Richmond, Virgínia — 3 de dezembro de 1973
Ministração do irmão Stephen Kaung
O desejo do nosso coração é que possamos conhecer-Te, porque conhecer-Te é a vida eterna. Senhor, oramos para que, nesta manhã, ao nos reunirmos aqui em Tua presença, Tu Te manifestes a nós.
Senhor, se Tu Te ocultasses, jamais poderíamos conhecer-Te. Conhecer-Te está simplesmente além da nossa capacidade. Mas como Te louvamos e agradecemos, porque nos disseste que Te manifestarias àqueles que Te amam.
Senhor, mesmo que o nosso amor seja fraco, vacilante e incerto, Tu sabes. Nós Te diremos, como Pedro:
Tu sabes.
Não podemos medir o nosso amor por Ti; não sabemos. Sabemos apenas que Tu sabes.
Portanto, Senhor, manifesta-Te a nós nesta manhã por meio da Tua Palavra, pelo Teu Espírito, para que possamos verdadeiramente ser um Contigo — em Teu amor, em Teu propósito e em Tua vontade. Nós nos entregamos a Ti nesta manhã. Nós Te louvamos e adoramos em Teu nome preciosíssimo. Amém.
Por favor, abram novamente em Neemias 2. Vamos ler a partir de Neemias 2:9.
Então vim aos governadores dalém do rio e lhes dei as cartas do rei; ora, o rei tinha enviado comigo capitães do exército e cavaleiros.
E, ouvindo isso Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, muito lhes desagradou que viesse um homem a procurar o bem dos filhos de Israel.
E cheguei a Jerusalém e estive ali três dias.
E de noite me levantei, eu e uns poucos homens comigo; e não declarei a ninguém o que o meu Deus pusera no meu coração para fazer em Jerusalém; e não havia comigo animal algum, senão aquele em que eu montava.
E de noite saí pela Porta do Vale, para a fonte do dragão e para a Porta do Monturo; e examinei os muros de Jerusalém, que estavam derrubados, e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo.
E passei à Porta da Fonte e ao tanque do rei; porém não havia lugar por onde pudesse passar o animal em que eu montava.
Então, de noite, subi pelo ribeiro e examinei o muro; e voltei, entrei pela Porta do Vale e assim regressei.
E os magistrados não sabiam aonde eu fora nem o que eu fazia; pois até então não o havia declarado aos judeus, nem aos sacerdotes, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos demais que faziam a obra.
Então lhes disse: Vedes a miséria em que estamos, como Jerusalém está assolada e as suas portas foram queimadas pelo fogo; vinde, e edifiquemos o muro de Jerusalém, para que não sejamos mais motivo de opróbrio.
E lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras que o rei me tinha dito. Então disseram: Levantemo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as suas mãos para a boa obra.
Mas, ouvindo isso Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o árabe, zombaram de nós, desprezaram-nos e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?
Então lhes respondi e disse: O Deus dos céus, Ele nos fará prosperar; e nós, Seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem direito, nem memória em Jerusalém.
Agora abram em Neemias 6:15-16.
Assim, o muro foi concluído no dia vinte e cinco do mês de elul, em cinquenta e dois dias.
E sucedeu que, ouvindo isso todos os nossos inimigos, todas as nações que estavam ao redor de nós temeram e muito se abateram aos seus próprios olhos; porque perceberam que esta obra fora realizada pelo nosso Deus.
Ontem à noite, começamos dizendo que a história dos filhos de Israel está registrada na Bíblia para nossa admoestação. Em outras palavras, tudo o que Deus fez com eles, neles e por meio deles foi para o nosso aprendizado.
Em Sua grande misericórdia, Deus permitiu que aqueles que estavam no cativeiro voltassem a Jerusalém para reconstruir o templo e também o muro da cidade de Jerusalém. Embora isso tenha levado um longo período, cerca de cem anos, era isso que Deus, em Sua misericórdia, estava fazendo com o Seu povo: restaurar, reconstruir o templo e reconstruir o muro.
Isso tinha como objetivo restaurar o testemunho de Deus na terra. Muitas vezes, quando pensamos na restauração do testemunho de Deus, pensamos apenas na reconstrução do templo. Mas a reconstrução do templo, embora necessária, não era a restauração completa.
