Com esse propósito, indo eu a Damasco, com autoridade e comissão dos principais sacerdotes,
ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, mais resplandecente que o sol,
brilhando ao redor de mim e dos que viajavam comigo.
E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão.
E eu disse: Quem és Tu, Senhor?
E o Senhor disse: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Mas levanta-te e põe-te em pé: porque para isto te apareci,
para te constituir ministro e testemunha tanto das coisas em que Me viste
como daquelas em que te aparecerei;
livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais te envio,
para lhes abrires os olhos, a fim de que se convertam das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus,
para que recebam remissão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em Mim.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial:
antes, anunciei primeiramente aos de Damasco, depois aos de Jerusalém e por toda a terra da Judeia,
e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.
Por esta causa, os judeus me prenderam no templo e procuraram matar-me.
Tendo, pois, alcançado o auxílio que vem de Deus, até o dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes,
nada dizendo senão o que os profetas e Moisés disseram que havia de acontecer;
que o Cristo havia de padecer e que, sendo Ele o primeiro pela ressurreição dos mortos,
anunciaria a luz tanto a este povo como aos gentios.
Querido Senhor, queremos realmente agradecer-Te por estares conosco durante esta semana. Agradecemos-Te por nos teres trazido até esta noite. Tu és bondoso, misericordioso e fiel; por isso, nos reunimos para oferecer-Te nossa gratidão.
Senhor, ao nos reunirmos novamente nesta noite em Tua presença, pedimos que continues a falar conosco por meio da Tua Palavra. Pedimos que continues a cavar o poço dentro de nós e a remover tudo o que possa impedir o fluir das Tuas águas vivas.
Senhor, pedimos que tudo o que ainda resta a ser feito seja feito nesta noite. Oh, o desejo do nosso coração é que nos conduzas à visão celestial. Faze com que ela se torne parte de nós e com que nós nos tornemos parte dessa visão.
Senhor, reconhecemos que esta é uma obra que nenhum homem pode fazer; é obra Tua. Por isso, simplesmente confiamos que Teu Espírito Santo fará a obra para a qual Ele foi enviado, para o louvor da glória de Deus. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Queridos irmãos e irmãs, agradecemos a Deus porque, durante esta semana, temos cavado os poços juntos. Tornamos a cavar os antigos poços que nossos pais cavaram antes, mas que, infelizmente, os filisteus haviam entulhado de terra.
E graças a Deus, enquanto nos empenhamos em cavar os antigos poços, cremos que, pela graça de Deus, descobrimos novas riquezas. Não há limite para a água viva. Não há limite para o Cristo em Quem cremos. Graças a Deus por isso.
Nossos dois queridos irmãos compartilharam conosco a visão que Moisés teve no monte. É a visão do modelo do tabernáculo, e sua realidade nos fala de Cristo e de Sua igreja.
Nosso querido irmão também compartilhou conosco o desejo de Davi pela casa. E essa mesma visão, mais uma vez, não é outra senão Cristo e Sua igreja.
Minha parte é compartilhar a visão celestial de Paulo. Já mencionamos que ela é Cristo e Sua igreja. Essa é a realidade.
No caminho de Damasco, esse jovem, Saulo, foi atingido pela luz do céu, uma luz mais brilhante que o sol do meio-dia. Essa luz era tão irresistível, tão poderosa, que literalmente lançou por terra esse jovem e todos os que estavam com ele.
Mas ele foi o único que ouviu a voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Queridos irmãos e irmãs, isso está registrado três vezes no livro de Atos. Encontramos esse registro em Atos 9; novamente em Atos 22, quando o apóstolo Paulo deu testemunho diante dos judeus em Jerusalém; e mais uma vez em Atos 26, quando deu testemunho diante do rei Agripa.
Ora, por que esse acontecimento está registrado três vezes na Palavra de Deus? Deus falou uma vez; nós não ouvimos. Ele falou duas vezes; talvez ouçamos o som vagamente. E são realmente necessárias três vezes para começarmos a perceber o que ouvimos. Sabem, somos tão lentos para ouvir.
