Voltamos às profecias de Isaías. Nesta manhã, estamos avançando claramente para o outro lado da cruz, para além de Isaías 53.
Como destacamos ontem à noite, Isaías 53 abre e desimpede o caminho para Deus por meio da cruz. Então, depois de toda aquela tragédia, desponta um novo dia, uma nova perspectiva.
Quando chegamos a Isaías 54, temos o que podemos chamar de um capítulo que exemplifica a ressurreição. Assim como indicamos a respeito dos capítulos restantes dessas profecias, ele mostra o que é esse novo dia e o que o Senhor deseja que ele seja. Este capítulo, que vem logo em seguida, é um excelente exemplo desse novo dia de ressurreição.
Há oito aspectos, ou características, desse novo dia neste capítulo. Oito, como vocês sabem, é o número da ressurreição. Basta passar os olhos pelo capítulo e observar essas coisas.
O primeiro aspecto, em Isaías 54:1, é a passagem da esterilidade à fecundidade.
Canta, ó estéril, tu que não deste à luz;
rompe em cântico e clama em alta voz, tu que não tiveste dores de parto:
porque mais são os filhos da desolada do que os filhos da casada, diz o Senhor.
O segundo aspecto, em Isaías 54:2-3, é a passagem da fraqueza à ampliação.
Amplia o lugar da tua tenda,
e estendam-se as cortinas das tuas habitações;
não te detenhas: alonga as tuas cordas,
e firma as tuas estacas.
Porque te estenderás à direita e à esquerda;
e a tua descendência possuirá as nações,
e fará que sejam habitadas as cidades assoladas.
Como isso é verdadeiro a respeito da ressurreição do Senhor Jesus!
O terceiro aspecto, em Isaías 54:4-6, é a passagem da vergonha à honra.
Não temas; porque não serás envergonhada:
nem te confundas; porque não serás humilhada:
porque te esquecerás da vergonha da tua mocidade,
e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez.
Portanto, é a passagem da vergonha à honra.
Em Isaías 54:6-7, há a passagem do abandono à comunhão.
Porque o Senhor te chamou como a uma mulher abandonada e triste de espírito,
como a uma mulher da mocidade, quando é rejeitada, diz o teu Deus.
Por um breve momento te abandonei;
mas com grandes misericórdias te recolherei.
Do abandono à comunhão; e, depois, da ira à misericórdia:
Em ira transbordante escondi de ti o Meu rosto por um momento;
mas com benignidade eterna Me compadecerei de ti,
diz o Senhor, teu Redentor.
Vejam: quando olhamos para a cruz, todas aquelas coisas eram verdadeiras. Agora é ressurreição, e elas passaram. É uma mudança poderosa e maravilhosa.
Em seguida, em Isaías 54:11-12, há a passagem da aflição e da desolação ao consolo e à glória.
Ó tu, aflita, açoitada pela tempestade e sem consolo,
eis que assentarei as tuas pedras com belas cores,
e lançarei os teus fundamentos com safiras.
E farei os teus pináculos de rubis,
e as tuas portas de carbúnculos,
e todos os teus limites de pedras preciosas.
Da aflição e da desolação ao consolo e à glória.
Depois, em Isaías 54:14-16, há a passagem da opressão à segurança.
Em justiça serás estabelecida:
estarás longe da opressão, porque não temerás;
e do terror, porque não chegará a ti.
Eis que poderão reunir-se, mas não da Minha parte:
quem se reunir contra ti cairá por tua causa.
Eis que Eu criei o ferreiro que assopra as brasas no fogo,
e produz uma arma para o seu trabalho;
e Eu criei o assolador para destruir.
Isso nos leva ao último aspecto, em Isaías 54:17: da afronta à vindicação.
Nenhuma arma formada contra ti prosperará;
e toda língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás.
Esta é a herança dos servos do Senhor,
e a sua justiça que procede de Mim, diz o Senhor.
