Continuamos na linha que seguíamos ontem, tendo como guia as palavras do primeiro versículo de Isaías 53:
“A quem foi revelado o braço do Senhor?” — Isaías 53:1
O braço do Senhor — estamos examinando essa pergunta por vários ângulos, buscando sua resposta mais completa.
Creio que a maioria de vocês, de uma forma ou de outra, diria que há uma necessidade muito grande de o Senhor manifestar Seu poder. Talvez isso fosse uma confissão pessoal. Individualmente, diríamos: “Há uma grande necessidade de o Senhor fazer alguma coisa em minha vida, fazer coisas novas e realizar coisas poderosas em mim pessoalmente e em minha situação — talvez em meu ministério”.
Muitos outros diriam que, no círculo de crentes com o qual estamos ligados e nos relacionamos, há uma grande necessidade de o Senhor agir com poder e fazer alguma coisa. Podemos ampliar ainda mais o alcance e dizer que há uma necessidade muito grande, em toda a Igreja de Deus e em todo o mundo, de o Senhor realizar algo poderoso.
Penso que a maioria de vocês compartilha dessa convicção e dessa percepção. A quem, então, é revelado o braço do Senhor? Essa é a nossa pergunta nesta ocasião.
Agora, antes de prosseguir nesse assunto, vou apresentar a vocês uma situação hipotética.
Suponhamos que houvesse um paciente com um quadro muito complicado, grave e doloroso. Esse paciente poderia ser nós mesmos, nossa comunidade, a Igreja ou o mundo.
Suponhamos que um paciente apresentasse uma condição tão grave e que chegasse um médico que, após uma análise séria e paciente, com considerável experiência, conhecimento e uma boa dose de autoridade, chegasse a uma conclusão bastante definida sobre o caso. Ele sabia que tinha o remédio. Não tinha dúvida alguma quanto a isso.
Mas, ao se aproximar da situação e do paciente, ele encontra uma ou duas dificuldades que se apresentam como obstáculos ao seu desejo de ajudar.
Primeiro, ele precisa explicar que seu tratamento será doloroso. Não será agradável. Irá contrariar inteiramente todas as inclinações naturais do paciente. Exigirá uma cooperação verdadeira, talvez por um período prolongado, requerendo muita paciência, fé e perseverança junto ao médico nesse processo.
Então ele se depara com outra coisa. O paciente diz: “Já ouvi falar desse tratamento. Já ouvi falar dele muitas vezes”. A reação é: “Bem, já ouvi tanto sobre isso. Quer dizer, você fala tanto disso. Acho que você é um homem de um assunto só. Não tem nada além dessa única coisa. Talvez seja um obcecado por isso”.
“Você não pode variar um pouco? Não pode apresentar outras abordagens, um pouco mais aceitáveis, mais agradáveis? Precisamos ficar presos a essa única coisa?”
E então vem a terceira coisa: “Bem, sabe, isso não é muito popular. A opinião pública tem suas críticas a respeito, e há muitas opiniões diferentes sobre o assunto”.
Essas são as coisas com as quais ele se depara. O que deve fazer? O que vocês diriam que ele deve fazer? Deve ceder a esses obstáculos, abandonar a situação e o caso? Eu diria: “Continue com o trabalho”.
Agora, se eu fizer outra pergunta, seguirei o assunto por outro ângulo — pelo lado do paciente. Qual deveria ser a atitude lógica do paciente nessa questão?
Não deveria ser esta: “Bem, a situação é grave. Não há dúvida quanto a isso, e é muito complicada. Quais são as alternativas? Conheço alguma alternativa? Há perspectivas em outras direções, outros caminhos e meios?”
“Será que realmente dei a esse tratamento uma oportunidade justa? E, sendo perfeitamente honesto, percebo a gravidade de minha condição o suficiente para deixar de lado toda a opinião pública, todos os sentimentos e reações pessoais, gostos e aversões, e realmente me entregar a esse tratamento?”
Agora, queridos amigos, embora essa seja uma suposição e uma apresentação hipotética, essa é exatamente a situação em que nos encontramos.
Não há dúvida de que existe uma grande necessidade na vida espiritual do povo de Deus — a necessidade de Alguém intervir com algo que resolva o problema, supra a necessidade, esclareça a situação, coloque as coisas em ordem e realize uma verdadeira obra de cura. Não é verdade?
