Depois de haver dado mandamentos, por intermédio do Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera.
E, estando reunido com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água; mas vós sereis batizados no Espírito Santo, não muito depois destes dias.
Sinto que o Senhor está nos conduzindo, neste momento, a uma reflexão sobre o Espírito Santo, a igreja e a nação.
Espero que possamos partir do pressuposto de que todos estamos realmente interessados em duas coisas. Em primeiro lugar, há em nosso coração um interesse muito real por uma vida cristã em plenitude — uma vida cristã tão plena quanto possível.
Esse é um vínculo necessário entre nós e a vontade do Senhor para nós. Ou, como vocês podem observar, quando o Senhor fala sobre o Espírito Santo, Ele usa a palavra cheios. Seu pensamento é a plenitude.
Não se trata apenas de recebermos o Espírito, mas de sermos cheios do Espírito. Não se trata apenas de sermos cheios, mas de sermos cheios do Espírito. A plenitude é o pensamento de Deus.
E, para entrarmos no pensamento de Deus, é realmente necessário que haja um profundo interesse e empenho por uma vida cristã plena — com toda a plenitude que o Senhor deseja que ela tenha.
Além disso, temos um profundo interesse em que a igreja dê um testemunho eficaz no mundo, conforme o desejo do Senhor. Estamos realmente interessados nesta questão: que o testemunho da igreja na nação tenha a maior eficácia possível.
Essas duas coisas são essenciais, não apenas para a realização do propósito do Senhor, mas também para que um tempo juntos como este seja proveitoso.
Se estamos aqui com qualquer outra disposição de coração, perceberemos que não estamos avançando muito. É necessário, portanto, que cada um de nós aqui, neste lugar, seja realmente caracterizado por esse duplo interesse: uma vida cristã tão plena quanto possível na vontade de Deus e um testemunho da igreja no mundo tão eficaz quanto possível.
Agora, em relação a essas coisas, há várias considerações fundamentais.
Em primeiro lugar, o cristianismo, a vida cristã e a igreja devem sua própria existência à vinda do Espírito Santo, naquele acontecimento registrado na história como o Dia de Pentecostes.
Houve muitos dias de Pentecostes antes daquele. Era uma celebração periódica, e esse, nesse sentido, era igual aos outros. O Dia de Pentecostes era observado regularmente todos os anos.
Mas nunca houve um Dia de Pentecostes como aquele — tanto que é o único em que pensamos quando usamos essa palavra. Esquecemos que era uma palavra comum em Israel. Fazia parte do vocabulário comum e do calendário habitual das festividades israelitas.
Era o que poderíamos chamar de uma ideia corriqueira em Israel. E, no entanto, esquecemos tudo isso. Esquecemos os séculos; esquecemos as dezenas de celebrações de Pentecostes quando usamos a própria palavra, porque pensamos apenas naquela ocasião específica.
E com razão. Aquele dia absorveu todos os outros. Deu pleno significado a tudo o que os outros haviam prefigurado.
Foi o Dia de Pentecostes, corretamente chamado nas Escrituras de o dia.
O cristianismo e a igreja devem sua existência ao que aconteceu naquele dia. Isto é, não há cristianismo nem igreja reconhecidos na Palavra de Deus, na Bíblia ou no céu que não sejam fruto do Espírito Santo.
Não pode haver vida cristã sem o Espírito Santo. Não pode haver igreja sem o Espírito Santo.
E, naturalmente, isso nos leva ao seguinte: o cristianismo e a igreja jamais podem cumprir seu propósito ou alcançar o objetivo que Deus lhes destinou sobre qualquer outro fundamento que não seja aquele sobre o qual começaram — isto é, sobre o fundamento do Espírito Santo.
Não há alternativas nem substitutos para o Espírito Santo — nem para o cristianismo, nem para a igreja.
Se o Espírito Santo não continua atuando no cristianismo e na igreja, então o cristianismo e a igreja perdem o próprio sentido de sua existência.
Mas há ainda outra consideração. O início da atuação do Espírito Santo e de Sua obra não foi apenas uma série de atos sem relação entre si.
Às vezes, substituímos o título artificial e injustificado que consta em nossa Bíblia, “Atos dos Apóstolos”, por outro título: “Atos do Espírito Santo”. E reduzimos as coisas aqui registradas a uma série de atos, atribuindo-os corretamente ao Espírito Santo.
