Profecias de Malaquias.
Porque, desde o nascente do sol até ao poente, o Meu nome será grande entre os gentios;
e em todo lugar se oferecerá ao Meu nome incenso e uma oferta pura:
porque o Meu nome será grande entre os gentios, diz o Senhor dos Exércitos.
E sabereis que Eu vos enviei este mandamento, para que a Minha aliança seja com Levi, diz o Senhor dos Exércitos.
Minha aliança com ele foi de vida e de paz; e Eu lhas dei para que Me temesse; e ele Me temeu e assombrou-se por causa do Meu nome.
A lei da verdade esteve na sua boca, e a iniquidade não se achou nos seus lábios:
ele andou Comigo em paz e em retidão e apartou muitos da iniquidade.
Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei:
porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos.
Eis que Eu envio o Meu mensageiro, que preparará o caminho diante de Mim:
e de repente virá ao Seu templo o Senhor, a Quem vós buscais;
e o Mensageiro da aliança, a Quem vós desejais, eis que Ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.
Mas quem suportará o dia da Sua vinda? E quem subsistirá quando Ele aparecer?
Porque Ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros:
e assentar-Se-á como refinador e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi,
e os refinará como ouro e como prata; e eles oferecerão ao Senhor ofertas em justiça.
Continuaremos com o assunto que o Senhor nos levou a encarar nesta tarde: aquilo que os levitas representam no Antigo Testamento.
Permitam-me dizer novamente o que tantas vezes já foi dito aqui: em todas essas coisas, estamos lidando com realidades espirituais, e não apenas com as formas pelas quais elas se corporificam e se apresentam.
Quando falamos dos levitas, naturalmente pensamos em uma ordem e em um sistema do Antigo Testamento, de caráter preliminar. Mas precisamos lembrar constantemente que, seja o que for que Deus tenha feito, seja como for que Ele tenha Se expressado ao longo da história deste mundo, todas as diferentes formas e meios de expressão são apenas meios de transmitir realidades espirituais, permanentes e eternas.
Isso é muito verdadeiro em relação aos levitas. Estamos falando deles; usamos sua designação. Mas reconheçamos, o tempo todo, que estamos diante de grandes realidades divinas e espirituais, que pertencem a nós e ao nosso tempo tão verdadeiramente quanto pertenceram a qualquer povo de Deus.
Portanto, essa lei espiritual dos levitas se aplica diretamente a este lugar, nesta noite.
Não poderíamos esperar abranger todo esse assunto, mesmo que ficássemos aqui durante dias. Não estou tentando fazer isso, mas apenas destacar alguns dos elementos mais essenciais de toda essa questão.
Comecemos, então, esclarecendo este ponto em nossa mente: estamos lidando com uma concepção espiritual, e não com um sistema eclesiástico formal. Quando falamos de sacerdotes e levitas, esse sistema não vigora em nossa dispensação, mas as concepções espirituais governam esta dispensação.
Agora, quando procuramos chegar ao cerne dessa questão, ao seu âmago, perguntamos a nós mesmos: qual é o sentido e o significado mais íntimo e profundo de todo esse assunto do ministério levítico?
Creio que a resposta é: associação com Deus em Sua obra.
É uma maneira muito simples de expressar isso, mas é algo tremendo: associação com Deus para a Sua obra.
Precisamos trazer à nossa consideração tudo o que a Palavra de Deus revela acerca da natureza de Deus.
E, se fôssemos expressar a natureza de Deus em uma única palavra, certamente teríamos de dizer: santidade. Santidade.
Você poderia dizer amor, mas o amor é governado pela Sua santidade. O amor é qualificado pela Sua santidade. É amor santo. Quaisquer outras palavras que você possa usar para descrever ou definir a natureza de Deus podem ser verdadeiras — muitas outras coisas são verdadeiras —, mas elas são a expressão dessa realidade mais íntima: a Sua santidade.
Sua santidade — e associação com Deus. É algo tremendo para contemplar.
Neste livro de Malaquias, é isso que governa, que predomina do começo ao fim. A acusação central que o Senhor tinha contra aquele povo, naquele momento, era que haviam perdido a consciência da Sua santidade.