O testemunho de Deus naquele período não foi plenamente restaurado até que o muro e a cidade fossem reconstruídos.
Por quê? Aplicando isso à nossa situação hoje, sabemos que Deus está realizando uma obra de restauração — a restauração do testemunho de Jesus na terra. É por isso que o povo de Deus precisa sair de Babilônia, que é confusão, e voltar a Jerusalém, que representa a simplicidade que há em Cristo.
Duas coisas precisam ser restauradas entre o povo de Deus. Uma delas é a vida do povo de Deus com Deus. Isso é representado pela reconstrução do templo, porque o templo é a casa de Deus. O nome de Deus foi colocado sobre aquela casa, e Deus devia ser adorado e servido naquela casa.
Portanto, por um lado, a vida do povo de Deus com Deus precisa ser restaurada. O nome do Senhor Jesus entre os Seus precisa ser restaurado, e Ele precisa ser adorado e servido pelo Seu povo. Mas esse é apenas um dos lados.
Há outro lado que precisa ser restaurado: a reconstrução do muro e da cidade de Jerusalém. Na aplicação espiritual, isso representa a restauração da vida do povo de Deus uns com os outros.
A vida de uma cidade representa o crescimento conjunto do povo em unidade. Aqueles que habitam dentro dos muros da cidade formam, por assim dizer, uma unidade. Com esse tipo de vida, eles apresentam um testemunho público ao mundo.
Portanto, irmãos e irmãs, não apenas a nossa vida com Deus precisa ser restaurada como povo, mas também a nossa vida uns com os outros precisa ser restaurada para que possamos ter um testemunho público aos olhos do mundo.
Vocês se lembram da oração do nosso Senhor Jesus em João 17:21-23: que sejamos um, assim como Ele e o Pai são um, para que o mundo saiba que Deus O enviou.
A vida do povo de Deus em conjunto — habitando juntos, sendo edificados juntos como um só corpo em unidade — é algo que precisa ser restaurado. Esse é o significado do muro, da construção do muro.
Hoje, o muro está em ruínas. Há muitas brechas. Não há portas. Tudo está aberto — disperso, exposto, sem separação, sem proteção, sem unidade e sem testemunho. Essa é a condição do povo de Deus hoje.
Oh, como precisamos de pessoas como Neemias: pessoas que se importem, que tenham um encargo, que estejam dispostas a se dedicar à oração e a se entregar a esta única coisa — a reconstrução do muro.
Foi sobre isso que tivemos comunhão ontem à noite. Não creio que possamos retomar tudo, mas quero levá-los ao ponto a partir do qual vamos continuar nesta manhã.
Sob a boa mão do Senhor, Neemias voltou a Jerusalém. Mas, assim que voltou, encontrou oposição. Por quê? Porque Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, ouviram que alguém havia voltado a Jerusalém para procurar o bem do remanescente.
Eles ficaram irados com isso. Agora, quem era Sambalate e quem era Tobias?
Sambalate, o horonita, era moabita. E Tobias, o servo amonita — vocês sabem, Tobias era um nome judeu. No entanto, ele era chamado de servo, de amonita.
Tobias era judeu. Ao ler o livro de Neemias, vocês descobrem que seu filho se casou com a filha de um sacerdote, e que sua filha era casada com um judeu. Em outras palavras, ele era judeu, mas, de alguma maneira, vendeu-se como escravo — provavelmente como escravo de um amonita.
Ele estava tão degradado moral e espiritualmente, era tão renegado, que se tornou amonita. Aqui vocês encontram Sambalate, o moabita, e Tobias, um judeu tão degradado que literalmente se tornou amonita. Eles eram os inimigos de Neemias.
Sabemos que os moabitas e os amonitas vieram de Ló. Em seu tempo, Ló foi resgatado da cidade de Sodoma. No entanto, depois que o Senhor o tirou de lá com suas duas filhas, algo aconteceu. Daquela terrível experiência vieram os amonitas e os moabitas.
