Por favor, abram no livro de Atos, Atos 9. Vamos ler os primeiros vinte e dois versículos.
E Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote,
e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse alguns que fossem do Caminho, tanto homens como mulheres, os levasse presos a Jerusalém.E, seguindo ele viagem, aconteceu que, ao aproximar-se de Damasco, subitamente resplandeceu ao seu redor uma luz do céu;
e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que Me persegues?
E ele disse: Quem és Tu, Senhor? E Ele disse: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues;
mas levanta-te e entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer.E os homens que viajavam com ele ficaram emudecidos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.
E Saulo levantou-se da terra; e, abrindo os olhos, nada via; e, guiando-o pela mão, levaram-no a Damasco.
E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.Havia em Damasco certo discípulo chamado Ananias; e o Senhor lhe disse em visão: Ananias. E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor.
E o Senhor lhe disse: Levanta-te e vai à rua chamada Direita, e procura, na casa de Judas, um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando;
e viu um homem chamado Ananias entrar e impor-lhe as mãos, para que recuperasse a vista.E Ananias respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido acerca deste homem, quantos males fez aos Teus santos em Jerusalém;
e aqui tem autoridade dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o Teu nome.
Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel;
pois Eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo Meu nome.E Ananias foi e entrou na casa; e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, Que te apareceu no caminho por onde vinhas, enviou-me para que recuperes a vista e sejas cheio do Espírito Santo.
E logo lhe caíram dos olhos como que escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado;
e, tendo tomado alimento, ficou fortalecido.E esteve alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.
E logo, nas sinagogas, proclamava Jesus, que Ele é o Filho de Deus.
E todos os que o ouviam estavam admirados e diziam: Não é este o que em Jerusalém assolava os que invocavam este nome? E não veio ele para cá com o propósito de levá-los presos perante os principais sacerdotes?
Saulo, porém, fortalecia-se cada vez mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, demonstrando que Este é o Cristo.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, enquanto continuamos em Tua presença, esperamos com plena confiança ouvir a Tua voz. Fala conosco, Senhor. Revela-Te a nós.
Sabemos que é do Teu agrado fazer isso. Nossos corações estão abertos a Ti. Glorifica-Te no meio do Teu povo. Pedimos em nome do nosso amado Senhor Jesus Cristo. Amém.
Graças a Deus por mais uma oportunidade de estarmos juntos e ouvirmos a Palavra de Deus.
Sinto realmente, irmãos e irmãs, que, cada vez que o Senhor nos permite reunir, isso é mais uma demonstração do Seu amor por nós. Quem somos nós para termos tamanho privilégio? Muitos neste mundo, hoje, não têm esse privilégio.
Quem somos nós para que o Senhor tenha tanto cuidado conosco, nós que somos apenas pó e cinzas? Graças a Deus, Ele é amor.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, sempre que temos uma ocasião como esta, trata-se de um momento muito solene. Não podemos ser descuidados. O Senhor leva a sério o Seu relacionamento conosco, e nós precisamos levar a sério o nosso relacionamento com Ele.
Não estamos aqui apenas para ouvir alguma mensagem, algo que vocês talvez já tenham ouvido muitas e muitas vezes. Mesmo que estejam ouvindo pela primeira vez, isso, por si só, não é nada.
Estamos aqui para nos apresentar ao Senhor e deixar que Ele nos encha de Si mesmo. É por isso que estamos aqui.
Estamos aqui para, pelo poder do Espírito Santo, cavar o poço, remover tudo o que possa impedir o fluir da água viva — a vida do nosso Senhor Jesus.
Ele está aqui. A fonte está aqui. A revelação foi dada. A visão foi registrada.
Mas, irmãos e irmãs, a menos que removamos toda a sujeira, o pecado, a contaminação do mundo e da carne, e tudo o que possa entulhar os poços, não poderemos provar a doçura da água viva.
Portanto, que estejamos verdadeiramente diante do Senhor e peçamos a Ele que remova tudo o que possa impedir a revelação, a visão, do nosso Senhor Jesus.
A parte que me cabe neste momento é a visão celestial de Paulo.
Na última vez, mencionamos esse jovem, como ele estava profundamente arraigado nas tradições do judaísmo, na tradição dos pais — as melhores tradições daquela época. E, no entanto, ele era cego. Estava nas trevas.