Tanto que, quando foram acusados de certas coisas claramente erradas, disseram: “Como? Como?” Não conseguiam perceber. Vocês conseguiriam perceber? Eles haviam perdido a consciência da Sua santidade.
Então Ele os leva ao ponto central: “Aquilo que vocês oferecem no Meu altar — o cego, o coxo, o defeituoso. Não ofereçam isso ao seu governador. Vejam o que ele dirá. O que ele dirá? ‘Vocês ousam me oferecer uma ovelha cega, uma oferta manca, uma oferta defeituosa! Quem vocês pensam que eu sou? Que tipo de pessoa vocês pensam que eu sou?’”
“Vejam o que o seu governador diria. Não sou Eu maior do que o seu governador? No entanto, vocês fazem isso Comigo.”
Vejam, o Senhor tem maneiras surpreendentes de colocar as pessoas face a face com a realidade. Estou usando isso apenas para chegar ao cerne de toda essa questão: associação com Deus.
Pensem nisso. Os levitas foram chamados à associação com Deus. Essa era a aliança de Deus com Levi: de vida e de paz.
Pensem nisso: entrar em contato direto com um Deus como Ele é; entrar em contato direto com as Suas coisas, diante Dele — e viver. E viver! Seria impossível viver em Sua presença sem vida e paz.
Em contato com um Deus tal como Ele é, não poderia haver paz. Haveria guerra até a morte se não existisse um fundamento correto.
Minha aliança com Levi foi de vida e de paz.
Em associação Comigo, na Minha obra.
Estou tentando, queridos amigos, por mais imperfeitamente e com toda a minha dificuldade de expressão, fazê-los sentir a grandeza desse chamado.
Se aquilo que procuramos dizer nesta tarde é verdade, isso não se refere a um grupo religioso especial, a uma classe ou a uma denominação. É a isso que a Igreja, como um todo, é chamada.
Quando a Igreja, como um todo, deixa de reconhecer isso, Ele procura dentro dela aqueles que não O decepcionarão nessa questão. Ele tem feito isso repetidamente, e essa é a história dos levitas.
Agora, voltemos um pouco. Todos os que já conhecem bem o assunto terão paciência, mas nem todos aqui têm todo o conhecimento que vocês têm. O que aconteceu com os levitas?
Bem, antes de tudo, vocês sabem o que lemos nesta tarde: como eles vieram a ocupar um lugar diante do Senhor — na ocasião do bezerro de ouro, quando a nação se descontrolou, e os levitas se separaram daquela corrupção, contaminação e impureza, colocando-se inteiramente fora delas. Então, a grande custo para suas próprias almas, suas famílias e seus amigos, tomaram a espada.
Penso nessa irrupção do mal — foi assim que eles vieram à tona, em primeiro lugar.
Vocês sabem que, mais tarde, o Senhor tomou a tribo de Levi no lugar dos filhos primogênitos de Israel? O filho primogênito de cada família era oficialmente o sacerdote daquela casa. Ele exercia a função de sacerdote da família.
Quando Israel falhou como nação, e o sacerdócio não correspondia àquilo que o Senhor exigia, toda a nação passou a ser representada pela tribo de Levi, com base no meio siclo de prata. O Senhor fez da tribo de Levi a representante de toda a nação como a igreja dos primogênitos.
Representativa — isto é, agora, nos levitas, todas as famílias de Israel são representadas em santidade, em satisfação ao Senhor: um povo no meio do povo, dando a Deus a satisfação que Lhe é devida. Pois Ele precisa tê-la. Vocês conhecem esse princípio.
Não vou continuar com a história dos levitas. Vocês podem estudá-la muito mais a fundo. Isso é suficiente para chegarmos diretamente ao significado dessa questão.
Essa lei do levita é a lei da associação mais íntima com Deus para a obra de Deus, de maneira sacerdotal.
Quando dizemos isso, queremos dizer mediação, intercessão: colocar-se entre Deus e Seu povo para uni-los; transmitir, da parte de Deus, aquilo que Ele deseja que Seu povo tenha; colocar Seu povo em contato com Deus e com Seus recursos.
