Segunda-feira à noite, 7 de janeiro de 1974 — Richmond, Virgínia
Ministração do irmão Stephen Kaung.
Ao vigésimo quarto dia do nono mês, no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Perguntai agora aos sacerdotes acerca da lei, dizendo:
Se alguém levar carne santa na orla de sua veste, e com a sua orla tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em qualquer alimento, ficará este santificado? E os sacerdotes responderam e disseram: Não.
Então disse Ageu: Se alguém que está impuro pelo contato com um cadáver tocar em alguma dessas coisas, ficará ela impura? E os sacerdotes responderam e disseram: Ficará impura.
Então respondeu Ageu e disse: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de Mim, diz o Senhor; e assim é toda a obra das suas mãos; e o que ali oferecem é impuro.
Agora, pois, peço-vos que considereis o que aconteceu desde este dia em diante, antes que se pusesse pedra sobre pedra no templo do Senhor:
Durante todo aquele tempo, quando alguém vinha a um monte de vinte medidas, havia somente dez; quando vinha ao lagar para tirar cinquenta medidas, havia somente vinte.
Eu vos feri com queimadura, com ferrugem e com saraiva em toda a obra das vossas mãos; contudo, não vos voltastes para Mim, diz o Senhor.
Considerai, peço-vos, desde este dia em diante, desde o vigésimo quarto dia do nono mês, desde o dia em que foram lançados os fundamentos do templo do Senhor; considerai isso.
Está ainda a semente no celeiro? Até mesmo a videira, a figueira, a romãzeira e a oliveira não têm produzido: desde este dia vos abençoarei.
E a palavra do Senhor veio pela segunda vez a Ageu, ao vigésimo quarto dia do mês, dizendo:
Fala a Zorobabel, governador de Judá, dizendo: Eu abalarei os céus e a terra;
E derrubarei o trono dos reinos; e destruirei a força dos reinos das nações; e derrubarei os carros e os que neles andam; e os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada de seu irmão.
Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, Eu te tomarei, ó Zorobabel, Meu servo, filho de Sealtiel, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque Eu te escolhi, diz o Senhor dos Exércitos.
Temos considerado juntos a relação entre o ministério profético e a obra de restauração. Deus estava realizando uma obra de restauração entre o Seu povo, Israel, por meio do remanescente que voltou da Babilônia para Jerusalém.
Deus estava restaurando o templo e queria restaurar o muro de Jerusalém. Mas, na realização dessa obra, vemos que o ministério profético desempenhou um papel muito importante. Foi por meio das profecias de Ageu e Zacarias que o templo foi reconstruído.
Portanto, irmãos e irmãs, nós realmente cremos que Deus está realizando uma obra hoje. Na verdade, a maior parte das obras de Deus são obras de restauração. Quando vocês leem a Bíblia inteira, provavelmente os dois primeiros capítulos contêm a obra original de Deus. Então, a partir de Gênesis 3, tudo é obra de restauração.
Algo havia acontecido; algo havia falhado e dado errado. Deus estava empenhado em restaurar as coisas ao Seu propósito original. Especialmente no caso dos filhos de Israel, vemos como eles falharam para com Deus. Deus os levantou como um testemunho de Si mesmo na terra, mas eles falharam completamente para com Deus.
Jerusalém foi destruída. O templo foi destruído. O povo foi levado ao cativeiro. Deus era chamado de Deus dos céus, mas, naquele período, não era chamado de Deus dos céus e da terra. Por quê? Não havia testemunho.
Mas Deus estava empenhado em restaurar o povo, restaurar Jerusalém, restaurar o templo e, acima de tudo, restaurar o Seu próprio testemunho na terra. Mas o Seu testemunho na terra havia sido confiado ao Seu povo.
Irmãos e irmãs, é exatamente isso que Deus está fazendo hoje. Ele está realizando a obra de restauração. Ele está restaurando o Seu povo ao lugar onde deveria estar, para que seja o que deveria ser.
Ele está restaurando a vida deles em comunhão com Deus, como é tipificado pelo templo. Ele está restaurando a vida do povo de Deus em comunhão uns com os outros, como é representado pela reconstrução do muro.
Quando o povo de Deus é edificado em conjunto, uns com os outros, e quando pode servir a Deus como um só povo, então o testemunho de Jesus na terra será estabelecido. É isso que Deus está fazendo o tempo todo.
