Assim, chegamos à conclusão deste tempo juntos, no qual temos procurado compreender que a única revelação que abrange toda a Bíblia é a intenção e a determinação de Deus de ter uma habitação nesta terra.
Como já dissemos, há muitas figuras, muitos tipos e muitos nomes usados simbolicamente para essa habitação. Talvez o mais destacado seja o da casa de Deus. Mas, por mais numerosos que sejam os títulos e as representações simbólicas, todos expressam um único pensamento e um único propósito: o desejo de Deus de habitar com os homens.
Quando, no início da Bíblia, as coisas estavam em condições que permitiam a Deus pronunciar o veredicto: “É muito bom”, Deus estava presente, em comunhão e convivência com o homem.
Não nos é dito muito sobre como Ele estava presente. É-nos dito que Ele andava no jardim pela viração do dia, que falava com o homem e lhe tornava conhecidos os Seus pensamentos. Pelo que o relato nos conta, pouco mais sabemos.
Pode muito bem ter sido semelhante aos quarenta dias depois da ressurreição, quando Ele vinha, mostrava-Se, falava e ia embora; depois voltava e ia embora; e voltava outra vez — indo e vindo, falando e mostrando-Se. Muito provavelmente era assim no princípio, deixando muito claro que esse era o Seu pensamento, segundo o Seu coração: estar presente e poder, por Sua presença pessoal, ter comunhão e comunicar-Se.
Tão cedo, Ele teve de Se retirar. Em certo sentido, moralmente, Ele foi posto para fora — podemos dizer, expulso? As condições mudaram. Já não correspondiam ao Seu pensamento. Já não Lhe permitiam dizer: “É muito bom”. A mudança tornou necessária a Sua retirada.
Repetidas vezes ao longo da história, lemos sobre o esforço de Deus para recuperar uma condição adequada a Ele e agradável a Ele, para que pudesse voltar.
Ele deu a Moisés um modelo — uma habitação celestial. Quando todas as coisas foram feitas segundo esse modelo, foi novamente como se Deus dissesse: “É muito bom”; e Ele voltou e encheu o tabernáculo. Mais uma vez, porém, aquilo não podia ser permanente. Era em figura, em tipo e em certa medida; mas, no próprio povo, as coisas não estavam plena e definitivamente de acordo com o Seu pensamento.
Mais tarde, Ele deu outro modelo a Davi: um templo, novamente uma representação da habitação celestial. Quando todas as coisas foram feitas segundo aquele modelo revelado, Deus veio e encheu o templo, mostrando mais uma vez que é isso que Ele está sempre buscando.
E, novamente, as coisas mudaram. Temos a triste história da glória se retirando, afastando-se, indo embora, e aquilo permanecendo apenas como uma casca vazia — uma formalidade fria, sem realidade.
O Antigo Testamento termina com a nota do fracasso nesse grande propósito de Deus — fracasso, mas também promessa. Encontramos isso bem no final, na última fase do Antigo Testamento:
Quem há entre vós que tenha visto esta casa na sua primeira glória?
Não é ela aos vossos olhos como nada?
A glória desta última casa será maior do que a da primeira.
Ainda uma vez farei estremecer; e virá o Desejado de todas as nações.
Ele é o Desejado de todas as nações. Vocês se lembram de que é na Carta aos Hebreus que essas palavras são retomadas pelo escritor e aplicadas ao abalo de tudo o que há aqui nesta casa, que é apenas uma representação — isto é, um tipo, uma figura, um símbolo —, para que a realidade espiritual tome o seu lugar?
Bem, se passarmos do Antigo Testamento para o Novo, encontraremos os movimentos seguintes de Deus que levam esse propósito à sua plenitude. Há três grandes expressões desse pensamento divino — outras menores, mas três principais.
Uma delas é Israel. Não compreendemos Israel enquanto não reconhecemos que Israel foi escolhido dentre os povos desta terra como uma nação para um único e exclusivo objetivo: que Deus encontrasse naquele povo uma habitação para Si, adequada a Ele.
Ele Se empenhou, trabalhou, sofreu. Demonstrou Sua infinita paciência, misericórdia e longanimidade para com aquele povo, porque Seu coração estava inteiramente ligado ao Seu objetivo: realizar Seu pensamento eterno e ter uma habitação aqui.
