Segunda-feira à noite, 2 de dezembro de 1974
Richmond, Virgínia
Ministração por meio do irmão Stephen Kong
Traze estas coisas à memória, exortando solenemente diante do Senhor a que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam, senão para a ruína dos ouvintes.
Procura diligentemente apresentar-te aprovado a Deus, como obreiro que não tem de que se envergonhar, traçando em linha reta a palavra da verdade.
Mas evita as conversas profanas e vãs, pois avançarão para maior impiedade;
E a palavra deles se alastrará como gangrena; entre eles estão Himeneu e Fileto,
Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já aconteceu, e transtornam a fé de alguns.
Todavia, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus; e: Aparte-se da iniquidade todo aquele que profere o nome do Senhor.
Ora, numa grande casa não há somente vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; e uns para honra, e outros para desonra.
Portanto, se alguém se purificar destes, separando-se deles, será um vaso para honra, santificado, útil ao Senhor, preparado para toda boa obra.
Foge, porém, das paixões da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que invocam o Senhor de coração puro.
Temos tido comunhão, nestes dias, a respeito da segunda carta a Timóteo. Como mencionamos várias vezes, esta segunda carta a Timóteo é a última de todas as cartas escritas por Paulo. Podemos dizer que é seu último testamento. Ele nos deixa um legado para recebermos e levarmos conosco para casa.
Quando Paulo escreveu esta carta, a condição da igreja em geral havia mudado muito. Não havia apenas uma grande mudança interior, mas também uma grande mudança exterior. Interiormente, vemos que a igreja havia se desviado em grande medida. Exteriormente, todo o poder do Império Romano estava empenhado em eliminar o cristianismo. Paulo havia sido colocado na prisão.
Ele sabia que logo seria liberto deste mundo e, diante disso, escreveu esta carta a Timóteo, seu amado filho na fé.
Sentimos que existe uma analogia entre a época de Paulo, em seus últimos dias, e a nossa época, porque estamos vivendo no fim dos últimos dias. Ao vivermos no fim dos últimos dias, o que vemos ao nosso redor? Sem falar do mundo, pensem na igreja de Deus. O que vemos na igreja? O que aconteceu com o cristianismo tal como o conhecemos?
Há uma grande semelhança, no que diz respeito à igreja, entre a nossa época e a época da igreja nos últimos dias de Paulo. Por causa da corrupção interior, parece que a igreja hoje não consegue resistir à pressão que vem de fora. Quase podemos ver que haverá um afastamento em proporções muito grandes.
Ao vermos que o dia se aproxima, qual é a palavra de Deus para nós? Como podemos nos conduzir numa época como esta?
Há um grande contraste entre 1 Timóteo e 2 Timóteo. Creio que todos os que leem estas duas epístolas conseguem perceber a diferença. Na verdade, estas duas cartas de Paulo foram escritas com apenas alguns anos de intervalo.
Ele escreveu 1 Timóteo depois de ser libertado da prisão romana, depois de visitar Éfeso, quando esperava visitar Éfeso novamente. Nesse intervalo, escreveu esta carta a Timóteo, instruindo-o sobre como se deve proceder na casa de Deus.
Vocês se lembram daquele versículo no terceiro capítulo: como proceder — não apenas Timóteo, mas todos na igreja —, como proceder na casa de Deus. Aqui está a casa de Deus, a habitação de Deus. Deus vive nessa casa e, porque Deus vive nessa casa, precisamos saber como proceder na casa de Deus.
Esta casa de Deus é a igreja, a assembleia do Deus vivo. O Deus vivo está na assembleia; Ele está entre o povo de Deus. Por isso, esta assembleia é a coluna e a base da verdade — o depósito da verdade.
Ora, conhecendo a igreja dessa maneira, certamente precisamos saber como nos conduzir na igreja. Naquele tempo, embora houvesse desordem e outros ensinamentos, Paulo precisou deixar Timóteo ali para colocar tudo em ordem — para garantir que os presbíteros tivessem a qualidade necessária, que os diáconos possuíssem as devidas qualificações e que tudo fosse feito com decência e ordem.