É algo espiritual. E, nesse sentido, todos vocês são chamados a ser sacerdotes e levitas. Talvez estejam pensando e dizendo: “Isso é muito técnico, muito eclesiástico”. Mas não, é muito simples.
Há uma obra em andamento na Dinamarca, neste momento, que está crescendo, expandindo-se e apresentando todas as marcas de um movimento muito real de Deus.
Durante dez anos, cinco irmãs — nada jovens, certamente sem influência neste mundo, pobres quanto às coisas deste mundo —, durante dez anos, essas cinco irmãs oraram até que essa obra viesse a existir.
Somente depois de dez anos solitários e pacientes, com muita dor e decepção, chegando ao ponto de às vezes se perguntarem se alguma coisa poderia acontecer, foi que, ao final daqueles dez anos, a obra finalmente irrompeu.
Eu chamo isso de ministério levítico. Era algo oculto. O mundo nada sabia a respeito. Aquilo prosseguia; Deus sabia de tudo.
Você pode estar sozinho em algum lugar. Vocês podem ser um pequeno grupo isolado em algum lugar. Podem ser um grupo maior. Mas, quer estejam sozinhos, quer em grupos maiores e mais numerosos, a questão é esta: vocês são chamados a ser os levitas de Deus nisso.
Vocês se colocam não apenas entre Ele e o mundo — sim, isso também —, mas entre Ele e aquilo de que Ele necessita para cumprir Seu propósito para com Seu próprio povo. Essa é uma vocação, e era a vocação dos levitas.
E, queridos amigos, se vocês precisam ser tocados pela importância disso, saibam que não é algo opcional, algo extra, que possam aceitar ou deixar de lado.
Deixem-me levá-los de volta ao que lhes li no primeiro capítulo de Malaquias. Vocês não veem a ligação? Na minha Bíblia, tenho linhas traçadas de uma página à outra, e essas linhas ligam as coisas.
Eu lhes li, em Malaquias 1:11:
O Meu nome será grande entre as nações;
e em todo lugar se oferecerá ao Meu nome incenso e uma oferta pura:
porque o Meu nome será grande entre as nações.
Minha linha vai até Levi: primeiro, até a aliança feita com Levi e, depois, dali até a purificação dos filhos de Levi. Creio que essa é a ligação correta.
Isto é, se o Seu nome realmente há de ser grande entre as nações, Ele precisa de um corpo levítico dessa natureza. Ele precisa de um povo dentro do Seu povo. Talvez isso tenha de ser assim; não era essa, porém, Sua intenção original. Ele desejaria que todo o Seu povo estivesse nessa base, representando a igreja dos primogênitos.
Se o conjunto não é assim, como tantas vezes temos dito, Ele procura dentro dele aqueles que O servirão dessa maneira.
O propósito é que o Seu nome seja grande entre as nações.
Vamos colocar isso pelo outro lado: se os levitas estão corrompidos, contaminados e fora do seu lugar, o nome do Senhor é desonrado entre as nações. Se o Senhor não tem aquilo de que precisa — esse ministério realizado por um povo assim —, as nações sofrem perda, e o nome do Senhor sofre perda.
Vejam, o Senhor aqui faz tudo voltar a isto: o opróbrio lançado sobre o Senhor e sobre a nação é desonra. E, ao focalizar a questão, vocês chegam diretamente aos levitas.
Para que o opróbrio sobre o nome do Senhor seja removido, e para que o Seu nome seja grande entre as nações, Ele precisa purificar os filhos de Levi. Isso precisa acontecer.
Agora, vejam, começamos aqui: associação com Deus. Apliquemos isso a nós mesmos, individualmente. Não consigo pensar em nada que me examine mais profundamente do que ter associação com Deus.
Bem, é claro que isso dependerá da minha ideia de Deus, não é? Mas, se tenho alguma concepção correta de Deus — desse Deus que vemos aqui, em Sua infinita santidade —, a associação com Ele, a permissão para me aproximar Dele, para entrar em Sua presença, para estar perto Dele, é algo tremendo.
