Por favor, abram em Provérbios 29:18.
Onde não há visão, o povo se entrega à dissolução; Mas aquele que guarda a lei é bem-aventurado.
O livro de Jó, capítulo 42. Jó 42:5-6:
Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi de Ti; Mas agora Te veem os meus olhos: Por isso, abomino a mim mesmo, E me arrependo no pó e na cinza.
O profeta Habacuque, capítulo 2, do versículo 1 ao versículo 4. Habacuque 2:1-4:
Sobre a minha guarda estarei, E sobre a torre me colocarei, E vigiarei para ver o que Ele falará comigo, E o que responderei acerca da minha queixa.
E o Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, E torna-a bem legível sobre tábuas, Para que corra aquele que a ler. Porque a visão ainda é para o tempo determinado, E se apressa para o fim, e não mentirá: Ainda que tarde, espera-a; Porque certamente virá, não tardará. Eis que a sua alma está ensoberbecida, não é reta nele; Mas o justo viverá pela sua fé.
E, por fim, o livro de Atos, capítulo 26, versículo 19. Atos 26:19:
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Vamos nos voltar ao Senhor em oração.
Amado Senhor, nosso coração está cheio de gratidão. Quem somos nós para que Tu olhes para nós, para que nos reúnas em Tua presença a fim de ouvirmos a Tua palavra?
Senhor, somos indignos. Tu és Aquele que é digno, para todo o sempre. Reconhecemos que estamos em terra santa. Tu estás aqui.
Senhor, inclinamos nosso coração diante de Ti e dizemos: “Fala, Senhor; os Teus servos ouvem”. Que o Teu nome seja exaltado. Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Graças a Deus por nos reunir aqui neste momento. Sinto que é um grande privilégio ainda podermos nos reunir nestes dias. Estes são dias muito especiais. A vinda do Senhor é iminente.
E cada vez que nos permitem reunir, isso é expressão da Sua misericórdia. Pensem em tantos lugares do mundo onde o povo de Deus não tem esse privilégio. Por isso, nosso coração está realmente grato, e olhamos para o Senhor para que saibamos valorizar este tempo juntos.
Como vocês leram no folheto, há um versículo de Gênesis 26:18. Isaque tornou a cavar os poços que seu pai Abraão havia cavado em seus dias, mas os filisteus vieram e encheram esses poços de terra.
Então Isaque tornou a cavar esses poços de água viva. E não apenas tornou a cavar os poços que seu pai havia cavado, mas também cavou novos poços. O povo de Gerar disputou esses poços, mas, por fim, eles cavaram um poço de água viva pelo qual não houve disputa. Deram-lhe o nome de Reobote.
Portanto, irmãos e irmãs, ao nos reunirmos nesta ocasião, este é o sentimento em nosso íntimo. Como nosso irmão mencionou ontem à noite, pela graça de Deus temos nos reunido assim há vinte e sete anos.
E, durante esses vinte e sete anos, cavamos, cavamos e cavamos. Graças a Deus, por Sua graça e misericórdia, encontramos água viva.
Mas, depois de todos esses anos, pergunto-me se os filisteus não vieram e começaram a encher esses poços de terra.
Queridos amigos, irmãos e irmãs, sinto que provavelmente, e muito provavelmente, os nossos filisteus — a nossa carne — de alguma maneira, ao longo desses dias e anos, podem ter vindo e enchido de terra os poços dessas águas vivas.
As águas vivas estão ali. As fontes estão ali. Contudo, os poços foram enchidos de terra, de modo que a água está escondida.
E pergunto-me se este não é o momento, esta ocasião em que nos reunimos diante do Senhor, de tornarmos a cavar os antigos poços.
Vocês se lembram de nosso Senhor Jesus. Ele disse à mulher samaritana em João 4:14:
Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede; Mas a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.
Nosso Senhor Jesus é a água viva. Nele há uma fonte de vida. Ele está sempre ali.