Os que ensinavam falsas doutrinas deveriam ser impedidos, para que a verdade fosse preservada. Mesmo então, Paulo podia dizer que grande é o mistério da piedade. Este mistério da piedade é Cristo e Sua igreja. Não é apenas Cristo; é Cristo e Sua igreja — este grande mistério.
Portanto, mesmo quando Paulo escreveu sua primeira carta a Timóteo, já havia certo grau de degeneração na igreja. Havia caos e desordem, coisas diferentes do que deveriam ser. Ainda assim, Paulo podia tratar a igreja como a casa de Deus, como a assembleia do Deus vivo e como a coluna e a base da verdade.
Em outras palavras, ele procurava ajudar a restaurar a igreja àquilo que ela deveria ser. Foi por isso que escreveu a primeira carta: para nos dizer como nos conduzir quando estamos numa situação assim.
Mas, apenas alguns anos depois, quando escreveu 2 Timóteo, algo havia acontecido de maneira tão drástica que a condição da igreja era muito, muito diferente daquela de quando escreveu a primeira carta. Não havia apenas certas mudanças, alguma corrupção, alguns ensinamentos diferentes do que deveria haver e alguma desordem na igreja. Parecia que, naquele momento, a igreja havia quase mudado seu próprio caráter.
Paulo já não fala da igreja como a casa de Deus. Em vez disso, em 2 Timóteo, ele chama a igreja de uma grande casa. Numa grande casa — sabemos o que ele quer dizer —, ele está se referindo à igreja. Contudo, não a chama de casa de Deus; ele a chama de uma grande casa.
Qual é a diferença entre essas duas expressões? Quando você diz “casa de Deus”, isso significa que essa casa pertence a Deus. Deus está na casa. Ele habita a casa. Ela existe para o Seu prazer. É isso que a casa de Deus realmente é.
Mas, naquele tempo, exteriormente ainda era o cristianismo. Ainda era a chamada igreja e, no entanto, Paulo diz que ela é uma grande casa. Como havia se tornado grande? O cristianismo havia se espalhado por todo o mundo naquela época. Havia se tornado grande — uma grande casa.
Mas, à medida que se tornava grande, foi corrompido até o âmago. Sua natureza começou a mudar. Isso nos lembra uma parábola usada por nosso Senhor em Mateus 13: a parábola do grão de mostarda.
O grão de mostarda é a menor de todas as sementes, e o Senhor o usa como ilustração da fé viva. Os discípulos pensavam que precisavam de uma grande fé, mas o Senhor sabe que não se trata de uma grande fé; trata-se de uma fé viva. Se a sua fé é como um grão de mostarda, ela é pequena, mas há vida nela. Ela é viva.
Aqui vemos nosso Senhor Jesus mencionando o grão de mostarda. Ele disse que o reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda. Há fé ali. Há fé viva ali, mas ela é muito pequena. Se você colocar o grão de mostarda na terra, ele crescerá e se tornará uma hortaliça, uma planta de mostarda.
Mas, em vez de brotar como uma hortaliça, uma planta de mostarda, ele se torna uma árvore. Um grão de mostarda nunca deveria crescer até se tornar uma árvore, porque, na ordem da criação de Deus, cada coisa é segundo a sua espécie. A planta é uma planta; a árvore é uma árvore. Esta é a ordem da criação.
No entanto, aqui vemos esse grão de mostarda que deveria crescer e se tornar uma hortaliça, mas inesperadamente se torna uma árvore, uma grande árvore, de modo que todas as aves do céu vêm pousar em seus ramos. Sempre que a Bíblia fala das aves do céu, sabemos que elas representam algo maligno.
Há vida, mas, em vez de permanecer dentro dos limites estabelecidos por Deus, tornou-se anormalmente grande. A igreja, conforme Deus a ordenou, nunca foi destinada a ser grande nesta terra.
Não temas, ó pequeno rebanho; porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.
