Gostaríamos de ler o capítulo inteiro. É um capítulo bem curto.
Enquanto lemos, olhemos para o Senhor, para que Ele nos ilumine com a Sua Palavra.
E eu, irmãos, quando fui ter convosco, não fui com excelência de palavras ou de sabedoria, proclamando-vos o testemunho de Deus.
Porque determinei nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
E estive convosco em fraqueza, e em temor, e em muito tremor.
E a minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder:
para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.Todavia, falamos sabedoria entre os maduros; não, porém, uma sabedoria deste mundo, nem dos governantes deste mundo, que se reduzem a nada:
mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria que estava oculta, a qual Deus predeterminou antes dos séculos para a nossa glória:
a qual nenhum dos governantes deste mundo conheceu; porque, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória:
mas, como está escrito,As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,
E que não entraram no coração do homem,
Tudo quanto Deus preparou para aqueles que O amam.Mas Deus no-las revelou pelo Espírito; porque o Espírito perscruta todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus.
Pois quem, dentre os homens, conhece as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém conhece as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.
Mas nós recebemos, não o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus; para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.
As quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com as que o Espírito ensina; combinando coisas espirituais com palavras espirituais.
Ora, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus; porque lhe são loucura; e não pode conhecê-las, porque elas são discernidas espiritualmente.
Mas aquele que é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido.
Pois quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-Lo? Mas nós temos a mente de Cristo.
No primeiro capítulo desta carta, Paulo menciona a questão das divisões entre o povo de Deus. Por quê? Porque alguns dos crentes de Corinto diziam: “Eu sou de Paulo”. Isso é bastante lisonjeiro e, no entanto, é prejudicial. Outros diziam: “Eu sou de Apolo”, e outros ainda: “Eu sou de Cefas”.
Então o último grupo apareceu e disse: “Somos muito superiores a todos vocês. Somos exclusivamente de Cristo”.
Divisões entre o povo de Deus — esse é um problema muito sério, porque afeta o próprio significado e a própria natureza da igreja. A igreja é formada por aqueles que foram chamados para fora e reunidos no nome do Senhor Jesus. Ela é indivisível. Acaso Cristo está dividido?
A razão desse espírito partidário é que os crentes de Corinto viviam e andavam na carne. Eles não se apegavam ao nome do Senhor Jesus.
Além do nome do Senhor Jesus, eles buscavam outros nomes — grandes nomes. Não se contentavam apenas com o nome do Senhor Jesus.
A razão pela qual viviam na carne era que não conheciam a cruz — a cruz que põe de lado a velha criação e põe de lado a carne.
Oh, como precisamos nos apegar ao nome do Senhor Jesus, e como precisamos aceitar a operação da cruz na vida de cada um de nós. Isso nos manterá unidos.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de entrar no segundo capítulo.
Como mencionamos ontem à noite, a cidade de Corinto, naquela época, era uma grande metrópole da província romana da Acaia. Era uma cidade grande, muito culta, muito rica, mas também um verdadeiro centro de perversidade.
Quando Paulo estava a caminho daquela cidade, certamente esteve diante do Senhor. Ele não era alguém tão confiante em si mesmo que pudesse entrar em qualquer lugar seguro de si.
Era alguém que não tinha confiança na carne. Por isso, certamente buscou o Senhor antes de entrar naquela cidade — não porque estivesse, de alguma maneira, assustado com aquela cidade sofisticada.
Não, porque ele próprio nasceu em Tarso, uma cidade grande, e foi criado em Jerusalém, outra cidade grande. Mas certamente esteve diante do Senhor, buscando a Sua face para saber como deveria se dirigir àquelas pessoas e como deveria conduzi-las a Cristo.
Enquanto ponderava diante do Senhor, tomou uma decisão. A decisão era que, ao chegar à cidade de Corinto, nada saberia entre eles, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
Agora, vocês sabem, essa foi uma decisão muito difícil do ponto de vista dos sentimentos humanos. Por quê? Porque os habitantes de Corinto eram altamente intelectualizados. Gabavam-se de ser pessoas cultas, intelectuais. Ansiavam por sabedoria e conhecimento.