Certamente, este é um maravilhoso exemplo da vida, do poder e da glória da ressurreição.
Assim como fazemos em outras relações, também aqui transportamos tudo isso da história do Antigo Testamento para o Novo Testamento e para esta própria dispensação em que vivemos: o dia da ressurreição.
Como tudo isso foi, e é, verdadeiro, antes de mais nada, a respeito do Senhor Jesus. Havia o lado negativo: todas aquelas coisas que mencionamos — o despojamento, a esterilidade e a desolação da cruz; o aperto de que Ele falou:
Como estou angustiado até que se cumpra!
Havia vergonha e afronta; abandono, até mesmo por parte de Seu próprio Pai, Deus; a ira de Deus repousando sobre Ele. Ele foi afligido — afligido, oprimido, oprimido. Todas essas coisas eram verdadeiras em Isaías 53.
Agora todo o cenário mudou. E como essa mudança é verdadeira para o Senhor Jesus em ressurreição!
A fecundidade tomou o lugar da esterilidade. Sim, o grão de trigo, caindo na terra e morrendo, de fato produziu muito fruto. Hoje, aqui, somos apenas uma representação muito, muito pequena disso — fruto de muitas nações, mas representando tantas outras.
É uma grande alegria para nós, não é, saber hoje — e, em tantos casos, conhecer pessoalmente — a fecundidade de Seus sofrimentos, ao vermos Sua descendência. Da esterilidade à fecundidade; do aperto contra o qual Ele gemia à grande ampliação que Lhe sobreveio. Que ampliação!
Da vergonha à honra: multidões e multidões, desde então, e hoje em todo o mundo, rendem-Lhe honra abundantemente. E assim poderíamos continuar. Como tudo isso é verdadeiro a respeito do próprio Senhor Jesus em ressurreição!
Mas vocês também podem ver como isso se tornou verdadeiro para aquele pequeno grupo de discípulos. Poderíamos dizer que, em certo sentido, no momento da cruz, essas coisas negativas e sombrias eram verdadeiras a respeito deles.
Sim, tudo havia desaparecido. As árvores estavam completamente despidas. Era esterilidade, e, em seu coração, eles diziam: “Por que tudo desmoronou? Por que abrimos mão de tudo? Perdemos tudo. Tudo se foi”.
Vejam a mudança no dia de Pentecostes e daí em diante: da esterilidade à fecundidade. Mais uma vez, percorram toda essa lista de características.
Da estreiteza — um pequeno grupo, um punhado de homens, restritos a alguns quilômetros em Jerusalém, na Judeia e na Palestina, um pequeno país —, mas seu filho, São Paulo, foi por toda a terra, até os confins da terra. Que ampliação! O alongamento das cordas e o fortalecimento das estacas em ressurreição.
De sua solidão — a terrível, terrível solidão que se abateu sobre eles quando Ele, como pensavam, estava morto — surgiu e se estabeleceu uma maravilhosa comunhão, no relacionamento com uma comunidade crescente, cada vez maior, de irmãos na fé.
Sim, isso foi verdadeiro para os discípulos. Todas essas coisas aconteceram: essa maravilhosa transformação em sua experiência.
Mas isso termina aí? Termina aí? Não.
Aquilo que encontramos no Novo Testamento tornou-se verdadeiro para cada novo crente, e assim continuou até hoje. Estas são as verdadeiras características da vida do crente, se a vida do crente é, de fato, a vida de um verdadeiro crente.
Você está vivendo do outro lado da cruz, ou está vivendo no dia da morte Dele, vivendo apenas com a morte de Cristo? Isso não é a verdadeira vida cristã. Mas, se estamos vivendo como verdadeiros crentes, sobre a base de Sua ressurreição, todas essas coisas são verdadeiras.