E, no entanto, todos esses argumentos estão por aí. “Há tanta conversa sobre essa coisa em particular. Já ouvimos isso repetidas vezes. A opinião pública está tão dividida sobre esse assunto. E isso contraria inteiramente a nossa natureza.”
Bem, isso não depende destas duas coisas: de reconhecermos que a situação é suficientemente grave para nos levar a deixar de lado todas as considerações secundárias, dar realmente uma oportunidade justa a esse tratamento e experimentá-lo; e de examinarmos nossas alternativas? Temos alguma alternativa? Há alguma perspectiva de que toda essa situação melhore por outro caminho?
A essa altura, vocês estão dizendo: “Qual é o caminho? Qual é o remédio? Do que você está falando?”
Talvez alguns de vocês já tenham chegado às suas conclusões. O remédio — o único remédio, o remédio seguro para todos os nossos males espirituais — é a cruz: a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.
Ela não é agradável. Não é prazerosa. Contraria todos os nossos gostos e inclinações. Não é popular. A opinião cristã está profundamente dividida sobre essa questão da obra da cruz.
Mas, afinal, continuamos com a nossa condição. Continuamos com ela. Continuamos com nossas necessidades. Continuamos com a situação.
Quer vocês percebam isso ou não, a situação no cristianismo, entre os cristãos, é muito, muito crítica. Examinem-na de qualquer ponto de vista. Toda essa questão da divisão entre o povo do Senhor é uma praga. É uma doença insidiosa, ativa e profundamente arraigada. É algo maligno. Está comprometendo toda a estrutura da Igreja de Deus.
Poderíamos examinar essa questão por muitos ângulos e constatar, sem exagero, que a situação é realmente grave.
A Palavra de Deus nos oferece esse único remédio. Ele está plena e inteiramente documentado. Tem o respaldo da autoridade mais firmemente estabelecida. Tem demonstrado repetidas vezes, na vida individual e na vida coletiva, que é a resposta.
Ele está ali. Está estabelecido. Não há alternativas. A Palavra de Deus não nos oferece alternativa alguma, nenhuma perspectiva por outro caminho. A cruz é a resposta.
Bem, essa é a minha introdução nesta tarde — minha maneira de abordar esse assunto. Voltamos, então, a Isaías, a essa seção que começa no capítulo anterior. Já apontamos a infeliz divisão dos capítulos: Isaías 53 deveria começar em Isaías 52:13.
Essa seção, de Isaías 52:13 até o fim de Isaías 53, apresenta a cruz como o remédio para situações multifacetadas e extremamente complicadas neste mundo.
Vocês veem todas as coisas que compõem a situação. Juntem-nas e, quando reconhecerem o que significam, dirão: “Nossa, que situação!”
Pecado.
“O Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos.” — Isaías 53:6
Pecado — a palavra aqui se refere aos nossos erros, às nossas falhas. Transgressões — uma palavra mais forte — significa nossas rebeliões. Iniquidade significa nossas perversidades.
Erros, falhas, rebeliões e perversidades: esses são os começos da enfermidade. Doenças, aflições, dores — vocês compõem o quadro com as palavras do capítulo, juntam tudo e dizem: “Bem, esse paciente está em péssimo estado. De fato, o quadro é grave”.
O capítulo como um todo tem por objetivo mostrar que a cruz do Senhor Jesus é o remédio para tudo isso, a resposta para tudo isso. Pela cruz do Senhor Jesus, toda essa situação é tratada e resolvida. Esse é o resultado apresentado neste capítulo.
Mas aqui precisamos recuar por um momento para considerar duas coisas. Uma pergunta é feita nesse ponto, e o restante do capítulo é a resposta a essa pergunta:
“A quem foi revelado o braço do Senhor?” — Isaías 53:1
Entendamos o braço do Senhor como Deus intervindo nessa situação — intervindo com perícia, intervindo com poder, com sabedoria, com capacidade para tratar e eliminar essa situação. Esse é o braço do Senhor.
O fato é que a cruz é a resposta. A cruz é o braço do Senhor intervindo — intervindo com poder em relação a toda essa situação, em todos os seus aspectos e em cada detalhe. A cruz é o braço do Senhor.