Paulo era alguém de grande erudição. Vocês se lembram de que até o seu juiz exclamou: “Paulo, será que o teu muito saber te levou à loucura?”. Ele era um homem de grande capacidade intelectual.
Ele poderia facilmente ter colocado o seu intelecto à altura do intelecto deles. Poderia facilmente tê-los vencido com o seu intelecto e os seus argumentos. Tinha capacidade para isso.
Mas eu me pergunto se ele aprendeu alguma coisa quando esteve em Atenas.
Vocês sabem, quando ele esteve em Atenas, outra cidade grande, as pessoas de lá não faziam outra coisa senão conversar, comentar e procurar ouvir alguma novidade. Por isso, Paulo tentou alcançá-las por meio dos filósofos delas.
E, se podemos dizer isso — é claro que não podemos julgar Paulo, e eu não vou chegar a nenhuma conclusão —, em certo sentido, algumas pessoas dizem que, de todo o trabalho de Paulo em vários lugares, parece que ele teve muito pouco êxito em Atenas.
Parece que os seus esforços em Atenas fracassaram. Por quê? Provavelmente porque ele estava tentando colocar o seu intelecto à altura do intelecto deles. Em vez de pregar o evangelho com simplicidade, estava tentando convencê-los por meio da filosofia.
Talvez tenha sido assim; eu não sei. Mas, se foi esse o caso, provavelmente ele aprendeu a sua lição ali.
Então, ao se aproximar da cidade de Corinto, ele se perguntava como deveria se dirigir àquelas pessoas: se deveria abordá-las no nível delas ou com a simplicidade que há em Cristo. Sua experiência em Atenas pode tê-lo influenciado. Eu não sei.
Mas, de qualquer forma, quando chegou à cidade de Corinto, estava decidido:
Nada saberei entre eles, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
Ele sabia muito bem que, ao pregar-lhes Jesus Cristo, e Este crucificado, seria considerado por aqueles coríntios um tolo, alguém que não sabia nada. Porque a mensagem da cruz é loucura para os homens.
Quem é Jesus? O próprio nome Jesus é um nome humilde — Jesus de Nazaré. É o nome de uma Pessoa que nasceu numa manjedoura, não num palácio; que foi criada em Nazaré, e de Nazaré nunca saiu nada de bom.
Um Homem sem instrução, que nunca frequentou uma escola rabínica, filho de um carpinteiro — desprezado, sem cultura. Jesus.
E, no entanto, esse Jesus é o Cristo, o Messias, o Ungido de Deus. Todo o propósito de Deus e toda a obra de Deus devem ser cumpridos e realizados nesse Jesus. É um paradoxo.
Humanamente falando, sempre esperamos que os nobres, os instruídos, aqueles que têm posição e aqueles que têm uma boa origem, por assim dizer, façam grandes coisas neste mundo. Isso é natural.
Como se pode esperar que Jesus seja o Cristo? Como se pode esperar que Alguém que nasceu numa manjedoura seja o Salvador?
Além disso, trata-se dEle crucificado. A cruz é um símbolo de vergonha e maldição.
Hoje nos gloriamos na cruz de nosso Senhor Jesus. Hoje as pessoas penduram uma cruz no pescoço. Mas, no tempo do Senhor Jesus, a cruz era um sinal de vergonha, maldição e morte.
Como pode Aquele que foi crucificado na cruz salvar as pessoas? O trono é um sinal de poder e glória, não a cruz.
Então, aqui vocês encontram um paradoxo. Quando Paulo começou a anunciar Jesus Cristo, e Este crucificado, isso era tão paradoxal que os homens o consideravam uma completa loucura.
Mas Paulo ponderou toda essa questão diante do Senhor. Ele sabia que em Jesus Cristo, e Este crucificado, há salvação. Aquelas pessoas de Corinto não precisavam de mais uma escola de ensino filosófico. Já tinham muitas.
O que elas precisavam era de Jesus Cristo, e Este crucificado. Isso era salvação.
Então ele foi para o meio delas e, durante dezoito meses, não anunciou nada além de Jesus Cristo, e Este crucificado.
Se vocês tivessem ido ouvir Paulo durante os seus dezoito meses em Corinto, ele teria apenas uma mensagem. Pensem nisso. Durante dezoito meses, ele não pregou nada além de Jesus Cristo, e Este crucificado.