São verdadeiras. É algo muito, muito real para nós, aqui nesta manhã, podermos dizer, sem qualquer hesitação, sem falar da boca para fora, como se diz: “Essas coisas são verdadeiras”.
Ele transformou nossa esterilidade em fecundidade. Ele transformou nossa vida de estreiteza em amplidão. Ah, que amplidão! Sim, Ele realmente nos deu um lugar espaçoso, um lugar muito espaçoso.
Ele mudou nossa condição da vergonha para a honra, do abandono e da solidão para a comunhão, e assim por diante. Esta é a herança de todo verdadeiro crente.
A ressurreição do Senhor Jesus — esta maravilhosa nota — é tocada e ressoa: uma nova vida, uma nova esperança, uma nova certeza.
Pois bem, assim é no Novo Testamento. Vocês veem o ápice da ressurreição.
Observem, quando puderem, o maravilhoso efeito que Sua aparição, ou Suas aparições, teve sobre as pessoas envolvidas. Pelo que podemos perceber, houve cerca de dez aparições do Senhor depois de Sua ressurreição. Cinco delas ocorreram no domingo, entre o nascer do sol e talvez um pouco depois do pôr do sol. As outras cinco se distribuíram ao longo de um período, em diferentes lugares.
Mas é muito interessante, muito impressionante e muito instrutivo observar a mudança que ocorreu entre o momento anterior à Sua aparição e o momento em que Ele desapareceu. Uma tremenda mudança se deu nas pessoas envolvidas e em tudo.
Percorram essas dez aparições. A primeira, sem dúvida, foi a Maria Madalena, que foi cedo ao túmulo com especiarias para ungir Seu corpo. Vocês se lembram da história. Não podemos descrever cada ocasião nesta manhã.
Mas que pessoa abatida, triste, desolada, como que estéril, ela era naquela manhã! Que tom de lamento há ali! Ela O vê sem reconhecê-Lo e toma-O pelo jardineiro:
Senhor, se tu O levaste daqui, dize-me onde O puseste, e eu O levarei.
Jesus apenas pronunciou seu nome: “Maria”. Toda a sua situação foi transformada, inteiramente mudada. Ela saiu às pressas do túmulo, correu para contar aos discípulos Dele.
Parece que havia outras mulheres por perto, e, enquanto ela e as outras iam contar aos discípulos, Jesus as encontrou no caminho. Outra cena e outra experiência transformadoras.
Então nos é dito que Ele apareceu a Simão. Não é preciso muita imaginação para perceber em que estado Simão se encontrava quando Jesus lhe apareceu.
Bem, ele não era um homem muito feliz. Não, se havia um homem que se sentia privado de tudo — privado de tudo, despojado, sem poder prosseguir, em completo desespero, sozinho, abandonado —, esse homem devia ser Simão Pedro.
Jesus lhe apareceu, concedeu-lhe uma aparição particular, um encontro particular. Sim, e isso mudou toda a situação, não é? Mudou e transformou toda a perspectiva de Simão.
E depois, aos dois discípulos no caminho de Emaús. Que homens infelizes eram aqueles! Que homens tristes! Que homens desolados, enquanto caminhavam entristecidos!
Foram as três milhas mais longas que dois homens já haviam percorrido a pé. Mas então Jesus apareceu. Seus olhos foram abertos; eles O viram; Ele Se foi.
Foram as três milhas mais curtas que homens já haviam percorrido correndo. Não sei se percorreram aquelas três milhas em um minuto, mas tenho plena certeza de que nem perceberam essas três milhas. A distância e o tempo perderam todo o significado. Eles simplesmente voltaram às pressas para contar aos onze.
Ah, todo o cenário havia mudado! Eles entraram e, antes que pudessem dizer qualquer coisa sobre o que lhes havia acontecido, foram recebidos com estas palavras daqueles que estavam em Jerusalém:
Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e apareceu a Simão.
Que cenário diferente encontraram ao chegar a Jerusalém!