Muitas vezes penso nisso durante a reunião de oração. Geralmente, eu provavelmente era o único sentado ali sem ouvir quase nada. Quando os irmãos se levantavam para orar, eu não conseguia ouvir uma palavra, porque tinha dificuldade para ouvir — era duro de ouvido.
E, espiritualmente falando, irmãos e irmãs, temo que todos nós sejamos muito lentos para ouvir. Como Deus precisa falar, falar e falar de novo, de novo e de novo, antes que ouçamos. Mas graças a Deus, Ele é tão paciente. Ele quer que ouçamos.
Creio que a razão pela qual esse testemunho de Paulo está registrado três vezes no livro de Atos é que Deus não queria apenas que ele ouvisse; Deus quer que nós também ouçamos.
Ele precisava daquela visão celestial para mudar sua direção, da destruição para a vida, das trevas para a luz. Irmãos e irmãs, todos nós precisamos ouvir essa voz. Precisamos ver o Justo. Precisamos receber essa revelação do Filho em nós.
Essa é a única maneira de nos desviarmos da destruição — da destruição eterna — para a vida eterna. Portanto, irmãos e irmãs, não estamos aqui apenas ouvindo algo que aconteceu com alguém, em algum lugar, dois mil anos atrás. Estamos aqui para experimentar exatamente aquilo que nosso irmão Paulo experimentou em sua vida.
Que o Senhor realmente nos ajude. Não estamos aqui como espectadores. Estamos envolvidos em algo muito sério. É uma questão de vida.
Graças a Deus, esse jovem, que havia determinado em seu coração apagar o nome de Jesus, pensava estar servindo a Deus. Fazia isso segundo o melhor do seu conhecimento, e seu conhecimento vinha das tradições dos pais.
Como é perigoso quando nossa vida é dirigida e governada pela tradição humana. Podemos ser muito sinceros e, ainda assim, estar muito errados. É somente pela graça de Deus que Ele muda nossa direção. Graças a Deus por isso.
Mencionamos ontem que essa visão era mais do que algo que Saulo ouviu e viu exteriormente. Ele de fato ouviu a voz que lhe dizia:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Ele a ouviu e realmente viu o Justo.
Mas ficou cego por causa do que viu; seus olhos físicos ficaram cegos. Contudo, graças a Deus, quando seus olhos físicos foram cegados pela luz e pela visão, seus olhos interiores foram abertos por Deus.
Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, a visão é mais do que simplesmente ver e ouvir. A visão é uma revelação. É uma revelação do alto. É a revelação do Pai a respeito de Seu Filho. Essa é a realidade da visão.
Esse jovem, Saulo, era senhor de si mesmo. Fazia aquilo que era certo aos seus próprios olhos. Mas ali, no caminho de Damasco, encontrou seu Senhor pela primeira vez.
É claro que, por sua formação judaica e por ter sido educado aos pés de Gamaliel, ele sabia que Deus era seu Criador. Mas esse entendimento intelectual não afetava sua vida. Podia saber que Deus era seu Criador e, ainda assim, viver como se tivesse criado a si mesmo.
Somente quando essa revelação veio é que ele percebeu que não era senhor de si mesmo. Tinha um Senhor no céu. Tinha um Senhor. Como ele se rendeu, como se entregou completamente ao seu Senhor.
“Senhor, Quem és Tu? Senhor, que devo fazer? O que queres que eu faça? Agora estou à Tua disposição. Reconheço que Tu me criaste com um propósito. Reconheço que sou como um boi selvagem, indisciplinado, não domado. Preciso ser domado para fazer a Tua obra.”
Irmãos e irmãs, isso é algo que precisa acontecer com cada um de nós. Não basta conhecer o Senhor Jesus apenas como seu Salvador, por mais precioso que isso seja.
Você precisa ver mais. Precisa ver que Ele não é apenas seu Salvador, seu Redentor, Aquele que o salvou da morte para a vida, mas é, ao mesmo tempo, seu Mestre, seu Senhor.