Ele fazia coisas sem saber o que estava fazendo. Pensava que estava servindo a Deus ao perseguir os discípulos do Senhor Jesus, porque, segundo a tradição dos judeus daquela época, eles consideravam Jesus um impostor no judaísmo. Livraram-se Dele.
E esse jovem, Saulo, profundamente arraigado naquela tradição, perseguia, assolava e procurava destruir todos os discípulos do Senhor Jesus, todos os que levavam o nome do Senhor Jesus. Enquanto fazia isso, pensava que estava servindo a Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, podemos ter as melhores tradições humanas. Podemos ter boas intenções, intenções sinceras, mas podemos estar inteiramente nas trevas.
A tradição nos leva às trevas. Somente a revelação do alto nos dá luz.
Assim, o que precisamos é de revelação — algo que nos seja revelado do alto, uma visão do céu que nos liberte, nos livre, nos salve e nos conduza à luz.
Esse jovem fez todas essas coisas por ignorância.
Enquanto ia a Damasco para prender os discípulos do Senhor Jesus, para encontrá-los e levá-los a Jerusalém para serem julgados, quando se aproximava da cidade, subitamente uma luz do céu, mais brilhante que o sol, resplandeceu sobre ele.
Era como se um holofote iluminasse aquele jovem. Ele foi lançado por terra. Havia outros com ele; todos foram derrubados, ficaram atônitos, perguntando-se o que estava acontecendo.
Mas esse jovem ouviu uma voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues? Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
Não era uma voz irada. Não era uma voz de condenação. Era uma voz de amor — cheia de compaixão, misericórdia e amor.
“Saulo, Saulo, Eu te conhecia antes mesmo de nasceres. Quando ainda estavas no ventre de tua mãe, Eu já te havia separado. Mas tu não sabes. Tu não Me conheces, mas Eu te conheço. Conheço o teu nome. Tenho cuidado de ti.
“Sei o que estavas fazendo. Permiti que fosses tão longe quanto podias, mas agora, até aqui e não mais. É para o teu bem, porque duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
“Dei-te muitas oportunidades para te fazer lembrar do que estavas fazendo, mas resististe. Viste Meu servo Estêvão enquanto era apedrejado — como seu rosto resplandecia como o de um anjo, como ele viu o céu aberto e o Filho do Homem ali de pé, recebendo-o.
“Ouviste seu clamor, um clamor não de vingança, mas de perdão. Tua consciência foi tocada, mas resististe a ela. Aumentaste tuas ameaças e matanças para silenciar a voz da tua consciência.
“Estavas caminhando para a destruição com tamanha determinação. Mas sei que fizeste isso por ignorância. Até aqui, não mais.”
Pela primeira vez, esse jovem percebeu que não era senhor de si mesmo. Sempre achara que era seu próprio senhor. Tinha controle sobre toda a sua vida. Estabelecia seu objetivo. Trabalhava para alcançá-lo.
Provavelmente, queria ser o maior rabino do judaísmo, e talvez tivesse conseguido. Ele tinha controle não apenas sobre a própria vida; exercia controle sobre muitas vidas — não apenas sobre aqueles que o seguiam, mas até sobre aqueles que prendia e condenava à morte.
Pela primeira vez, percebeu que havia encontrado seu Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, não é assim também conosco? Antes de encontrarmos o Senhor Jesus, achávamos que éramos nossos próprios senhores. Podíamos fazer tudo o que quiséssemos e, se nos determinássemos a obter certas coisas, nós as conseguiríamos.
Tínhamos pleno controle sobre nossa vida. Especialmente quando éramos jovens, era assim que nos sentíamos: nós é que mandamos.
Mas, graças a Deus, um dia caímos em nós. Percebemos que não somos nossos próprios senhores, mas temos um Senhor no céu.
Há Alguém Que nos fez. Há Alguém Que é nosso Criador. Há Alguém Que é nosso Senhor, e Ele tem um propósito definido para a vida de cada um de nós.
Devemos arar o Seu campo. Devemos cumprir o Seu propósito para nós.
Não estamos aqui neste mundo sem propósito, sem significado. Deus nos criou com um propósito, com um significado. É por isso que estamos aqui, mas não sabemos disso.
Fomos criados para fazer a vontade de Deus, cumprir o Seu plano, glorificar o nosso Senhor. Mas, muitas vezes, não sabemos disso — até que, um dia, Ele nos confronta.
O Senhor conhece cada um de vocês pelo nome. Um dia, Ele vai chamar você pelo seu nome.
