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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Judges: Gideon © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Judges: Gideon
    Judges: Gideon
    Kaung, Stephen

    Gideão e os princípios dos vencedores

    Leitura das Escrituras

    Juízes 6:11-24

    Então o Anjo do Senhor veio e assentou-Se debaixo do carvalho que estava em Ofra, que pertencia a Joás, o abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o esconder dos midianitas.
    E o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse: O Senhor é contigo, varão valoroso.
    E Gideão Lhe disse: Ai, meu Senhor, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio? E onde estão todas as Suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora, o Senhor nos desamparou e nos entregou nas mãos de Midiã.
    Então o Senhor olhou para ele e disse: Vai nesta tua força e livra Israel da mão de Midiã; porventura, não te enviei Eu?
    E ele Lhe disse: Ai, Senhor, com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai.
    E o Senhor lhe disse: Certamente Eu serei contigo; e ferirás os midianitas como a um só homem.
    E ele Lhe disse: Se agora tenho achado graça aos Teus olhos, dá-me um sinal de que és Tu Quem fala comigo.
    Rogo-Te que daqui não Te apartes, até que eu venha a Ti, traga a minha oferta e a ponha perante Ti. E Ele disse: Esperarei até que voltes.
    E Gideão entrou e preparou um cabrito e bolos ázimos de um efa de farinha; pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, trouxe-os a Ele debaixo do carvalho e os apresentou.
    E o Anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os bolos ázimos, põe-nos sobre esta rocha e derrama o caldo. E assim o fez.
    Então o Anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado que estava em Sua mão e tocou a carne e os bolos ázimos; e subiu fogo da rocha e consumiu a carne e os bolos ázimos; e o Anjo do Senhor desapareceu de sua vista.
    E Gideão viu que Ele era o Anjo do Senhor; e Gideão disse: Ai de mim, Senhor Deus! Pois vi o Anjo do Senhor face a face.
    E o Senhor lhe disse: Paz seja contigo; não temas: não morrerás.
    Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor e lhe chamou O Senhor É Paz; até o dia de hoje ainda está em Ofra dos abiezritas.

    Juízes 6:33-40

    Então todos os midianitas, os amalequitas e os filhos do Oriente se ajuntaram; atravessaram e acamparam no vale de Jezreel.
    Mas o Espírito do Senhor revestiu Gideão; e ele tocou a trombeta, e os abiezritas se ajuntaram após ele.
    E enviou mensageiros por todo o Manassés, e também eles se ajuntaram após ele; enviou também mensageiros a Aser, a Zebulom e a Naftali, e subiram ao encontro deles.
    E Gideão disse a Deus: Se hás de livrar Israel por minha mão, como disseste, eis que porei um velo de lã na eira; se o orvalho estiver somente no velo, e toda a terra estiver seca, então saberei que hás de livrar Israel por minha mão, como disseste.
    E assim sucedeu; pois se levantou de madrugada no dia seguinte, apertou o velo e dele espremeu o orvalho, uma taça cheia de água.
    E Gideão disse a Deus: Não se acenda contra mim a Tua ira, e falarei somente esta vez; rogo-Te que somente esta vez faça eu a prova com o velo: esteja agora seco somente o velo, e haja orvalho sobre toda a terra.
    E Deus assim fez naquela noite: somente o velo ficou seco, e sobre toda a terra havia orvalho.

    Juízes 7:1-8

    Então Jerubaal, que é Gideão, e todo o povo que estava com ele se levantaram de madrugada e acamparam junto à fonte de Harode; e o arraial de Midiã estava ao norte deles, junto ao outeiro de Moré, no vale.
    E o Senhor disse a Gideão: É demais o povo que está contigo, para Eu entregar os midianitas em suas mãos; para que Israel não se glorie contra Mim, dizendo: A minha própria mão me livrou.
    Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido volte e retire-se do monte de Gileade. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.
    E o Senhor disse a Gideão: Ainda é demais o povo; faze-os descer às águas, e ali os provarei para ti; e será que aquele de quem Eu te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem Eu te disser: Este não irá contigo, esse não irá.
    Então fez o povo descer às águas; e o Senhor disse a Gideão: Todo aquele que lamber as águas com a língua, como lambe o cão, esse porás à parte; como também todo aquele que se ajoelhar para beber.
    E foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; mas todo o restante do povo se ajoelhou para beber as águas.
    E o Senhor disse a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam as águas vos livrarei e entregarei os midianitas em tua mão; e todo o povo se retire, cada um para o seu lugar.

