Segunda-feira pela manhã, 2 de setembro de 1974 · Richmond, Virgínia
Ministração por meio do irmão Stephen Kong
Cântico dos Cânticos 2:8-15
A voz do meu Amado! Eis que Ele vem,
Saltando sobre os montes,
Pulando sobre as colinas.
O meu Amado é semelhante a uma gazela ou a um cervo jovem:
Eis que Ele está atrás do nosso muro;
Olha pelas janelas;
Espreita pelas grades.
O meu Amado falou e me disse:
Levanta-te, amada Minha, formosa Minha, e vem.
Pois eis que passou o inverno;
A chuva cessou e se foi;
As flores aparecem na terra;
Chegou o tempo de cantar,
E a voz da rola se ouve em nossa terra;
A figueira amadurece os seus figos verdes,
E as videiras estão em flor;
Exalam a sua fragrância.
Levanta-te, amada Minha, formosa Minha, e vem.
Ó pomba Minha, que estás nas fendas da rocha,
No esconderijo da escarpa,
Deixa-Me ver o teu rosto,
Deixa-Me ouvir a tua voz;
Pois doce é a tua voz,
E formoso é o teu rosto.
Apanhai-nos as raposas,
As raposinhas, que destroem as vinhas;
Pois as nossas vinhas estão em flor.
Cântico dos Cânticos 4:1-5
Eis que és formosa, amada Minha; eis que és formosa;
Os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu:
O teu cabelo é como um rebanho de cabras,
Que repousam nas encostas do monte Gileade.
Os teus dentes são como um rebanho de ovelhas recém-tosquiadas,
Que sobem do lavadouro,
Das quais cada uma tem gêmeos,
E nenhuma delas perdeu a sua cria.
Os teus lábios são como um fio de escarlate,
E a tua boca é formosa:
As tuas têmporas são como uma fatia de romã
Por detrás do teu véu.
O teu pescoço é como a torre de Davi,
Edificada para um arsenal,
Na qual pendem mil broquéis,
Todos os escudos dos valentes.
Os teus dois seios são como dois filhotes,
Gêmeos de uma gazela,
Que se alimentam entre os lírios.
Cântico dos Cânticos 2:16
O meu Amado é meu, e eu sou Dele;
Ele apascenta o Seu rebanho entre os lírios.
Ontem à noite, mencionamos que Cântico dos Cânticos é um cântico de amor. É a história da donzela e de seu Amado. É uma busca por Ele, e o resultado é uma união plena com seu Amado.
Em um sentido muito real, essa é a nossa experiência espiritual com o Senhor. Naturalmente, em Cântico dos Cânticos, o que está em vista é principalmente a experiência.
Quanto à verdade objetiva, no momento em que cremos no Senhor Jesus, estamos unidos a Ele em vida. Tudo o que Ele realizou na cruz é nosso. Não há nada que você possa acrescentar. Tudo já está ali.
Mas, quando chegamos à experiência subjetiva, vemos que há muito mais em que precisamos entrar na nossa experiência do Senhor. É como aconteceu com os filhos de Israel: quanto à promessa de Deus, a terra que mana leite e mel está ali. Deus lhes deu a terra, e ela está ali.
Mas, quanto à experiência, eles precisam entrar e pisar em cada centímetro da terra, para reivindicá-la e apropriar-se dela como sua possessão.
Portanto, irmãos e irmãs, este Cântico dos Cânticos nos fala principalmente da nossa experiência subjetiva com o Senhor. Naturalmente, o subjetivo sempre se baseia no objetivo. Sem o objetivo — isto é, sem aquilo que Cristo fez por nós —, jamais poderemos experimentá-Lo no Espírito.
Mas, com base no que Cristo fez por nós, precisamos nos apropriar, pelo Espírito Santo, de tudo o que Ele fez por nós. Isso é, basicamente, o que encontramos em Cântico dos Cânticos.
À medida que prosseguimos, espero que os irmãos e as irmãs não entendam mal, pensando que não O temos, que não O temos por inteiro, até que gradualmente venhamos a conhecê-Lo. Em um sentido, nós de fato O temos; mas, em outro sentido, não. Precisamos entrar na experiência do nosso Cristo.