E depois, aos próprios apóstolos e a alguns outros. Bem, será que devo percorrer cada uma das ocasiões, até chegar aos mais de quinhentos irmãos na Galileia? Sua aparição — isto é, Sua vinda em ressurreição —, em toda parte, em cada ocasião, produziu uma mudança poderosa em toda a situação.
Sim, Isaías 54 teve um cumprimento muito real no caso deles. É ressurreição; é ressurreição.
O que realmente nos interessa aqui, queridos amigos, é que isso se torne uma realidade para nós.
Poderíamos dizer novamente: “Sim, há muito tempo e muito longe daqui”. Mas não. Não. A grande pergunta que surge para nós é esta: temos alguma base para crer que essa pode ser a nossa experiência hoje, neste exato momento?
Quero dizer que o Novo Testamento nos apresenta uma base muito sólida para isso. Há muita coisa no Novo Testamento, depois que o Senhor foi para a glória, na experiência de homens e mulheres, que produz esse efeito.
Mais uma vez, eu teria de começar a conduzi-los pelo Novo Testamento. Vou conduzi-los pelo livro de Atos e olhar para aquele etíope: voltando para casa, decepcionado e desolado, triste e perplexo.
Sim, podemos dizer que, por meio de Seu servo Filipe e da palavra de Isaías 53 nos lábios de Filipe, o Senhor ressuscitado encontrou aquele homem. Tudo mudou. A última notícia que temos dele é que prosseguiu em seu caminho, cheio de alegria.
Foi uma vida transfigurada, uma situação transfigurada, porque ele havia entrado em contato com o Senhor ressuscitado. E, mais uma vez, poderíamos continuar. Vejam, cada um desses casos pede uma série de reuniões, não é? As maravilhosas transformações produzidas por um toque do Senhor ressuscitado depois que Ele foi para a glória.
A mudança que acontecia quando o Espírito do Senhor tocava as pessoas, entrava em sua vida, chegava aos seus lábios — às vezes elas enfrentavam muita perplexidade, opressão, sofrimento e aflição, e a ira dos governantes se voltava contra elas em vão; então saíam dali transformadas, cheias de alegria, cheias de esperança.
Pois bem, a dispensação terminou com o livro de Atos? O livro de Atos nunca teve uma conclusão. Ele foi interrompido. O Espírito Santo nunca pretendeu que Lucas escrevesse o fim daquela história, porque ela precisava continuar, continuar e continuar até o fim da dispensação.
O que era verdadeiro naquela época deve ser verdadeiro em nossa experiência agora. Sim, há muitas evidências e fundamento para isso.
Mas então você diz: “Sobre que base essa experiência pode ser minha? Como isso pode ser verdadeiro a meu respeito? Se a Escritura realmente nos dá aquilo que justifica a expectativa de que isso seja verdadeiro em nosso caso, se realmente temos na Palavra que deveria ser assim em nosso caso, então surge a pergunta: como pode ser? Como pode ser?”
Essa é a sua pergunta? Bem, quero dizer, tão rapidamente quanto puder e da maneira mais concisa possível, como isso pode acontecer — como realmente podemos conhecer essa realidade.
Antes de tudo, precisamos — com toda a firmeza — tomar nossa posição sobre a base que Deus nos proporcionou por meio da cruz do Senhor Jesus.
Isto é, precisamos receber todos os benefícios de Isaías 53 como aquilo que nos foi concedido e tomar nossa posição sobre essa base.
Quero dizer o seguinte, queridos amigos: Isaías 53 nos diz que tudo aquilo foi feito por nós.
Ele foi ferido pelas nossas transgressões,
Ele foi moído pelas nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele;
e pelas Suas pisaduras fomos sarados.
Ele levou sobre Si o pecado de muitos.
Todo o nosso estado e nossa condição sob condenação e juízo foram colocados sobre Ele pelo próprio Deus. Ele fez de Sua alma uma oferta pelo pecado. Esse é o lado divino.
