mas por causa de Tua fidelidade, Tua misericórdia e Tua graça, agora estamos em Cristo Jesus.
Mas, Senhor, Tu nos ordenas que guardemos a lei do Espírito da vida para permanecermos em Cristo, a fim de darmos muito fruto para a glória de Deus.
Por isso, Senhor, nós Te pedimos que nos ensines esta lição, para que não sejamos descuidados, para que andemos com muito cuidado diante de Ti, à medida que Teu Espírito Se move dentro de nós.
Senhor, nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu nos mostras o tipo de vida que esperas que vivamos em Cristo.
Senhor, conduz-nos a esse tipo de vida, tanto no aspecto pessoal quanto no coletivo, para que sejamos um povo na terra, um povo em Cristo, para manifestar a Tua glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.