“Saulo, por que Me persegues? Tua vida era contra Mim. Tudo o que fazias era contra Mim. Estavas seguindo na direção oposta à Minha vontade. Estavas seguindo o teu próprio caminho. É um caminho de destruição. É um caminho de morte.
“Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. Tu não pertences a ti mesmo. Hoje Eu te reclamo para Mim. Conhece o teu Senhor.”
Irmãos e irmãs, no livro de Isaías, vocês se lembram do profeta Isaías no início de sua profecia. Ele disse:
O boi conhece o seu possuidor,
e o jumento, a manjedoura do seu senhor;
mas Israel não tem conhecimento,
o Meu povo não considera.
— Isaías 1:3
Como isso é verdadeiro a respeito de cada um de nós antes de Ele nos encontrar no caminho.
Creio que muitos de nós aqui — espero que todos nós aqui —, algum dia, em algum lugar, fomos detidos pelo Senhor em nosso caminho para a destruição. Ele mudou nossa direção. Mostrou-nos que não é apenas nosso Redentor, mas também nosso Senhor, nosso Dono.
Quando você crê no Senhor Jesus como seu Salvador pessoal, quando descobre que seus pecados foram perdoados e purificados pelo precioso sangue do nosso Senhor Jesus, você percebe, naquele momento, que Ele não é apenas seu Redentor, seu Salvador, Que o salva da morte eterna e o tira da morte para a vida?
Graças a Deus por isso. Mas você não percebe, ao mesmo tempo, que Ele o reclama como Seu, que Ele é seu Dono, seu Senhor?
Ele pede que você Lhe entregue sua vida e permita que Ele o conduza no caminho da vida eterna.
Que lamentável: muitos que creram no Senhor Jesus deixam de aceitar esse mesmo Jesus como seu Dono, como seu Senhor. Você ainda dirige sua vida. Não permite que Ele seja seu Senhor.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus, a conversão desse jovem Saulo foi completa.
Porque, no caminho de Damasco, ele não apenas recebeu o perdão dos pecados passados, por maiores que fossem. Ele desfrutou da alegria da salvação. Mas, mais do que isso, encontrou seu Senhor, seu Dono.
Assim, vocês verão que esta foi sua segunda pergunta. Sua primeira pergunta foi:
Senhor, Quem és Tu?
E a voz disse:
Eu sou Jesus, o Nazareno, a Quem tu persegues.
Queridos irmãos e irmãs, creio que isso foi um choque tremendo para esse jovem. Porque, na mente dele, quem era Jesus? Jesus, o Nazareno — o desprezado, o rejeitado, o Jesus crucificado, um impostor que deveria ser eliminado.
Como ele desprezava Jesus. Como desprezava aquele nome. Como odiava aquele nome.
E, no entanto, para sua surpresa, Aquele Que lhe apareceu, Aquele Que falou com ele, não era outro senão esse Jesus.
Pela primeira vez, percebeu que Jesus, o Nazareno, é o Senhor ressuscitado, o Senhor de todos. E se rendeu: “Senhor, que queres Tu que eu faça? Agora estou aos Teus pés.”
Portanto, queridos irmãos e irmãs, espero que cada um de nós experimente essa salvação plena — não apenas recebendo Jesus como Salvador e Redentor, mas, ao mesmo tempo, reconhecendo que Ele é seu Senhor, seu Dono.
Entreguem sua vida a Ele. Apresentem seu corpo como sacrifício vivo, pois esse é o culto racional de vocês; essa é sua adoração espiritual. E esse deve ser o início da vida cristã de vocês, da sua vida com o Senhor.
Irmãos e irmãs, se vocês lerem Filipenses 3, verão como esse jovem se gloriava de seu passado. Gloriava-se de sua linhagem, de sua criação, de sua educação, de seu cargo, de suas realizações e de sua missão. Considerava essas coisas seus tesouros, sua própria vida.
Mas, quando encontrou o Senhor no caminho de Damasco, que mudança! Ele disse: “Considero todas as coisas como escória.” São todas refugo, nada, diante da excelência do conhecimento de Cristo Jesus.
No caminho de Damasco, o Senhor lhe apareceu. Ele viu o Justo com seus olhos naturais. Ouviu Sua voz com seus ouvidos naturais. E percebeu que Jesus é Senhor. Ele é o Senhor de sua vida.
