Portanto, julguei necessário exortar os irmãos a que fossem adiante até vós e preparassem de antemão a vossa dádiva já prometida, para que estivesse pronta como expressão de generosidade, e não de extorsão.
Mas digo isto: aquele que semeia com parcimônia também ceifará com parcimônia; e aquele que semeia com abundância também ceifará com abundância.
Cada um faça conforme propôs em seu coração; não com pesar, nem por necessidade: porque Deus ama ao que dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça; para que, tendo sempre toda a suficiência em tudo, abundeis em toda boa obra:
como está escrito:
Espalhou, deu aos pobres;
a Sua justiça permanece para sempre.
E Aquele que fornece semente ao semeador e pão para alimento fornecerá e multiplicará a vossa semente para semear e aumentará os frutos da vossa justiça:
sendo enriquecidos em tudo para toda a liberalidade, a qual, por nosso intermédio, produz ações de graças a Deus.
Porque a administração deste serviço não somente supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas ações de graças a Deus;
visto que, pela prova deste serviço, eles glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão ao evangelho de Cristo e pela liberalidade da vossa contribuição para com eles e para com todos;
enquanto eles mesmos, com súplicas a vosso favor, têm saudades de vós, por causa da abundante graça de Deus em vós.
Graças a Deus pelo Seu dom inefável.
Esses dois textos — 2 Coríntios 8 e 2 Coríntios 9 — são muito singulares, porque, nesses dois capítulos, o apóstolo Paulo trata da questão da contribuição. Muitas vezes pensamos que contribuir é algo prático, sim; mas não o consideramos algo espiritual.
Em toda essa carta aos coríntios, marcada pela palavra espiritualidade, o apóstolo Paulo trata da vida, do ministério, dos dons, da autoridade e do homem em sua posição diante de Deus. Em outras palavras, Paulo trata de todas essas coisas importantes.
Sabemos que a vida é intensamente espiritual. Se não é espiritual, não é vida. O ministério é muito espiritual. Se o ministério não é espiritual, não é ministério de modo algum. Pode ser religioso; pode ser em nome de Jesus; mas, se não é no Espírito, não é ministério.
A batalha, é claro, é espiritual. Não lutamos contra carne e sangue, mas contra principados e potestades. As armas da nossa batalha não são carnais, mas poderosas diante de Deus. A autoridade é espiritual. Não existe autoridade meramente como uma posição; ela é algo muito espiritual. Para ser um homem segundo a mente de Deus, é preciso ser espiritual.
Entre todas essas coisas, encontramos Paulo tratando dessa questão da contribuição. Por quê? Porque contribuir é algo muito espiritual. É tão espiritual quanto a vida, o ministério, a comunhão, a batalha, a autoridade e a ética. Não é menos espiritual do que qualquer um desses outros aspectos. Tudo é igualmente espiritual.
Portanto, irmãos e irmãs, sinto um grande encargo quanto a esta questão: que o Senhor nos mostre que não há nada de não espiritual no ato de contribuir. Contribuir é algo muito espiritual. Se pudermos enxergar a natureza espiritual da contribuição, isso realmente nos colocará em uma esfera diferente ao examinarmos essa questão.
Ontem, ao tratarmos do assunto da graça, vimos que contribuir é uma questão de graça. Em 2 Coríntios 8 e 2 Coríntios 9, vemos que Paulo trata da graça de Deus — de como a graça de Deus nos é concedida e de como, dessa graça de Deus, nasce um espírito generoso de contribuição que se expressa de maneiras práticas.
A contribuição é chamada de fruto — não apenas de dádiva, mas de fruto. E, quando chegamos ao final do capítulo 9, encontramos:
Graças a Deus pelo Seu dom inefável.
Mais uma vez, a palavra “graças”, no original, está relacionada à graça.
Portanto, toda a questão da contribuição começa com a graça de Deus manifestada a nós e termina com ações de graças a Deus. Começa com graça e termina com graça. Tudo está nessa esfera da graça.
Agora, é claro, não vamos voltar e percorrer todo o assunto. Mas creio que ontem fomos um tanto apressados no final, por isso gostaria de voltar um pouco antes de entrarmos naquilo que estamos procurando ver nesta noite. Trata-se do princípio da igualdade.
