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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Holy Spirit, Church & the Nations #4 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Holy Spirit, Church & the Nations #4
    Holy Spirit, Church & the Nations #4
    Austin-Sparks, T.

    O Espírito Santo como Espírito de Luz

    Precisamos de algumas passagens conhecidas.

    Primeiramente, do Evangelho de João, em João 14:16:

    Eu rogarei ao Pai,
    e Ele vos dará outro Consolador,
    para que esteja convosco para sempre,
    o Espírito da verdade, a Quem o mundo não pode receber;
    porque não O vê, nem O conhece:
    vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós.
    Não vos deixarei órfãos: voltarei para vós.

    João 14:25:

    Estas coisas vos tenho dito, estando ainda convosco.
    Mas o Consolador, o Espírito Santo, a Quem o Pai enviará em Meu nome,
    Ele vos ensinará todas as coisas,
    e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

    E o trecho que conhecemos tão bem, do primeiro capítulo da carta aos Efésios, em Efésios 1:17:

    Oro para que o Pai da glória vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele.

    O Espírito Santo considerado como luz

    Ao considerarmos o Espírito Santo como caráter divino, ou testemunho divino, passamos nesta tarde a outro ângulo: considerá-Lo como luz.

    Ontem à noite, foi a verdade. Nesta manhã, foi a santidade. Agora, é a luz.

    Deus é luz. Jesus é a luz dos homens e do mundo. O Espírito Santo é chamado de Espírito de revelação. Deus habita na luz. A cidade, que é a última representação apresentada na Bíblia, tem a luz de Deus. A Palavra de Deus é uma luz, uma lâmpada. Os cristãos são chamados de filhos da luz.

    Portanto, tudo o que se relaciona com Deus é luz. Nele não há treva alguma.

    É Satanás quem é o príncipe das trevas. Suas obras são as obras das trevas. Seus filhos são os filhos das trevas. Esses são os dois reinos opostos e em conflito: o reino da luz e o reino das trevas.

    O Espírito Santo é o Espírito de luz, conforme o que acabamos de ler das palavras do Senhor Jesus:

    Quando Ele vier, vos guiará em toda a verdade.
    Ele receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.

    Assim, consideramos o Espírito Santo quanto ao Seu caráter e, depois, quanto à Sua função, em termos de luz.

    A luz como fundamento da edificação divina

    Deus nunca começa a edificar antes que haja luz. Na criação, antes de prosseguir com a edificação, Ele separou a luz das trevas. Ele disse:

    Haja luz.

    Essa é uma lei permanente: Deus realiza toda a Sua obra sobre o fundamento da luz.

    Aquelas duas grandes representações simbólicas de Deus, o tabernáculo e o templo, foram o resultado da iluminação espiritual concedida a Moisés e a Davi. Antes que pudessem construir, era necessário que lhes fosse dada luz. Alguém precisava ser o receptáculo da revelação.

    Quando chegamos ao Novo Testamento, descobrimos que a primeira indicação explícita da igreja — “Edificarei a Minha igreja” — foi dada imediatamente depois que Pedro recebeu iluminação acerca da pessoa do Senhor Jesus.

    Não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai.
    Edificarei a Minha igreja.

    Essa é a coerência e o princípio de Deus. Vocês passam da primeira indicação da igreja no Novo Testamento, da primeira menção dessa palavra, à plena revelação de sua vocação, de seu destino e de seu propósito eternos na carta aos Efésios; e descobrem que, assim como no início, também em sua apresentação completa, tudo segue a linha da iluminação e da revelação pelo Espírito Santo.

    O Senhor Jesus disse:

    Eu rogarei ao Pai.
    Ele vos dará outro Consolador.
    Ele vos guiará em toda a verdade.

    Não sei ao certo se, na mente do Senhor Jesus, estava o pensamento da coluna no deserto, guiando o povo até a terra. É bem possível. Mas Ele disse: “Eu rogarei ao Pai. Ele lhes dará Alguém para guiá-los em toda a verdade”.

    Paulo está em oração da mesma maneira que seu Mestre orou, e sua oração segue a mesma linha: “Dobro os meus joelhos perante o Pai” — o mesmo Pai — “para que Ele lhes conceda espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele”.