Você não é apenas um crente; é discípulo Dele. Não é apenas Ele que pertence a você; você pertence a Ele. Nada mais justo do que cada um de nós apresentar seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o nosso culto racional e nossa adoração espiritual.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, espero que cada um de nós aqui, salvo pela graça de Deus mediante o sangue do nosso Senhor Jesus, também aceite esse Jesus, que tanto nos amou, como Senhor e Mestre.
Infelizmente, encontramos muitos que são salvos, mas não plenamente salvos. Provavelmente muitos de vocês já leram o livro Contra a maré. Ele trata de outro jovem que, exteriormente, recebeu o cristianismo, mas, interiormente, rejeitou Cristo.
Era um jovem brilhante. Tinha todo o seu futuro planejado e, muito provavelmente, seria bem-sucedido em qualquer coisa a que se dedicasse. Mas um dia, quando ouviu o evangelho, soube em seu coração, desde a primeira noite, que aquela era a verdade. Jesus é o Salvador. Ele deveria aceitá-Lo como seu Salvador.
Mas não fez isso. A única razão era que não conseguia. Percebeu em seu coração que, se aceitasse Jesus como seu Salvador, ao mesmo tempo Jesus teria direito sobre sua vida. Ele não poderia mais ser senhor de si mesmo. Não poderia seguir seus próprios planos.
Por isso, esperou. Lutou. Mas graças a Deus, depois de alguns dias, enquanto orava em seu quarto, Deus lhe mostrou a negrura de seus pecados e o vermelho do sangue do Senhor Jesus.
O amor de Cristo derreteu seu coração, e ali mesmo, naquele momento, ele se entregou ao Senhor.
Irmãos e irmãs, essa deveria ser a história de todos nós. Devemos crer no Senhor Jesus de uma vez por todas. Todos devemos entregar nossa vida Àquele que nos amou tanto a ponto de dar a Si mesmo por nós. Como podemos continuar vivendo para nós mesmos?
O amor de Cristo nos constrange. Sabendo que Um morreu por nós, nós morremos; e já não vivemos para nós mesmos, mas para Aquele que nos amou e Se entregou por nós.
Foi isso que aconteceu no caminho de Damasco. Ali, esse jovem recebeu uma revelação do Filho de Deus — o Filho unigênito, o Filho eterno de Deus, um com o Pai, a imagem exata do Deus invisível, o Criador de todas as coisas, inclusive de você e de mim, e também a Cabeça da igreja, o corpo de Cristo.
Mas, irmãos e irmãs, se a visão é uma visão verdadeira, ela é dada por Deus. Não é para nossa especulação, nem apenas para nossa contemplação.
Quando uma visão é dada do alto, há um chamado por trás dela. Ao mesmo tempo, nosso Deus é o mais prático de todos. Muitas vezes pensamos que as coisas espirituais não são práticas. Pensamos que, quanto menos prático alguém é, mais espiritual se torna. Esse conceito está errado.
Na verdade, quanto mais espiritual você é, mais prático você é. Deus não desperdiça Sua revelação em nós simplesmente para que tenhamos um pensamento agradável. Quando Deus dá revelação e visão, Ele está falando sério.
Às pessoas que dizem ter uma visão, mas cuja visão nunca se transforma em vocação, chamamos de visionários — sonhadores, pessoas que sonham acordadas.
Se uma visão vem do alto, irmãos e irmãs, há um chamado por trás dela, chamando-nos a entrar nessa visão para que ela se torne parte do nosso ser. Não é algo vago, abstrato ou sem ligação com a realidade.
É algo que afeta nossa vida cotidiana. Dá-nos sentido na vida, propósito na vida, direção na vida, força na vida, perseverança na vida e disciplina na vida.
A visão precisa tornar-se vocação. A visão existe para a vocação, e a vocação nada mais é do que o cumprimento dessa visão.
Mas, é claro, para que a visão seja convertida em vocação, muita coisa está envolvida: muitas coisas práticas, muitos tratamentos, muitas provações e muitos sofrimentos. Somente a cruz transforma e converte nossa visão em nossa vocação.
Se rejeitarmos a operação da cruz em nossa vida, tornamo-nos visionários — nunca autênticos, nunca reais. Portanto, esse é um princípio que está diante de nós.