Mas, queridos irmãos e irmãs, temos uma responsabilidade. Nossa responsabilidade é cavar o poço. Precisamos nos arrepender. Precisamos remover a terra que cobriu nossa alma.
E, pela graça de Deus, pelo Seu Espírito, toda essa terra que encheu os poços será removida. Então veremos a água viva jorrar novamente.
E talvez seja por isso que o Senhor reuniu aqueles de nós que já participam há tanto tempo.
E vocês sabem que, para Isaque, tornar a cavar os antigos poços de Abraão foi muito mais fácil do que para Abraão cavá-los pela primeira vez.
Portanto, irmãos e irmãs da geração que está chegando, vocês precisam cavar. Embora seus antepassados tenham cavado os poços e encontrado a água viva, infelizmente os filisteus de vocês os encheram de terra.
E vocês precisam redescobrir o que seus pais descobriram.
Em um sentido muito real, espiritualmente não existe segunda geração. Pode haver uma geração seguinte, mas não uma segunda geração. Cada geração precisa ser a primeira geração.
Abraão precisou cavar para encontrar águas vivas. Isaque precisou tornar a cavar esses poços. E, graças a Deus, ele fez mais do que tornar a cavar os antigos poços. Encontrou um novo poço, Reobote — lugares espaçosos.
Assim, nosso desejo é que vocês, jovens irmãos e irmãs que estão aqui, sejam como Isaque. Nesta ocasião, Deus os reuniu aqui não apenas para redescobrirem o que seus pais descobriram em sua vida, como desfrutaram das águas vivas em sua vida, mas para que vocês tornem a cavar esses poços.
Infelizmente, os pais não podem transmitir a vocês a água viva. Podem lhes dizer que encontraram água viva, mas vocês mesmos precisam cavar os poços.
Pois os filisteus de vocês os encheram de terra. Vocês precisam se arrepender. Precisam buscar o Senhor. Permitam que o Espírito Santo trabalhe profundamente em sua vida para remover tudo o que possa impedir que a água viva jorre.
A água está ali, mas vocês precisam tornar a cavar os poços. E, graças a Deus, cremos que encontrarão novos poços de água viva. Cada geração pode avançar além da geração anterior.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, este é o nosso sentimento, este é o encargo em nosso coração e esta é a nossa oração: que, ao nos reunirmos nesta ocasião, não estejamos aqui apenas tentando ouvir alguma coisa, mas estejamos aqui para cavar o poço.
Removam todos os impedimentos e redescubram a água viva — nosso Senhor Jesus Cristo.
O poço que queremos cavar desta vez é o poço da visão. Precisamos de visão.
Alguns de nós precisam ter sua visão renovada, revigorada, recuperada. De alguma maneira, ao longo dos anos, nosso espírito se torna insensível. Já não está vivo e cheio de frescor como deveria estar. E precisamos tornar a cavar esse poço.
E, para outros, talvez esta seja a primeira vez que o Espírito de Deus os mova a cavar o poço de água viva, para que alcancem uma visão que seus pais alcançaram em seus dias.
Irmãos e irmãs, a visão é extremamente importante para nós. Se vocês lerem toda a Bíblia, verão que a vida de todos aqueles homens e mulheres de Deus era governada pela visão que tiveram.
O primeiro livro, cronologicamente falando, é o livro de Jó, porque Jó viveu no tempo dos patriarcas.
E, na geração de Jó, não havia ninguém como ele. Era íntegro e reto, temia a Deus e se afastava do mal. Era um homem tão bom que, certo dia, quando os anjos do Senhor se reuniram ao redor do Senhor, Satanás também veio entre eles.
E Deus perguntou a Satanás: “Por onde você esteve? O que tem feito?”. Satanás disse: “Tenho percorrido toda a terra, de um lado para o outro”.
Agora, vocês acham que Satanás é um viajante pelo mundo? Que simplesmente gosta de viajar? De maneira nenhuma. Ele não viaja por prazer. Viaja com um propósito. Está examinando, observando, sondando, procurando.