    Juízes 7:19-22

    Então Gideão e os cem homens que com ele estavam chegaram à extremidade do arraial, ao princípio da vigília do meio, quando haviam acabado de estabelecer a guarda; e tocaram as trombetas e despedaçaram os cântaros que tinham nas mãos.
    E os três grupos tocaram as trombetas e quebraram os cântaros; seguraram as tochas na mão esquerda e, na direita, as trombetas que haviam de tocar; e clamaram: A espada do Senhor e de Gideão!
    E ficou cada um no seu lugar ao redor do arraial; e todo o exército corria; e eles gritaram e os puseram em fuga.
    E tocaram as trezentas trombetas, e o Senhor tornou a espada de cada um contra o seu companheiro e contra todo o exército.

    Midiã como princípio da religiosidade

    Os midianitas tornaram a vida dos filhos de Israel muito miserável. Israel precisava se esconder em cavernas, covas e fortalezas. Eles foram empobrecidos por Midiã.

    Agora, sabemos que cada inimigo que oprimia os filhos de Israel representa alguma coisa. Por exemplo, Faraó e os egípcios, que oprimiram os filhos de Israel no princípio, representam o mundo. Os filisteus representam o orgulho da carne. Cada inimigo no livro de Juízes que oprimia os filhos de Israel representa um princípio.

    Os midianitas não eram completos estranhos para Israel. Eram descendentes de Abraão, não por Sara, mas por Quetura. Eram parentes muito próximos de Israel. Suas histórias se cruzavam de tempos em tempos. Moisés, quando fugiu de Faraó, foi para Midiã e se casou com a filha de um sacerdote de Midiã.

    Para os filhos de Israel, desfrutar da terra significava desfrutar de Cristo. A terra representa Cristo para nós, e devemos desfrutar de todas as riquezas de Cristo para termos vida e abundância. Mas aqui encontramos algo que nos priva de desfrutar de Cristo e torna nossa vida tão miserável que precisamos nos esconder em covas e fortalezas.

    Para mim, os midianitas representam o princípio de ser religioso. Ser religioso está muito próximo de ser espiritual. Na verdade, religião e espiritualidade deveriam ser uma só coisa. No Novo Testamento, há apenas um lugar em que a palavra religião é usada positivamente. Ali se fala da verdadeira religião. Em outras palavras, a verdadeira religião é a verdadeira espiritualidade.

    Mas hoje ser religioso muitas vezes significa que uma pessoa se torna menos espiritual. Quanto mais religiosa uma pessoa é, menos espiritual ela se torna. Ser religioso destrói o desfrute de Cristo.

    Vejam os fariseus nos dias do nosso Senhor Jesus. Como eram religiosos! Eram as pessoas mais religiosas do mundo. Tinham todas as formas de piedade. Tinham a aparência de ser piedosos. Jejuavam, davam o dízimo fielmente e observavam todas as exigências da lei.

    No entanto, não desfrutavam de Cristo. De quem realmente desfrutavam ao serem religiosos? Desfrutavam de si mesmos. Ah, como desfrutavam de si mesmos, pensando em como eram bons! Desprezavam as outras pessoas porque eram muito religiosos.

    Ser religioso nos impede de desfrutar de Cristo. Isso não apenas nos torna pobres; torna-nos miseráveis. Por causa dos midianitas, os filhos de Israel se escondiam em cavernas, covas e fortalezas.

    Não é verdade que, quando somos religiosos, construímos covas e fortalezas ao nosso redor? Cercamo-nos de barreiras, separando-nos uns dos outros. É por isso que a religião divide o povo de Deus.

    A religiosidade é obra do homem. É a energia da carne. Não é o transbordar da vida. Não procede do Espírito; procede do próprio eu.

    A libertação da religiosidade

    Como Deus pode libertar Seu povo da religiosidade? Em primeiro lugar, Ele enviou um profeta ao meio de Israel para despertá-los. Para sermos libertos da religiosidade, a primeira coisa necessária é uma mensagem profética que nos alcance com tanto poder que nossa consciência seja despertada.