Ontem à noite, mencionamos que, no que diz respeito à experiência da donzela com seu Amado, a primeira etapa, depois de ela ter conhecido o amor perdoador de Deus em Cristo, é uma busca por Ele para conhecê-Lo mais profundamente.
Beije-me Ele com os beijos da Sua boca.
Conhecê-Lo — essa é a paixão no coração dessa donzela. Não há nada que ela deseje mais do que conhecê-Lo.
Ela clama para que Ele a atraia, e então correrá após Ele. Por causa disso, sua oração é respondida. Ela é levada aos aposentos do Rei, e ali vemos que o Senhor começa a revelar-Se a ela de uma maneira que ela nunca havia conhecido antes.
Antes, ela conhecia o Senhor apenas como seu Salvador. Conhecia apenas o amor perdoador de Deus em Cristo. Conhecia apenas a salvação. Mas aqui vemos que ela é levada aos aposentos do Rei, e ali o Senhor começa a revelar-Se a ela — não somente como Salvador, mas como muito mais.
À medida que o Senhor começa a revelar-Se a ela nessa luz, ela começa a enxergar a si mesma e a ser tratada pelo Senhor. Agora, irmãos e irmãs, isso é algo que as pessoas que não buscam o Senhor não compreendem.
Mesmo entre os crentes, vemos que há filhas de Jerusalém. Elas são crentes; realmente creram no Senhor e realmente são salvas. Contudo, não enxergam que existe algo além de simplesmente ser salvo.
Aqueles que, depois de salvos, não buscam a Cristo nem O amam não compreendem que Deus tem mais tratamentos para nós depois da salvação. Pensam que, depois que uma pessoa é salva, é só isso. Tudo está feito. Não há mais nada a fazer, e estamos aqui apenas esperando ir para o céu.
Mas as pessoas que realmente buscam o Senhor sabem que há muito mais do Senhor que precisam conhecer, e que o Senhor ainda tem muito a tratar conosco em nossa vida.
A cruz precisa operar em nossa vida. Por um lado, vemos a cruz no Calvário. Ali encontramos uma obra realizada há dois mil anos. Nada pode ser acrescentado àquilo. Está consumado.
Mas, por outro lado, precisamos experimentar a operação de tudo isso dentro de nós. À medida que começamos a experimentar a operação da cruz em nós, descobrimos quão escuros somos.
Mas esse é apenas um lado:
Sou escura, porém formosa.
À medida que a cruz começa a operar em nós, levando-nos à morte, vemos que, por outro lado, Cristo começa a ser formado em nós. Ele está em nós, mas precisa ser formado em nós, e Sua beleza precisa ser incorporada em nós.
Cristo, nossa justiça, precisa tornar-Se a justiça dos santos. Esse é o processo de transformação. Mas, naturalmente, isso é apenas o começo.
Porque ela busca o Senhor, Ele começa a conduzi-la a uma experiência mais profunda com Ele. Para resumir em uma expressão, trata-se de estar unida ao Senhor em Sua morte. Essa é a experiência que ela tem durante a primeira etapa.
Depois que uma pessoa é salva, a primeira etapa da nossa experiência cristã é aprender as lições da cruz no sentido da união com Cristo em Sua morte.
Agora, o que a cruz significa para você, além da salvação? Em primeiro lugar, vocês se lembram de que Paulo diz em Gálatas que está crucificado com Cristo. Quanto ao mundo, eu estou crucificado; e, quanto a mim, o mundo está crucificado. Por quê? Porque sou uma nova criação.
Em outras palavras, vemos que a operação da cruz em nossa vida, no que diz respeito à Sua morte, trata conosco na questão do mundo.
Ao olhar para a sua experiência, você percebe que, depois de ser salvo, se realmente busca o Senhor no primeiro amor, invariavelmente o dedo do Senhor começa a apontar para certas coisas em sua vida que são mundanas, que pertencem ao mundo.