Ele pregava Jesus Cristo, e Este crucificado, nas sinagogas, nas casas e nas ruas. Dia após dia, não fazia outra coisa senão anunciar Jesus Cristo, e Este crucificado.
E Deus honrou isso. Muitas pessoas foram salvas. A igreja em Corinto foi levantada.
Paulo não apenas anunciava essa mensagem de Jesus Cristo, e Este crucificado, e nada mais; a maneira como pregava estava em perfeita harmonia com essa mensagem.
Ele disse:
Quando estive convosco, estive em fraqueza, em temor e em muito tremor.
Para pregar Jesus Cristo, e Este crucificado, é preciso ter a atitude correta. É mais do que a palavra. Deve haver uma atitude em harmonia com a palavra que se anuncia.
Paulo disse:
Estive em fraqueza, em temor e em muito tremor.
Pode ser que ele estivesse fisicamente fraco, ou pode ser que se sentisse espiritualmente muito fraco diante de Deus.
Em temor — talvez ele tivesse medo de todas aquelas pessoas sofisticadas. Ou, provavelmente, temesse deixar aflorar a sua própria sabedoria e a sua própria eloquência. Em muito tremor, porque não tinha confiança em si mesmo.
Irmãos e irmãs, pregar Jesus Cristo, e Este crucificado, exige um espírito e uma atitude correspondentes.
Como alguém pode pregar a cruz do Senhor Jesus sem que a cruz se manifeste em sua vida? Aquela fraqueza, aquele temor e aquele tremor são sinais da operação da cruz na própria vida do apóstolo.
Por que ele pregava Jesus Cristo, e Este crucificado? Por que pregava essa mensagem daquela maneira? Ele disse:
Para que a vossa fé se apoie no poder de Deus, e não na sabedoria humana.
Queridos irmãos e irmãs, como somos diferentes hoje. Quando apresentamos Jesus Cristo, e Este crucificado, às pessoas, como dependemos da nossa eloquência. Como dependemos das nossas palavras persuasivas, como se tudo dependesse de nós.
A mensagem pode estar correta, mas parece que tudo depende de nós, que depende de nós se ela será eficaz ou não. Oh, como temos confiança em nós mesmos. Como procuramos força dinâmica e carisma numa pessoa, como se tudo dependesse disso para que a mensagem alcançasse as pessoas.
Mas, vocês sabem, se dependemos dessas coisas, o resultado é que a fé delas se apoia na sabedoria humana, não no poder de Deus. O fundamento é falso.
Paulo conhecia a si mesmo. Conhecia a sua carne. Como teria sido fácil para Paulo se colocar em evidência e ensinar, em vez de se esconder atrás da cruz e deixar o poder de Deus alcançar as pessoas. Vocês sabem, essa é uma grande tentação.
Mas Paulo sabia que, se aquelas pessoas fossem convertidas por meio de palavras persuasivas, palavras grandiosas e sabedoria humana, a fé delas repousaria sobre um fundamento humano, não sobre Deus.
Ele preferia se esconder atrás da cruz e simplesmente deixar o Espírito de Deus alcançar as pessoas, para que aquilo fosse de Deus, e não do homem.
Foi assim que Paulo chegou pela primeira vez a Corinto e pregou o evangelho. Repito: durante dezoito meses, ele não pregou outra coisa.
Na verdade, a palavra usada ali é kērussō, que significa anunciar, como um arauto que anuncia a chegada do rei. Ele estava ali apenas anunciando o fato — o fato de Jesus Cristo, e Este crucificado.
Não havia argumentação. Ele não estava discutindo com eles. Estava apenas anunciando o fato, e o Espírito de Deus fazia o restante.
Graças a Deus por pessoas que dizem:
Nada sei entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
No entanto, há pessoas hoje que dizem: “Não sei nada além de Jesus Cristo, e Este crucificado”, gabando-se como se isso fosse tudo o que sabem e fosse o melhor. Certamente essa não é a atitude de Paulo.
Por um lado, precisamos nada saber além de Jesus Cristo, e Este crucificado. Por quê? Porque esse é o próprio fundamento do evangelho. Se você não conhece Jesus Cristo, e Este crucificado, não há fundamento.