Em termos do Novo Testamento, Ló era um crente. Ele não era incrédulo; era crente. A Bíblia até chama Ló de justo. No entanto, ele amava o mundo, e o resultado foi a carne.
A carne sempre teme o espírito. O desejo da carne é que o espírito seja fraco. Sempre que vocês procuram o bem do remanescente sofredor e tentam fortalecê-lo, é isso que Sambalate, o moabita, e Tobias, o amonita, temem.
Eles preferiam ver o remanescente judeu numa condição muito fraca, porque, quando o remanescente estava fraco, esses inimigos estavam fortes. Sempre que a condição do remanescente judeu se fortalecia, os moabitas e os amonitas perdiam o controle.
O desejo de Sambalate e Tobias era ver o remanescente judeu sempre fraco. Vocês podem ter o templo, mas não podem ter o muro, para que eles possam entrar a qualquer momento e fazer o que quiserem com o remanescente que escapou.
Por isso, quando ouviram que Neemias havia voltado para procurar o bem daquele remanescente desprezado, ficaram irados.
Irmãos e irmãs, aplicando isso de maneira geral, a carne dentro de nós e a carne ao nosso redor sempre se opõem ao fortalecimento do espírito. Tudo o que fortalece o nosso espírito é algo a que a nossa carne resiste.
É por isso que a Bíblia diz que o Espírito luta contra a carne, e a carne deseja o que é contrário ao Espírito. Eles estão sempre se opondo um ao outro, porque não podem ser fortes ao mesmo tempo. Quando um está forte, o outro está fraco.
Portanto, aqui vocês encontram um conflito direto. Assim que Neemias voltou, o conflito começou, e o conflito continuou.
Sempre que o nosso espírito recebe do Senhor um encargo por algo que realizará o propósito de Deus, a carne dentro de nós e a carne ao nosso redor começam a lutar, tentando impedir isso. Portanto, sempre há um conflito.
Tudo o que é de Deus, tudo o que procura o bem do remanescente que escapou, tudo o que tende a edificar a unidade entre o povo de Deus, tudo o que busca cumprir o propósito de Deus encontrará oposição. Não pensem que é algo tranquilo ou fácil.
Não apenas a carne ao redor de vocês se levantará e lutará; até mesmo a carne dentro de vocês se levantará e lutará. Essa é a primeira coisa que vocês encontram, antes mesmo de Neemias começar a construir qualquer coisa.
Imediatamente depois que Neemias voltou, o conflito começou. Durante três dias, ele não fez nada. Então, na terceira noite, levantou-se secretamente, acompanhado de apenas alguns homens. Saiu à noite, sem dizer nada a ninguém.
Ele não contou aos judeus, aos sacerdotes, aos magistrados nem aos nobres. Não contou a ninguém. Mas saiu à noite para examinar o muro e a condição em que ele se encontrava.
Irmãos e irmãs, ver as ruínas do muro à noite deve ter sido desolador — tão desolador, tão desanimador. Ele viu as brechas, os muros em ruínas e as portas queimadas pelo fogo. Ainda assim, percorreu toda a área e a examinou.
Ele não contou aos outros o que Deus havia colocado em seu coração. Simplesmente fez isso por si mesmo. Essa é a segunda coisa que vocês encontram na Bíblia.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, uma coisa é ouvir relatos sobre a ruína da cidade. Neemias havia ouvido seu irmão Hanani e outros que tinham voltado de Jerusalém. Ele ouviu falar da aflição e do opróbrio, dos muros em ruínas e das portas queimadas.
Todos os que se importam com a condição do povo de Deus hoje já ouviram essas coisas. Não é nenhuma novidade. Qualquer pessoa que tenha um coração sensível e ao menos um pouco de preocupação com a condição do povo de Deus hoje não pode deixar de ouvir que o povo de Deus está disperso e dividido — sem separação, sem muro, sem proteção, exposto ao inimigo e fraco.
Todos sabem disso. Mas há uma diferença. Todos sabemos que a condição do povo de Deus hoje, no relacionamento de uns com os outros, não é normal. Todos sabemos disso. Provavelmente falamos a respeito. O problema é que falamos demais.