Se você e eu ainda permanecemos nessa posição de questionamento ou dúvida quanto a o Senhor Jesus ter feito isso pelos nossos pecados — passados, presentes e futuros —, por nós, homens e mulheres; se permanecemos numa posição de questionamento a respeito daquela morte, não há esperança dessa experiência transformadora de ressurreição.
Se você ainda alimenta a condenação, se ainda abre seu coração ou sua mente à acusação, está, na prática, negando a obra do Senhor Jesus na cruz. E Deus não pode revelar Seu braço a você.
A quem foi revelado o braço do Senhor?
Nunca a qualquer homem ou mulher que ponha em dúvida a obra do Senhor Jesus em Sua cruz. Nunca.
Ah, não. Você precisa sair dessa posição — sair completamente dela, em todos os sentidos.
E, se você gosta tanto de duvidar e questionar, e insiste em se agarrar tão tenazmente à condenação, será que não pode se voltar inteiramente para a direção oposta e orientar toda essa capacidade de duvidar e de não crer para o outro lado?
Diga a respeito de sua condenação: “Não creio nisso. Isaías 53 diz que Ele tomou tudo isso por mim. Decididamente, não creio nisso. Não vou crer nisso. A cruz do Senhor Jesus me proíbe de crer que haja condenação”.
Sim, volte sua forte, poderosa capacidade de incredulidade para o outro lado. Que ela seja convertida.
E agora coloque-a contra toda essa obra do espírito acusador, da consciência acusadora, do coração acusador. Inverta completamente a direção de tudo isso.
Prestem atenção: vocês nunca, nunca conhecerão essa poderosa transformação e transfiguração da vida, em seus muitos aspectos, enquanto não tomarem firmemente sua posição sobre os benefícios que lhes foram assegurados em Isaías 53.
Você terá de adquirir a simplicidade de quem está começando: sente-se com esse capítulo e, como tantas vezes já se disse, coloque nele o seu nome.
Ele foi ferido por mim.
Ele foi moído pelas minhas iniquidades.
O castigo que me traz a paz estava sobre Ele.
Pelas Suas pisaduras fui sarado.
Você nunca entra na glória da ressurreição até que realmente se firme sobre essa base. Vejam, nós estamos sobre a base da morte. Precisamos repudiar nossa própria base.
Sim, senhor, eu sei disso muito bem, e milhares de outros também. Há Um que morreu em meu lugar. A fé, a fé, precisa reconhecer em Deus e em Cristo o pleno significado da cruz.
Então, em segundo lugar, precisamos assumir, em todo tempo, uma atitude afirmativa diante do poder de Sua ressurreição.
Deve ser essa atitude e essa posição de fé em Deus, Que ressuscita os mortos. Precisamos realmente contar com esse algo a mais, com essa outra realidade que o poder de Sua ressurreição representa.
É verdade que somos assim, que aquilo é daquele jeito e que as coisas são como são. Tudo isso é verdade. Não estamos colocando viseiras e tentando fingir que não somos tão ruins quanto somos, ou que as coisas não são tão ruins quanto são. Estão tão ruins quanto poderiam estar, por dentro e por fora.
Mas há algo além disso. Há algo a mais, há outra realidade, e essa é o poder de Sua ressurreição. Precisamos realmente assumir uma atitude afirmativa em todo tempo — em todo tempo — diante do poder de Sua ressurreição.
E então precisamos, evitando, é claro, transgredir as leis de Deus — tenho de acrescentar isso porque eu mesmo tenho feito isso ultimamente —, precisamos, evitando transgredir as leis de Deus, recorrer de maneira definida à Sua vida ressurreta.
Vocês estão se perguntando o que quero dizer com esse pequeno parêntese. Bem, se você prossegue por algo como onze semanas, com três, quatro ou cinco reuniões por dia, sem um único dia de descanso, está transgredindo a lei de Deus, e Deus não pode protegê-lo. Foi exatamente isso que aconteceu.
