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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Let the House be Builded #1 of 3 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Let the House be Builded #1 of 3
    Let the House be Builded #1 of 3
    Austin-Sparks, T.

    O propósito eterno de Deus: a casa de Deus

    Creio que é inteiramente desnecessário gastar tempo com uma introdução sobre o objetivo destas reuniões. Em vez disso, não seria melhor deixar que as próprias reuniões falem por si e que a mensagem que temos defina a natureza do nosso encontro?

    Vamos, então, diretamente ao assunto.

    O que temos em vista é aquilo que cremos ser o propósito todo-abrangente de Deus. O cristianismo tem muitos aspectos, e os cristãos se ocupam desses diversos aspectos: evangelização, ensino, edificação dos cristãos, defesa da fé. Há movimentos inteiramente ocupados com questões proféticas relacionadas à volta de Cristo, e assim por diante.

    Todas essas coisas são corretas. Mas podem se tornar — e muitas vezes se tornam — fins em si mesmas. Embora sejam tão boas e corretas, com muita frequência dividem os cristãos em grupos que giram em torno de alguma interpretação, algum ensino ou algum objetivo específico.

    O objetivo abrangente e supremo de Deus, em tudo, por meio de tudo e acima de tudo, muitas vezes é perdido de vista. É isso que procuraremos trazer mais claramente à nossa atenção; é para isso que estamos nos reunindo nestes encontros.

    Nosso interesse, portanto, é o propósito abrangente de Deus. Estou certo de que vocês concordarão comigo que o valor de qualquer aspecto do ensino ou da obra será determinado, em grande medida, por sua relação com o propósito completo de Deus. Esse valor será mais imediato se o propósito completo for compreendido e mantido sempre em vista.

    Deus não Se compromete inteiramente com uma parte de Seu propósito. Ele só Se compromete inteiramente com a totalidade de Sua intenção. Portanto, se desejamos ver Deus Se comprometendo, torna-se realmente necessário conhecer aquilo com que Ele Se comprometerá.

    O propósito divino expresso na casa

    O objetivo abrangente a que nos referimos está contido nas palavras que tomamos como pano de fundo, no capítulo lido esta noite: as poucas e simples palavras de Esdras 6:3:

    Seja edificada a casa.

    Esse é o objetivo todo-abrangente de Deus.

    Vocês percebem que Esdras remontou a origem desse decreto, passando pelo instrumento — o governante que o promulgou — e indo além dele, até Deus. Ele mostrou que esse decreto, promulgado pelo governante de um império, teve sua origem em Deus. Disse: “Deus colocou isso no coração do rei”. Isso veio de Deus.

    Uma vez demonstrado que isso teve sua origem em Deus, o restante da história mostra como Deus Se comprometeu soberanamente com essa obra. Deus a iniciou. Deus a sustentou. Deus a levou à conclusão, apesar de numerosas e grandes dificuldades.

    Se isso é verdade, queremos descobrir onde e como pode ser verdade em nossos dias. A única coisa que, creio eu, todos os cristãos — os verdadeiros cristãos, o povo de Deus — desejariam buscar e conhecer em nossos dias é aquilo que Deus iniciou, aquilo que Deus assume a responsabilidade de sustentar e levar adiante, aquilo que, apesar de tudo — e esse “tudo” é grande, imenso —, Deus concluirá.

    É isso, digo eu, que queremos descobrir: como Deus Se comprometerá. Ora, isso nos leva a um princípio vital e fundamental da interpretação bíblica.

    A perspectiva eterna da interpretação bíblica

    Creio que todos os que lidam com a Bíblia deveriam reconhecer isso, e que isso deveria estar sempre presente quando abrimos nossa Bíblia. Trata-se simplesmente da eternidade de Deus.

    Talvez, ao dizer isso, eu não lhes transmita muita coisa. Mas é um grande fato que, para Deus, não existe tempo. Todo o tempo, tal como o conhecemos, é tempo presente para Deus. Para Deus não há passado, presente e futuro. Ele é o Deus eterno.

    De eternidade a eternidade, Tu és Deus.

    Deus pode Se acomodar aos períodos de tempo dos homens, mas Ele próprio habita na eternidade. Seus pensamentos são pensamentos eternos. Seu propósito é um propósito eterno.