Mas, embora haja tantas coisas maravilhosas, elas não eram apenas atos isolados do Espírito Santo — e certamente não dos apóstolos.
O absurdo desse título dado ao livro fica evidente no fato de que nem meia dúzia de apóstolos tem participação nele. Embora todos sejam mencionados no início, a maioria desaparece do livro depois dessa menção. Os apóstolos que realmente aparecem em Atos são muito poucos: Paulo e Pedro, e mais um ou dois.
Este não é um registro dos atos dos apóstolos — talvez seja um registro dos atos de alguns apóstolos.
O que quero dizer é que os atos aqui registrados estavam relacionados a princípios fundamentais do Espírito Santo. Isto é, eram a demonstração de certas realidades espirituais que estavam por trás dos atos. Os atos não eram tudo.
Estamos equivocados — completamente equivocados — quando deixamos de reconhecer que o que acontecia era a demonstração de certas realidades fundamentais naquilo que constituía a igreja, a demonstração de certos princípios espirituais.
Não eram apenas acontecimentos, coisas que ocorriam sem qualquer significado além de si mesmas. Tinham um significado muito profundo. Sua importância era muito maior do que o simples acontecimento. Traziam consigo uma profunda verdade espiritual.
Se vocês e eu estamos realmente interessados nessa questão de uma vida cristã plena e de que a igreja seja uma testemunha eficaz na nação, precisamos ir além dos atos e chegar ao significado deles — aos princípios que esses atos demonstravam.
Eram todos acontecimentos muito significativos, como espero que veremos mais adiante.
Nesse ponto, precisamos olhar para algo muito evidente: que triste contraste existe entre os primeiros anos de atividade do cristianismo e da igreja e todos os séculos que se seguiram.
Realmente, não houve nada em todos esses séculos que se comparasse àqueles primeiros trinta anos.
O mundo certamente era, em certo sentido, um lugar muito menor naquela época do que é hoje — não, é claro, em extensão geográfica, mas como mundo conhecido. Ainda assim, não são apenas a dimensão, os números ou a quantidade de nações que determinam isso. O que importa é a comparação.
Naquele mundo, naquele mundo inteiro de nações e povos, produziu-se um impacto que não tem comparação com qualquer época posterior. E é duvidoso que todas as épocas posteriores, somadas, representem a força espiritual que existia naqueles primeiros anos.
Ali estavam eles. O testemunho entre as nações era algo tremendamente eficaz.
Não precisamos lembrar a vocês o que havia acontecido ao final da vida apenas do apóstolo Paulo — isto é, no decorrer da vida de um único apóstolo.
Como eram as coisas quando Paulo se converteu: pequenas, em meio a lutas, limitadas em alcance e em tudo o mais. E como eram quando Paulo foi para o Senhor: igrejas em praticamente todas as nações, muitas delas muito, muito além das fronteiras nacionais.
Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, E as suas palavras, até aos confins do mundo.
Esse é o extraordinário registro de uma vida de serviço cristão não muito longa, principalmente por parte de um só homem. Digo que não há nada que se compare a isso.
Então, naquele momento, surgiu algo que quase interrompeu tudo por completo — de qualquer modo, iniciou um movimento de declínio. Assim, não fossem pequenas lâmpadas de testemunho aqui e ali, de tempos em tempos, em lugares remotos, toda a igreja, a igreja como um todo, teria perdido seu senso de responsabilidade pela obra e por seu testemunho no mundo.
Isso era tão profunda e terrivelmente verdadeiro que, quando chegamos a uma época tão tardia quanto a vida de William Carey, vemos que ele, ao falar numa igreja do interior sobre a obrigação da igreja de Deus de levar o evangelho de Cristo aos pagãos, foi imediatamente atacado por um dos presentes e repreendido:
“Jovem, se Deus algum dia quiser evangelizar os pagãos, Ele o fará sem a sua ajuda.”
Que perda absoluta do senso de responsabilidade.
Então chegamos ao que podemos chamar de renascimento, o reavivamento dessa responsabilidade nos últimos cem anos. E não vou apresentar a vocês uma história das missões; esse não é o ponto. Logo vocês verão aonde quero chegar.