    Aqui não se trata do início da revelação. Isso aconteceu com Pedro, em Mateus 16. Aqui temos outra palavra que não foi traduzida corretamente em nossa versão. Trata-se do pleno conhecimento Dele: um espírito de revelação no pleno conhecimento Dele.

    Portanto, precisamos ver, antes de tudo, o que é a luz. Se tanta coisa depende dela, se tanta coisa se apoia nela, ela é como uma das colunas sobre as quais repousa toda a estrutura da igreja. É muito importante que saibamos o que ela é.

    O caráter da luz

    Primeiramente, quanto ao caráter: luz é transparência. Luz é clareza. Luz é pureza absoluta. Luz é honestidade. Luz é um caráter aberto.

    A luz não esconde nada. Não admite esconder coisa alguma. Toda a sua ação e natureza são contrárias a esconder qualquer coisa. Ela não tem nada a esconder. Mostra tudo; mostra todas as coisas.

    Em outras palavras, ela não é engano. Não quer encobrir nada, nem fingir ou fazer crer que alguma coisa seja diferente do que realmente é.

    A luz é una; não é dupla. Não há duplicidade na luz. A luz é simplesmente luz. Não há dúvida alguma onde há luz.

    Agora, temos destacado que a cidade — que, como sabemos tão bem, é um dos títulos ou designações do Cristo corporativo, Cristo e Seus membros — se caracteriza por tudo aquilo que expressa a natureza da luz.

    Ela se caracteriza, como um todo, por uma clareza cristalina. É semelhante a uma pedra de jaspe, clara como cristal. Sua rua é de ouro puro e transparente. Seu rio tem água clara como cristal. Tudo nela tem a natureza da luz.

    Há tanta luz em seu caráter que ela não precisa do sol. A luz está em sua própria constituição. Seu caráter vem do Cordeiro, que é a sua luz.

    É possível ver através dessa cidade e de tudo o que há nela.

    Não sei se vocês gostariam de morar em casas transparentes. Mas, quando viverem nessa cidade — para usar a figura ou o símbolo —, não terão vergonha de que alguém veja o que está acontecendo. Não precisarão esconder nada. Bem, será possível ver através de tudo.

    Todas as coisas que produzem nebulosidade, obscuridade e indefinição — todas as coisas naturais — terão sido finalmente abolidas. Ali não haverá noite. Não haverá noite.

    Todas essas coisas, como vocês reconhecem, são simbólicas. Elas mostram simbolicamente o que o Espírito Santo veio fazer nos homens, nas mulheres e na criação. É isso que Ele veio fazer: produzir uma condição assim na natureza humana.

    Ele assumiu uma tarefa tremenda. É isso que Ele veio fazer. Ele é o Espírito de luz; esse é o Seu caráter.

    Sua presença visa, por um lado, pôr fim a tudo o que tem a natureza das trevas — a todas essas diferentes nuances e aspectos das trevas. Ele vem pôr fim a tudo isso pela aplicação da cruz, na qual tudo isso foi levado ao fim na pessoa do Senhor Jesus: tornar efetivo em nossa vida esse significado da cruz.

    Assim, tudo o que pertence àquele reino das trevas é removido. No fim, em nós, não há treva alguma.

    É realmente nisso que pensamos quando pensamos em receber o Espírito Santo ou em ser cheios Dele?

    Aqui, mais uma vez, talvez seja necessário reformular um pouco nossas ideias. É verdade que Ele possui muitos outros atributos. Ele é o Espírito de poder. Ele é o Espírito de sabedoria. Sim, sim, muitas outras coisas. Mas, juntamente com todas elas, Ele é isto.

    Não devemos dar mais importância aos aspectos da manifestação do Espírito — em poder, dons, capacidades e obras — do que ao caráter do Espírito Santo.

    Queridos amigos, se Ele realmente vai realizar Sua obra em vocês e em mim, o que Ele fará será tornar-nos pessoas cujo interior pode ser examinado sem medo algum, sem precisarmos fechar as cortinas. Simplesmente deixar que olhem para dentro. Podemos suportar que olhem para dentro.

    Nossa vida pode suportar esse exame. Nossos motivos podem suportar esse exame.