As coisas do mundo — a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida — vão tirar de você o amor do Pai. Portanto, na etapa inicial, vemos que a operação da cruz em nossa vida está relacionada ao mundo.
Deus começa a tratar com você em certas coisas da sua vida. Talvez seja determinado lugar aonde você vai, certas coisas que ama, certos hábitos que tem. Invariavelmente, o Senhor começa a tratar com você na questão do mundo, ou talvez em algum relacionamento com o mundo.
Algo pode não ser pecaminoso, estritamente falando. Algo pode ser perfeitamente legítimo, mas você percebe que aquilo se tornou o mundo para você. A cruz começa a operar nessa área, e nessa área você experimenta a união com Cristo em Sua morte.
Não apenas na questão do mundo: vemos que o Senhor começa a tratar conosco pela cruz também na questão da nossa carne.
Depois de ser salvo, você pensa que agora está tudo bem. Pensa que agora é perfeito. Em um sentido, você é uma nova criação; isso é verdade. Quanto à verdade, você é uma nova criação.
Contudo, quanto à sua experiência, você descobre, ao começar a seguir o Senhor em uma caminhada mais próxima, que não mudou em nada. A sua carne está ali, e como ela se exalta de vez em quando!
Você começa quase a se desesperar consigo mesmo. Começa a se perguntar se é realmente salvo. “Se sou salvo, como posso ser assim?” Mas, graças a Deus, isso prova que você é salvo.
Isso prova que você tem uma nova vida dentro de si. Prova que o Espírito Santo está começando a trazer à tona a sua escuridão e a expor você sob a Sua luz. Você começa a enxergar a sua escuridão; começa a enxergar a sua carne; e como clama ao Senhor!
Até que, um dia, o Senhor lhe mostra que você está crucificado com Ele. Já não é você; é Cristo Quem vive em você. Um dia, você desiste. Desiste de tentar. Desiste de lutar.
Quando desiste, você pensa que chegou ao fim — e chegou mesmo. Mas Cristo começa em você. Essa é a operação da cruz em sua vida em relação à Sua morte. Você começa a enxergar o significado da cruz: ela significa morte para você.
E você descansa. Descansa em Sua morte. Porque começa a conhecer um pouco mais do significado da cruz, está mais unido a Cristo em Sua morte. Por isso, passa a conhecê-Lo um pouco mais.
A sua vida com o Senhor durante esse período se expressa nesta declaração:
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
Agora sei com certeza que Ele é meu, e eu também sou Dele.
Mas, queridos irmãos e irmãs, como mencionamos no final de ontem à noite, embora essa donzela tenha se unido ao Senhor em Sua morte, aprendido algo do significado da cruz e passado a sentir que o Senhor é sua possessão especial, ainda vemos que, em toda a sua busca espiritual, ela mesma continua no centro.
A ênfase é: “O Senhor é meu. Eu quero o Senhor. Quero mais Dele. Ele é meu, e eu sou Dele”.
Vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, isso sempre acontece. Uma pessoa que passa a conhecer algo do significado da cruz em seu aspecto de morte — por estranho que pareça — ainda está sempre voltada para si mesma.
Ela pensa que agora conhece o Senhor. Pensa que agora O possui. Pensa que agora é espiritual. Pensa que agora chegou a algum lugar com o Senhor. É estranho.
As pessoas que conhecem algo da cruz podem se tornar muito introspectivas, muito centradas em si mesmas. Isso pode se tornar uma espécie de engano. A pessoa se torna inativa, olhando para dentro de si o tempo todo, medindo-se pelo que conhece do Senhor e encontrando algum consolo para si mesma.
É verdade que ela está muito mais adiantada do que as outras filhas de Jerusalém. Isso é verdade. Mas ainda não saiu de si mesma.
É verdade que o Senhor Se deu a ela de uma maneira como não Se deu a outras, porque ela busca o Senhor. Contudo, isso não significa que agora ela esteja plenamente unida ao Senhor em sua experiência.
Nossa experiência espiritual é assim: à medida que você busca o Senhor, Ele Se dá a você, e você O experimenta em certos aspectos. Isso é experiência espiritual. Não considere a experiência espiritual como uma coisa em si mesma.