Mas pensem em tudo o que foi investido nisso, digamos, em cem anos. Pensem em todas as vidas que partiram com essa inspiração de evangelizar — um grande e poderoso exército de homens e mulheres que foram para as nações. Pensem nos muitos milhões de libras investidos nisso.
Seria algo tremendamente impressionante, queridos amigos, se eu pudesse apresentar a vocês nesta tarde um levantamento de quantas sociedades estão envolvidas nessa obra, quantos representantes possuem, quantos tiveram desde sua fundação e quanto dinheiro foi investido nisso — quanto trabalho, organização e tudo o mais.
Seria uma história espantosa e surpreendente. Todos os países que ofereceram seus recursos em pessoas, meios e energia — e hoje nem metade do mundo sabe alguma coisa sobre o evangelho.
Apesar de tudo isso, nem metade. E, além disso, o cristianismo está perdendo sua influência neste mundo.
Basta olhar para o nosso próprio país. Vejam a perda da influência do cristianismo neste país. Como isso é trágico. Estamos percebendo isso agora: nenhum testemunho nas altas esferas; a perda do lugar de Deus entre autoridades e governantes.
E o terrível, terrível crescimento da impiedade, do esquecimento de Deus e da indiferença para com Deus no mundo ocidental.
Qual é o problema? Digo tudo isso para estabelecer a comparação.
No início, a igreja produzia um impacto nesta terra que levava o mundo a dizer:
Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.
Governantes, nações e o inferno eram tomados de medo diante disso, diante dessa presença. Hoje não é assim.
Não vou me deter muito nessa história. Há hoje uma terrível história de ineficácia espiritual e de um tipo de cristianismo muito generalizado — com toda a honra e todo o respeito pelos dedicados, pelos sinceros e pelos que se sacrificam. Estou falando de modo bastante geral.
Por quê? Qual é o problema?
Estou certo, queridos amigos, de que isso nos leva de volta a toda essa questão do Espírito Santo. E isso nos desafia e certamente suscita algumas perguntas em nós.
A pergunta que surge imediatamente em nosso coração, se é uma pergunta legítima, permitida, é esta: temos alguma base para crer que o Espírito Santo continuaria ou repetiria a obra daqueles primeiros trinta anos?
Foi algo apenas para um período? Deus demonstrou algo de maneira tão grandiosa naquela ocasião, sem a intenção de que isso continuasse? Era algo temporário, para ser apenas recordado?
Não podemos aceitar isso.
Temos base para realmente crer que Deus continuaria a agir dessa maneira e que repetiria isso novamente?
Bem, penso que a resposta está em duas direções. Em primeiro lugar, certamente isso está ao menos sugerido — creio que está implícito — nestas palavras de Lucas no início deste segundo tratado:
Tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que foi recebido no alto.
O que está implícito nessa declaração não é apenas que Lucas agora está dizendo: “Vou contar a vocês o que Ele continua a fazer depois de ser recebido no alto”, mas certamente também que Sua ascensão e a continuidade de Sua obra a partir de Sua posição celestial não se referem a um período curto — a alguns anos da vida de um homem.
Não podemos aceitar isso. Certamente temos base para crer que, de Sua posição celestial, Ele continuaria. E, na realidade, Ele está dando continuidade à Sua obra, porque é uma obra para toda a nossa dispensação. Creio que toda a Palavra confirma isso.
Ele diz: “Até à consumação do século”. Ele mesmo disse:
Estou convosco todos os dias, até à consumação do século.
A consumação do século não chegou quando o apóstolo Paulo foi executado e foi para o Senhor.
Mas temos outras evidências que respondem à nossa pergunta: ao longo dessas épocas, e mesmo em nossos dias, onde o Senhor encontra as condições que exige, Ele faz exatamente isso. Ele o faz.
Isso acontece. Pode não ser em escala mundial, mas acontece. Aqui e ali, de tempos em tempos, o Senhor tem feito algo comparável, em seu alcance, ao que aconteceu no início.
Ele tem feito isso. E, em algumas partes do mundo, está fazendo isso agora. Está acontecendo, e pode ser visto. O Senhor está fazendo algo.
Quando vocês veem e reconhecem isso, não têm de dizer: “Isso é exatamente o que encontramos no livro de Atos”? Ali está.
Sim, há exemplos ao longo da história que comprovam isto: se o Senhor encontra as condições que exige, Ele dará continuidade ao mesmo tipo de obra que realizou no início.