Neemias não disse nada. Não ficou falando sobre isso. Sabem de uma coisa? Se vocês realmente têm um encargo, não conseguem deixar de ficar em silêncio. Se conseguem falar tão livremente — ou, permitam-me colocar desta maneira, se conseguem fazer fofoca sobre algo —, não têm um encargo profundo.
Neemias não disse nada a ninguém durante três dias. Somente à noite saiu para examinar as ruínas. Enquanto ele examinava as ruínas, Deus começou a formar nele um plano para a reconstrução do muro.
O que isso significa para nós hoje, irmãos e irmãs? De maneira muito geral, todos sabem que o povo de Deus não está edificado em conjunto. Todos sabem disso, e muitas pessoas estão falando a respeito, mas nada é feito.
O que precisamos é, sem falar com ninguém, ir ao Senhor à noite — isto é, em secreto. Devemos trazer a condição do povo de Deus diante Dele e procurar saber o que Ele quer fazer. É disso que precisamos.
Vocês verão um quadro ainda mais desolador do que aquele de que ouviram falar. Ver e ouvir são coisas bem diferentes. Talvez vejam um quadro mais desolador, porque ver a cidade em ruínas à noite, sob a luz da lua, é assustador.
Mas, irmãos e irmãs, ao levarmos o povo de Deus diante de Deus em oração — não conversem com ninguém; vão ao Senhor —, vocês verão que a condição do povo de Deus é mais desoladora do que ouviram dizer.
No entanto, ao mesmo tempo, Deus lhes dará um plano de como fechar as brechas. O discernimento é necessário para o ministério. Se não vemos, não podemos ajudar.
Precisamos de discernimento. Precisamos enxergar uma situação e compreendê-la por completo. O problema hoje é a falta de discernimento espiritual entre o povo de Deus. Embora digamos que vimos, muitas vezes apenas ouvimos. Não vimos de verdade.
Como precisamos ir diante do Senhor e realmente ver tudo com os olhos de Deus. Irmãos e irmãs, aquilo que vocês virem os matará. Mas, graças a Deus, por terem visto isso diante de Deus, vocês poderão ministrar aos outros.
O discernimento espiritual é o primeiro passo para o ministério espiritual. Mais uma vez, quero dizer que o discernimento não é a base da comunhão, mas é a base do ministério.
Vocês não podem fundamentar a comunhão no discernimento, porque, se fizerem isso, a comunhão será rompida. Suponham que Deus tenha mostrado a vocês algo além do que mostrou ao seu irmão, e vocês tentem fundamentar a comunhão com esse irmão naquilo que Deus lhes mostrou. Vocês não terão comunhão.
A comunhão se fundamenta na vida, no amor. Mas o discernimento é necessário — não para criticar seus irmãos e irmãs, mas para ministrar a seus irmãos e irmãs.
Era isso que Neemias tinha. Ele precisava saber exatamente onde estavam as brechas. Precisava saber onde as portas haviam sido queimadas. Precisava conhecer cada situação como ela era: sem fingimento, sem encobrimento, sem cegueira. Ele precisava ver essas coisas.
Mas, quando ele viu essas coisas, Deus lhe mostrou o que fazer. Irmãos e irmãs, o que precisamos hoje são pessoas que tenham visão e discernimento. Precisamos de visão para aquilo que Deus quer fazer e de discernimento para enxergar o que realmente está aqui.
Isso é algo que falta muito hoje. Muitas coisas boas estão acontecendo, mas, quando vocês chegam à raiz, descobrem que tudo está na superfície. Há falta de visão — a visão do muro — e falta de discernimento quanto às brechas no muro.
Essas duas coisas não são contraditórias. Na verdade, essas duas coisas são uma só. Por um lado, precisamos enxergar o propósito de Deus. Por outro, precisamos conhecer a situação real. Essas duas coisas produzirão em nós uma obra que é de Deus.
Na manhã seguinte, Neemias reuniu os príncipes, os magistrados, os sacerdotes, os levitas e o povo. Começou a compartilhar seu encargo com eles.
Ele lhes disse: “Vocês veem que a cidade está em ruínas. Como moram aqui, sabem disso. Mas nada é feito. Todos estão reclamando, mas nada é feito. Vamos reconstruir o muro”.
