Vocês poderiam abrir comigo, antes de tudo, na profecia de Isaías, capítulo 62? Vou ler apenas alguns versículos dessa maravilhosa profecia. É o próprio Messias Quem está falando.
Por amor de Sião, não Me calarei,
e, por amor de Jerusalém, não descansarei,
até que a sua justiça saia como um resplendor,
e a sua salvação, como uma lâmpada que arde.
E as nações verão a tua justiça,
e todos os reis, a tua glória;
e serás chamada por um nome novo,
que a boca do Senhor designará.
Serás também uma coroa de beleza na mão do Senhor,
e um diadema real na mão do teu Deus.— Isaías 62:1-3
Versículo 6:
Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus atalaias;
jamais se calarão, nem de dia nem de noite:
vós que fazeis lembrar ao Senhor, não descanseis,
e não Lhe deis descanso, até que Ele estabeleça Jerusalém,
e até que a faça objeto de louvor na terra.— Isaías 62:6-7
Agora, abram na profecia de Ezequiel, em Ezequiel 22:30:
E busquei entre eles um homem
que levantasse o muro
e se pusesse na brecha perante Mim, em favor da terra,
para que Eu não a destruísse;
mas a ninguém achei.— Ezequiel 22:30
Voltando a Isaías 59:16:
E Ele viu que não havia homem algum,
e admirou-Se de que não houvesse intercessor:
por isso, o Seu próprio braço Lhe trouxe a salvação;
e a Sua justiça O sustentou.— Isaías 59:16
Agora, abram no livro de Daniel, capítulo 9, a partir do versículo 1:
No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, que foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,
no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros o número dos anos de que falara a palavra do Senhor ao profeta Jeremias, para que se cumprissem as desolações de Jerusalém: setenta anos.
E voltei o meu rosto ao Senhor Deus, para O buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinzas.
E orei ao Senhor, meu Deus, e fiz confissão.— Daniel 9:1-4
Depois, no mesmo capítulo, a partir do versículo 20:
E, enquanto eu falava, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo Israel, e apresentava a minha súplica perante o Senhor, meu Deus, pelo santo monte do meu Deus;
sim, enquanto eu ainda falava em oração, o homem Gabriel, que eu havia visto na visão ao princípio, sendo levado a voar rapidamente, tocou-me à hora da oferta da tarde.
E ele me instruiu, e falou comigo, e disse: Ó Daniel, agora saí para te dar sabedoria e entendimento.
No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim para te declarar, porque és muito amado: considera, pois, a palavra e entende a visão.— Daniel 9:20-23
Agora, abram na Nova Aliança, no último livro da Bíblia, Apocalipse, capítulo 8, a partir do versículo 1:
E, quando Ele abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu por cerca de meia hora.
E vi os sete anjos que estão diante de Deus; e foram-lhes dadas sete trombetas.
E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o acrescentasse às orações de todos os santos sobre o altar de ouro que estava diante do trono.
E a fumaça do incenso, com as orações dos santos, subiu da mão do anjo perante Deus.
E o anjo tomou o incensário; e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra: e houve trovões, e vozes, e relâmpagos, e um terremoto.
E os sete anjos que tinham as sete trombetas prepararam-se para tocar.— Apocalipse 8:1-6
Apenas mais alguns versículos em Romanos, na carta aos Romanos, em Romanos 8:26-27:
E, da mesma maneira, também o Espírito ajuda a nossa fraqueza: porque não sabemos como orar como convém;
mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis;
e Aquele que sonda os corações sabe qual é a intenção do Espírito, porque Ele intercede pelos santos segundo a vontade de Deus.— Romanos 8:26-27
E, por último, na carta do apóstolo Paulo aos Gálatas, em Gálatas 4:19:
Meus filhinhos, por quem de novo sofro dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
— Gálatas 4:19
Podemos nos inclinar juntos para mais uma palavra de oração?
Amado Senhor, queremos Te agradecer porque, ao chegarmos a este período da tarde, Tu providenciaste uma unção para nós. Queremos nos firmar pela fé nessa unção — uma unção que nos deste por meio daquela obra consumada na cruz do Calvário.
Queremos nos firmar pela fé nessa unção para a proclamação da Tua Palavra, para a sua tradução e, Senhor, para ouvi-la.
Queremos nos opor a toda sonolência e a toda falta de atenção que às vezes surgem nas reuniões da tarde. Preenche este tempo com a Tua presença, Senhor, e que isto seja, acima de tudo, um encontro Contigo.
Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Acho que vocês sabem que me pediram para falar sobre oração e intercessão, e eu me limitei à batalha em oração. Falamos sobre a batalha em oração, sobre a estratégia divina, e conversamos sobre como devemos enfrentar o inimigo quando ele vem como uma inundação.
Quero falar nesta tarde sobre o chamado divino à intercessão.
Essa palavra, intercessão, assim como várias outras palavras nos círculos cristãos, tem sido muito desvalorizada.
Às vezes leio nos jornais seculares sobre “presidentes nascidos de novo”. Pelo que se ouve dizer, parece que metade dos Estados Unidos nasceu de novo. Quem dera as pessoas realmente tivessem nascido de novo.
Acho que boa parte do nosso evangelismo é como uma eleição presidencial: você toma uma decisão. Não há convicção de pecado. Não há aquelas semanas de angústia, até finalmente chegar ao arrependimento e nascer do Espírito.
De quantos mil e um problemas nas igrejas e comunidades seríamos poupados se as pessoas tivessem nascimentos espirituais saudáveis e fortes! Mas não é assim. Temos nascimentos muito deficientes, superficiais; e, com esses nascimentos deficientes, vêm todos os problemas que enfrentamos entre o povo de Deus.
Mas intercessão é outra dessas palavras. Por onde vou, as pessoas se aproximam de mim e dizem: “Sou intercessor”. Assim que alguém me diz que é intercessor, sei imediatamente que não é.
Porque qualquer pessoa que saiba alguma coisa sobre a verdadeira intercessão dificilmente ousaria chamar a si mesma de intercessor. Sim, você pode dizer que é uma pessoa de oração; que é alguém envolvido até mesmo na batalha em oração. Mas dizer: “Sou intercessor”… Acho que a maioria dos que são intercessores sente que ainda carrega uma placa de aprendiz.
De alguma maneira, sentimos que somos como estudantes universitários. Ainda não nos formamos. Continuamos sendo alunos na escola de Deus, recebendo treinamento e instrução.