E, graças a Deus, devolveu sua vida ao Senhor para que todo o propósito do Senhor para sua vida fosse cumprido.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a única maneira de vocês cumprirem o propósito de Deus para sua vida. Se não se colocarem nas mãos do seu Senhor, por mais que tentem, não cumprirão o propósito de sua vida.
A vida continuará sem sentido para vocês. Estarão apenas à deriva, vagando de um lado para outro, deixando escapar o que importa.
A única maneira de o propósito de Deus se cumprir em nossa vida, a única maneira de nossa vida ter sentido — irmãos e irmãs, coloquem-se nas mãos do seu Senhor, e Ele o realizará. Graças a Deus por isso.
Mas, sabem, a visão de que Paulo falou, aquela visão celestial, é algo mais do que simplesmente ouvir uma voz, ainda que essa voz venha do alto. É mais do que ver o Justo com os olhos.
Que privilégio é esse. Muitas vezes pensamos: se ao menos tivéssemos vivido no primeiro século, na época em que Jesus andava na terra, e não tivéssemos nascido na China, mas na Palestina — se ao menos eu pudesse vê-Lo, se ao menos pudesse ouvi-Lo —, ah, que privilégio seria.
Mas, queridos irmãos e irmãs, por melhor que isso seja, há algo melhor.
Sabem, as pessoas da época do nosso Senhor Jesus O viram. Elas O ouviram. Foram até curadas por Ele. Mas não O conheceram. Rejeitaram-No. Por quê? Porque ninguém pode conhecer o Filho senão pelo Pai.
O conhecimento do Senhor Jesus precisa vir por revelação. Pedro confessou Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo. E nosso Senhor Jesus disse: “Simão Barjonas, lembra-te: não foi carne e sangue que te mostraram isso. Foi Meu Pai celestial Quem te revelou Seu Filho.”
Portanto, irmãos e irmãs, vemos que uma visão, uma visão celestial, é realmente algo mais do que aquilo que vocês podem ver ou ouvir exteriormente. Ela pode vir dessa maneira, mas esse não é o verdadeiro significado de visão.
Uma visão é algo do céu que o Espírito Santo revela a você em seu espírito. É algo profundo dentro de você, profundamente interior.
Você pode ouvir e ver exteriormente; isso não conta tanto. Mas, quando vê com os olhos interiores, quando ouve com os ouvidos interiores, quando compreende com o coração, o Espírito Santo abre o céu e revela a você nas profundezas do seu ser. Irmãos e irmãs, isso é uma visão.
Não é o som nem a imagem — é a realidade.
Assim, Paulo, no caminho de Damasco, experimentou mais do que ouvir uma voz do céu. Foi mais do que ver o Justo. No passado, Jesus era, para ele, alguém mau, mas agora percebeu que Ele é o Justo, o único Justo em todo o universo.
Mas, mais do que isso, vocês encontrarão em Gálatas 1:15-16 como ele mencionou que havia perseguido a igreja, mas Deus, em Seu grande amor e misericórdia, agradou-Se em revelar Seu Filho nele, para que ele O anunciasse como o evangelho, as boas-novas.
Irmãos e irmãs, o Senhor lhe apareceu. Graças a Deus por isso. Mas é mais do que isso. Quando viu a luz, quando viu o Justo, seus olhos físicos ficaram cegos. O brilho era intenso demais; ele não podia suportá-lo.
Mas, ao mesmo tempo, seus olhos interiores foram abertos. Seu testemunho foi: “Aprouve a Deus.” É do agrado de Deus revelar Seu Filho em mim — não apenas a mim, mas em mim.
Sempre que vocês encontram uma mãe — ou especialmente uma avó —, quando nasce seu filho ou seu neto, não precisam fazer pergunta alguma. Ela vai contar a vocês. Ela tem prazer em lhes apresentar seu filho.
E quanto mais nosso Pai celestial. Ele tem um Filho unigênito, a alegria do Seu coração. Isso é do Seu agrado. Como Ele deseja revelar Seu Filho, não apenas a vocês, mas em vocês, para que tenham um relacionamento íntimo com Seu Filho.
Quando uma mãe ou avó mostra a vocês seu filho ou neto, o filho continua sendo dela, não de vocês. Mas, quando nosso Pai celestial revela Seu Filho a vocês, em vocês, Ele é de vocês.