    O conhecimento do coração pelo Espírito Santo

    O Espírito Santo sabe disso. Ele sabe disso. Não podemos enganá-Lo. Não podemos tapar os olhos Dele, como se costuma dizer. Ele nos conhece.

    Ele lida conosco a partir de um conhecimento que nós mesmos não temos a nosso respeito. Portanto, precisamos reconhecer que o Espírito Santo lida conosco de acordo com um conhecimento de nós que vai além do nosso próprio.

    Ele viu algo que é contrário à Sua própria natureza. Olhou para dentro e encontrou algo que não corresponde a esse caráter de absoluta transparência. Ele está tratando disso.

    Vejam, muitas vezes pensamos que a sinceridade de nossa parte é tudo o que se exige. “Só precisamos ser sinceros”, dizemos. “Nós somos sinceros.”

    Lembro a vocês que, de qualquer modo, há uma diferença entre sinceridade e realidade. Saulo de Tarso era o homem mais sincero de seu tempo, mas era também o homem mais equivocado de seu tempo.

    A sinceridade pode ser necessária — pode ser muito importante, e é —, mas não nos enganemos com nossa sinceridade, dizendo que, por sermos inteiramente sinceros, devemos estar certos. Não é assim.

    O Espírito pode exigir sinceridade para abrir a porta. Creio que tudo o que é insincero é uma porta fechada para o Espírito Santo. Mas, afinal, a sinceridade apenas abre a porta para que Ele entre e então comece a nos mostrar que, por mais sinceros que fôssemos, estávamos errados.

    Foi exatamente isso que aconteceu com Paulo, não foi?

    Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus de Nazaré devia praticar muitas coisas.

    Absolutamente sincero, absolutamente consciencioso e, ainda assim, vergonhosamente equivocado e errado — até que veio uma luz. Então ele viu.

    Entendem o ponto? Ele não aceita simplesmente nossa sinceridade como a palavra final. Talvez entre por essa porta; depois começa Sua obra, mostrando que até nossos motivos mais puros provavelmente estavam misturados, e que nossas intenções sinceras estavam contaminadas.

    Ele age de acordo com Seu conhecimento, e devemos sempre reconhecer isso.

    Queridos amigos, se vocês e eu estamos realmente, realmente levando Deus a sério, e o Espírito Santo nos fez passar por uma experiência, por um dia que revelou muito de nós mesmos e foi um verdadeiro choque para nós — por causa daquilo que havia em nós e em que jamais teríamos acreditado se alguém nos tivesse contado —, o resultado é que nos prostramos com o rosto em terra, adorando-O como o Fiel e o Verdadeiro.

    Não rebelião, não amargura, mas gratidão a Deus por ter sido tão fiel conosco e tão verdadeiro — tão verdadeiro. Não queremos que reste em nós coisa alguma que seja trevas.

    Bem, essa é a primeira coisa a respeito do Espírito Santo como luz. Ele é plena transparência, honestidade e pureza sem sombra alguma, e trabalha para produzi-las, conduzindo-nos àquele resultado final de glória — tendo a glória de Deus —, porque não pode haver glória em nada que pertença ao reino das trevas.

    A luz como destemor e força

    Outra coisa a respeito da luz é que ela é absolutamente destemida. A luz não tem medo.

    Se esse caráter realmente está presente, nunca temos medo de que alguma coisa seja descoberta. Uma boa consciência, uma consciência limpa, é algo tremendamente corajoso. É algo muito forte. Coloca vocês numa posição muito forte.

    Onde há luz e não há trevas — nada a esconder e, portanto, nada que não queiramos que seja descoberto ou exposto —, não há medo. Não há medo. Há a grande força da confiança e da segurança.

    Qualquer coisa duvidosa, qualquer coisa questionável, da qual não temos certeza — se não temos certeza de que nossa posição está certa ou errada, se temos alguma dúvida —, estamos sempre com medo. Estamos na fraqueza do medo, não estamos?

    Trevas e medo sempre andam juntos, não é? Naturalmente, é assim. O medo pertence às trevas. Não há confiança nem força onde há trevas.

    Essa cidade, esse povo, no fim, é uma cidade tão forte, com muralhas grandes e altas. Ela é a própria expressão da ideia de força, mas sua força está em seu caráter. Sua força está em sua pureza, em sua luz.