Na verdade, a experiência espiritual é experimentar Cristo. Mas Cristo é tão grande que você não pode experimentá-Lo inteiramente de uma só vez. Quando experimenta Cristo, você experimenta certos aspectos de Cristo.
Para algumas pessoas, isso se torna uma coisa em si mesma. Na verdade, não é uma coisa; é simplesmente Cristo, mas Cristo em determinado aspecto. No caso dessa donzela, trata-se de experimentar Cristo em Sua morte — em união com Cristo em Sua morte. É experimentar o aspecto de morte da cruz.
Mas como é fácil tomarmos um aspecto de Cristo e transformá-lo em uma experiência isolada de Cristo, fazendo dela algo em si mesma! O resultado é que ela se torna nosso ídolo. Esse é o perigo da experiência espiritual.
Oh, irmãos e irmãs, vemos como Deus, em Sua graça, pode dar-Se a certas pessoas e permitir que elas O experimentem de determinadas maneiras, e ainda assim elas perdem Cristo de vista. Apegam-se à experiência e não querem soltá-la. O resultado é a idolatria espiritual.
O Senhor precisa nos libertar dessa atitude. Mas, de qualquer maneira, vemos que a donzela experimentou o Senhor de uma maneira mais profunda, pelo caminho da cruz, no aspecto de morte da cruz. Ao experimentar isso, ela entra em descanso — descanso para a sua alma.
O Senhor permite que ela descanse. Na busca espiritual, vemos que sempre há uma caminhada, depois uma parada; então outra caminhada e outra parada.
Você precisa experimentá-Lo. Ao buscá-Lo, começa a experimentá-Lo. Então percebe que haverá um período de descanso para consolidar aquilo que experimentou Dele.
É como aconteceu com os filhos de Israel: quando saíram do Egito a caminho de Canaã, havia lugares de parada. Se você ler o livro de Números, encontrará todas essas paradas. Eles caminhavam e permaneciam; caminhavam e permaneciam. Cada parada fala de alguma experiência do Senhor.
É assim: avançar e permanecer, avançar e descansar. É dessa maneira que prosseguimos com o Senhor.
Por um lado, tendo em vista a nossa fragilidade, isso é necessário. Mas, por outro lado, depois de experimentarmos Cristo de determinada maneira e descobrirmos como Ele nos satisfaz naquela área específica, sempre existe o perigo de nos contentarmos com aquilo e nos recusarmos a prosseguir.
É tão bom que você não quer sair dali. É como os discípulos no monte da transfiguração: tiveram uma visão tão maravilhosa, e Pedro disse:
Bom é estarmos aqui.
É sempre assim, irmãos e irmãs. Quando o Senhor lhe dá uma experiência espiritual, você a considera tão boa! O Senhor permite que você descanse ali por algum tempo, mas logo aquilo se torna um ninho, e você não quer que ele seja perturbado.
Uma letargia espiritual se instala. Mas, graças a Deus, Ele não permite isso. Vocês sabem como Ele tantas vezes agita o nosso ninho, como tantas vezes desfaz o nosso ninho, como tantas vezes nos lança no ar para nos conduzir adiante.
Aqui encontramos a segunda etapa na vida dessa donzela com seu Amado. Na segunda etapa, vemos que tudo começa novamente com o chamado do Senhor.
A voz do meu Amado! Eis que Ele vem,
Saltando sobre os montes,
Pulando sobre as colinas.
Em toda a nossa experiência espiritual, o Senhor sempre toma a iniciativa. Mesmo quando consideramos como viemos a conhecer o Senhor e como fomos salvos, pensamos que nós O buscamos; mas, na verdade, sabemos que Ele nos buscou primeiro.
Na primeira etapa da busca espiritual, você pode pensar que foi a donzela quem iniciou tudo, porque ela clamou:
Beije-me Ele com os beijos da Sua boca.
Será que a donzela realmente tomou a iniciativa?
