Por favor, abram no livro de Levítico. Levítico 1:1-2. Os dois primeiros versículos.
E chamou o Senhor a Moisés e falou com ele da tenda da congregação, dizendo:
Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao Senhor, oferecereis a vossa oferta de gado, de vacas e de ovelhas.
Levítico 19:1-2, no mesmo livro.
E falou o Senhor a Moisés, dizendo:
Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.
Levítico 23:1-2.
E falou o Senhor a Moisés, dizendo:
Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do Senhor, que proclamareis como santas convocações, estas são as Minhas festas fixas.
E Levítico 27:1-2.
E falou o Senhor a Moisés, dizendo:
Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando alguém fizer um voto especial, as pessoas serão para o Senhor, segundo a tua avaliação.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, estamos em Tua presença e pedimos que o Teu Espírito Santo nos abra a Tua Palavra, para que não apenas compreendamos, mas sejamos conduzidos à Tua verdade. Em nome de nosso Senhor Jesus, amém.
Nesta manhã, estamos no terceiro volume do Pentateuco, os livros de Moisés. Em Gênesis, vemos a vontade de Deus, que é o homem — o Homem Jesus Cristo e o homem corporativo, o Cristo. Depois, em Êxodo, vemos a obra de Deus. É a redenção.
Agora, nesta manhã, chegamos a Levítico. Ele fala dos caminhos de Deus, que dizem respeito à adoração.
Na Bíblia hebraica, esse livro de Levítico recebe seu título da primeira palavra do livro: “E Ele chamou”. Deus fala ao Seu povo de dentro da tenda da congregação e o chama a vir, a adorá-Lo e a servi-Lo.
Esse livro de Levítico é um livro de leis, mas são as leis que regem a adoração. Às vezes, ele é chamado de manual dos sacerdotes. É claro que sabemos que os sacerdotes são aqueles que adoram e servem, e este é um manual para os sacerdotes.
A palavra Levítico deriva de Levi. Sabemos que Levi é uma tribo sacerdotal. Eles são separados para servir a Deus no tabernáculo e, mais tarde, no templo. Assim, de modo geral, vemos que esse livro de Levítico trata dessa questão da adoração e do serviço.
É claro que sabemos que não há como separar adoração e serviço. Vocês sabem, em Romanos 12:1, uma passagem que todos conhecemos, somos instruídos a apresentar nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional. Algumas versões dizem: “que é a sua adoração espiritual”.
Isso porque adoração e serviço são os dois lados de uma mesma coisa. Quando pensamos em adoração, pensamos mais na realidade interior, no espírito. Quando pensamos em serviço, provavelmente pensamos mais nas atividades exteriores. Mas o que são as atividades exteriores se não houver um espírito interior? E, se vocês têm esse espírito interior, certamente ele se expressará em atividades exteriores.
Assim, na verdade, vemos que adoração e serviço são uma só e a mesma coisa. Adoramos e servimos. Ao servir, adoramos; ao adorar, servimos. São a mesma coisa. Aqui vemos que todos somos chamados a adorar.
Em 1 Pedro 2, somos como pedras vivas, sendo edificados juntos como casa espiritual, sacerdócio santo. Portanto, queridos irmãos e irmãs, hoje todo crente, todo filho de Deus, é sacerdote. É nosso chamado, nossa vocação, vir adorar a Deus e servi-Lo.
Sabemos que Levítico é o terceiro volume dos cinco que compõem o Pentateuco. É uma continuação de Êxodo, porque, quando chegamos ao fim de Êxodo, vemos que o tabernáculo, a tenda da congregação, é erguido, e a glória de Deus enche aquele lugar.
Agora, em Levítico, vemos que Deus tomou posse daquele tabernáculo. Sua glória veio. Ele entrou em Sua habitação e agora fala de dentro da tenda da congregação.
Em termos de tempo, Levítico não abrange um período muito longo. Vemos que, no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano depois que os filhos de Israel saíram do Egito, eles armaram a tenda — isto é, o tabernáculo. Depois, em Números 1, no primeiro dia do segundo mês do segundo ano, Deus fez a contagem de Seu povo.
Portanto, quando reunimos essas informações, temos Levítico nesse intervalo. Em termos de tempo, Levítico abrange aproximadamente um mês. Mas, espiritualmente, vemos que ele abrange muita coisa.
