Há mais um aviso do qual me fizeram lembrar.
Agora chegamos ao encerramento deste período em que temos considerado a pergunta do primeiro versículo de Isaías 53:
A quem se manifestou o braço do Senhor?
— Isaías 53:1
Temos procurado e investigado a base sobre a qual o Senhor Se comprometerá, sobre a qual Ele realmente manifestará Seu poder, Sua presença e Seu apoio.
Nesta noite, vou deixar de lado boa parte das questões que cercam esse assunto, sem sequer fazê-los voltar muito às profecias de Isaías. Farei apenas uma recapitulação, com uma palavra adicional, procurando resumir toda essa questão.
Creio que o mais útil seria vocês formarem uma imagem mental. Primeiro, coloquem a Carta aos Romanos como pano de fundo e, sobre ela, a figura da cruz.
Vimos que a Carta aos Romanos apresenta a cruz como o instrumento de Deus para limpar o terreno de Sua edificação; isto é, preparar um lugar para o fundamento da grande construção que sempre esteve em Seu pensamento e em Suas intenções: a igreja.
A Carta aos Romanos começa com o terreno — ocupa-se bastante desse terreno — sobre o qual Deus não edificará, sobre o qual Ele não pode edificar: uma situação tão emaranhada, tão má, tão falsa e tão errada. Ele a examina tendo em vista lançar o fundamento de Sua igreja, Sua igreja gloriosa. Ele diz: “Não posso edificar sobre isso. Precisamos remover tudo isso do caminho. Precisamos pôr fogo nisso e consumi-lo, abrir uma grande clareira para esse fundamento”.
E assim, na Carta aos Romanos, a cruz é sobreposta a esse cenário: aquilo que, de um lado, elimina todo esse estado de coisas. E que estado é esse! Vocês que conhecem a carta e seus primeiros capítulos sabem que condição terrível é apresentada. E a cruz é colocada ali para tratar de tudo isso, para eliminar tudo isso, para consumir tudo isso.
É como o grande altar de bronze, com seu fogo consumidor, levando tudo a julgamento e limpando o terreno de tudo aquilo, sem deixar nada além de um espaço desocupado, um vazio, uma desolação.
Então, do outro lado, uma vez que Deus lançou Seu fundamento, uma nova perspectiva surge. Nos capítulos restantes dessa carta, tudo agora se torna possível para Deus. E encontramos o apóstolo falando tanto dos pensamentos, dos desígnios e das concepções eternas de Deus — Suas ideias maravilhosas — na eleição, na presciência, na predestinação, na conformidade à imagem de Seu Filho; a criação redimida da corrupção; os filhos de Deus libertos da escravidão.
Tudo agora parece encaminhar-se para a realização, pois a cruz abriu o caminho. É aí, portanto, que começamos: a cruz garantindo o fundamento de tudo.
Essa é a primeira figura. Depois, vocês traçam linhas que irradiam dela. A primeira linha chega à Primeira Carta aos Coríntios, na qual a cruz é aplicada a certas condições — agora não no mundo, não fora de Cristo —, mas a condições entre os crentes que não correspondem à cruz.
O homem natural, o homem carnal, com todas as suas obras e o resultado de sua presença entre o povo do Senhor: divisão e toda aquela situação horrível apresentada na primeira carta. Acabamos de entrar na igreja, entre o povo do Senhor, e o apóstolo aplica o significado da cruz a essa situação.
Como ele disse:
Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado.
— 1 Coríntios 2:2
Vejam, a primeira linha que irradia de Romanos atravessa todas as condições dentro da igreja que não estão de acordo com o significado da cruz. Deus não pode edificar, não pode prosseguir com a edificação, enquanto essas coisas não forem tratadas.
Por isso, nessa primeira carta, o apóstolo nos diz:
Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele.
— 1 Coríntios 3:10
O fundamento está lançado.
E essas coisas que, como já apontamos, encontramos naquela carta são as coisas às quais Deus diz: “Não, vocês não devem colocar isso sobre o Meu fundamento. Meu fundamento é digno de algo melhor do que isso. Não podemos ter essas coisas em nosso terreno limpo. Elas só vão entulhar tudo novamente e nos obrigar a refazer todo o trabalho”.