Então nosso Senhor lhe disse: “Você observou Meu servo Jó?”. O Senhor sabia que ele certamente o havia observado, e provavelmente Jó era um alvo especial de sua observação.
Então o Senhor o desafiou e disse: “Você observou Meu servo Jó? Não havia ninguém como ele em sua geração: íntegro, reto, temente a Deus e que se afastava do mal”.
E Satanás é sempre assim. Satanás respondeu, questionou Deus e disse: “Ora, será que Jó Te teme por nada? Tu colocaste uma cerca ao redor dele. Abençoas tudo o que lhe pertence. Não é de admirar que ele Te tema”.
Deus aceitou aquele desafio. Deus disse: “Muito bem, dou-lhe permissão para tirar tudo o que Jó tem, mas não toque nele”.
Satanás pensou que, ao tirar as bênçãos que Deus havia dado a Jó, Jó amaldiçoaria Deus na Sua face. Então saiu e praticou o mal.
Em um só dia, Jó perdeu tudo — não apenas seu gado, suas ovelhas, seus camelos e a maioria de seus servos, mas também todos os seus sete filhos, em um só dia.
Não creio que, mesmo hoje, alguém sofreria em um só dia uma calamidade tão grande quanto a de Jó.
Vocês sabem, quando enfrentamos uma pequena aflição, imediatamente murmuramos. Mas olhem para Jó. Quando todas essas coisas aconteceram, Jó rapou a cabeça, prostrou-se diante do Senhor e disse:
O Senhor deu, e o Senhor tomou; Bendito seja o nome do Senhor.
Em outro dia, quando os anjos se reuniram ao redor de Deus, Deus novamente disse a Satanás: “Agora, você fez tudo o que lhe foi permitido fazer. Foi até o limite. E agora?”.
Vocês sabem, às vezes me pergunto se hoje existe alguém em quem o Senhor tenha tanta confiança a ponto de desafiar Satanás de maneira tão absoluta. Eu me pergunto.
E tamanha é a maldade de Satanás. Ele disse: “Tu me permitiste tirar todas as coisas dele, mas não me permitiste tocar nele. Se me permitires tocar nele, imediatamente ele Te amaldiçoará na Tua face”.
O Senhor aceitou o desafio e disse: “Muito bem, você pode tocar nele, mas não pode tirar sua vida”.
E Satanás se apressou alegremente em sua má intenção. Atacou Jó. Seu corpo inteiro ficou coberto de feridas. Ele se sentou na cinza, raspando-se com cacos de barro.
Sua esposa chegou a lhe sugerir: “Amaldiçoa a Deus e morre”. E Jó disse: “O Senhor deu, e o Senhor toma”. Ele não pecou com sua boca.
Queridos irmãos e irmãs, aqui estava um homem que sofreu mais do que qualquer outra pessoa nesta terra, exceto Um — nosso Senhor Jesus Cristo.
Seus três amigos vieram para consolá-lo. Quando o viram, não conseguiram dizer nada, porque nunca tinham visto algo assim. Sentaram-se com ele durante sete dias, em silêncio.
Jó conseguiu suportar todos os ataques do inimigo. Tiraram todos os seus bens, até seus filhos — Jó conseguiu suportar. Com aflição por todo o corpo, Jó conseguiu suportar.
Mas, diante de seus amigos, ele desmoronou. Como isso é humano.
Começou a amaldiçoar o dia de seu nascimento. Não ousava amaldiçoar a Deus, mas amaldiçoava a si mesmo. Não conseguia entender. Estava no escuro. Sabia que havia algo por trás de tudo aquilo, mas não compreendia.
Pediu uma audiência diante de Deus. Se ao menos pudesse argumentar com Deus: por quê?
E seus três amigos tentaram consolá-lo, mas, em vez disso, foram usados pelo inimigo. Condenaram-no. Apresentaram acusações. Aumentaram seu sofrimento em vez de aliviá-lo. E isso se repetiu, repetiu e repetiu.