    A luz como cura e restauração

    Outra coisa a respeito da luz é que essas enfermidades não podem existir onde há luz. Bem, sabemos disso no plano físico, não sabemos? Enviamos pessoas com certas doenças para países onde há muito sol e luz. Aprendemos a expor feridas ao sol para que sejam curadas.

    A doença não suporta a luz. A luz cura. A luz purifica.

    Agora, voltemos à cidade. João diz que as folhas da árvore são para a cura das nações. A doença não suporta essa luz que está na cidade. Simplesmente não suporta a luz que há ali.

    A luz trata de tudo o que está produzindo corrupção e o destrói. Ela repara o dano.

    Estou pensando especialmente agora nas descobertas e nos usos mais recentes da luz para a cura. Lembram-se de como isso começou? Na Primeira Guerra Mundial, tive muito contato com soldados feridos — milhares de corpos terrivelmente mutilados, dilacerados por projéteis de artilharia.

    Foi então, naquela guerra, quando era tão difícil lidar com aquela situação terrível, que foram adotados métodos de cura e até de reposição da carne perdida e de reparação dos tecidos destruídos. O método era colocar os feridos ao sol, simplesmente expondo-os ao sol.

    Sem compreender como isso acontecia, os homens descobriram que aquilo fortalecia o corpo, recompunha os tecidos destruídos e promovia a cura de maneira maravilhosa. Foi a introdução de uma nova técnica que agora, naturalmente, se desenvolveu em diversos tipos de tratamento para a cura.

    A luz faz isso. Ela cura; ela repara; ela destrói a doença.

    A luz como alegria e vitalidade espiritual

    Outra coisa — estamos preparando o caminho para uma aplicação —, outra coisa a respeito da luz é que ela é alegre. É alegre. É algo que eleva. É algo que inspira.

    As trevas são sempre deprimentes, não são? Sempre deprimentes.

    Vocês podem ver isso nas pessoas deste mundo. As pessoas que vivem naquelas regiões do extremo norte, onde não veem o sol do início de um ano ao início do outro, são pesadas. São apagadas. Em grande parte, são pessoas sem alegria.

    Quando vocês vão para os climas do sul, que diferença: risos, alegria, leveza de espírito. A luz exerce uma influência muito grande nesse sentido. As pessoas do sol são pessoas luminosas. As pessoas das sombras são marcadas pelas sombras.

    Ah, a luz é algo importante, não é, no caráter? Algo muito importante no caráter.

    Antes mesmo que a função possa começar, é preciso ter o caráter. Esse é o ponto.

    O testemunho da igreja pelo Espírito de luz

    A igreja lançou-se em sua grande missão mundial e desafiou as trevas em toda parte quando o próprio Espírito Santo entrou nela e lhe comunicou Seu próprio caráter.

    Vocês podem ver o contraste naqueles primeiros capítulos da história da igreja — um contraste tremendo nos próprios apóstolos. Ah, que mudança ocorreu neles! Como são diferentes!

    Eram homens nas sombras, nas trevas, mas agora são homens na luz — ou devo dizer, homens com a luz dentro de si? Algo transformou aqueles homens. Essa mudança: a luz está neles. O Espírito veio.

    Considerem aqueles dois representantes no caminho de Emaús. Havia um véu sobre seus olhos quanto às Escrituras. Quando o Senhor Jesus lhes abriu as Escrituras do Antigo Testamento — de Moisés, dos profetas e dos Salmos —, não era sua primeira apresentação à Bíblia. Eles conheciam as Escrituras. Conheciam a Bíblia.

    Não estavam apenas sendo apresentados ao Livro, mas como sua mente era obscura!

    Agora, ouçam-nos no dia de Pentecostes. Quanta luz eles têm acerca das Escrituras! Agora enxergam e proclamam uma maravilhosa iluminação proveniente das Escrituras.

    A luz entrou neles. Ela os transformou, tornou-os pessoas diferentes — diferentes e de uma espécie diferente. Em muitos aspectos, mal se pode reconhecê-los como as mesmas pessoas.