    Ser religioso nos faz adormecer. Nós nos sentimos tão confortáveis. Nós nos sentimos tão bem. Mas precisamos ser despertados quanto à nossa condição. Deus sabe que a religião é algo perigoso, porque nossa religião não nos proporciona nenhum desfrute de Cristo.

    Então, em segundo lugar, Deus começou a procurar um instrumento. Um dia, o Anjo do Senhor apareceu a Gideão.

    A preservação do alimento espiritual por Gideão

    O que Gideão estava fazendo? Estava malhando trigo no lagar. Ora, isso era muito incomum. Normalmente, o trigo é malhado na eira, um lugar aberto onde todos podem vê-lo. O lagar, porém, costumava ficar abaixo do nível do solo.

    Por que ele fazia isso? Se malhasse o trigo na eira, os midianitas o veriam e levariam seu alimento. Por isso, ele se escondia no lagar. Os midianitas não saberiam que ele estava ali, e ele conseguia preservar o alimento.

    Enquanto os filhos de Israel estavam empobrecidos, ali estava uma pessoa capaz de preservar alimento para si e para sua família. Esse era o tipo de pessoa que Deus procurava para libertar Seu povo da pobreza espiritual.

    Hoje, o povo de Deus está empobrecido pela religiosidade. Tem fome e sede da Palavra de Deus, porque a palavra da vida e a visão são raras. Deus procura um instrumento de libertação. Ele não procura uma pessoa espiritualmente pobre.

    Gideão era uma pessoa assim. Queridos irmãos e irmãs, em primeiro lugar, ali estava um homem suficientemente sábio para conservar alimento em uma época de grande pobreza. Esse é o tipo de pessoa que Deus procura hoje.

    Quando o povo de Deus está empobrecido e espiritualmente pobre, pode haver alguns que, de alguma maneira, conseguem ter alimento. Conseguem alimentar-se do Senhor. Conseguem desfrutar do Senhor. É para essas pessoas que Deus olhará, e são essas pessoas que Ele usará.

    A importância suprema da presença do Senhor

    O Anjo do Senhor apareceu a Gideão e disse:

    O Senhor é contigo, varão valoroso.

    Gideão disse:

    Ai, meu Senhor, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio?

    Em outras palavras, enquanto Gideão malhava trigo no lagar, ele devia estar refletindo sobre alguma coisa. “Consigo conservar algum alimento para mim e para minha família, mas e os milhares de meus irmãos que estão morrendo? Não posso fazer nada por eles. Não estou feliz simplesmente por ter alimento para mim. Estou pensando nos meus irmãos, mas o que posso fazer?”

    Muitas pessoas vivem em grande miséria, mas não sabem por quê. Podem pensar em uma razão ou outra e dar uma desculpa ou outra, mas não encontraram a verdadeira razão de sua pobreza. Enquanto não se encontra a verdadeira razão, não se pode resolver o problema.

    Mas Gideão encontrou a razão da pobreza do povo de Deus: o Senhor não estava com eles. Se o Senhor estivesse com eles, não seriam pobres. A presença do Senhor não estava com eles; por isso, os filhos de Israel eram oprimidos e privados de seu alimento e de sua vida.

    Assim, quando o Anjo do Senhor apareceu a Gideão e disse:

    O Senhor é contigo.

    Gideão disse, em essência: “Não. Se o Senhor está conosco, não seremos reduzidos a uma condição como esta. Nossa condição reflete o fato de que o Senhor não está conosco”.

    Colocando isso de forma positiva: Gideão não apenas sabia que a pobreza deles resultava da ausência da presença de Deus; ele também tinha fé de que, se o Senhor estivesse presente, a situação deles mudaria. E isso é fé.

    Muitos dentre o povo de Deus sabem que são espiritualmente pobres. Sabem que sua vida é miserável. Não estão desfrutando do Senhor. São muito religiosos, guardam todas as tradições dos pais, mas não há contato com o Senhor. Sua vida é algo meramente exterior. Fazem o melhor que podem, mas, por dentro, sabem que estão vazios e miseráveis.