Mas, para realizar essa obra, é necessário o ministério profético. Mais uma vez, por ministério profético não queremos dizer que algumas pessoas sejam capazes de predizer certas coisas a respeito de determinadas pessoas ou de determinados acontecimentos. Não.
Essencialmente, ministério profético significa que Deus revelou o Seu pensamento a respeito do Seu povo, a respeito da situação presente. Deus tornou conhecido a alguns o Seu pensamento quanto ao que Ele deseja que o Seu povo faça e ao que Ele espera do Seu povo.
Por meio desses profetas e do ministério deles, o povo de Deus é levado a conhecer o pensamento de Deus e a ser restaurado àquilo que Deus espera dele. Isso é ministério profético.
Em nossos dias, precisamos buscar o Senhor para que Ele levante alguns profetas — verdadeiros profetas de Deus: aqueles que buscam a face de Deus, aqueles que consultam a Deus para conhecer o Seu pensamento a respeito do Seu povo hoje, aqueles que são capazes de compartilhar conosco o pensamento de Deus, para que saibamos o que devemos fazer e como podemos agradar a Deus e glorificar o Seu nome.
Aqui vemos que Deus levantou um homem naquele período: Ageu. Evidentemente, ele era um homem idoso. Quero mesmo encorajar os idosos. Provavelmente ele estava na casa dos noventa anos, por volta de noventa anos de idade. Mas, porque buscava a Deus, Deus o levantou como profeta.
O período em que profetizou foi bastante curto — apenas três meses. Ele falou poucas vezes, em três ocasiões diferentes.
No primeiro dia do sexto mês, no segundo ano de Dario, a palavra de Deus veio a ele duas vezes. No vigésimo primeiro dia do sétimo mês, a palavra de Deus veio a ele uma vez. No vigésimo quarto dia do nono mês do mesmo ano, a palavra de Deus veio a ele duas vezes. Ao todo, cinco vezes em três ocasiões.
Muito breve, muito curto — não foi muita coisa. Mas, ainda assim, essas eram as mensagens de Deus para o Seu povo. E, graças a Deus, Zorobabel, Josué e o remanescente deram ouvidos à voz de Deus.
Na verdade, não é pelo muito falar que as coisas se realizam. Basta que Deus fale, e então se fará.
Irmãos e irmãs, como precisamos pedir ao Senhor que Ele sempre fale conosco! Como precisamos buscar o Senhor para que tenhamos ouvidos prontos para ouvir, para que ouçamos o que Ele quer que ouçamos e respondamos a Ele!
A primeira vez que a palavra de Deus veio a Ageu, foi um desafio. Deus desafiou o Seu povo. O povo dizia: “Não é tempo de construir a casa”. Então Deus os desafiou, dizendo:
É tempo de habitardes em vossas casas revestidas de madeira?
Como vocês podem morar em suas próprias casas — casas revestidas de madeira — e permitir que a casa de Deus permaneça em ruínas durante quarenta anos, sem fazer nada?
Vocês não percebem que, durante esses anos, trabalham muito, mas obtêm pouco? Semeiam muito, mas colhem pouco. Comem, mas não ficam satisfeitos. Bebem, mas a sede não é saciada. Vestem-se, mas não se aquecem. Recebem salário, mas o salário é colocado numa bolsa furada.
Vocês percebem o que lhes aconteceu durante todos esses anos? Por que a vida de vocês é tão insatisfatória? Por que nunca há plenitude? Por quê?
Vocês não sabem? É porque correm para suas próprias casas e deixam a Minha casa em ruínas. Não sabem que estão sob a disciplina de Deus? Considerem isso.
Se tão somente obedecerem, subirem aos montes, trouxerem a madeira e construírem a casa, Deus disse:
Eu Me agradarei dela e serei glorificado.
Amém.
Irmãos e irmãs, onde está o nosso coração? Há uma letargia espiritual se abatendo sobre o nosso espírito? Estamos tão atentos e sensíveis à necessidade de Deus como estávamos no princípio?
Será que, com o passar do tempo, vemos a mesma coisa dia após dia, até que ela perde a sua impressão, o seu impacto sobre nós?
O maior perigo para o povo de Deus, que um dia ouviu o chamado de Deus, que um dia recebeu uma visão daquilo de que Deus necessita e que um dia respondeu a Deus — o maior perigo para essas pessoas é a letargia espiritual.