    O arquiteto tem diante de si o projeto inteiro. O construtor tem apenas a parte ou a etapa de cada dia. Aqueles que veem somente as partes podem ficar confusos. Podem não compreender. Podem até começar a tomar a parte pelo todo.

    O autor de uma das cartas do Novo Testamento apresentou sua exposição desta maneira:

    Havendo Deus antigamente falado aos pais, muitas vezes e de muitas maneiras…

    Deus realmente falou em determinados tempos, de diferentes maneiras e em diferentes porções. Mas, para Deus, o todo, de eternidade a eternidade, estava presente. Cada parte que vinha de Deus trazia o todo em si.

    Vocês devem sempre se lembrar disso ao lidar com a Bíblia; caso contrário, dividirão incorretamente a palavra da verdade. O desígnio completo de Deus governa cada parte em que Ele está envolvido. A mente de Deus não cresce. Em Deus não há progresso. Ele é pleno, completo e definitivo em todo tempo.

    Deus trouxe Seus pensamentos para dentro do tempo por meio de modelos e figuras, mas eles são apenas modelos e figuras de realidades espirituais e eternas. O princípio é este: tudo o que vem de Deus, em qualquer momento do nosso ponto de vista — deste ponto de vista terreno —, contém o pensamento eterno e completo de Deus.

    Contém a totalidade da mente espiritual de Deus. Temos de olhar além da forma imediata de apresentação para descobrir o pensamento espiritual e eterno que está ali.

    A casa como realidade espiritual eterna

    Esta casa — “Seja edificada a casa” — é apenas uma representação terrena, temporária e limitada do vasto pensamento eterno e espiritual de Deus. É uma representação insuficiente. Ela passará, mas o pensamento de Deus jamais passará. Aquilo que está por trás dela não terá fim.

    Veio da eternidade e seguirá para a eternidade. A Bíblia inteira é simplesmente uma expressão multifacetada desse princípio. Do começo ao fim, a Bíblia, em suas numerosas formas de apresentação e representação — tipo, símbolo, figura —, é uma expressão abrangente, de numerosas e variadas maneiras, dessa única ideia contida nesta palavra: casa.

    Vamos além da figura, além da representação, até a grande verdade ou realidade espiritual. Aqui está ela: saindo da eternidade, daquilo que não pode ser conhecido, compreendido ou alcançado, Deus decidiu apresentar-Se em uma criação feita por Ele mesmo.

    Em algo que, entre muitos outros títulos e designações, é chamado de casa, Deus determina sair de tudo o que é incognoscível, inacessível e eterno, e apresentar-Se — tornar-Se conhecido, tornar-Se acessível —, habitar em uma casa.

    Mas, à medida que nos apropriamos dessa verdade — e ela é uma verdade que vai do começo ao fim da Bíblia, atravessando-a inteira e governando tudo —, à medida que nos apropriamos dessa grande verdade e a acompanhamos pelas Escrituras, começamos a fazer uma descoberta.

    Embora seja uma ideia maravilhosa, um pensamento extraordinário, é muito mais que um pensamento ou uma ideia. É algo que pertence profundamente ao coração de Deus — não apenas à Sua mente, mas ao Seu coração —, algo muito precioso para Deus, algo a que estão ligados os Seus maiores interesses.

    Descobrimos, se posso colocar assim, que isso não é, de modo algum, algo exterior ao próprio Deus, mas uma parte do próprio Deus — uma expressão orgânica de Si mesmo, de Seu pensamento, de Seu coração, de Sua vontade.

    Creio que uma das declarações mais impressionantes da Bíblia é esta:

    A igreja de Deus, que Ele comprou com Seu próprio sangue.

    Deus comprou isso que chamamos de igreja com Seu próprio sangue. Isso frustrará e desafiará toda tentativa de compreendê-lo. O sangue é a própria vitalidade de qualquer organismo. Essa realidade — por enquanto, estou chamando-a assim — tem a própria vida de Deus ligada a ela. Deus deu Sua vida por ela.

    Há algo mais aqui do que um interesse por alguma coisa exterior a Ele. O próprio coração de Deus está nisso: Sua própria vida, Ele mesmo. O que é esse pensamento, essa realidade tão próxima do coração de Deus, à qual todos os Seus interesses estão ligados? É a presença de Deus entre os homens.