Mas não existe chamado tão elevado quanto o chamado de um intercessor.
A intercessão começa onde terminam a oração — isto é, o derramar do coração em petições e pedidos — e a súplica — isto é, o apelo ao Senhor e a busca de uma resposta.
Não se trata de buscar uma resposta. Não se trata sequer de um apelo suplicante em si. Isso pode fazer parte dela mais adiante. Não se trata nem mesmo de simplesmente derramar o que está no seu coração.
A intercessão começa com o conhecimento da vontade de Deus.
Quando Deus revela qual é a Sua vontade em determinado assunto ou situação, então a intercessão começa.
O Senhor disse:
Ocultarei a Abraão o que farei com Sodoma e Gomorra?
O Senhor conversou com Abraão e lhe disse o que iria fazer. O Senhor sabia exatamente; em certo sentido, estava testando e provando Abraão — o caráter espiritual de Abraão —, e Abraão começou a interceder.
O Senhor falou com Moisés e disse — de uma maneira ainda mais, eu diria, se me permitem dizer isso com reverência, ainda mais sagaz, ainda mais astuta:
Afasta-te, Moisés. Estou irado com este povo. Vou destruí-lo, mas tomarei a ti, Moisés, e farei de ti uma nação.
Normalmente, esse apelo encontraria eco em alguma coisa dentro até mesmo de um servo do Senhor. Mas Moisés, quando soube o que estava na mente do Senhor, começou a interceder.
O mais extraordinário é a passagem que lemos em Isaías. Aqui está o Messias, e é como uma janela para o ministério de intercessão do Senhor Jesus.
Ele está orando pelos Seus, orando pelos eleitos, orando pelos redimidos. Está orando por Jerusalém. E diz que não descansará até que a luz dela saia como uma lâmpada que arde, uma tocha que queima; até que a justiça dela saia como uma luz até os confins da terra.
Ele não descansará até que isso se cumpra. Esse é o Seu propósito. Esse é o encargo no Seu coração. É por isso que Ele está intercedendo.
E então Ele diz:
Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus atalaias, que jamais se calarão, nem de dia nem de noite.
Não descanseis e não Lhe deis descanso,
vós que fazeis lembrar ao Senhor.
Agora, o extraordinário é que, no hebraico, essa é a palavra moderna que usamos para secretários. O Senhor está dizendo: “Vocês são Meus secretários. Vocês são aqueles que Me fazem lembrar”.
O que o secretário deve fazer é lembrar o chefe: “O senhor tem um compromisso a tal hora. Tem outro compromisso em tal momento. Hoje uma pessoa muito importante virá vê-lo”. Isso é alguém que faz lembrar.
O Senhor precisa de alguém que O faça lembrar?
Então, a primeira coisa que quero destacar ao falar sobre o chamado divino à intercessão é o mistério da intercessão. Por que o Senhor diz:
Vós que fazeis lembrar ao Senhor, não Lhe deis descanso e não descanseis até que Ele o faça?
Se o encargo do Senhor é fazer isso, por que Ele precisa de pessoas que O façam lembrar? Será que o Senhor — permitam-me dizer isso com reverência — está ficando velho, como eu estou começando a ficar?
É a primeira vez que um irmão aqui me chama de uma velha figura da casa. Não vou me esquecer disso — na minha intercessão por esse irmão.
Será que o Senhor está ficando velho, a ponto de Se esquecer? Será que começou a Se esquecer do que disse sobre o Seu propósito, sobre o Seu povo, sobre o Seu governo? É claro que não.
Então, por que o Senhor fala de pessoas que O fazem lembrar, como se Ele precisasse ser lembrado? Já vimos uma janela para o coração do Senhor Jesus, o Intercessor à direita de Deus. Ele está orando dia e noite pelos Seus, pelo Seu povo.
Por que, então, Ele diz:
Vós que fazeis lembrar ao Senhor?
Aqui está o mistério da intercessão: por que precisamos orar para que a vontade de Deus se concretize?
A oração pode — por favor, não entendam mal o que estou dizendo —, a oração pode não ter nada a ver com a vontade de Deus. Estamos derramando o coração, dizendo: “Senhor, farás isto? Farás aquilo? Farás aquela outra coisa? Estou preocupado com fulano”.
Não sabemos qual é a vontade de Deus. Mas a intercessão começa com o conhecimento da vontade de Deus. E aqui estamos nós, na presença do Senhor: por que precisamos orar para que se concretize aquilo que Deus já disse que fará?
Boa pergunta. Por quê?
Se o Senhor disse que fará, certamente fará.
Lemos uma pequena passagem em Isaías na qual o Senhor diz que Se admirou de que não houvesse intercessor, de que não houvesse homem algum; e, por isso, Ele próprio operou a salvação. O que é óbvio.
Mas li essa passagem porque o Senhor pode fazer tudo o que quiser. Teologicamente, é incorreto dizer que o Senhor tem uma necessidade, porque o Senhor não tem necessidade alguma. Somente Deus é totalmente autossuficiente.
Ainda assim, o Senhor tem uma necessidade no sentido de que diz: “Vocês precisam ser aqueles que Me fazem lembrar”. Por quê?
O Senhor não está sofrendo de Alzheimer. Sua mente não começou, de repente, a se perder. Ele não Se esqueceu do que diz. Não Se esqueceu dos Seus compromissos. Não Se esqueceu de todos os compromissos que ainda virão no cumprimento do Seu propósito para a era em que estamos vivendo.
Nada foi esquecido pelo Senhor. Ainda assim, o Senhor diz:
Vós que fazeis lembrar ao Senhor, atalaias sobre os teus muros.
Por que o Senhor precisa de nós? Tenho de dizer isto: ao nos introduzir e nos envolver no cumprimento do propósito de Deus, o Senhor introduziu uma quantidade enorme de problemas em Sua obra.
Ele estaria muito melhor sem nós. Muito melhor.
Afinal, quando Ele disse:
Haja luz.
Houve luz. Ele não tinha um monte de gente dizendo: “Quer dizer, o que Ele está querendo dizer? Como podemos fazer isso? Por qual caminho devemos ir?” — discutindo com Ele, murmurando contra Ele, e Ele tendo de Se conter e dizer: “Bem, ainda não vou dizer isso”.
O Senhor poderia fazer tudo isso sem você e sem mim. Ele não precisa de você nem de mim.
Por que, então, Ele fala de nós como atalaias que Ele próprio colocou sobre os muros?
