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    Titus: Churches: Order and Disorder © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Titus: Churches: Order and Disorder
    Titus: Churches: Order and Disorder
    Kaung, Stephen

    A atuação prática da graça nas igrejas

    Segunda-feira à noite, 4 de novembro de 1974
    Richmond, Virgínia
    Ministração do irmão Stephen Kong

    Vamos voltar ao livro de Tito. Leremos Tito 1:10-16.

    Porque há muitos insubordinados, faladores vãos e enganadores, especialmente os da circuncisão;
    aos quais é necessário tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância.
    Um dentre eles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, feras malignas, glutões ociosos.
    Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé;
    não dando ouvidos a fábulas judaicas e a mandamentos de homens que se desviam da verdade.
    Todas as coisas são puras para os puros; mas, para os contaminados e incrédulos, nada é puro; antes, tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.
    Professam conhecer a Deus; mas, pelas suas obras, negam-No, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.

    Tito 2:11-15:

    Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens;
    ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos sóbria, justa e piedosamente neste presente mundo;
    aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo;
    o Qual Se deu a Si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para Si um povo de Sua exclusiva possessão, zeloso de boas obras.
    Fala estas coisas, exorta e repreende com toda autoridade. Ninguém te despreze.

    Tito 3:4-8:

    Mas, quando se manifestaram a bondade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor para com os homens;
    não por obras de justiça que nós mesmos houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, Ele nos salvou, mediante a lavagem da regeneração e a renovação do Espírito Santo;
    o Qual Ele derramou ricamente sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador;
    para que, justificados pela Sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.
    Fiel é esta palavra, e quero que afirmes estas coisas com toda confiança, para que os que têm crido em Deus procurem dedicar-se às boas obras.

    Creio que, por enquanto, leremos apenas até aqui.

    A condição das igrejas em Creta

    Mencionamos nesta manhã que as igrejas na ilha de Creta não eram, por assim dizer, igrejas novas. Ao ler esta carta a Tito, poderíamos pensar que eram igrejas recém-nascidas, porque sua condição parecia indicar isso.

    No entanto, quando voltamos para investigar e traçar a origem dessas igrejas, descobrimos que não foram estabelecidas pelo apóstolo Paulo. Na verdade, em todas as viagens e em todo o trabalho missionário de Paulo, ele nunca havia passado pela ilha de Creta.

    Somente quando foi levado como prisioneiro a Roma é que seu navio aportou naquela ilha. Contudo, não houve menção a nenhuma igreja ali. Paulo não visitou nenhum crente, nem nenhum crente o visitou, pois ele estava preso.

    Somente depois de Paulo ser libertado de sua primeira prisão em Roma é que o encontramos visitando a ilha de Creta. Ele encontrou ali várias igrejas espalhadas por diferentes cidades.

    Muito provavelmente, essas igrejas surgiram por meio de alguns dos cretenses que estavam presentes no dia de Pentecostes. Em Atos 2, entre aqueles que tinham vindo de todas as partes do mundo, havia cretenses. Evidentemente, alguns deles creram.

    Quando começou a perseguição em Jerusalém, esses primeiros crentes voltaram às suas terras de origem. Quando os crentes cretenses retornaram à ilha de Creta, começaram a pregar o evangelho, e foi assim que essas igrejas surgiram.

    Quanto ao tempo, mais de três décadas já haviam passado. Contudo, depois de mais de trinta anos de existência, essas igrejas ainda estavam em seu estado infantil. Por quê?

    Provavelmente, uma das razões era seu grande isolamento em relação aos outros crentes. Geograficamente, estavam isolados porque viviam numa ilha. Contudo, apesar de todas as dificuldades de viagem naqueles dias, as pessoas viajavam; e, especialmente entre os crentes, havia muita comunicação uns com os outros.

    Antes mesmo de Paulo, o prisioneiro, chegar a Roma, os crentes de Roma já tinham ouvido falar de sua chegada. Eles percorreram cerca de cinquenta quilômetros para encontrá-lo. A comunicação entre os crentes era extraordinária.