De tempos em tempos, precisamos ser despertados e acordados por meio de mensagens proféticas, para que consideremos essas coisas, coloquemos o nosso coração — fixemos o nosso coração — nelas, compreendamos qual é a nossa situação presente, nos arrependamos e sejamos restaurados ao nosso primeiro amor.
Assim que o espírito deles foi despertado, imediatamente, antes mesmo de porem as mãos na obra, veio a promessa de Deus:
Eu sou convosco, diz o Senhor.
Portanto, irmãos e irmãs, quando a palavra de Deus veio pela primeira vez por intermédio de Ageu ao remanescente dos judeus, foi um desafio e, depois, uma promessa.
No dia vinte e quatro daquele mês, Zorobabel, Josué e o remanescente começaram a trabalhar na obra.
Quase um mês depois, no vigésimo primeiro dia do sétimo mês — em outras palavras, cerca de um mês depois —, a palavra de Deus veio novamente por intermédio de Ageu. Por quê? Porque havia uma necessidade real.
Sabem, o remanescente levou quatro anos para reconstruir o templo, mas não levou nem um mês para perceber que aquilo que fazia jamais poderia ser restaurado à glória do templo construído por Salomão. Isso os abateu e desanimou.
Dentro de um mês, o remanescente começou a perceber que aquilo em que suas mãos estavam trabalhando, quando comparado à glória do templo de Salomão, era como nada aos seus olhos. Se era nada, valia a pena fazê-lo?
Irmãos e irmãs, se vocês não têm um coração voltado para o Senhor, podem ver o templo em ruínas como se não o tivessem visto. Podem passar por tudo aquilo; não os incomoda.
Mas, uma vez que o espírito de vocês é despertado, uma vez que o coração de vocês está voltado para a casa de Deus, a tentação é sempre esta: se ela não pode ser restaurada à glória anterior, então de que adianta fazer alguma coisa?
Esse é o problema. Queremos pôr as mãos na obra e restaurá-la à plena glória do templo de Salomão, porque é isso que pensamos que deveríamos realizar. Se isso não pode ser realizado, se aquilo que podemos fazer jamais poderá ser comparado àquela glória, então por que fazê-lo?
Muitas vezes, quando leio os capítulos 1, 2, 3 e 4 de Efésios, vejo a glória da casa de Deus — a casa espiritual cheia de glória. Então começo a olhar para a minha mão e digo: “Senhor, vale a pena? Ela não pode ser restaurada àquilo. Por que começar?”
Então a palavra de Deus veio por intermédio de Ageu a esse remanescente. Foi um consolo: “Quem há entre vocês que viu a antiga glória do templo de Salomão?” Alguns deles a tinham visto. O próprio Ageu provavelmente a tinha visto.
“E agora vejam o que estão fazendo. Não dizem no coração que isso é como nada?” Ah, Deus disse: “Não digam que é nada. Não digam isso”.
Aos olhos de Deus, não é o que é visível que importa. É o que é invisível. Não é o físico, mas o espiritual. Não é a aparência exterior; é a realidade interior que importa.
O templo construído por Salomão era majestoso, glorioso e esplêndido — construído com materiais preciosos, em grande abundância, imenso e grandioso.
E esse templo que o remanescente estava reconstruindo não era nada — não era nada. Mas Deus disse: “Eu não olho para a aparência exterior. Não atribuo valor às coisas materiais. É para o coração que estou olhando”.
Aquilo que é construído ali e que é do Espírito, que é real, permanecerá. Todos os materiais físicos e exteriores, mais cedo ou mais tarde, desaparecerão.
Deus disse:
Ainda uma vez, daqui a pouco, Eu abalarei os céus, a terra, o mar e a terra seca.
Tudo o que é material, tudo o que é físico, tudo o que é meramente exterior, todas essas coisas serão abaladas.
O templo de Salomão foi destruído. Até esse templo que eles construíram, mais tarde ampliado por Herodes, o Grande, também foi destruído no ano 70 d.C. Mas aquilo que Deus edificou jamais pode ser destruído.
Há uma cidade que tem fundamentos, cujo Arquiteto e Construtor é Deus, e ela jamais pode ser destruída.
Deus disse:
A glória desta última casa será maior do que a da primeira.
Como isso pode ser?
Quanto ao remanescente, eles olhavam para o templo que estavam construindo e diziam: “Bem, este é o segundo templo, e a glória do segundo templo jamais poderá ser comparada à glória do primeiro”.