Precisamos conhecer Jesus Cristo, e Este crucificado, sem dúvida. Sim, temos de lançar um bom fundamento para os irmãos e irmãs. Mas isso não é tudo. Isso não é tudo o que Deus tem.
Paulo disse:
Mas falamos sabedoria entre os perfeitos.
Quem são os perfeitos? Por que Paulo não falava sabedoria — isto é, a sabedoria de Deus — com as pessoas de Corinto? Por que Paulo falava apenas de Jesus Cristo, e Este crucificado?
Isso não diminuía, de maneira alguma, a importância ou o significado de Cristo crucificado. Não. Ele falava aos coríntios apenas de Jesus Cristo, e Este crucificado, mas disse:
Entre os perfeitos, falamos sabedoria.
Em outras palavras, além de Jesus Cristo, e Este crucificado, há também sabedoria. Jesus Cristo, e Este crucificado, é o kerygma, o anúncio. É a proclamação de um arauto. É o fundamento. É a base do evangelho, e isso devemos anunciar.
Sobre esse fundamento, Deus há de edificar algo para Si mesmo, e isso é sabedoria.
O anúncio da cruz é considerado a loucura de Deus. Irmãos e irmãs, é claro que Deus nunca é insensato. Nós somos insensatos, mas Deus nunca é. Contudo, às vezes O consideramos insensato — não que Deus seja insensato, não, mas nós O consideramos assim.
A pregação da cruz ao mundo é a loucura de Deus. Deus está disposto a ser considerado insensato para confundir os sábios deste mundo. Em outras palavras, a loucura de Deus é mais sábia do que os homens.
Mas, se a loucura de Deus é tão sábia, quanto mais sábia deve ser a sabedoria de Deus?
Aqui vocês percebem que há duas etapas no evangelho. A primeira etapa do evangelho é chamada de loucura de Deus. A segunda etapa do evangelho é chamada de sabedoria de Deus.
A primeira é Jesus Cristo, e Este crucificado — anunciar Jesus Cristo, e Este crucificado. Mas a segunda etapa é comunicar coisas espirituais por meios espirituais.
A primeira etapa é para os bebês; é leite. A segunda é para os perfeitos; é alimento sólido.
Agora, a palavra perfeito nas Escrituras nunca significa perfeição no sentido em que a entendemos hoje. Em outras palavras, um homem seria perfeito, sem mais possibilidade de progresso, porque já alcançou a perfeição. Não é assim.
Nas Escrituras, a palavra perfeito simplesmente significa maduro — maduro, crescido.
Quando Jesus Cristo, e Este crucificado, nos é pregado e recebemos o evangelho, nascemos de novo. Tornamo-nos bebês em Cristo e nos alimentamos do leite — o fato de Cristo e a cruz de Cristo.
Então, à medida que crescemos, precisamos de alimento sólido. Precisamos de algo relacionado ao propósito de Deus, não apenas ao ato de Deus.
Vejam, Jesus Cristo, e Este crucificado, é um ato de Deus. Todos sabem que Jesus Cristo morreu na cruz. Mas a sabedoria de Deus trata do Seu propósito, que está oculto em Deus e precisa ser revelado pelo Seu Espírito.
Não é para todos; é para os iniciados — isto é, para aqueles que já cresceram.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, por um lado, precisamos agradecer a Deus pelo anúncio de Jesus Cristo, e Este crucificado, porque esse é o fundamento.
Vocês não podem abandonar o fundamento e tentar sondar a sabedoria de Deus. Nunca chegarão lá. Isso seria apenas algo vago, místico e teórico — mera especulação filosófica. Seria uma imitação, não algo real.
Temos de começar com a verdade fundamental, que é Jesus Cristo, e Este crucificado — nada mais.
Mas, depois de lançarmos o fundamento, isso não significa que o fundamento seja tudo. Temos de edificar sobre esse fundamento, e isso é a sabedoria de Deus.
Graças a Deus, nós também temos o fundamento. Mas temos a verdade da edificação — aquilo que é edificado sobre o fundamento? Porém, mais uma vez, isso é apenas para os maduros, para aqueles que já cresceram.