    Vocês não conseguem reconhecer o antigo Simão Pedro nesse homem que agora se levanta, fala e desafia a todos. Pouco tempo antes, ele não conseguiu enfrentar a interpelação de uma simples criada, mas agora pode desafiar os governantes. Algo aconteceu com esse homem. A luz entrou; algo foi feito.

    Em outras palavras, o Espírito entrou nele, e agora ele vê de novas maneiras.

    É assim que o testemunho começa. É assim que a função começa.

    Vejam, o Espírito Santo é o Espírito da obra do testemunho — do testemunho entre as nações. Queridos amigos, o Espírito Santo não pretende apenas fazer de nós revendedores de uma verdade de segunda mão.

    Essa é uma das fraquezas de todo esse sistema. Certas coisas são aprendidas ou ensinadas nas escolas, e depois as pessoas saem com aquilo que aprenderam nas escolas e lhes foi ensinado. Elas vão e repassam aquilo dessa maneira indireta, como uma reprodução fotográfica.

    Não é de admirar que não haja sobre as trevas o impacto que houve no princípio, que a cura das doenças espirituais e morais não aconteça e que todo o cenário não seja transformado. Não, não é dessa maneira.

    É por isso que o Senhor Jesus, depois de terem recebido todas as informações de que poderiam precisar — depois de terem recebido todo o Seu ensino, visto todas as Suas obras, visto Sua morte, visto-O depois da ressurreição e ouvido os anjos declararem que Ele voltaria da mesma maneira como O tinham visto subir —, não lhes permitiu sair e pregar isso.

    Sim, eles não tiveram permissão para sair entre as nações com tudo aquilo.

    Isso precisava tornar-se algo mais do que uma coisa que lhes fora dita, algo que lhes haviam contado, algo que tinham ouvido com seus ouvidos. Isso precisava entrar neles pelo Espírito Santo como um poder extraordinário em seu próprio ser.

    Por isso, Ele lhes ordenou que não se ausentassem de Jerusalém até receberem a promessa do Pai.

    Não, não é a verdade que nos foi ensinada; é a verdade que entrou em nosso coração pela iluminação do Espírito Santo que é poder. Nenhuma outra. Isso é importantíssimo.

    Ouso dizer, queridos amigos, que, se apenas uma pequena porcentagem de todo o ensino representado por este pequeno grupo se tornasse viva no poder do Espírito Santo, algo tremendo aconteceria.

    Haveria um impacto e uma impressão comparáveis aos que houve no princípio. Isso é maravilhoso.

    Não nos contentemos com nossa verdade e nosso ensino. O Senhor deixou perfeitamente claro que aquilo não era tudo de que eles precisavam. Não era tudo o que Ele lhes havia dado, nem tudo o que lhes havia mostrado, por mais que tivessem recebido em sua convivência com Ele — Ele deixou perfeitamente claro: isso não basta.

    “Vocês não devem sair pelo mundo apenas com isso. Essa não deve ser a base sobre a qual vocês vão. Isso ganhará vida; isso tem seu lugar; isso é necessário. Mas vocês não podem prosseguir apenas com isso.”

    Ficai até que sejais revestidos de poder.

    Então veio o revestimento. O que aconteceu? Aquilo que Ele lhes havia dito ganhou vida. O que Ele havia feito lhes veio como uma nova revelação de seu significado.

    O Espírito Santo é absolutamente indispensável, mesmo quando vocês possuem uma riqueza muito, muito grande de instrução, ensino e informação.

    Isso é verdade quanto ao indivíduo. Mas lembrem-se: como o Espírito Santo é a luz do santuário, Paulo ora pelo espírito de sabedoria e de revelação tendo a igreja em vista.

    Ele está pensando na igreja como a morada, a habitação, como ele a chama, de Deus pelo Espírito. É a igreja que deve estar aqui neste mundo, universal e localmente, como esse poderoso impacto sobre as trevas naquela localidade, onde quer que seja, pelo Espírito Santo.

    As trevas não podem permanecer sem ser desafiadas. Não podem permanecer sem ser desafiadas, e não podem triunfar no fim.

    Assim foi com o Senhor Jesus: Ele era a luz, e as trevas não a venceram. Parecia que tinham vencido, mas não venceram. Não venceram.