— Lucas 12:32
A igreja nunca foi destinada a ser grande nesta terra. Ela é uma pérola de grande valor aos olhos daquele que a busca implacavelmente; Ele tem olhos para ela, e ela é uma pérola de grande valor para Ele. Mas, para o mundo, ela não vale nada.
Ela é viva, mas, aos olhos humanos, a planta tornou-se anormalmente grande. Algo ultrapassou os limites da ordem de Deus. Por isso, vemos aqui que Paulo não a chama de casa de Deus. Ele sabe o que ela é, mas a chama de uma grande casa.
Ela se tornou grande e, porque se tornou grande, nós nos perguntamos se Deus habita ali. Não sabemos de quem é essa casa. Ela se tornou uma tamanha confusão. Uma grande mudança sobreveio ao cristianismo — à cristandade como tal.
Queridos irmãos e irmãs, não é verdade? Quando olhamos para a igreja hoje, ela não se tornou uma grande casa? Ela deveria ser a casa de Deus. Deveria haver a presença de Deus. Quando as pessoas entram em Sua casa, deveriam encontrar Deus; deveriam se prostrar e dizer: “Deus está verdadeiramente entre vocês”.
Mas isso é verdade? Ou ela se tornou algo grande neste mundo — grande, mas sem ser verdadeira?
Antes de descrevermos esta grande casa, provavelmente devemos ver a conexão — como Paulo chega a esse ponto. Se voltarmos ao segundo capítulo e começarmos com a exortação de Paulo a Timóteo, ele diz:
Traze estas coisas à memória.
A situação de Paulo naquele momento era um reflexo de toda a condição da igreja. Ele estava na prisão. Todos na Ásia haviam se afastado dele. Não havia ninguém ao seu lado. Somente Lucas, o médico amado, estava com ele. Ele havia sido abandonado.
Se ampliarmos esse quadro, ele representa a condição do cristianismo e da igreja naquela época. Havia um afastamento por todos os lados. Até aqueles que haviam sido fiéis no princípio começaram a recuar. Era como se apenas Paulo tivesse ficado, sozinho, lutando pelo testemunho do Senhor. Ele estava prestes a morrer.
Ora, essa era a situação naquele tempo. Como devemos enfrentar uma situação assim? Mencionamos ontem à noite e nesta manhã: quando a situação da igreja é tão anormal, como devemos nos conduzir para sermos considerados fiéis a Deus? Quando tudo está sendo abalado e se desviando, o que faremos? Seguiremos a multidão? Não.
Aqui vemos o apóstolo Paulo dizendo que temos um depósito conosco. Quando tudo está mudando e se desviando, o depósito ainda está ali. Mencionamos ontem à noite que esse depósito tem dois lados.
Por um lado, depositamos a nós mesmos em Cristo. Por outro lado, Cristo depositou a Si mesmo em nós. Não sabemos o que acontecerá conosco quando tudo mudar. Não temos certeza de que nós também não mudaremos. Não sejam tão autoconfiantes, como se todos fossem cair, menos vocês.
Onde está a nossa confiança? Nossa confiança é esta: sabemos em Quem temos crido e estamos plenamente persuadidos de que Ele é capaz de guardar, até aquele dia, o depósito que Lhe confiamos. Em outras palavras, se entregamos a nós mesmos — nossa vida espiritual, toda a nossa vida na terra e os dias que temos pela frente — a Cristo, Ele é capaz de guardar tudo isso. Nós não somos capazes, mas Ele é capaz de fazê-lo.
O outro lado é que Deus depositou Cristo conosco — tudo o que ouvimos e vimos Dele: a verdade, o evangelho. Deus depositou Cristo em nós e, se Ele depositou Cristo em nós, como precisamos guardar o bom depósito pelo poder do Espírito Santo!
Isso é algo que Paulo disse a Timóteo: “Você precisa lembrar as pessoas disso”. Quando todos estiverem se desviando, lembrem-se do depósito.
Em relação ao depósito, existe uma questão. Não pensem que o sofrimento seja algo estranho aos cristãos. Porque temos conosco um depósito tão precioso, o inimigo, é claro, não permitirá que tenhamos uma vida tranquila.