    Deus relacionado a um organismo como Aquele que o habita, que o ocupa, que vive dentro dele — esse, certamente, é o significado simples e claro da casa. É algo para ser habitado, para se viver nele. Não tem significado algum se não for habitado.

    O pensamento de Deus — vocês podem chamá-lo de casa ou do que quiserem; a Bíblia tem muitos nomes para ele — é este: estar ali, presente e habitando, com o objetivo de tornar-Se conhecido e compreendido, e com o objetivo de desfrutar uma comunhão bendita com aquilo que constitui a casa.

    A história bíblica da habitação de Deus

    Eu disse que a Bíblia contém a história desse pensamento ao longo das eras. Sim, portanto, a Bíblia, do começo ao fim e em sua totalidade, é a expressão concreta desse único conceito divino e eterno.

    Ela começa com uma expressão muito simples e primordial desse pensamento: em um jardim, um homem e uma mulher, e Deus presente — andando no jardim, conversando, tendo comunhão, tornando conhecidos Seus pensamentos e Suas intenções.

    É uma imagem de comunhão feliz entre Deus e o homem, entre o homem e Deus — o homem em relacionamento com Deus, em termos, usemos agora a palavra, de amizade —, com base em uma comissão para ser o regente de Deus aqui, para o desenvolvimento e o cumprimento de Seus propósitos.

    Tudo fala de paz, ordem e beleza, e tudo aquilo pelo que o coração humano anseia está ali, nessa primeira e simples representação. Deus criou para Si uma casa, está nela, e nela anda e conversa.

    A partir desse ponto, essa intenção divina tem uma história longa e cheia de vicissitudes. Lembrem-se: todas as ações de Deus estão relacionadas a isso; e todas as reações na história que encontramos na Bíblia se levantam contra essa única coisa: expulsar Deus, excluir Deus, criar uma condição com a qual Deus não possa Se comprometer, na qual Ele não possa estar presente.

    Essa é a Bíblia. Ela se concentra nesse único desejo eterno do coração de Deus. Isso chega a um desfecho? Sim, essa intenção atravessa uma história longa e cheia de vicissitudes, mas, no fim, ela se realiza.

    Ela se realiza de duas maneiras. Primeiro, realiza-se no próprio Deus, encarnado em Seu Filho. Ainda não reconhecemos o significado supremo de Jesus Cristo como Filho de Deus enquanto não reconhecemos que, Nele, essa concepção eterna encontra sua realização.

    Ele é Emanuel, Deus conosco. Deus alcançou Seu objetivo. Ele mesmo fez para Si uma morada.

    Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.

    Dessa primeira e fundamental maneira, Deus alcança Sua finalidade. Descobrimos que a casa não é uma coisa; é Ele. É uma Pessoa.

    Então, Ele passa do um para os muitos, do individual para o coletivo. O corpo redimido é apresentado como uma habitação para Deus.

    O fim da Bíblia, mais uma vez, é apresentado em símbolos, assim como foi o começo: uma cidade e um jardim. E a mensagem dessas palavras é:

    O tabernáculo de Deus está com os homens; e Ele habitará com eles, e eles serão os Seus povos; e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus.

    É aí que sua Bíblia termina. A história chega à sua consumação.

    O zelo de Deus por Sua habitação

    Bem, eu disse que essa intenção divina explica a Bíblia sob todos os ângulos. Todas as ações e todas as reações estão centradas nessa única coisa: que Deus tenha um lugar para Si e esteja ali em comunhão e paz.

    Digo novamente: não há nada na Bíblia que não esteja relacionado a esse propósito de Deus que governa tudo. Aqui está o objeto do cuidado e do zelo de Deus.

    Se Deus zelava por um templo em Jerusalém, por Jerusalém ou por Sião, como os profetas afirmavam com tanta veemência, vocês acham que Seu zelo se esgotava em uma representação terrena e temporária de alguma coisa? Não. Era por causa daquilo que estava representado que Deus zelava. E era isso.

    O que é, então, a casa de Deus? A pergunta é levantada em Isaías:

    Assim diz o Senhor: O céu é o Meu trono, e a terra, o escabelo dos Meus pés; que casa Me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do Meu descanso? Porque a Minha mão fez todas estas coisas.