Ah, como demoramos a aprender essas lições! Levamos uma longa vida inteira para aprender. Somos atraídos pela necessidade, pelos apelos e assim por diante. Creio que o Senhor é muito compreensivo, mas, ainda assim, Ele não põe de lado Suas leis. Mas isso é uma observação à parte. De qualquer modo, aprendam a lição.
Portanto, tenho de dizer que, evitando transgredir as leis divinas — as leis de nosso corpo, e assim por diante —, precisamos, deliberadamente, em todo tempo, recorrer à Sua vida de ressurreição.
Por favor, vocês nunca podem falar das leis da natureza sem ter Deus em vista. As leis da natureza vêm de Deus, e Deus é o Senhor da natureza. Não estou pregando panteísmo, mas vocês entendem o que quero dizer. A lei da natureza coloca você em contato direto com Deus.
Assim, sem ofender a Deus pela transgressão de Suas leis no corpo e assim por diante, precisamos, deliberadamente, em todo tempo, recorrer à Sua vida de ressurreição. Precisamos fazer isso. Precisamos fazer isso.
Precisamos nos agarrar firmemente, por assim dizer, à vida ressurreta do Senhor e extrair dela o que necessitamos. Façam disso algo muito prático.
Quando eu era pequeno, minha mãe me disse algo de que me lembro até hoje. Ela estava me contando, descrevendo a morte de meu avô, um homem de oitenta e quatro anos.
Ela estava sentada ao lado de sua cama enquanto ele, lentamente, lentamente, se apagava. Ele era um homem muito forte fisicamente. Ela me disse: “Ele segurava minha mão com uma força tremenda. Eu estava orando por ele, mas ele ia se apagando aos poucos”.
“Não sei qual é a explicação científica disso, nem se há alguma verdade nisso, mas”, ela disse, “eu sentia que ele estava extraindo de mim a própria vida. Eu sentia minha vitalidade se esgotando. Ele estava tirando alguma coisa de mim para se agarrar à vida”.
“E, por fim, eu não consegui mais suportar. Tive de arrancar minha mão da dele. E, quando fiz isso, ele se foi”.
Bem, não sei o que isso significa, nem se realmente é verdade. Mas, para mim, é uma ilustração. Precisamos literalmente extrair vitalidade de nosso Senhor.
É uma atitude, um apego de fé: precisamos tomar posse da vida. Como Paulo disse a Timóteo:
Toma posse da vida eterna.
Deve ser algo que fazemos.
Sim, receio, queridos amigos, que sejamos vagos demais nessa questão de nosso relacionamento com o Senhor ressuscitado — vagos demais.
Cremos na ressurreição. Cremos na vida de ressurreição. Cremos que ela é para nós. Mas não somos suficientemente definidos a esse respeito.
Agora, comece dizendo: “Preciso da vida de ressurreição? Preciso? Estou necessitando do poder de Sua ressurreição?” É claro que, se você não percebe nenhuma necessidade, não tratará disso de maneira definida.
Mas, se de alguma forma você realmente sentiu sua necessidade do poder de Sua ressurreição — de que o braço do Senhor lhe seja revelado dessa maneira —, você reconhece sua necessidade?
Em segundo lugar, há fundamento nas Escrituras? Há fundamento nas Escrituras? Existe algo na Palavra de Deus que me autorize a crer que essa vida é para mim?
Então, a terceira coisa será: vou à Palavra para descobrir o que ela diz sobre isso. Vou reunir, pesquisar tudo o que a Palavra de Deus diz a respeito dessa questão da vida de ressurreição para mim.
É um exercício, não apenas um texto escolhido ao acaso. Mas o que a Palavra de Deus realmente diz sobre isso? Tenha sob os pés um fundamento sólido nas Escrituras.