É o braço do Senhor contra toda essa condição. A cruz se opõe a toda essa condição. Isso, naturalmente, é perfeitamente evidente. O braço do Senhor é contra esse estado de coisas.
É o braço do Senhor visando a uma nova condição, a um fim claramente definido. Esse fim é a nossa segunda consideração.
O objetivo do braço do Senhor é a exaltação e a vindicação de Jesus Cristo. O braço do Senhor atua para isso.
Mas a exaltação e a vindicação de Jesus Cristo exigem que a cruz resolva essa situação. Foi porque a situação foi resolvida no Calvário que Jesus foi exaltado e vindicado.
Esse é o fim para o qual o braço do Senhor se estende e se revela. Em outras palavras, esse é o fim que a cruz tem em vista e assegura: a exaltação e a vindicação de Cristo em poder e em posteridade.
Essas duas coisas delimitam toda essa seção. Observem Isaías 52:13:
“Eis que o Meu Servo procederá com prudência; Ele será exaltado e elevado; e será mui sublime.”
Isso está bem no início. Bem no fim do capítulo, lemos:
“Verá a Sua posteridade.” — Isaías 53:10
“Verá o fruto do trabalho da Sua alma.” — Isaías 53:11
Em poder, mui sublime, e em posteridade — Sua descendência, em outras palavras, Sua Igreja — Ele é vindicado e exaltado. Exaltado e vindicado; e isso se dá pela cruz.
Queridos amigos, isso nos toca muito de perto, porque o primeiro desafio de toda essa questão diz respeito ao nosso interesse — nosso interesse pela devida exaltação e pela devida vindicação de Jesus Cristo.
Façamos individualmente esta pergunta a nós mesmos: até que ponto estamos realmente empenhados na exaltação e na vindicação do Senhor Jesus?
Não tenho dúvida alguma de que, se eu me aproximasse de vocês individualmente e lhes perguntasse, ou se pedisse que, como grupo, dessem um sinal a respeito disso, vocês diriam: “Estou profundamente empenhado na exaltação do Senhor Jesus. De fato, não há nada que eu desejaria mais, nem por que trabalharia mais, do que a exaltação do Senhor Jesus e Sua vindicação. Ele deve ser vindicado. Por que coisa maior poderíamos viver ou trabalhar?”
Vocês diriam isso. Não tenho dúvida de que diriam, se eu lhes fizesse essa pergunta. Mas sabem, queridos amigos, a prova desse interesse — aquilo que mede esse interesse — é a disposição de vocês para aceitar a cruz.
Não há outro caminho para a exaltação e a vindicação do Senhor Jesus senão o caminho da cruz.
Demonstraremos se realmente nos importamos, e quanto nos importamos, pela medida em que estivermos dispostos a aceitar essa obra da cruz em nós mesmos, resolvendo toda situação que desonra o Senhor.
Ah, é tão fácil para nós falar, pregar, sobre a exaltação do Senhor Jesus — Sua entronização, Sua glorificação. Sim, é maravilhoso falar assim, e naturalmente se trata de algo grandioso — a Igreja de Cristo, a grande obra-prima de Deus, a Igreja que é o Corpo de Cristo. Como falamos sobre isso!
Mas a prova de que isso realmente, realmente tomou conta de nossa vida interior é justamente o quanto permitiremos que a cruz opere em nós. Essas coisas não são viáveis; não podem se tornar realidade — Sua exaltação e Sua Igreja — senão pela obra da cruz nos crentes.
Digo que o desafio surge imediatamente, e ele nos examina profundamente. Chegaremos a esse ponto. À medida que prosseguirmos, mais cedo ou mais tarde, chegaremos a esse ponto. Toda a nossa linguagem, toda a nossa conversa, todas as nossas pretensões e tudo o mais serão confrontados por isso.
“Sim, mas você está disposto a permitir que a cruz opere em você nesta questão específica, naquele relacionamento específico e nesta coisa a seu próprio respeito? E, nesta questão ligada às suas relações, você está disposto a deixar que a cruz trate disso?”
A resposta a isso demonstraria se, afinal, temos realmente interesse na exaltação e na vindicação de Cristo. Nosso interesse por essas coisas será demonstrado pelo valor que atribuímos à cruz e por nossa atitude em relação a ela.