Agora vejamos como isso se aplica a esse jovem. No caminho de Damasco, ele viu a visão celestial. Irmãos e irmãs, creio que naquele momento, por causa da visão, ele foi literalmente elevado da terra ao terceiro céu.
Como aquela visão o ampliou. Como aquela visão aprofundou seu entendimento. Ela o elevou da terra ao céu. Ele encontrou um Homem universal: a Cabeça está no céu, e o corpo enche toda a terra.
Se você tem uma visão desse Homem universal, não pode mais ser pequeno. Você é ampliado, expandido. Mas graças a Deus, ao mesmo tempo, ela o reduz a nada — a algo tão pequeno. Por quê? Porque você é apenas um membro nesse Homem universal. Você não é, de modo algum, esse Homem.
Mas agora começa a disciplina: “Que devo fazer, Senhor? O que queres que eu faça? Aqui estou, à Tua disposição, pronto.”
Esse jovem acabara de ver aquela visão. Muito provavelmente, esperava que o Senhor dissesse: “Muito bem, levante-se. Vá e pregue às nações. Essa é sua missão de agora em diante.” Ele se levantaria e viajaria pelo mundo inteiro — não apenas pela Ásia, mas também pela Europa — para pregar o evangelho e cumprir sua missão.
Isso seria natural, porque era o que ele havia feito antes ao perseguir os discípulos do Senhor, procurando eliminá-los não apenas nas cidades judaicas, mas até nas cidades gentílicas. Ele era um perseguidor muito meticuloso.
Assim, tendo sido esse tipo de pessoa antes de encontrar o Senhor, Saulo naturalmente, enquanto estava prostrado no chão e dizia: “Senhor, o que queres que eu faça?”, esperava que o Senhor dissesse: “Muito bem, faça isto e aquilo”, e ele se levantaria e faria.
Ora, se ele tivesse feito isso, sabem o que aconteceria? Aquela visão nunca se tornaria sua vocação. Ele seria independente da Cabeça: “Tu dás a ordem e deixas os detalhes comigo. Sou perfeitamente capaz de cumpri-la.”
Ele seria independente de todos os membros do corpo de Cristo, como se ele próprio fosse o corpo. Não; o Senhor disse: “Não. Levante-se. Vá a Damasco, e ali lhe será dito o que quero que você faça.”
Outra surpresa.
Sabem, queridos irmãos e irmãs, quando penso em mim mesmo, no dia em que fui salvo, eu era tão grato a Ele. Era um jovem de quinze anos, recém-salvo, cheio de zelo.
No último dia da conferência, como era costume naqueles dias nas reuniões de avivamento, o tema era sempre a consagração. E, na minha época, consagração sempre significava consagrar-se para ser pregador ou obreira bíblica. Isso era consagração.
Ainda me lembro muito vividamente de um enorme mapa da China pendurado na parede da plataforma. O pregador começou a suplicar: “Oh, se vocês amam o Senhor, pensem em quanto o Senhor os amou e os salvou. Vocês devem entregar-se ao Seu serviço. Podem escolher aonde querem ir para servir.”
Eu era um jovem cheio de vigor. Disse: “Quero servir ao Senhor. Aonde devo ir?” Fui decidido até a plataforma e apontei o dedo para a Mongólia. “É para lá que quero ir servir.”
Por quê? Porque, para nós, chineses, a Mongólia era o lugar mais distante e mais difícil para servir. Era por isso que eu queria estar lá. Heroico!
Eu não conseguia esperar a ordem de Deus, que me diria o que Ele queria que eu fizesse. Estava pronto. Passei à frente Dele. Não riam de mim, porque eu estava falando sério.
Era meu último ano do ensino médio. Durante aquele ano, procurei reunir tudo o que dizia respeito à Mongólia. Queria conhecer a Mongólia. Estava determinado a ir.
Quando concluí o ensino médio, não queria ir para a faculdade. Seria desperdiçar quatro anos. Eu precisava me preparar para servir a Deus na Mongólia. Por isso, escolhi uma escola bíblica, a melhor que conhecia, pois eu era muito ativo no meio cristão. Conhecia os professores e tinha todos os meus planos definidos quanto ao que deveria fazer para Deus.