Muitas vezes pensamos nos vigias como senhores muito idosos, aposentados, que querem ganhar um dinheirinho, e então os colocamos como vigias. Mal conseguem enxergar, mal conseguem ouvir, mal conseguem andar, mas os colocamos como vigias.
E assim criamos uma ideia — especialmente vocês, mais jovens — de que todos os intercessores são desdentados, velhos e, como disse o nosso irmão, estão se apagando.
Sabe, é a ideia de que a intercessão pertence às pessoas quando elas já estão quase entrando cambaleando no reino de Deus, no fim da vida. Bem, deixamos isso para elas. Não podem fazer mais nada. Não servem para mais nada, mas podem orar.
Agora, agradeço a Deus por cada pessoa idosa que ora. Conheço muitas que realmente oram; eu as valorizo. Mas um atalaia — se você trocar a palavra atalaia por guarda de segurança, agora entendeu.
Você pensaria em colocar sobre os muros de Jerusalém um guarda de segurança que não consegue enxergar, que não consegue ouvir, que não consegue correr, que não tem força nem capacidade? É claro que não.
Isso muda todo o conceito de intercessão.
Vós que fazeis lembrar ao Senhor.
Li para vocês aquela pequena passagem de Daniel porque ela é tão impressionante.
Ali estava Daniel. Ele era um dos homens mais poderosos de um dos maiores impérios que o mundo já viu. Havia apenas dois ou três homens acima dele, antes do próprio sultão ou imperador.
E, ainda assim, ele tinha tempo para se preocupar com o propósito de Deus, com as alianças de Deus, com o povo de Deus, com o cumprimento da vontade de Deus nos seus dias e na sua geração.
O extraordinário em Daniel é que, no seu tempo devocional, ou quando quer que fosse, ele estava lendo o livro de Jeremias, e, de alguma forma, o Espírito Santo iluminou a página e aquela expressão: “Setenta anos. Setenta anos”.
O mais extraordinário é que o Senhor revelou a Jeremias quando começaram os setenta anos, o que sempre foi um problema para muitos estudiosos da Bíblia. Não para Jeremias, nem para Daniel. O Espírito Santo revelou isso a ele.
Não começaram com Zedequias. Começaram com Jeoaquim. E então ele entendeu: “Meu Deus, faltam apenas dois ou três anos para os setenta anos terminarem”.
Como já disse muitas vezes — alguns de vocês já me ouviram dizer isso —, se ele fosse um bom carismático, teria dito: “Louvado seja o Senhor! Vamos fazer uma festa. Uma festa espiritual. Vamos reunir os amigos, compartilhar o kuchen, o bolo, e nos soltar. Vamos nos reunir e ter um tempo maravilhoso de louvor”.
Em vez disso, ele veste pano de saco, põe cinzas sobre a cabeça, jejua e ora — quase, quase como se o Senhor não fosse fazer aquilo.
Isso é o mais extraordinário. Revela para mim o tipo de caráter espiritual que Daniel tinha. Ele compreendeu mais do que muitos santos do Novo Testamento: que, de uma forma ou de outra, embora o Senhor tivesse dito que seriam apenas setenta anos, e os setenta anos estivessem perto de se completar, tudo aquilo precisava ser trazido à realidade pela oração.
Alguém precisava se posicionar ao lado do Senhor. Por quê?
Imagino que Daniel tenha pensado: “Por que preciso fazer tudo isso?” Algo dentro dele, o Espírito de Deus dentro dele, disse: “Daniel, você precisa confessar o pecado. Precisa se ajoelhar. Precisa jejuar. Precisa se agarrar ao Senhor”.
Vocês sabem que essa oração de Daniel pôs em movimento rodas dentro de rodas dentro de rodas? De repente, por assim dizer, todo o mundo invisível estava em movimento, mobilizado. O príncipe da Grécia e o príncipe da Pérsia travaram uma luta por causa dessa oração.
E, um pouco mais tarde, quando o anjo veio, ele disse: “Sinto muito, fui impedido de chegar durante três semanas”. Para alguns de vocês, isso deve soar como um conto de fadas, mas, na verdade, é impressionante.
Daniel viu o Messias. Viu que, de alguma maneira extraordinária, o retorno do povo a Jerusalém, a reconstrução de Jerusalém, a reconstrução de Belém, a reconstrução de Nazaré, a reconstrução da Galileia, a reconstrução da casa do Senhor em Jerusalém tinham alguma relação com a vinda do Messias e com a salvação não apenas do povo judeu, mas também das nações.
Podemos facilmente dizer: “Olhe, olhe, olhe, espere um pouco. Deus teria feito isso sem Daniel”. Certíssimo. O Senhor poderia facilmente ter feito isso sem Daniel.
Mas o Senhor está nos treinando. Esse é o ponto. Esse é o ponto. Ele está nos treinando. Está nos instruindo.
Então o Senhor diz: “Não vou fazer isso. Aqui está a Minha vontade; aqui está a Minha vontade revelada. Mas quero que vocês participem e orem para que ela se concretize”.
Sabe, diz em algum lugar no início da carta aos Colossenses que resta alguma coisa dos sofrimentos de Cristo para nós completarmos. Ora, essa é uma declaração misteriosa, não é?
Os sofrimentos de Cristo conquistaram a nossa salvação. Não podemos acrescentar nada a ela. E, ainda assim, de alguma maneira extraordinária, com base no princípio da comunhão, o Senhor diz: “Quero que vocês participem da comunhão dos Meus sofrimentos”.
“Você não pode conquistar a salvação do mundo, mas pode, ao menos, ter comunhão nos Meus sofrimentos. Deixarei uma parte para você.”
É exatamente a mesma coisa nessa questão do cumprimento da vontade de Deus. O Senhor diz: “Eu poderia fazer isso sem você, e seria muito mais fácil fazê-lo sem você. Mas não quero. Quero que você participe disso”.
“Por isso, deixei algo que exige que vocês se levantem como povo de Deus. Vocês precisam se tornar aqueles que Me fazem lembrar. Precisam ser atalaias sobre os muros de Jerusalém. Terão de orar dia e noite. Não Lhe darão descanso, nem descansarão, até que Ele faça isso.”
Espero estar me fazendo entender.
Quando vocês chegam ao livro de Apocalipse, não acham que essa é uma janela impressionante?