Se dissermos: “Bem, já ouvimos tanto sobre essa cruz. É sempre esse único assunto”, se pudermos adotar qualquer atitude desse tipo, que de alguma maneira diminua a cruz, tornando-a algo menor do que Deus a fez, então isso prova que ainda não fomos tomados interiormente por esse interesse na exaltação do Senhor.
Ele jamais teria sido exaltado se não fosse por Sua cruz. Não se esqueçam disso.
“Pelo que também Deus O exaltou soberanamente.” — Filipenses 2:9
Ele Se tornou obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou soberanamente. Ele jamais teria sido exaltado, e, em princípio, nunca é exaltado, senão na medida em que a obra da cruz é realizada em Seu povo.
Se a cruz não está tratando das coisas em vocês e em mim, então o Senhor Jesus não é glorificado em nossa vida. E, quanto à Sua Igreja, ela jamais teria existido se não fosse pela cruz. Nunca pode existir sem a cruz. Seu começo, sua continuidade, seu crescimento, sua consumação — tudo se dá sempre pela lei da cruz. Cada pequeno acréscimo à Igreja, tanto espiritual como numérico, acontece por meio da cruz. Não há outro caminho.
Portanto, isso nos desafia e nos põe à prova profundamente. Agora, aqui novamente, o Espírito de Deus mostra que os caminhos e os meios de Deus são sempre positivos; não são negativos.
Quero dizer isso com ênfase, e quero que vocês o sublinhem em sua mente. Os caminhos de Deus são sempre construtivos, não destrutivos. Os caminhos de Deus sempre têm um propósito; não são fins em si mesmos.
Se a cruz é o caminho e o meio abrangente de Deus, que inclui tudo, entendamos agora, de uma vez por todas, que Deus, pela cruz, está trabalhando em direção a um fim — um grande fim. A cruz nunca se destina a terminar em destruição. Nunca se destina a terminar em algo negativo.
Deus está trabalhando para realizar algo grandioso, e usa a cruz dessa maneira positiva, desse modo.
Vejam, a deficiência em nossa compreensão da cruz se deve, em grande parte, a uma compreensão equivocada dela. Nosso equívoco é pensar que ela é destrutiva, que é negativa, que é morte. Recuamos diante disso.
Não queremos que nos falem o tempo todo sobre a morte da cruz. É possível pregar a cruz de modo a produzir morte, a produzir um estado de morte. Mas isso é pregar equivocadamente, e é uma compreensão equivocada. Essa não é, de modo algum, a interpretação que Deus dá à cruz.
Permitam-me repetir: o Espírito Santo mostra aqui claramente que os caminhos e os meios de Deus são sempre positivos, não negativos. Visam sempre a algo maior, não a algo menor — não a um fim, mas a uma nova plenitude.
Se pudéssemos realmente compreender isso, nossa visão da cruz seria transformada. O Senhor a aplica; o Senhor nos desafia com ela. O que fazemos? Recuamos. Não gostamos. Reagimos negativamente. Por quê?
Simplesmente porque não vimos que, nessa aplicação da cruz, Deus está decididamente empenhado em produzir algo maior do que jamais houve em nossa vida, em nossa situação, em nossa comunidade e em Sua Igreja.
Deus está decididamente operando por essa aplicação da cruz para obter algo incomparavelmente maior do que tudo o que já houve. Esse é o Senhor Deus. Deus não é um Deus negativo. Outros deuses são deuses negativos, mas nosso Deus não é um Deus negativo.
Ele não está trabalhando para levar as coisas à aniquilação, ao fim. Ele tem propósitos muito grandes diante de Si em todos os Seus caminhos e em todos os Seus meios.
O que realmente precisamos perceber, queridos amigos, é que, seja o que for que a cruz venha a negar — e ela negará algumas coisas —, seja o que for que ela negue, ela é o instrumento mais positivo de Deus para assegurar ganho espiritual, celestial e eterno.
A cruz é o instrumento mais positivo de Deus para assegurar a expansão daquilo que permanecerá para sempre.
Mas, tendo dito isso, nunca poderemos ter o sim de Deus — o braço do Senhor — até que tenhamos aceitado o não de Deus. Porque a cruz, em primeiro lugar, representa o não de Deus.