    Tentam este caminho ou aquele método para preencher o vazio, mas não funciona. O povo de Deus não sabe que a única coisa suprema, a que realmente importa, é a presença do Senhor.

    Se você tiver a presença do Senhor, sua condição será inteiramente transformada. A presença do Senhor produz verdadeira espiritualidade. Você não pode ter a presença do Senhor sem desfrutar Dele. Você não pode ter a presença do Senhor sem ser espiritual e crescer no conhecimento do Senhor. A presença do Senhor com Seu povo é tudo.

    Mas hoje o povo de Deus está preocupado com outras coisas. Preocupa-se com o ambiente, os números, os programas, os atrativos e os métodos. Se o Senhor está presente ou não parece não importar.

    A única coisa com que precisamos nos preocupar é a presença do Senhor. Precisamos perguntar a nós mesmos, repetidas vezes: “O Senhor está presente?”. Se o Senhor está presente, nada mais importa. Não precisamos nos ocupar com nenhuma outra coisa.

    A presença do Senhor é a preocupação suprema do povo de Deus e resolve todos os problemas. Mas são muito poucos os que, entre o povo de Deus, se preocupam com essa única coisa.

    A humildade como força de Gideão

    O Senhor disse a Gideão:

    Vai nesta tua força.

    Era nisso que realmente estava a força de Gideão.

    Gideão disse: “Ah, Senhor, quem sou eu para libertar os filhos de Israel? Minha família é a mais pobre em Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai. Quem sou eu?”.

    O instrumento que Deus usará é uma pessoa que conhece a si mesma. É uma pessoa humilde porque conhece a si mesma. Sua humildade não é algo que ela tenta produzir; é real nela.

    Embora Gideão tivesse alimento enquanto outros não tinham, ele se conhecia tão bem que considerava sua família a mais pobre e a si mesmo o menor. A humildade é uma qualidade que Deus usará.

    O poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza. Se pensamos que somos fortes, somos fracos. Quando sabemos que somos fracos, somos fortes, porque nossa confiança não está em nós mesmos; nossa confiança está no Senhor. Sua graça nos basta.

    O Senhor disse:

    Vai nesta tua força.

    É nisso que está o seu poder: você conhece a si mesmo e conhece o Senhor. Sabe que, em si mesmo, não há nada, mas, com Ele, há tudo. Nada é impossível para Deus, embora tudo seja impossível para nós.

    A oferta a Deus daquilo que é precioso

    Gideão era uma pessoa muito cuidadosa. Queria ter certeza de que era o Senhor Quem falava com ele. Por isso, pediu ao Senhor que esperasse enquanto ele preparava uma oferta.

    Ele tomou um cabrito e um efa de farinha, preparou-os e os trouxe ao Senhor como oferta. Isso não é estranho? Gideão não tinha apenas trigo; tinha um cabrito. Enquanto os demais filhos de Israel eram pobres e não tinham alimento, ele tinha farinha e um cabrito.

    Em uma época de escassez, até um pouco de trigo ou alguns cabritos são preciosos. Normalmente, você não gostaria de abrir mão dessas coisas. Mas Gideão estava disposto a oferecer a Deus aquilo que lhe era precioso.

    Esse é o tipo de espírito que o Senhor pode usar. Em meio à profunda pobreza, recebemos graça para dar com generosidade — não porque temos demais, mas porque aquilo que temos é precioso para nós. Por isso, deve ser apresentado a Deus.

    Deus em primeiro lugar. Deus em primeiro lugar.

    O relacionamento pessoal e o testemunho público

    O Senhor tocou a oferta de Gideão com a ponta de Seu cajado, e saiu fogo da rocha para consumi-la. Então Gideão soube que havia visto o Senhor, porque o Anjo do Senhor era o próprio Senhor.

    Gideão temeu morrer porque havia visto o Senhor face a face. Mas o Senhor disse:

    Paz seja contigo; não temas: não morrerás.

    Então Gideão edificou um altar ali e lhe chamou O Senhor É Paz.

    Aqui Gideão tinha um relacionamento pessoal com o Senhor, um relacionamento de paz. Isso é muito importante em um instrumento que Deus usará.

    Mas o Senhor não parou aí. Deus disse:

    Toma o segundo novilho de teu pai e derruba o altar de Baal que teu pai tem.
    Edifica um altar ao Senhor e oferece o novilho em holocausto.