Um Cristo crucificado — aqui está o fundamento. Conhecer Cristo crucificado é essencial.
Mas, queridos irmãos e irmãs, devemos conhecer apenas um Cristo morto? Graças a Deus por Sua morte, mas devemos conhecer Cristo apenas como Aquele que morreu?
Somos como aquelas mulheres que foram ao túmulo no dia da ressurreição, tentando encontrar o vivo entre os mortos? Aquele que foi crucificado já ressuscitou.
Em outras palavras, conhecer Cristo crucificado é o fundamento, mas precisamos conhecer mais de Cristo — não apenas Cristo crucificado, mas Cristo ressuscitado dentre os mortos, Cristo que ascendeu aos céus e Cristo glorificado.
Essa é a verdade da edificação. Quanto conhecemos dessa sabedoria de Deus?
A partir de 1 Coríntios 2:6, vocês veem Paulo começar a dizer aos crentes de Corinto:
Falamos sabedoria entre os perfeitos.
Agora, o que é sabedoria?
Qual é a diferença entre sabedoria e conhecimento?
Conhecimento é algo que se pode adquirir externamente. Em outras palavras, você pode ler livros, pesquisar, reunir dados, analisá-los, chegar a uma conclusão e guardar o conhecimento na memória e na mente. Isso é conhecimento.
Conhecimento é algo que se pode adquirir externamente. Mas a sabedoria é diferente.
Você obtém conhecimento nos livros, mas não obtém sabedoria nos livros. Obtém conhecimento por meio de informações, mas não obtém sabedoria por meio de informações. Obtém conhecimento reunindo dados, mas não obtém sabedoria reunindo dados.
Sabedoria é algo diferente. O que é sabedoria?
No que diz respeito à sabedoria de Deus, sabedoria é aquilo que está em Deus, aguardando ser revelado ao homem. Isso é sabedoria. Em outras palavras, a sabedoria é a substância da revelação de Deus.
Quando Deus nos revela alguma coisa, aquilo que é revelado é sabedoria.
Para adquirir conhecimento, você não precisa de revelação. Pode ir a uma escola e adquirir conhecimento. Mas, para ter sabedoria, precisa de revelação de Deus.
Você pode conhecer, por exemplo, determinada passagem das Escrituras porque leu comentários, porque pensou, porque investigou, porque tentou interpretá-la, e acha que sabe tudo a respeito dela. Mas isso é apenas conhecimento.
O conhecimento ensoberbece, mas não edifica.
Vocês sabem, algumas ideias são muito impressionantes, mas algumas são vazias. Basta tocá-las e elas estouram. Podem ser bonitas, mas não são sólidas.
Mas um dia, quando Deus começa a abrir aquela passagem para você em seu espírito, talvez não haja muita explicação. Às vezes, quando a revelação vem, você fica confuso. Pode até ficar cego, como Paulo. No entanto, você sabe — você sabe — você sabe. Isso é sabedoria.
Irmãos e irmãs, o que precisamos é de sabedoria, não apenas de conhecimento. O que precisamos não é de conhecimento na mente, conhecimento mental. O que precisamos é de sabedoria no espírito.
Como no Antigo Testamento, isso é chamado de coração entendido — um coração que ouve. Literalmente, um coração que pode ouvir Deus.
Em outras palavras, a sabedoria é a substância da revelação — aquilo que está em Deus como realidade. Isso é sabedoria.
E, porque existe esse fundamento, a sabedoria de Deus está aberta a nós. Oh, que possamos conhecer a sabedoria de Deus, que possamos conhecer o que está em Deus.
Conhecendo pelo Seu Espírito aquilo que Deus quer, podemos transformá-lo em realidade, em vida. Obrigado a Ti.
Falamos sabedoria entre os perfeitos, mas não a sabedoria deste mundo, nem dos governantes deste mundo, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus.
Agora, em primeiro lugar: essa sabedoria é a sabedoria de Deus. Há dois tipos de sabedoria. Uma é a sabedoria humana; a outra é a sabedoria de Deus. Uma é a sabedoria que vem de baixo; a outra é a sabedoria que vem do alto, como vocês encontram no livro de Tiago.