A obra de cada um que não estiver de acordo com a cruz será consumida em chamas e fumaça, sem que reste coisa alguma. É isso que o apóstolo diz ali. E essa é a primeira extensão da cruz a partir de Romanos: tocar nas condições entre o povo do Senhor que não estão de acordo com o que Deus quer dizer por meio da cruz.
Deus diz: “Não a tudo isso. Não vou usar isso sobre o Meu fundamento. Não vou edificar com isso. Livrem-se disso, e então prosseguiremos com a edificação”.
As primeiras questões foram tratadas, como vimos nesta manhã, pelos próprios coríntios. Ah, sim, o fogo realmente ardeu entre eles: fogo de arrependimento, fogo de julgamento de si mesmos, fogo de purificação. Ah, quebrantamento de coração! Algo aconteceu. Eles trataram daquelas coisas.
Então temos a segunda linha que irradia, chegando à Segunda Carta aos Coríntios, na qual o testemunho, que havia sido prejudicado e arruinado por aquelas coisas, pode agora ser restaurado.
Temos a grande restauração do testemunho na igreja, na localidade, na cidade e no mundo. Deus pode agora prosseguir no que diz respeito ao testemunho no mundo. Isto é, Ele pode edificar quando encontra essa condição de coração, essa condição de espírito — quebrantado, humilde, contrito, tremendo diante de Sua palavra, profundamente humilhado diante Dele.
Quando Ele encontra isso, as coisas começam a acontecer exteriormente. Acontecem exteriormente; não é necessário um grande esforço. Elas simplesmente acontecem, porque ali está a expressão de um poderoso e dinâmico poder de Deus no meio deles.
Vocês sabem como o apóstolo apresenta isso nessa carta:
Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.
— 2 Coríntios 4:6
E então o apóstolo diz:
Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória.
— 2 Coríntios 3:18
Esse é o testemunho; esse é o resplendor. Quando as questões interiores foram tratadas, isso é bastante espontâneo. É simplesmente o resultado de uma obra profunda, mas muito silenciosa, de Deus.
Não creio que, quando Deus disse pela primeira vez, no caos: “Haja luz”, tenha havido muito barulho. Vocês sabem, nunca é necessário muito barulho quando Deus manifesta Seu poder. Há o ocultamento de Seu poder. Vocês se lembram dessa expressão, não é? O ocultamento de Seu poder, mas não a diminuição de Seu poder.
Ah, basta Deus falar — Ele só precisa falar —, e coisas imensas podem acontecer. Ele apenas disse:
Haja luz.
— Gênesis 1:3
Olhem para a força e o poder da luz nesta criação. Como a luz é extraordinária! Mas tudo veio de uma palavra, apenas de uma palavra.
Creio que isso é real e também simbólico. Vejam, aqui em Corinto a luz resplandece quando Deus encontra as condições certas. É assim que acontece. O que quero dizer é que não precisa haver um grande alarde de publicidade, de propaganda, de organização, de enorme agitação e atividade febril. Se o testemunho estiver presente, as pessoas saberão. As pessoas o sentirão.
Se ele estiver presente, se estiver presente, se as condições forem corretas ali, algo acontecerá. Se nada estiver acontecendo, é melhor examinarmos nossas condições.
Bem, essa é a Segunda Carta aos Coríntios, a segunda linha que irradia da cruz.
Então, a terceira linha que irradia da cruz, como vimos nesta tarde, é o que encontramos na Carta aos Gálatas: a vida no Espírito que resulta dela.
A cruz produz uma vida no Espírito e estabelece um cristianismo verdadeiramente espiritual, distinto de um cristianismo meramente de profissão, formal, ritualista, inteiramente exterior. Essa realidade poderosa demonstra o cristianismo espiritual: uma vida no Espírito. Como isso é real, como é eficaz!
É a isso que chegamos na Carta aos Gálatas. Ela diz que a cruz se manifesta em uma vida no Espírito dessa maneira. E isso é o verdadeiro cristianismo: uma realidade espiritual.
Agora, a palavra adicional, por apenas alguns minutos. Chegamos às chamadas cartas gêmeas: Efésios e Colossenses.