    Isso era mais difícil. A princípio, a experiência de Gideão era uma questão pessoal entre ele e o Senhor. Mas, antes de usar Gideão, Deus queria que ele tivesse um testemunho público. Não deveria ser algo oculto ou secreto. Deus queria que Gideão assumisse publicamente uma posição pelo Senhor.

    Esse testemunho não era apenas em sua família, mas em sua tribo e diante dos filhos de Israel. Gideão deveria se posicionar publicamente por Deus.

    Gideão fez isso à noite porque era cuidadoso e provavelmente temia que as pessoas o impedissem de obedecer a Deus. Mas, mesmo assim, ele o fez. Na manhã seguinte, quando as pessoas descobriram o que havia acontecido, quiseram matar Gideão.

    O pai de Gideão o defendeu e disse:

    Baal contenda com ele.

    Por isso, Gideão foi chamado Jerubaal: “Baal contenda com ele”.

    Gideão não apenas tinha um relacionamento pessoal com o Senhor; ele foi levado ao ponto de dar testemunho do Senhor publicamente. Assumiu publicamente uma posição pelo Senhor. Isso também é importante.

    Os sinais do velo de lã

    Quando os midianitas e os povos do Oriente atravessaram o Jordão e chegaram ao vale de Jezreel, o Espírito do Senhor revestiu Gideão. Ele tocou a trombeta, e Manassés, Zebulom, Naftali e Aser se reuniram para lutar contra os midianitas.

    Ali estava um instrumento preparado, pronto e adequado para o uso do Mestre. Quando vemos a pobreza ao nosso redor, entre o povo de Deus, encontramos uma grande fome e sede do Senhor e de Sua Palavra. Isso é evidente.

    Infelizmente, são muito poucos os que têm alimento para si mesmos; muito poucos os que tiveram um encontro com o Senhor; muito poucos os que conhecem a si mesmos e não avançam em sua própria força; muito poucos os que conhecem o Senhor e Sua presença; muito poucos os que têm um relacionamento correto com o Senhor; e muito poucos os que têm um testemunho público.

    Gideão era um homem muito cuidadoso, muito cauteloso. Às vezes, eu me pergunto se seu cuidado era um sinal de fraqueza. É difícil distinguir entre cautela e incredulidade.

    Deus já havia aparecido a Gideão, e Gideão sabia que Deus havia falado com ele. Ainda assim, quando estava prestes a libertar os filhos de Israel, perguntou novamente: “Sei que Tu falaste comigo, mas quero saber se vais libertar os filhos de Israel por meu intermédio”.

    Isso era humildade ou um sinal de falta de fé? Não sei. Mas é bom ter certeza. Às vezes, avançamos precipitadamente sem ter certeza de que é o Senhor, e isso é um desastre. Em outras ocasiões, o Senhor já nos deu certeza, mas ainda não estamos satisfeitos e tentamos nos esconder atrás de nossa incerteza, como Moisés fez.

    Gideão não tinha confiança em si mesmo. Por isso, pediu ao Senhor que lhe desse um sinal.

    Ele disse: “Senhor, se realmente foste Tu Quem me enviou para libertar os filhos de Israel da mão dos midianitas, esta noite porei um velo de lã na eira. Se o velo estiver molhado de orvalho e toda a terra estiver seca, então saberei que salvarás Israel por minha mão”.

    Na manhã seguinte, a eira estava seca, e Gideão espremeu do velo uma taça cheia de água. Mas pediu outro sinal. Disse: “Que a terra fique molhada, e o velo, seco”. Humanamente falando, isso era impossível. No entanto, Deus assim fez. Na manhã seguinte, a eira estava molhada, mas o velo estava seco.

    O significado espiritual do velo de lã

    Não vamos discutir se pedir sinais é sinal de pouca fé, de falta de fé ou uma demonstração de que a pessoa não confia em si mesma. Mas penso que os sinais pedidos por Gideão são muito significativos.

    O que é um velo de lã? A lã representa a glória e a beleza do cordeiro. Mas aqui ela foi cortada; foi tosquiada. Tornou-se um velo.