Temos de sofrer pelo evangelho. Temos de sofrer pelo nome de Cristo. Temos de sofrer como cristãos, assim como Paulo teve de sofrer por ser cristão. Ser cristão era um crime naqueles dias, e isso também acontecerá conosco.
Devemos saber que o sofrimento está relacionado a esse depósito; assim, quando o sofrimento vier, não será estranho para nós. Pedro disse que não devemos sofrer por ter feito o mal; isso é vergonhoso. Mas, se vocês sofrem pelo nome de Cristo, se sofrem como cristãos, o Espírito da glória e o Espírito de Deus repousa sobre vocês. Não é algo de que se envergonhar.
Paulo não se envergonhava de seus sofrimentos, embora outros cristãos se envergonhassem de Paulo por causa do seu sofrimento. Ah, como precisamos ter disposição para sofrer — estar preparados para isso!
Mas, graças a Deus, em relação ao sofrimento sempre há glória. Sempre há a manifestação do Senhor e sempre há o reino. Sabemos que o Senhor está voltando e, quando Ele Se manifestar, trará Seu reino a esta terra.
O que é o reino para nós? É a recompensa. Como Paulo disse, há a coroa da justiça. Se morrermos com Ele, viveremos com Ele. Se perseverarmos com Ele, reinaremos com Ele. Se O negarmos, Ele nos negará — não eternamente, mas durante o reino. Isto é, perderemos a recompensa do reino. Mesmo que venhamos a negá-Lo, Ele não pode negar a Si mesmo; Ele permanece fiel.
Estamos vivendo em tempos tão anormais. Precisamos ser constantemente lembrados do depósito que está conosco. Precisamos ser constantemente lembrados de que o sofrimento não é motivo de vergonha. Precisamos ser constantemente lembrados de que, se perseverarmos, reinaremos com Ele. Essas são as coisas que nos fortalecerão e nos ajudarão a prosseguir. Fortaleçam-se na graça que está em Cristo Jesus.
Ao sermos lembrados dessas coisas, Paulo exorta Timóteo a tornar-se uma pessoa aprovada por Deus — não procurando ser popular ou aprovado pelas pessoas, mas procurando ser uma pessoa aprovada por Deus.
Quando tudo começa a mudar e a se desviar, o que você está buscando? Busque ser aprovado por Deus. Evite todas essas coisas profanas, conversas vãs, contendas de palavras, todas essas coisas não essenciais e discursos filosóficos. Afaste-se dessas coisas, mas maneje corretamente a palavra de Deus, apegando-se à palavra de Deus.
Algumas pessoas afirmavam ter maior conhecimento — Himeneu e Fileto. Elas perverteram a verdade. Disseram que a ressurreição já havia acontecido. Ora, o que isso significa?
Pode significar que a ressurreição é apenas a ressurreição do seu espírito. Isto é, quando você crê no Senhor Jesus, você é ressuscitado. Não há ressurreição do corpo; a ressurreição é simplesmente o seu espírito sendo ressuscitado.
Isso parece muito espiritual, mas é uma coisa estranha. Há pouco tempo — na semana passada —, ouvi alguém pregando isso, um grande pregador, muito conhecido neste país. Ele estava pregando que a ressurreição é a regeneração: quando você é regenerado, você é ressuscitado, e isso é tudo.
Mas isso tira a nossa esperança — a bendita esperança, a própria adoção, a redenção do nosso corpo. Aqui vemos que, quando as pessoas começam a se afastar de Deus, elas pensam que sabem.
A exortação de Paulo a Timóteo era que ele se apegasse à verdade. Nesse contexto, ele disse:
Todavia, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus;
E: Aparte-se da iniquidade todo aquele que profere o nome do Senhor.
É como se a casa estivesse prestes a desabar completamente. Mas Paulo diz:
O firme fundamento de Deus permanece.
Não importa o que aconteça à estrutura exterior da casa, o firme fundamento de Deus permanece firme. Você não pode abalar o fundamento.
Qual é o selo sobre o fundamento?
O Senhor conhece os que são Seus.