Por um lado, Jó não entendia. Contudo, por outro, dizia: “Mesmo que Deus me mate, ainda confiarei Nele. Sei que tenho um Redentor, um Mediador”.
Ele estava à beira de desmoronar. Mas, naquele exato momento, o Senhor lhe apareceu.
O Senhor não lhe explicou o porquê. Jó não sabia que algo estava acontecendo no mundo invisível. Não podia ver o invisível. Não podia ver o conflito entre Deus e Satanás.
Só podia ver o que lhe acontecia. Só podia ver suas circunstâncias. Só podia sentir as palavras cortantes de seus amigos.
Mas o Senhor veio. Não lhe explicou o porquê. O Senhor precisa explicar? Ele não tem o direito de fazer tudo o que deseja?
Em vez de explicar a Jó o porquê, Deus simplesmente lhe revelou Sua glória — Sua glória na criação. Ele é o Deus da glória.
E, queridos irmãos e irmãs, quando Jó viu a glória de Deus, inclinou-se e disse: “Senhor, no passado eu ouvi falar de Ti. Todo o meu passado se baseava em ouvir. Eu cria, mas isso não é suficiente. Agora Te vi. Vi a Tua glória”.
Eu me arrependo no pó e na cinza. Abomino a mim mesmo.
Graças a Deus, ele foi liberto de si mesmo, liberto de sua justiça própria. Foi liberto para pertencer inteiramente a Deus. E esse foi Jó.
Foi a visão da glória do Senhor que fez Jó atravessar tudo aquilo. Ela não apenas o capacitou a vencer todas essas perguntas sem resposta, mas a glória de Deus resolveu todos os seus problemas e o conduziu à condição de filho, à bênção em dobro e à glória.
Sua visão o libertou. Portanto, precisamos de visão. Sem visão, o povo perece. Como isso é verdadeiro.
Muitas vezes estamos a ponto de perecer, mas, graças a Deus, quando Ele Se revela a nós, isso nos faz atravessar tudo em glória.
Pensem em Abraão. Ele estava em Ur dos Caldeus, uma terra de ídolos. A tradição diz que seu pai fabricava imagens de ídolos.
Mas, certo dia, o Deus da glória apareceu a Abraão. Irmãos e irmãs, uma única aparição — uma única aparição da glória de Deus — o tirou de Ur, do meio de sua parentela, e o levou a um lugar para onde o Senhor o conduziu.
Ele saiu sem saber para onde ia. E ali, na terra prometida, viveu como peregrino, como estrangeiro. Viveu em tendas durante toda a sua vida.
O que o sustentou? Qual é o segredo daquela vida? Se quisesse voltar, poderia. Às vezes, a situação se tornava tão difícil que ele era tentado. Foi para o Egito. Foi para a terra do sul.
Mas, de alguma maneira, o Senhor o guardou, porque ele aguardava uma cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus.
Queridos irmãos e irmãs, se vocês lerem a vida de Abraão, qual é o segredo daquela vida? Visão. Ele viu o Senhor. Viu o propósito de Deus. Viu a Nova Jerusalém.
E essa visão o sustentou ao longo de sua extensa vida. Visão — é disso que precisamos.
Pensem em Moisés. Ele foi criado e educado no palácio de Faraó. Aprendeu toda a sabedoria do Egito. Era poderoso em palavras e obras.
Tinha tudo o que o mundo podia oferecer. Tudo estava aos seus pés. E, ainda assim, preferiu sofrer com os filhos de Deus a desfrutar de todos os prazeres do pecado no Egito.
Considerou o opróbrio de Cristo de muito maior valor do que todos os tesouros do Egito. Irmãos e irmãs, pergunto-me se conhecemos um pouco dos tesouros do Egito.
Vocês sabem, por meio de escavações, encontraram todos esses tesouros nos túmulos. Não sabemos quanto valiam esses tesouros do Egito.
Mas, surpreendentemente, encontramos aqui um homem que considerava o opróbrio de Cristo de maior valor do que todos os tesouros do Egito.