Mas Deus disse: “Vocês estão enganados. Eu tenho apenas uma casa. Não tenho muitas casas”.
O tabernáculo construído por Moisés, o templo construído por Salomão, esse templo que vocês estão construindo e, mais tarde, a casa espiritual que Cristo edificará — todos eles são uma só casa.
Uma só casa. Por fim, tudo será consumado na cidade santa, a Nova Jerusalém. O que permanecerá ali? Não o ouro e a prata que Salomão colocou em seu templo.
É o ouro da natureza de Deus. É a prata da redenção de Cristo. Essas coisas serão encontradas na cidade santa, a Nova Jerusalém. O que os seus reis colocaram no templo não é nada; não é importante.
Não desanimem. Até mesmo pequenas coisas, quase nada, se forem feitas no espírito correto, se forem feitas para a glória de Deus, se forem feitas na vontade de Deus, são a casa de Deus.
Ah, irmãos e irmãs, se tão somente vocês pudessem ver isso, jamais ficariam desanimados.
Deus os consolou com uma segunda palavra. Portanto, foi uma palavra de consolo. Se vocês lerem 1 Coríntios 14, verão que aquele que profetiza fala para edificação, exortação e consolo.
Podemos dizer que a primeira palavra que veio de Ageu ao seu povo foi uma palavra de encorajamento. Deus os encorajou a começar a construção da casa. Na segunda vez em que a palavra de Deus veio por intermédio de Ageu, um mês depois, foi uma palavra de consolação. Deus estava consolando o Seu povo por meio da palavra profética.
Então, no vigésimo quarto dia do nono mês, a palavra de Deus veio por intermédio de Ageu pela terceira vez, e foi uma palavra de edificação — para edificá-los.
Ao vigésimo quarto dia do nono mês, no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor por intermédio do profeta Ageu.
Ageu profetizou pela primeira vez no primeiro dia do sexto mês, no segundo ano de Dario. O remanescente começou a reconstruir o templo no vigésimo quarto dia daquele mesmo mês. A segunda palavra veio no vigésimo primeiro dia do sétimo mês, e agora era o vigésimo quarto dia do nono mês.
Em outras palavras, o remanescente já estava trabalhando no templo havia cerca de três meses — cerca de três meses.
O nono mês era a época da semeadura de inverno, porque, em nosso calendário, o nono mês corresponderia a novembro ou dezembro. Depois da Festa dos Tabernáculos, que marcava o fim do ano, chegavam à época da semeadura de inverno e esperavam a chuva temporã.
Se tivessem a chuva temporã, teriam uma boa colheita. Portanto, era uma época importante. Por quê? Porque, antes disso, Deus lhes havia enviado uma seca. A terra estava seca; não havia chuva.
A situação na Palestina era esta: tratava-se de uma terra que manava leite e mel e, no entanto, era uma terra tão peculiar que dependia inteiramente da chuva. Se houvesse chuva, a terra produziria em abundância. Se não houvesse chuva, o solo se tornaria pó e não haveria nada.
Por que Deus os levou a um lugar assim — uma terra que manava leite e mel, mas que dependia inteiramente da chuva do céu? Porque Deus queria que o Seu povo dependesse Dele.
Deus disse: “Se vocês guardarem a Minha palavra, haverá chuva. Mas, se não guardarem a Minha palavra, Eu fecharei os céus, e então vocês verão o que acontecerá”.
O remanescente voltou. Voltaram para Jerusalém e para as cidades vizinhas. Voltaram para construir o templo, mas, porque interromperam a construção e começaram a construir suas próprias casas, semearam e começaram a colher, mas Deus lhes enviou seca. Não havia chuva.
Eles estavam sob a mão disciplinadora de Deus. Agora tinham caído em si. Começaram a reconstruir o templo, e já se haviam passado três meses.
Tinham semeado a semente de inverno e, irmãos e irmãs, começaram a se perguntar se Deus enviaria a chuva.
Segundo a lei, se guardassem a palavra de Deus e a Sua aliança, Deus os abençoaria. Deus abençoaria as suas plantações, os seus frutos, o seu gado e as suas ovelhas. Deus lhes daria alimento em abundância; não haveria falta. Deus lhes daria chuva em abundância.