É o amor de Cristo dentro dela que a constrange a clamar dessa maneira. Em todas as nossas experiências espirituais, o Senhor sempre toma a iniciativa. Aqui encontramos a voz do Amado. Novamente, o Senhor começa a vir e a pôr tudo em movimento.
Eis que Ele vem,
Saltando sobre os montes,
Pulando sobre as colinas.
Qual é a imagem aqui? É uma imagem de ressurreição.
Os montes estão ali; as colinas estão ali. Deus não remove os montes. Deus não remove as colinas. Contudo, vemos que Ele salta e pula sobre os montes e as colinas.
Em outras palavras, isso é vida de ressurreição. Os problemas continuam ali. As dificuldades continuam ali. Mas lá está você, pulando e saltando sobre eles. É vida que surge da morte.
Toda a descrição do chamado do Senhor à donzela é:
Levanta-te. Levanta-te.
O inverno passou.
A chuva cessou; ela se foi.
Tudo fala de ressurreição. A primavera chegou.
“Saia. Saia. Venha para o lado da ressurreição da cruz.”
Irmãos e irmãs, a cruz tem dois lados: há o lado da morte e há o lado da ressurreição. Você não pode entrar no lado da vida de ressurreição sem primeiro passar pelo lado da morte da cruz. Isso é verdade.
Mas também é possível permanecer no lado da morte da cruz e recusar-se a passar para o lado da ressurreição. Você pode dizer: “Como pode ser isso?” Mas, no que diz respeito à nossa experiência, é perfeitamente possível.
Quando o Senhor lhe dá alguma experiência de união com Ele em Sua morte, no início talvez você não goste de morrer. Mas, depois de algum tempo, passa a amar isso. Não há nada melhor.
Você entra na fenda da rocha, no esconderijo do precipício. Simplesmente se esconde na cruz e acha aquilo tão aconchegante! Não quer sair. Aquilo se torna uma cama.
Vocês já encontraram cristãos que realmente conhecem o Senhor e realmente experimentaram a cruz nesse aspecto, mas que são tão negativos, tão inativos, quase paralisados, sempre introspectivos, sempre temerosos?
Tudo o que está escrito no rosto e na vida deles é morte, morte, morte, morte. Vocês já encontraram cristãos assim? Eles pensam que são profundamente espirituais, mas isso não é muito atraente.
Oh, irmãos e irmãs, como desejamos escolher a nossa atmosfera espiritual! Como queremos escolher o nosso lugar espiritual! Não permitimos que o Senhor escolha por nós, nem mesmo em toda a nossa busca espiritual.
Estamos abertos ao Senhor, deixando que Ele escolha onde devemos estar? Deixando que Ele escolha o nível em que devemos estar? Deixando que Ele escolha a experiência em que entraremos? Ou nos apegamos a algo e dizemos: “Não, é isso. Eu só quero isso e nada mais”?
Quantos entre o povo de Deus escolhem o seu próprio lugar espiritual! Então o Senhor não consegue movê-los — não consegue movê-los de maneira nenhuma.
Por um lado, o que receberam veio do Senhor. Contudo, por outro lado, quando você tenta se apegar ao que o Senhor lhe deu no passado e se recusa a prosseguir com Ele, percebe que há um muro entre você e o Senhor.
No final da primeira etapa da experiência dela, vemos que ela descansava nos braços do Senhor. Havia tamanha proximidade e comunhão entre ela e o Senhor!
Mas, de repente, quando o Senhor a chama para um novo nível de experiência espiritual e ela se recusa a prosseguir, imediatamente vemos que há um muro entre ela e o Senhor.
Digo novamente que esse é o lado da experiência, não o lado da verdade. Quanto à verdade, não existe muro entre nós e o Senhor.
Mas, quanto à nossa experiência, sempre que o Senhor chama você para subir e você quer permanecer onde estava antes, imediatamente haverá um muro entre você e o Senhor — uma separação.
Mas, graças a Deus, há uma janela ali. Se não houvesse janela, você estaria em uma prisão. Graças a Deus, vemos que há uma janela:
Ele olha pelas janelas;
Espreita pelas grades.