Vocês sabem, Êxodo começa com pecadores. Os filhos de Israel estavam na escravidão. Mas, em Levítico, temos um povo já liberto, que está ali para ouvir o que Deus tem a lhe dizer.
Em Êxodo, Deus fala do monte Sinai e dá as leis morais que regem nosso relacionamento com Ele e uns com os outros. Em Levítico, Deus fala de dentro do tabernáculo, dando-nos as leis que regem a adoração. Assim, vemos que Levítico é, na verdade, uma continuação e um avanço em relação ao livro de Êxodo.
Somos chamados a adorar.
Nesse livro de Levítico, que é um livro de leis que regem a adoração, temos, naturalmente, os tipos e as sombras do Antigo Testamento. A realidade se encontra no Novo Testamento.
Os filhos de Israel foram chamados a adorar e a servir, mas adoravam e serviam de maneira física. Nós somos chamados a servir e a adorar em espírito e em verdade.
Vocês se lembram de que, em João 4, é dito que o Pai procura verdadeiros adoradores, aqueles que O adoram em espírito e em verdade. Já não é uma questão de lugar — onde? Já não é uma questão de tempo — quando? Já não é em Jerusalém, nem neste monte. É uma questão de espírito e verdade.
Isso só é possível porque Cristo veio e realizou tudo por nós, capacitando-nos a ser verdadeiros adoradores do Pai. Então, por que estudamos Levítico? Não devemos oferecer ovelhas, cabras e bois a Deus.
Bem, a forma é diferente, mas o princípio espiritual é o mesmo. Portanto, podemos aprender muito com o livro de Levítico, porque esse livro nos foi dado para nossa admoestação, para nos ensinar a adorar a Deus em espírito e em verdade.
Esse livro começa com ofertas. De Levítico 1 até Levítico 6:7, encontramos cinco ofertas. Depois, de Levítico 6:8 até o capítulo 7, encontramos as leis das ofertas.
Agora, por que esse livro começa justamente com ofertas? Porque sabemos que nosso Deus é um Deus justo e santo. Quem quiser se aproximar de Deus precisa fazê-lo por meio dessas ofertas.
Em outras palavras, não há como nos aproximarmos de Deus com base em nós mesmos. Deus é santo, e nós somos pecadores. Deus é justo, e nós somos contaminados. Não há como, com base em nós mesmos, nos aproximarmos de Deus. Se o fizermos, seremos imediatamente feridos de morte.
A única maneira de as pessoas se aproximarem de Deus é por meio dessas ofertas. Em outras palavras, todos esses diferentes tipos de ofertas representam os vários aspectos de Cristo — o que Cristo é e o que Ele faz por nós. É somente com base em Cristo que podemos nos aproximar de Deus, adorá-Lo e servi-Lo.
Cristo é o caminho para Deus. Não há outro caminho.
Se queremos adorar a Deus e servir a Deus, precisamos vir por meio de Cristo, em Cristo, com Cristo e por Cristo. É Cristo. Ele é a oferta pela qual podemos vir e adorar.
Há cinco ofertas. Primeiro, o holocausto. O holocausto fala de nosso Senhor Jesus, que, pelo Espírito eterno, ofereceu a Si mesmo sem mácula a Deus, para purificar nossa consciência de obras mortas, a fim de adorarmos o Deus vivo. Isso está em Hebreus 9:14.
Vocês sabem, o holocausto é uma oferta integral. Isto é, a oferta é entregue inteira, completamente, a Deus. É uma oferta voluntária. É uma oferta de amor.
Aqui vemos nosso Senhor Jesus. Por Seu amor ao Pai e por Seu amor a nós, Ele voluntariamente Se entregou para ser a oferta integral a Deus por nós.
Se vocês querem conhecer o espírito desse holocausto, precisam ir a Filipenses 2. Ali encontramos nosso Senhor Jesus, que, sendo igual a Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse Se agarrar; contudo, esvaziou a Si mesmo, tomando a forma de servo. Sendo encontrado em forma de homem, humilhou-Se ainda mais e morreu na cruz por nós — um holocausto a Deus.
A ideia do holocausto diz respeito mais à aceitação do que à expiação. Se vocês lerem Levítico 1, verão que ele aborda a expiação — expiação no sentido de cobertura do pecado —, mas, basicamente, o holocausto é para aceitação.
É para que sejamos aceitos por Deus no Amado. Efésios 1:6 diz que somos aceitos no Amado. Ser aceito significa simplesmente que somos acolhidos em Seu favor. Somos colocados numa posição de graça e favor.