Graças a Deus, Deus despedaçou meus planos. Nunca estive na Mongólia. Ele tinha Seu plano para mim. Levei alguns anos para perceber isso.
Mas, irmãos e irmãs, aqui encontramos esse jovem, cheio de zelo, cheio de energia, cheio de planos. Mesmo depois de ter se entregado a Deus e recebido aquela visão de Cristo como Cabeça e da comunhão dos membros do corpo de Cristo, ele ainda não a compreendia. Para ele, era teoria; não era realidade.
Por isso, o Senhor tratou com ele. Sabem, isso é muito difícil para esse jovem. Se vocês já passaram por isso, sabem como é difícil.
“Vá a Damasco. Espere até que Eu envie alguém para lhe dizer o que quero que você faça.”
Ele se levantou. Seus olhos estavam cegos. Não conseguia ver. Sem poder fazer nada por si mesmo, precisou ser conduzido à cidade de Damasco. Ali, na rua chamada Direita, na casa de Judas, ficou três dias sem comer nem beber, apenas orando. Estava cego, jejuando e orando.
Na cidade de Damasco havia um homem chamado Ananias. Nunca havíamos ouvido falar dele antes. Esse homem, Ananias, era piedoso segundo a lei, e todos os judeus da cidade de Damasco podiam dar testemunho de sua piedade.
Mas ele também era um crente em Jesus Cristo. O Senhor lhe apareceu em uma visão: “Ananias.” E Ananias disse: “Senhor, eis-me aqui.”
Era um homem desconhecido do mundo, mas conhecido por Deus. Conhecia Deus; conhecia o Senhor Jesus. Assim, quando, na visão, Deus disse: “Ananias”, ele respondeu: “Eis-me aqui.”
O Senhor disse: “Vá à rua chamada Direita, àquela casa. Há ali um homem, Saulo. Ele está orando. Vá e abra seus olhos.”
E Ananias disse: “Senhor, tenho ouvido falar desse homem. Ele era tão famoso pela maneira como perseguia o Teu povo. Veio a esta cidade para prender aqueles que são Teus e levá-los amarrados a Jerusalém para serem julgados.”
O Senhor disse: “Vá. Ele é Meu vaso escolhido. Dará testemunho de Mim diante de muitas nações, reis e judeus. E sofrerá muito por Mim.”
Ao mesmo tempo, Saulo, enquanto orava, também viu em uma visão um homem entrar, impor as mãos sobre ele e abrir seus olhos.
Queridos irmãos e irmãs, a visão no caminho de Damasco ainda não havia terminado. Ela continuou dentro da cidade.
No caminho de Damasco, ele viu um Homem universal, um Homem irresistível, um Homem que enchia todo o universo, um Homem contra Quem nem mesmo as portas do Hades poderiam prevalecer.
Mas naquela cidade havia um pequeno homem, Ananias. Embora fosse conhecido em Damasco, era desconhecido em outros lugares — ao contrário de Saulo, que era bem conhecido não apenas em Jerusalém, mas cuja fama havia chegado a Damasco antes dele.
Deus usou um pequeno homem para ajudar um homem maior do que ele. Esse é o caminho de Deus. Irmãos e irmãs, esse é o caminho.
Aqui encontramos o Senhor ensinando uma lição a Saulo. “Você vê a Cabeça. Muito bem, essa é a vontade da Cabeça. Você se curvará a ela? Você vê o corpo. Mas não é uma teoria; é real. Agora você vê como o corpo funciona.”
Deus usou um pequeno homem para transmitir uma mensagem que humilharia aquele que, no futuro, seria um membro de maior destaque no corpo.
Irmãos e irmãs, quando vemos uma visão celestial, ela nos eleva ao terceiro céu. Mas precisamos descer. Precisamos ser reduzidos ao lugar em que Deus nos colocou. Não pense que existem apenas Deus e você.