A sabedoria que vem de baixo é terrena, da alma e até demoníaca. Quanto mais você se considera humanamente sábio, mais terreno se torna, mais dominado pela alma se torna, e isso é realmente demoníaco.
Como tememos aquelas pessoas astutas deste mundo. São tão astutas que chegam a ser quase demoníacas. Quando se lida com essas pessoas, a experiência é realmente demoníaca, vocês sabem. Essa é a sabedoria que vem de baixo.
Mas a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, gentil, disposta a ouvir, cheia de misericórdia e de bons frutos.
Como precisamos buscar essa sabedoria. É a sabedoria de Deus — não a loucura de Deus, mas a sabedoria de Deus.
Em segundo lugar: essa sabedoria está em mistério.
Agora, a palavra mistério não significa algo misterioso. Vocês sabem, quando pensamos em algo misterioso, isso parece um pouco assustador, estranho. Mas não é isso.
A palavra mistério simplesmente significa algo oculto em Deus. A menos que Deus o revele, ninguém jamais o conhecerá. Isso é um mistério.
Pode haver algo na mente de Deus — algo muito, muito precioso — e, no entanto, porque Deus nunca falou sobre isso, nunca o mostrou a mais ninguém, isso é um mistério.
Mas um dia, quando Deus começa a falar e começa a desvendá-lo, ele se torna um segredo revelado. Isso é um mistério.
Deus tem um mistério, algo oculto nEle que Ele vai revelar.
Em terceiro lugar: Deus predeterminou essa sabedoria antes dos séculos.
Esse mistério foi predestinado antes dos séculos. Dito de outra maneira, esse mistério é o propósito eterno de Deus.
Não é um pensamento passageiro. Não é algo que afetará apenas uma era, por assim dizer. Mas é um mistério predeterminado em Deus antes dos séculos, antes mesmo de Deus criar o mundo, antes mesmo de Deus criar o tempo e as eras.
Na eternidade passada, Deus já o havia determinado. Portanto, esse é o propósito eterno de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, se vocês enxergarem isso — o propósito eterno de Deus —, ele deve ter um valor e uma glória tremendos. Nunca podemos negligenciá-lo. Como vocês poderiam ignorá-lo?
Em quarto lugar: ele não apenas foi predeterminado antes dos séculos, mas é para a nossa glória. Pensem nisso.
Esse propósito eterno de Deus é para a nossa glória. Deus é o Deus da glória, mas elaborou esse plano antes mesmo de nos criar, pois queria que tivéssemos parte em Sua glória.
Cristo há de conduzir muitos filhos à glória. É para a nossa glória.
Irmãos e irmãs, o que é glória?
Graças a Deus, vocês encontram na Bíblia muitos termos e pouquíssimas definições.
Isso é muito diferente da nossa maneira de aprender. Quando você lê um livro — eu me lembro de quando estava na escola, muitos anos atrás —, a primeira coisa que aparece quando ele menciona algo novo é uma definição. É preciso definir alguma coisa antes de aprendê-la.
Mas a Bíblia nos dá muitos, muitos termos sem definições. Se vocês tentarem encontrar definições para os termos usados na Bíblia, não encontrarão muitas — quase nenhuma.
Bem, as definições sempre têm um problema: elas limitam. Como a verdade de Deus é tão rica, não pode ser definida. Se você a define, você a limita. É por isso que não há definições.
Mas, irmãos e irmãs, de todos os termos usados, o mais difícil de definir é glória. Como se pode definir glória?
Você pode definir justiça de uma maneira que o satisfaça. Pode definir santidade de uma maneira que o satisfaça. Mas como definir glória?
Bem, eu me lembro do que o irmão Nee disse a respeito da glória. Ele disse: “Glória é satisfação. Quando Deus está satisfeito, então a glória aparece”.
Isso é verdade. Quando o templo foi construído de uma maneira que satisfez a Deus, a glória apareceu no templo.
Glória é a satisfação de Deus.
Irmãos e irmãs, um dia vocês descobrirão que esse mistério é para a nossa glória. Em outras palavras, devemos participar dessa satisfação. Isso é excelente.
E eu me lembro de que o irmão Watchman Nee tinha outra definição de glória. Sua definição era: “Sempre que Deus Se manifesta, isso é glória”.