Irmãos e irmãs, vocês verão que tudo isso é por causa de nosso Senhor Jesus. Hoje somos aceitos por Deus. Ele é nosso holocausto.
A segunda oferta é a oblação, ou oferta de manjares. Ela fala da vida de nosso Senhor Jesus na terra. Ele é o grão de trigo que cai na terra e morre. João 12:24.
Ele é o grão de trigo. Ele é moído até se tornar flor de farinha. Cada aspecto de Sua vida é santo, puro, fino e sem pecado. Contudo, vemos que Ele é feito um bolo e levado ao forno. Em outras palavras, nosso Senhor Jesus passou pela cruz, pelo sofrimento da cruz, para que pudesse ser alimento para Deus e alimento para nós.
Vocês sabem, na oferta de manjares, encontramos incenso, sal e azeite sempre acompanhando a oferta. O incenso fala de uma fragrância que se espalha livremente. Ela não é contida. O sal sempre fala de permanência, e o azeite fala do Espírito Santo.
Olhem para a vida de nosso Senhor Jesus. Há sempre essa fragrância que se espalha livremente. Não é possível escondê-la. Ela está presente onde quer que Ele esteja, com quem quer que Ele tenha contato e em tudo o que Ele faz. Há uma fragrância que emana. É inevitável.
Há essa permanência Nele. Tudo o que Ele faz e diz é eterno. É no poder do Espírito Santo.
Na oferta de manjares, duas coisas são proibidas. Uma é o fermento; a outra é o mel. O fermento fala de maldade e corrupção, seja no ensino, na doutrina, na conduta ou na maneira de agir. O mel fala da doçura natural. Em Cristo Jesus, não se trata de doçura natural; há uma doçura sobrenatural, divina.
A oferta de manjares é para o prazer de Deus. Portanto, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, o céu ficou tão satisfeito que se abriu e disse:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Para o prazer — para o prazer de Deus. Queridos irmãos e irmãs, isso não é maravilhoso? Não apenas nosso Senhor Jesus, quando veio a este mundo para ser homem, deu prazer a Deus em toda a Sua vida; na verdade, toda a criação existe para o prazer de Deus.
Vocês se lembram de que, em Apocalipse 4, todas as coisas foram criadas para o Teu prazer. Fomos criados para o prazer de Deus, mas causamos muita tristeza a Deus. Contudo, graças a Deus, por meio de Cristo Jesus, voltamos a ser motivo de prazer para Deus. Isso não é maravilhoso? A graça de Deus!
A terceira oferta é a oferta pacífica. A oferta pacífica fala de Cristo como nossa paz.
Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo.
Romanos 5:1.
Cristo é nossa paz. Ele não apenas estabeleceu a paz entre nós e Deus, reconciliando-nos com Deus, mas também estabeleceu a paz entre nós. Ele uniu gentios e judeus e removeu a parede de separação que estava no meio, para que fôssemos unidos em um novo homem, tendo paz e nos aproximando de Deus juntos.
Cristo é nossa oferta pacífica. Vocês sabem, numa oferta pacífica, a gordura do animal é retirada e completamente queimada para Deus, para que Deus a consuma.
A gordura, nas Escrituras, fala da abundância interior, da abundância de vida interior. Hoje não gostamos dessa palavra, mas ela significa, na verdade, que há tanta vida que ela se torna gordura e fica armazenada dentro de vocês. Ela fala de abundância de vida e energia interiores.
Na abundância de Sua vida e energia interiores, Cristo satisfaz a Deus. Porque Ele satisfez a justiça de Deus, Ele nos reconciliou com Deus.
Na oferta pacífica, não apenas Deus tem Sua parte; o sacerdote tem sua parte, e o ofertante e sua família têm a sua. Até os estrangeiros e os vizinhos recebem uma porção. Em outras palavras, ela fala de comunhão, de compartilhar.
A oferta pacífica fala de comunhão: de como podemos ter comunhão com Deus e comunhão uns com os outros. A base dessa comunhão é Cristo, nossa oferta pacífica.
A quarta oferta é a oferta pelo pecado. Acho que isso é muito claro. Aquele que não conheceu pecado, nosso Senhor Jesus, foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus. Isso está em 2 Coríntios 5:21.
Cristo levou nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos para o pecado, vivêssemos para a justiça. Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós. É por causa de Sua morte, de Seu sangue — o sangue levado ao Santo dos Santos para expiar nossos pecados —, que todos os nossos pecados são perdoados.