Vimos ontem, em 2 Coríntios 8:14-15:
Mas por igualdade: a vossa abundância, no tempo presente, suprindo a necessidade deles, para que também a abundância deles venha a suprir a vossa necessidade; para que haja igualdade:
como está escrito: aquele que muito colheu não teve sobra; e aquele que pouco colheu não teve falta.
A passagem que Paulo cita encontra-se em Êxodo e diz respeito ao maná. Quando os filhos de Israel caminhavam pelo deserto, Deus lhes dava maná do céu, dia após dia. Todos os dias o maná caía sobre o chão, de modo que os filhos de Israel precisavam levantar-se cedo para recolher suas porções diárias.
Antes que o sol esquentasse, eles saíam e recolhiam o maná. Alguns eram mais fortes, alguns eram mais rápidos, alguns eram mais lentos, alguns eram adultos e outros eram crianças. Ao recolherem o maná, alguns recolhiam mais e outros recolhiam menos.
Alguns recolhiam mais do que precisavam para aquele dia, enquanto outros não recolhiam o suficiente para suas necessidades diárias. Mas, depois de recolhido, o maná era medido com um ômer. Cada um deveria receber um ômer, de acordo com o número de pessoas da casa.
Aqueles que haviam recolhido mais de um ômer davam o excedente aos que haviam recolhido menos, de modo que todos tivessem o suficiente. Esse é o contexto do princípio da igualdade.
Aqui vemos que o Senhor estava procurando ensinar os filhos de Israel a não serem gananciosos. Eles podiam recolher mais do que precisavam. Se fossem diligentes, se fossem fortes, se fossem rápidos, certamente recolheriam mais. Mas não conseguiriam consumir tudo o que haviam recolhido. Haveria uma sobra.
O Senhor lhes estava ensinando que o excedente era para aqueles que estavam em necessidade. Devemos ser diligentes, mas não gananciosos. Se formos diligentes, certamente poderemos recolher mais; mas como podemos ser diligentes sem nos tornarmos gananciosos? Dando aquilo que excede o que precisamos.
Por outro lado, o Senhor lhes estava ensinando a não serem preguiçosos. Todos os filhos de Israel saíam para recolher o maná. Suponhamos que alguém ficasse preguiçoso e pensasse: “Outra pessoa vai recolher mais, e certamente terei a minha parte”. Não a teria. Todos precisavam sair e recolher o maná.
Portanto, não se trata de ganância nem de preguiça. Trata-se de igualdade. Irmãos e irmãs, esse também é um princípio da contribuição. Por que devemos dar? O que damos? Damos aquilo que excede o que precisamos. Agradecemos ao Senhor porque Ele nos capacita a recolher mais, e damos àqueles que estão em necessidade.
Quem sabe? Um dia nós poderemos estar em necessidade, e nossos irmãos e irmãs poderão nos dar da sua abundância. Portanto, nessa questão da contribuição, agimos segundo o princípio da igualdade.
Agora passamos ao capítulo 9. Antes de tudo, preciso dizer que as diferentes versões traduzem essa palavra de maneiras diferentes. Na tradução de Darby, ela é “bênção”, e preciso dizer que essa tradução é muito fiel ao original.
Nos versículos 5 e 6, lemos a respeito da “bênção anteriormente prometida”. Algumas traduções usam “dádiva”, outras dizem “generosidade”, mas a palavra original é bênção:
Para que estivesse pronta como expressão de bênção, e não de extorsão.
Aquele que semeia com parcimônia também ceifará com parcimônia; e aquele que semeia com bênçãos também ceifará com bênçãos.
Encontramos essa palavra empregada quatro vezes nessa questão. Mais uma vez, o uso da palavra é muito incomum, assim como a palavra graça é usada de maneira muito singular nesses dois capítulos.
Nesta noite, gostaríamos de considerar a bênção de contribuir — não apenas a graça de contribuir, mas a bênção de contribuir. Qual é o significado dessa palavra, “bênção”?
Em grego, a palavra significa “falar bem”. Está relacionada a uma boa palavra. Por significar falar bem, ela pode significar louvor.
O primeiro uso dessa palavra é o louvor a Deus e a Cristo. Encontramos isso em Apocalipse 5:11-13:
Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e as riquezas, e a sabedoria, e a força, e a honra, e a glória, e a bênção.
Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam a bênção, e a honra, e a glória, e o domínio, para todo o sempre.
A palavra “bênção” ali significa louvor. É louvor a Deus e ao Cordeiro. Da mesma forma, Apocalipse 7:12 diz:
Amém: a bênção, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém.