Essa era a bênção que Deus havia prometido ao Seu povo. Se vocês lerem Deuteronômio 6, encontrarão isso. Se lerem Deuteronômio 28, encontrarão isso. Deus disse: “Se vocês guardarem a Minha palavra, se forem fiéis a Mim, então Eu os abençoarei”.
É claro que, entre essas bênçãos, havia as bênçãos da natureza. Mas, no mesmo capítulo, Deuteronômio 28, vemos que Deus disse: “Se vocês forem infiéis, então a maldição estará sobre vocês”.
Portanto, eles tinham estado sob uma espécie de maldição, e agora haviam respondido a Deus. Tinham posto as mãos na obra durante três meses e semeado a semente de inverno, mas ainda assim nada acontecia.
Começaram a perguntar: “E agora? Era realmente a disciplina de Deus ou foi apenas um acaso? Agora voltamos para Deus. Será que Deus voltará a nos abençoar?”
Enquanto trabalhavam no templo, talvez olhassem para o céu e se perguntassem o que aconteceria. Ah, irmãos e irmãs, vocês precisam compreender como eles se sentiam naquela época.
Então veio a palavra por intermédio de Ageu para edificar a fé deles.
É verdade: para os filhos de Israel, que eram o povo terreno de Deus, todas as promessas e bênçãos de Deus eram terrenas. Se obedecessem a Deus, Ele os abençoaria com alimento em abundância, com uma grande família, fazendo deles a primeira entre as nações, e assim por diante — todas bênçãos terrenas.
Como povo terreno de Deus, eles esperavam essas bênçãos. Se essas bênçãos não viessem, algo devia estar errado. Se Deus as retivesse, a fidelidade deles estaria em questão.
Porque eram o povo terreno de Deus, depois de terem sido fiéis à lei durante três meses, esperavam diariamente que as bênçãos de Deus viessem sobre eles. Quando as bênçãos de Deus foram retidas, começaram a se perguntar por quê.
Mas, irmãos e irmãs, quem somos nós? Somos o povo terreno de Deus? Somos o povo celestial de Deus.
Deus prometeu a Abraão que a sua descendência seria como a areia da praia e como as estrelas do céu. Em certo sentido, os filhos de Israel eram a areia do mar, e nós somos as estrelas do céu.
Como povo celestial de Deus, Deus também nos prometeu as Suas bênçãos. Mas quais são as Suas bênçãos? Em Efésios 1, está escrito que Deus nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
Devemos esperar que Deus abençoe os nossos celeiros, abençoe os nossos campos, abençoe os nossos negócios e nos torne prósperos, ricos e grandes neste mundo? Devemos esperar isso de Deus?
Não estou dizendo que Deus não nos abençoará dessa maneira, mas essas coisas vêm como acréscimo.
Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça; e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
Mas essas coisas não são o principal.
A bênção que Deus nos prometeu é a bênção espiritual. Se obedecermos ao Senhor e O seguirmos, haverá muito fruto em nosso campo — o fruto do Espírito: amor, paz, alegria e assim por diante.
Se realmente amarmos o Senhor, não haverá falta de filhos, netos e bisnetos. Haverá muito crescimento da vida de Cristo. Essas são bênçãos espirituais.
Receio que hoje o povo de Deus esteja tentando voltar ao relacionamento com Deus sob a antiga aliança. Preferem ser o povo terreno de Deus a ser o povo celestial de Deus.
Devemos pedir a Deus que nos abençoe? Devemos. Devemos. Não podemos viver sem as Suas bênçãos, irmãos e irmãs.
Antes de conhecermos a Deus, podíamos viver sem a Sua bênção, porque não precisávamos Dele. Mas agora, desde que O conhecemos, não podemos viver sem a Sua bênção. Precisamos Dele. Temos de depender Dele.
Jacó podia viver por si mesmo. Podia usar a própria esperteza para acumular riquezas. Mas, quando Deus tocou a sua coxa e ele ficou manco, agarrou-se ao Anjo do Senhor e disse: “Abençoa-me, ou não Te deixarei ir”. Por quê? “Estou manco. Sem a Tua bênção, não posso viver.”
Ah, irmãos e irmãs, como povo de Deus, devemos esperar as bênçãos de Deus. Por quê? Porque dependemos de Deus. Se Ele não nos abençoar, não podemos fazer nada.
É uma vida de dependência de Deus. Mas, é claro, ao buscar a bênção de Deus, não buscamos coisas terrenas. Elas podem ser acrescentadas, mas não são o principal.