    Lembrem-se de Estêvão: naquela magnífica mensagem que lhe custou a vida, tão significativa justamente neste contexto, ele citou essas palavras de Isaías. Foi quase a conclusão daquele grande discurso, que avançava e convergia para isto:

    Mas o Altíssimo não habita em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta: O céu é o Meu trono, e a terra, o escabelo dos Meus pés; que casa Me edificareis? diz o Senhor.

    Os céus dos céus não podem contê-Lo. Que tipo de casa? Há algumas coisas aí que precisamos observar. Primeiro, é uma afirmação da grandeza infinita de Deus, que exige algo infinitamente grande. Nenhum templo magnífico de Salomão, ou de qualquer outro construtor, pode corresponder a essa exigência.

    Isso exige algo muito grande — algo, em outras palavras, que manifeste a grandeza de Deus.

    O amor, a graça e a sabedoria de Deus revelados na igreja

    O apóstolo Paulo, mais do que qualquer outra pessoa na Bíblia, viu o significado dessa casa e esgotou todos os recursos de linguagem de que dispunha para tentar falar sobre ela. Vocês sabem, a língua grega é uma língua muito abrangente. Tem uma quantidade enorme de palavras e ideias, muito maior do que a nossa língua inglesa.

    Paulo, com seu conhecimento e domínio dessa língua, teve dificuldade para expressar o que é essa casa: a largura, o comprimento, a altura e a profundidade; as riquezas insondáveis. Essas palavras, essa linguagem com a qual ele está lutando, não conseguem expressar quão grande isso é.

    Mas observem isto — e aqui está um pequeno ponto em que estamos chegando muito perto dessa realidade, ou ela está chegando muito perto de nós. Há duas ou três coisas que o apóstolo Paulo deixa perfeitamente claras ao definir a natureza e o propósito dessa casa.

    Ela é aquilo em que se manifesta o amor de Deus que excede todo entendimento. Deus concebeu esse propósito para que, nele, fosse manifestado o amor de Seu coração, que excede todo entendimento.

    Então Paulo passa à graça: as riquezas de Sua graça, a glória de Sua graça. Ele relaciona tudo isso à Sua casa, para que, nos séculos vindouros, nessa casa — corpo, chamem como quiserem —, a graça infinita de Deus seja manifestada a um universo maravilhado.

    Ele não para por aí. Passa à sabedoria: a sabedoria infinita de Deus, a ser manifestada aos principados e potestades nessa casa. Ele quer uma casa grande para conter isso: a grandeza de Seu amor, a grandeza de Sua graça, a grandeza de Sua sabedoria — Deus presente e revelando-Se nesses termos.

    Isso não é mera linguagem. Vocês têm isso; está claramente declarado nas Escrituras.

    A compreensão equivocada do ser humano acerca da casa de Deus

    Mas preciso fazer uma pausa aqui, porque há outra coisa implícita: a compreensão equivocada do ser humano. O homem tem essa tendência, vocês sabem, de captar grandes ideias, concepções maravilhosas, e se apropriar delas.

    O homem captou essa ideia; apropriou-se dessa ideia de uma casa para Deus, de uma habitação para Deus. Mas o homem a distorceu e introduziu nela uma interpretação falsa. O homem tentou capturar Deus e colocá-Lo em uma casa feita pelo próprio homem.

    Ao fazer isso, o homem limita Deus, confina Deus, toma posse de Deus e torna Deus exclusivo de alguma casa específica feita por homens — um edifício na terra, uma instituição, algo assim.

    Então surge essa terrível propensão do homem de fazer de Deus sua propriedade e a propriedade de seu tipo particular de casa: o surgimento de um exclusivismo terrível. “Se você não pertence a este lugar, se não segue este caminho, então está de fora.” Vocês entendem o que quero dizer?

    Meus queridos amigos, essa é uma interpretação falsa, aplicada de maneira equivocada. Vejam, esse foi o erro trágico de Israel, contra o qual os profetas levantaram seu protesto.

    Foi nesse contexto que Jesus veio e, como vinho novo em odres velhos, rompeu toda aquela estrutura. Mas, ao fazer isso, perdeu Sua vida. Eles haviam tornado a casa de Deus algo exclusivo. Tomaram posse de Deus. Esse foi o erro deles.