Repito: não compreendemos o afastamento de Israel do programa divino enquanto não reconhecemos seu fracasso completo e definitivo em cumprir essa vocação. Seu fracasso em cumpri-la chegou ao ponto culminante na expulsão de Deus encarnado, quando disseram: “Não queremos este Homem”.
Assim, ao menos nesta dispensação, Deus deixou aquela casa, e ela permanece desolada até hoje. Mas Deus não abandonou Seu propósito.
A segunda grande expressão de Seu pensamento — e talvez possamos chamá-la de expressão abrangente — está na própria encarnação: Emanuel, Deus conosco. Na Pessoa de Seu Filho, Ele encontrou Seu santuário, Seu templo, Seu tabernáculo.
O Verbo Se fez carne e tabernaculou entre nós; e vimos a Sua glória.
A terceira grande expressão está na vinda do Espírito Santo e no nascimento da Igreja.
Não compreendemos a encarnação enquanto não a relacionamos com esse pensamento eterno: encontrar no homem uma habitação, fazer do homem o lugar da Sua morada. Além disso, não compreendemos o significado mais profundo da vinda do Espírito Santo e do nascimento da Igreja, na qual o Espírito Santo passa a habitar, enquanto não relacionamos tudo isso com esta única realidade: Deus está aqui. A Igreja é o lugar da Sua habitação, e Ele veio ao Seu templo.
Tendo dito isso, qualquer pessoa que leia o relato pode ver como isso se cumpriu gloriosamente no dia de Pentecostes. Verdadeiramente, o Mensageiro da aliança havia vindo ao Seu templo. Verdadeiramente, Deus estava presente naquele dia — e não foi embora. Ele veio para ficar.
É Deus encarnado Quem diz:
Estou convosco todos os dias, até à consumação do século.
Ele veio para ficar na Pessoa de Seu Espírito. Está bastante claro que, na Igreja como um todo, esse é o pensamento divino.
Mas então descobrimos que aquilo que, na intenção de Deus, era verdadeiro acerca da Igreja universal também é verdadeiro acerca das igrejas locais. Uma coisa deveria caracterizar as comunidades locais do povo de Deus: Deus deveria ser encontrado ali.
Esse é, como vocês percebem, o tema da nossa terceira mensagem: o critério decisivo. Não estou sugerindo que vocês desconheçam o significado da palavra quando lhes lembro que “critério” significa simplesmente o princípio que determina o padrão de julgamento. Isto é, aquilo que decide a questão, ou a base sobre a qual vocês decidem qualquer questão — o padrão, a medida, o princípio pelo qual tudo é determinado.
O único critério decisivo da casa de Deus, universal ou local, é simplesmente este: Deus está ali, e vocês O encontram ali. Essa é a sua característica predominante.
Não são os métodos, a maneira de fazer as coisas, a execução, os ritos, as formalidades, as cerimônias e todas as outras coisas. Seja nelas, por meio delas ou à parte delas, sem elas, a questão é esta: Deus está ali. Vocês encontram Deus. Não podem entrar ali sem encontrar Deus. Esse é o critério decisivo para saber se aquilo é uma casa de Deus.
Não se trata de um lugar, mas de um povo em cujo meio Deus, na Pessoa de Seu Filho Jesus Cristo, por Seu Espírito, está presente — e Sua presença é reconhecida. Pois é possível que Alguém esteja presente sem que vocês saibam? Bem, pode ser, se houver algo errado com vocês, mas não deveria ser assim.
Onde Deus está, deveríamos saber. Nós O encontramos.
O critério não é uma, nem várias, das muitas coisas que os homens consideram necessárias para constituir uma casa de Deus. Nosso vocabulário e nossa maneira de falar estão inteiramente equivocados nessa questão quando falamos da casa de Deus. Referimo-nos a um edifício, a um lugar e assim por diante. Mas o critério não é nenhuma dessas coisas. É simplesmente isto: vocês encontram Deus ali.
E, se não O encontram, aquilo não pode receber esse nome, porque não cumpre essa função. Seria melhor deixar aquilo de lado. Por que tentar mantê-lo de pé, se não é assim?
Agora, isso nos leva à questão da base sobre a qual Deus está presente.