Ele lhes falou da boa mão do Senhor sobre ele. Ao serem encorajados, todos disseram:
Levantemo-nos e edifiquemos.
Então começaram.
Irmãos e irmãs, isso é liderança espiritual. O que é liderança? Um líder é alguém que viu primeiro, que recebeu primeiro um encargo do Senhor.
Mas, depois de ter visto e recebido o encargo, ele não é alguém que faz tudo sozinho. Isso não é liderança espiritual. Por um lado, o líder espiritual é alguém que vê primeiro; por outro, ele consegue compartilhar com o povo de Deus aquilo que viu e levar todos a fazerem a obra juntos.
Algumas pessoas só conseguem fazer as coisas sozinhas. Isso não é liderança. Liderança é a capacidade de inspirar as pessoas a fazerem a obra. O líder precisa dar o exemplo, isso é verdade, mas não é ele quem faz tudo.
Ele consegue levar outros a ouvir o encargo e a recebê-lo. Consegue transmitir seu encargo a outras pessoas e inspirá-las a participar da obra de Deus. Isso é liderança espiritual.
Isso não é algo que vocês possam fabricar ou organizar. É algo que precisa nascer da visão e do encargo. É algo que precisa vir de Deus.
Quando Deus levanta líderes capazes de ouvir o Seu encargo e de conduzir o povo em conjunto na obra de Deus, graças a Deus, vocês têm liderança. Isso é muito necessário na construção da cidade — isto é, na vida do povo de Deus em conjunto.
Assim, aqui vocês veem que o povo se levantou e edificou.
Vocês sabem, o terceiro capítulo de Neemias provavelmente é um daqueles capítulos que vocês talvez pulem na leitura. O capítulo inteiro nos diz que fulano e seus irmãos se levantaram e construíram uma seção do muro daqui até ali; depois, outra família construiu outra seção; e assim por diante. O capítulo inteiro é assim.
Quando chegam a um capítulo desse tipo, talvez vocês o pulem. Pode parecer monótono demais. Mas, irmãos e irmãs, se lerem com atenção, Neemias 3 lhes mostrará como a obra é feita.
É importante saber que uma obra deve ser feita, mas é igualmente necessário saber como ela é feita. O muro de Jerusalém precisa ser construído, mas como deve ser construído?
O povo de Deus precisa ser edificado em conjunto. Não devemos estar dispersos. Não devemos apenas ser mantidos juntos. Precisamos estar unidos e ser edificados juntos para formar um muro. Mas como o muro deve ser construído? É isso que vocês encontram em Neemias 3.
A construção do muro não é uma obra realizada por uma pessoa, nem mesmo por algumas poucas pessoas. É uma obra que precisa ser realizada por todos.
Para que eu seja edificado junto com vocês, preciso que vocês sejam edificados junto comigo. Não é algo unilateral. Aqueles do povo de Deus que compartilham o encargo e a visão devem unir-se na construção do muro de Jerusalém.
Cada um tem uma seção para construir, e todas essas seções estão ligadas umas às outras. Todas as brechas são fechadas.
Observem as pessoas mencionadas em Neemias 3. Algumas eram sacerdotes, inclusive o sumo sacerdote. O trabalho do sacerdote e do sumo sacerdote era no santuário. A Bíblia diz que os sacerdotes não deveriam usar nada feito de lã quando servissem, porque não deveriam suar.
Em outras palavras, quando vocês vêm servir a Deus no templo, não deve haver suor — nada da carne, nem mesmo o zelo da carne. Deve haver quietude ao esperar no Senhor e a energia do Espírito, representada pelas vestes de linho, em vez de lã.
Mas aqui vocês encontram o sumo sacerdote, que precisava comparecer diante de Deus no santuário em santo serviço, agora colocando as mãos na construção do muro — um trabalho pesado, rude.
Alguns eram ourives. Estavam acostumados a um trabalho delicado. Quem é ourives normalmente não faz algo como construir um grande muro. Seu trabalho envolve coisas muito pequenas e muito delicadas.