Se você realmente ama o Senhor, embora às vezes possa amar uma experiência mais do que o Senhor, ainda assim sempre há uma janela ali. Você ainda pode ouvi-Lo. Pode até vê-Lo olhando para dentro.
O Senhor está chamando: “Saia. Não se aprisione nesse seu suposto eu espiritual. Saia de si mesmo”.
O tratamento do Senhor tem o propósito de nos fazer entrar em Sua vida de ressurreição. Você não deve permanecer no lado da morte. Não deve se condenar o tempo todo: “Tudo está errado. Não há nada certo”.
Você deve passar para a vida de ressurreição e enxergar a vida do Senhor que aceita, a vida do Senhor que vence todas as coisas — a ressurreição.
Oh, irmãos e irmãs, como é bela a vida de ressurreição do Senhor! É vida que surge da morte. Tudo é levado à morte, e aquilo que não é de Deus será sepultado no túmulo. Mas aquilo que é de Deus sairá do túmulo, e isso é vida.
Precisamos ser levados ao fim de nós mesmos. Mas, graças a Deus, sabemos que Aquele que está em nós é a nossa vida. Começamos a experimentar a beleza e a força da Sua vida. Precisamos avançar para o lado da ressurreição.
Paulo, em sua própria experiência, conheceu a vida de ressurreição do Senhor. Ele nos diz em 2 Coríntios que tínhamos sobre nós a sentença de morte. Não havia mais esperança. Contudo, o Deus que ressuscita os mortos nos levanta.
Quantas vezes ele se viu com um espinho na carne! Oh, como gostaria que o espinho fosse removido, que os montes fossem removidos, para que pudesse caminhar por uma planície! Mas o Senhor diz:
A Minha graça te basta.
Que o monte permaneça, mas salte por cima dele. Isso é vida de ressurreição.
Mas ela não está pronta para isso. Ama demais a sua cama, e sua cama é uma cama supostamente espiritual — a cama da união com Cristo em Sua morte.
Ela diz: “Senhor, Tu podes ir, mas volta depressa. Eu não irei Contigo. Sinto-me muito confortável aqui. Mas volta depressa, porque há desfiladeiros nos montes. Há todo tipo de perigo ali, e é muito seguro e protegido na fenda da rocha. Prefiro ficar aqui e não sair”.
Ela pensa que o Senhor voltará. Passa muitas noites em sua cama, esperando o tempo todo que o Senhor volte. Mas o Senhor não volta.
Irmãos e irmãs, o Senhor não volta. Ele quer que você saia com Ele. Às vezes desenvolvemos um amor pela noite. Precisamos ser libertos disso.
Por fim, ela não aguenta mais. Levanta-se e sai pelas ruas, pelas praças. Pergunta aos guardas se viram seu Amado. Quando sai e procura encontrá-Lo, Ele está ali.
Em outras palavras, aqui vemos que o Senhor de fato a faz sair. Às vezes o Senhor precisa nos deixar por um pouco de tempo para nos fazer sair de nós mesmos. Mas, assim que saímos de nós mesmos, nós O encontramos. Ele está ali o tempo todo — o tempo todo.
Aqui vemos que essa donzela começa a entrar em uma nova esfera com o Senhor. É a esfera da ressurreição, a esfera de experimentar Cristo como sua vida.
Não conseguiremos realmente experimentar Cristo como nossa vida enquanto não conhecermos a morte da cruz. Se estamos vivos demais em nós mesmos, Cristo não tem oportunidade de viver.
Como estamos acostumados a viver pela nossa própria vida, mesmo depois de salvos! Cristo está em nós, Ele é a nossa vida, e está aqui para viver por nós, para que possamos viver pela Sua vida. Essa é a única maneira de viver.
Contudo, estamos vivos demais em nós mesmos. Precisamos ser levados à morte.
Estou crucificado com Cristo.
Na minha carne não habita bem algum.
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Precisamos ser levados à morte antes de podermos realmente experimentar Cristo como nossa vida. Ao viver pela vida de Cristo, você está no terreno da ressurreição.