Mas, se o Espírito Daquele Que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós,
Aquele Que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos
dará vida também aos vossos corpos mortais,
por meio de Seu Espírito, Que habita em vós.
Isso está na Bíblia.
Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus,
para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Isso é Escritura. Agora, dediquem-se a isso. Reúnam tudo, tudo o que puderem encontrar, e então levem ao Senhor.
Diga: “Senhor, Tua Palavra diz claramente — aqui está”. Você pode citar as Escrituras ao Senhor, se quiser. É muito saudável citar a Palavra a Ele, lembrá-Lo de Sua Palavra.
Diga: “Agora, Senhor, Tu disseste, Tu disseste que o poder da ressurreição deve ser conhecido agora em Teu povo, nos crentes. Tu o disseste. Aqui está Tua Palavra a esse respeito”.
Apresente a Ele tudo o que puder encontrar. Seja muito definido nessa questão. Leve-a ao Senhor.
Somos vagos demais. Poderíamos ver coisas maravilhosas, coisas extraordinárias, ter um testemunho muito maior da vida de ressurreição, se apenas fôssemos mais definidos nessa questão.
É assim que isso acontece. Não será por acaso. Não vai simplesmente acontecer. Se ficarmos enrolando nessa questão, não chegaremos a desfrutar de seus benefícios.
Mas aqui precisamos ser afirmativos. Precisamos ser definidos. Precisamos tornar isso algo muito real, porque não é apenas uma questão pessoal, para nosso próprio bem. Todo o testemunho de nosso Senhor ressuscitado está ligado a isso.
Agora, isso se aplica de muitas maneiras, é claro. Aplica-se a nós individualmente, espiritualmente. Vamos nos apropriar da Palavra para nós mesmos, espiritualmente, quanto à vida, quanto à ressurreição em nossa vida espiritual.
Muitos de vocês, sem dúvida, estão realmente necessitados de vida espiritual — de um novo suprimento de vida no espírito.
Pode ser no âmbito físico, e pode, sim, ser no âmbito físico. Bendito seja Deus porque podemos receber vida para nosso corpo. Podemos conhecer a vida de ressurreição de Deus nos sustentando através de situações físicas impossíveis, produzindo um maravilhoso testemunho. Sim, no âmbito físico.
Pode ser em relação ao nosso ministério. Podemos precisar de um novo suprimento de vida em nosso ministério, da manifestação de Seu braço por meio de nosso ministério.
Bem, é o mesmo princípio, vocês veem. Afinal, todo ministério precisa ser realizado no poder de Sua ressurreição, ou não é verdadeiro ministério espiritual. Não há outro.
Isso pode se aplicar à comunidade do povo do Senhor da qual fazemos parte, ou na qual talvez tenhamos alguma responsabilidade, e pela qual estamos muito preocupados. A grande necessidade é: “Ah, que o braço do Senhor seja revelado! Ah, que o poder da ressurreição seja manifestado!”
As coisas estão declinando — rumo à morte, à fraqueza, à desonra e assim por diante. Isso não glorifica a Deus. O que vocês vão fazer a respeito? Bem, o mesmo exercício.
Essa ressurreição do Senhor Jesus é para cada aspecto da vida do crente e da igreja. Mas ela não acontece simplesmente por si só.
Digo novamente: precisamos assumir uma atitude muito definida e afirmativa diante dessa questão. Se estivermos dispostos, se fizermos isso, alguns de nós sabemos, por uma longa história de experiência, que isso realmente funciona. Realmente funciona.
Nosso sustento, nossa capacitação, nossa provisão, nossa perseverança e nosso reerguimento, vez após vez, resultam de uma fé definida que se apropria do fato de que Cristo ressuscitou por nós.
Ele morreu por nós. Ele ressuscitou por nós. Ele morreu em nosso lugar. Ele vive em nosso lugar. Ele é o Senhor vivo — tudo.