Creio que não preciso entrar em muitos detalhes técnicos sobre isso. Digo “chamadas” porque, ao que parece, a carta não foi dirigida diretamente aos efésios. Alguém confira isso depois. Há algo na própria carta que indica que ela não foi dirigida diretamente aos efésios, embora provavelmente tenha circulado e chegado a eles.
Mas deixo tudo isso de lado porque, afinal, é apenas uma questão técnica. Quando chegamos a essas cartas gêmeas — porque são cartas gêmeas —, não podemos lê-las sem reconhecer que estamos percorrendo, em grande parte, o mesmo terreno, apenas com ênfases distintas em cada uma.
Quando chegamos a elas, deparamos com coisas tremendas. Vocês devem observar, naturalmente, que nessas cartas, assim como em todas as outras, a cruz é o fundamento.
Nessa chamada Carta aos Efésios, começamos com a cruz. Isto é, a nós, que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, Ele vivificou e ressuscitou juntamente com Cristo. A cruz está ali.
Chegamos à Carta aos Colossenses e encontramos a circuncisão de Cristo, o despojamento do corpo da carne no batismo. Aqui temos a cruz. Temos a cruz. A cruz é a base. Esse é o ponto. É a continuidade do fundamento apresentado em Romanos.
Então, quando reconhecemos isso, deparamos com as duas maiores coisas que Deus jamais revelou — coisas maravilhosas que, se vocês realmente as vissem, não apenas como algo na Bíblia para ser lido, mas se as vissem no coração, tenho plena certeza de que algo aconteceria com vocês.
Pergunto-me se vocês já encontraram algo na Palavra de Deus que simplesmente os tenha arrebatado e levado para além de si mesmos.
Tenho alguns episódios um tanto engraçados de meu ministério no Extremo Oriente. Recentemente, em mais de uma ocasião, disse algo que não me parecia extraordinário nem capaz de provocar qualquer reação especial. Mas provocou.
Quando disse essas coisas, meu querido irmão que estava comigo, interpretando para o chinês, de repente começou a dar gargalhadas quase estrondosas. Ao meu lado, ele perdeu completamente o controle. Simplesmente não conseguia parar de rir. E as pessoas foram contagiadas; uma grande multidão foi contagiada e começou a rir também.
Mas ele não conseguia se recompor. Tentava e se esforçava; quanto mais se esforçava, mais parecia perder o controle. Eu tinha de esperar, perguntando-me o que estava acontecendo. Pensei: “Bem, afinal, o que foi que eu disse? O que foi que eu disse? Como pode ser isso?”.
E, mesmo um pouco depois, quando aparentemente já havíamos deixado aquilo para trás, ele se lembrava e, de repente, começava outra vez. Isso aconteceu mais de uma vez.
Então pensei: “Bem, não sei o que está acontecendo. Vou descobrir depois do que se trata”. Assim, depois, quando estávamos no quarto, eu disse: “Escute, irmão, afinal, o que foi que eu disse? O que eu disse para fazer você cair na gargalhada, e todo o povo também? Eu disse alguma coisa tão absurda, tão terrível, tão engraçada para vocês? O que foi?”.
Ele disse: “Não, irmão, não. Nunca tínhamos visto isso antes. Só isso. Era algo que nunca tínhamos visto antes. Só isso”.
O que quero dizer, queridos amigos, é o seguinte: é possível ver algo na Palavra de Deus que simplesmente nos arrebate — algo tão absolutamente novo. E certamente é assim que deveria ser, não é?
Ah, que o Senhor nos livre daquele tipo de familiaridade com Sua Palavra em que já sabemos tudo, e ela nunca provoca nada, nunca desperta nada em nós. Deveria ser assim, embora eu não esteja querendo que vocês façam aquilo.
Aliás, vejam, quando chegamos a essas cartas, se realmente tivermos os olhos abertos, encontraremos coisas capazes de nos tirar o fôlego — de realmente nos levar para além de nós mesmos. Bem, são coisas verdadeiramente maravilhosas.
Talvez, quando eu as mencionar, elas sejam tão familiares a vocês que não os comovam em nada. Mas eu não consigo refletir sobre elas, em momento algum, sem ser profundamente comovido.
Estas duas coisas — duas coisas. A linguagem é tão conhecida de vocês, mas, ah, que o Senhor os leve novamente a experimentar algo do verdadeiro impacto e significado dessas palavras.