O que vocês encontram no opróbrio de Cristo? Rejeição. Crucificação fora da cidade de Jerusalém. Abandono. Até Seu Pai celestial O esmagou na cruz. Esse é o opróbrio de Cristo.
Como ele pôde considerar o opróbrio de Cristo de maior valor do que os tesouros do Egito? Por uma razão: ele viu Aquele que é invisível. Viu o Senhor.
Irmãos e irmãs, essa é a razão. Há poder por trás disso. A visão é importante.
Pensem em Davi. Que vida ele teve. Passou pela adversidade. Passou pela prosperidade. Foi perseguido como um fugitivo. Esteve no trono de Israel.
Pergunto-me se há alguém na terra que tenha experimentado coisas tão variadas em sua vida quanto Davi. Ele passou por tudo o que vocês podem imaginar.
Leiam os Salmos — como ele expressou aquilo por que havia passado. E, no entanto, há sempre uma nota constante ali. Não importa o que acontecesse, ele era um homem segundo o coração de Deus, que conhecia toda a Sua vontade. Por quê?
Qual é o segredo de sua vida? Leiam Salmos 27:4:
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, Para contemplar a beleza do Senhor, E para inquirir no Seu templo.
O meu coração Te disse: Buscai a Minha face. A Tua face, Senhor, buscarei.
Queridos irmãos e irmãs, durante toda a vida de Davi, o que o sustentou, lhe deu força, o disciplinou e deu propósito e sentido à sua vida foi a face de Deus.
Ele viu a Sua face. Se Deus escondesse dele a Sua face, ele seria como um morto. Buscou a Sua face. Conheceu o coração de Deus e pôde fazer a vontade de Deus em sua geração.
Irmãos e irmãs, é a visão. Nosso problema é que vemos pessoas, vemos problemas, vemos dificuldades, vemos até a nós mesmos; mas deixamos de ver a face de Deus — a glória de Deus na face de Jesus Cristo.
Se pudermos ver continuamente a Sua face, irmãos e irmãs, nada na terra poderá nos abalar. Visão: é disso que precisamos.
Pensem no profeta Habacuque. Ele viveu em tempos muito difíceis, quando os filhos de Israel se rebelavam contra Deus e pecavam contra Deus.
E, sendo profeta, ele estava do lado de Deus. Questionava e orava: “Por que Tu não julgas este povo perverso? Tu és o Deus da justiça. Olha para o Teu povo, de dura cerviz, rebelando-se contra Ti. Tu precisas fazer alguma coisa”.
“Julga-os. Desperta a consciência deles. Leva-os à convicção do pecado. Por que Tu não fazes alguma coisa?”
E o Senhor lhe respondeu: “Estou agindo. Eu o farei. Enviarei os caldeus para virem castigá-los, para destruí-los”.
Ora, isso tornou as coisas ainda mais difíceis para Habacuque. Ele se preocupava com seu próprio povo. “Por que Tu deixas este povo continuar pecando contra Ti? Faz alguma coisa. Põe fim a isso. Mesmo que signifique juízo, tudo bem, porque o Teu juízo nos restaurará.”
Mas, para sua surpresa, a vara de juízo que Deus usou foram os caldeus. Os caldeus eram mais perversos do que os filhos de Israel. Ora, como podes usar um povo mais perverso para julgar um povo perverso? Isso não é justo.
Habacuque não conseguia aceitar aquilo. Estava em um dilema. Não sabia o que fazer. Fez a única coisa que podia fazer: subiu à torre de vigia. Ele vigiaria. Esperaria no Senhor.
E ali o Senhor lhe revelou o que Deus estava fazendo, para lhe responder acerca de sua queixa. Enquanto estava ali vigiando, a palavra do Senhor veio a ele e disse: “Eu lhe dou uma visão. Escreva-a, para que aqueles que a leem possam correr”.
“Esta é uma visão para o futuro, mas ela está chegando. Pode demorar, mas virá no fim.”