Muitas vezes ouço pessoas dizerem: “Não me importo com vocês, irmãos e irmãs. Não me importo com ninguém. Somos meu Senhor e eu.” Muito espiritual!
Muitos anos atrás, nosso querido irmão Watchman Nee foi à Inglaterra. Isso foi em 1938 ou 1939. Ele foi visitar um senhor idoso. Naquela época, esse senhor tinha mais de noventa anos.
Se eu mencionar seu nome, provavelmente muitos de vocês o conhecerão: George Cutting, aquele que escreveu o livreto Segurança, certeza e desfrute. Esse livreto ajudou tantas pessoas.
Naquela época, ele tinha mais de noventa anos e estava acamado. Alternava entre momentos de consciência e inconsciência. Nosso irmão foi visitá-lo e sentou-se ao lado de sua cama, esperando que acordasse.
Quando acordou, viu nosso irmão. Sabem o que disse? Disse: “Não posso ficar sem Ele, e Ele não pode ficar sem mim.” Depois voltou à inconsciência.
“Não posso ficar sem Ele.” Bem, isso nós entendemos. Como podemos ficar sem nosso Senhor? Mas ele conhecia tão bem o Senhor que disse: “Ele não pode ficar sem mim.”
Existe esse relacionamento entre você e o Senhor. Você não pode ficar sem o Senhor, mas o Senhor não pode ficar sem você. Quanto Ele precisa de você! Você percebe isso? Que honra.
Quando nosso irmão voltou e contou a história, disse: “Vamos mudar isso. Vamos aplicar isso ao nosso relacionamento uns com os outros.”
É verdade: em nosso relacionamento com o Senhor, não posso ficar sem Ele, e Ele não pode ficar sem mim. Irmãos e irmãs, vocês já chegaram a esse ponto? Podem dizer: “Não posso ficar sem Ele”? Oh, talvez vocês digam: “Posso fazer muitas coisas sem Ele.” Mas um dia perceberão que não podem fazer nada sem Ele.
Mas quando chegará o dia em que você perceberá que Ele não pode fazer nada sem você? Maravilhoso, maravilhoso.
Mas ainda mais difícil é dizer: “Não posso ficar sem você” — você, outro membro do corpo. Somos membros uns dos outros. Como podemos fazer alguma coisa sem os outros membros do corpo de Cristo?
Se você vê a visão celestial, não pode mais ser independente. Não pode ser independente de Cristo, a Cabeça. Não pode ser independente de seus irmãos e irmãs.
A igreja é o corpo de Cristo. Esse corpo enche o universo. É a igreja universal. Todos os princípios espirituais estão na igreja universal.
Mas todos esses princípios espirituais do corpo universal precisam ser colocados em prática no corpo local, no lugar onde você está, onde convive com seus irmãos e irmãs dia após dia. Vocês estão em um relacionamento tão íntimo uns com os outros.
É ali que todos os princípios espirituais da igreja universal devem ser colocados em prática. Como isso o reduz ao lugar em que você deve estar.
Mesmo um pequeno membro — você precisa dele. Como precisamos uns dos outros. Isso nos humilha. Em certo sentido, nos reduz ao nosso lugar.
Quando Ananias — graças a Deus — obedeceu a Deus, foi àquela casa. Entrou e viu Saulo, cego e orando. Impôs as mãos sobre ele e disse: “Saulo, irmão.”
Sabem, esses dois homens jamais poderiam se encontrar. Esse jovem, Saulo, veio a Damasco para prender os que eram do Caminho, os crentes e discípulos do Senhor. Ananias era um dos alvos. Eram inimigos. Se se encontrassem, um deles teria de morrer.
Não podiam se encontrar. Contudo, Ananias foi até esse homem como se estivesse se oferecendo a ele. Por quê? Porque era o Senhor. O Senhor lhe disse que fizesse isso. Ele amava tanto o Senhor que estava disposto a sacrificar sua vida. Estava disposto a ir até seu maior inimigo porque cria no Senhor.
Então: “Irmão.” Creio que, naquele momento, não havia som mais doce para Saulo do que esse. “Você, meu inimigo; você, o alvo da minha busca; você, a quem vim prender, amarrar e levar a Jerusalém para ser julgado — você me chama de irmão?”