Consideraríamos algo grandioso se nos fosse permitido ter associação com certas pessoas deste mundo — uma elevada honra, e uma responsabilidade para elas ao nos admitirem nessa associação. Consideraríamos isso algo grandioso. Mas associação com Deus para a Sua obra — a Sua obra! Ele realiza Sua obra por nosso intermédio.
Oh, que Deus conceda que um dos frutos deste tempo, desta própria hora, seja uma nova concepção, de um lado, da santidade e da grandeza de Deus — podemos dizer, da majestade de Deus que nos faz tremer? — e, de outro, da infinita misericórdia e graça de Deus ao nos chamar à associação Consigo mesmo.
Que honra: Ele realizar Sua obra por nosso intermédio.
Oh, queridos amigos, precisamos mesmo de uma concepção correta da obra de Deus. Nós a tomamos em nossas mãos contaminadas, projetamos a nós mesmos nela, ocupamos todo o espaço, tornamo-nos alguém dentro dela ou desfilamos como se fôssemos alguma coisa.
Quando Isaías viu Sua santidade, ouviu:
Santo, santo, santo.
E simplesmente clamou:
Ai de mim! Pois estou perdido.
É isso que precisamos recuperar: reconhecer que Ele nos chama a essa associação, com o propósito de dar expressão plena a Si mesmo — Sua obra por nosso intermédio.
Quero parar aqui e acrescentar algo prático. Quando falamos dessa questão de santidade, pecado e injustiça, e talvez comecemos a sentir algo a esse respeito em nós mesmos, é bem possível recorrermos, de maneira errada, a certas passagens das Escrituras em nossa defesa.
Podemos recorrer indevidamente a Romanos 8:1:
Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
E tomar indevidamente a proteção dessa passagem, e de outras semelhantes, para nos escondermos atrás dela.
Há uma diferença. Romanos 6:1-2 diz:
Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
De modo nenhum.
Percebem o ponto?
Oh, sim, sempre seremos muito imperfeitos. Sempre haverá muito a ser feito em nós, até o fim. A purificação, a santificação e a salvação precisam continuar acontecendo.
Em 1 João 1:7, lemos:
Se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros.
Isto é, Ele e nós.
E o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Mas existe a possibilidade de não andar na luz e justificar isso dizendo: “Sim, sei que sou muito imperfeito e que sou pecador, mas não há condenação”. Vocês entendem o que quero dizer?
Bem, vocês não podem — nós não podemos — nos esquivar dessa maneira.
Aquelas pessoas nas igrejas de Apocalipse, nas sete igrejas, onde havia coisas erradas — quando lhes foi dito: “Tens aí isto, aquilo e aquela outra coisa, coisas que Eu odeio” —, se tivessem simplesmente respondido: “Mas não há condenação para os que estão em Cristo. O sangue de Jesus Cristo nos purifica de tudo”, isso não resolveria. Isso não resolve.
Se realmente vamos estar em associação com Deus para a Sua obra, as chamas refinadoras precisam realizar seu trabalho, e os filhos de Levi precisam ser purificados.
Precisamos ser um povo purificado. Precisamos andar em santidade. Precisamos, com todo o valor da purificação pelo precioso sangue e da santificação pelo Espírito Santo, andar na luz. Precisamos corresponder ao Senhor para estarmos em associação com Ele.
É o serviço que ocupa o lugar preeminente aqui, como vocês veem. Israel foi chamado para fora do Egito a fim de servir ao Senhor. Em Êxodo 4:23, lemos:
Deixa ir o Meu filho, para que Me sirva.
Toda a intenção de Deus na filiação é o serviço. É algo prático: realizar Sua obra, ministrar a Ele, e isso no meio das nações. Israel foi chamado para fora do Egito a fim de servir ao Senhor com base na filiação.
Quando toda a nação revelou sua fraqueza e sua contaminação, seu coração dividido — metade voltada para o Senhor, e ficando muito claro que isso era, em grande parte, em benefício próprio; a outra metade de volta ao Egito, por sua própria conveniência e conforto —, e quando tudo isso foi trazido à luz, os levitas foram tomados como o povo de coração indiviso.