Esse é o primeiro uso dessa palavra: louvor a Deus.
O segundo significado é uma invocação de bênção — uma bênção concedida a outra pessoa. Encontramos isso em Hebreus 12:17, a respeito de Esaú, que depois desejou herdar a bênção, mas foi rejeitado.
Encontramos o mesmo uso em Tiago 3:10:
Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que essas coisas sejam assim.
Da boca procede bênção — isto é, uma palavra de bênção, falar bem no sentido de transmitir uma bênção.
O terceiro uso da palavra é dar graças. Em 1 Coríntios 10:16, a respeito do cálice:
O cálice da bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?
O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?
O cálice da bênção é o cálice pelo qual damos graças. Esse é o terceiro uso da palavra.
O quarto uso significa um benefício concedido a alguém. Você dá algo a alguém, e essa dádiva se torna uma bênção para essa pessoa.
Esse é o uso que encontramos em 2 Coríntios 9. Paulo estava enviando uma contribuição — uma ajuda material — aos santos pobres em Jerusalém, para que fossem beneficiados por essa contribuição.
Encontramos o mesmo pensamento em Efésios 1:3:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo.
E em Romanos 15:29:
E sei que, quando for ter convosco, irei na plenitude da bênção de Cristo.
Nessas passagens, a palavra “bênção” é usada como um benefício concedido, para que alguém seja beneficiado por ele. Esses são os quatro usos diferentes da mesma palavra.
Contudo, ao ler 2 Coríntios 9, descobrimos que a palavra é usada de maneira muito incomum. Ela inclui os vários significados que mencionamos, mas os reúne de uma maneira distinta.
Sabemos que, em 1 Coríntios 16, Paulo havia escrito a respeito da coleta para os pobres. Naquela época, os santos em Jerusalém estavam na pobreza, provavelmente por causa da perseguição. Suas propriedades e seus bens haviam sido tomados pelos inimigos. Eles sofreram muito, e havia muitas necessidades em Jerusalém.
Paulo soube disso, e Deus lhe deu um encargo de compartilhar essa preocupação com as igrejas às quais ministrava. Evidentemente, a igreja em Corinto compartilhou com ele esse encargo de suprir as necessidades dos santos pobres em Jerusalém.
Quando Paulo compartilhou esse encargo com os crentes coríntios, eles responderam de todo o coração. Por causa da abundante graça de Deus sobre eles, haviam recebido muito de Deus. Não ficavam atrás de ninguém em conhecimento nem em outras áreas da vida. Deus os havia abençoado ricamente.
Assim, quando Paulo compartilhou esse encargo com eles, responderam imediatamente, de todo o coração. Consideravam uma bênção poder contribuir. Consideravam um privilégio poder dar aos pobres em Jerusalém e compartilhar algo com os que estavam em necessidade. Prometeram que fariam isso, e fizeram essa promessa de todo o coração.
Mas, infelizmente, embora naquele momento tivessem expressado uma disposição sincera de contribuir, de alguma forma, depois de algum tempo, nada havia sido feito. Quando Paulo escreveu 1 Coríntios, lembrou-lhes da coleta. Quando escreveu 2 Coríntios, talvez seis meses depois, eles ainda não pareciam ter avançado muito.
Então Paulo os lembrou novamente. A primeira reação deles havia sido: “Que bênção! Que privilégio!”. Irmãos e irmãs, contribuir não é apenas graça; contribuir é bênção.
Se soubermos que contribuir é graça, não o encararemos como se fosse lei. Muitas vezes contribuímos sob a escravidão da lei e, por essa razão, não há alegria em contribuir. Em vez disso, tudo fica cheio de medo e ansiedade. Ora, isso não está certo.
Contribuir é graça, e contribuir é algo alegre. Não é uma obrigação; é um privilégio poder contribuir. Lembrem-se: contribuir não é uma maldição; é uma bênção.
O Senhor nos abençoou tão abundantemente, com mais do que precisamos, que somos capazes de dar algo àqueles que estão em necessidade. Isso é uma bênção. O Senhor nos abençoou, e agora queremos abençoar nossos irmãos e irmãs.
Por isso, ela é chamada de “bênção anteriormente prometida”. Embora naquele momento fosse uma dádiva, sempre havia a possibilidade de que se tornasse algo extraído sob pressão.