Agora vocês são um com Ele. Ele é mais do que Alguém fora de vocês; Ele está dentro de vocês. Ninguém pode tirá-Lo de vocês. Ele é de vocês para sempre.
E isso é o que Deus fez por cada um de nós.
Quem está em mim? Você percebe Quem está em você?
A visão celestial não é um ensino. Não é uma doutrina. Não é uma teoria. Não é teologia. Não é um sistema. Não é religião. Não é um tema.
A visão celestial é uma Pessoa — o coração do Pai celestial, Jesus Cristo, o Filho.
Você não ouve apenas um ensino sobre o Senhor Jesus. Não está apenas guardando uma doutrina, por mais correta que seja. Isso é letra. Você não deve entrar em um sistema religioso; ele é exterior.
Quando a visão celestial vem a nós, nas profundezas do nosso espírito, vemos o Filho. “Olha para Meu Filho. Reconhece Quem Ele é.”
Ele é o Unigênito do Pai, o eterno Filho de Deus. Ninguém jamais viu o Pai, mas é o Filho Quem O revela. Ele é a imagem do Deus invisível.
Ah, irmãos e irmãs, como gostaríamos de poder ver Deus. Mas ninguém pode ver Deus e viver. Ele é santo.
Mas Ele Se revelou a nós em Seu Filho. Se vemos o Filho, vemos o Pai.
Como nosso Senhor Jesus dizia repetidamente aos Seus discípulos: “Vocês pedem para ver Meu Pai. Não têm visto a Mim? Ver a Mim é ver Meu Pai. Eu sou a imagem exata do Deus invisível.”
É assim que Deus é. Olhem para Mim. Conheçam-Me, e vocês verão Deus e conhecerão Deus — a imagem exata do Deus invisível.
O Filho — Quem é esse Filho? Ele é o Herdeiro de todas as coisas.
Deus Pai ama o Filho e deu tudo ao Filho: o Herdeiro de todas as coisas.
Qual é Sua relação com a criação? Ele é o Primogênito de toda a criação, porque toda a criação foi criada Nele, por Ele e para Ele.
“Primogênito”, em Colossenses 1, é uma palavra muito especial. Sabem, “primogênito” tem um significado comum: significa ser o primeiro a nascer no tempo. Mas “primogênito” tem um significado especial nas Escrituras.
E os estudiosos do grego — por exemplo, o bispo Lightfoot — nos dizem que “primogênito”, nas Escrituras, tem um significado especial. Significa soberania e primazia.
E vocês podem encontrar muitos exemplos disso nas Escrituras. Por exemplo, em Êxodo 4:22, Deus enviou Moisés para dizer a Faraó:
Israel é Meu filho, Meu primogênito;
deixa ir Meu filho, para que Me sirva.
Sabem, como nação, Israel não era uma nação antiga. O Egito era uma nação antiga. Mas, aos olhos de Deus, Deus fez de Israel o primogênito de todas as nações, dando-lhe primazia e soberania.
Por exemplo, em Salmos 89:27, Deus declarou que Davi é o primogênito, o mais elevado dos reis da terra. Antes de Davi, houve muitos reis entre as nações, e até mesmo Saul foi rei antes de Davi.
Mas, aos olhos de Deus, Deus fez de Davi o primogênito de todos os reis: primazia, soberania.
E aqui está Ele, o Filho amado de Deus. Ele é o Primogênito de toda a criação. Ele não foi criado; Ele é o Criador. Mas, sobre toda a criação, Ele tem poder e primazia. Tem soberania sobre toda a criação. Por quê? Porque todas as coisas foram criadas Nele, por Ele e para Ele.
Ainda hoje, toda a criação é sustentada pelo Seu poder.
Qual é Sua relação com a nova criação? Ele é o Primogênito. Ele tem primazia. Ele tem soberania. Ele é a Cabeça do corpo. Ele é o Primogênito dentre os mortos.
Irmãos e irmãs, este é o Filho.
Toda a plenitude da divindade habita Nele corporalmente. Aprouve ao Pai colocar toda a plenitude da divindade — tudo o que Deus é — Nele.
Por mais que vocês possam imaginar, ninguém pode medir o amor de Deus. Paulo tentou, mas não conseguiu. Só pôde dizer: “Qual a largura, qual o comprimento, qual a altura, qual a profundidade?” Não há medida.
Mas toda a plenitude da divindade habita — faz sua morada, reside permanentemente — no Filho amado. Tudo está Nele.