Permitam-me dizer aqui, entre parênteses, que Deus pode estar presente em diferentes graus — em maior ou menor grau. As igrejas do Novo Testamento deixam perfeitamente claro que isso é verdade. Não é nada difícil perceber que o Senhor estava mais presente num lugar do que em outro, que havia uma medida maior do Senhor e de Sua glória neste lugar do que naquele. Por exemplo, Filipos em contraste com Corinto.
Mas, certamente, o que deve nos governar não é que o Senhor esteja ali de qualquer maneira, mas que Ele possa estar ali sem reservas nem restrições, dando-Se inteiramente. Essa, sem dúvida, é a questão.
Isso é o que deve nos preocupar individualmente: que o Senhor possa estar conosco, individualmente, sem reservas, inteiramente livre para Se entregar. E, certamente, essa deve ser a preocupação de cada comunidade do povo do Senhor em todos os lugares — não existir por causa disto, daquilo ou de alguma outra coisa, mas para ter a plenitude da presença do Senhor.
Agora, ouso dizer, queridos amigos, que, se essa fosse realmente a preocupação que nos governa e domina, seria a chave para muitos problemas, a solução de muitos problemas, o esclarecimento de todas as dificuldades. Se todos estivéssemos decididos quanto a isto — que o mais importante de tudo é que o Senhor tenha um caminho absolutamente desimpedido e livre para encher este lugar com Sua glória —, tudo o que impedir isso terá de sair do caminho.
Isso deve ser uma poderosa motivação em nossa vida. Precisamos nos alinhar com esse pensamento eterno de Deus, enxergá-lo, e ele precisa se tornar a nossa paixão — a tal ponto que não possamos tolerar coisa alguma que o frustre, obstrua ou limite.
Esse é o desafio desta mensagem. Mas, para que seja assim, Deus precisa ter condições que, por um lado, não O envolvam na desordem do homem. Pois Deus não permitirá que O envolvam na desordem do homem; Ele não Se entregará a isso. E, por outro lado, essas condições precisam ser inteiramente adequadas a Ele.
Não seria isso a explicação para boa parte da reserva do Senhor que nós, cristãos de toda parte, temos tanta dificuldade para compreender ou suportar? Os clamores, os apelos, as súplicas e as orações dia e noite por uma visitação de Deus — e Deus parece tão reservado, tão demorado.
Talvez Deus não possa Se entregar à ordem de coisas estabelecida pelo homem sem Se envolver em algo que O desonre. Apresento isso como uma pergunta, mas a Bíblia mostra que é assim.
O clamor dos profetas ao povo era que colocassem as coisas numa ordem e num estado que permitissem a Deus vir. Há algo que poderíamos levar em conta em nossas orações. Deve haver algo que nos cabe; talvez haja algo que precisamos fazer.
Preparai o caminho do Senhor;
aplanai uma estrada para o nosso Deus;
retirai as pedras
que feririam os Seus pés, caso Ele viesse.
Talvez haja algo.
Agora, desde o princípio, como vimos ontem à noite, nessa contínua controvérsia e nesse conflito em torno de uma única questão — impedir que Deus tenha um lugar permanente de habitação —, Satanás tem procurado colocar o homem no caminho de Deus, como um obstáculo.
O homem foi criado para este propósito: ser a habitação de Deus, para que Ele habitasse com o homem. Portanto, o grande golpe e o esforço de Satanás sempre consistiram em voltar aquele homem criado por Deus contra o propósito de Deus e colocá-lo no caminho de Deus para frustrá-Lo.
Essa é a longa e terrível história, não é? Deus sendo impedido pelo homem e pelas condições criadas pelo homem.
Jesus viu isso. Jesus viu com toda a clareza que a interferência de Satanás no homem tinha o objetivo de alterá-lo de tal maneira que Deus não pudesse vir e habitar nele.
No final de João 2 — que nunca deveria ser separado de João 3 —, encontramos este comentário a respeito do Senhor Jesus: Ele não Se confiava ao homem, porque sabia o que havia no homem. Ele não Se confiava a eles porque conhecia todos os homens e sabia o que havia neles.
Que coisa terrível: o homem, destinado a ser o próprio templo de Deus, estar em tal condição que Deus não possa nem queira Se confiar a ele.
E eu disse que João 2 nunca deveria ser separado de João 3, porque, assim que passamos ao conteúdo de João 3, encontramos isto:
Necessário vos é nascer de novo.