Quando Paulo compartilhou esse encargo pela primeira vez com os crentes coríntios, eles estavam no primeiro amor. Contribuíam de boa vontade, com alegria e generosidade. Consideravam um privilégio poder compartilhar com os pobres em Jerusalém. Era uma bênção.
Mas, novamente, nada havia sido feito. Paulo estava dizendo, em outras palavras: “Não quero forçar vocês a contribuir. Sim, vocês me prometeram, mas não quero pressioná-los. Se eu os forçar, será como se estivesse tentando arrancar isso de vocês, e isso se tornará quase uma extorsão”.
“Quero que vocês contribuam como uma bênção.” Contribuir é bênção, e a contribuição deve ser dada como bênção — não como se alguém estivesse tentando arrancá-la de vocês.
Irmãos e irmãs, olhem para o cristianismo de hoje. A contribuição muitas vezes é tratada como se fosse um imposto. Mas Paulo diz: “Não quero agir como se estivesse tentando arrancar isso de vocês. Não quero que façam dessa maneira, porque, se eu agir assim, vou privá-los da bênção do Senhor”.
Deus não quer arrancar de vocês cada centavo. Não, Ele não quer fazer isso. A contribuição deve ser dada como bênção.
Paulo continua dizendo:
Aquele que semeia com parcimônia também ceifará com parcimônia; e aquele que semeia com bênçãos também ceifará com bênçãos.
Isso é muito, muito importante. Sabemos que a metáfora é semear e colher. Se você semeia alguma coisa, colhe a mesma coisa. Se semeia trigo, colhe trigo. Se semeia joio, colhe joio. Se semeia para a carne, colhe da carne. Se semeia para o Espírito, colhe do Espírito. Você colhe o que semeia.
Fisicamente, isso é verdade; espiritualmente, também é verdade. Se você semeia muito, colhe mais. Se semeia pouco, colhe pouco. Mas há outro aspecto: se semeia muito, colhe muito mais, porque semeia sementes e obtém uma colheita.
O significado de semear com parcimônia é fácil de entender. Se você semeia apenas algumas sementes, sua colheita não será muito abundante — talvez apenas um punhado. Mas, se semeia generosamente, colherá um campo inteiro.
Contudo, creio que isso vai além de uma questão de quantidade. Creio que também há o sentido de qualidade. Em outras palavras, você pode semear com parcimônia porque semeia com pesar, sem disposição. Algo está sendo tirado de você. Você não quer fazer isso, mas contribui de maneira miserável. Semeia o mínimo que pode.
Se você semeia com esse espírito, colherá de Deus nesse mesmo espírito. Mas, se semeia com bênçãos, o que significa semear com bênçãos?
A nota de rodapé de Darby é muito útil. Ela diz que bênção, aqui, é o espírito com que uma pessoa faz o bem, assim como Deus Se agrada em abençoar. Aqueles que semeiam nesse espírito colherão de acordo com ele. Contribuir como bênção significa simplesmente dar da mesma maneira e no mesmo espírito com que Deus dá.
Deus não dá porque não tem outra escolha — porque nós imploramos, imploramos e imploramos a Ele, e finalmente Ele diz: “Está bem”. Não, Ele nunca dá dessa maneira. Vemos que Deus dá de boa vontade. Ele Se agrada em dar para nos abençoar. Essa é a maneira; esse é o espírito da contribuição.
Quando chega a época do plantio, o agricultor precisa tomar uma decisão muito difícil. Ele tem grãos ali. Deve guardar esses grãos para si e para sua família durante o inverno? Ou deve pegar esses grãos e semeá-los no campo?
Essa é uma decisão difícil. Se ele semear esses grãos, talvez passem fome por alguns dias. Se comer tudo, poderá ficar satisfeito por um momento; mas não haverá colheita. O agricultor precisa aprender a abrir mão da semente.
Especialmente em um tempo de escassez, quando ele semeia, é como se precisasse endurecer o coração para abrir mão daquelas coisas. Por que você semeia a semente? Você a vê desaparecer. O agricultor sabe disso. Ele sabe que há um custo.
Mas, por saber que a semente crescerá, um dia ele colherá o que semeou. Ele sabe que, se semear os grãos, poderá lhe faltar algo no presente. Talvez precise passar um pouco de fome. Mas, no fim, ficará satisfeito.