Ah, hoje, se você for a Deus e pedir alguma coisa, Deus diz: “Sinto muito, não tenho nada para dar. Já dei a Mim mesmo, e Nele está tudo.”
Se você quer algo bom, vá a Ele. É Nele que você pode encontrar tudo de que precisa. Irmãos e irmãs, este é o Filho.
E esse Filho é revelado em mim.
Ah, irmãos e irmãs, vocês levam uma vida inteira para conhecer o Filho. Não, é preciso a eternidade para conhecê-Lo.
Essa é a paixão do apóstolo Paulo. Uma vez que o Filho foi revelado nele, percebeu cada vez mais como o Filho é imenso, como o Filho é pleno, como o Filho é rico. Tudo está no Filho e, se ele conhecesse o Filho, conheceria tudo.
E essa era sua paixão: conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, ser conformado à Sua morte, para alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Não que eu já tenha alcançado. Esquecendo o passado, prosseguindo, avançando em direção ao alvo, à vocação celestial, ao prêmio que vem do alto.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a visão celestial.
Vocês veem o Filho? A visão Dele ofuscou tudo o mais para vocês? Por que vocês sempre veem a si mesmos? Têm pena de si mesmos.
Por que são sempre as outras pessoas? Por que vocês sempre veem os problemas e as circunstâncias? Ficam se perguntando. Ficam confusos. Por quê? Não veem o Filho?
Os céus se abriram, e uma voz veio do céu:
Este é o Meu Filho amado,
em Quem Me comprazo.
Aos olhos do Pai celestial, Ele via apenas Seu Filho. Via você e a mim no Filho. Se Ele visse você e a mim fora do Filho, estaríamos perdidos.
Ah, que o Senhor nos dê a visão, a visão do Filho. Ele é tudo para o Pai, tudo para vocês. Busquem-No. Procurem conhecê-Lo. Descubram que todos vocês estão Nele. Essa é a visão celestial.
Mas essa visão celestial é mais do que isso.
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
E era natural que Saulo dissesse: “Senhor, Quem és Tu? Eu não Te conheço.”
Sabem, embora Saulo provavelmente tenha nascido poucos anos depois do nascimento do nosso Senhor Jesus, por alguma razão ele nunca havia encontrado o Senhor Jesus pessoalmente.
Enquanto estava em Jerusalém, sendo instruído aos pés de Gamaliel, nosso Senhor estava em Nazaré. E, quando nosso Senhor começou a pregar e veio a Jerusalém, muito provavelmente Saulo estava em Tarso. Ele nunca havia encontrado o Senhor. Antes, só tinha ouvido falar Dele, e O odiava. Por quê? Porque estava preso às tradições dos pais, que lhe haviam feito uma lavagem cerebral.
Portanto, não é de admirar que dissesse: “Quem és Tu, Senhor? Eu, perseguir a Ti? Nunca Te encontrei. Agora Tu estás no céu; eu estou na terra. Como poderia alcançar-Te? Que absurdo. Quem és Tu, a Quem estou perseguindo?”
E a voz disse:
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
“Ah, não. Nunca Te encontrei antes. Não posso tocar-Te agora. Nunca Te persegui.”
Mas ele não disse isso. Por quê? Ele recebeu uma revelação.
Ele compreendeu, pela iluminação do Espírito Santo, no exato momento em que o Senhor disse: “Por que Me persegues?” Imediatamente seus olhos foram abertos.
Aqueles discípulos do Senhor Jesus, as pessoas do Caminho, Estêvão, os homens e as mulheres em Jerusalém, na Judeia, até mesmo aqueles nas cidades dos gentios que ele ia procurar e levar a Jerusalém para serem julgados — essas pessoas, ah, elas não são outra coisa senão Ele. São um.
“Eu toco nesses membros do corpo, e a Cabeça protesta: ‘Por que Me tocas?’ Esses são Eu.”
Ah, irmãos e irmãs, que revelação. Ela só pode vir do alto.
Ali ele viu a igreja, o corpo de Cristo. Viu a Cabeça, Aquele Que é Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. Mas aqueles que O contemplavam viam a glória do Filho junto ao Seu Pai.
Quando nosso Senhor estava na terra, quando tomou sobre Si um corpo físico, Ele falou e trabalhou nesse corpo e, por meio desse corpo, revelou o Pai celestial aos homens.
E, nesse corpo, entregou-Se para ser crucificado na cruz, levar os pecados do mundo, cumprir a obra da redenção, dar-nos esperança, salvar-nos.