Queridos irmãos e irmãs, quando tudo está em confusão, Deus não está confuso. Nós não sabemos o que é verdadeiro e o que é falso. Estamos confusos — literalmente confusos. Tudo pode ser lançado em tumulto. Toda a condição da igreja pode estar em ruínas. Mas o firme fundamento de Deus permanece. Ele conhece os que são Seus.
Que consolo! Ele sabe. Irmãos e irmãs, as pessoas podem não saber. Estamos vivendo num tempo em que as pessoas tomarão a falsidade como verdade, e a verdade como falsidade. Considerarão a luz como trevas e as trevas como luz. As pessoas terão tanta coceira nos ouvidos que só desejarão ouvir aquilo de que gostam. Chegará um tempo em que ninguém desejará ouvir a verdade.
Então você começa a se perguntar: “O que é a verdade? Estou seguindo a verdade?”. Tudo está tão confuso. Mas há uma coisa que permanece firme: o Senhor sabe. Que importa se as pessoas não sabem? Que importa se as pessoas entendem mal? Que importa se as pessoas chamam você de malfeitor, de criminoso? Que importa, contanto que o Senhor saiba?
Queridos irmãos e irmãs, à medida que nos aproximamos do fim, não é a aparência que importa; é a realidade. Não é aquilo que aparece diante dos homens que realmente importa; é o que Deus vê. O Senhor conhece os que são Seus. Esse selo está ali.
O Senhor sabe, mas como você sabe? Como você sabe se pertence a Ele? Como você sabe se está seguindo a Ele? É claro que temos o testemunho do Espírito Santo dentro de nós. Se O seguimos, Ele nos fará saber. Mas há outra evidência:
Aparte-se da iniquidade todo aquele que profere o nome do Senhor.
O Senhor conhece os que são Seus. Mas, por outro lado, aparte-se da iniquidade todo aquele que profere o nome do Senhor. O que vocês acham que é iniquidade?
Muitas vezes pensamos que iniquidade é fazer algo muito pecaminoso. É claro que isso é iniquidade. Mas, quando lemos o contexto, vemos que a iniquidade aqui significa algo mais profundo do que aquilo que normalmente chamamos de pecado ou mal.
Um sacerdote no templo tem de levar a iniquidade do santuário. Em outras palavras, não se trata apenas de algo pecaminoso que você faz no mundo. Trata-se de algo feito no santuário que não está de acordo com a vontade de Deus.
Por exemplo, os dois filhos de Arão, logo no primeiro dia de seu sacerdócio — não sabemos por que ficaram embriagados —, começaram a oferecer fogo estranho a Deus. Entraram no tabernáculo para queimar incenso a Deus. Isso era louvável; isso era bom. Mas fizeram isso sem a ordem de seu pai.
Eles deveriam servir a Deus sob a autoridade de Arão. Arão, como sumo sacerdote, estava sobre o sacerdócio. Mas, em vez de seguirem a ordem de seu pai, esses dois irmãos fizeram o que lhes veio à mente. Queriam oferecer incenso, então foram e fizeram isso.
Em vez de tomarem o fogo do altar, que havia descido do céu, tomaram fogo estranho para queimar incenso a Deus. Por todas as aparências exteriores, estavam adorando a Deus, mas cometeram a iniquidade do santuário. Foram mortos pelo fogo que saiu da presença de Deus.
Irmãos e irmãs, vocês percebem que todo o contexto não está relacionado ao mundo, nem às coisas cometidas no mundo. Toda a relação é com o que está dentro da casa. Essa casa tornou-se uma casa tão grande.
Ela se tornou uma tamanha confusão. Você não sabe quem pertence ao Senhor e quem não pertence. Mas o fundamento permanece firme: o Senhor conhece os que são Seus.
Da nossa parte, como sabemos que pertencemos ao Senhor? É verdade que o Espírito Santo dentro de nós nos dirá. Mas todos os que proferem o nome do Senhor devem se afastar da iniquidade.