Vejamos o que é, de fato, a chave e o resumo de toda a Carta aos Efésios. Em toda a plenitude maravilhosa dessa carta — ela é uma carta muito, muito rica, não é? Quase cada oração nos leva além de nossa capacidade de compreensão —, há um pequeno trecho que reúne em si a carta inteira, que nos diz do que ela trata e o que tudo significa.
É sempre muito útil poder apreender algo assim, que contém tudo. E, se o enxergarmos, veremos tudo nele. É o que temos em Efésios 1:10:
Para a dispensação da plenitude dos tempos, de recapitular todas as coisas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão na terra; Nele, digo.
— Efésios 1:10
Na plenitude dos tempos, recapitular todas as coisas em Cristo. Essa expressão, “recapitular”, não explica plena ou verdadeiramente o que o apóstolo queria dizer e estava dizendo. Ela vai até onde pode, mas seria melhor dizer: “reunir todas as coisas em Cristo”.
Quando o pecado entrou por meio de Adão, começou um grande processo de desintegração.
Primeiro, começou no próprio homem. O homem já não era uma unidade íntegra; era uma personalidade dividida. E cada descendente, cada filho de Adão, é uma personalidade dividida.
Há uma guerra civil em sua própria natureza, em sua própria constituição. Há conflito. Ele é um homem dividido, um homem que está em conflito dentro de si. Isso não é verdade a respeito de todos nós?
Todos nós nos conhecemos o suficiente para saber que não há nada que indique completa harmonia em nossa natureza, em nossa formação, em nossa constituição. Há guerra dentro de nós — guerra em nossa formação, guerra em nosso temperamento, guerra em toda a nossa constituição. Estamos quebrados. Estamos divididos. Estamos desintegrados.
Isso aconteceu com o próprio homem, e depois aconteceu entre os dois primeiros — os únicos dois: o homem e sua mulher. É possível perceber e acompanhar os elementos da desintegração, da ruptura entre eles.
O homem culpa a mulher. Esse é o início de uma divisão doméstica, vejam. E assim por diante: eles estão divididos. Havia uma unidade e uma harmonia maravilhosas. Eram uma só carne, diz o texto — uma só carne. Mas agora algo entrou, e eles já não são assim.
Surgiu entre eles uma divisão, uma tensão na vida. Sem dúvida, quando foram expulsos do jardim, estavam culpando um ao outro. Não creio que haja dúvida disso. “A culpa de tudo isso é sua.” Mas nós conhecemos esse tipo de coisa, não é?
Então, na família que surgiu por meio deles, encontramos Caim e Abel: os primeiros filhos, divisão, desintegração, chegando até ao assassinato.
E, da família, isso se espalhou para a humanidade, até chegarmos à grande dispersão da humanidade, à sua divisão em muitas, muitas partes, como temos hoje. Diversidade de línguas, com toda a humanidade fragmentada e nessa condição de desarmonia.
Acompanhem esse processo e, antes de terminarem o Antigo Testamento, encontrarão toda a humanidade dividida em dois grupos irreconciliáveis: judeus e gentios, odiando uns aos outros.
“Vocês não terão nada a ver com os gentios.” Chamavam os gentios de cães e não queriam ter nada a ver com eles — coisas impuras. E os gentios reagiam contra os judeus, como sabemos que as nações gentílicas têm feito ao longo da história e ainda fazem hoje.
Aqui está todo esse estado de coisas: fragmentação, catástrofe, discórdia, brigas, contendas, conflitos, guerras e ódio. Essa é a condição da criação, não é? Estou exagerando? Certamente não.
É assim hoje, em toda parte, do centro à circunferência desta criação. Tudo está despedaçado, e todos os pedaços estão uns contra os outros. Não há harmonia, não há unidade, não há integração nesta criação.
Deus tinha um segredo. Ele sabia de tudo isso. Sabia o que aconteceria; sabia o que viria. E concebeu Sua própria maneira de lidar com isso, tendo em Seu coração um segredo sobre como enfrentaria e resolveria esse problema, esse terrível problema.
É isso que Paulo chama de mistério nesse assunto. Como Ele faria isso? Como recapitularia tudo? Ele reuniria todas as coisas em Cristo.