Algumas pessoas têm uma visão tão curta que se agarram aos poucos grãos e dizem: “Não posso dar”. Mas, se você se agarra à semente, a semente continua sendo semente. Ela nunca se multiplicará.
Irmãos e irmãs, aqui encontramos a bênção de contribuir. Se você dá, está semeando. É claro que isso depende do espírito com que você semeia. Você semeia com ganância, com pesar, sem disposição? Ou semeia com reflexão, com cuidado e em um espírito de bênção?
Muitos podem testemunhar: quanto mais generosamente contribuem, mais Deus dá. Deus não quer que sejamos privados disso. É por essa razão que Paulo queria compartilhar essa questão com os crentes coríntios. Ele não queria que fossem privados dessa graça e dessa bênção.
Vocês se lembram de 2 Coríntios 8:7:
Mas, assim como abundais em tudo, em fé, e em palavra, e em conhecimento, e em toda diligência, e em vosso amor para conosco, vede que também abundeis nesta graça.
Os crentes coríntios eram grandemente abençoados pelo Senhor de muitas maneiras. Abundavam em fé, em palavra, em conhecimento, em diligência e em amor. Por isso, Paulo disse:
Vede que também abundeis nesta graça.
Ele não queria privá-los dessa graça. Não queria privá-los dessa bênção.
Irmãos e irmãs, espero que toda a nossa maneira de pensar seja transformada. Considerem a contribuição como bênção.
Do versículo 8 até o final do capítulo, temos a segunda parte dessa questão. A primeira parte trata da bênção de contribuir; a segunda trata das bênçãos que se seguem à contribuição. Depois que você contribui, o que vem sobre você?
Em primeiro lugar, o versículo 8:
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça; para que, tendo sempre toda a suficiência em tudo, abundeis em toda boa obra.
Deus é poderoso para fazer abundar em vocês toda a graça. Não é verdade que o nosso Deus é o Deus de toda a graça? Nosso Deus está sempre pronto a dar. Nosso Deus é poderoso para dar graça abundante. Nosso Deus é poderoso para dar toda a graça de todas as maneiras. Esse é o nosso Deus.
Mas, às vezes, limitamos Deus. Deus está dando; Sua graça é abundante; Seu dar é abundante. Mas nossa capacidade é muito pequena. Limitamos Deus, e todos sabemos disso.
Como podemos dar a Deus uma oportunidade maior de ampliar nossa capacidade? À medida que contribuímos, nossa capacidade diante de Deus é ampliada. Então, imediatamente, vemos que Deus é poderoso para fazer abundar em nós toda a graça.
Deus quer manifestar Sua graça a você, mas você está tão fechado, tão encerrado em si mesmo. Não há espaço. Sua capacidade está limitada. Mas, ao contribuir, é como se você abrisse espaço para Deus derramar Sua graça.
É semear e colher. Ao semear, sua capacidade é ampliada, e Deus é poderoso para fazer abundar em você toda a graça.
Nesse versículo, a palavra toda é usada repetidamente: “toda a graça”, “toda a suficiência”, “toda boa obra”. Pensem nisso. Contribuir pode parecer difícil, mas a graça que transborda para nós é graça para cada situação.
Você talvez não seja rico financeiramente, mas certamente todos são abençoados em alguma área. Você pode ter limitações físicas, mas pode ter abundância de alguma outra maneira. Sempre há algo que, pela graça de Deus, pode ser compartilhado.
Nessa questão prática da contribuição, a porta é aberta para Deus derramar Sua graça, a fim de que possamos abundar em toda boa obra.
O que isso significa? A graça de Deus nos é dada apenas para que a desfrutemos? Certamente não. A graça de Deus vem sobre nós para que possamos fazer toda boa obra.
Boa obra, nas Escrituras, significa a vontade de Deus. Em Efésios 2, lemos que somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas.
Deus tem uma obra para fazermos. Deus tem Sua vontade para cumprirmos. Como podemos cumprir a vontade de Deus? Por Sua abundante graça. É somente por Sua abundante graça que somos capazes de cumprir a vontade de Deus em nossa vida.
De onde vem essa graça abundante? À medida que você dá, recebe. Quanto mais dá, mais espaço há para Deus dar. Isso não é verdade apenas espiritualmente; também é verdade na prática.
É claro que não devemos pensar: “Vou dar um pouco mais; portanto, vou receber um pouco mais”. Não com esse tipo de mentalidade. Não, isso seria uma barganha. Quando semeamos no espírito de bênção, queremos abençoar os outros. Esse é o espírito. Deus é poderoso para dar.