No entanto, vocês encontram essas mãos delicadas trabalhando com argamassa, trabalhando com pedras e preenchendo o muro. Alguns eram perfumistas. Precisavam ter um olfato muito apurado para serem bons perfumistas. No entanto, ali estavam eles, em meio à poeira e à sujeira da construção do muro.
Não importava quais fossem suas ocupações: eles se uniram na construção. Creio que há uma lição para nós. Na providência de Deus, podemos ter diferentes ocupações. Alguns podem ser donas de casa, outros podem trabalhar em escritórios, e outros podem estar estudando.
Nossas ocupações naturais, terrenas, podem ser diferentes, mas há uma obra na qual trabalhamos juntos: a construção do muro de Jerusalém.
Não importa qual seja a nossa ocupação, estamos juntos na restauração da vida do povo de Deus como um só corpo, como uma cidade. Todos participamos da obra.
Vocês também observam que geralmente são “fulano e seus irmãos” que trabalham no muro. No entanto, em um caso, vocês encontram “fulano e suas filhas”. Ele não tinha filhos homens, mas tinha filhas, e as filhas estavam construindo junto com ele.
Sejam filhos ou filhas, todos vocês são trabalhadores na construção.
Cada um recebeu uma seção, e todas essas seções eram diferentes. Alguns estavam construindo uma seção reta, o que era mais fácil. Alguns estavam construindo cantos, e vocês sabem que construir cantos é mais difícil e exige reforço.
Alguns estavam construindo nas subidas dos montes; isso era difícil. Alguns estavam construindo nos vales. Na construção do muro, há montes e vales, trechos retos e cantos — uma variedade de trabalhos.
No entanto, cada um recebeu de Deus uma seção. Não digam: “Meu trabalho é no vale; por isso, não vou fazê-lo. Quero fazer o trabalho nos montes”. De acordo com o que Deus decidiu, segundo o Seu beneplácito, recebemos uma seção para construir.
Se não formos fiéis, aquela seção se tornará uma brecha. Mas, graças a Deus, todos eles trabalharam.
Deus registra que, em sete casos, eles construíram um segundo trecho. Em outras palavras, como encontramos em Romanos, sirvamos segundo a proporção da fé. Deus deu a cada um uma medida.
Paulo disse que não ia além de sua medida. Cada um de nós recebeu uma medida. Vocês não podem fazer tudo, mas receberam uma medida. Segundo a proporção da fé, sejamos fiéis em cumprir a nossa parte.
Em sete casos, eles fizeram um segundo trecho. Em outras palavras, se formos fiéis naquilo que Deus nos deu, Deus ampliará a nossa medida. Talvez vocês recebam um segundo trecho.
Essas pessoas eram tão fiéis. Não estavam apenas cumprindo seu dever, dizendo: “Cumpri meu dever; isso basta”. Elas se dedicaram de coração e com diligência à obra, e Deus considerou adequado dar-lhes outro trecho.
Oh, que o Senhor nos torne tão fiéis que possamos receber outro trecho.
Mas, em um caso, os nobres dos tecoítas não quiseram sujeitar a cerviz ao trabalho. Eles receberam um trecho para fazer, mas acharam que o trabalho era sujo e indigno de sua posição. Por isso, recusaram-se a sujeitar a cerviz ao trabalho.
Mas, graças a Deus, os tecoítas não seguiram o exemplo de seus nobres. As pessoas comuns se sujeitaram ao trabalho e o fizeram tão bem que receberam outro trecho.
Deus observa tudo. Em um caso, Ele diz que fizeram a obra com zelo. Deus observa como vocês fazem a obra.
Irmãos e irmãs, só posso destacar algumas coisas, mas o capítulo inteiro está cheio de aplicações espirituais. A vida do povo de Deus, como um só corpo e como uma cidade em crescimento, precisa ser restaurada.
Mas, na restauração dessa vida, cada um precisa construir segundo a proporção da fé. Se formos fiéis, as brechas serão fechadas e, por fim, o muro será concluído.
No processo de construção do muro, como diz a Bíblia, Jerusalém seria edificada em tempos angustiosos. Em outras palavras, eles não tiveram um tempo fácil ou tranquilo para realizar o trabalho. Enfrentaram oposição do começo ao fim enquanto construíam.