Ele faria de Seu Filho o centro integrador e a esfera de uma nova criação, de uma nova ordem, na qual todas essas divergências e conflitos nunca mais seriam encontrados.
Esse é o resumo da Carta aos Efésios: reunir todas as coisas em Cristo. Digo que isso certamente nos faz vibrar.
Assim, três coisas aparecem nesse contexto. Primeiro, a cruz de Cristo.
Porque, observem, Paulo diz aqui que foi na cruz que a inimizade foi destruída. Essa é uma compreensão da cruz. Temos muitas concepções e muitos ensinamentos sobre a cruz, mas aqui está algo maravilhoso: na cruz, essa inimizade foi enfrentada e destruída.
Vejam, onde há uma verdadeira obra da cruz em qualquer um de nós, esse tipo de divisão nacional, internacional, social ou mesmo cristã deixa de existir. Deixa mesmo.
A cruz é o instrumento para tratar de todo esse tipo de coisa, e ela tratará disso. Tratará disso. Se a cruz realmente alcançar as profundezas de nosso ser, toda a situação dentro de nós e entre nós e os outros mudará.
Bem, naturalmente, nesta própria reunião de hoje à noite, temos uma demonstração disso, não é? Quantas nacionalidades estão aqui neste lugar hoje à noite? Quantas línguas maternas há aqui?
Bem, se vocês se colocassem no plano natural, perceberiam que estariam todos fragmentados. Se todos vocês, queridos irmãos e irmãs da Suíça, da Alemanha, da França e de outros lugares, começassem a falar em sua própria língua, que confusão haveria! E, se todos falassem em voz alta, ao mesmo tempo, ah, como ficaríamos divididos em tantos pedaços!
E poderia ser assim se nos encontrássemos em nossa própria base natural. Mas aqui estamos. Aqui estamos. Estamos tendo um tempo muito bom juntos: amor verdadeiro, comunhão verdadeira, alegria verdadeira.
Posso dizer que não queremos ir embora? Gostaríamos de prolongar isso. Compreendemos perfeitamente Pedro:
Façamos aqui três tabernáculos.
— Mateus 17:4
Mas é verdade, não é? Nós nos elevamos acima de nossos elementos nacionais, pessoais, sociais e de qualquer outro tipo que cause desintegração. Estamos acima disso. Estamos desfrutando de uma comunhão maravilhosa em amor.
Bem, é bom ver que isso realmente funciona. Aqui está uma demonstração concreta. Não há muitos exemplos maiores disso neste mundo. Sim, isso aconteceu. Primeiro, a cruz fez alguma coisa.
De modo que não nos encontramos, de maneira alguma, em uma base natural. Nós nos encontramos em uma base celestial, em uma base espiritual, na base de Cristo.
A cruz é o instrumento para isso. O próprio Cristo é o centro e a esfera disso. Nós nos encontramos em Cristo. Essa é a grande obra: reunir todas as coisas em Cristo.
Em Cristo. Observem quantas vezes essa pequena expressão é usada: “em Cristo”, “em Cristo”. Tudo está em Cristo. Ele é o centro e a esfera dessa maravilhosa nova integração.
Diz o apóstolo:
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo.
— 1 Coríntios 12:13
Um só Espírito, um só Espírito.
E então a terceira coisa: a igreja. A igreja é o recipiente disso. É o que se revela nessa carta. O segredo de Deus era que Seu Filho seria o centro, mas que a igreja seria o recipiente no qual essa unidade deveria ser manifestada.
Que tragédia não ser assim em maior medida! E, no entanto, no entanto, como eu disse, onde se encontra uma verdadeira expressão da igreja, é isso que se encontra. É isso que se tem. Esses elementos desintegradores estão do lado de fora, e essa poderosa integração do amor divino está do lado de dentro.
Temos um testemunho real do que a cruz fez, um testemunho verdadeiro do corpo de Cristo. A igreja é o recipiente no qual isso deve estar.
Muito simples. Digo que vocês conhecem as expressões e a terminologia, mas, ah, que coisa maravilhosa: na plenitude dos tempos — ainda não chegamos à plenitude dos tempos; creio que estamos chegando muito perto dela —, reunir todas as coisas.