    Gideão considerava a si mesmo como aquele velo de lã. Estava disposto a ser tosquiado. Estava disposto a abrir mão de sua própria beleza e glória. Como um cordeiro que é tosquiado e fica nu, ele estava disposto a abrir mão de sua honra, glória, beleza e da própria vida.

    A eira, nas Escrituras, representa a cruz, porque é o lugar onde ocorre a separação. O trigo é separado da palha. Assim, Gideão estava disposto a entregar sua glória, honra, beleza e vida sobre a cruz.

    Mas, para fazer isso, ele precisava do orvalho do céu. Em si mesmo, não era nada. Embora estivesse disposto a entregar a si mesmo, isso não seria suficiente. Precisava ser cheio do orvalho do céu.

    Salmos 133:3 fala do orvalho que desce do Hermom. É vida para sempre. Em outras palavras, Gideão precisava da vida celestial. Precisava ser cheio do orvalho celestial, da vida celestial. Se estivesse cheio dessa vida celestial, então teria algo para dar.

    O poder não está no velo. O poder está no orvalho.

    Irmãos e irmãs, em primeiro lugar, precisamos estar dispostos a entregar nossa vida se Deus há de nos usar. Esse é um princípio do qual não se pode escapar. Precisamos abrir mão de nossa vida, glória, honra, posição, beleza, respeitabilidade e de tudo aquilo que valorizamos em nós mesmos. Precisamos colocar essas coisas sobre a cruz.

    Mas isso não basta. O poder não está em abrir mão dessas coisas. Abrimos mão delas para que possamos ser cheios do orvalho do céu, do Espírito da vida.

    Temos esse tesouro em vasos de barro. Precisamos ser cheios da vida celestial. É essa vida celestial que tem o poder.

    O segundo sinal inverte a ordem. Precisamos levar em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em outros. O velo estava seco porque o orvalho que estava nele havia sido derramado sobre a eira.

    Primeiro, recebemos o orvalho do céu; depois, precisamos estar dispostos a derramá-lo, para que a eira fique molhada. Isso é 2 Coríntios 4:10-12: levar em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste.

    Esse é o segredo do ministério espiritual. Não pode haver ministério espiritual sem essas duas realidades. Você pode não ter esses sinais específicos, mas eles são indicações — coisas que precisam acontecer em nossa vida para que haja ministério.

    Ministério é ministrar vida. Ministério é transmitir Cristo. Ministério é esvaziar a nós mesmos. Mas você não pode ser esvaziado se primeiro não for cheio. Esse é o pré-requisito.

    Os trezentos homens

    Deus iria usar Gideão para libertar os filhos de Israel, mas como? Trinta e dois mil filhos de Israel se reuniram com Gideão. Embora os midianitas e os povos do Oriente fossem mais numerosos, trinta e dois mil não era um número pequeno.

    Mas Deus disse:

    É demais o povo que está contigo, para Eu entregar os midianitas em suas mãos; para que Israel não se glorie contra Mim, dizendo: A minha própria mão me livrou.

    Deus não compartilhará Sua glória com o homem.

    Deus mandou Gideão anunciar: “Quem estiver com medo e temor, vá para casa”. Vinte e dois mil foram embora, e restaram apenas dez mil. Haviam se reunido para lutar contra os midianitas, mas estavam com medo.

    Isso não é verdade ainda hoje? Você tem medo de lutar contra a religiosidade e a tradição? Muitas pessoas têm. Se você tem medo, vá para casa. Deus não pode usar você.

    No entanto, Deus disse que dez mil ainda eram demais. Mandou Gideão levá-los às águas e observar como bebiam.

    Os que se ajoelharam para beber foram separados. Eram nove mil e setecentos. Os que tomaram água nas mãos e a lamberam eram trezentos. Deus disse: “Mande embora os que se ajoelham e bebem. Eu libertarei por meio dos trezentos”.

    Por quê? Eles vieram para lutar, e o inimigo estava por perto. Mas, quando os nove mil e setecentos viram a água, esqueceram-se da guerra. Prostraram-se à beira do rio para beber. Se o inimigo os tivesse atacado naquele momento, teriam sido derrotados.

    Não estavam vigilantes. Eram descuidados. Deveriam estar envolvidos em uma batalha, mas estavam absorvidos em satisfazer a si mesmos. Deus não podia usá-los.