Qual é a questão? Isso lança uma nova luz sobre o novo nascimento. Mostra que Deus precisa ter um novo tipo de homem de quem possa Se servir.
E vocês percebem que isso foi dirigido a um destacado representante da nação judaica — Nicodemos, que, em certo sentido, era um retrato de Israel, que afirmava ser a casa de Deus, havia se apropriado de Deus e procurado confiná-Lo a si, fazendo Dele seu Deus exclusivo.
É aqui em Jerusalém, diante de pessoas assim, que Jesus, sabendo o que havia no homem, não Se confiava a elas. Então, a um representante dessa nação, como se falasse à própria nação, Ele diz:
É necessário nascerdes do alto.
Por quê? Para que Deus, o Espírito Santo, pudesse entrar e estabelecer Sua morada.
E isso é João 4. É tudo uma sequência maravilhosa. Tudo se concentra nesse único pensamento eterno. Esse pensamento abre toda a Bíblia, em toda parte: ah, que Deus esteja no homem, no meio dos homens.
É por isso que o novo nascimento aparece naquele ponto em que Ele não Se confiava a eles, porque conhecia todos os homens, sabia o que havia no homem. Assim, surge imediatamente a pergunta: a quem Deus Se confiará?
Procuremos demonstrar isso examinando por alguns minutos as profecias de Ezequiel.
Vocês conhecem as últimas palavras das profecias de Ezequiel — a última frase, o nome dado ao lugar:
O Senhor está ali.
E o livro termina aí. Então, o pensamento e o propósito de Deus são alcançados: o Senhor está ali.
Agora, deixando de lado a controvérsia acerca do templo e da casa de Ezequiel — se haverá uma reconstrução literal do templo naquele local em Jerusalém, quando todo esse mundo árabe tiver sido removido e a Mesquita de Omar tiver sido eliminada de Jerusalém; e ainda há muito a fazer, embora nada seja impossível para Deus —, seja dessa maneira, seja tudo isso realizado espiritualmente na Igreja, deixemos essa questão controversa de lado por enquanto.
Não é relevante aqui saber se isso é verdadeiro ou não. O livro de Ezequiel permanece válido para hoje, com muita aplicação concreta, ensinando princípios divinos que são eternos e não pertencem a nenhuma época ou lugar em particular. Eles são muito claros.
E, quanto a todo esse desfecho — onde será, quando será, como será —, bem, o resultado, em qualquer caso, é este: o Senhor está ali. Todas essas profecias constituem um movimento progressivo em direção a esse fim.
Elas começam com o profeta dizendo que teve visões de Deus — visões de Deus. Então, o que vem depois nas profecias são essas visões de Deus.
As visões de Deus, como vocês perceberão, avançam progressivamente em direção a essa consumação. As etapas, as fases desse progresso, mostram os princípios — a base sobre a qual esse fim será alcançado: o Senhor está ali.
A primeira visão, que em certo sentido abrange todas as demais, é a visão do trono: o trono acima do firmamento e, sobre o trono, no alto, uma semelhança como a de um homem.
Isso, é claro, poderia ocupar uma noite inteira ou mais. Mas o que significa? A primeira visão ou realidade, fundamental e abrangente, pela qual esse objetivo de Deus será alcançado, é a exaltação, a entronização e a autoridade absolutas daquele Homem — com H maiúsculo —, o Filho do Homem, no trono acima do firmamento, onde Estêvão O viu.
Um Homem no trono: Cristo glorificado, Cristo exaltado, Cristo de posse de toda a autoridade no céu e na terra. Isso precisa se tornar uma realidade prática em todas as questões e em todos os detalhes, se Deus há de alcançar o Seu objetivo: o Senhor está ali.
Esse é o princípio fundamental que governa tudo. O Senhor estará ali na medida em que isto for verdadeiro: que Jesus Cristo seja exaltado, que Jesus Cristo tenha Seu lugar como Aquele que foi exaltado, que Ele esteja no trono e que se reconheça que a autoridade está em Suas mãos.
Há muitas maneiras de expressar isso. Na Igreja do princípio e nas igrejas, significava o seguinte: eles não faziam reuniões, comissões e concílios para deliberar sobre o que fariam. Faziam reuniões de oração, submetiam tudo ao Espírito Santo e recebiam todas as suas instruções do céu.