É somente quando você vive no terreno da ressurreição — isto é, pela Sua vida — que a beleza da nova criação começa a se manifestar.
Portanto, em Cântico dos Cânticos 4, encontramos uma descrição da beleza da nova criação. Porque ela avançou para o terreno da ressurreição, em união com Cristo em Sua ressurreição, qual é o resultado? A beleza de Cristo começa a se manifestar.
Eis que és formosa, amada Minha; eis que és formosa;
Os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu.
Há algo a respeito da pomba: dizem-nos que os olhos das pombas são muito simples. Em outras palavras, elas só conseguem ver uma coisa de cada vez. Não têm visão dupla.
Aqui encontramos o Senhor dizendo:
Os teus olhos são como pombas.
Por quê? Porque aqui vemos como sua mente, seu coração e seu olhar estão inteiramente voltados para o Senhor. Ela vê o Senhor e nada mais. Vê o Senhor como sua vida.
Mas isso está por detrás do véu. Em outras palavras, está coberto. Está oculto aos olhos do mundo. Algumas pessoas amam o Senhor, mas seu amor pelo Senhor pode ser visto por todos, porque estão sempre fazendo propaganda dele.
Mas, quando você realmente passa a conhecer o Senhor, há uma dedicação exclusiva a Ele, porém de certa maneira oculta por detrás do véu. Você não faz disso uma exibição. É algo entre você e o Senhor.
O teu cabelo é como um rebanho de cabras,
Que repousam nas encostas do monte Gileade.
Em outras palavras, há uma abundância de cabelo. O cabelo nas Escrituras sempre fala de obediência.
Como ela agora está coberta diante do Senhor! Como agora toma o Senhor como sua autoridade! Há uma grande abundância de obediência ao Senhor e, por causa dessa obediência ao Senhor, há força.
É como Sansão: quando seu cabelo era comprido, ele tinha força. A dedicação ao Senhor, a submissão à autoridade de Cristo e o estar sob a cobertura de Cristo como Cabeça significam força espiritual.
Os teus dentes são como um rebanho de ovelhas recém-tosquiadas,
Que sobem do lavadouro,
Das quais cada uma tem gêmeos,
E nenhuma delas perdeu a sua cria.
Isso significa que sua capacidade espiritual para receber do Senhor é grande. Os dentes são usados para mastigar o alimento. Se você tem dentes perfeitos, todos em pares — os de cima e os de baixo se encaixando —, consegue mastigar muito bem.
Se falta uma parte, ou se os dentes não estão limpos, fica um pouco difícil mastigar o alimento. Aqui vemos que ela não tem apenas apetite espiritual pelo Senhor, mas também capacidade espiritual para receber Dele.
Não é como os bebês, que só conseguem digerir leite; agora ela tem capacidade para mastigar alimento sólido.
Os teus lábios são como um fio de escarlate,
E a tua boca é formosa.
Por conhecer o Senhor de maneira tão viva, ela tem um testemunho, uma palavra da parte do Senhor para dar ao Seu povo.
As tuas têmporas são como uma fatia de romã
Por detrás do teu véu.
Quando vim pela primeira vez a este país, fiquei surpreso por as pessoas não saberem o que era uma romã. Disseram-me que algumas pessoas nunca tinham visto uma romã.
No Oriente, a romã é uma fruta muito comum. Ela tem uma casca dura e muito grossa, mas, quando você a abre, descobre que está cheia de sementes. Cada semente é coberta por uma polpa vermelha e suculenta.
Quando você corta uma romã, vê que ela está cheia de beleza, cheia de suco, cheia de sementes — muito frutífera e muito bela. É bonita de se olhar.
A têmpora nas Escrituras sempre fala daquilo que revela a vida interior. Como uma romã cortada, há tamanha abundância de vida por dentro! Mas ela está por detrás do véu.
Novamente, quando uma pessoa está realmente cheia do Espírito e o fruto do Espírito é abundante, ela nunca se exibe. É sempre como se estivesse oculta por detrás do véu.
O teu pescoço é como a torre de Davi,
Edificada para um arsenal,
Na qual pendem mil broquéis,
Todos os escudos dos valentes.