Cristo é nossa oferta pelo pecado.
A quinta oferta é a oferta pela culpa. A oferta pela culpa fala não apenas de Cristo ter morrido por nós de uma vez por todas e nos purificado de nossos pecados passados, mas também de Sua purificação diária.
Isso está em 1 João 1:7. Se andarmos na luz, como Deus está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado. Temos um Advogado junto ao Pai, Jesus, o Justo.
Sempre que caímos em pecado em nossa vida diária, ficamos contaminados. Mas vemos que há Cristo Jesus, nossa oferta pela culpa. Ele nos purifica dia após dia, para que nossa comunhão com Deus não seja interrompida.
Assim, nessas cinco ofertas, encontramos o fundamento e a base da adoração. É por meio de Cristo.
Quando O vemos como nossas ofertas, quando nos apropriamos Dele como tudo isso, então brotam de nosso interior louvor e adoração.
Vocês sabem, a palavra inglesa para adoração, worship, traz a ideia de worth-ship, de reconhecer o valor. Em outras palavras, adoração significa simplesmente que Ele é digno. Porque vemos que Ele é digno, nós O adoramos. Nós O louvamos, nós O apreciamos e nós O amamos.
Aqui vemos que o fundamento da adoração é Cristo — tudo o que Cristo é e tudo o que Ele fez por nós.
Depois chegamos a Levítico 6:8 até o capítulo 7, onde estão as leis das ofertas. As ofertas falam da adoração. As leis que regem as ofertas falam dos adoradores.
Nas ofertas, encontramos o sacrifício; mas, nas leis, encontramos os ofertantes — o que os ofertantes devem fazer, o que fazem com essas ofertas, como participam delas e que porção lhes cabe.
O que encontramos principalmente nas leis das ofertas é a identificação. Antes de tudo, o ofertante se identifica com sua oferta. Sempre que algo é oferecido, vocês colocam a mão sobre a cabeça do animal, para mostrar que estão identificados com ele.
Irmãos e irmãs, nós nos tornamos adoradores porque estamos identificados com Cristo. Ele é a razão de nossa adoração. Nós O apreciamos. Temos experimentado tudo o que Ele é para nós, e isso nos torna adoradores.
Depois, vemos na lei que há participação. Esses ofertantes participam das ofertas. No holocausto, tudo é para Deus; não há nada para o sacerdote. Mas, na oferta de manjares, uma porção é queimada para Deus, e o sacerdote come o restante.
Em outras palavras, compartilhamos. Desfrutamos com outros ofertantes daquilo que Cristo é para nós. Há participação, há compartilhamento e há comunhão. Essas são as leis das ofertas.
Não posso entrar em detalhes, porque preciso prosseguir.
Dos capítulos 8 a 10, encontramos a consagração dos sacerdotes. Depois, dos capítulos 11 a 22, encontramos a separação do povo.
Agora, irmãos e irmãs, lembremos que somos tanto o povo de Deus quanto os sacerdotes de Deus. No Antigo Testamento, encontramos esses dois grupos separados. A razão dessa separação é o pecado deles.
Quando Deus libertou os filhos de Israel e os levou ao monte Sinai, vocês se lembram de que, em Êxodo 19, Deus disse que, se guardassem Seus mandamentos e Sua aliança, seriam um povo especial para Ele, um povo de Sua propriedade, e um reino, uma nação de sacerdotes.
Em outras palavras, eles não eram apenas povo, mas também sacerdotes. Portanto, hoje, por meio da obra consumada de Cristo, que é uma redenção completa e perfeita, irmãos e irmãs, somos tanto o povo de Deus quanto os sacerdotes de Deus.
Para nós, já não existe essa divisão. No Antigo Testamento, há a divisão: sacerdotes são sacerdotes, e povo é povo. Mas hoje vocês não podem separar o povo dos sacerdotes. Já não há uma divisão entre sacerdócio e leigos. Todo crente é sacerdote e também faz parte do povo de Deus.
Portanto, reunimos todos esses capítulos e vemos que há uma coisa que se destaca. Quer se trate do sacerdote, quer do povo, há uma palavra que se destaca acima de tudo: santo. Santo. Separado. Consagrado.
Tudo isso transmite a mesma ideia. Qual deve ser o caráter do adorador? Deus procura verdadeiros adoradores que adorem em espírito e em verdade, mas, para adorar a Deus, vocês precisam ter determinado caráter.