    Contudo, esses crentes na ilha de Creta não tinham comunhão com ninguém de fora. Por estarem tão isolados, não cresceram adequadamente. Assim, quando Paulo foi visitá-los, encontrou-os como bebês envelhecidos. Essas igrejas eram bebês envelhecidos.

    Como Paulo iria ajudá-los a crescer? É isso que encontramos na carta a Tito. Antes de tudo, precisamos saber: quais eram seus problemas?

    A desordem nas igrejas

    Os problemas nas igrejas de Creta eram de dois tipos. Um deles era a desordem, ou a falta de ordem.

    Esses crentes conheciam o Senhor, mas não havia ordem entre eles. Todos viviam numa base democrática: cada um por si; todos iguais. Em outras palavras, não estavam sendo edificados juntos.

    Quando há edificação, necessariamente há ordem. Mas, depois de mais de trinta anos, eles ainda eram como criancinhas — sem edificação e sem ordem. Pelo contrário, estavam cheios de desordem.

    Assim, ao chegar ao meio deles, Paulo começou a pôr a casa em ordem. Havia muitas coisas que precisavam ser corrigidas, muitas coisas que precisavam ser colocadas em seus devidos lugares. Paulo começou a ajudá-los a colocar tudo em ordem para que a igreja pudesse crescer.

    Mas ele não tinha tempo, especialmente para a questão da designação de presbíteros. Designar presbíteros leva tempo. Não se trata simplesmente de ir a um lugar e tentar designar alguns presbíteros para estabelecer a ordem. Não. O Espírito Santo precisava fazer isso.

    Paulo precisava acompanhar e observar. Isso levava tempo, mas ele não dispunha desse tempo. Assim, talvez tenha ajudado a colocar em ordem diversas questões, mas, quanto aos presbíteros, precisou deixar Tito ali para concluir o trabalho inacabado.

    Quando a ordem é estabelecida, o corpo pode funcionar adequadamente, e haverá crescimento. Nesta manhã, tivemos comunhão sobre esse ponto, por isso não vamos abordá-lo novamente.

    A desonra da graça e a ausência de boas obras

    O segundo problema das igrejas na ilha de Creta era a desonra da graça.

    Muitas vezes falamos de desonra. Dizemos: “Bem, isso é uma vergonha. Isso é uma desonra”. No inglês, de onde vem a palavra disgrace, que significa desonra? Ela contém a palavra grace, graça. A ideia é simplesmente esta: a graça continua sendo graça, mas deve manifestar-se de determinada maneira. Quando a graça não produz seu devido efeito, chamamos isso de desonra.

    Na carta a Tito, essa desonra se expressa na ausência de boas obras — nenhuma boa obra.

    Se vocês lerem a carta a Tito, verão que, nessa breve carta, as boas obras são mencionadas cinco vezes.

    Professam conhecer a Deus; mas, pelas suas obras, negam-No, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.
    — Tito 1:16

    O Qual Se deu a Si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para Si um povo de Sua exclusiva possessão, zeloso de boas obras.
    — Tito 2:14

    Lembra-lhes que se sujeitem aos governantes e às autoridades, que sejam obedientes e estejam prontos para toda boa obra.
    — Tito 3:1

    Fiel é esta palavra, e quero que afirmes estas coisas com toda confiança, para que os que têm crido em Deus procurem dedicar-se às boas obras.
    — Tito 3:8

    E aprendam também os nossos a dedicar-se às boas obras, para suprir as necessidades, a fim de que não sejam infrutíferos.
    — Tito 3:14

    Queridos irmãos e irmãs, quando vocês leem a carta a Tito, podem pensar que estão lendo a carta de Tiago.

    Muitas vezes colocamos Paulo e Tiago em oposição. Dizemos que Paulo fala de fé, mas Tiago fala de boas obras. Paulo diz que somos justificados pela fé, mas Tiago diz que somos justificados pelas obras. Muitas vezes, as pessoas pensam que existe um conflito aí — que Paulo e Tiago não concordam e que estão combatendo um ao outro.

    Mas, depois de lerem o livro de Tito, creio que essa teoria simplesmente desmorona. Aqui vocês encontram Paulo falando de obras, de boas obras, assim como Tiago.

    É claro que, tanto na carta de Tiago como na carta a Tito, a obra de que se fala aqui não é daquele outro tipo. A obra aqui é a obra da fé. Tiago diz que a fé sem obras é morta, mas a obra da fé comprova a sua fé. É exatamente isso que vocês encontram na carta a Tito. Paulo também fala de boas obras.

    A salvação pela graça e a evidência da fé

    Será que Paulo se contradiz? Mesmo nesta breve carta a Tito, ele nos diz que não se esqueceu do que pregou sobre a graça e a fé. Vejam Tito 3:4-7.

    Mas, quando se manifestaram a bondade de Deus, nosso Salvador, e o Seu amor para com os homens;
    não por obras de justiça que nós mesmos houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, Ele nos salvou, mediante a lavagem da regeneração e a renovação do Espírito Santo;
    o Qual Ele derramou ricamente sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador;
    para que, justificados pela Sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.

    Paulo não havia se esquecido de seu evangelho da graça. Como somos justificados? Ele diz: “Vocês são salvos; são justificados por causa da bondade e do amor de Deus para com os homens. Foi a misericórdia de Deus que os salvou. Não foi porque fizeram algumas boas ações. Não foi porque têm boas obras. Não, vocês não têm nenhuma”.

    As boas obras não são uma condição da salvação. As boas obras são a consequência da salvação.

    Não podemos ser salvos fazendo boas obras, porque tudo o que fizemos não passa de obras mortas. Tudo o que fizemos não passa de trapos de imundícia aos olhos de Deus. Essas obras não são suficientemente boas. Não nos dão mérito suficiente para conquistar nossa salvação.

    A salvação custa tão caro que, por mais boas ações que façamos, não podemos conquistá-la. Não há esperança nisso. É o amor de Deus, a bondade de Deus e a misericórdia de Deus. A misericórdia de Deus vem a nós, que não temos boas obras.

    Não é porque você é bom que Deus o salva. Muitas vezes me lembro de que, na China, tínhamos um folheto evangelístico que era distribuído nas ruas, nos ônibus, nos vagões de trem — em toda parte. Um dos folhetos dizia: “Os homens bons vão para o inferno; os homens maus vão para o céu”. Era muito impactante.

    Quando as pessoas viam aquilo, é claro que não concordavam. Queriam saber por quê, e então começavam a ler o folheto. Na verdade, isso é mais do que uma frase de impacto. É a verdade — é a verdade.

    No céu, vocês não encontrarão nenhuma pessoa “boa” — pessoas que se consideram boas e procuram depender de sua própria bondade. Elas pensam que irão para o céu, mas acabam se encontrando em outro lugar.

    Pelo contrário, há pessoas que sabem que deveriam ir para o inferno. Você não precisa dizer a um homem mau que ele deveria ir para o inferno; ele sabe. Contudo, reconhecendo que é mau, ele confia no Senhor Jesus e, porque Cristo pagou o preço, encontra-se no céu. Isso é verdade — muito verdadeiro.

    Como somos salvos? Não pelas boas obras que fizemos. Somos salvos por meio de Jesus Cristo.

    Não há outro nome dado pelo qual possamos ser salvos. É por meio de Jesus Cristo que somos salvos. Como Ele nos salva? Pela lavagem da regeneração e pela renovação do Espírito Santo.

    A lavagem da regeneração e a renovação do Espírito Santo

    Agora, aí está uma questão: a lavagem da regeneração e a renovação do Espírito Santo. O que significam essas expressões?

    Queridos irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar do que Paulo está tratando aqui. Paulo está falando da vida cristã prática. Esse é o assunto. Esses crentes cretenses eram muito deficientes na vida cristã prática. Por isso, Paulo estava procurando ajudá-los nessa área.

    Eles haviam recebido a graça, mas tinham desonrado a graça. Era isso que estava faltando entre eles. Tinham começado a aceitar um ensino falso que lhes dava uma falsa sensação de segurança, em lugar da verdade.

    Por isso, Paulo procurou ajudá-los. Para mostrar-lhes o que havia acontecido quando creram no Senhor Jesus, ele usou estas duas expressões: a lavagem da regeneração e a renovação do Espírito Santo.

    A lavagem aqui é como tomar um banho. Você está tomando um banho.

    A palavra regeneração aqui é uma palavra especial, usada somente nesta passagem e em Mateus 19. Vamos abrir em Mateus 19. Eu estava olhando o capítulo 18, por isso não conseguia encontrar a passagem.

    E Jesus lhes disse: Em verdade vos digo que vós, que Me seguistes, na regeneração, quando o Filho do homem Se assentar no trono da Sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.
    — Mateus 19:28

    Esses são os únicos dois lugares em que essa palavra, regeneração, é usada. Não é o “nascer de novo” de João 3. Essa regeneração é uma palavra especial.

    Em Mateus 19, ela é usada para se referir a uma mudança completa de posição, a um estado de coisas inteiramente novo. Em outras palavras, aponta para a mudança desta era para a era vindoura. Isso é regeneração.

    Portanto, a lavagem da regeneração não significa regeneração pela água — que, se você for batizado, a água o regenera. Não. A regeneração aqui significa que, ao crer no Senhor Jesus, o Senhor o coloca numa posição inteiramente nova: uma mudança de posição.

    Ele o coloca num estado de coisas inteiramente novo. É quase como se você tivesse tomado um banho. Todas as coisas antigas foram lavadas, e agora você está renovado — uma nova criação, uma nova pessoa. Esse é o significado.

    Quando alguém crê no Senhor Jesus, o Senhor nos tira de nossa antiga posição e nos coloca numa nova posição. O Senhor Jesus lava todas as antigas condições e nos introduz num novo estado de coisas. Somos uma nova criação.

    Exteriormente, há a lavagem da regeneração. Interiormente, há a renovação do Espírito Santo.

    Quando o Senhor muda nossa posição pela fé, o Espírito Santo, dentro de nós, renova tudo, para que nossa condição corresponda à nossa posição. Essa é a salvação de nosso Senhor Jesus.

    Paulo diz que, se alguém está em Cristo Jesus, é uma nova criação. Tudo é novo. Tudo é novo. É isso que o Senhor Jesus fez em nós.

    A graça como instrução divina

    Diante da grandeza da salvação do Senhor, o que essa salvação faz em nós? Você recebeu a graça de Deus. Está sendo salvo. Então, o que acontecerá com você? O que Ele faz em você?

    Em Tito 2:11-12:

    Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens;
    ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos sóbria, justa e piedosamente neste presente mundo.

    A salvação de Deus, a graça de Deus que vem a nós, nos ensina. Ela nos disciplina. Ela nos instrui em três coisas.

    A renúncia à impiedade e às concupiscências mundanas

    Primeiro, tendo renunciado à impiedade e às concupiscências mundanas. Antes, vivíamos na impiedade e nas concupiscências mundanas. Em outras palavras, antes vivíamos uma vida ímpia e injusta.

    Não temíamos a Deus. Não tínhamos medo dos homens. Podíamos fazer as coisas conforme nossa própria vontade. Assim, vocês veem que não éramos apenas injustos, mas também ímpios. Porque não tínhamos um relacionamento correto com Deus, não podíamos ter um relacionamento adequado com os homens. É isso que encontramos em Romanos 1. Era assim que vivíamos antes.

    Mas, depois de crermos no Senhor Jesus, o que a cruz de Jesus Cristo nos ensina? Ela nos ensina que a impiedade e as concupiscências mundanas foram todas crucificadas na cruz.

    Cristo morreu por nossos pecados. Por causa de nossa impiedade e de nossas concupiscências mundanas, Cristo morreu por nós. Quando cremos no Senhor Jesus e vemos o que a cruz realizou por nós, podemos continuar vivendo na impiedade e nas concupiscências mundanas? Não podemos.

    O próprio efeito da cruz nos faz renunciar à impiedade e à injustiça. É isso que a salvação nos trouxe.

    É mais do que simplesmente crer no Senhor Jesus para poder ir para o céu. Se você conhece a graça de Deus, se recebeu a salvação de Deus, ela lhe ensina que você já não pode viver no pecado.

    Por quê? O próprio fato da cruz não lhe permite esse tipo de vida. Torna impossível que você viva dessa maneira.

    Todo aquele que recebeu a graça de Deus é instruído neste sentido: não podemos voltar a viver nossa antiga vida. Se tentamos viver nossa antiga vida, isso é uma contradição à própria graça de Deus e ao próprio significado da salvação. Todos somos ensinados dessa maneira.

    A vida sóbria, justa e piedosa

    Segundo, devemos viver sóbria, justa e piedosamente nesta presente era. Quanto ao passado, ele passou. Então, como vamos viver no presente?

    A graça de Deus que traz salvação nos ensina que devemos viver sóbria, justa e piedosamente nesta presente era. A palavra traduzida como “mundo”, no original, é aion, que significa era. Estamos vivendo nesta era.

    Nesta era, há as preocupações da vida. Em Mateus 13, fala-se das preocupações desta era. Esta era tem seu mal. Em Efésios 2, encontramos que antes andávamos segundo a era deste mundo. Há um padrão, uma maneira, um modo de vida nesta era.

    Como vamos viver nesta presente era? Vamos seguir o padrão e o modo de vida desta era — o cosmos, o sistema desta era? Vamos viver como vivem as pessoas desta era? Vamos ser dominados pelas preocupações desta vida? Como vamos viver em nossa condição atual?

    Graças a Deus, a graça de Deus nos ensina que estamos nesta era, mas podemos viver de maneira diferente. Podemos viver piedosamente. Podemos viver justamente. Podemos viver sobriamente.

    A palavra sobriamente significa, na verdade, “com uma mente sã”. Deus quer que vivamos nesta era com uma mente sã.

    Os seres humanos muitas vezes se consideram seres racionais. Pensamos que somos seres racionais e que a maneira como vivemos nesta terra é racional. Mas, queridos irmãos e irmãs, de todas as criaturas vivas nesta terra, os seres humanos são os mais irracionais.

    Pensem em todas as coisas que os seres humanos estão fazendo. Eles são os mais irracionais de todas as criaturas. Os animais são mais racionais do que eles.

    Como vamos viver nesta terra? Somos cristãos. Como vamos viver? Irmãos e irmãs, Deus nos salvou para que possamos viver nesta terra de maneira racional. Somos os mais racionais entre os irracionais.

    As pessoas olham para os cristãos e dizem: “Não, isso não é razoável. Isso não é racional”. Elas pensam que são racionais e que nós somos irracionais, mas é exatamente o contrário. Por quê? Porque sua mente está obscurecida pela dureza de seu coração, e elas estão alienadas da vida de Deus.

    Para as pessoas cuja mente está obscurecida, seu racionalismo é irracional. Mas, graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, Ele renova nossa mente. Temos uma mente renovada e, tendo uma mente renovada, podemos conhecer a mente de Cristo. Aprendemos a viver nesta terra segundo Cristo.

    Esse é o tipo de vida mais racional que uma pessoa pode viver. Não pensem que nós, cristãos, não somos racionais. Não, somos os mais racionais. Vivemos nesta terra sobriamente, com uma mente sã.

    Então, devemos viver justamente. Quantas vezes olhamos para o mundo e ficamos desanimados e decepcionados. Até no lugar da justiça, diz Salomão, vocês encontram injustiça. É assim que o mundo é. O mundo é injusto, e as pessoas vivem de maneira injusta.

    Se você deseja viver justamente, terá de sofrer por isso.

    Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça.

    Experimente viver justamente, e você saberá o que acontece. Por quê? Porque esta era é caracterizada pela injustiça. Qualquer pessoa que queira ser justa sofrerá por isso.

    Depois, há a piedade. Este mundo não quer Deus; ele é ímpio. Qualquer pessoa que queira viver piedosamente será perseguida. Para entrar no reino de Deus, precisamos sofrer. Se quisermos viver piedosamente, sofreremos.

    Mas a graça de Deus nos ensina a viver dessa maneira. É assim que devemos viver hoje: sóbria, justa e piedosamente.

    A bendita esperança da manifestação de Cristo

    Quanto ao futuro, a graça de Deus nos ensina a aguardar:

    Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo.
    — Tito 2:13

    Temos uma bendita esperança. As pessoas deste mundo, quando olham adiante, não conseguem crer. Tudo é uma escuridão completa. Quando olham para o futuro, não têm esperança. Mas nós estamos aqui aguardando a bendita esperança.

    Qual é a nossa bendita esperança? A manifestação da glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele voltará em glória e, quando voltar em glória, nos levará para a glória. Pensem nisso.

    É isso que a graça de Deus, o evangelho e a salvação fizeram em nós. Todo aquele que é salvo deve renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas, viver sóbria, justa e piedosamente e aguardar a bendita esperança — a manifestação da glória de nosso Salvador Jesus Cristo.

    É isso que o evangelho fez em nós. É isso que a graça de Deus fez em nós.

    O significado e o efeito da graça

    Se a graça não produz esse efeito em nós, isso é uma desonra.

    A palavra grega para graça traz em si a ideia de beleza e prazer. A graça, em primeiro lugar, nos fala da beleza, daquilo que é agradável e do encanto que há naquela pessoa.

    Quando olhamos para Cristo Jesus, Ele é cheio de graça. Ele nos dá uma sensação de prazer porque é tão atraente. Ele é cheio de beleza. Isso é inerente a Ele.

    Segundo, a partir desse encanto que há Nele, Ele nos dá livremente e a todos, sem que haja em nós qualquer motivo para isso. Esse é o segundo aspecto da graça.

    O terceiro aspecto da graça, conforme seu uso na Bíblia, é este: quando recebemos a graça de Deus em Cristo Jesus, a graça de Deus nos torna cheios de graça. Ela produz seu efeito em nós e se reproduz em nossa vida.

    Às vezes dizemos: “Vamos dar graças” antes de comer. Por que usamos a palavra graças? Queremos dizer: “Vamos agradecer ao Senhor”. Depois de receber a graça de Deus, ela produz em você um sentimento de gratidão, e você oferece esse agradecimento Àquele que lhe dá graça. Por isso, chamamos isso de gratidão.

    Quando recebemos a graça de nosso Senhor Jesus, ela deve produzir e reproduzir em nós aquilo que é de Cristo. Se o resultado não é esse, isso é uma desonra. Em outras palavras, você desperdiçou a graça de Deus.

    O caráter cretense e a obra transformadora da graça

    Vejam os cretenses. Os cretenses, por natureza, eram exemplos muito pobres da humanidade. Até um profeta dentre eles disse:

    Os cretenses são sempre mentirosos, feras malignas, glutões ociosos.
    — Tito 1:12

    Pensem nisso. Aquelas pessoas naquela ilha eram caracterizadas pela mentira. Mentiam sempre. Nunca diziam a verdade. Tudo era falso, fingido, hipócrita.

    Não se tratava apenas de uma mentira inocente ou de uma mentira maliciosa; eles eram simplesmente mentirosos. Era sua vida. Era seu hábito. Era sua característica nacional — sempre mentirosos.

    Não apenas mentirosos: eram feras malignas. Eram como animais selvagens — sem controle, sem razão e, além disso, malignos.

    Além disso, eram preguiçosos — não apenas pessoas preguiçosas, mas glutões preguiçosos. De um lado, eram muito preguiçosos; do outro, eram muito gananciosos.

    Ora, diríamos que, se uma pessoa é gananciosa, precisa ser diligente; caso contrário, como poderá satisfazer sua ganância? Mas a natureza humana é tal que essas duas coisas podem andar juntas: pessoas preguiçosas, mas cheias de toda espécie de cobiça.

    Quando a graça de Deus veio a essas pessoas e elas foram salvas, deveriam ter se tornado os melhores exemplos da graça de Deus.

    Se você tem um bom material e o transforma em algo bom, isso não demonstra a habilidade do artesão. Mas, se tem um material muito ruim e consegue transformar esse material ruim num bom vaso, isso é bom. Dá mais glória ao artesão.

    Deus tomaria aquilo que é ruim, e Ele sempre faz isso. Ele tomaria todos esses materiais ruins que até o diabo jogaria fora. O Senhor os recolhe, e o Senhor é capaz de transformá-los nos mais excelentes exemplos da graça.

    Então mostramos a beleza de nosso Salvador Jesus Cristo. Isso dá glória a Deus. É isso que Deus pode fazer, e é isso que Deus fará.

    Deus tomou esses materiais tão pobres. A graça de Deus veio a eles. Deveriam ter sido os melhores exemplos da graça de Deus. Mas, infelizmente, não foram.

    Isso é desonra. Eles desonraram a graça porque não permitiram que ela realizasse sua obra completa. Receberam a graça até certo ponto, mas não permitiram que a graça realizasse sua obra perfeita.

    Deveriam ter sido santos, mas não viviam em santidade. Eram salvos, mas não eram transformados.

    Não era porque a graça de Deus não tivesse poder para transformá-los. Era porque não permitiam que a graça completasse sua obra.

    A transformação à imagem de Cristo

    Irmãos e irmãs, quando uma pessoa vem ao Senhor, isso é mais do que uma simples aceitação mental da fé — muito mais.

    O que Deus pretende fazer nessa pessoa é transformá-la completamente, conformá-la à imagem de Seu Filho. Deus tem a força e o poder para fazer isso.

    Se isso não acontece, alguma coisa está impedindo a obra de Deus. Alguma coisa em nós impede Deus.

    Essa era a situação dos crentes em Creta. Não é de admirar que, individualmente, apresentassem pouca ou nenhuma transformação. Como se poderia esperar que as igrejas estivessem em boa condição? Era impossível.

    A correção pela repreensão e pelo ensino sadio

    Agora, como aquela situação seria corrigida? Por meio da verdade.

    Paulo disse diversas coisas a Tito, e observem como as empregou. Em Tito 1:13:

    Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.
    — Tito 1:13

    Depois, em Tito 2:15:

    Fala estas coisas, exorta e repreende com toda autoridade. Ninguém te despreze.
    — Tito 2:15

    Repreender é uma palavra forte. Paulo exortou Tito a repreender esses crentes cretenses.

    Vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, isso é muito difícil. Todos queremos ser populares, amigáveis e bem recebidos. Às vezes, vemos certas coisas que não estão corretas diante de Deus, mas amamos demais a nós mesmos. Não amamos suficientemente nossos irmãos e irmãs.

    Paulo disse a Tito que repreendesse com toda autoridade. Pensem nisso. Como Tito poderia fazer isso, a menos que ele próprio fosse uma pessoa disciplinada?

    Paulo havia trabalhado tanto na vida de Tito que, quando ele repreendia esses crentes cretenses, havia autoridade. É claro que havia muito amor em Tito. Ele repreendia num espírito de amor — sim, de amor.

    Às vezes, vemos que nosso Senhor Jesus repreende, não por falta de amor, mas por amor: para chamar a atenção, despertar, convencer do pecado e levar as pessoas ao arrependimento.

    Os crentes cretenses precisavam enxergar: “Bem, isso não deveria ser assim”. Contudo, estavam numa situação em que precisavam ser convencidos do pecado.

    Do lado positivo, encontramos em Tito 3:8:

    Fiel é esta palavra, e quero que afirmes estas coisas com toda confiança, para que os que têm crido em Deus procurem dedicar-se às boas obras.
    — Tito 3:8

    De um lado, repreenda aquilo que não é de Deus. Do outro, insista positivamente nas coisas de Deus e apresente diante deles aquilo que é sadio e verdadeiro.

    É claro que nenhuma quantidade de repreensão ou insistência produzirá resultado, a menos que o Espírito Santo faça a obra. Tito era apenas um canal. Enquanto ele repreendia e insistia, o Espírito Santo começava a trabalhar, a convencer do pecado e a persuadir.

    Quando o Espírito Santo começa a realizar Sua obra entre o povo de Deus, vemos que as pessoas se arrependem, voltam para Deus e se abrem à obra do Espírito Santo. Então começa a transformação. Essa é a maneira de ajudá-las a sair da desonra e conduzi-las às boas obras.

    As boas obras como a vontade de Deus na vida diária

    Queridos irmãos e irmãs, nós, como cristãos e como aqueles que receberam a graça de Deus, estamos preparados para fazer toda boa obra que Deus preparou para nós.

    É verdade que somos salvos pela graça. Não vem das obras. As obras não são uma condição para a salvação, mas, depois que você é salvo pela fé, para que é salvo? Somos salvos para fazer essas obras.

    Agora, o que são essas boas obras? Boas obras são fazer a vontade de Deus em todas as nossas atividades. Não há nada bom que não esteja na vontade de Deus. Boa obra é fazer a vontade de Deus em todas as coisas.

    Em nossa vida pessoal, em nossa vida familiar, em nossa vida social, em nossa vida na igreja e em todos os nossos relacionamentos, boa obra é fazer a vontade de Deus — fazer aquilo que Deus quer que façamos.

    É mais do que simplesmente fazer alguma coisa. Refere-se à nossa vida inteira como cumprimento da vontade de Deus. Isso é bom.

    A saúde espiritual e a piedade em todas as esferas da vida

    Em Tito 2, Paulo exortou Tito a ensinar a sã doutrina. Quais são as boas obras? Os homens idosos devem ser temperantes, respeitáveis, sensatos, sãos na fé, no amor e na perseverança. Isso é boa obra.

    Os homens mais velhos devem ter uma mente sã — ser respeitáveis, não levianos nem frívolos; prudentes; sóbrios; sãos na fé, no amor e na perseverança.

    A palavra são também pode ser traduzida como saudável. Que as pessoas mais velhas sejam saudáveis e sãs em todas as áreas — na fé e no amor. Não é porque você está velho que deve se descuidar.

    Quando envelhecemos, não apenas nossos músculos começam a perder a firmeza, mas até nosso domínio próprio começa a perder sua força.

    Se não aprendermos o domínio próprio quando somos jovens — e, por domínio próprio, quero dizer o controle do Espírito, porque, em Gálatas 5, o último fruto do Espírito é o domínio próprio —, então, quando envelhecermos, nossa força de vontade não será tão forte quanto antes. Vocês verão que todas essas coisas começam a ficar sem controle.

    Mas aqui vemos que as pessoas mais velhas devem ser sóbrias, moderadas e controladas — ainda sob o controle do Espírito Santo.

    As mulheres mais velhas, até na maneira de se vestir, devem dar exemplo às mais novas. Devem ser mestras das mulheres jovens, ensinando-as a amar seus maridos, amar seus filhos e realizar suas tarefas domésticas como para o Senhor.

    Os homens jovens também devem ser sensatos. Vocês veem que Deus quer que sejamos sãos — saudáveis. A graça de Deus produz em nossa vida toda essa saúde, essa saúde espiritual.

    Até os servos, pois naqueles dias havia muitos escravos, deveriam manifestar Cristo em sua escravidão. Quanto ao governo civil, como era a época do Império Romano, os crentes eram ensinados a obedecer às autoridades.

    Em outras palavras, em todas as áreas de nossa vida, a graça deve produzir uma expressão de graça que traga glória a Deus.

    A relevância contínua da carta a Tito

    Era exatamente disso que as igrejas de Creta precisavam, e Paulo deixou Tito ali para ajudar a restaurar aquela situação.

    Queridos irmãos e irmãs, embora a carta a Tito tenha sido escrita no primeiro século, perto do fim do primeiro século, creio que nós, que vivemos no fim do século vinte, precisamos dessas palavras.

    Precisamos ser libertos da desordem e conduzidos à ordem, para que a vida possa crescer. Precisamos ser libertos da desonra e conduzidos às boas obras, para que o nome de Cristo seja exaltado.

    É isso que vocês encontram na carta a Tito.

    Oração

    Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e agradecemos porque a Tua palavra é tão prática. Como Te louvamos e agradecemos porque a graça de Deus é prática.

    Nós Te louvamos e agradecemos porque ela realmente produz em nós aquilo que corresponde à Tua natureza e ao Teu caráter. Ó Senhor, que assim seja.

    Se houver alguma coisa faltando em nós, Senhor, repreende-nos e apresenta-nos aquilo que esperas de nós. Que o Teu Espírito Santo nos convença do pecado e nos persuada, e que o Teu Espírito Santo nos transforme.

    Senhor, estamos abertos a Ti. Queremos realmente que completes Tua obra de salvação em nossa vida, para que Tua igreja seja verdadeiramente uma coluna da verdade e um testemunho de Jesus.

    Entregamos uns aos outros ao Teu amor, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.