Isso nos leva, naturalmente, a duas linhas de investigação. Primeiro: por que a obra foi interrompida? Por que parou, ou começou a perder força, em determinado ponto claramente definido da história do cristianismo?
Podemos ver quando isso começou a acontecer. Se examinarmos a questão, poderemos perceber: ah, foi aqui que começou.
Isso apenas nos leva a apresentar o assunto de outra forma, a formular a pergunta de outra maneira: quais são os fundamentos da obra do Espírito Santo?
Se respondermos à segunda pergunta, teremos respondido à primeira. A resposta à pergunta sobre por que a obra foi interrompida está ligada à descoberta do fundamento sobre o qual o Espírito Santo trabalha e dá continuidade à Sua obra.
Bem, isso nos leva imediatamente a essa questão do Espírito Santo. E, antes de tudo, trata-se do próprio Espírito Santo.
Quem é o Espírito Santo? O que é o Espírito Santo?
A segunda pergunta que surgirá é: que instrumento o Espírito Santo usará? Que tipo de instrumento Ele usou? Que instrumento usará?
Mas o Espírito Santo é criterioso. Ele é criterioso quanto ao Seu vaso.
Quem é e o que é o Espírito Santo? Bem, em primeiro lugar, consideremos o que o Espírito Santo não é e o que o Espírito Santo não veio fazer.
É preciso evitar um erro muito sério: o erro de tornar o Espírito Santo impessoal e fazer dos efeitos do Espírito Santo a totalidade da questão, se vocês entendem o que quero dizer.
O Espírito Santo não é, em primeiro lugar, uma influência. Ele pode exercer uma influência, mas, em primeiro lugar, não é uma influência.
Ele não é, em primeiro lugar, uma sensação. Vocês podem sentir Sua presença, mas Ele não é apenas uma sensação.
O Espírito Santo não é, em primeiro lugar, um princípio. Ele pode agir segundo princípios. O Espírito Santo não é, em primeiro lugar, um poder.
Fazemos dos efeitos do Espírito Santo tudo, ou corremos o risco de fazer isso. Essas coisas são características do Espírito Santo, mas o próprio Espírito Santo é uma Pessoa — tão verdadeiramente uma Pessoa quanto o Pai e o Filho.
A Palavra de Deus não se refere ao Espírito Santo como uma coisa. Jesus sempre falou do Espírito Santo como Ele:
Quando Ele vier.
Agora, vocês talvez pensem que isso não exige tanta ênfase. Isso é aceito e reconhecido pela maioria dos cristãos evangélicos. Mas digo que podemos nos complicar se não tivermos cuidado com essa questão.
Damos mais importância às características do que à própria Pessoa. Estamos lidando com Deus Todo-Poderoso na Pessoa do Espírito Santo.
Podemos pedir e buscar poder, sabedoria, luz, influência, percepção e consciência de Sua presença.
Mas o que realmente devemos sempre ter em mente é que se trata dessa própria Pessoa divina que, com o Pai e o Filho, é um só Deus. É Deus presente — verdadeiramente o próprio Deus presente em Pessoa, tão verdadeiramente quanto o próprio Jesus era Deus presente em Pessoa.
Percorram este livro chamado Atos, e verão que, nem dentro da igreja nem fora dela, as pessoas estavam lidando com alguma coisa abstrata. Estavam lidando com uma Pessoa viva e presente.
Ananias e Safira — Pedro disse:
Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?
Não se mente a uma abstração. Mentir ao Espírito Santo é lidar com uma Pessoa viva e presente: o próprio Deus.
Quando o apóstolo falou sobre pessoas de fora que entrariam na assembleia e perceberiam o que havia ali, não disse que elas diriam: “Há uma influência poderosa presente aqui. Há uma atmosfera estranha aqui”.
Ele disse que elas se prostrariam e diriam:
Deus está no meio de vós.
Relacionariam tudo a Deus e diriam: “É Deus que se reconhece aqui”.
Quer vocês percebam a importância disso ou não, é muito importante que o impacto percebido seja o de ninguém menos que o próprio Deus.
Se isso é verdade, as implicações são tremendas. Ele não é uma coisa; Ele é uma Pessoa.
O que o Espírito Santo não veio fazer? Bem, Ele não veio iniciar uma nova religião.