Qual é essa característica suprema que Deus exige de Seus adoradores? É a santidade — a separação.
O Senhor diz:
Santos sereis, porque Eu sou santo.
Deve haver uma semelhança, uma correspondência, entre Deus e o adorador. Na verdade, vemos que isto é sempre verdade: aquele a quem vocês adoram vai, gradualmente, moldando seu caráter.
Se vocês adoram um ídolo, aos poucos verão que estão se tornando semelhantes àquele ídolo. Se adoram o Deus vivo, aos poucos se tornam semelhantes a Deus. Vocês assumem o Seu caráter.
É por isso que, na adoração a Deus, o caráter do adorador é muito, muito importante. Se queremos ser verdadeiros adoradores, Deus exige que sejamos um povo separado, um sacerdócio santo.
A razão da santidade é muito simples. Repetidas vezes, vocês encontram isto ao longo desses capítulos:
Eu sou o Senhor, teu Deus.
Essa é a razão. Porque Ele é nosso Deus, Ele é Aquele a Quem adoramos. Portanto, Ele exige que O adoremos em santidade.
Adorai o Senhor na beleza da santidade.
Foi isso que o salmista disse. Precisamos adorar a Deus na beleza da santidade. Caso contrário, nossa adoração não será aceita. Ela trará desonra a Deus, e Deus não ficará satisfeito.
Vocês sabem, o oposto de santo não é pecado. O oposto do pecado é a justiça. O oposto da santidade é o comum — ser comum.
Deus quer que sejamos especiais. Ele disse: “Vocês são Meu povo de propriedade exclusiva”. Ele nos separou do mundo. Separação: é isso que Deus exige. Precisamos ser separados do mundo.
Precisamos ser separados até mesmo do mundo religioso. Precisamos ser separados de nós mesmos, da velha carne. Precisamos ser separados de tudo o que não é de Deus, para que possamos ser dedicados a Deus.
Vocês sabem, a separação, ou santidade, tem dois lados. Um lado é ser separado de, e o outro é ser separado para. Somos separados de tudo o que não é de Deus e somos separados para tudo o que é voltado a Deus. Isso é santidade.
Portanto, é necessário que todos os que adoram a Deus assumam o caráter da santidade.
Mais uma vez, dizemos que a única razão pela qual devemos ser santos é porque Deus é santo.
No caso dos filhos de Israel, trata-se mais de uma separação exterior. Há certas coisas que eles não devem fazer e certas coisas que precisam fazer, e isso os separa.
Eles são separados do mundo por causa do que comem e do que não comem. Se vocês lerem o livro de Levítico, verão que há coisas impuras que eles não devem comer, e isso os separa. É por isso que consideravam os gentios como cães, porque nós comemos todos esses alimentos impuros.
No caso dos filhos de Israel, são mais essas coisas exteriores que regem sua separação. Mas, naturalmente, para nós hoje, nossa separação é uma questão interior.
Em outras palavras, o que nos separa é a vida de Cristo em nós. À medida que a vida de Cristo começa a crescer em nós, nossa separação se torna cada vez mais distinta.
Já não é apenas uma questão de coisas exteriores. É claro que isso se expressará nas coisas exteriores, não há dúvida. Mas precisa começar com a vida interior.
Gradualmente, assumimos o caráter de Cristo. À medida que Cristo vai sendo formado em nós, vemos que o muro de separação do mundo e de tudo o que não é de Deus cresce cada vez mais, até que, finalmente, na Nova Jerusalém, temos um muro tão alto como nunca se viu no mundo inteiro — separação completa.
A santidade é da maior importância para a casa de Deus.
Depois chegamos aos capítulos 23 a 26. Encontramos as festas fixas. A adoração é mais do que algo pessoal, individual. Há um lado pessoal, individual, da adoração, mas ela também é algo corporativo.
Os filhos de Israel tinham festas fixas. Em determinadas épocas, eram convocados a se reunir, a se aproximar de Deus, a adorar a Deus e a servir a Deus juntos, como nação. Essas são as festas fixas.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembremos que nossa adoração a Deus não é apenas pessoal, mas também corporativa. É verdade que não procuramos adorar a Deus apenas corporativamente, sem uma vida individual, pessoal.
Hoje, o problema é que muitas pessoas fazem da adoração algo meramente corporativo. Então, no domingo de manhã, vocês vão adorar; mas, durante o restante da semana, nunca adoram. Isso não é adoração, porque a adoração é uma vida.