Ao buscar a bênção de Deus, devemos buscar o Senhor para que Cristo cresça em nós, para que a Sua natureza seja encontrada em nós, para que sejamos usados por Ele para o avanço do Seu reino e da Sua justiça, e para que sejamos frutíferos em todos os aspectos.
Essas são as bênçãos pelas quais devemos buscar o Senhor. Devemos, sim.
Quando a bênção é retida, é hora de examinarmos a nós mesmos diante do Senhor. Por que a bênção está sendo retida? Devemos examinar a nós mesmos.
Para os filhos de Israel, depois de terem sido fiéis à lei durante três meses, era hora de perguntar. Então Deus lhes respondeu. Deus lhes respondeu.
Deus disse a Ageu que fizesse aos sacerdotes duas perguntas teológicas — duas perguntas a respeito da lei. Queridos irmãos e irmãs, tenho meditado muito nessas duas perguntas, e preciso confessar que não as compreendo plenamente.
Vou tentar explicar um pouco, mas preciso dizer que não estou satisfeito com a compreensão que o Senhor nos mostrou.
Deus pediu a Ageu que perguntasse aos sacerdotes porque os sacerdotes eram aqueles que deveriam explicar, interpretar e aplicar a lei.
A primeira pergunta era esta: se a carne santa — isto é, a carne oferecida a Deus — estiver envolvida na orla de uma veste, e essa orla tocar no cereal, no azeite ou em algum alimento, ela tornará o alimento santo? Os sacerdotes responderam: “Não”.
Segundo Levítico 6, a carne santa que toca em alguma coisa torna essa coisa santa. Portanto, a carne santa, estando na orla, santifica a orla. Ela realmente santifica a orla. Mas a orla santificada não pode santificar o alimento em que toca. Vocês percebem o ponto?
A carne santa realmente santifica a orla, mas a orla, por sua vez, não pode tornar santo o alimento com que entra em contato. Segundo a lei, a resposta é não. Os sacerdotes estavam certos.
Então vem a segunda pergunta: se uma pessoa estiver contaminada pelo contato com um cadáver — segundo a lei, uma pessoa contaminada pelo contato com um cadáver ficava impura durante sete dias. Se passasse pela purificação, eram necessários sete dias de purificação para torná-la limpa. Se não passasse pela purificação, seria excluída da congregação de Israel.
Portanto, a pergunta era: se uma pessoa estiver contaminada pelo contato com um cadáver e tocar num alimento, ela o contamina e torna o alimento impuro? A resposta era: “Sim”.
Agora, irmãos e irmãs, o que significam essas duas perguntas e respostas? Realmente, eu não sei. Talvez elas nos digam alguma coisa.
A carne santa pode tornar santa a orla. Isto é, até mesmo a santidade não vai além da orla. Mas a impureza proveniente do cadáver vai muito mais longe.
Sob a lei, a impureza tem um impacto maior do que a santidade. Por quê? Porque a santidade sob a lei é algo exterior, não uma natureza interior. A impureza toca a natureza da pessoa.
É claro que, nos tempos do Novo Testamento, a santidade já não é um ato; é uma Pessoa. Cristo é a nossa santidade. Se Cristo é a nossa santidade, Ele não apenas nos torna santos, mas, se tocarmos outras pessoas, podemos exercer sobre elas a Sua influência crescente. Por quê? Por causa Dele.
Mas, sob a lei, isso é exterior. Portanto, sob a lei, vemos que o efeito mau da impureza é maior do que o efeito bom da santidade.
Essa provavelmente é uma das razões. Outra razão está na aplicação. Podemos não compreender as duas ilustrações, mas conhecemos a aplicação. Por quê? Porque Deus veio a Ageu e disse: “Assim é o Meu povo. Eles são assim. Portanto, tudo o que fazem é impuro”.
O que Ele quer dizer, irmãos e irmãs? Eles também ofereciam sacrifícios e, porque ofereciam sacrifícios, eram considerados uma nação santa.
Mas Deus olha para o coração. Embora oferecessem sacrifícios e fossem considerados uma nação santa, seus corações não eram circuncidados. Estavam contaminados pelo cadáver — a carne.
Exteriormente, ofereciam sacrifícios. Quanto à sua posição, eram conhecidos como uma nação santa. Mas, interiormente, ainda viviam na carne: incircuncisos de coração, impuros.