É verdade que os caldeus se orgulhavam de si mesmos, esquecendo que eram apenas instrumentos. Mas o justo viverá pela sua fé. Essa é a visão.
O justo viverá pela sua fé. E, queridos irmãos e irmãs, com essa visão Habacuque pôde ver que, mesmo que tudo parecesse ter desaparecido — a figueira não desse fruto, a videira não produzisse, os currais estivessem vazios, tudo tivesse chegado ao fim —, ainda assim:
Eu me alegrarei no Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, foi essa visão que capacitou o profeta a vencer toda decepção e esperar em Deus. Precisamos de visão.
Pensem no apóstolo Paulo. Qual é o segredo de sua vida e de seu ministério? Uma coisa: a visão celestial. É isso.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos cavar o poço da visão.
Por que a visão é tão importante? Porque a visão nos dá direção. Sem visão, não temos direção. Nossa vida ficará apenas flutuando, vagando, à deriva.
A visão nos dá direção. Sabemos para onde estamos indo.
A visão dá sentido à nossa vida. Qual é o sentido da vida? Sem visão, a vida não tem sentido.
A visão nos dá força. Em tempos de aflição e oposição, ela nos dá força para atravessar tudo isso.
A visão nos disciplina. Onde não há visão, o povo se entrega à dissolução. Vocês sabem, se não têm visão, simplesmente fazem o que querem, porque não há disciplina, nada que os constranja e os contenha.
Sem visão, o povo perece. Vocês não podem viver espiritualmente se não tiverem visão, ou se perderem a visão que Deus lhes deu. Não podem viver nem por um momento.
E é a visão que nos une. Sem visão, o povo se desintegra. Ficamos espalhados por toda parte, cada um seguindo seu próprio caminho. Mas é a visão que nos une.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, a visão é indispensável.
Vocês sabem, mesmo para as pessoas do mundo, a visão é importante. As pessoas do mundo não terão sucesso em coisa alguma se não tiverem visão.
“Eu tenho um sonho.” Isso é uma visão. Porque, sem visão, tudo fica sem sentido, sem propósito — sem direção, sem controle. Sua vida ficará simplesmente à deriva.
Mas, para as pessoas do mundo, sua visão é terrena. A visão de algumas pessoas é alcançar sucesso em determinada área — talvez na política; talvez nas finanças; talvez na educação; ou até moral ou religiosamente.
Mas há algo que as impulsiona, que as impele e as capacita a sacrificar tudo para alcançar esse objetivo. Isso as capacita a perseverar. Isso é visão.
Mas, queridos irmãos e irmãs, nós, como povo celestial de Deus, temos o mesmo sonho, a mesma visão das pessoas do mundo?
Nós, que fomos redimidos pelo Senhor — nossa vida é motivada por dinheiro, sucesso neste mundo, posição, poder ou até pelo desejo de nos tornarmos um grande homem ou uma grande mulher em alguma área?
Se temos a mesma visão das pessoas do mundo, como perdemos nossa dignidade.
Nós, como filhos de Deus, como redimidos de Deus, como povo celestial de Deus, precisamos de uma visão celestial.
Nossa visão é celestial. Nossa visão é espiritual. Nossa visão é eterna. Não é como a visão das pessoas do mundo. A visão delas é terrena, temporária e passageira. Não é nada.
Mesmo que vocês a alcancem, é correr atrás do vento — vaidade de vaidades.
Mas, queridos irmãos e irmãs, aqui alcançamos a visão celestial. Ela é espiritual, celestial, eterna.
O que é a visão? Vocês sabem, graças a Deus, algumas pessoas do povo de Deus nos dizem que Deus lhes deu uma visão. Têm a visão de evangelizar o mundo e, por causa dessa visão, estão dispostas a se sacrificar.
Graças a Deus por esse sacrifício. Quando vocês leem a vida de todos os primeiros missionários, seu coração é tocado. Graças a Deus por eles.