Vimos uma janela para o coração do Messias e para aquilo que Ele quer que sejamos com Ele. Vimos outra janela em Daniel, para o que significa orar até que a vontade de Deus se concretize. Mas agora, em Apocalipse, capítulo 8, de repente encontramos os sete selos concluídos, as sete trombetas prestes a começar, e, de repente, há silêncio no céu durante meia hora.
Isso seria uma prova para muitos santos. Silêncio durante meia hora. Ninguém pronunciou uma palavra.
E então João viu esse anjo tomando incenso e acrescentando-o às orações dos santos.
E, quando esse incenso — que representa todas as excelências e belezas do Senhor Jesus, todos os efeitos do Seu caráter e da Sua obra consumada — é acrescentado às orações daqueles pobres intercessores, indignos e inúteis, quando isso sobe ao céu, alguma coisa acontece.
Quem dera coisas assim acontecessem nas nossas reuniões de oração. Não sei quanto a relâmpagos, trovões, um terremoto e mais algumas coisas, mas quem dera alguma coisa acontecesse.
Isso é intercessão. É quase como se o Senhor dissesse: “Não vou dar início às trombetas, com todos aqueles estágios do cumprimento do propósito de Deus, a menos que Eu tenha os Meus intercessores”.
Espero mesmo ter deixado clara essa questão do mistério. Você nunca será um intercessor se primeiro não encarar o mistério da intercessão.
O Senhor não precisa de mim, mas me chama. O Senhor pode fazer isso sem mim, mas diz que não o fará a menos que eu, em comunhão com Ele, aprenda a orar para que isso se concretize.
Essa é a primeira coisa que quero dizer nesta tarde. E a segunda é o chamado divino à intercessão.
O chamado é para cada filho de Deus, por mais jovem ou idoso que seja. Não é para uma elite nem para alguma categoria especial. É um chamado para toda a família da fé.
O chamado para ser intercessor é o mais elevado de todos. Alguns podem pensar que estou entrando em heresia com isso. Pessoalmente, não creio que seja assim.
Creio que é o mais elevado de todos os chamados — mais elevado que o de apóstolo, mais elevado que o de profeta, mais elevado que o de pastor, mestre ou evangelista.
O chamado mais elevado ao qual você e eu podemos responder é o chamado para ser intercessor. Nem todos podem ser apóstolos. Nem todos podem ser profetas. Nem todos podem ser pastores. Nem todos podem ser mestres. Nem todos podem ser evangelistas. Mas todos podem ser intercessores.
Para ser intercessor, você precisa aprender a reconhecer a mente do Senhor e o coração do Senhor. Precisa andar com o Senhor.
Não é uma engrenagem. Não é uma metodologia. Você precisa andar com o Senhor.
Quero ter muito cuidado com o que digo, mas talvez vocês entendam se eu colocar desta maneira. É errado falar do Senhor assim, mas talvez isso ajude a transmitir alguma coisa: vocês precisam compreender as disposições do Senhor.
Vocês precisam ser tão sensíveis que o encargo no coração do Intercessor possa transbordar para o coração de vocês pelo Espírito Santo.
Você acorda um dia com um encargo. Mal sabe por quê, mas tem um encargo. De onde ele vem? Veio do Senhor. Veio do Intercessor, pelo Espírito de intercessão.
Isso é demais para vocês?
Tudo começa com os passos mais simples.
Não tenho dúvida de que muitos de vocês, especialmente os mais jovens, pensam: “Bem, não sei o que estou fazendo aqui nesta tarde. Isso é para os idosos — especialmente as senhoras idosas. Quer dizer, isso não é para nós. Estou desperdiçando uma tarde sentado aqui, ouvindo tudo isso sobre intercessão. Isso é para uma categoria especial de pessoas no corpo de Cristo”.
Isso não faz sentido.
Para se tornar intercessor, você começa com os passos menores e mais simples. Você se entrega ao Senhor, ao Seu senhorio. É uma entrega total.
Fui salvo pouco antes de completar treze anos. Não tinha nenhuma formação cristã. Nunca havia entrado num lugar de culto cristão. Na verdade, nunca havia entrado em nenhum lugar de culto religioso de qualquer espécie.
Nunca havia lido a Bíblia. Não conhecia o Pai-Nosso. Felizmente, fui dispensado das orações na escola onde estudava. Minha mãe escreveu uma carta ao diretor dizendo que eu deveria ser dispensado, e assim foi. Eu era muito grato por isso, devo acrescentar. Pelo que ouvia dos outros meninos, achava aquilo terrivelmente entediante.
Mas, quando fui salvo, ouvi o pastor Alan Redpath. Ele tinha apenas trinta e um anos. Era jogador de rúgbi de nível internacional, muito cheio de vida, muito atualizado para aquela época.
E ele disse: “A reunião de oração é a reunião mais importante na rotina da igreja, e eu sempre estarei nela”.
Alguma coisa entrou no meu coração, e me tornei a pessoa mais jovem que já havia frequentado a reunião de oração deles. Era toda segunda-feira à noite, num velho salão de igreja com cheiro ruim — típico daqueles lugares: malcheiroso, empoeirado, com piso de madeira.
A primeira coisa que me impressionou foi que Alan Redpath, que tinha bem mais de um metro e oitenta, se ajoelhava no chão de madeira. Aquilo me marcou para o resto da vida.
Eu o considerava um homem tão grande, um pregador tão maravilhoso; e vê-lo de joelhos toda segunda-feira à noite! Outra coisa que me impressionou foi que todos os outros líderes da igreja estavam ocupados demais para estar ali.
Todos tinham desculpas maravilhosas — grandes empresários, compromissos, não poderiam de modo algum estar presentes. Acho que um vinha de vez em quando, e outro com um pouco mais de regularidade, mas era só.
Agradeço a Deus por aqueles tempos.
Levei algumas repreensões. Lembro-me bem do irmão idoso que se levantava e orava, retorcendo as mãos: “Ó Senhor, oramos pelas nossas irmãs”. Tínhamos cerca de vinte senhoras que eram missionárias — nenhum homem entre elas.
Ele orava, retorcendo as mãos, muito parecido com o que os judeus fazem — embora ele não fosse judeu —: “Ó Senhor, oramos pelas nossas irmãs, para que sejam pescadoras de homens”.
Achei aquilo tão engraçado que caí na gargalhada. Eu era apenas um menino; não sabia de mais nada.
Havia também a irmã que sempre dava bronca em mim e na minha irmã. Cada vez que apenas sorríamos, ela vinha até nós e dizia: “Vocês precisam ser reverentes na casa do Senhor”.