Mas, se nos apresentarmos e aceitarmos o não de Deus, então o caminho estará livre para entrarmos plenamente no sim de Deus. Prestem atenção: Seu nome não é “Não”. Seu nome é “Sim e Amém”. Ele é o Deus do Amém, da afirmação, do verdadeiramente, o Deus de propósito.
Portanto, é muito necessário avançarmos até esta convicção firme: Deus sempre intervém com a intenção de criar ou restaurar, de edificar e fazer crescer.
Poderíamos crer nisso a respeito do Senhor mesmo em nossos momentos mais devastadores. Em nossos momentos mais devastadores, quando tudo parece estar sendo tirado, quando estamos sendo despojados, despojados, e tudo está desaparecendo, isso parece um processo de redução. Pensamos que estamos vendo o fim se aproximar.
Se tão somente crermos que Deus está trabalhando não para pôr fim àquilo que tem valor, mas para ampliá-lo. Ele sabe por que está fazendo isso dessa maneira, mas essa deve ser a base de nossa confiança. Ele está arando. Está cavando. Ele tem em vista uma colheita. Tem em vista algo maior.
Ele sabe, digo eu, por que está fazendo isso dessa maneira. Nós não sabemos. Mas posso lhes dizer uma coisa: Deus está operando pela cruz para tornar as coisas seguras para Si mesmo.
Deus está operando pela cruz para tornar as coisas seguras para Si mesmo.
Suponhamos que o braço do Senhor fosse revelado a nós — a vocês, a mim. Suponhamos que o braço do Senhor fosse revelado na comunidade à qual estamos ligados, no lugar onde estamos, na obra em que estamos envolvidos. Suponhamos que o Senhor manifestasse Seu braço poderoso e o mostrasse trazendo prosperidade e crescimento. O que aconteceria?
O que aconteceria? Ah, sei que vocês não concordarão, porque não acham que isso seria verdade em seu caso. Mas é justamente aí que se percebe como o coração está enganado. Nosso coração está enganado. Sei o que aconteceria.
Vocês e eu entraríamos em cena. Vocês e eu começaríamos a andar de modo presunçoso em meio a essa coisa que está crescendo, se expandindo e prosperando, tornando-se algo digno de atenção. Andaríamos por aí como pavões com a cauda toda aberta.
E estaríamos usando, ainda que não literalmente, um distintivo — “Superintendente”, “Diretor-geral”, alguma coisa assim.
Começaríamos a falar sobre aquilo. As pessoas começariam a falar sobre aquilo, e como ficaríamos satisfeitos! Se a notícia se espalhasse, como ficaríamos lisonjeados!
Esse é o imenso perigo. Deus não correrá o risco de permitir que alguma coisa deixe de ser inteiramente dEle.
Vou lhes dizer uma coisa. Quero que vocês a repitam, a publiquem, escrevam sobre ela. Sabem, estivemos lá com os Irmãos e vimos o braço do Senhor revelado. Não há dúvida alguma quanto a isso.
Vocês terão de admitir, queridos amigos, que, se em apenas sete anos uma obra cresceu a partir de oito pessoas — separadas por cerca de trezentos e vinte quilômetros, quatro lá embaixo e quatro aqui em cima —, se em sete anos ela chegou a vinte mil pessoas, com mais de cinquenta assembleias, e continua crescendo, com grande estatura espiritual, vocês dizem: “Isso é o braço do Senhor”.
Não se pode entrar em contato com isso, vê-lo ou senti-lo sem dizer: “O braço do Senhor” — especialmente se vocês souberem quanto isso custou e souberem como todos são inteiramente dependentes do Senhor.
Se vocês observarem a profunda humildade, uma coisa que os impressionará é que aqueles que têm responsabilidades estão sempre procurando se ocultar. É algo belíssimo ver jovens que progrediram e receberam responsabilidades procurando o tempo todo se ocultar, permanecer fora de vista, e nunca se apresentar, a menos que sejam chamados.
É algo belo. Não me surpreende que o braço do Senhor seja revelado onde as coisas são assim.