Reunir, não geográfica e fisicamente, mas naquela única e gloriosa unidade do Espírito: todas as coisas em Cristo. Que dia maravilhoso quando isso acontecer, quando isso se realizar! Mas Deus determinou fazê-lo.
Destruindo a inimizade pela cruz — destruindo a inimizade. Ah, irmãos e irmãs, ouçam isto: se há alguma inimizade entre vocês e outro irmão ou irmã em Cristo, essa inimizade é uma negação da cruz. É uma negação de Cristo. E é uma negação da igreja.
Isso é muito sério. Qualquer inimizade. Vocês têm alguma inimizade com outro irmão ou outra irmã? Têm? Então ouçam: aqui diz que, na cruz, a inimizade foi destruída.
Onde está a cruz, então? Onde está Cristo, então? Onde está o Espírito, então? Onde está a igreja, então, se isso ainda existe? Se a cruz operou, ah, sim, e realmente eliminou essa inimizade, ela não tem lugar aqui.
Nessa carta, Paulo faz sua grande oração, como vocês podem ver no terceiro capítulo. Ele diz:
Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai.
— Efésios 3:14
Perante o Pai. Agora chegamos ao coração da questão. Perante o Pai; então somos família. Somos família.
E qual é a principal característica de uma verdadeira paternidade e de uma verdadeira família? É o que Paulo diz aqui: é o amor.
Agora ouçam, ouçam o que ele diz:
Para que Cristo habite pela fé em vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento.
— Efésios 3:17-19
Ah, existe um amor de dimensões tais que pode fazer isso, que pode alcançar esse objetivo de reunir em Cristo tudo o que está fragmentado. Isso só será feito por esse poderoso, poderoso amor, com sua largura, seu comprimento, sua altura e sua profundidade. Ele é grande o suficiente para fazê-lo. É grande o suficiente para fazê-lo.
Mas vocês e eu precisamos ser fortalecidos para compreender, com todos os santos, esse amor — compreender esse amor —, e então Deus alcança Seu objetivo.
E quanto à Carta aos Colossenses, a outra metade dessa mesma realidade? Bem, todos sabem qual é a grande palavra ou expressão dessa carta. É esta:
Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude Nele habitasse.
— Colossenses 1:19
E estais completos Nele.
— Colossenses 2:10
Bem, vocês conseguem visualizar a imagem. Primeiro, Deus fez, por assim dizer, um belo vaso. O grande Oleiro, no início da criação, criou, moldou, formou, deu forma e produziu um belo vaso.
E, ao Se afastar um pouco e contemplá-lo, Ele disse: “É muito bom”. E encheu esse vaso com Sua plenitude. Ele derramou no vaso desta criação a beleza e a glória de Deus.
Ah, como esta criação, mesmo agora em sua condição presente, está cheia da beleza e da glória de Deus! Sim, mas, no princípio, Ele a encheu de beleza e glória sem qualquer mancha.
Então um grande inimigo entrou, desferiu um golpe contra esse vaso e o despedaçou, desintegrou tudo, e toda aquela plenitude espiritual divina se esvaiu.
Encontramos desolação e vazio onde antes havia plenitude. O grande Oleiro volta para fazer dele outro vaso, conforme Lhe agrada fazê-lo.
Aqui está o vaso: a igreja. Esse é o vaso do Senhor, um belo vaso, uma igreja gloriosa — sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante.
Ao contemplá-la segundo Seu próprio pensamento, Seu próprio ideal, aquilo que Ele pretende e realizará, Ele diz: “Uma igreja gloriosa. Uma igreja gloriosa. É muito bom”.
Então a Carta aos Colossenses vê o vaso que foi trazido à existência, como em Efésios, agora novamente cheio de toda a plenitude. O vaso foi restaurado, podemos dizer? Reunido, todos os fragmentos reunidos.
Agora já não se podem identificar as rachaduras nas emendas. É um belo todo, essa igreja como a temos aqui. E então Ele a enche novamente com toda a Sua plenitude.
Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
— Efésios 3:19
Estais completos Nele, em Quem toda a plenitude habita.
— Colossenses 2:10; Colossenses 1:19
É assim que deve ser. Que coisa tremenda!