Isso se mostrou muito eficaz, não é? Sim, Deus estava ali. Esse é o efeito. Essa é a realidade. O Senhor estava ali. O lugar onde estavam reunidos foi abalado por Sua presença. O Senhor estava com eles.
Tudo isso com base no testemunho deles de que esse Jesus havia sido colocado à direita da Majestade nas alturas. Mas isso não era apenas um fato objetivo, nem mesmo um ensino ou uma verdade. Era uma realidade prática em todos os detalhes da vida cotidiana.
Jesus era consultado, e a Jesus se submetiam em todas as coisas. Sua autoridade era uma autoridade exercida na prática, não teórica.
Isso vem primeiro — a primeira figura abrangente. Prosseguimos e encontramos um homem cuja aparência é como a aparência do bronze, com um cordel e uma vara de medir na mão.
E a que chegamos? Encontramos a grande área do templo, esse grande quadrado do templo. Dos cantos mais externos dessa grande área quadrada, traçamos linhas diagonais, de canto a canto, de canto a canto; e no ponto onde essas linhas se encontram e se cruzam, bem no centro daquela área, está um grande altar de bronze.
Central e universal, reunindo todas as coisas de dentro e de fora: um homem de bronze, um altar de bronze. Vocês sabem que o bronze simboliza o juízo justo, ou a justiça que conduz ao juízo — o juízo que conduz à justiça?
Exatamente ali, no próprio coração, no centro e no núcleo de tudo, onde tudo converge e de onde tudo se irradia, está a cruz. A cruz, onde tudo é levado a juízo e julgado segundo o padrão de justiça e santidade de Deus.
Essa é a base sobre a qual Ele estará presente. Estamos tão familiarizados com o ensino da cruz, mas, aqui novamente, só podemos apreender e compreender corretamente o significado da cruz do Senhor Jesus quando vemos que ela está essencialmente relacionada com esta única questão: a presença de Deus.
A presença de Deus. Tudo precisa ser levado a juízo segundo o padrão de Deus, e aquilo que não passar por esse juízo deverá ser consumido naquele altar. Mas, para que Deus possa ser estabelecido no céu, há essa grande obra de discernimento da cruz.
Sobre essa base, Deus estará presente. Sim, “O Senhor está ali” nos remete diretamente a isto: até que ponto tudo foi levado àquele grande juízo do Calvário, para que se determinasse sua aceitação por Deus?
Ah, queridos irmãos e irmãs, como isso examina profundamente todas as coisas em nós, em vocês, em nossas comunidades, em nossas congregações, em nossas igrejas — em toda parte. Isso pode passar pelo juízo da cruz? O que a cruz diz a respeito disto e daquilo? Como isso se apresenta à luz do Calvário?
A resposta determinará exatamente até que ponto Deus Se entregará. Isso é importante. Isso é importante. Não podemos fugir disso. Esse homem de bronze cuidará disso. Ele medirá o altar e medirá tudo segundo o altar.
Precisamos deixar o assunto aqui: os pensamentos de Deus acerca da justiça.
E então seguimos com aquele homem até a casa — a casa. E vocês que conhecem a visão da casa, tudo o que se diz aqui a respeito dela, estarão familiarizados com a característica dominante de toda essa questão da casa.
A característica dominante dessa visão da casa é a medição. Esse homem com sua vara — sua vara de medir — está se movendo por toda parte, medindo, medindo, dando a medida de tudo, por dentro, por fora e ao redor. É medição, medida, com tamanha minúcia.
O homem de bronze está fazendo isso. O que ele está fazendo com sua vara? Está definindo a casa segundo Cristo. Está medindo segundo Cristo.
Essa será a medida de tudo, entendem?
Deus tem determinado um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do Homem a Quem destinou.
O Homem de bronze leva tudo no mundo a juízo segundo Si mesmo. Se isso é verdadeiro acerca do mundo, e o juízo está vindo sobre o mundo, ele deve começar pela casa de Deus.
Agora, resumir isso numa única afirmação significa simplesmente o seguinte: se há de ser “O Senhor está ali”, será segundo a medida de Cristo — exatamente quanto de Cristo houver ali, nem mais nem menos, será a medida em que Deus Se entregará.