    Mas os que tomaram água nas mãos eram disciplinados. Não bebiam simplesmente para satisfazer a si mesmos, esquecendo-se da guerra. Sim, saciavam a sede, mas permaneciam vigilantes — sempre vigilantes.

    Esse princípio é verdadeiro hoje. Quem Deus usará para libertar Seu povo? Aqueles que são vigilantes, disciplinados e conscientes de seu propósito — aqueles que sabem que não estão aqui apenas para satisfazer a si mesmos, mas estão aqui com um propósito.

    Deus libertou os filhos de Israel por meio de Gideão e seus trezentos. Não apenas Gideão, mas Gideão e seus trezentos. Creio que esse é um princípio dos vencedores.

    Dentre tantos, Deus pôde usar tão poucos. O problema não é se há muitos ou poucos; a questão é a presença do Senhor. Se o Senhor está presente, poucos são muitos. Se o Senhor está ausente, muitos são poucos. É o Senhor, mas é preciso estar adequado para o uso de Deus.

    Os cântaros quebrados e a luz oculta

    Gideão dividiu seus homens em três grupos. Cada um tinha um cântaro, com uma tocha escondida dentro dele, e uma trombeta.

    No princípio da vigília do meio, os três grupos tomaram suas posições ao redor do arraial dos midianitas. Quebraram os cântaros, mostraram as tochas, tocaram as trombetas e clamaram:

    A espada do Senhor e de Gideão!

    Dessa maneira, o inimigo foi completamente desbaratado.

    Como derrotaram o inimigo? Quebraram os cântaros, ergueram as tochas, tocaram as trombetas e gritaram:

    A espada do Senhor e de Gideão!

    É claro que somos vasos de barro. Mas, escondida dentro desse vaso de barro, está a tocha — o tesouro, o resplendor —, para que o poder não seja nosso, mas de Deus. Isso é 2 Coríntios 4:7.

    O cântaro precisa ser quebrado. Nós mesmos precisamos ser quebrados, por assim dizer. A tocha precisa ser erguida. Que nós diminuamos, mas que Cristo cresça.

    Então vem a trombeta, a declaração:

    A espada do Senhor e de Gideão!

    Em outras palavras, declaramos que Jesus é o Senhor.

    Foi por meio disso que seus inimigos foram desbaratados. Isso é realidade espiritual. Isso rompe a religiosidade e liberta o povo de Deus, conduzindo-o à espiritualidade.

    A humildade de Gideão na vitória

    Quando o inimigo foi desbaratado e começou a fugir, Gideão chamou os efraimitas. Eles capturaram dois príncipes dos midianitas. Mas depois vieram a Gideão e discutiram com ele, dizendo: “Por que você não nos chamou quando foi lutar?”.

    Talvez os efraimitas não tenham sido chamados porque os midianitas oprimiam mais diretamente as tribos do norte — Manassés, Zebulom, Naftali e Aser. A terra de Efraim provavelmente não estava sob tamanha opressão. Talvez Gideão também soubesse que eles não estavam interessados porque não eram diretamente afetados.

    Como isso é verdade: quando algo nos afeta diretamente, nós nos preocupamos; mas, se não nos afeta diretamente, somos indiferentes. Como nosso coração é pequeno!

    Mas, quando a batalha foi vencida e havia uma vitória da qual desfrutar, Gideão chamou os efraimitas para participarem dela. Eles não ficaram satisfeitos. Se Gideão os tivesse chamado para a batalha, talvez não tivessem vindo. Mas, quando houve uma vitória, todos quiseram uma parte da glória — mais do que sua parte.

    Gideão havia sacrificado sua vida, por assim dizer, para libertar os filhos de Israel. No entanto, depois da vitória, os efraimitas discutiram com ele e o criticaram.

    Mas, graças a Deus, a resposta branda desvia o furor. Como Gideão era humilde! Ele disse: “A respiga de vocês é melhor do que a minha colheita. Vocês capturaram os dois príncipes. Vocês têm mais do que eu. Por que estão discutindo?”.

    Com isso, eles foram acalmados, como criancinhas. Queridos irmãos e irmãs, se o Senhor algum dia usar vocês de alguma maneira, invariavelmente encontrarão pessoas que virão criticá-los porque querem a glória. A única maneira de resolver o problema é deixá-las ficar com a glória.