Em segundo lugar:
Como está escrito:
Espalhou, deu aos pobres;
a Sua justiça permanece para sempre.
E Aquele que fornece semente ao semeador e pão para alimento fornecerá e multiplicará a vossa semente para semear e aumentará os frutos da vossa justiça.
Contribuir é como semear. Há uma palavra em Mateus 6 que, em algumas versões, é traduzida como “esmolas”:
Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles: de outra forma, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está nos céus.
A palavra traduzida como “esmolas” é justiça. Em outras palavras: “Não pratiquem sua justiça diante dos homens para serem vistos por eles”. Contribuir é justiça.
Por que contribuir é justiça? Porque é algo correto aos olhos de Deus. É aceitável a Ele; agrada a Ele. Por quê? Porque está de acordo com Deus. Deus é cheio de amor e generosidade e, portanto, contribuir é algo em harmonia com Seu coração. Por isso, é chamado de justiça.
Aquele que dá aos pobres, a sua justiça permanece para sempre.
Deus não apenas dará a essa pessoa um aumento da provisão terrena, para que não lhe falte o necessário fisicamente, mas também lhe dará os frutos da justiça.
Irmãos e irmãs, Cristo é a nossa justiça. Não temos justiça própria. Nossa justiça é como trapos de imundícia. Cristo é a nossa justiça, e estamos revestidos dEle.
Mas, em Apocalipse 19, quando chegam as bodas do Cordeiro e a noiva já se preparou, como a noiva se prepara?
E foi-lhe concedido que se vestisse de linho fino, resplandecente e puro: porque o linho fino são os atos de justiça dos santos.
Quem pode participar da ceia das bodas do Cordeiro? Aqueles que não apenas estão revestidos de Cristo como sua justiça, mas que também têm os atos de justiça dos santos. Essa é a veste a ser usada nas bodas.
Vocês se lembram da parábola da festa de casamento. Um homem chegou sem a veste nupcial. Naqueles dias, era costume que, quando um nobre ou um rei preparava uma grande festa, fossem fornecidas vestes aos convidados. Mas esse homem considerou sua própria roupa boa o suficiente e desprezou a veste que o anfitrião havia preparado. Por isso, foi lançado fora.
Irmãos e irmãs, quem pode participar da ceia das bodas do Cordeiro? Aqueles que têm o linho branco e resplandecente — os atos de justiça dos santos.
O que são os atos de justiça dos santos? Eles são concedidos. São graça. São bons. Contudo, você precisa se revestir deles. Precisa vestir aquilo que lhe foi dado para participar da ceia das bodas.
Até mesmo essa questão da contribuição é graça. É graça, mas você precisa praticá-la. Quando a pratica, ela se torna justiça. Esses são os atos de justiça dos santos — não porque sejamos melhores do que qualquer outra pessoa, nem porque possamos fazê-los por nós mesmos. É graça.
Mas, quando permitimos que a graça de Deus opere em nós e algo é realizado, então nos revestimos disso; isso se manifesta. Afinal, é graça. Você não pode se gloriar de coisa alguma.
Há uma diferença entre graça e recompensa. A graça não depende de você merecê-la ou não; depende dAquele que a concede. A recompensa é dada de acordo com o que foi recebido e realizado. Contudo, não há contradição. Ela é dada, e nós a recebemos.
Isso é próprio do nosso Deus. Ele faz aquilo que é próprio de Deus porque Ele é Deus. A contribuição está incluída no que as Escrituras chamam de justiça dos santos.
Agora, em terceiro lugar. Em 2 Coríntios 9:11-14, Paulo diz:
Sendo enriquecidos em tudo para toda a liberalidade, a qual, por nosso intermédio, produz ações de graças a Deus.
Porque a administração deste serviço não somente supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas ações de graças a Deus;
visto que, pela prova deste serviço, eles glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão ao evangelho de Cristo e pela liberalidade da vossa contribuição para com eles e para com todos;
enquanto eles mesmos, com súplicas a vosso favor, têm saudades de vós, por causa da abundante graça de Deus em vós.
Ao contribuir, antes de tudo, ações de graças sobem a Deus. As pessoas veem que é a graça de Deus que nos faz contribuir. Não é porque sejamos naturalmente generosos. Sem a graça de Deus, não podemos contribuir.