    Ao Se afastar em direção à realidade espiritual eterna, Jesus disse:

    A vossa casa vos ficará deserta.

    A vossa casa. Essa é uma acusação terrível: “A vossa casa”.

    Precisamos levar tudo isso muito a sério, porque, de certo ponto de vista, foi em relação a essa compreensão equivocada, a essa falsa interpretação e a essa caricatura que Jesus veio para corrigi-las.

    Cristo como a verdadeira casa de Deus

    Ele fez isso de duas maneiras. Primeiro, corrigiu tudo isso em Sua própria Pessoa. Vocês querem ver a casa de Deus — o que ela é? Olhem para Ele.

    Depois, fez isso em Seu ensino. O Evangelho de João, se vocês perceberem, ocupa seu lugar no conjunto do propósito bíblico para mostrar como Jesus substitui e transcende toda representação terrena e material.

    Ele deixa perfeitamente claro que Jesus substitui e toma o lugar do templo em Jerusalém. Ele substituiu e tomou o lugar do sacerdócio, tornou-Se Ele mesmo o Sumo Sacerdote e ofereceu a Si mesmo como sacrifício aceitável a Deus.

    Assim, não apenas cumprindo todos os tipos, mas mostrando que Deus nunca esteve satisfeito até que Cristo oferecesse a Si mesmo, Ele substituiu e transcendeu todas as festas judaicas. Vocês percebem que, ao longo de todo o Evangelho de João, as festas dos judeus são constantemente mencionadas, e Jesus aparece nelas em contraste com elas.

    Jesus toma o lugar do maná no deserto e é o pão de Deus que desceu do céu. Jesus toma o lugar da água da rocha ferida e diz:

    Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede. Aquele que crê em Mim, dele fluirão rios de água viva.

    Ele toma o lugar das luzes do templo e diz:

    Eu sou a luz do mundo.

    Ele toma o lugar de todos os antigos pastores de Israel e diz:

    Eu sou o bom Pastor.

    Ele toma o lugar de Israel e forma um novo rebanho por meio de Seu próprio sangue.

    Eu dou a Minha vida pelas ovelhas.

    Sim, Jesus é a resposta à busca eterna de Deus. Mas Jesus, como o Novo Testamento passa a mostrar, não permanece sozinho. Jesus, em Sua expressão coletiva e orgânica, é a casa de Deus.

    Onde está e o que é a casa de Deus? Está onde há união espiritual, orgânica e vital com Cristo — nem mais, nem menos.

    Por isso Paulo diz:

    Em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo.

    Jesus cumpre todas as funções e expressa todas as características da presença de Deus — a presença de Deus no meio dos homens.

    O caráter espiritual da casa

    Isso é uma declaração, mas também é um desafio. Quão grande é essa casa? Quão definida é a Sua casa? Ela é edificada sobre o amor de Deus. Isso, por si só, já nos põe à prova.

    O próprio objetivo e propósito — permitam-me repetir — dessa casa é expressar o amor de Deus. Se esse amor de Deus não está presente, se é contrariado, a casa deixa de ser aquilo que Deus pretendia que ela fosse.

    A explicação acerca de Israel, que um dia foi chamado de casa de Deus como nação — a explicação de por que foi posto de lado —, é esta: aqui está o amor infinito de Deus, trazido a este mundo na Pessoa de Seu Filho, e o que Ele encontra? Ódio infinito.

    O amor:

    A vossa casa vos ficará deserta.

    A graça infinita de Deus: toda essa teologia e doutrina sobre a justificação — não pelas obras, mas pela fé, e assim por diante —, afinal, pode ser tão fria. Pode se tornar legalista e assumir uma retidão marcada pela dureza.

    Sim, mas lembrem-se de que tudo isso está na Palavra de Deus para engrandecer a graça de Deus — não as obras, mas a graça de Deus.

    A casa de Deus, queridos amigos, existe, portanto, sobre esta base: homens e mulheres descobriram, antes de tudo, que sua necessidade mais profunda e mais terrível é a graça de Deus. Eles chegaram ao conhecimento dessa graça, e a palavra que ocupa o primeiro lugar em seu vocabulário é graça.