Esse foi o teste, vejam. Moisés disse, em Êxodo 32:27:
Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa;
passai e tornai a passar de porta em porta pelo arraial,
e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu companheiro, e cada um a seu próximo.
Nenhum homem de coração dividido poderia assumir aquilo. O coração de um homem precisa ser inteiro para que ele seja capaz de fazer algo assim. Eles foram realmente postos à prova nessa questão, de maneira muito prática, e resistiram à prova. Foram até o fim.
Portanto, bem no centro da nação, eles representam o princípio do coração indiviso: o coração que é inteiramente para o Senhor.
Isso é essencial à associação com o Senhor. É essencial àquilo que o Senhor chama de Seu serviço — não o que o homem chama de serviço de Deus, de obra de Deus, mas o que Deus chama de Seu serviço.
E prestem atenção, queridos amigos: é verdade, solenemente verdade, que, mais cedo ou mais tarde — mais cedo ou mais tarde —, se realmente levamos Deus a sério, se somos honestos com Deus, seremos confrontados com isso.
Podemos ter passado muito tempo fazendo muitas coisas para o Senhor e realizando muito trabalho para o Senhor, tendo em nossa vida coisas com as quais o Senhor não concordava. Mas, mais cedo ou mais tarde, o Senhor diz: “Você não pode prosseguir daqui”.
Nesse momento, todo o trabalho da nossa vida está chegando ao fim, ou se tornará algo novo, algo maior. É a crise do nosso testemunho e a crise da nossa obra.
É isso que Levi representa, vejam. É exatamente isso: Deus olhando para o coração. Deus olhando para o coração.
Oh, perdoem-me se pareço pesado, severo. Creio que o Senhor está buscando algo.
O que mantenho diante dos meus olhos não é o processo, mas o resultado. Tenho plena certeza de que o Senhor deseja fazer algo novo, algo poderoso para a Sua glória.
Mas Ele tem um propósito em vista — algo mais, algo mais. E, como entendo, esse princípio levítico é justamente isto: como Deus prosseguirá, como Deus fará coisas maiores, fará mais e alcançará Seu objetivo final.
Isso é para aquele que vence. Esse é o Levi do nosso tempo.
Os levitas representavam, e representam, aquilo que é mais precioso para Deus. Mais precioso para Deus. E aquilo que é mais precioso para Deus é a santidade de vida. Não se pode contestar nem questionar isso.
Todo este livro de Malaquias trata de ofertas defeituosas — ofertas de animais coxos e cegos. O Senhor disse: “Tirem-nas daqui. Não tenho nenhum deleite, nenhum prazer em suas ofertas. Levem-nas embora”.
“Essas coisas defeituosas não Me dão prazer. Não há nelas nada de precioso para Mim.” A questão é aquilo que é mais precioso para o Senhor: o que não tem defeito, o que é íntegro diante do Senhor.
Deus é zeloso, muito zeloso. Ele é um Deus zeloso.
Em certo sentido, Deus é a única Pessoa que tem o direito de ter ciúme. Nosso ciúme é totalmente errado, não é? Totalmente errado. Mas o zelo de Deus é algo santo e puro, e Ele tem o direito de ser zeloso.
Ele zela pelo Seu nome, zela pela Sua santidade.
Agora, vocês veem, reconhecem, que tudo isso explica o Senhor Jesus? Oh, isso explica o Senhor Jesus. Explica Sua vinda a este mundo. Explica Sua vida enquanto esteve aqui. Explica Sua cruz. Tudo isso explica o Senhor Jesus.
Dissemos nesta tarde que Ele é o grande Levita. Ele começou Seu ministério aos trinta anos, assim como os levitas começavam o deles. Ele é o grande Levita.
Aqui vocês chegam novamente a toda a questão da filiação: filiação para o serviço, para satisfazer a Deus.
Aqui está Alguém Que vive na mais íntima associação com Deus. Se Cristo é nosso exemplo, e se fomos predestinados a ser conformados à imagem do Filho de Deus, então Cristo realmente governa tudo na vida e na obra.