Ele esteve nesse corpo apenas trinta e três anos e meio. E que testemunho.
Ele foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e, quarenta dias depois, subiu às alturas. E Deus O ungiu, O fez Senhor e Cristo.
Ah, irmãos e irmãs, esse humilde Homem da Galileia é agora o Senhor de todos. Deus colocou tudo debaixo dos Seus pés. Ele é Cabeça sobre tudo. Toda a autoridade no céu e na terra Lhe foi dada, e Ele aguarda até que Seus inimigos sejam postos por estrado dos Seus pés.
Mas isso não é tudo.
Ele foi, mas, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi enviado.
Em um só Espírito, os cento e vinte crentes que se reuniam naquele cenáculo em oração foram batizados em um só corpo, quer judeus, quer gentios, e a todos foi dado beber de um só Espírito.
Isso aconteceu no Pentecostes com os judeus. Aconteceu na casa de Cornélio com os gentios.
Irmãos e irmãs, nosso Senhor subiu às alturas, a Cabeça sobre todas as coisas. Mas Ele toma sobre Si outro corpo, um corpo místico.
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
— 1 Coríntios 12:13
E 1 Coríntios 12:12 diz:
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo; assim também é o Cristo.
Maravilhoso. Sabem, nosso Senhor Jesus nos toma para sermos Seu corpo. Que privilégio e que responsabilidade.
Lembrem-se: somos Seu corpo, um com Ele. Se alguém tocar em qualquer um de nós, toca na Cabeça. Toca em Cristo. Ah, que honra. Que união.
Mas, por outro lado, que responsabilidade: estar sob o governo de Cristo, a Cabeça.
O que é a igreja? A igreja é o corpo de Cristo. O que é o corpo de Cristo? É o Cristo.
É Cristo em Sua expressão corporativa. Como isso elimina tudo, absolutamente tudo, o que não é de Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, se tentarmos trazer algo de nós mesmos, do mundo, do pecado ou do inimigo para dentro do corpo de Cristo, destruiremos o testemunho.
Como precisamos que a cruz opere na vida de cada um de nós, para manter a carne do lado de fora, o mundo do lado de fora, o pecado do lado de fora — tudo o que não é de Deus do lado de fora, tudo o que não é de Cristo do lado de fora.
O que permanece no corpo é Cristo, nada além de Cristo. Ah, Cristo! Porque o corpo é a plenitude Daquele Que enche tudo em todos. Maravilhoso.
Essa é a visão celestial. Na visão celestial, você vê o Filho; vê o Filho, a Cabeça. Ao mesmo tempo, não pode deixar de ver o corpo.
No caminho de Damasco, Saulo encontrou um Homem, um Homem universal.
O próprio Saulo era um figurão. Era muito conhecido, não apenas em Jerusalém; sua fama já havia chegado a Damasco. As pessoas falavam dele. As pessoas tinham medo dele. Um figurão.
Mas ele encontrou um Homem maior, um Homem universal. A Cabeça desse Homem está no céu; Seu corpo está espalhado por toda a terra.
Ele abrange dois mil anos — desde o primeiro que creu no Senhor Jesus até o último que será salvo. Todos nós estamos nesse único corpo de Cristo. Aleluia!
Vocês acham que alguém pode lutar contra esse Homem universal? Não é de admirar que nem mesmo as portas do Hades prevaleçam contra ele, porque Ele é grande demais.
Ah, no caminho de Damasco, como os olhos interiores do pobre Saulo foram abertos. Ele começou a ver o mistério de Deus: Quem é Cristo? E começou a ver o mistério de Cristo: o que é a igreja?
Essa é a visão celestial. Essa é a visão que Deus quer que cada um de nós veja.
Sim, não seremos capazes de vê-la em sua plenitude. É preciso a eternidade para vê-la. Mas podemos começar aqui e agora.
Se tão somente estivermos dispostos a remover toda a sujeira e a nos abrir a Ele, descobriremos que é do Seu agrado revelar Seu Filho em nós.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, Tu nos dizes que é do Teu agrado revelar Teu Filho em nós.
Ah, Pai celestial, queremos ver Teu Filho. Rogamos que as escamas dos nossos olhos interiores caiam. Queremos ver Jesus.
Conduze-nos à visão. Nós a reivindicamos como nossa herança, como nosso direito. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.