Ninguém jamais viu Deus, mas, quando Deus aparece, vocês veem glória.
Oh, irmãos e irmãs, um dia a glória será vista em vocês.
O apóstolo João diz, no final do livro de Apocalipse:
Vi a cidade santa, que tinha a glória de Deus.
Deus finalmente Se manifestou de forma corporativa. Oh, isso é glória — tremenda.
Em quinto lugar: 1 Coríntios 2:9 diz:
As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e que não entraram no coração do homem.
Em outras palavras, é algo totalmente além da compreensão humana. É inconcebível à mente humana. Está além do pensamento e da palavra humanos. É completamente divino.
O olho nunca viu, o ouvido nunca ouviu, e isso nunca entrou no coração humano. Está simplesmente além do humano — além do humano porque tem origem divina, é completamente divino.
Em sexto lugar: Deus preparou essas coisas para aqueles que O amam. É algo que Deus preparou.
É uma obra de amor da parte de Deus, e Ele a preparou para aqueles que O amam. Vocês percebem que toda a atmosfera é uma atmosfera de amor. Porque Deus nos ama tanto, Ele prepara algo para nós.
Ele é o Construtor da cidade que tem fundamentos, pela qual Abraão esperava e pela qual todos nós esperamos. Ele a preparou como expressão de Seu amor, e a preparou para aqueles que O amam.
Então vocês encontram:
Mas Deus no-las revelou pelo Espírito.
Não é apenas algo que Deus preparou para nós no futuro, mas algo que já nos foi revelado agora.
Está tanto no futuro quanto no presente. O cumprimento final será no futuro, mas, ainda hoje, já está aqui, revelado pelo Espírito.
Por quê? Porque são as profundezas de Deus. Não é apenas algo na superfície; são as profundezas de Deus. Está relacionado ao Seu propósito.
Portanto, somente o Espírito Santo pode revelá-lo. Agora, quem sabe o que está no seu coração? Somente o seu próprio espírito. Outras pessoas podem conhecê-lo exteriormente, pela aparência, mas somente o espírito do homem sabe o que está no homem.
Somente o Espírito de Deus sabe o que está em Deus. Por isso, precisamos de revelação. Não pense que você sabe o que está em Deus. Você não sabe. Não sabe. Isso está além da sua capacidade.
Tudo depende do Espírito Santo para revelar as profundezas de Deus.
Então, no final de 1 Coríntios 2:12, temos:
As coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.
É o dom de Deus. Graças a Deus. Algo tão tremendo é um dom gratuito de Deus.
Dado gratuitamente — não porque você seja digno, não porque mereça mais do que qualquer outra pessoa. É dado gratuitamente, é o dom de Deus.
Finalmente, até mesmo a comunicação desse mistério requer meios espirituais — não palavras humanas, mas palavras concedidas pelo Espírito Santo. Em outras palavras, é completamente espiritual.
O homem natural jamais o conhecerá. Mesmo que o ouça, não o compreenderá. Ele o considerará insensatez, loucura. Mas somente os espirituais podem enxergar.
Portanto, falamos sabedoria entre os perfeitos, porque os perfeitos são os espirituais. Não é para os bebês; é para aqueles que já cresceram.
Se vocês falarem isso aos bebês, eles entenderão tudo errado. Voltar-se-ão contra vocês. Mas os espirituais compreendem.
Agora, quantas descrições já foram apresentadas? Nove ou dez, não é? Aqui vocês veem que, nesses poucos versículos, Paulo está tentando descrever algo de significado tremendo — como isso é tremendo.
Paulo só podia descrevê-lo, cercando-o de descrições. Por isso, Paulo nunca disse aos crentes de Corinto o que era — nunca.
Durante dezoito meses, ele andou entre eles e não ensinou nada além de Jesus Cristo, e Este crucificado. Não lhes disse coisa alguma sobre esse mistério, essa sabedoria de Deus.
Mesmo depois de vários anos, ao escrever para eles, ele o descreveu, mas nunca lhes indicou o que era, porque não estavam prontos para isso. Não estavam prontos.
Oh, irmãos e irmãs, Paulo sabia disso o tempo todo. Oh, como ansiava por derramar aquilo que sabia, porque esse era o propósito de Deus.