Sambalate, o horonita, Tobias, o servo amonita, e Gesém, o árabe, ouviram que o remanescente que escapara estava construindo o muro e zombaram.
A primeira coisa que vem do inimigo é a zombaria. Eles riem e dizem: “O que esse punhado de pessoas está fazendo? Estão tentando construir um muro. Querem se rebelar contra o rei. Mesmo que construam um muro, se uma raposa subir nele, o muro inteiro desabará”.
Mas Neemias ouviu isso. Não discutiu com eles. Foi ao Senhor e disse: “Senhor, Tu ouves o que eles dizem”. Então continuou a construir. Eles não têm parte, nem direito, nem memória em Jerusalém.
Irmãos e irmãs, se alguém hoje tem o encargo de ver o povo de Deus edificado em conjunto como um só, ouvirá muita zombaria. As pessoas dirão: “Em dois mil anos, nada foi realizado. Quem é você para achar que consegue fazer isso?”.
Elas dirão: “O que vocês fizeram não resiste nem às raposas. Tudo vai cair”. Vocês vão dar ouvidos a isso? Se derem ouvidos, suas mãos ficarão enfraquecidas. Vocês pararão de construir. Dirão: “Não adianta”.
Há poucos dias, estive em Columbus, Ohio, e conversamos. Falaram-me de algumas pessoas que tinham uma visão da igreja. Elas se dedicaram inteiramente a isso. Queriam edificar a igreja, mas, por causa da frustração e da desintegração, por fim algumas delas disseram: “Não é possível”.
Não eram principiantes. Essas pessoas haviam sido usadas por Deus — dotadas de dons, talentosas, levando muitos a Cristo. No entanto, disseram-me que, quando esses homens de Deus se reuniram para buscar a face do Senhor, alguns entre eles disseram: “Não há esperança. Não é possível. O povo de Deus continuará dividido. É simplesmente impossível”.
Essa é a zombaria da carne. Neemias não deu ouvidos a ela. Não discutiu com eles. Simplesmente foi ao Senhor, pediu ao Senhor que fortalecesse suas mãos e prosseguiu.
Assim, continuaram, todas as brechas foram fechadas e o muro ficou cada vez mais alto. Quando os inimigos dos judeus ouviram isso, ficaram irados — realmente irados.
Disseram: “Vamos entrar e atacar. Vamos matar o povo para que o muro não possa ser construído”.
Aqueles que moravam fora da cidade de Jerusalém, perto desses inimigos, ouviram os rumores. Naquela época, pouquíssimos judeus moravam em Jerusalém; a maioria estava dispersa nas aldeias e cidades ao redor. Eles estavam perto dos inimigos e ouviram as ameaças.
Dez vezes essas pessoas enviaram mensagens a Neemias, dizendo: “Precisamos parar. Não podemos fazer isso, porque os inimigos vão atacar”.
Então Neemias reuniu o povo e disse: “Vamos vigiar. Vamos lutar. Lembrem-se do Senhor”. Quando os inimigos ouviram que eles não desistiriam, abandonaram aquele plano.
Mas, daquele momento em diante, os trabalhadores tinham, por um lado, a obra de construção e, por outro, uma lança. Os que trabalhavam levavam espadas cingidas à cintura, enquanto os servos de Neemias ficavam de vigia, segurando lanças e espadas.
Em outras palavras, eles trabalhavam com vigilância. Neemias e seus servos, durante todo o período de construção do muro, nunca tiravam suas roupas.
Irmãos e irmãs, reconstruir o muro é uma tarefa difícil. Como o povo de Deus pode ser edificado em conjunto? Há ataques do inimigo por todos os lados para enfraquecer nossas mãos.
Precisamos construir com uma mão no muro e a outra na lança. Em outras palavras, uma batalha espiritual está acontecendo o tempo todo.
Se não vigiarmos em oração, o inimigo atacará e seremos derrotados. Por isso, o Senhor disse:
Vigiai e orai.
Este não é o tempo de tirar as nossas vestes e descansar. Este não é o tempo de tirar toda a armadura de Deus. Uma vez que a igreja se reveste de toda a armadura de Deus, não pode tirá-la até que o diabo seja vencido e o Senhor volte.