Isso é tudo o que realmente vou dizer nesta noite. Mas o que quero sublinhar é o seguinte: embora esse seja um processo que Deus procura realizar, um objetivo pelo qual Ele trabalha, precisamos lembrar que a realização dessa coisa grande e gloriosa — esse reunir de todas as coisas em Cristo, esse encher com toda a Sua plenitude o vaso que foi reunido — exige, precisa ter, uma obra contínua da cruz.
Esse é o desafio desta conferência. É o desafio da cruz em tudo, em relação ao grande propósito de Deus.
Agora, eu poderia ter mostrado tudo isso em Isaías, se tivéssemos tido tempo para fazê-lo, mas podemos crer nisso, pois aqui está tão claramente no Novo Testamento. Não exagerei. Não lhes apresentei nada que não esteja na Palavra. É isso. É isso.
A cruz conduz adiante — conduz a isso. Conduz à reintegração. Se puder realizar sua obra, ela o fará.
Se houver qualquer coisa contrária à integração, à unidade, será sempre possível encontrar sua origem em algo que resistiu, ou está resistindo, à cruz.
Apliquem isso à própria vida. Levem isso de volta às suas comunhões, às suas assembleias, aos seus grupos. Se houver algo que ainda represente desintegração, divisão, cisma — usem a palavra que quiserem —, isso significa que as coisas estão quebradas, estão em pedaços, não constituem uma só unidade, um todo.
Se essa condição existe, vocês podem rastreá-la — ou ela pode ser rastreada — até o fato de a cruz não ter realizado sua obra em alguma área. Há apenas uma explicação.
Creiam em mim, queridos amigos: se a cruz realmente fizer sua obra, essa integração resultará espontaneamente. Resultará. O caminho da unidade não é o de remendar as coisas por fora. O caminho da unidade é a obra da cruz no coração.
Quando a igreja realmente tiver a cruz operando em sua própria constituição, vocês verão o problema da divisão resolvido. É assim.
E, se há pobreza, se há escassez, se há fragilidade espiritual, se há limitação em nossos recursos espirituais e não estamos experimentando esse enchimento, essa plenitude — a razão é a mesma. A cruz está sendo impedida de realizar sua obra.
Vocês descobrirão que a medida aumenta, sempre aumenta, de maneira bastante espontânea, assim que removem do caminho as coisas contrárias a Cristo.
Bem, essa é uma mensagem simples, mas simplicidade não significa necessariamente falta de importância. É uma palavra muito importante.
Assim, terminamos onde começamos:
A quem se manifestou o braço do Senhor?
— Isaías 53:1
Temos algum interesse, alguma preocupação com essa questão de conhecer Deus conosco e a nosso favor, em poder, em apoio, em proteção, em livramento, em socorro? Este é o caminho. Este é o caminho.
Perdoem-me por repetir. Vejam, essa pergunta foi feita logo no início de Isaías 53:
A quem se manifestou o braço do Senhor?
— Isaías 53:1
A resposta está nesse capítulo.
Ele é revelado Àquele que vai à cruz. É revelado Àquele que sofre a cruz, que abre mão de tudo na cruz, que desce à vergonha e à desonra na cruz, que perde tudo o que é Seu na cruz. A Ele o braço do Senhor é revelado, e a história é a grande prova disso.
O braço de Deus tem sido desnudado a favor de Seu Filho ao longo da história, e sempre será; e também a favor daqueles que estão com Seu Filho — homens e mulheres crucificados, igrejas crucificadas, uma igreja crucificada.
Há uma passagem da qual gostamos muito, muito mesmo:
Porque, quanto ao Senhor, Seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-Se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com Ele.
— 2 Crônicas 16:9
A cruz é o instrumento que prova se nosso coração é perfeito para com o Senhor ou se temos interesses pessoais, interesses mundanos ou interesses divididos de alguma forma. Se nosso coração é perfeito — a palavra “perfeito” significa completo, inteiro — para com o Senhor.
Para mostrar-Se poderoso a favor daquele cujo coração é inteiro para com o Senhor.
— 2 Crônicas 16:9
E não é o Senhor Jesus naquela cruz a própria expressão de um coração inteiramente voltado para Deus? Que possamos encontrar o braço do Senhor. Orem comigo.