Creio que a iniquidade aqui se refere a algo mais profundo do que algumas coisas pecaminosas que você faz no mundo. É claro que essas coisas são iniquidades. Mas creio que a iniquidade aqui tem uma aplicação mais profunda: se você profere o nome do Senhor, então precisa fazer a vontade do Senhor. Tudo o que não está na vontade do Senhor é iniquidade aos Seus olhos.
Você profere o nome do Senhor e, no entanto, faz as coisas por conta própria. Essas duas coisas não são compatíveis; elas se contradizem. Como você pode proferir o nome do Senhor e continuar fazendo a sua própria vontade?
Todos os que proferem o nome do Senhor devem se afastar da iniquidade. Isto é, não devemos apenas proferir o nome do Senhor; também precisa haver a realidade disso.
Queridos irmãos e irmãs, é verdade que, em nossa vida, não apenas proferimos o nome do Senhor, mas também andamos em Sua vontade? Isto é, Seu nome é real para nós? O que é o nome do Senhor? O nome do Senhor representa a Ele mesmo — Sua posição como Cabeça, Seu senhorio, Sua autoridade.
Nesse contexto, Paulo diz:
Numa grande casa.
Essa é a conexão. Paulo não está falando das pessoas deste mundo; está falando das pessoas que estão na casa. Porque a condição da igreja mudou tanto, podemos dizer que seu próprio caráter mudou.
Ora, o que fazemos? Numa grande casa não há somente vasos de ouro e de prata, mas também vasos de madeira e de barro; alguns são para honra e outros para desonra.
Quando você entra no templo, quando entra no tabernáculo, todos os vasos são de ouro. No lugar santo não há nada além de ouro.
Contudo, nesta grande casa não há somente vasos de ouro e de prata, mas também vasos de madeira e de barro, como numa casa comum. Numa casa comum, provavelmente na sua sala de jantar, você tem prata, ou talvez ouro; mas, na cozinha, tem muitos utensílios de madeira e de barro.
Em vez de vermos o quadro do santuário, que é todo de ouro e prata, agora temos madeira e barro. O ouro, nas Escrituras, fala da natureza de Deus. A prata, nas Escrituras, fala da redenção de nosso Senhor Jesus.
Na casa de Deus, tudo fala da natureza de Deus e da obra de redenção de nosso Senhor Jesus. Isto é, tudo procede Dele. Mas a madeira e o barro falam da natureza humana. O ouro é a natureza divina; a prata é a obra redentora de Cristo; mas o barro é a obra do homem — a obra da carne.
Aqui, na grande casa, encontramos vasos de ouro e de prata, e vasos de madeira e de barro. Os vasos de ouro e de prata são para honra, para finalidades honrosas. Mas os vasos de madeira e de barro são para desonra. Na grande casa, temos ambos.
Esses vasos representam cada indivíduo. Cada crente é um vaso. Todos nós somos vasos. Todos nós temos um propósito. Todos nós devemos servir ao Senhor, preparados para toda boa obra.
Mas vemos que, entre os crentes, existem dois tipos diferentes. Alguns vivem na vida divina, pela obra redentora de Cristo — ouro e prata. Alguns vivem segundo sua natureza humana e fazem a obra na carne. Entre os crentes, existem esses dois tipos diferentes de vasos.
O que significa dizer que certa pessoa é um vaso de ouro, ou um vaso de prata, mas outra é um vaso de madeira, ou um vaso de barro? Se continuarmos a leitura, encontraremos:
Portanto, se alguém se purificar destes, separando-se deles, será um vaso para honra, santificado, útil ao Senhor, preparado para toda boa obra.
Em outras palavras, você pode ser um vaso de ouro ou de prata, ou pode ser um vaso de madeira e de barro. Isso depende de você. Deus não faz acepção de pessoas. Ele não predestinou você para ser um vaso de ouro e outra pessoa para ser um vaso de madeira. Não, a graça de Deus não faz acepção de pessoas. Ele dá Sua graça a todos nós da mesma maneira.
Contudo, vemos que há uma responsabilidade sobre cada indivíduo. Queridos irmãos e irmãs, quando a igreja começa a entrar em ruína, quando a igreja entra em caos e confusão, uma responsabilidade pessoal recai sobre cada crente.