Por causa dessa fidelidade, a obra prosseguiu.
Mas, queridos irmãos e irmãs, isso não era tudo. Vocês esperam ataques de Sambalate, o moabita, de Tobias, o amonita, de Gesém, o árabe, e do exército de Samaria. Vocês esperam que eles ataquem.
Mas um ataque mais sutil veio de outra direção. Veio dos irmãos, do próprio remanescente.
Como os impostos do rei eram tão pesados, algumas pessoas precisaram dar seus campos em garantia para obter cereal para suas famílias. Precisaram tomar empréstimos de irmãos mais ricos, especialmente dos nobres.
Esses irmãos ricos cobravam juros elevados. Alguns chegaram a ter de vender suas filhas e seus filhos como escravos a seus irmãos. Lembrem-se: eles estavam ali pelo testemunho de Deus; no entanto, em seu meio, os nobres e os ricos começaram a oprimir os próprios irmãos.
Naturalmente, surgiu a murmuração. O povo disse: “Não conseguimos mais viver. Vendemos nossas filhas e nossos filhos para obter cereal. Hipotecamos nossos campos. Trabalhamos para nossos irmãos e não conseguimos resgatar nossos filhos”.
Quando Neemias ouviu isso, ficou muito irado. Reuniu o povo e disse: “Como podemos fazer isso? Devolvam o que tomaram. Somos irmãos. Não podemos cobrar usura do nosso próprio povo. Onde está o nosso testemunho?”.
Se essa situação não tivesse sido corrigida, eles não poderiam ter construído o muro. O povo estava dividido. As pessoas estavam umas contra as outras.
Graças a Deus, pela Sua graça, aqueles que haviam cobrado usura disseram: “Está bem, estamos dispostos a devolver”. O povo se alegrou diante de Deus.
Irmãos e irmãs, vocês podem esperar ataques de fora, mas, às vezes, um ataque mais sutil vem de dentro. Mesmo entre aqueles que trabalham juntos, vocês podem encontrar divisão: um irmão oprimindo outro, falta de cuidado e de amor uns pelos outros.
Se o Senhor nos colocou juntos para construir o muro, e insistirmos em nossos direitos, não haverá edificação.
Mesmo que seja nosso direito, não agimos com base em direitos; agimos com base no amor. Paulo disse que não fazia uso de seus direitos: tinha esse direito, mas não o usava.
Somente quando aprendemos a amar uns aos outros, em vez de insistir em nossos direitos, é que podemos realmente ser edificados em conjunto.
Graças a Deus, eles venceram esse problema. Assim, em cinquenta e dois dias, o muro foi concluído. Esses cinquenta e dois dias foram quase como cinquenta e dois anos, mas, graças a Deus, a obra foi feita. Foi feita.
Queridos irmãos e irmãs, eu realmente creio que, por mais difícil que seja, por mais turbulento que possa ser, se isso é o que Deus quer — que o Seu povo habite junto em unidade —, isso será realizado.
Mas isso exige muita paciência, muita fé e muita fidelidade. Portanto, espero sinceramente que isso nos encoraje.
Creio que provavelmente seja melhor parar por aqui. Vamos orar.
Oh, Pai celestial, é o desejo do Teu coração que a vida do Teu povo uns com os outros seja edificada, para que possamos ser um testemunho do Teu nome.
Senhor, Tu conheces a condição do Teu povo hoje. Senhor, nós Te louvamos porque tens despertado muitos corações nessa área. Mas, Senhor, o conflito é grande. O inimigo está perto. Há muita fraqueza em nós.
Senhor, isso pode ser feito? Será feito? Oramos para que levantes corações como o de Neemias — pessoas que voltem o rosto para Jerusalém, cujo coração esteja em Ti, cujas mãos estejam na Tua obra e que não desistam até que ela seja concluída.
Portanto, Senhor, encoraja-nos hoje com a Tua Palavra e faze-nos avançar na reconstrução do muro de Jerusalém. A Ti sejam o louvor, a honra e a glória, para todo o sempre. Amém.