    A perseverança dos trezentos de Gideão

    Gideão e seus trezentos atravessaram o Jordão. Estavam exaustos, mas continuavam perseguindo. Haviam lutado durante a noite e durante o dia, e estavam esgotados, mas não desistiriam. Prosseguiram na perseguição até que o inimigo fosse completamente destruído.

    Quando chegaram a Sucote, no lado oriental do Jordão, pediram alimento. Mas o povo não quis lhes dar. Depois chegaram a Penuel, e aquele povo também não quis ajudar.

    Por que não quiseram ajudar? Os midianitas haviam sido derrotados e estavam fugindo. Certamente os israelitas que estavam pelo caminho deveriam ter ficado felizes em fornecer alimento e bebida a esse grupo vitorioso, para que pudesse continuar sua perseguição.

    Mas eles viviam do outro lado do Jordão, perto dos midianitas. Tinham medo de que os midianitas voltassem e os tornassem seu alvo. Por isso, não quiseram ajudar seus próprios irmãos.

    Como as pessoas sempre pensam em si mesmas! Como procuram evitar confrontar a religiosidade porque não enxergam o que é espiritual!

    O perigo de preservar a experiência passada

    Depois que Gideão libertou Israel, os filhos de Israel vieram a ele e disseram: “Governa sobre nós. Seja nosso rei”. Que oportunidade!

    Mas Gideão conhecia o Senhor. Ele disse:

    Eu não dominarei sobre vós, nem tampouco meu filho dominará sobre vós; o Senhor sobre vós dominará.

    Ah, como isso é precioso!

    Muitas vezes, quando o Senhor nos usa um pouco e as pessoas nos aclamam, dizendo: “Seja nosso rei”, imediatamente assumimos a coroa. Pensamos que a merecemos, e isso se torna nossa ruína.

    Mas Gideão sabia que Deus havia realizado a obra. Ele era apenas um instrumento na mão de Deus. Não era sua força; era o próprio Deus. A glória pertence ao Senhor, e Gideão não tomaria essa glória para si.

    No entanto, Gideão fez uma coisa errada. Recusou a tentação de ser rei deles porque sabia que Deus era seu Rei, e nisso estava certo. Mas pediu que lhe dessem os brincos de ouro tomados dos despojos dos midianitas.

    Ele fez um éfode com o ouro e o colocou em Ofra, sua cidade. O éfode era uma veste sacerdotal. Um sacerdote se vestia com um éfode para servir a Deus e consultar o Senhor.

    Gideão tinha o desejo de servir a Deus. Havia consultado o Senhor, e o Senhor lhe respondera. Ele valorizava aquela experiência. Valorizava o caminho pelo qual havia chegado a tamanha vitória. Por isso, fez um éfode, não para que as pessoas o adorassem, mas como memorial.

    Ele não imaginava que um dia os filhos de Israel adorariam o éfode em vez de adorar a Deus. Mas o resultado foi que ele se tornou um ídolo. Essa foi a queda de Gideão.

    Queridos irmãos e irmãs, o que isso significa? Penso que significa o seguinte: se nos apegarmos à nossa experiência passada, se nos apegarmos a um caminho ou método do passado, um dia isso se tornará um ídolo.

    Sim, o Senhor pode usar um método. O Senhor pode nos dar uma experiência muito real. O Senhor pode usar essa experiência para libertar Seu povo. Mas como queremos nos agarrar a ela! Se nos agarrarmos a ela, um dia ela se tornará um ídolo.

    Em vez disso, apeguem-se firmemente à Cabeça. Apeguem-se firmemente à Cabeça.

    Essa é a única coisa que encontramos na vida de Gideão que lhe trouxe prejuízo. Que o Senhor use esses princípios, demonstrados na vida de Gideão, para nos mostrar os princípios dos vencedores.

    Oração

    Nosso Pai celestial, grava em nosso coração tudo aquilo que desejas nos dizer. Oramos para que realizes isso em nossa vida, a fim de que sejamos um instrumento coletivo em Tua mão para libertar Teu povo da pobreza e da miséria, conduzindo-o à Tua plenitude e às Tuas riquezas. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.