Quando a correnteza segue na direção certa, você simplesmente segue com ela. Mas, quando a correnteza segue na direção errada, cada um tem uma responsabilidade. Você pode ser um vaso de ouro e de prata, um vaso para honra, mas também pode ser um vaso para desonra. Isso depende de você.
O que faz a diferença? Purificar-se destes. Quem são estes? São os vasos de madeira e de barro. Em outras palavras, se você não está disposto a ser simplesmente um vaso de madeira e de barro, então pode ser purificado dessas coisas.
Algumas pessoas estão bastante satisfeitas em ser assim. Elas dizem: “Afinal, vou para o céu. Por que deveria negar a mim mesmo, tomar a minha cruz e seguir o Senhor? Deixem-me aproveitar a vida hoje. Quero os benefícios dos dois mundos — deste mundo presente e do mundo por vir”.
Se você está satisfeito em ser assim, se está satisfeito em ser um vaso de barro e de madeira, será esse tipo de vaso. Ninguém obrigará você a ser diferente. Deus permitirá que você faça isso, e é isso que você será — um vaso para desonra.
Mas, se o seu coração está realmente voltado para o Senhor — “Senhor, não quero ser um vaso que Te traga desonra. Quero ser um vaso para honra por amor a Ti” —, então purifique-se destes.
Se você está disposto a negar a si mesmo, se está disposto a tomar a cruz, se está disposto a abandonar as obras da carne, se está disposto a se entregar e permitir que o Espírito Santo faça morrer a madeira e o barro, então sabe o que acontecerá: você se tornará um vaso de ouro, um vaso para honra.
Queridos irmãos e irmãs, temos uma tremenda responsabilidade individual. Todos são responsáveis, especialmente em tempos anormais. Se queremos seguir a multidão, porque é fácil, ou se queremos nos afastar da iniquidade porque proferimos o nome do Senhor — essa é a nossa responsabilidade.
Ora, se alguém se purificar destes, será um vaso para honra, santificado, útil ao Senhor, preparado para toda boa obra. Essa é a primeira coisa.
Depois, em segundo lugar, Paulo diz:
Foge, porém, das paixões da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que invocam o Senhor de coração puro.
Primeiro, há uma responsabilidade individual. Mas todos sabemos que, no que diz respeito ao propósito de Deus, ele nunca é individual; é sempre coletivo. Contudo, quando vemos o testemunho coletivo se desfazendo, cada um precisa se firmar pessoalmente diante do Senhor. Isso é correto.
Quando o testemunho coletivo parece estar se desfazendo, quando a igreja parece estar entrando em ruína, a responsabilidade individual torna-se essencial. Mas você não para depois de ter respondido ao Senhor e se purificado da madeira e do barro.
Você precisa ser purificado do barro e da madeira; então se tornará ouro e prata. Mas, depois de ter tomado essa posição, isso significa que Deus desistiu do testemunho coletivo? Não.
Foge das paixões da mocidade.
É claro que isso se refere primeiramente a Timóteo, porque ele era uma pessoa relativamente jovem. Mas precisamos lembrar que as paixões da mocidade aqui não se aplicam apenas aos desejos sexuais e coisas assim. As paixões da mocidade são muito mais amplas do que isso.
Afastar-se de toda iniquidade e procurar manter-se puro seria uma reação natural, e isso é correto. Mas, depois de fazer isso, você precisa seguir a justiça, a fé, o amor e a paz — não sozinho, mas com aqueles que invocam o Senhor de coração puro.
Graças a Deus, Deus nunca desiste de nós. Os homens podem falhar, mas Deus nunca desiste. Quando a condição geral da igreja se desvia, Deus não está chamando apenas um indivíduo, nem apenas indivíduos espalhados e separados, mas pessoas que invocam o nome do Senhor de coração puro.
Nosso problema é que, quando vemos a condição geral da igreja se desviando, dizemos que o testemunho coletivo acabou. Mas não é assim para Deus. Você precisa começar essa vida, mas, quando o Senhor começar a trabalhar em você para que seja fiel a Ele, encontrará outra pessoa que O ama.