Os verdadeiros adoradores adoram a Deus em espírito e em verdade. Em outras palavras, já não é uma questão de tempo e espaço. A adoração transcendeu o tempo e o espaço. Quer vocês estejam em casa, no escritório ou trabalhando — onde quer que estejam —, toda a sua vida deve ser adoração a Deus.
É isso que a adoração é. Ela já não se limita a determinado lugar e a determinado horário. Infelizmente, muitas pessoas ainda fazem isso, pensando que o domingo de manhã é para adoração e o domingo à tarde é para recreação. Elas compartimentam a adoração. Colocam a adoração numa caixinha.
No entanto, em certo sentido, reconhecemos que a adoração é corporativa, e isso é bom. Infelizmente, há pessoas que já não adoram com os outros. Elas dizem: “Bem, eu adoro a Deus — Deus e eu. Não preciso de mais ninguém”.
Então, ficam em casa e adoram. Algumas ligam o rádio ou a televisão e adoram. Já não se encontram com as pessoas; já não se reúnem.
Irmãos e irmãs, a Palavra é muito clara. A adoração é pessoal, mas também é corporativa. É a vontade de Deus que nos reunamos de tempos em tempos para adorar a Deus juntos, corporativamente.
Entre os filhos de Israel, encontramos essas festas fixas. Festas fixas significam simplesmente ocasiões determinadas para se aproximarem de Deus juntos. Eles têm santas convocações.
Nessas festas, encontramos algo muito interessante. Em Levítico 23, o sábado é mencionado primeiro; contudo, não está incluído entre as festas fixas que vêm a seguir. Na verdade, o sábado é uma festa fixa, não há dúvida, mas não está agrupado com as sete.
Por que isso? Porque o sábado é a base de todas as outras festas. Em outras palavras, o sábado confere a natureza a todas as outras festas.
Agora, o que é o sábado? O sábado é descanso. Como vocês podem descansar? Porque a obra está concluída.
Aqui encontramos o espírito disso: quando o povo de Deus descansa na obra consumada de Cristo, porque a obra de Cristo já está concluída, então estamos firmados na obra consumada de Cristo. Depois, nos reunimos para celebrar. É isso que significa reunir-se.
Reunir-se não é simplesmente tentar vir e receber alguma coisa para tranquilizar vocês ou fazê-los descansar. Na verdade, todos nós já chegamos com um espírito de descanso sabático. Já descansamos em Cristo e, por isso, todos viemos celebrar. Viemos glorificar a Deus.
Portanto, o sábado é a base de todas as festas fixas. Todas essas festas fixas falam de Cristo e daquilo que Cristo fez por nós.
A Páscoa — acho que temos bastante clareza sobre a Páscoa. Em 1 Coríntios 5:7, temos Cristo, nossa Páscoa. Cristo é nossa Páscoa.
É por causa de Cristo, por causa do sangue que foi derramado e do sangue que foi aspergido — isto é, aceitamos o sangue do Senhor Jesus —, que o anjo da morte passa por nós sem nos atingir. Saímos da morte para a vida, e isso é porque Cristo é nossa Páscoa. Graças a Deus por isso.
Logo em seguida à Páscoa, ou em conexão com ela, vem a Festa dos Pães Asmos. Precisamos celebrar essa festa, não com pão fermentado, com o fermento da maldade e da malícia, mas com pão sem fermento, com sinceridade e verdade.
Em outras palavras, irmãos e irmãs, uma vez que aceitamos Cristo como nosso Cordeiro pascal, começa aquela Festa dos Pães Asmos por sete dias, e sete fala de plenitude.
Depois que somos salvos pelo sangue do Cordeiro, toda a nossa vida, daí em diante, é vivida na Festa dos Pães Asmos. Estamos celebrando, estamos vivendo, estamos trabalhando. Toda a nossa vida, daí em diante, pessoal e corporativamente, é uma Festa dos Pães Asmos.
Não deve haver malícia nem maldade, mas somente sinceridade e verdade. É assim que devemos viver diante de Deus.
Depois, naturalmente, a terceira festa é a Festa das Primícias, o molho movido. Na época da colheita da cevada, que ocorre no início do ano judaico, eles pegam um molho, levam-no ao templo e o oferecem a Deus. Celebram a Festa das Primícias.