Então nos pediram que orássemos pelo irmão Roberts. Ele tinha uma perna ruim. E ela disse: “Ó Senhor, oro pelo irmão Roberts. Passei a noite inteira com a perna dele no meu coração”.
Eu tinha apenas treze ou quatorze anos. Essa foi a minha introdução à oração.
Havia na igreja uma senhora sueca que passei a conhecer como tia Dagmar. Eu sempre a chamava de minha tia sueca. Ela praticamente adotou minha irmã e a mim. Morava numa enorme mansão ali perto, e eu costumava ir até lá para orar.
Então veio aquela ocasião famosa em que tia Dagmar chamou todos os empregados. Ela tinha cerca de dez homens e mulheres que cuidavam daquela propriedade maravilhosa e do jardim. Disse: “Houve um furto, e levaram joias muito valiosas e outras coisas”.
Ela disse: “Perguntei ao Senhor quem foi, e o Senhor me revelou”. Então todos perguntamos: “Quem foi?” Ela disse: “Foi o limpador de janelas”.
O superintendente da polícia viria naquela manhã, e fomos todos orientados a nos ajoelhar e orar para que o Senhor fizesse esse homem ser preso. E assim fizemos.
Ela me disse que eu poderia ficar quando o superintendente chegasse. Eu tinha apenas quatorze anos, e a ouvi dizer a ele — ele perguntou: “A senhora suspeita de alguém?” “Sim”, ela disse. “Foi o limpador de janelas.”
Ela disse, no seu inglês com sotaque sueco: “Superintendente, somos todos cristãos nesta casa. Oramos, e Deus nos mostrou que foi o limpador de janelas”.
“Minha senhora”, ele disse, “a senhora precisa ter muito cuidado. Vamos verificar se esse homem consta nos nossos registros, se tem algum antecedente.”
O superintendente voltou alguns dias depois e disse à tia Dagmar: “Ele está limpo. Nós o seguimos. Nós o observamos. Ele não tem antecedentes, nenhum antecedente criminal”.
Mas tia Dagmar estava ainda mais convencida. Ela disse: “Ah, não, não, superintendente. O Senhor nunca mente. Ele nos disse que foi o limpador de janelas. Todos nós oramos”.
“Minha senhora”, ele disse, “a senhora pode dizer isso a mim. Não diga isso fora desta casa, ou poderá enfrentar um processo por difamação.”
Bem, alguns dias depois, o limpador de janelas viria fazer o serviço. Tia Dagmar teve a ideia mais extraordinária: subir ao seu quarto e ficar debaixo da grande cama de casal enquanto ele limpava as janelas.
Todos os empregados imploraram que ela não fizesse aquilo. “Não”, ela disse, “estou decidida.” Subimos. Levantamos a cama. Ela se deitou de costas. Abaixamos a cama e colocamos a saia da cama no lugar.
Ela sofria de asma, então, naturalmente, as empregadas ficaram bastante preocupadas. Todas a amavam muito. Mas descemos todos — eu junto com eles — para orar.
Não estávamos orando havia muito tempo quando ouvimos um grito terrível vindo do quarto. Todos nos levantamos num salto e subimos correndo as escadas. Lá estava tia Dagmar, saindo debaixo da cama, com o rosto vermelho como o de um peru.
Ela disse: “É ele! É ele!”
Ele estava limpando as janelas tranquilamente. Ela sentia cada vez mais calor e pensava: “Ah, fui muito tola ao fazer isso. O homem é inocente. Eu deveria ter ouvido o superintendente”.
Então, de repente, ela o ouviu assobiar para o outro limpador de janelas e dizer: “Bert, está livre”. Depois ouviu a janela ser aberta. Ele entrou, andou pelo quarto, abriu a porta e a fechou, abriu a porta e a fechou. O coração dela começou a bater bastante rápido.
Então ele deu a volta até o lado da cama e não conseguiu abrir a gaveta de baixo. Por isso, abaixou-se, puxou a gaveta e sentou bem em cima da tia Dagmar. Foi aí que ouvimos o grito.
Agora vocês podem entender quais passos simples me levaram a ser intercessor. Percebi que a oração não é tolice. Há realmente alguma coisa nela. Aquilo fez algo em mim. Compreendi que a oração era uma realidade.
Foi assim que me juntei a uma pequena reunião de oração na comunidade que havia sido formada por Paul. Era um grupo de cerca de vinte pessoas, a maioria de cabelos grisalhos ou brancos, e muitas delas — a maioria — eram senhoras.
Todos os outros jovens me diziam: “Você não vai lá, vai? O que é que você vai fazer com aqueles velhos?” Mas eu me senti chamado a orar junto com outro jovem. Nós dois fomos e oramos.
Sabe, aquilo mudou a minha vida. Porque, naquela reunião de oração, orávamos por duas irmãs, a doutora O’Hanlon e Lucy Steele. Elas estavam no lado indiano da fronteira com o Nepal.
O Nepal era uma terra fechada. Nenhum missionário tinha permissão para entrar. Naquela época, nenhum nepalês podia se tornar cristão.
Essas duas irmãs tinham uma palavra do Senhor de que Ele as levaria para o reino do Nepal, e elas veriam uma igreja ser plantada no Nepal.
Parecia loucura. Alguns jovens me diziam: “Você só pode estar maluco. O Nepal nunca vai se abrir. Está tão mergulhado, tão arraigado no hinduísmo, na forma mais militante do hinduísmo. Você nunca, nunca, nunca verá coisa alguma ali”.
Mas nós oramos, e oramos, e oramos.
Então chegou o dia em que veio um telegrama da Índia, e ele dizia apenas: “Entraremos no Nepal amanhã de manhã”.
Daquelas duas irmãs surgiu toda a obra do Senhor no Nepal — por toda parte, comunidades, igrejas. Alguns de vocês sabem disso muito bem.
Isso mudou a minha vida. Pensei comigo mesmo: essas queridas pessoas idosas nunca estiveram em Downing Street. Nunca estiveram na Casa Branca. Nunca estiveram no Kremlin. Nunca estiveram em nenhum centro de poder.
Mas essas pessoas idosas, de joelhos na presença de Deus, fizeram história. Romperam um decreto nacional, um decreto real, que dizia que nenhum missionário jamais entraria no reino do Nepal.
Então pensei comigo mesmo: não existe nada mais empolgante.