Voltaram para Jerusalém para construir a casa. Eram como a orla que havia envolvido a carne santa. Mas deixaram a casa de Deus em ruínas e foram cuidar dos seus próprios negócios. O coração deles não estava correto.
Deus não Se guiava pelo trabalho exterior deles. Deus Se guiava pelo coração interior deles. Por isso, Deus disse: “Tudo em que vocês tocam é impuro”.
Por isso, quando vão a um monte de vinte medidas, encontram apenas dez. Vão a um lagar para tirar cinquenta medidas, e há somente vinte. Deus disse:
Eu vos feri com queimadura, com ferrugem e com saraiva.
Porque tudo era impuro aos Meus olhos.
Eles disseram: “Mas já não temos sido fiéis durante três meses? Não deveria agora vir sobre nós a Tua bênção?”
Quando voltaram para o Senhor, a bênção de Deus de fato voltou para eles, mas houve um período de provação. Esses três meses foram meses de provação.
Esperavam que, no momento em que voltassem para Deus de coração, os céus se abrissem e a chuva caísse imediatamente. Deus disse: “Deixem-Me esperar um pouco. Deixem-Me ver se isso é real”.
Não porque Deus não saiba, mas porque nós não conhecemos o nosso coração. Assim, vemos que, durante aqueles três meses, eles estavam sendo provados.
Ah, irmãos e irmãs, se a bênção de Deus e a maldição de Deus viessem de maneira tão evidente — no momento em que vocês se afastassem de Deus, viria a maldição; no momento em que voltassem para Deus, viria a bênção —, então não haveria provação, penso eu.
Mas, sem provação, a fé não é preciosa. Portanto, durante aqueles três meses, Deus estava provando o Seu povo.
Na provação, há outra coisa envolvida: Deus quer ver se eles estão buscando as bênçãos de Deus ou se estão buscando a Deus.
Sim, Deus prometeu abençoar, mas voltamos em busca da bênção? Por que vocês voltam? Por causa Daquele que abençoa.
Irmãos e irmãs, onde está o nosso coração?
Quando voltamos para Deus de coração, esperamos a Sua bênção. Então a Sua bênção parece demorar, e começamos a nos perguntar por quê. Não há uma boa lição nisso para nós? Vocês voltaram em busca da bênção ou voltaram em busca de Deus?
É aí que a fé de Habacuque realmente brilha. Ah, irmãos e irmãs, vocês sabem que eu amo ler sobre a fé de Habacuque.
Ainda que a figueira não floresça,
Nem haja fruto nas videiras;
Ainda que falhe o produto da oliveira,
E os campos não produzam alimento;
Ainda que o rebanho seja exterminado do aprisco,
E não haja gado nos currais:
Todavia, eu me alegrarei no Senhor,
Exultarei no Deus da minha salvação.
O Senhor, o Senhor, é a minha força;
E Ele faz os meus pés como os das corças,
E me fará andar sobre os meus lugares altos.
Isso não é maravilhoso? Por um lado, devemos esperar que Deus nos abençoe. Mas, por outro, a nossa fé deve ir além da bênção, até o próprio Deus.
Eu me alegrarei no Senhor.
Exultarei no Deus da minha salvação.
O Senhor, meu Deus, é a minha força.
Deus encorajou aquelas pessoas, edificou a fé delas, para que não perdessem a fé. É verdade: elas tinham estado sob a mão disciplinadora de Deus durante aqueles anos. Agora haviam voltado para Ele de coração. Deus estava provando a fé delas.
Mas Deus lhes prometeu:
Desde este dia em diante, Eu vos abençoarei.
Ah, irmãos e irmãs, a bênção do Senhor virá se permanecermos fiéis e pacientes.
Deus estava edificando a fé deles. Por meio da fé e da fidelidade deles, viria a bênção de Deus; e, por meio das bênçãos de Deus, haveria muito fruto. Com muito fruto, a obra seria realizada.
Mas isso não é tudo.
Ah, irmãos e irmãs, muitas vezes penso que, quando Deus fala, Ele fala como Deus. Ele é exatamente como Deus, porque Ele é Deus. Ele não fala como o homem.
Se Ele falasse como o homem, esse deveria ser o fim do livro de Ageu. Mas Deus ainda não estava satisfeito. Deus disse:
E a palavra do Senhor veio pela segunda vez a Ageu, ao vigésimo quarto dia do mês.