Quando aplicamos isso aos tempos do Novo Testamento, naturalmente fala da ressurreição — a ressurreição de nosso Senhor Jesus.
Em 1 Coríntios 15:20 e 1 Coríntios 15:23, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dos que dormem. Ele é as primícias da ressurreição e, depois Dele, vêm aqueles que creem Nele.
Portanto, irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor porque nosso Senhor Jesus não apenas viveu uma vida de pureza, não apenas morreu na cruz e Se tornou nossa Páscoa, mas também ressuscitou dentre os mortos. Porque Ele ressuscitou dentre os mortos, um dia todos nós ressuscitaremos.
Depois vem Pentecostes. Naturalmente, Pentecostes nos remete a Atos 2. Quando chegou o dia de Pentecostes, os cento e vinte estavam reunidos no cenáculo, orando. De repente, houve um vento impetuoso e forte, que encheu a casa. Eles foram cheios do Espírito Santo.
É aí que a igreja começa. Os cento e vinte se tornam um corpo de cento e vinte membros. Esse corpo continua crescendo até que, um dia, quando estiver plenamente desenvolvido, Cristo voltará e o receberá como Sua noiva.
Portanto, irmãos e irmãs, as quatro primeiras festas fixas acontecem no início do ano. Depois, há um intervalo de tempo até o fim do ano.
Primeiro, temos a Festa das Trombetas. No primeiro dia do sétimo mês, os sacerdotes tocam a trombeta. Naturalmente, isso tem uma aplicação à nação judaica; isso é verdade. Mas, nesta manhã, gostaríamos de aplicá-lo a Cristo e a nós.
Provavelmente, o toque da trombeta fala do período posterior ao início da igreja no dia de Pentecostes, no primeiro século. A igreja continuou, continuou, continuou e, gradualmente, perdeu seu testemunho. A igreja mergulhou no mundo.
Então começa o despertamento. Historicamente falando, o toque das trombetas provavelmente remete à Reforma. Durante a Reforma, no século XVI, houve um toque de trombeta. Houve um grande despertamento entre o povo de Deus, e isso tem continuado desde então.
Depois, no décimo dia do sétimo mês, há o Dia da Expiação. É um grande dia, um dia de arrependimento, um dia de humilhação diante do Senhor e, contudo, um dia de grande importância, porque essa é a expiação.
A que podemos aplicar isso? Provavelmente se refere aos últimos dias, quando o povo de Deus começa a apreciar cada vez mais a obra de nosso Senhor Jesus. Começa a enxergar cada vez mais o propósito de Deus para Seu povo.
Porque começa a enxergar o propósito eterno de Deus para Seu povo, como isso o humilha! Como se arrepende diante de Deus! Queridos irmãos e irmãs, quanto mais vemos o propósito de Deus, mais somos humilhados. Por quê? Porque percebemos que não estamos no lugar certo.
Como precisamos nos arrepender diante de Deus! Por causa desse arrependimento, vemos que, pela graça de Deus, surge um remanescente; surge um povo vencedor que corresponderá ao coração de Deus. Portanto, provavelmente é disso que fala o Dia da Expiação.
Por fim, há a Festa dos Tabernáculos. Os filhos de Deus voltam a morar em cabanas, e é um tempo de grande alegria, porque são lembrados daquilo que Deus fez por eles ao longo dos anos.
Provavelmente, isso se refere à era do reino. Um dia o reino virá e, quando o reino vier, o povo de Deus poderá verdadeiramente se alegrar. Hoje é o dia de nossa humilhação, mas um dia haverá um dia de glória, quando Cristo será glorificado e conduzirá muitos filhos à glória.
Portanto, irmãos e irmãs, em todas essas festas fixas há adoração corporativa: reunimo-nos para apreciar o Senhor juntos, para celebrar e para adorá-Lo.
Por fim, encontramos o capítulo 27. O capítulo 27 trata dos votos de dedicação, e esse é um encerramento muito apropriado para o livro de Levítico.
No livro de Levítico, vemos que ele começa com as ofertas, e isso fala de Cristo. O final de Levítico fala das pessoas que são tão tocadas pelas misericórdias de Deus, tão impactadas por tudo o que Deus fez por elas em Cristo Jesus, que fazem votos de dedicação.
Em outras palavras, elas querem se dedicar a Deus — não apenas suas coisas, suas casas e suas terras, mas até a si mesmas. Elas querem se dedicar a Deus.