Não contribuímos porque queremos que as pessoas nos agradeçam. Se alguém contribui, é por causa da abundante graça de Deus nessa pessoa. Portanto, se alguém quiser agradecer, que agradeça a Deus.
Agradeça a Deus porque tal graça veio sobre um irmão ou uma irmã, de modo que ele ou ela pode contribuir. Aqui vemos que Deus é glorificado.
Como estamos enganados em toda essa questão da contribuição! Damos como se aquilo viesse de nós, e as pessoas recebem como se viesse de nós. Damos para ser elogiados, e as pessoas nos elogiam; caso contrário, não queremos dar. Toda essa maneira de agir está errada.
Contribuir é graça. É a graça de Deus expressa. Quando os santos pobres em Jerusalém viram a dádiva, deram graças a Deus. A graça de Deus havia se manifestado tão intensamente entre os crentes gentios que eles estavam dispostos a compartilhar seus recursos materiais com os crentes judeus. Eles glorificaram a Deus pela obediência da confissão dos coríntios ao evangelho de Cristo.
Quem é capaz de unir gentios e judeus em uma só família? A graça de Deus — o evangelho de Jesus Cristo. Graças a Deus.
Em segundo lugar, aqueles que recebem têm suas necessidades supridas. Eles dão graças a Deus e oram a Deus por aqueles que contribuem. Em outras palavras, há muita oração.
Irmãos e irmãs, quando vocês contribuem no espírito de bênção, não apenas Deus é glorificado, mas vocês recebem oração. Há amor entre Deus e as pessoas, e há amor entre o povo de Deus.
Assim, por fim, Paulo conclui esse assunto dizendo:
Graças a Deus pelo Seu dom inefável.
A palavra “graças” está novamente relacionada à graça: “Graça seja a Deus pelo Seu dom inefável”. A graça de Deus nos faz contribuir e, depois de contribuirmos, damos graças a Deus por Seu dom.
O que é esse dom inefável? Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito. Seu Filho unigênito é o dom inefável de Deus.
Por que ele é inefável? Porque nunca poderemos explicá-lo e nunca poderemos esgotá-lo. Quando Deus deu, deu Seu único Filho — Seu Filho unigênito — de maneira tão livre e tão plena. Nunca, nunca poderemos compreender inteiramente essa dádiva.
Depois de contribuirmos, precisamos agradecer a Deus por Seu dom inefável. Se não conhecemos a graça de Deus, depois de contribuir, nos sentamos e dizemos: “Eu fiz isso”. De modo algum.
Depois de contribuir, você diz: “Graças a Deus pelo Seu dom inefável”. Não fui eu que fiz; foi Ele. O dom é Cristo.
Você acha que pode fazer isso? Não, ninguém pode. Você pode contribuir mecanicamente, sim, mas essa não é a contribuição de que Paulo fala. Essa contribuição vem de Cristo.
Quando Cristo enche seu coração, você pode dar como Deus dá. Portanto, irmãos e irmãs, lembrem-se sempre: é o nosso Senhor Jesus. Não se trata apenas de contribuir; trata-se de Cristo em vocês.
Em todas as outras áreas da sua vida, você diz: “Não sou eu; é Cristo”. Na área da contribuição, o princípio é o mesmo: não eu, mas Cristo.
É por isso que a Bíblia diz:
Cristo vive em mim.
Quando se trata de contribuir, é Cristo. É Cristo quem capacita você a contribuir. É porque Ele dá que você pode dar. É por causa da Sua vida em você que você assume Sua natureza.
Louvado seja Deus. Que o Senhor torne essa verdade concreta em nossa vida. É assim que Paulo conclui o assunto da contribuição.
Nosso Pai, oh, nós nos prostramos diante de Ti. Oh, como Te louvamos porque, para o homem, isso é impossível, mas, para Deus, todas as coisas são possíveis.
Senhor, não permitas que tentemos nos esforçar para contribuir por nós mesmos, como se isso fosse apenas uma regra a ser cumprida. Mas, Senhor, não queremos ir embora tristes porque, para nós, isso é impossível. Seria uma situação sem esperança.
Por isso, Senhor, simplesmente nos abrimos a Ti. Senhor, enche nosso coração de Ti mesmo. Capacita-nos a contribuir como Tu queres que contribuamos e glorifica a Ti mesmo por meio de nós. Em Tua presença, pedimos isso.