Mas o irmão que agora ocupa o lugar de nosso querido irmão Watchman Nee, responsável, sob o Senhor, por toda aquela obra, disse-me novamente desta vez: “Irmão, quero que você saiba que o princípio do irmão Nee era este: procure manter as coisas tão pequenas quanto possível”.
“Procure manter as coisas tão pequenas quanto possível. E, se houver expansão e crescimento, que isso aconteça apesar de você. Que seja obra de Deus, e não porque você fez alguma coisa para tentar torná-las grandes.”
“Procure manter tudo pequeno e deixe Deus fazer, apesar de você, aquilo que Ele quer fazer.” Ele disse que esse era seu princípio de vida. “Essa é a explicação de tudo. Por isso, nunca, nunca tentamos tornar as coisas grandes. Não fazemos nada para torná-las públicas ou populares.”
“Peço-lhe que não divulgue, que não deixe isso se tornar conhecido. Mantenha-o resguardado.” Agora, talvez eu esteja contrariando seu pedido ao dizer isso, mas lhes digo em confiança, certo de que vocês respeitarão e honrarão o princípio.
É a isso que o braço do Senhor é revelado, queridos amigos. O Senhor precisa tornar as coisas seguras para Si mesmo, de modo que, se Ele estender Seu braço poderoso e fizer alguma coisa, vocês e eu não comecemos a nos apropriar do mérito.
Deve haver algo em nós que permaneça oculto e resguardado. Devemos ser um povo oculto, que permanece fora de vista. Não consigo expressar quanto isso é importante, mas aqui está.
Não seria essa uma das leis fundamentais mais profundas do braço do Senhor no que diz respeito ao cristianismo? Por que houve aquela grande expansão, como no princípio, que nunca teve paralelo ao longo dos séculos?
Porque a Igreja foi despojada e destituída, quebrantada e golpeada, ferida e perseguida. Porque pregava Cristo crucificado como a sabedoria de Deus e o poder de Deus, o mundo não a aceitava.
A isso foi revelado o braço do Senhor. A Igreja não estava tentando evitar o escândalo da cruz para encontrar um lugar neste mundo. Não, ela pregava a cruz. Pregava Cristo crucificado. Não se envergonhava disso. Custou-lhe tudo, e o braço do Senhor foi revelado.
Uma tremenda lição para nós, não é?
Portanto, voltamos a este ponto, vejam. Esse capítulo de Isaías, que é a quintessência do Novo Testamento e de todos os caminhos de Deus, mostra isto: o braço do Senhor é revelado ao Servo humilhado, esvaziado, desprezado e crucificado.
Essa é uma lei permanente, e não haja engano a respeito. Se vocês e eu tivermos um espírito de comando, um espírito impositivo, um espírito de autoconfiança ou qualquer coisa semelhante, o braço do Senhor não será revelado.
Mas digo novamente: se Ele está despojando, esvaziando e derramando, e parece estar reduzindo tudo a nada, está fazendo isso para tornar as coisas seguras, a fim de que possa estender Seu braço. Vocês crerão nisso?
Digo novamente: Ele é o Deus do positivo, não do negativo. Ele estenderá Seu braço se Lhe for permitido completar a obra perfeita de remover pela raiz tudo aquilo que tiraria a glória dEle.
Vocês e eu não sabemos quanto disso existe em nós, não é? Pensamos que chegamos ao fim de nós mesmos, que não resta nada em nós. Bem, não sabemos. Não sabemos o que aconteceria se toda a situação mudasse de repente, tomasse um rumo ascendente e começasse a se expandir. Entraríamos em cena novamente — essa carne incorrigível.
A cruz é o único caminho para a glória. É o grande instrumento que remove os obstáculos.
Agora, nesse ponto, naturalmente, abrimos outro campo de enorme importância. Quero que vocês observem que isso está em Isaías e situado em um lugar tão maravilhoso dentro de Isaías.
Suponho que vocês conheçam a estrutura dessa profecia. Os primeiros trinta e cinco capítulos tratam de uma ampla sequência de juízos, começando, como sempre, pelo povo de Deus. Essa é uma lei divina. Como Ele pode julgar o mundo antes de julgar Seu próprio povo?
Depois, os capítulos 36 a 39 são apenas um breve intervalo que trata de Ezequias. Então, de Isaías 40 a 66, vem a seção de restauração e reconstrução.