Aqui estamos na presença Daquele Cujo coração não é dividido, Cujo coração é inteira e absolutamente para Deus, Cuja associação com Deus é completa e absoluta, demonstrada por Sua própria escolha.
Não estamos pensando agora em Sua identificação com Deus na Divindade. Estamos pensando Nele como o Levita: o Homem, representativo entre o povo do Senhor; Alguém em verdadeira associação com Deus; Alguém que cumpre o propósito e realiza a obra de Deus.
Convém que Eu faça as obras Daquele Que Me enviou, enquanto é dia.
— João 9:4
Aqui está o Levita perfeito. Agora, qual é o ponto? Para que possamos realizar as obras de Deus, precisamos ser conformados à imagem do Filho de Deus. Precisamos entrar em Cristo dessa maneira.
Agora, vejam, isso abre novamente toda a Bíblia, porque, do começo ao fim, sempre que Deus deu um passo na história deste mundo — cada passo sucessivo, entre tantos passos —, Ele sempre deu esse passo com base em Cristo.
Ele deu um passo com Abel? Abel representou um passo adiante? Bem, não é difícil ver a figura de Cristo que Abel representa: alguém separado para Deus, cujo coração é indiviso no que diz respeito a Deus.
E assim poderíamos continuar. Se vocês pensarem em cada passo, com cada novo homem — Adão no princípio, Enoque, Noé, Abraão —, seguindo até o povo de Israel, até os levitas, cada passo que Deus deu, Ele o deu com base em Cristo.
Deus nunca avançou sobre qualquer outro fundamento que não fosse Seu Filho. Vocês e eu ficaremos fora dos movimentos de Deus se não estivermos avançando na direção de Cristo.
Cristo é esse Levita que abrange tudo, Que tem um coração somente para Deus, Que, a qualquer custo — a qualquer custo —, provará que Seu coração é inteiramente para Deus.
Ele reagirá, reagirá vigorosamente, contra qualquer insinuação do inimigo que venha tirar alguma coisa do Pai. Acompanhem esse pensamento.
Os levitas fizeram isso quando tomaram a espada. Foi uma reação vigorosa contra uma invasão que pretendia tirar alguma coisa de Deus. Isso é Cristo.
Portanto, ser chamado à comunhão com o Filho de Deus é ser chamado a uma posição levítica de absoluta separação para Deus, de inteira devoção a Deus, de reação contra tudo o que venha tirar algo de Deus e desonrar Seu nome, e contra tudo o mais a que o levita se opõe.
Agora, espero que vocês estejam compreendendo a verdade. Oh, os detalhes são numerosos demais para abrangermos todo esse campo. Mas aqui estamos: somos confrontados com isso.
O Senhor deseja empreender coisas novas. O Senhor deseja prosseguir. O Senhor deseja conduzir Seu povo adiante. Mas Seu caminho sempre tem sido, em todo tempo, encontrar um homem ou um povo dessa ordem levítica.
Quando Ele encontra isso, pode fazer algo mais. Pode prosseguir. Ele precisa disso hoje, e precisa disso em toda parte.
Não precisamos estar todos juntos em um só lugar para isso; estamos espalhados pela terra. Mas o princípio é santidade ao Senhor, o princípio do coração indiviso, o princípio de uma reação zelosa e ardente contra qualquer toque de corrupção vindo do inimigo.
O Senhor avançará nessa direção. Ele não pode fazer isso de qualquer maneira.
Creio, sabem, que temos tido uma ideia superficial demais do serviço do Senhor e do nosso relacionamento com Ele — superficial demais, fácil demais. Qualquer pessoa serve. Qualquer coisa serve. Tudo muito genérico. Oh, não.
Se isso nos diz uma coisa, é: “Não. Não, de modo nenhum”. Deus é zeloso, e Deus zela pela Sua santidade, pelo Seu nome.
Que Ele escreva isso, coloque isso em nosso coração e explique, Ele mesmo, o que quer dizer ao falar conosco dessa maneira.
Há tanto em jogo. Como diz Malaquias 1:11:
O Meu nome será grande entre as nações.
Tenho certeza de que isso toca nosso coração.
Vamos orar?