Isso deve ter derretido seu coração. Oh, irmãos e irmãs, como é doce ouvir: “Irmão.”
Algumas pessoas não querem ser chamadas de irmão. Querem ser chamadas de senhor ou doutor. Mas não há nome mais doce do que irmão ou irmã.
Éramos desconhecidos uns dos outros. Poderíamos até ser inimigos uns dos outros. Mas é o Senhor que nos reúne como irmãos e irmãs.
Então: “Irmão Saulo, Aquele que lhe apareceu no caminho — Jesus — enviou-me para abrir seus olhos e para que você seja cheio do Espírito Santo.”
Por que Ananias impôs as mãos sobre ele? Esperava-se que Saulo pusesse as mãos em Ananias. Mas, se Saulo tivesse posto as mãos em Ananias, Ananias estaria acabado. Em vez disso, Ananias impôs as mãos sobre Saulo, unindo-o ao corpo de Cristo.
Já não somos inimigos. Em Cristo, somos um. Ninguém pode nos separar de nossa Cabeça, nem uns dos outros no corpo.
Oh, irmãos e irmãs, essa é a prática da visão. Você já encontrou o pequeno homem? Ou quer apenas encontrar aquele Homem universal para poder flutuar no terceiro céu?
Se você não descer à terra, onde está com seus irmãos e irmãs, a visão não será prática.
Às vezes ouvimos pessoas dizerem: “Oh, amo todo o povo de Deus no mundo, mas não consigo amar aquele irmão que está comigo.” Se não conseguimos amar o irmão que vemos, como podemos amar os irmãos que não vemos? Como podemos amar o Senhor, a Quem não vemos?
Se não somos um com os irmãos e irmãs do lugar onde estamos — sempre em desacordo, sempre hostis, sem sequer falar uns com os outros, evitando uns aos outros, acusando uns aos outros — e, ainda assim, dizemos que amamos todo o povo de Deus, o que isso significa? “Sim, amo as pessoas de Londres, porque faz muitos anos que não vou lá.”
Isso é vocação. Nossa vocação é obedecer ao Senhor, mesmo que isso contrarie nossa vontade ou nosso desejo, mesmo que nos custe a vida. Obedeça. Ele é a Cabeça.
Nossa vocação é ser um com todos os irmãos e irmãs, demonstrar essa unidade onde estamos, para que o princípio espiritual da unidade do corpo de Cristo seja manifestado.
Ananias pôs as mãos sobre Saulo: “Irmão Saulo, Deus me enviou para abrir seus olhos.” Quando Saulo abriu os olhos, sabem quem viu? A primeira pessoa que viu foi Ananias. Viu seu irmão.
Não viu seu inimigo; viu seu irmão. Fico pensando se ele simplesmente se levantou e o abraçou.
Certa vez, quando eu estava na Índia, alguns irmãos foram se despedir de mim em uma estação. Todos entramos no trem e, antes de eu partir, todos nos ajoelhamos no trem e oramos. Depois da oração, um irmão enorme de repente me abraçou. Levei um susto!
Ele demonstrou seu amor por mim. Maravilhoso.
E sejas cheio do Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, o óleo cai sobre a cabeça de Arão, desce por sua barba e chega até a orla de suas vestes. Essa é a figura.
Quando nosso Senhor Jesus subiu às alturas, o Pai O ungiu com o Espírito Santo e O constituiu tanto Cristo como Senhor. Essa unção, esse Espírito Santo, desceu no dia de Pentecostes — fico pensando se essa seria a barba — e continuou a fluir até cobrir todo o corpo.
Enquanto você estiver unido ao corpo, recebe o Espírito Santo.
Saulo se levantou, comeu, foi fortalecido e permaneceu com os irmãos em Damasco. Entrava e saía com os irmãos em Damasco. Agora já não estava sozinho.
Ele não simplesmente saiu por conta própria para cumprir sua missão. Estava com os irmãos, proclamando que Jesus é o Filho de Deus.