Agora, Isaías 53 está no meio dessa última seção. Isso é tão significativo. No meio dessa última seção de vinte e seis capítulos, que trata de novas perspectivas, restauração e reconstrução, há treze capítulos de cada lado de Isaías 53.
Esse é o centro da edificação e da restauração. Isso dá à cruz o lugar central na edificação e na restauração. É sempre assim, não é?
Depois de ouvir isso sobre Isaías, vocês poderiam reagir e dizer: “Bem, isso é história antiga — de muito tempo atrás e de muito longe”. Mas gostaria de abrir aqui um longo parêntese.
Tudo isso é trazido diretamente para a dispensação em que vocês e eu vivemos, e é trazido por meio da carta aos Romanos.
Vocês conhecem essa carta. A primeira seção apresenta a abrangência do juízo divino sobre toda a raça humana. Ela nos leva diretamente ao ponto central de Romanos 6: a cruz.
Esse capítulo foi colocado ali, nesse contexto, em oposição a toda a situação descrita anteriormente, para dizer que a cruz diz não, para sempre, a toda aquela velha humanidade.
A partir de Romanos 6, vocês avançam para o positivo, não é? Para Romanos 7 e Romanos 8. Estão saindo daquela velha situação e entrando em uma nova. Em Romanos 8, entram em uma perspectiva inteiramente nova, em uma abertura inteiramente nova.
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” — Romanos 8:1
Tudo aquilo que estava condenado foi tratado na cruz. Nenhuma condenação. Estamos em Cristo Jesus.
“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” — Romanos 8:2
Agora, toda essa nova e maravilhosa perspectiva está diante de nós. A que isso se resume? Diz o seguinte: Deus entrou em cena com o objetivo de lançar o fundamento de Sua maravilhosa e gloriosa Igreja e edificá-la.
Ah, esse sempre foi o movimento de Deus. Ele entrou em cena e examinou a situação para encontrar um fundamento para aquela Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante. E o que encontrou?
Encontrou todo aquele estado de coisas descrito nos primeiros capítulos da carta aos Romanos: uma descrição deplorável das coisas neste mundo. Que descrição! Vocês deveriam voltar a ela e lê-la novamente — o emaranhado, a complicação, o pecado, a corrupção.
Ah, quantos males estão naqueles primeiros capítulos de Romanos! Foi isso que Ele encontrou quando veio lançar um fundamento para Sua Igreja gloriosa.
Ele disse: “Não posso colocar um fundamento sobre isso. Não posso edificar Minha Igreja sobre isso. Preciso remover toda essa situação, queimá-la no fogo, eliminar todo esse estado de coisas”.
E a cruz faz isso. Assim, a cruz, como o poderoso altar de bronze, tratou daquele estado de coisas emaranhado e distorcido nas intensas chamas do juízo.
Agora Deus lançou Seu fundamento: Cristo crucificado. Depois disso, há uma nova perspectiva para a edificação da Igreja.
Preciso encerrar aqui nesta tarde. Talvez retomemos isso mais adiante. Mas vocês percebem? Esta é a interpretação da cruz: remover tudo aquilo que impede Deus de realmente prosseguir com o que deseja fazer, com o que tem em mente.
Ele veio com um propósito, mas encontra coisas no caminho. Ele diz: “Isso precisa ser tratado”, e Seu meio de tratar disso é a cruz — para abrir o caminho para uma nova perspectiva.
Precisaremos examinar novamente essa nova perspectiva.
Mas quero mesmo terminar, ainda neste ponto, voltando à nota positiva. Ah, creiam nisso. Quando ouvirem esta expressão, “a cruz”, guardem sua mente contra aquela reação repentina: “Ah, a cruz de novo — a cruz — e essa interpretação que se dá à cruz. Ah, é tudo isso; é só crucificação; é tudo negativo”.
Não aceitem isso. Não aceitem isso. Essa é a distorção que Satanás dá a esse maravilhoso instrumento de Deus para realizar Seus propósitos gloriosos.
Quando ouvirem “a cruz”, digam: “Isso significa perspectiva, meu amigo. Isso significa algo maior, não menor. Isso significa que o caminho está sendo desimpedido. Isso significa que o braço de Deus será revelado”.