O pescoço fala da nossa vontade. Uma vontade inteiramente entregue ao Senhor torna-se uma torre de Davi. Aqui vemos o poder de uma vontade submissa a Deus.
Os teus dois seios são como dois filhotes,
Gêmeos de uma gazela,
Que se alimentam entre os lírios.
Em outras palavras, há tamanha abundância de vida que ela consegue compartilhar com outras pessoas, alimentar os pequeninos.
Aqui encontramos uma descrição da beleza da nova criação. O que é a nova criação? A nova criação nada mais é do que a vida de Cristo.
Qualquer pessoa que está em Cristo é uma nova criação. Somente Cristo em você é a nova criação. Quando você entra em união com Cristo em Sua ressurreição, então a beleza da nova criação começa a se manifestar.
Oh, irmãos e irmãs, que Cristo seja visto! A única maneira de Cristo ser visto em nossa vida é vivermos com Ele no terreno da ressurreição. Essa é a única maneira.
Mas esse não é o fim dessa etapa da experiência. Vemos que, durante essa etapa, depois de ela ter passado para o lado da ressurreição da cruz, o Senhor começa a chamá-la à ascensão. O Senhor começa a chamá-la para as regiões celestiais.
Ascender é olhar para baixo. Como nosso irmão mencionou durante a conferência, não olhar para cima, mas olhar para baixo. Depende de onde você está.
Aqui vemos que ela é chamada à união com Cristo em Sua ascensão. Agora tomou sua posição com Cristo nas regiões celestiais. Como Paulo disse, fomos ressuscitados com Ele e agora estamos assentados juntamente com Ele nas regiões celestiais.
A partir dessa posição celestial, ela entra em vitória sobre o inimigo. Portanto, irmãos e irmãs, vemos que, pela graça de Deus, entramos na experiência da Sua morte, na experiência da Sua ressurreição e também na experiência da Sua ascensão.
Em Sua morte, morremos para o mundo, morremos para a carne e morremos para nós mesmos. Em Sua ressurreição, entramos em Sua vida — Sua vida abundante. Na ascensão, entramos em Seu poder celestial para vencer todos os nossos inimigos.
Quando uma donzela chega a essa união, começa a produzir frutos — não apenas especiarias, mas também frutos. Vemos que sua vida começa a se consolidar e a ser edificada, gradualmente edificada em Cristo.
Durante essa etapa, a expressão que a resume é:
Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu.
Em outras palavras, agora ela está começando a sair de si mesma. Está começando a passar para o lado do Senhor.
Eu sou do meu Amado.
Agora ela pertence ao Senhor.
Naturalmente, Ele também é meu, mas eu sou Dele antes de tudo e acima de tudo. Eu sou Dele.
Naturalmente, quando ela declara isso, é justamente no momento em que falha. Assim como, quando declara:
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
É no momento em que ela realmente falha com o Senhor.
Mas, quando falhamos com o Senhor, é nesse momento que podemos realmente olhar para trás e ver onde estamos. É por isso que todas essas expressões aparecem não em um período de normalidade espiritual, mas quando ela está em um ponto baixo. É nesse momento que você olha para trás e começa a perceber onde está firmado.
Acho que provavelmente vamos parar por aqui, queridos amigos.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos, porque Tu estás sempre avançando e nos chamas a prosseguir Contigo.
Ó Senhor, nós Te louvamos e agradecemos, porque Tu desejas que estejamos unidos a Ti em Tua morte, em Tua ressurreição e em Tua ascensão.
Oh, nós realmente Te louvamos e agradecemos porque Tua morte, Tua ressurreição e Tua ascensão não são apenas verdades objetivas para contemplarmos, mas Tua morte, Tua ressurreição e Tua ascensão nos proporcionam a base para a nossa experiência de Ti.
Ó Senhor, oramos para que possamos entrar em tudo o que Tu és e em tudo o que fizeste por nós, de uma maneira muito real e viva.
Conduze-nos para o alto, ó Senhor, até que o Teu propósito seja cumprido. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.