    É a palavra mais maravilhosa na linguagem da terra e do céu: graça, graça, graça. É isso que constitui a casa de Deus. Vocês e eu estamos vivendo no significado dessa palavra maravilhosa: graça. Deus está muito perto de nós. É aí que O encontraremos.

    Deus conhece o soberbo de longe, porque os soberbos não têm consciência de sua necessidade de graça. O orgulho é uma abominação para Deus simplesmente porque contradiz de tal maneira a graça de Deus.

    Para este olharei: para o pobre e abatido de espírito, e que treme diante da Minha palavra.

    Aí está a casa de Deus. Essa é a atmosfera do coração de Deus. Portanto, vocês veem, não é uma coisa. Não é um lugar. Não é algo que o homem faz. É uma realidade espiritual.

    A cruz como fundamento da casa de Deus

    Sobre que fundamento ela repousa? Repousa sobre o fundamento da cruz. A cruz. A casa sempre veio depois do altar e se erguia ao fundo dele. A igreja do Novo Testamento está ao fundo da cruz de Cristo. Ela vem pela cruz.

    A cruz — o que ela faz? Põe o homem de lado e abre espaço para Deus. Retira o homem para que Deus seja tudo e em todos.

    A intenção da cruz é tornar possível a realização do pensamento eterno de Deus: estar ali. Onde a cruz opera mais profundamente na vida de um povo, ali vocês encontrarão o Senhor mais plenamente.

    Vocês não encontrarão o Senhor em homens e mulheres que não foram crucificados. Na presença da carne, Deus Se mantém afastado.

    A consciência de Cristo e a comunhão coletiva

    Encerro fazendo mais uma pergunta: qual é, então, a necessidade principal? A resposta tem duas partes.

    A necessidade principal para a realização do desejo de Deus — para que essa casa venha a existir em sua beleza, seu amor, sua graça, sua comunhão, sua paz, sua ordem, sua manifestação divina — é uma consciência de Cristo.

    Uma consciência de Cristo. Ah, sei que, colocado assim, isso não comunica muita coisa. Mas, queridos amigos, talvez o que vocês e eu necessitemos mais do que qualquer outra coisa seja ter mais dessa consciência de Cristo.

    Não somos constantemente repreendidos quando ouvimos Paulo dizer:

    O amor de Cristo nos constrange; porque julgamos assim: que Um morreu por todos, logo todos morreram; e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Ele. Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne.

    Digo que somos sempre repreendidos por isso. Eu sou, sabem? Não conhecemos uns aos outros muito mais segundo a carne, em vez de nos apegarmos àquilo que possa haver, ainda que remotamente, de Cristo uns nos outros e darmos a isso o maior valor?

    Fazemos o contrário. Damos a maior importância às falhas, às fraquezas e à falta de semelhança com Cristo uns dos outros — e há muito disso, Deus sabe. Ah, que tenhamos essa consciência de Cristo! Se nos dedicássemos mais a isso — a nos apegarmos ao que há de Cristo, mesmo que seja muito pouco, e a darmos a isso o maior valor —, a casa seria edificada.

    Deus encontrará Sua casa e Se comprometerá com ela se fizermos isso. Que Deus nos ajude.

    Tendo falado em consciência de Cristo, isso significa consciência da casa. Consciência da casa — essa não é a palavra certa. É consciência da comunhão. É consciência de que estamos ligados uns aos outros. Somos membros uns dos outros.

    A mão não pode dizer ao pé: “Não preciso de você. Posso passar sem você”. Chamem de casa, chamem de corpo, chamem como quiserem: é dessa consciência coletiva que precisamos hoje para destruir tudo isso que desintegra e divide.

    Bem, precisamos encerrar por aqui esta noite. Mas queira Deus que algo do impacto disso alcance nosso coração, nos tire de nossas concepções tão pequenas acerca do coração de Deus e governe nossa atitude em relação a todos os que repousam no amor de Deus, todos os que repousam na graça de Deus, todos os que chegaram a ver e reconhecer que é pela sabedoria — e somente pela sabedoria — de Deus, ao resolver todos os problemas humanos, os seus e os dos outros, que Deus finalmente encontrará aquilo que está buscando: um lugar para habitar.