Essa é, sem dúvida, a coisa certa a fazer. Irmãos e irmãs, quando percebemos quanto Deus fez por nós, quando percebemos o que Cristo é para nós e, à medida que vamos amadurecendo no Senhor, não é a coisa mais espontânea e natural que podemos fazer — querer nos dedicar a Ele? Queremos nos entregar a Ele.
O amor de Cristo nos constrange. Se Um morreu por todos, então todos morreram; e agora vivemos para Aquele que morreu e ressuscitou por nós. Assim, aqui vemos pessoas querendo dedicar sua vida ao Senhor, entregar-se ao Senhor.
Na verdade, a adoração é uma vida de devoção. Isso é adoração.
A adoração é simplesmente isto: vocês dedicam sua vida ao Senhor. Vivem para Ele. Deixam que Ele viva em vocês. Permitem que Ele faça com vocês tudo o que quiser.
Vocês abrem mão dos direitos sobre si mesmos e deixam que Ele tenha os direitos sobre vocês. Não se trata da maneira como vocês querem servir, nem do que querem fazer para Ele. Não. Trata-se do que Ele quer fazer com vocês. Isso é adoração.
Como podemos dizer que O adoramos quando queremos fazer o que nós queremos? Como podemos dizer que O servimos quando fazemos aquilo que achamos bom?
É somente numa vida de devoção, numa vida dedicada, que Ele tem pleno direito sobre nós. Quanto a tudo o que é dedicado a Deus, vocês perdem o direito sobre aquilo. O direito pertence a Deus. Ele pode fazer o que quiser. Se quiser descartar, tudo bem. Se quiser usar, ótimo. Cabe a Ele decidir. Aquilo é dedicado a Deus.
Contudo, vemos que, mesmo ao dedicar a vida a Deus, há uma escala graduada de valor.
Quando me dedico a Deus, o sacerdote me examina e pergunta: “Quantos anos você tem?”. Agora, se ele constata que tenho mais de sessenta anos, bem, o preço, o valor, diminui.
Em outras palavras, a utilidade diminui. Mas, quando vocês têm vinte ou trinta anos, recebem a avaliação mais alta. Tudo é de acordo com o siclo do santuário.
Agora, irmãos e irmãs, todos precisamos ser dedicados a Deus, mas nem toda dedicação tem o mesmo valor. É de acordo com o siclo do santuário.
Isso fala de crescimento espiritual. Como precisamos crescer no Senhor! Paulo disse:
Pela graça de Deus, sou o que sou.
Como crescemos? Crescemos pela graça de Deus, é claro. Retirem a graça, e somos zero.
Mas a graça de Deus é sempre suficiente, abundante e sem fim. A graça de Deus é derramada sobre nós dia após dia, e devemos crescer continuamente, continuamente.
Infelizmente, às vezes desperdiçamos a graça de Deus. Desprezamos a graça de Deus. Saímos da graça de Deus. Quando fazemos isso, irmãos e irmãs, não alcançamos a medida.
Nossa dedicação ficará aquém da medida. Em outras palavras, Deus não nos tem como deveria nos ter.
Isso não é algo que devemos considerar diante de Deus? Tenho valor para Deus? Cristo vale tudo para mim, e isso me leva a adorá-Lo. Mas, depois de Ele ter feito tudo isso por mim, tenho valor para Ele?
Tenho algum valor para Ele? Algum valor para Seu reino? Algum valor para Seu propósito?
É isso que Deus procura em Seu povo: que sejamos de grande valor para Ele.
Mas lembrem-se: qualquer valor que tenhamos é por Sua graça. Não há nada de que nos gloriarmos.
Pela graça de Deus, sou o que sou.
Portanto, este é o livro de Levítico. Vamos orar?
Querido Pai celestial, Tu procuras verdadeiros adoradores, aqueles que adoram em espírito e em verdade. Oh, como Te louvamos e agradecemos por todas as provisões que nos concedeste em Cristo Jesus, para que hoje possamos ser adoradores — verdadeiros adoradores.
Desejamos, de fato, ser verdadeiros adoradores. Queremos adorar-Te em espírito e em verdade. Portanto, Pai, pedimos que uses estas poucas palavras, se assim Te aprouver, para tocar nosso coração e nos conduzir àquele lugar em que possamos verdadeiramente adorar-Te e ser verdadeiros adoradores.
Oh, como Te louvamos e agradecemos por Tua Palavra. Queremos ter algum valor hoje, e tudo é para Tua glória. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.