Como podia fazer isso? Porque, no caminho de Damasco, aprouve ao Pai revelar Seu Filho nele. Assim, foi à cidade e começou a proclamar que Jesus é o Filho de Deus.
Depois, é claro, foi para o deserto da Arábia, onde passou alguns anos. Fico pensando se estava lendo o Antigo Testamento sob a nova luz de Cristo.
Então voltou e, com poder, demonstrava que Jesus é o Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, aonde quer que esse homem fosse, buscava comunhão. Quando saiu de Damasco em um cesto, foi a Jerusalém. Sabem o que desejava fazer acima de qualquer outra coisa? Desejava ter comunhão com os outros crentes.
Mas todos o evitavam. “Lá vem esse homem outra vez.” Ninguém acreditava nele. Mas havia um homem bom, um filho da consolação — Barnabé. Ele acreditou em Saulo, levou-o a Pedro, e então Saulo entrava e saía com os irmãos em Jerusalém.
Durante toda a sua vida, irmãos e irmãs, ele praticou o que viu. Não apenas pregou o que viu; praticou o que viu.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é isso que devemos ser. Não se tornem visionários — falando daquela visão, mas nunca estando nela.
A visão é dada para que você esteja nela e para que ela esteja em você. É sua vocação. Há um chamado ali. Sempre que uma visão é dada, sempre que uma revelação é dada, há um chamado.
Vocês se lembram de Isaías. Quando foi ao templo e teve a visão Daquele que estava no trono, a orla de Suas vestes enchia o templo, e os serafins clamavam:
Santo, santo, santo.
Imediatamente ele percebeu como era impuro:
Sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de lábios impuros.
Ele era um profeta e foi purificado pelo fogo do altar.
Então ouviu uma voz:
A quem enviaremos, e quem há de ir por Nós?
Ele respondeu:
Eis-me aqui; envia-me a mim.
Irmãos e irmãs, uma visão sempre vem acompanhada de um chamado. Algo muito prático.
Em Atos 9, o Senhor disse: “Este é um vaso escolhido para Mim.” Em Atos 22, Ele diz que Saulo foi escolhido para ser servo e testemunha. Em Atos 26, ele deveria dar testemunho do que havia visto e ouvido e do que lhe seria mostrado depois. Precisaria sofrer muito pelo Senhor.
Irmãos e irmãs, por isso ele diz em seu testemunho:
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Deus lhe concedera Sua graça, embora ele tivesse sido blasfemo e perseguidor. Ele reconheceu o que havia feito, mas Deus teve misericórdia dele e revelou Seu Filho nele.
Deus lhe dera aquela visão celestial: Cristo e a igreja, o corpo de Cristo, a plenitude Daquele que tudo enche em todas as coisas.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Por que a dupla negativa? Para dar ênfase. É fácil desobedecer, mas ele obedeceu, e obedeceu plenamente. Olhem para sua vida. Que transformação.
Como ele foi fiel. Estava sempre sob a autoridade de Cristo como Cabeça, conduzido pelo Espírito de Deus, nada fazendo por iniciativa própria, apoiando-se no Senhor.
Sofreu muito por causa do Senhor. Como cumpriu sua missão — não apenas na Ásia, mas atravessando o mar Egeu rumo à Europa — proclamando que Jesus é Senhor, não apenas com suas palavras, mas com sua vida.
Por fim, foi martirizado por Aquele que o chamou, fiel até o fim.
Queridos irmãos e irmãs, o Senhor espera o mesmo de nós. Ele nos concedeu Sua graça ao nos dar a visão celestial. Chamou-nos para sermos Suas testemunhas, mártires vivos por Ele.
Como temos obedecido.
Querido Senhor, o que podemos dizer? Tu nos amaste tanto. Tu nos deste tudo de Ti.
Tua mão está sobre nós. Para onde mais podemos ir? O que mais podemos fazer?
Oh, Senhor, aceita-nos. Em humildade, pedimos que nos aceites e nos faças vasos do Teu nome, vasos do Teu testemunho.
Que Tua vontade seja feita em cada um de nós. Que venha o Teu reino. Que Teu nome seja honrado.
Obrigado, Senhor. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.