Observem isso com muito cuidado: o cristianismo não era uma nova religião estabelecida em oposição às outras religiões, ou ao lado delas, para se tornar mais uma entre as religiões comparadas entre si.
Levou bastante tempo até que alguns dos próprios apóstolos mais proeminentes compreendessem as implicações de sua nova posição. Eles não concluíram imediatamente que sua religião judaica havia terminado e que agora estavam na religião cristã.
Não havia essa separação em sua consciência ou compreensão. Digo que levou algum tempo até que compreendessem as implicações de sua nova posição. Isso não ficou claramente definido de uma hora para outra. Eles foram crescendo nessa compreensão.
Perceberam que estavam avançando em determinada direção no espírito, afastando-se gradualmente de algo, sentindo-se cada vez mais fora de algo em que antes estavam e cada vez mais envolvidos em outra coisa. Mas não lhes estava claro o que era essa outra coisa.
Pensem em Pedro e na casa de Cornélio. As implicações dessa estranha mudança de rumo, dessa inovação de Deus, não estavam nada claras.
Se Pedro tivesse a ideia ou a convicção de que o judaísmo havia sido encerrado e terminado e que o cristianismo agora vinha tomar seu lugar como religião, não teria havido toda aquela dificuldade em relação aos gentios na vida e no coração de Pedro.
Outros ali em Jerusalém — apóstolos e presbíteros de destaque — levaram muito tempo para compreender isso, se é que algum dia chegaram a ter plena clareza sobre essa questão.
Todas as evidências indicam que o Espírito Santo não veio estabelecer uma nova religião chamada religião cristã. É muito importante que vocês e todos nós reconheçamos isso, queridos amigos.
Essa é a maneira negativa de apresentar a questão. A maneira positiva é esta: precisamos realmente saber o que é o cristianismo, o que ele de fato é. Não é uma nova religião.
O Espírito Santo não veio iniciar um novo movimento neste mundo. Não, não um novo movimento.
Se Ele tivesse feito isso, se esse tivesse sido Seu objetivo, então encontraríamos neste livro alguns comitês constituídos — consultivos e executivos — e planos sendo elaborados para a evangelização do mundo.
Uma enorme quantidade de mecanismos e organização. O que impressiona em todo este livro é a ausência de qualquer coisa desse tipo como base sobre a qual a obra foi iniciada.
Não, não era um novo movimento. O Espírito Santo não veio lançar campanhas previamente planejadas.
Muitas vezes eles eram pegos de surpresa. Eram compelidos a fazer coisas que nunca haviam pensado ou pretendido fazer. Eram lançados muito além de sua capacidade de lidar com a situação. Muitas coisas que haviam planejado nunca aconteceram ou foram deixadas de lado.
Não. Sejamos muito cuidadosos com isso. Não se trata de um novo movimento — de forma alguma um movimento com M maiúsculo. Mas o Espírito Santo veio inaugurar algo.
O Espírito Santo não veio incutir um novo ensino.
Precisamos estar bem informados e instruídos sobre essa questão. Não há fundamento algum, não há nada em toda essa história, em que se possa apoiar um argumento ou uma afirmação de que os apóstolos saíram pelo mundo levando o ensino de Jesus.
Talvez ouvir isso surpreenda vocês e os faça parar para pensar. Não há absolutamente nada que justifique a ideia de que esses apóstolos saíram pelo mundo levando o ensino de Jesus.
Seja o que for que Confúcio ensine, seja o que for que Buda ensine, seja o que for que os outros grandes mestres, líderes ou fundadores religiosos ensinem — “Este é o ensino de Jesus” —, essa não era, de modo algum, a ideia deles. Essa não era a ideia do Espírito Santo.
Eles não estavam propagando um sistema de ensino. Tudo acontecia antes que a explicação fosse dada. O ensino vinha depois do acontecimento.
As coisas aconteciam, e depois eram dadas as explicações. O ensino do nosso Novo Testamento tornou-se necessário por causa do que estava acontecendo.
“Este é o ensino. Vão colocá-lo em prática e organizar tudo de acordo com ele” — esse é um caminho muito indireto. Não se obtém uma igreja do Novo Testamento assim. Não se obtém um movimento do Espírito Santo assim.