Como conseguiram suportar todos os sofrimentos, a oposição, a incompreensão? Eles chegaram a dar sua vida pelo evangelho de Jesus Cristo. Graças a Deus por isso.
Alguns tiveram uma visão de plantar igrejas. Foram por toda parte para plantar igrejas.
Alguns tiveram visões de abrir orfanatos e escolas para os pobres, para os cegos, para os abandonados. Graças a Deus por esses irmãos e irmãs.
E, por causa dessas visões, foram impulsionados, compelidos a prosseguir. E Deus os abençoou.
Mas, irmãos e irmãs, essa é a visão celestial de que a Bíblia fala?
Não diremos que não, mas também não podemos dizer que sim. Essas visões são secundárias.
A visão de que a Bíblia fala não é uma coisa. Não é uma obra. É uma Pessoa. É viva.
Não é a evangelização. É Cristo. Não é alguma boa obra. É Cristo Jesus. Ele é a visão.
É a glória de Deus. É o propósito eterno de Deus.
Irmãos e irmãs, precisamos vê-Lo. Precisamos ter nosso coração cheio Dele. Precisamos ser inteiramente atraídos a Ele.
Ele precisa ocupar nosso coração de tal maneira que tudo o mais fique de fora. Cristo, Cristo — nada além de Cristo.
Quando somos conquistados por Ele, quando somos conquistados por Sua glória, quando somos conquistados por Seu propósito, irmãos e irmãs, todas as outras coisas serão para Ele.
Podemos estar envolvidos na evangelização, mas não por causa da evangelização em si — por causa de Cristo. Podemos estar envolvidos em boas obras, mas não pelas boas obras em si; é por causa de Cristo.
Ele é a visão. Não há nada mais.
Queridos irmãos e irmãs, que nosso coração esteja simplesmente cheio Dele e não deixe espaço para qualquer outra coisa. Infelizmente, estamos ocupados demais com coisas, com pessoas, com nós mesmos, e tudo isso impede que vejamos Cristo.
Lembro-me de um irmão que disse: “O que precisamos é de uma visão do todo”.
Todos nós temos pequenas visões — uma visão disto, uma visão daquilo. “Deus me chamou para fazer isto. Deus me chamou para fazer aquilo.” Mas, vocês sabem, esses são os detalhes.
Eles devem se encaixar em um quadro maior. Como a Bíblia diz em 2 Timóteo 1:13:
O modelo das sãs palavras.
Precisamos ver o contorno. Precisamos ver o quadro geral.
É o quadro de Cristo — o propósito eterno de Deus em Cristo Jesus. Esse é o contorno. Essa é a visão celestial.
E então vocês descobrirão que cada um de nós se encaixa nesse quadro, mas todos estão relacionados a essa única visão. É como um quebra-cabeça. Há muitas peças. As peças, por si mesmas, não têm sentido, mas, quando vocês conseguem juntá-las, veem a face de Deus em Jesus Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, essa é a visão celestial.
E, para chegar a essa visão, precisamos cavar. A visão já foi dada. Está revelada na Palavra de Deus.
Mas, infelizmente, o inimigo amontoou tanta terra sobre ela que não conseguimos provar a água viva.
Portanto, que o Senhor nos ajude, irmãos e irmãs, durante estes dias. Que o Espírito Santo toque nosso coração e nos capacite a pôr as mãos na terra.
Cavem. Cavem. Tirem, lancem fora a terra, e deixem a água viva jorrar para a vida eterna.
Vamos orar?
Amado Senhor, Tu tens as palavras de vida eterna. Para onde podemos ir? Não podemos deixar de ficar contigo.
Senhor, oramos para que Tu abras nossos olhos para vermos que Tu és o único que é digno, digno de tudo.
Livra-nos das muitas coisas que têm ocupado nossa visão. Remove-as.
Queremos nos arrepender no pó e na cinza. E que as águas vivas de Deus jorrem para a eternidade, para o louvor e a glória de Deus.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.