    A presença da igreja, com o Espírito Santo nela, deveria ser assim. Deveria ser assim: constituir um tremendo desafio. E, façam os homens o que fizerem, ou faça Satanás o que fizer, essa luz não se apaga. Essa luz permanece. Deveria ser assim.

    Vocês e eu, individualmente, depois que tivermos deixado esta terra, deveríamos ser lembrados como instrumentos de luz, vasos de luz — desse tipo de luz. Foi um desafio eficaz; não apenas tínhamos ensino e verdade, mas havia algo, com o Espírito Santo presente, que deixou sua marca.

    Todos nós deveríamos ser assim.

    Vocês acham possível que alguém realmente, realmente tenha o Espírito Santo em uma medida significativa e que isso não faça diferença alguma onde essa pessoa está? Certamente isso não poderia acontecer. Não poderia acontecer.

    Foi dito do Senhor Jesus que Ele não podia ficar oculto. Assim deveria ser conosco.

    Os impedimentos à iluminação espiritual

    Agora, essa é a verdade a respeito do Espírito Santo como luz. Tenho plena certeza de que vocês concordam com essa verdade e de que seu coração deseja que seja assim em sua própria vida.

    Talvez seja necessário que demos ao Espírito Santo uma oportunidade melhor e maior do que temos dado.

    Podemos, sabem, impedir a entrada da luz. Podemos privar-nos dessa luz do Espírito. Podemos ter vendas sobre os olhos.

    O que poderiam ser essas vendas?

    O preconceito

    Bem, o preconceito é algo terrivelmente cegante, sabem. O que é o preconceito? Bem, significa, como a própria palavra indica, que vocês julgaram previamente alguma coisa — uma situação — antes de realmente examiná-la.

    Preconceito, talvez com base em algum relato, ou em qualquer um de muitos pretextos: um julgamento antecipado.

    Ao julgar antecipadamente, sem uma investigação e uma averiguação diretas, honestas, sinceras e completas, levando a questão adiante até realmente conhecer, vocês se fecham. Ficam fechados para aquilo.

    Muito bem: vocês colocaram sobre os olhos a venda do preconceito. Não há esperança enquanto ela não for removida. Não há esperança enquanto ela não for removida.

    Alguns de nós sabem disso muito bem. Meus irmãos sabem que eu sei, exatamente nesse ponto.

    Há muitos anos, tudo mudou em minha vida, passando daquilo que chamo de um céu fechado para um céu aberto. Pelo menos um irmão estava presente numa manhã de domingo em que eu pregava, e eu estava pregando sobre o preconceito.

    Bem, algumas pessoas acham que posso ser enfático. Naquele dia, fui enfático. Metaforicamente, eu estava sem paletó e com as mangas arregaçadas. Investia contra o preconceito com toda a força que tinha, chamando-o de todos os nomes que meu vocabulário podia fornecer, dizendo que era algo cruel. Era aquilo que não dava oportunidade nem ao homem nem a Deus. E assim continuei.

    Bem, isso foi na manhã do Dia do Senhor. Na terça-feira de manhã, eu estava em meu escritório. Entregaram-me uma carta na qual eu era convidado a participar de determinada conferência. Se eu participasse, todas as minhas despesas seriam pagas — a viagem e os gastos durante minha permanência ali.

    Olhei e disse: “Não, de jeito nenhum! Nunca me encontrarão lá. Eu não chegaria nem perto disso”.

    Então peguei minha agenda. Eu tinha certeza de que, naqueles dias tão ocupados, naturalmente encontraria minha resposta; teria outros compromissos. Quando olhei minha agenda, as únicas datas livres eram justamente aquelas.

    Deixei-a sobre minha mesa e fiquei olhando para ela. “Como vou sair dessa? O que vou fazer a respeito? É muito gentil da parte dessa pessoa oferecer-se para pagar todas as minhas despesas. O que vou dizer?”

    Enquanto eu tentava encontrar uma saída pela porta dos fundos, minha esposa entrou com minha xícara de alguma coisa, como fazia pela manhã. Ela percebeu que eu estava um pouco perturbado, parecia um pouco preocupado, e me perguntou o que havia acontecido.

    Contei-lhe do que se tratava, e ela disse: “Bem, você tem algum compromisso nessa época?”

    Eu disse: “Não, justamente nessa época não tenho nenhum”.