Se eu tivesse um emprego em Downing Street, me sentiria importante. Se tivesse um emprego na Casa Branca, talvez me sentisse importante. Se andasse pelos corredores do poder das nações ou das Nações Unidas, talvez pensasse que era importante.
Mas o filho de Deus mais humilde, mais jovem ou mais idoso pode ser um intercessor na sala do trono do universo.
E pode ver o propósito de Deus neste Livro realmente se materializar, realmente se cumprir. Pode ver o Espírito de Deus tomar promessas e declarações deste Livro, e ser fortalecido pelo Espírito de Deus em toda a batalha para se firmar nessas promessas e declarações e vê-las cumpridas.
Alguns anos depois, eu estava no Egito. Acho que aquele foi um grande ponto de virada para mim em toda essa questão da oração.
Eu era um jovem muito arrogante. Toda a igreja de onde eu vinha poderia testemunhar isso. Sempre dizia o que pensava, o que não era diplomático.
Fiquei doente, e os missionários em Ismailia disseram: “Você precisa se recuperar em Port Said. Há duas missionárias muito piedosas lá”.
Um dos missionários me disse: “Agora, Lance, tome cuidado. Você gosta de rir. Elas são muito sérias. Vão colocar você no seu lugar”.
Mas, quando fui, foi a primeira vez que conheci Alexandra Liblich e Kathleen Smith. Desde o momento em que nos encontramos, houve uma sintonia entre nós.
Mas fiquei cada vez mais intrigado, porque me parecia que elas recebiam cartas de todo o Oriente Médio, telefonemas de todo o Oriente Médio e, às vezes, telegramas. Para mim, parecia um serviço de inteligência.
Essas duas senhoras idosas, aliás, estavam aposentadas da missão. Aparentemente, eram velhas demais para continuar.
Eu as ouvia conversar, porque estava por dentro de tudo, mas elas não me deixavam orar com elas. Eu estava me recuperando.
Mas eu ouvia tia Kathleen dizer: “Alex”, e então ouvia passos pelo corredor e uma porta se fechando. Eu não as via durante uma hora.
Depois, um pouco mais tarde, o telefone tocava à noite, durante o jantar, e eu ouvia uma delas dizer: “Sim, sim, sim, alcançamos a vitória hoje de manhã, às onze horas”.
Então pensei: “O que é isso?” Perguntei: “A que denominação vocês pertencem?”
“Ah”, disse Alex — Alexandra Liblich —, “pertencemos a uma igreja em Honor Oak.”
Então eu disse: “Essa é a denominação mais estranha de que já ouvi falar”.
“Bem, quem é o pastor?”
“Bem, temos vários”, ela disse.
“Vários?”, eu disse. “Bem, me dê um nome.” Na minha arrogância, pensava que, por vir da Igreja Batista de Duke Street, em Richmond, conhecíamos tudo e todos que tinham alguma importância.
Ela disse: “Theodore Austin-Sparks”.
“Nunca ouvi falar dele”, eu disse.
Então, um dia, elas bateram na porta do meu quarto e disseram: “Lance, você gostaria de se juntar a nós?”
Ora, eu estava ansioso para participar daquilo. Ficava imaginando o que acontecia no quarto quando aquelas duas estavam ali. Aquilo me parecia quase estranho. O que estavam fazendo? Por que todas aquelas coisas estavam acontecendo? Como tinham aquele tipo de contato com todo mundo no Oriente Médio?
Quando finalmente disseram: “Você quer se juntar a nós?”, respondi da maneira mais inglesa possível: “Ah, seria muito agradável”.
Mas eu estava morrendo de vontade de entrar. Quando cheguei lá, meus olhos estavam arregalados como registros de órgão, e meus ouvidos pareciam equipamentos de radar. Eu estava esperando para ver.
Primeiro, elas leram a carta. Depois, conversaram entre si sobre ela. Então se voltaram para mim e disseram: “Você entende?” Eu não entendia muito bem, então explicaram um pouco mais sobre aquela situação em algum lugar — acho que era Damietta, no Egito.
Depois se ajoelharam. Uma disse à outra: “Você tem alguma passagem das Escrituras, querida?”
A outra disse: “Bem, sabe, desde bem cedo hoje, por volta das duas da manhã, quando me levantei, tenho estado em Obadias — aqueles soldados”.
Pensei: “É mesmo? Mas eu nunca li Obadias. Nunca ouvi falar de pessoas orando com base num versículo de Obadias”. Nunca tinha ouvido nada parecido.
Então elas se ajoelharam, e eu nunca tinha visto nada parecido. Oravam com tanto poder, com tanta firmeza, com tanta determinação. Não eram orações longas — numa direção, depois naquele outro lugar, depois em outro. É claro que eu não conseguia participar; não saberia o que dizer.
Então, de repente, depois de mais ou menos uma hora, uma delas disse: “Você acha que já alcançamos a vitória?” “Não, ainda não”, disse a outra.
Continuaram por mais meia hora e, finalmente, começaram a louvar o Senhor.
Para mim, aquilo era muito parecido com os canhões que vocês veem nos navios de guerra quando os bombardeiros inimigos vêm em mergulho. Vocês os veem girando os canhões, bum, bum, contra aquilo, sabe, esse tipo de coisa. Elas estavam mirando o inimigo para abatê-lo.
Agora, não estou dizendo que, toda vez que oravam, recebiam uma resposta. Não, não, não. Havia coisas pelas quais oravam durante anos.
Isso mudou a minha vida. Pela primeira vez, compreendi que a guerra espiritual não é uma lenda nem um conto de fadas, nem algo meramente bíblico que relegamos à história, como a queda dos muros de Jericó ou a lua parada.
Compreendi: é realidade.
Se você não entrar nos bastidores e assumir o enfrentamento das situações nos bastidores, em nome do Senhor; se não aprender qual é a vontade de Deus em determinada situação, conforme o Espírito Santo a aplica, e não tomar a Palavra para enfrentar decisivamente aquela situação, então é quase como se Satanás assumisse o controle do mundo inteiro.
Aprendi tanto por meio daqueles passos simples.
Esse é o chamado. Se você não der o primeiro e mais simples passo, nunca chegará ao trono de Deus.
Por que acho que o intercessor é ainda mais precioso para o Senhor do que o apóstolo ou o profeta? Porque está mais perto do coração do Senhor. É por isso.
Ele tem verdadeiramente uma comunhão nupcial com o Senhor.
Portanto, esse é um chamado tremendo para todos os crentes, seja quem você for.