Elias disse: “Sou o único que restou”, mas Deus tinha Seus sete mil que não haviam dobrado os joelhos a Baal. Deus ainda tem Seu testemunho.
Mesmo neste tempo anormal, Deus está chamando os vencedores. Este é o princípio dos vencedores. Quando o testemunho geral se degenera, como o testemunho do Senhor será mantido?
O cristianismo em geral pode não ter esperança, mas Deus não desiste. Ele está chamando Seu povo. Está chamando você para sair da condição de ruína, ser fiel a Ele e retomar o testemunho do Senhor.
Aqui vemos, em 2 Timóteo 2, Paulo falando a Timóteo. No início do capítulo, ele diz:
Tu, pois, meu filho, fortalece-te na graça que está em Cristo Jesus.
E as coisas que de mim ouviste na presença de muitas testemunhas, confia-as a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros.
— 2 Timóteo 2:1-2
Aqui vemos que não se trata de um cargo. Nada oficial é mencionado. Trata-se de realidade. Paulo está transmitindo a Timóteo o depósito, e Timóteo deve transmiti-lo a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros.
Isto é, o testemunho deve ter continuidade, não por meio de uma posição oficial, mas por meio de pessoas fiéis.
Encontramos esse princípio nos tempos do Antigo Testamento. Quando Israel, como nação, falhou para com Deus e foi levado ao cativeiro babilônico, Deus restaurou Seu testemunho na terra. Assim, um remanescente voltou a Jerusalém para reconstruir o templo. Por mais fracos que fossem, pela graça de Deus aquele testemunho foi mantido.
Queridos irmãos e irmãs, quando chegamos ao último livro do Novo Testamento, o livro de Apocalipse, nos capítulos 2 e 3, o Senhor escreveu sete cartas às sete igrejas por meio do apóstolo João.
Quando essas cartas foram escritas, a condição das igrejas já não era normal. Em cada igreja, encontramos algo profundamente errado. Contudo, em cada carta há um chamado aos vencedores:
Ao que vencer.
Embora a condição geral tenha caído, o Senhor está chamando aqueles que vencerão, que responderão a Ele e à Sua revelação. Aqueles que respondem à Sua revelação são os vencedores, e eles devem manter o testemunho de Jesus.
O que eles fazem é considerado normal por Deus. O princípio de vencer é o princípio pelo qual Deus considera algo normal.
Vocês acham que podemos esperar que o cristianismo, como tal, seja completamente restaurado aos primeiros dias, como encontramos no livro de Atos? Quanto mais olhamos para o cristianismo, mais percebemos como isso é impossível.
Mas, graças a Deus, enquanto a igreja parece seguir numa direção, afastando-se cada vez mais, até que finalmente, como encontramos nas Escrituras, é absorvida naquela única religião sob o Anticristo — até o próprio cristianismo se tornando anticristão —, por outro lado, o Senhor está chamando Seu povo para sair.
O Senhor está chamando Seu povo a responder a Ele. Graças a Deus, encontramos pessoas que invocam o Senhor de coração puro, e o Senhor as está reunindo.
O testemunho de Jesus deve ser mantido por aqueles que invocam o nome do Senhor de coração puro — não sozinhos, mas com aqueles que O invocam. Queridos irmãos e irmãs, cremos que é isso que o Senhor está fazendo hoje.
O Senhor conhece os que são Seus; mas aparte-se da iniquidade todo aquele que profere o nome do Senhor.
Nosso Pai celestial, como nós Te louvamos e agradecemos porque o Teu propósito jamais pode ser frustrado. Como nós Te louvamos e agradecemos porque o homem pode falhar, mas Tu não falhas.
Nós Te louvamos porque Tu tens o Teu caminho quando tudo parece estar em ruínas. Tu tens um caminho para restaurar e manter o Teu testemunho.
Ó Senhor, revela o Teu caminho, para que possamos andar no Teu caminho. Ó Senhor, que possamos ser úteis a Ti. Tem misericórdia de nós. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus.