Estamos na noite de segunda-feira, 7 de outubro de 1974, em Richmond, Virgínia. A ministração é feita pelo irmão Stephen Kaung.
Posso ler em 1 Timóteo?
O versículo-chave para o nosso tempo de comunhão encontra-se em 1 Timóteo 3:15. Vamos ler primeiro esse versículo.
Para que saibas como se deve proceder na casa de Deus,
que é a assembleia do Deus vivo,
coluna e fundamento da verdade.
Voltemos a 1 Timóteo 3:1.
Fiel é a palavra: se alguém aspira a exercer a supervisão, deseja uma boa obra.
É necessário, pois, que o supervisor seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao excesso de vinho, não violento, mas amável; não contencioso, não amante do dinheiro; que governe bem a sua própria casa, tendo os filhos em sujeição, com toda a dignidade.
Mas, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da assembleia de Deus?
Não seja recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na condenação do diabo.
É necessário também que tenha bom testemunho dos de fora, para que não caia em descrédito e no laço do diabo.
Os ministros, isto é, os diáconos, igualmente, sejam respeitáveis, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não buscando lucro por meios desonestos; conservando o mistério da fé em uma consciência pura.
E sejam estes primeiro provados; depois, exerçam o ministério, se nada houver contra eles.
As mulheres, igualmente, sejam respeitáveis, não caluniadoras, sóbrias, fiéis em tudo.
Os ministros, ou diáconos, sejam maridos de uma só mulher, governando bem seus filhos e suas próprias casas.
Porque os que tiverem servido bem alcançam para si uma boa posição e muita ousadia na fé que há em Cristo Jesus.
Estas coisas te escrevo, esperando ir ter contigo em breve;
mas, se eu tardar, para que saibas como se deve proceder na casa de Deus,
que é a assembleia do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade.
E, reconhecidamente, grande é o mistério da piedade:
Aquele Que foi manifestado em carne,
foi justificado no Espírito,
apareceu aos anjos,
foi pregado entre as nações,
foi crido no mundo,
foi recebido acima, na glória.
Mencionamos que esta carta a Timóteo trata, basicamente, de uma coisa: como proceder na casa de Deus. Aqui está a casa de Deus, o lugar da Sua habitação — uma casa que Deus edifica para Si mesmo, uma santa habitação de Deus no Espírito, um lar para Deus, onde Ele pode descansar satisfeito e onde é adorado.
Essa casa de Deus não é outra senão aqueles que foram redimidos pelo precioso sangue do Cordeiro. Ao nos achegarmos a Cristo, somos como pedras vivas, sendo edificados juntos por Deus como casa espiritual, sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Esta é a casa de Deus. Nós somos a casa de Deus e estamos na casa de Deus. Por essa razão, é muito importante sabermos como nos comportar na casa de Deus.
Já mencionamos que esta carta trata principalmente do governo da igreja. Ao tratar do governo da igreja, ela se ocupa dessa questão de como devemos proceder na casa de Deus.
Naturalmente, a primeira coisa que mencionamos nesta manhã é que a igreja, sendo coluna e fundamento da verdade, deve conservar a fé que uma vez foi entregue aos santos — em outras palavras, o ensino sadio. Timóteo foi deixado na igreja em Éfeso não apenas para ordenar a certas pessoas que não ensinassem outra doutrina, mas também para ensinar o ensino sadio, segundo a piedade, segundo Deus. Isso visa à edificação da igreja, bem como à sua própria edificação.
Nesta noite, gostaríamos de prosseguir para o segundo ponto encontrado em 1 Timóteo: o governo da igreja por meio dos seus encargos, e também a disciplina da igreja.
Agora, sabemos que há um problema muito grande sempre que chegamos a essa questão do governo e da disciplina da igreja. É algo enorme.
Antes de tudo, talvez eu possa citar alguém. Houve um homem — não sei se vocês já ouviram falar dele — chamado William Kelly. Ele viveu cerca de um século antes do nosso tempo.
Talvez vocês não tenham ouvido falar dele, mas creio que certamente já ouviram falar de C. H. Spurgeon. Spurgeon falou a respeito desse homem e disse: “William Kelly está um século à frente das outras pessoas”.
Em outras palavras, era um homem a quem Deus havia dado certo entendimento que estava um século à frente das outras pessoas. Por essa razão, ele não foi compreendido em seu tempo, e Spurgeon reconheceu isso.
William Kelly disse certa vez que o erro católico é confundir dom e governo com sacerdócio, porque não se conhece a própria natureza do evangelho. A própria natureza do evangelho é que todos os crentes são sacerdotes.
Mas o sistema católico confunde dom e governo com sacerdócio. Em outras palavras, quer se trate de dom, quer de governo, tudo se concentra no sacerdócio — uma classe especial de pessoas. Esse é o erro católico.
Ele disse que o erro protestante é confundir dons com encargos. Temos os dons: todos são para a edificação do corpo de Cristo. E os encargos na igreja existem para proporcionar um bom ambiente para o exercício desses dons.
Mas, quando se confundem dons e encargos e se concentram ambos na mesma pessoa, é aí que encontramos o sistema pastoral e o sistema protestante. Isso não deixa espaço para o exercício dos outros dons, e não se compreende o que realmente é o governo.
Provavelmente ele estava um século à frente do seu tempo, mas agora estamos um século depois; portanto, deveríamos compreender isso.
Há outra coisa de que, creio eu, precisamos nos lembrar: quando falamos do governo da igreja ou dos encargos na igreja, estamos falando apenas em termos da assembleia local.
Na igreja universal, o governo está sobre os ombros de Cristo. Deus não estabeleceu nenhum homem para ser responsável pelo governo da igreja universal. É isso que se supõe que o papa seja, mas Deus não fez nenhuma provisão desse tipo.
Por quê? Porque, no que diz respeito à igreja universal, Cristo é a Cabeça da igreja, e o governo da igreja repousa sobre os Seus ombros, e sobre os de nenhum outro.
Mas, quando chegamos à questão da assembleia local — a igreja local —, encontramos a Cabeça delegando Sua autoridade a certas pessoas. O governo da igreja está sobre elas. Creio que isso é algo que precisamos deixar claro desde o início.
Antes de entrarmos nessa questão do governo da igreja, seria bom voltarmos e revermos um pouco da história do Novo Testamento.
Nos Evangelhos, há apenas duas passagens em que nosso Senhor Jesus usou a palavra assembleia, ou igreja, embora Ele tenha vindo a este mundo por causa da igreja. Nos quatro Evangelhos, há apenas duas passagens em que nosso Senhor Jesus usa essa palavra: uma em Mateus 16 e outra em Mateus 18.
De fato, essas duas passagens nos apresentam os dois aspectos da igreja. Há apenas uma igreja, mas essa única igreja tem dois aspectos.
Em Mateus 16:18, Ele nos apresenta o aspecto universal.
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Essa rocha, naturalmente, é a confissão de Pedro em Mateus 16:16:
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Em outras palavras, o Senhor disse: “Edificarei a Minha igreja sobre Mim mesmo. Eu sou o fundamento. Vou edificar a igreja sobre Mim mesmo. Vou edificá-la com pedras vivas, e Pedro é uma dessas pedras vivas. Porque sou Eu Quem a está edificando, as portas do Hades não prevalecerão contra ela”.
Aqui vemos que tudo está na esfera espiritual: “Edificarei sobre esta rocha, com pedras vivas; as portas do Hades não prevalecerão contra ela”. Tudo está no mundo espiritual. Essa é a igreja universal.
Mas então, em Mateus 18:15-17, vemos nosso Senhor Jesus passando à igreja local. Ele disse:
Se teu irmão pecar contra ti…
Então, por amor — não por ódio —, você vai ao seu irmão e lhe mostra em que ele pecou.
Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Se ele não o ouvir, sua responsabilidade ainda não terminou. O amor sempre percorre uma segunda milha, e até uma terceira.
Então você procura um ou dois outros irmãos — não qualquer irmão ou irmã, mas talvez irmãos de certo peso espiritual. Talvez o seu peso espiritual não seja suficiente para que seu irmão o reconheça. Assim, você leva consigo um ou dois irmãos de maior peso espiritual, vai ao irmão e apela a ele. Talvez ele os ouça.
Se ele não ouvir, então você comunica à igreja. Você não acusa seu irmão perante a igreja, mas comunica à igreja o problema. A igreja assume a questão e vai àquele irmão, procurando restaurá-lo. Se ele não ouvir a igreja, então você deve considerá-lo como um estranho ou como um publicano.
Agora, suponha que eu peque contra você e que, por amor, você venha até mim e procure me mostrar em que pequei — não para defender a si mesmo, mas porque me ama tanto que não quer que eu continue no pecado. Suponha que eu não queira ouvi-lo. Eu digo: “Quem é você?”
Então você procura dois irmãos, e os três vêm até mim. Pelo testemunho de duas ou três pessoas, toda palavra será confirmada. Mas, se eu ainda não quiser ouvir, a Bíblia diz que você deve ir e comunicar à igreja.
Deixe-me perguntar: aonde você vai? Como comunica à igreja? Se for a igreja universal, ela é grande demais para você comunicar isso. Onde você vai comunicar isso à igreja universal?
Portanto, o que se quer dizer aqui é a igreja local. Isto é, onde quer que você e seu irmão estejam na mesma localidade. Seu irmão em outra localidade não pode pecar contra você, porque vocês não estão juntos. Não há oportunidade de entrarem em atrito um com o outro.
Você pode estar em perfeita harmonia com seus irmãos e irmãs no Alasca, mas pode estar entrando em atrito com seu irmão e sua irmã bem aqui em Richmond. Como seu irmão pode pecar contra você se ele não está com você? Como você pode ir até ele e procurar restaurá-lo se ele não está no mesmo lugar que você?
Se vocês não se reúnem, não estão juntos. Portanto, quando se diz: “Comunica à igreja”, isso não pode significar a igreja universal. Significa a igreja da qual você e seu irmão fazem parte.
Mas, mesmo assim, como você comunica à igreja, e como a igreja vai até aquele irmão? Você menciona esse irmão no meio da congregação? Quando toda a igreja está reunida, você se levanta e relata o caso? Isso seria como acusar seu irmão.
Certamente, comunicar à igreja significa comunicar aos que têm responsabilidade. Como eles têm responsabilidade, o governo da igreja está sobre os seus ombros. Você não precisa tornar tudo público.
Esses irmãos representam a igreja e vão até aquele irmão — não são todos os irmãos e irmãs que vão em massa até ele. Não, são os responsáveis que vão e procuram restaurá-lo.
Se ele realmente não ouvir a igreja, o que acontece? Então você o considera como um estranho. Em outras palavras, ainda não é a igreja que disciplina aquele irmão; é você. Para você, ele é como um estranho. A situação ainda não chegou, de fato, àquela condição séria de disciplina da igreja.
De qualquer modo, em Mateus 18 trata-se da igreja local, e, por ser a igreja local, há governo.
Então chegamos ao livro de Atos. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os cento e vinte que estavam reunidos no cenáculo.
Esses cento e vinte irmãos e irmãs eram a elite dos discípulos do nosso Senhor Jesus. Por quê? Porque, vocês se lembram, certa vez quinhentos irmãos viram o Senhor depois da Sua ressurreição. Muito provavelmente, foi na ocasião em que nosso Senhor ascendeu.
Mas, depois que nosso Senhor ascendeu, apenas cento e vinte permaneceram dez dias em Jerusalém. Eles oravam juntos, em unanimidade. Eram a elite dos discípulos do Senhor, mas eram apenas uma congregação de cento e vinte membros.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os cento e vinte, e, em um só Espírito, eles foram batizados em um só corpo. Já não eram apenas uma congregação de cento e vinte membros; tornaram-se um corpo com cento e vinte membros vivos — um organismo vivo.
Então, naquele mesmo dia, três mil foram acrescentados à igreja. Aqui vemos que a igreja tinha três mil cento e vinte membros vivos. O Senhor acrescentava pessoas à igreja diariamente.
Muito provavelmente, nos primeiros capítulos, até Atos 5 ou Atos 6, a igreja em Jerusalém tinha mais de dez mil crentes — ou cerca de dez mil crentes. Pensem nisso.
Ali estava a igreja em Jerusalém. Naquela época, não havia igreja em nenhum outro lugar. Tudo começou em Jerusalém.
Com tantos crentes juntos em um só corpo, ninguém dizia que alguma coisa era sua. Eles pertenciam uns aos outros. Amavam uns aos outros. Eram simplesmente um só corpo.
Como havia tantas pessoas, naturalmente vemos que o governo da igreja em Jerusalém, no início, estava sobre os ombros dos doze apóstolos.
Quando as pessoas eram constrangidas pelo amor de Cristo, vendiam suas propriedades e depositavam o dinheiro aos pés dos apóstolos. Em outras palavras, o governo da igreja em Jerusalém, bem no início, estava nas mãos dos apóstolos. Os apóstolos representavam a Cabeça na igreja local.
Mas, como havia tantos irmãos e irmãs, e apenas doze apóstolos, por mais espirituais ou capazes que esses apóstolos fossem, eles poderiam trabalhar dia e noite, trabalhar até morrer, mas havia tantos crentes e tantas questões das quais era preciso cuidar.
O primeiro problema que surgiu na igreja em Jerusalém foi que as viúvas dos judeus helenistas estavam sendo esquecidas.
Naquele tempo, havia muitas viúvas. Não sabemos por quê; provavelmente a vida era muito difícil naquela época. Cabia à igreja cuidar das viúvas.
Os apóstolos não eram responsáveis apenas pelo ministério espiritual na igreja; eram responsáveis por tudo na igreja. Para cerca de dez mil pessoas, esses doze apóstolos simplesmente não conseguiam cumprir perfeitamente nem sua responsabilidade espiritual, nem a responsabilidade de administração e governo.
Eles deixaram de atender às necessidades das viúvas dos judeus helenistas. Naquela época, os judeus se dividiam em dois grupos: judeus hebreus e judeus helenistas. Os judeus hebreus eram os que haviam nascido e sido criados na Palestina. Os judeus helenistas eram os que haviam nascido e sido criados entre as nações.
Muitos vieram durante a festa, abraçaram a fé e permaneceram ali. Os apóstolos conheciam melhor a situação dos judeus hebreus, porque eles próprios eram judeus hebreus. Não conheciam tão bem os judeus helenistas e sua situação. Portanto, no atendimento às necessidades dos judeus helenistas, eles foram esquecidos, e começaram as murmurações.
Por um lado, ainda havia contenção no Espírito. Eles não se levantaram em rebelião aberta. Mas, por outro lado, a carne estava agindo. Havia murmuração, e a murmuração começou a se espalhar. Cada vez mais pessoas eram afetadas.
Felizmente, isso chegou aos ouvidos dos apóstolos. Imediatamente, os apóstolos convocaram toda a assembleia. Reconheceram sua fraqueza e disseram:
Escolhei dentre vós sete homens, cheios do Espírito Santo e de boa reputação.
Que eles sirvam às mesas, para que nós possamos nos dedicar ao ministério da Palavra de Deus e à oração.
Toda a assembleia escolheu sete homens dentre eles. Havia muito amor. Dos sete homens escolhidos, a maioria — se não todos — era de judeus helenistas. Havia mais judeus hebreus entre os crentes naquela época, e, ainda assim, eles não foram egoístas de modo algum. Era uma questão de amor.
Eles estavam dispostos a escolher sete judeus helenistas para cuidar das mesas. Não tiveram medo de que suas próprias viúvas fossem depois negligenciadas. Isso era amor.
Vocês se lembram de que os apóstolos oraram por eles, impuseram-lhes as mãos, e esses sete começaram a servir às mesas. Assim, os apóstolos puderam se dedicar à oração e ao ministério da Palavra de Deus, e a Palavra de Deus crescia. O Senhor abençoou.
No início, o governo da igreja em Jerusalém estava sobre os ombros dos apóstolos. Mas, como havia questões que precisavam ser administradas, sete foram escolhidos.
A Bíblia nunca diz que tipo de encargo esses sete ocupavam ou que título tinham. Não havia título. Eles não eram chamados nem de presbíteros, nem de diáconos. Na verdade, não eram presbíteros, porque seu trabalho era de serviço, não uma função executiva ou de governo.
Eles exerciam funções de administração, não de supervisão. Hoje, quando as pessoas comentam o livro de Atos, geralmente os chamam de “os sete diáconos”. Mas, na verdade, no início não havia esse título. Havia simplesmente uma necessidade, e sete irmãos foram escolhidos para fazer o trabalho sob a supervisão dos apóstolos.
O propósito era que a obra de Deus progredisse, que tanto o aspecto espiritual quanto o material fossem atendidos, para que Deus fosse honrado e glorificado. Não havia a ideia de organizar um sistema — de modo algum.
Mas, quando chegamos a Atos 11, encontramos Barnabé e Paulo em Antioquia. Deus começou uma obra em Antioquia, e foi em Antioquia que os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez.
Certo dia, um profeta profetizou que haveria uma grande fome em toda a Judeia. Esses irmãos e irmãs de origem gentílica, por serem um com seus irmãos e irmãs em Jerusalém — embora estes fossem de origem judaica —, foram constrangidos pelo amor de Cristo. Na igreja não há judeu nem gentio.
Eles estavam dispostos a se sacrificar e a contribuir. Enviaram Barnabé e Paulo a Jerusalém para ajudar os santos pobres que estavam ali. Isso é amor.
Mas, quando Barnabé e Paulo chegaram a Jerusalém, o que a Bíblia diz? Em Atos 11:30, diz que enviaram a contribuição:
Aos presbíteros da igreja em Jerusalém.
Essa é a primeira vez que encontramos os presbíteros da igreja em Jerusalém mencionados no livro de Atos. No início, a responsabilidade parecia repousar sobre os apóstolos. Quando ficaram sobrecarregados, sete irmãos foram escolhidos para cuidar de certas coisas. Não havia a ideia de organizar coisa alguma.
Mas, gradualmente, à medida que a igreja era estabelecida, presbíteros foram designados na igreja em Jerusalém. Nada é dito sobre como esses presbíteros foram escolhidos. Nada é dito. Nem sequer nos é informado quem eram esses presbíteros.
Sabemos apenas que alguns dos apóstolos provavelmente também eram presbíteros da igreja em Jerusalém. Pedro chama a si mesmo de presbítero, e o apóstolo João chama a si mesmo de presbítero. Mas nem todos os apóstolos eram presbíteros da igreja em Jerusalém, e alguns dos presbíteros em Jerusalém certamente não eram apóstolos.
Como sabemos disso? Porque, quando chegamos a Atos 15, vemos que, durante o concílio em Jerusalém, em Atos 15:28, se diz:
Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…
E os apóstolos e presbíteros são mencionados. Em outras palavras, na igreja em Jerusalém havia apóstolos e havia presbíteros.
Gradualmente, à medida que a igreja foi estabelecida, a responsabilidade pelo governo da igreja passou dos apóstolos para o presbitério.
Paulo e Barnabé então começaram a viajar entre os gentios, e Deus começou a levantar Suas igrejas nos lugares que eles visitavam. Quando Paulo e Barnabé chegaram a Icônio, Listra e Antioquia, pregaram o evangelho. O poder de Deus operou ali, e muitas pessoas vieram ao Senhor.
Esses crentes foram reunidos ao Senhor. Então, dentro de um ano, quando Paulo e Barnabé voltaram e revisitaram as assembleias, designaram presbíteros nessas localidades.
Presbíteros foram designados para cuidar do governo e da supervisão. Contudo, não nos é dito quais eram as qualificações dos presbíteros. Sabemos apenas que presbíteros foram designados pelos apóstolos, e que os apóstolos os entregaram a Deus, para que cuidassem do rebanho.
Isso continuou durante o ministério do apóstolo Paulo. Mesmo depois de ser libertado da prisão romana, ele visitou Creta. Em diferentes cidades, surgiram diferentes assembleias; por isso, ele deixou Tito ali para designar presbíteros em cada cidade.
Queridos irmãos e irmãs, o governo da assembleia local repousa sobre o presbitério.
O governo da igreja é de natureza local. Nunca é de natureza universal. Os presbíteros de uma assembleia local supervisionam apenas aquela assembleia local. Nunca vão além da assembleia local.
Se o governo ultrapassar a assembleia local, gradualmente chegaremos ao que existe no sistema católico: o papa. O papa se torna a cabeça.
O governo de uma assembleia local repousa sobre o presbitério, mas apenas para aquela assembleia local. O governo da igreja se limita ao governo local — nunca vai além do âmbito das questões locais. Creio que essa é a razão pela qual, na história da igreja, nos desviamos.
Se o governo da igreja se limitasse às assembleias locais, não encontraríamos o cristianismo como o vemos hoje. O mesmo vale para a disciplina. A disciplina permanece dentro da igreja local. Se você estende a disciplina além dos limites da igreja local, encontra todos os problemas que aconteceram na história da igreja.
A Palavra de Deus é muito clara, muito graciosa. O governo da igreja repousa sobre o presbitério. Além disso, nas Escrituras, os presbíteros sempre constituem um presbitério — nunca um homem sozinho.
Deus nunca permite que uma única pessoa fique encarregada de uma assembleia local, porque Ele é a Cabeça. Quando Deus levanta um presbitério, sempre há uma pluralidade de pessoas. É uma liderança coletiva sob a autoridade de Cristo como Cabeça.
Não existe tal coisa como um presbítero presidente. Isso é um desenvolvimento histórico. Gradualmente, mesmo entre os presbíteros, alguém que preside se torna um presbítero presidente, e esse presbítero presidente, pouco a pouco, se torna um bispo. Então ele começa a governar não apenas a assembleia local, mas também outras assembleias, e isso se desenvolve no sistema católico.
Não existe tal coisa como um presbítero presidente. Sim, alguém pode presidir. Por exemplo, no início, Pedro era claramente o irmão que liderava na igreja em Jerusalém. Mas, mais tarde, vemos que era Tiago, não Pedro. Não houve um arranjo; era uma questão de realidade espiritual.
Quando uma igreja é estabelecida, o governo da igreja repousa sobre os presbíteros. Por isso, temos a verdadeira independência da igreja local. Haverá relacionamento espiritual, comunhão e vínculos entre as igrejas, porque somos um só corpo; contudo, no que diz respeito ao governo, cada assembleia local é independente.
Por independente, quero dizer independente da interferência de outras assembleias, mas diretamente dependente da Cabeça. É assim que se mantém a independência da igreja local.
O próprio apóstolo Paulo foi usado por Deus para levantar a assembleia em Corinto. Mas, quando houve um problema em Corinto, Paulo não podia voltar, pôr os presbíteros de lado e começar a tratar diretamente da situação. Ele não podia fazer isso.
Assim que houve um presbitério ali, até Paulo respeitou a autoridade da igreja local exercida pelo presbitério. Ele só podia procurar despertar a consciência dos presbíteros e a consciência da congregação. Eles tinham de agir. Ele agiria com eles, mas não independentemente deles. Por quê? Porque o Fundador da igreja é Cristo.
A Bíblia deixa muito claro que, no âmbito da assembleia local, para a sua edificação e independência, Cristo delegou autoridade ao presbitério, e os presbíteros são responsáveis diante de Deus. Até os apóstolos tinham de respeitá-los.
Por que deve haver governo na igreja? Não é difícil entender. Quando o povo de Deus começa a aumentar e a crescer junto, é preciso haver ordem para dirigir tudo isso.
Quando Deus começa a edificar Sua igreja, tem de haver uma ordem divina. Deus é o Deus de ordem, não de desordem. Como Deus é o Deus de ordem, Ele estabelece Sua ordem.
Segundo a ordem divina, o governo e a administração da igreja local repousam sobre os presbíteros. É como uma família. O marido e a esposa são iguais. No que diz respeito à vida, são iguais. Mas, para o funcionamento do lar, Deus estabeleceu o marido como cabeça e a esposa como corpo, para que, pela cooperação, a família prospere diante do Senhor.
À medida que a igreja começa a crescer, da vida da igreja surge o presbitério, com a responsabilidade pelo governo da igreja.
Mas isso não significa que, por Deus ter levantado um presbitério, todos os outros irmãos e irmãs deixem de ser responsáveis pela igreja. Nós, seres humanos, somos assim: quando Deus começa a levantar um presbitério, é muito fácil nos acomodarmos e dizer: “Agora temos os presbíteros. Eles são responsáveis pela igreja. Nós não”.
Se as esposas se acomodarem e disserem: “Vocês, maridos, são a cabeça da família, e nós não; portanto, não vamos cooperar e não faremos nada”, o que acontecerá com a família?
O mesmo vale para a igreja. Os presbíteros são levantados por Deus para liderar, supervisionar e cuidar. Mas cada irmão e irmã, como membro do corpo de Cristo, deve exercer sua função sob a liderança do presbitério. Caso contrário, a igreja se desintegra.
Lembremo-nos disto: não significa que, por Deus ter levantado um presbitério, todos os demais irmãos e irmãs possam se acomodar e ficar passivos.
Pelo contrário, por meio do presbitério, eles devem ser conduzidos ao exercício da sua função no corpo de Cristo, para que tudo opere em conjunto como um só corpo — não de maneira independente e isolada uns dos outros.
Queridos irmãos e irmãs, se vocês realmente puderem ver o que o Senhor deseja, é belo. É belo.
No livro de Atos, não nos é dito quais são as qualificações dos presbíteros. Somos informados apenas de que presbíteros foram escolhidos. Certamente, os apóstolos não iam simplesmente a qualquer cidade e escolhiam as pessoas que lhes agradavam. Isso não teria nada de apostólico.
Portanto, em Atos 20, quando Paulo chamou os presbíteros da igreja em Éfeso para se encontrarem com ele em Mileto, o que Paulo lhes disse? Em Atos 20:28, Paulo disse:
O Espírito Santo vos constituiu supervisores.
Não Paulo — o Espírito Santo.
A razão pela qual os apóstolos não designavam presbíteros logo no início era que davam ao Espírito Santo a oportunidade de revelar quem realmente estava assumindo responsabilidade espiritual.
Eles reuniam os crentes e lhes diziam: “Reúnam-se, tenham comunhão, busquem o Senhor juntos, adorem o Senhor juntos”. Depois, iam embora. Por quê? Davam ao Espírito Santo a oportunidade de manifestar aqueles que estavam assumindo responsabilidade espiritual.
O presbitério não é uma posição; é uma responsabilidade espiritual. À medida que os crentes se reúnem, naturalmente haverá alguns que receberão um encargo do Senhor e começarão a assumir responsabilidade espiritual sem que ninguém lhes peça — não como uma posição, mas como um serviço.
Quando o apóstolo volta, fica evidente quem o Espírito Santo manifestou. O apóstolo simplesmente reconhece isso. É o Espírito Santo Quem constitui os presbíteros como supervisores.
Quando chegamos a 1 Timóteo e Tito, somos informados de quais são as qualificações dos presbíteros. Acho isso belo.
Se nós quiséssemos fazer alguma coisa a respeito de presbíteros, primeiro estabeleceríamos as qualificações e depois começaríamos a olhar ao redor e dizer: “Agora, quem se enquadra nessas qualificações? Façam dele um presbítero”. Isso é um sistema. Isso é um sistema.
O Espírito Santo reserva essa prerrogativa para Si mesmo. Ele não diz às pessoas antecipadamente quem são os presbíteros. Ninguém sabe. O Espírito Santo opera nas pessoas e, depois que elas são manifestadas, então devemos reconhecê-las.
Antes de entrarmos nas qualificações, talvez devamos perguntar: qual é o trabalho dos presbíteros? Se alguém deseja exercer a supervisão, deseja uma boa obra.
Na Bíblia, bispo e presbítero são a mesma pessoa. Bispo se refere à supervisão — ao encargo. Presbítero se refere à pessoa. Em Atos 20, Paulo chamou os presbíteros e então lhes disse que o Espírito Santo os havia constituído supervisores.
É a corrupção da tradição na igreja que separa presbíteros e bispos. Certos sistemas adotam o episcopalismo — o sistema de bispos —, e outros adotam o presbiterianismo — o sistema de presbíteros. Mas, na Bíblia, bispo e presbítero são a mesma pessoa.
Em 1 Pedro 5:2, Pedro exorta os presbíteros entre o povo, como alguém que também é presbítero e testemunha dos sofrimentos de Cristo, além de participante da glória que está para ser revelada.
Pastoreai o rebanho de Deus que está entre vós.
O trabalho dos presbíteros é pastorear o rebanho de Deus. Vocês veem a figura do pastor pastoreando o rebanho, fazendo tudo para o bem do rebanho, até mesmo entregando sua vida, para garantir que o rebanho seja alimentado, protegido e cuidado. Esse é o trabalho dos presbíteros.
O segundo trabalho é exercer a supervisão — não por obrigação, mas de boa vontade. Eles devem supervisionar, acompanhar, velar pelo rebanho e ajudá-lo a crescer.
Devem perceber onde estão as necessidades, onde as pessoas precisam de encorajamento, onde precisam ser instruídas, onde precisam ser advertidas, e assim por diante. Esse é o trabalho de supervisão e acompanhamento.
Para supervisionar, você precisa enxergar um pouco mais adiante; assim poderá supervisionar.
O terceiro trabalho encontra-se em 1 Pedro 5:3:
Não como dominadores sobre os que vos foram confiados,
mas tornando-vos modelos para o rebanho.
Os presbíteros devem ser exemplos para o rebanho de Deus — não dominando sobre ele, nem apenas dando ordens enquanto deixam de dar um bom exemplo.
Não cabe aos presbíteros fazer tudo pelo corpo. Se fizerem tudo pelo corpo, monopolizam o trabalho, e isso é contrário ao princípio de Deus. Os presbíteros devem supervisionar, tomar a dianteira, administrar e ajudar; mas, certamente, todos os irmãos e irmãs devem fazer o trabalho.
Alguns presbíteros trabalham até se matar. Fazem tudo pela igreja, e a igreja não tem nada para fazer. Esse não é o trabalho dos presbíteros.
Eles devem supervisionar. Contudo, se você quer supervisionar, precisa dar o exemplo. Você não pode dizer: “Sou supervisor; portanto, fico aqui apenas supervisionando. Você vá fazer isto, e você faça aquilo”, enquanto você mesmo não faz nada. Se fizer isso, ninguém o seguirá. Você precisa ser um modelo para o rebanho.
Em 1 Timóteo 3:5, lemos:
Mas, se alguém não sabe governar a sua própria casa,
como cuidará da assembleia de Deus?
O presbítero deve cuidar da assembleia de Deus, assim como um pai deve cuidar da sua família. Isso envolve muita coisa.
Em 1 Timóteo 5:17, lemos:
Os presbíteros que lideram bem sejam considerados dignos de dupla honra,
especialmente os que trabalham na palavra e no ensino.
Os presbíteros devem liderar. Eles vão à frente para conduzir os irmãos na direção certa. Se você quer liderar, precisa estar um passo à frente dos outros.
Alguns presbíteros devem ensinar — não todos os presbíteros, mas alguns são capazes de ensinar, e receberão dupla honra. Todas essas coisas estão incluídas no trabalho do presbitério. Isso não é uma boa obra? Certamente é uma boa obra.
As qualificações apresentadas em 1 Timóteo e Tito podem surpreendê-los. Vocês poderiam pensar que, para ser presbítero, uma pessoa certamente precisa ter muitos dons. Mas não. De todas as qualificações apresentadas em 1 Timóteo e Tito, quase nada é mencionado a respeito de dons.
O supervisor deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao excesso de vinho, não violento, amável, não contencioso, não amante do dinheiro, alguém que governe bem a sua própria casa, tendo os filhos em sujeição com toda a dignidade, e que não seja recém-convertido.
Todas essas descrições e qualificações dizem respeito ao caráter. Por quê?
Apenas uma qualificação provavelmente tem alguma relação com dom: ser apto para ensinar. Mas ser apto para ensinar não significa ter o ensino como dom. Não é necessariamente o dom de ensino em si. É uma atitude — uma atitude, não um dom.
É uma disposição, quer em particular, quer em público. Um presbítero pode não ter o dom de ensino, mas, por conhecer o Senhor, pode aconselhar as pessoas em particular.
Todas as qualificações têm quase nada a ver com dom. Naturalmente, se vocês lerem Romanos 12 e 1 Coríntios 12, encontrarão, em Romanos 12:8:
O que preside, com diligência.
E encontrarão o dom de governos.
Muito provavelmente, os dons dos presbíteros são o dom de presidir e o dom de governos. Esses seriam os dons correspondentes aos presbíteros. Isso é verdade. Mas, nas qualificações, nada é mencionado a respeito de dom; trata-se de caráter.
Vocês veem a diferença entre governo e ministério. Quando se trata de ministério e dom, o dom é muito importante. Mas, por se tratar aqui de governo, não é uma ministração propriamente dita. Portanto, o caráter é o mais essencial.
Para os cristãos, o caráter é mais do que moralidade. O caráter é espiritual. Uma pessoa moral pode ser marido de uma só mulher e muito hospitaleira, e você pode encontrar alguém assim até entre os incrédulos. Isso significa que um incrédulo pode ser presbítero na igreja? De modo algum.
O caráter mencionado aqui não é um caráter natural. Trata-se do caráter produzido pela vida de Cristo Jesus. Portanto, a qualificação de um presbítero é a espiritualidade, não a mera moralidade natural.
O trabalho dos presbíteros é liderar, governar, ser exemplos, cuidar, e assim por diante. Por causa disso, há claramente espaço para o exercício dos dons.
Dom e governo são duas coisas distintas. É por isso que encontramos o erro protestante de confundir dons com governo. Isso não deixa espaço para o exercício dos dons.
Deus dá dons ao corpo, e em cada membro do corpo de Cristo há amplo espaço para o exercício desses dons, para ministrarem uns aos outros. Isso é o ministério do corpo.
O governo existe para proporcionar o melhor ambiente para o exercício dos dons que Deus dá ao corpo em seus diversos membros. Vemos essas duas coisas operando juntas. Nunca é da vontade de Deus que alguém monopolize qualquer coisa na igreja.
Há diferentes responsabilidades, mas todos são envolvidos na edificação do corpo de Cristo.
Há governo na igreja — não apenas presbíteros, mas também diáconos e diaconisas. No caso dos diáconos e das diaconisas, novamente, o mais importante é o caráter, não o dom.
No mundo, se você quer alguém para fazer determinado trabalho, olha para a capacidade. Não se importa com o tipo de caráter que essa pessoa tem. Não vai à sua família investigar os relacionamentos familiares. Olha para sua formação, experiência e capacidade. Se ela é capaz, você lhe dá o trabalho.
Mas, na igreja, é diferente. Embora os diáconos realizem o trabalho sob a supervisão dos presbíteros, novamente é o caráter que importa. Por quê? Porque toda a realidade da igreja é um testemunho — testemunhar do Senhor.
A igreja não é uma organização. Não é uma instituição. Não é simplesmente um trabalho. É um testemunho. Por ser um testemunho, o caráter é o fator mais importante.
Até aqui, mencionamos apenas o governo da igreja. Talvez possamos dizer, muito brevemente, alguma coisa a respeito da disciplina da igreja.
Quanto a essa questão da disciplina, naturalmente encontramos muitos abusos na história da igreja. Por causa disso, as pessoas têm medo da disciplina.
Assim como em uma família, se não houver disciplina, essa família se desintegrará. Contudo, também encontramos abusos na disciplina, e por isso as pessoas vão para um extremo ou para o outro.
Mas, queridos irmãos e irmãs, onde o povo de Deus estiver reunido, haverá disciplina. Se não houver disciplina na igreja, a igreja não está estabelecida, assim como uma família não está estabelecida se não houver disciplina na família.
A disciplina da igreja é uma questão muito séria.
Gosto muito das palavras de J. N. Darby. Não vou citá-lo exatamente, mas lhes darei a ideia geral. Em um de seus folhetos, ao falar de disciplina, ele começou mais ou menos assim: “A disciplina é tão séria. Quem sou eu para julgar meu irmão? Sou um pecador salvo pela graça. Como ousaria julgar meu irmão?”
“Não tenho posição para julgar.” A única razão pela qual pode haver disciplina é o amor — o amor. Gosto disso.
A disciplina da igreja é o último recurso. O irmão Darby mencionou três tipos diferentes de disciplina. Não se deve levar tudo à disciplina da igreja. Se a disciplina da igreja puder ser evitada, que seja evitada, porque ela é o último recurso.
Antes de a disciplina ser exercida pela igreja, ela deve primeiro ser exercida pelos membros do corpo. Ele mencionou três tipos diferentes de disciplina: disciplina paternal, disciplina fraternal e disciplina da igreja.
A disciplina fraternal vem primeiro. Se seu irmão pecar contra você, você vai até ele e lhe mostra em que pecou, a fim de restaurá-lo. Isso é disciplina fraternal.
Você e o irmão que peca contra você são irmãos. Você não é, de modo algum, superior a ele. Esse é um perigo, porque às vezes você pensa que é.
Não pense que é superior a ele. Pedro veio ao Senhor e disse: “Meu irmão peca contra mim sete vezes, e eu o perdoo”. Ele pensava que era superior. O Senhor disse: “Setenta vezes sete”. Você não é superior ao seu irmão.
Somos irmãos e, por sermos irmãos, amamos uns aos outros. Se um irmão peca contra outro irmão, e você sabe que seu irmão fez algo errado, talvez ele não saiba — ou talvez saiba, mas não queira admitir.
Você está disposto a se humilhar, ir até seu irmão e procurar ajudá-lo. Agora, isso é difícil. Isso é fundamental. Mas isso é disciplina fraternal, e seu propósito é restaurá-lo.
É lavar os pés do seu irmão. Se isso puder ser exercido de maneira eficaz, a igreja não precisará disciplinar ninguém. A disciplina da igreja poderá ser evitada.
Então há o segundo tipo de disciplina: a disciplina paternal. Em Gálatas 6:1, lemos:
Vós que sois espirituais,
se virdes algum irmão ou irmã em fraqueza, restaurai-o
em espírito de mansidão,
olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.
Aqui vemos que você é mais espiritual do que seu irmão. Seu irmão está em fraqueza e não percebe o que está fazendo, porque é mais fraco. Você é mais espiritual; assim, como um pai para com um filho, procura restaurá-lo em espírito de mansidão.
Isso é disciplina paternal. Infelizmente, não temos muitos pais na igreja hoje. Essa é uma verdadeira fraqueza na igreja.
Se o Senhor levantar mais pais na igreja — não apenas mais maduros, mas com mais amor —, então os mais jovens e os mais fracos serão restaurados. Mesmo assim, isso deve ser feito em espírito de mansidão, e você precisa ter cuidado para que não seja também tentado.
A terceira é a disciplina da igreja. Quando a disciplina paternal falha e a disciplina fraternal falha, então a questão é levada à igreja como último recurso.
Lembrem-se: a disciplina sempre visa à recuperação, nunca à punição — nunca. A disciplina sempre tem em vista restaurar e recuperar.
Quando a igreja começa a exercer disciplina, toda a igreja se identifica com a pessoa que será disciplinada. É preciso haver amor antes que possa haver disciplina na igreja.
Não entraremos em detalhes. Há muitas coisas a respeito da disciplina, mas vou deixar o assunto por aqui.
Para a edificação da igreja, Deus ordenou aquilo que procede da vida. Se essa ordem for mantida, e cada irmão e irmã souber seu lugar na igreja, vocês verão como o corpo de Cristo — a igreja — crescerá na graça e crescerá em Deus.
Apenas algumas palavras sobre o ministério. Os presbíteros constituem o grupo responsável pelo governo da assembleia local — o governo. Mas todos os irmãos e irmãs, cada um deles, recebem um dom, e cada membro deve exercer esse dom de maneira coordenada, sob a liderança dos presbíteros.
Isso é o que se chama ministério do corpo. Às vezes, as pessoas pensam que o ministério do corpo é sair por aí ministrando ao corpo. Isso não é ministério do corpo. O ministério do corpo procede do corpo.
Quando os membros do corpo começam a ministrar uns aos outros, isso é ministério do corpo.
Para a edificação do corpo, o ministério do corpo é essencial. Por essa razão, Deus deu certas pessoas à igreja para ajudar a proporcionar esse ambiente.
Em Efésios 4:11-12, essas pessoas são os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Esses homens são dados ao corpo para aperfeiçoar os santos, a fim de que os santos exerçam sua função e edifiquem o corpo.
Aqui vemos uma relação entre o ministério da Palavra, nas pessoas dos apóstolos, profetas, evangelistas, mestres e pastores — os que pastoreiam —, e o funcionamento do ministério do corpo.
Esses dois ministérios trabalham juntos. Um ajuda a desenvolver o ministério do corpo, e o ministério do corpo edifica o corpo. Os presbíteros devem proporcionar o ambiente, e os irmãos e irmãs devem exercer sua função.
Então vocês verão que a igreja crescerá a passos largos, e o propósito de Deus será cumprido.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos. Tu não apenas nos dás a Tua vida, uma vida compartilhada por todos nós, mas, Senhor, Tu estabeleces a Tua ordem na igreja para a edificação do corpo.
Que todos os dons concedidos aos diversos membros do corpo operem juntos, de maneira adequada e coordenada. Oh, como Te louvamos e agradecemos por envolveres cada um de nós na edificação do Teu corpo em amor.
Oramos para que possamos ver o Teu plano, para que possamos ver a Tua obra, para que possamos nos entregar a Ti para a edificação do Teu corpo, para que Tu fiques satisfeito e voltes para tomá-lo como aquilo que Te pertence por direito.
Ó Senhor Jesus, vem depressa. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.