Se vocês, jovens, forem esperar até envelhecer, vejam, o inimigo é muito esperto. Ele diz a vocês: “Não se envolvam nesse tipo de coisa. Isso é para os idosos”.
Então vocês se formam, se casam, têm filhos, e o inimigo vem e diz: “Não se envolvam. Estão ocupados demais”.
“Esperem até ficarem um pouco mais velhos.” Então chega a meia-idade. Depois começa aquela barriguinha da meia-idade. Vocês não têm disposição.
Então o inimigo diz: “Esperem até se aposentarem. Aí poderão fazer isso”.
E então, quando vocês mal conseguem enxergar, mal conseguem ouvir e mal conseguem andar, o inimigo vem e diz: “Não tentem interceder. Vocês são velhos demais”.
Como o inimigo é esperto em toda essa questão.
Comece.
Gostaria de dizer alguma coisa sobre o custo de se tornar intercessor. Ser intercessor custa a sua vida inteira.
Não é uma questão de minutos por dia, de uma hora por dia, de um dia por semana ou até de alguns dias por ano. Para ser intercessor, o Senhor quer você.
Na verdade, em outras palavras, a oração é a menor parte da intercessão.
Sei que isso vai provocar um pouco de: “O que ele quer dizer? Intercessão tem de ser oração”. Não, não, não. A oração são palavras.
Na intercessão, a menor parte é a oração. Quando você consegue verbalizar, quando consegue colocar o encargo em palavras, encontra alívio. Mas o encargo muitas vezes está dentro do espírito, no coração.
Espero que vocês estejam entendendo o que estou dizendo.
O Senhor quer a sua vida inteira.
Existe uma ideia equivocada sobre a intercessão — já fiz referência a ela — de que, para ser intercessor, você precisa estar tão voltado para as coisas celestiais que não tenha nenhuma utilidade terrena.
Em outras palavras, se você é uma daquelas pessoas que não conseguem colocar um plugue na tomada, não conseguem preparar uma refeição, não conseguem lavar um chão, não conseguem criar um bebê — se é uma daquelas pessoas que simplesmente não têm senso prático —, então você é intercessor.
É a ideia de que todos os intercessores são basicamente pessoas sem senso prático. Isso não faz sentido.
Daniel era o maior estadista da sua época. Sua mesa estava cheia de documentos. Nenhum homem era mais ocupado, e nenhum homem era tão grande intercessor.
Na nossa tradição judaica, não colocamos Daniel entre os Profetas. Embora, para a maioria dos cristãos, Daniel seja o profeta supremo, nós o colocamos nos Escritos, porque dizemos que o verdadeiro chamado de Daniel era ser intercessor.
Deixem-me tentar explicar isso um pouco mais. Todos os maiores intercessores que conheci eram pessoas extremamente práticas: donas de casa, mães, empresários, até atletas.
Muitas pessoas, especialmente os homens, ficam com a ideia: “Ah, para ser intercessor, você precisa ser uma senhora delicada e esguia. Um homem que joga futebol americano — intercessor?”
Quem dera houvesse mais homens na intercessão.
Paulo expressou isso lindamente. Foi assim que ele disse. Ouçam com atenção:
Meus filhinhos, por quem de novo sofro dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
— Gálatas 4:19
Ele já havia passado por isso antes.
Por quem de novo sofro dores de parto.
Para que Cristo fosse formado; e há um pequeno prefixo no grego: plenamente formado em vocês.
O apóstolo havia sofrido dores de parto, e a palavra no grego significa a dor do nascimento, as dores de parto. Ele já havia sofrido dores de parto pelo nascimento espiritual deles. Agora estava sofrendo dores de parto para que Cristo fosse plenamente formado.
Ah, quem dera houvesse mais pessoas na casa de Deus que orassem para que Cristo fosse plenamente formado naqueles que encontraram o Senhor.
Esse tem de ser o trabalho do pastor e do mestre.
É interessante que o próprio apóstolo era intercessor. Vocês veem isso em todas as suas cartas. Ele faz referências — não extensas — pelas quais compreendemos que esse homem sabia o que era orar. Sabia o que era interceder.
Um profeta é intercessor porque Deus nunca dá visões para provocar curiosidade ou fascínio. A maioria dos profetas com discernimento profético é composta de intercessores. Não poderiam ser outra coisa.
Entendem? Agora ouçam com atenção. Isso significa que precisa acontecer uma concepção espiritual.
Alguma coisa precisa ser concebida pelo Espírito de Deus dentro do nosso espírito. E então ela não pode sair. Cresce lá dentro. Cresce lá dentro. Não há saída. A única saída é pelo nascimento.
Isso é intercessão.
Paulo diz em 1 Coríntios:
Vocês podem ter dez mil mestres; têm apenas um pai.
Eu os gerei por meio do evangelho.
Nossas comunidades seriam transformadas se houvesse mais intercessores.
É claro que também temos um tipo de intercessão que me assusta, em que as pessoas se reúnem e tentam determinar o rumo da obra de maneira errada. Isso não é intercessão.
Mas estou falando da intercessão genuína, e espero de verdade que, em algum lugar dentro de vocês, isso esteja começando a surgir.
Vejam, toda a questão é esta. Deixem-me colocar de outra maneira: um bebê não pode conceber. Uma criança do jardim de infância não pode conceber. É preciso ter um mínimo de maturidade para ser capaz de conceber.
Agora, depois de dizer que Deus não tem necessidade alguma, quero usar uma expressão muito humana a respeito do Senhor. Este é o dilema divino. O que Ele há de fazer?
Tomem a nossa comunidade. Tomem a nós mesmos. Somos milhares de bebês, crianças espirituais de jardim de infância, e até os que estão começando a receber alimento sólido.
Onde estão aqueles que são capazes, maduros o suficiente, para conceber um encargo que o Espírito Santo possa gerar dentro deles? Onde?
E os que são capazes muitas vezes estão ocupados demais. Dizem: “Estou ocupado demais. Estou ocupado demais, e não fui chamado para esse tipo de coisa”. Ah, querido povo de Deus.
Li para vocês uma passagem impressionante em Romanos 8:26-27, a respeito do Espírito. Devemos examiná-la.
E, da mesma maneira, também o Espírito ajuda a nossa fraqueza: porque não sabemos como orar como convém;
mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
E Aquele que sonda os corações sabe qual é a intenção do Espírito, porque Ele intercede pelos santos segundo a vontade de Deus.— Romanos 8:26-27
Essa intercessão do Espírito no nosso interior, que de alguma maneira não pode sequer ser verbalizada — é tão dolorosa, é um encargo tão grande, preso dentro do espírito —, Paulo diz:
O próprio Espírito intercede.