    “Ah”, disse ela, “bem, parece-me que você tem duas alternativas: ou diz a eles que não vai, ou vai”.

    Então, vejam, essa é a vantagem de ter uma esposa prática.

    Fiquei com aquilo, e ela saiu. Quando comecei a pensar novamente no assunto, foi como se alguém estivesse ao meu lado. Não vi ninguém e não ouvi voz alguma, mas foi como se alguém estivesse ao meu lado e dissesse: “E o seu sermão sobre o preconceito?”

    Ah, bem, tive de encarar tudo aquilo diante de Deus.

    Agora, a questão é esta: foi justamente aquilo que trouxe uma grande mudança em minha vida e abriu o caminho para o Senhor fazer algo muito maior. Entrei numa posição inteiramente nova com o Senhor ao tratar daquele espírito de preconceito.

    Vocês podem entender como tenho medo do preconceito — do que ele pode fazer, de como pode fechar a porta ou, para voltar à minha figura, de como pode colocar uma venda sobre os olhos, de modo que ficamos privados daquilo que o Senhor deseja dar.

    O orgulho

    Sim, orgulho — orgulho, falta de disposição para nos humilharmos, falta de disposição para dizer que estivemos errados, para aceitar algo nesse sentido. Orgulho. Talvez poucas coisas ceguem mais do que o orgulho.

    A conveniência e o temor da opinião humana

    Conveniência? Conveniência? Vocês podem excluir completamente o Espírito Santo se forem governados pela conveniência.

    Isto é, levar em conta como isso afetará vocês e seus interesses, e o que as outras pessoas pensarão se fizerem isto ou aquilo. Vocês serão vistos como uma ave de plumagem diferente; receberão este ou aquele rótulo. Vejam, são considerações secundárias: como isso afetará vocês e seu futuro, talvez fechando-lhes portas.

    Ah, isso é um espantalho do diabo para roubar algo de vocês. Sim, isso cegará. Ele não prosseguirá se houver qualquer consideração de conveniência envolvida. Não se enganem a esse respeito.

    Muitas vezes tenho sido profundamente impressionado — e isso tem sido, posso dizer, um princípio orientador em minha própria vida espiritual, ao qual tenho procurado ser fiel — por aquelas palavras de João 5:44:

    Como podeis vós crer, recebendo glória uns dos outros,
    e não buscando a glória que vem do único Deus?

    Como vocês podem crer? Vejam, isso é uma condenação. Aqueles governantes, líderes e mestres judeus ficaram privados de tudo o que Cristo veio dar por causa dessa única coisa: a conveniência. Pensavam mais na glória dos homens do que na glória de Deus; viviam mais diante dos homens do que diante do Senhor.

    Se Abraão tem uma grande herança — e não há dúvida de que a tem, na promessa da aliança acerca de sua descendência, descendência essa que é Jesus Cristo —, que herança!

    Lembrem-se de que a aliança foi feita com Abraão no momento em que Deus lhe apareceu e disse:

    Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda diante de Mim e sê perfeito.

    Anda diante de Mim.

    Esse é o caminho da ampliação da herança: diante de Mim, não diante dos homens, não diante dos sistemas, não diante da opinião pública e não diante de suas próprias impressões — “Como seus interesses serão atendidos, e o que vai acontecer com você?”

    Anda diante de Mim e sê perfeito.

    Eu sou o Senhor Todo-Poderoso, todo-suficiente.

    Como podeis vós crer, recebendo glória uns dos outros,
    e não buscando a glória que vem do único Deus?

    Esse é o caminho da luz, o caminho do poder, o caminho do Espírito: o caminho de andar na luz, como Ele está na luz, e de andar com a luz dentro de nós.

    O testemunho da igreja em um mundo de trevas

    Agora, naturalmente, vocês podem ver como tudo isso se relaciona com o testemunho da igreja neste mundo. Podem compreender muitas coisas à luz disso.

    Quando a igreja estava cheia da luz do Espírito, ela exercia um impacto pleno, direto e frontal sobre o reino das trevas em toda parte. Quando a igreja começou a perder esse fundamento de luz, começou a perder sua influência no mundo.

    Que o Senhor nos salve. Vamos orar?