Pela segunda vez. Nós pensaríamos que, na primeira vez, Deus já havia falado o suficiente. Sua bênção nos foi prometida, e a nossa fidelidade será ricamente recompensada. É isso que estamos buscando, e já o temos.
Mas Deus disse: “Não, não. Tenho em vista algo muito maior e melhor”.
Fala a Zorobabel, governador de Judá, dizendo: Eu abalarei os céus e a terra;
E derrubarei o trono dos reinos; e destruirei a força dos reinos das nações; e derrubarei os carros e os que neles andam; e os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada de seu irmão.
Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, Eu te tomarei, ó Zorobabel, Meu servo, filho de Sealtiel, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque Eu te escolhi, diz o Senhor dos Exércitos.
Deus diz: “Isso é apenas uma pequena antecipação da Minha bênção. Mas qual é realmente a Minha bênção?”
A bênção do Senhor é esta: “Eu abalarei os céus e a terra. Destruirei todas as nações, os carros e os cavalos. Tomarei você como o Meu anel de selar, porque Eu o escolhi”.
Irmãos e irmãs, vocês sabem o que é um sinete? É um anel de selar.
Antigamente, reis, nobres e pessoas ricas usavam um anel. A assinatura, o nome ou as iniciais deles eram gravados naquele anel de selar.
Em cada documento, em cada contrato, em tudo, eles simplesmente colocavam o seu sinete. Em outras palavras, carimbavam ou selavam aquilo com o seu sinete, e pronto. Isso é um sinete.
Há duas coisas. Antigamente, uma pessoa nunca se separava do seu sinete. Ela o conservava e o guardava como a própria vida. Por quê? Porque, se alguém pegasse o seu sinete, poderia colocar a sua assinatura nas coisas e obtê-las.
O seu sinete representa você — o seu nome, o seu poder, a sua autoridade, as suas posses, a sua herança, tudo o que diz respeito a você. Por isso, antigamente, as pessoas guardavam os seus sinetes com muito cuidado.
Deus disse a Zorobabel: “Eu farei de você o Meu sinete”. Haverá um relacionamento inseparável entre você e Mim.
Em Cântico dos Cânticos, vemos a jovem, a noiva, clamando ao Noivo:
Põe-me como selo sobre o Teu coração, como selo sobre o Teu braço.
“Jamais serei separada do Teu amor. Jamais serei separada da Tua força.” Uma união inseparável.
Ah, irmãos e irmãs, é isso que se quer dizer ali.
E, em segundo lugar: quando vocês colocam o sinete em alguma coisa, vocês a selam. A sua imagem é estampada, impressa no documento ou no que quer que seja.
Naturalmente, Zorobabel é um tipo de Cristo. Deus tem em vista aquele dia em que os reinos da terra serão destruídos e em que o reino de Cristo virá e será estabelecido.
Então vemos que tudo terá a marca de Cristo. Ele é dono de tudo, e tudo reflete a Sua natureza.
Não é a bênção do Senhor que sejamos conformados à Sua imagem? Ele é o sinete de Deus que foi impresso em nós.
Deus diz: “Vocês são Meus. Não apenas são Meus, mas são conformados à Minha imagem”. Que bênção pode ser maior do que essa?
Portanto, irmãos e irmãs, essa é a bênção do Senhor. Ah, graças a Deus! Ele prometeu àqueles que são fiéis a Ele que os abençoará.
Ele não apenas nos abençoará com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo Jesus, mas nos abençoará com o próprio Cristo.
Haverá uma união perfeita — sem mais separação — para todo o sempre.
Como o remanescente, com aquilo que não era nada aos seus olhos, pode concluir a obra? Como podemos nós? Prossigamos, pela fé e pela paciência, até que a nossa herança nos céus — o reino de Deus — se concretize.
Senhor, como Te louvamos e Te agradecemos! Tu és um Deus tão grandioso. Tu prometeste nos abençoar com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
E, mais do que isso, Tu prometes que seremos conformados à imagem do Teu Filho. Seremos unidos a Ele em um só espírito, para nunca, nunca sermos separados.
Ah, Senhor, é isso que buscamos. Tu nos encorajaste. Tu edificaste a nossa fé para que possamos prosseguir em Te agradar e edificar pela fé, e ver a Tua obra realizada.
A Ti sejam todo o louvor e toda a glória para todo o sempre, em Cristo Jesus. Amém.