E isso é segundo a vontade de Deus.
Irmãos e irmãs, vocês já tiveram um gemido assim? Isso significa que estão avançando.
Não me refiro àquele tipo de coisa. Estive em reuniões em que as pessoas me disseram: “O irmão fulano tem o ministério de gemer”. Nunca tinha ouvido falar de nada parecido.
Estive numa reunião em que havia, num canto, um barulho parecido com o de uma vaca dando à luz. Fiquei me perguntando o que estava acontecendo. Por fim, o pastor tocou no meu ombro e disse: “Nosso irmão está incomodando você?”
“Bem”, eu disse, “o que houve? Ele está doente?”
Ele disse: “Não, não, não. É o ministério de gemer”.
Mas entendo que esse gemido não pode sequer ser ouvido. É algo preso no interior. Encontramos alívio quando conseguimos colocá-lo em palavras.
Vocês estão prontos? Deem o primeiro passo.
Ou acham que, de alguma forma, se tornarão intercessores quando atingirem a maturidade física? Quando ficarem bem mais velhos, perto dos sessenta ou já na casa dos sessenta, então, de repente, num único instante, serão intercessores? Alguma coisa vai acontecer? Isso nunca acontecerá.
Se você não começar agora, nunca será intercessor depois.
E vocês que são mais velhos, que talvez pensem: “Ai, ai, ai. Já passei da idade” — não, não passaram. Não passaram. Vocês também podem dar o primeiro passo.
Este é o desafio divino:
Busquei um homem, mas a ninguém achei.
Tive o privilégio, na minha pequena vida e no meu ministério, de conhecer alguns intercessores extraordinários. Poderia dar uma lista enorme.
Penso em Sophia Johansson, da Dinamarca, e em Anna Mikkelsen, da Dinamarca. Sophia foi para o Senhor aos cento e dois anos. Ela havia trabalhado como missionária na China até conhecer Watchman Nee, e aquele foi um encontro que mudou sua vida.
Ela voltou à Dinamarca para orar pela Escandinávia. Nunca me esqueci de Sophia Johansson nem de Anna Mikkelsen. Sinto falta delas. Oravam por mim todos os dias, assim como por milhares de outras pessoas, e oravam de verdade.
Penso em Maria Monsen, da Noruega. Há alguns livros sobre ela; é famosa na Noruega. Foi muito usada no nordeste da China no avivamento de 1926 e 1927. Ela também conversou com Watchman Nee e voltou à Noruega para orar pela Noruega.
Ela é uma das únicas duas pessoas que conheci em quem, na hora da morte, vi a glória de Deus realmente se manifestar.
Quando a vi, estava tão fraca que não conseguia sequer levar uma xícara à boca. Mas havia um brilho. Pela primeira vez, compreendi por que, naquelas pinturas antigas, colocavam uma auréola ao redor das pessoas. Havia um brilho real de luz ao redor dela.
Ela me disse: “Vou esperar por você numa das portas da cidade”.
Foi a primeira vez que ouvi alguém dizer algo assim como quem diz: “Vou esperar por você na estação de Waterloo, debaixo do relógio”. Tenho plena expectativa de vê-la.
Que batalha ela travou em oração.
Ou penso em Kenneth Oliphant, de Honor Oak. Elizabeth Fischbacher me disse que o irmão T. Austin-Sparks afirmou a respeito dele: “Ele é um ventre”.
Ele tinha um ministério itinerante, o irmão mais gentil e doce que vocês poderiam imaginar. Originalmente, era pároco, até deixar isso para se tornar simplesmente um irmão na casa do Senhor.
Do seu sofrimento — e ele sofreu a vida inteira — surgiu um ministério de dores de parto.
Lembro-me de uma ocasião em que ele me telefonou e disse, a respeito de certa irmã: “O que há de errado? O que há de errado com essa irmã? Tenho apelado ao holocausto. Tenho apelado à oferta pacífica. Já apelei à oferta pelo pecado e à oferta pela culpa, e não chego a lugar algum”.
Aquela irmã morreu sob juízo.
Pessoas tão impressionantes. Falei de Alexandra Liblich e Kathleen Smith. Agora todas estão na glória. Quem vai sucedê-las?
Muitos de vocês que são chineses já devem ter ouvido falar de Margaret Barber. Que batalha ela travou em oração pela China.
Somente quando estivermos na glória conheceremos as consequências e o fruto daquela batalha, daquela batalha de oração que ela travou — e, creio eu, venceu — no lugar secreto.
Digo que foi meu privilégio conhecer essas pessoas — não conheci Margaret Barber —, mas conheci todas essas outras, e muitas mais.
Mas todas estão indo para casa. Quem ocupará o lugar delas?
Se você está com medo, não tenha medo. Nunca vai se arrepender.
Entregue-se ao Senhor. Dê o primeiro passo e diga: “Senhor, não tenho capacidade alguma. Sou indigno em mim mesmo. Certamente sou inútil. Mas, Senhor, toma-me. Eis-me aqui”.
Seu aprendizado começará dentro de vinte e quatro horas. Porque o Espírito do Senhor está procurando tanto por candidatos à intercessão que, no momento em que você der o primeiro passo, Ele começará a instruí-lo.
Que o Senhor abençoe você, meu querido filho de Deus. Ouça-me: o caminho do intercessor é um caminho de dor. É um caminho de alegria. E é um caminho que termina no trono de Deus.
Que o Senhor toque em você nesta tarde. Vamos orar?
Querido Senhor, ouve-nos. Um momento de silêncio — aquietemo-nos diante do Senhor.
Senhor, Tu conheces o nosso coração. Conheces os nossos temores secretos e as nossas esperanças secretas.
Onde houver uma pessoa que diga: “Eis-me aqui, Senhor. Toma-me”, Senhor, começarás a instruí-la?
Tu nos conduzirás por um caminho genuíno e real de intercessão? Ajuda-nos, Senhor, sejamos jovens ou idosos.
Estamos entrando em dias de agitação e dificuldades sem precedentes. Senhor, treina-nos. Instrui-nos. Disciplina-nos, Senhor.
Produz dentro de nós algo que seja inteiramente de Ti e que faça de nós, pela Tua graça, vencedores.
Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.