“Este é o ensino; portanto, façam com que tudo se conforme a ele.” O Espírito Santo tomou as coisas em Suas próprias mãos e lançou a igreja, fazendo-a chegar muito além de seu próprio entendimento e compreensão.
Depois, Ele ungiu ou capacitou homens para lhes ensinar o significado de sua experiência — daquilo que lhes havia acontecido. Vejam, precisamos colocar as coisas na ordem correta.
Ah, se pudéssemos voltar àquele lugar em que estamos nas mãos do Espírito Santo, sem entender o que Ele quer dizer ou o que está fazendo, e então vamos à Palavra de Deus e descobrimos: “Ah, isto é aquilo. Isto é aquilo. Esta é a explicação. Está aqui na Palavra de Cristo”.
Não, não um novo ensino.
E o Espírito Santo jamais veio fazer algo que se chama igreja. É verdade que a igreja nasceu no Dia de Pentecostes.
Aqui precisamos esclarecer um pouco as coisas, colocá-las em ordem. Não algo chamado igreja. Vejam, nossa compreensão da palavra igreja pode estar um pouco confusa.
Temos um objeto em nossa mente, em nossa perspectiva. Temos uma coisa chamada igreja. Ah, ela recebe esse nome, mas esse é apenas um entre muitos nomes. O Espírito Santo não veio fazer uma coisa nova com o nome de igreja.
Para que Ele veio, se não veio para nenhuma dessas coisas? Para que Ele veio?
O Espírito Santo veio reproduzir Jesus Cristo na vida de homens e mulheres. A igreja é isso, ou não é nada. O ensino se relaciona com isso, ou não tem significado. Qualquer movimento do Espírito segue nessa direção.
Ah, nós entendemos tudo de maneira errada. Ele veio reproduzir o Senhor Jesus na vida de homens e mulheres.
Tudo precisa ser avaliado por esse critério.
Todas as nossas atividades, energias, despesas, sacrifícios, estruturas e tudo o mais — todos os nossos esforços, nosso movimento e todo o nosso ensino —, tudo o que se tornou parte do cristianismo precisa ser avaliado por uma única regra:
Isso está resultando na reprodução de Jesus Cristo na vida de homens e mulheres?
De modo que seja demonstrado, da parte do céu, que Jesus está tão verdadeiramente aqui neste mundo agora quanto esteve na história.
Sim, não apenas com o mesmo poder, mas com poder ainda maior, porque Ele falou de Sua limitação até que o Espírito viesse.
Presente não apenas nas obras que Ele fez, mas, segundo Suas próprias palavras:
Obras maiores do que estas fareis, porque Eu vou para o Pai.
Era assim naqueles primeiros trinta anos. A presença de Cristo era a grande, a grande impressão que ficava. Ora, era isso que as pessoas reconheciam em toda parte. Foi por isso que os crentes foram chamados cristãos.
A única maneira de explicar aquilo era: “É Cristo”. O Espírito Santo veio para isso.
E, se houver alguma continuidade ou alguma repetição dessas coisas, será somente à medida que voltarmos inteiramente a isto: não apenas crer em Jesus Cristo, em Sua divindade, em Sua ausência de pecado, em Sua expiação e nas doutrinas, mas ter, pelo Espírito Santo, Sua presença viva em nós.
Vejam, a questão era simplesmente esta: pelo Espírito Santo, Cristo estava presente naqueles crentes de maneira poderosa.
Quando vocês pensam e falam em ser cheios do Espírito, o que querem dizer? O que nós queremos dizer?
O que o Novo Testamento quer dizer com ser cheio do Espírito é ser cheio do Senhor Jesus.
Preciso parar por aqui nesta tarde, mas este é exatamente o ponto a partir do qual avançamos para o verdadeiro significado de Pentecostes.
É, por assim dizer, trazer Cristo de volta num novo e poderoso advento — desta vez, não exteriormente, mas interiormente. Interiormente.
Infelizmente, vamos deixar a questão aqui por enquanto. Mas agora estamos nos aproximando do significado do Espírito Santo. É exatamente isso.
E repito: tudo precisa ser julgado de acordo com isso.
Ah, sim, quando Ele tiver Seu lugar — o lugar que deve ter e a medida que deve ter —, as coisas acontecerão. Acontecerão espontânea e naturalmente, como aconteceu naquela época.
Tudo se resume a esta questão: Jesus está sendo glorificado?