Não é isto ou aquilo, nem as muitas coisas que os homens julgam constituir um lugar para Deus. É uma só coisa: quanto de Cristo há ali? Que isso penetre profundamente em nosso coração. Quanto de Cristo há em vocês, em mim?
Isso não explica o infinito cuidado que Deus dedica e Sua disposição de sacrificar tanto para aumentar nossa medida de Cristo?
Por que Ele tira um servo útil ou muito ocupado de seu trabalho e o coloca em isolamento? Por quê? Nós dizemos: “Que perda”. Dizemos: “Que tragédia. A Igreja sofre”. Deus sabe. Para Ele, importa mais que haja ali um aumento de Cristo para os propósitos eternos do que, talvez, a realização de muitas atividades para Ele.
Deve haver uma explicação. Deve haver uma explicação para as estranhas providências de Deus. Seria esta? Seria esta? Novamente, apresento isso na forma de uma pergunta.
O Senhor está disposto a fazer qualquer sacrifício. O Senhor está disposto a assumir qualquer trabalho para aumentar a medida de Seu Filho — não apenas por isso em si, mas em relação àquilo a que Ele entregou Seu coração: encontrar uma condição adequada à Sua própria presença.
Vocês e eu estamos todos prontos a dizer imediatamente que, onde há mais de Cristo, ali de fato encontramos o Senhor. As duas coisas caminham juntas: o Senhor está ali.
O Senhor está ali. Muitas vezes, isso significa a ruína de nós mesmos para dar lugar a Ele.
A casa é medida, não apenas como um todo, mas em cada ponto, em cada canto, em cada movimento. E sabemos, pela Carta aos Efésios, que se trata da medida de Cristo — uma medida de Cristo.
Finalmente, na visão, chegamos ao rio — ao rio. Quando Ele está no trono e tem o Seu lugar, quando o altar está em seu lugar, julgando e governando tudo segundo a justiça de Deus, e quando a casa é medida segundo Cristo, o que vocês esperam?
Daquela casa surgirá e irromperá um rio. A vida sairá e avançará em plenitude sempre crescente, fazendo viver tudo por onde o rio passar.
É o dia de Pentecostes. Ele tem a Sua casa. Cristo está no trono. A cruz realizou sua obra. E o rio flui espontaneamente.
Apenas levanto novamente a pergunta. Não é uma crítica, não é um julgamento meu; é realmente uma reflexão que nos desafia. Mas, vocês sabem, os cristãos têm orado e suplicado há anos por avivamento. Avivamento — essa é a palavra.
Ele acontece quando Deus tem as condições de que precisa. Será que a demora indica que Ele não tem essas condições? De qualquer modo, é uma pergunta.
Isso pode parecer um tema objetivo de interesse, mas, queridos amigos, tem uma aplicação muito imediata. O que vocês e eu desejamos — tenho certeza de que falo por vocês tanto quanto por mim — é que do nosso interior fluam rios de água viva.
Ah, que de nós saia essa corrente que faz tudo viver. Quando oramos com as pessoas, a vida entra nelas. Elas se sentem revigoradas e renovadas. Quando falamos com elas, esse é o efeito. Movimentamo-nos pelo mundo e, por meio desse nosso movimento, as pessoas começam a viver, e a vida chega.
Que isso também seja verdadeiro em nossas igrejas, em nossas congregações, em nossas comunidades. Ah, é vida — vida fluindo, alcançando lugares distantes. Não há limite para as possibilidades de uma pequena comunidade ordenada segundo Deus.
Não há limite para o seu alcance. A influência daquela pequena comunidade, em algum pequeno canto, pode chegar aos confins da terra, pode ministrar Cristo muito, muito além do seu próprio lugar, se Deus tiver as condições de que precisa.
Isso simplesmente acontece. Vocês não precisam organizar grandes campanhas para fazê-lo. Acontece se as coisas forem assim: o rio.
Observem: ele sai de um santuário medido. Desce passando pelo altar. É da casa segundo Cristo — casa que foi julgada pelo Calvário quanto à sua condição diante de Deus — que vem o Espírito, o Espírito de vida.
Bem, isso é suficiente. Os fatores determinantes da presença de Deus — em maior ou menor medida; Deus permita que seja maior, e sempre maior — são, portanto:
O Senhor está ali.