A cruz não é o fim. A cruz é um meio para alcançar o fim. Cristo crucificado é o caminho, mas o alvo é Cristo glorificado na igreja.
Como Paulo devia estar ansioso em seu coração, se posso usar essa palavra. Como desejava derramar isso para a igreja em Corinto. Mas, durante dezoito meses, foi impedido; foi contido. Não podia fazê-lo.
Durante dezoito meses, nada soube entre eles, senão Jesus Cristo, e Este crucificado. Por quê? Queria ter certeza de que um bom fundamento havia sido lançado.
Porque sabia que, se lhes comunicasse prematuramente a sabedoria de Deus, antes de conhecerem a loucura de Deus, eles ficariam completamente transtornados. Entrariam num estado de pseudoespiritualidade, não de verdadeira espiritualidade. Ele sabia disso.
Irmãos e irmãs, esse é o princípio de Deus. É para isso que Cristo crucificado nos conduz.
Oh, como podemos parar no fundamento? Não, ele é essencial e básico. Mas como podemos simplesmente parar no fundamento e não avançar para a edificação que se ergue sobre ele?
Como podemos apenas prolongar os meios e não alcançar o fim? Como podemos apenas andar pelo caminho e não chegar ao alvo?
Irmãos e irmãs, essa sabedoria de Deus em mistério é tremenda.
É claro que, na carta aos Colossenses e na carta aos Efésios, Paulo pôde indicar o que é essa sabedoria.
Especialmente se vocês lerem o terceiro capítulo de Efésios, verão que ele usa descrições muito semelhantes. Comparem 1 Coríntios 2 com Efésios 3, e perceberão que as descrições são muito semelhantes.
Mas, em Coríntios, ele apenas ficou ao redor do assunto, sem entrar nele; em Efésios, ele entrou. Por quê? Porque eles eram maduros. Eram maduros.
Oh, irmãos e irmãs, o que é essa sabedoria de Deus? É Cristo glorificado, reinando na Sua igreja e por meio dela. Essa é a sabedoria de Deus.
Eu me pergunto quanto do propósito de Deus nos foi mostrado. Eu me pergunto quanto conhecemos de Cristo como Aquele que tem o primeiro lugar em todas as coisas.
Eu me pergunto quanto conhecemos desta verdade:
Ele é Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu corpo, a plenitude dAquele que tudo enche em todas as coisas.
Eu me pergunto quanto Deus é glorificado na igreja em Cristo Jesus. Irmãos e irmãs, essa é a sabedoria de Deus.
Não falamos da sabedoria deste mundo. Deus nos livre.
Devemos pregar Jesus Cristo, e Este crucificado, porque sem isso ninguém pode ser salvo. Mas, entre os perfeitos, devemos falar sabedoria. Devemos conhecer o propósito de Deus. Devemos saber para onde a cruz nos conduz. Não devemos parar apenas no fundamento.
Irmãos e irmãs, aquelas pessoas de Corinto, depois de receberem a proclamação de Jesus Cristo, e Este crucificado, foram salvas. Ali estava a igreja que havia em Corinto.
Aquelas pessoas que foram santificadas em Cristo Jesus compunham a igreja em Corinto. E, no entanto, não sabiam o que eram. Isso não é estranho?
O fato de não saberem o que eram não significava que não houvesse igreja em Corinto. A igreja em Corinto existia, porque Paulo escreveu à igreja que estava em Corinto.
E, no entanto, eles não sabiam o que eram. Não conheciam o seu significado. Não conheciam o seu propósito. Não sabiam o que Deus estava fazendo com eles. Por causa disso, vocês encontram confusão.
Eles pensavam que Deus os havia salvado e reunido para que se divertissem, para que exibissem os seus dons, glorificando a si mesmos.
Chegaram até a formar partidos: “Eu pertenço a um grupo. Você pertence a outro”. Em outras palavras, desconheciam completamente o próprio significado e o próprio propósito do seu chamamento e da sua reunião.
Irmãos e irmãs, isso é possível hoje.
O povo de Deus pode conhecer Jesus Cristo, e Este crucificado, e pode se reunir, estar congregado. Mas, queridos irmãos e irmãs, qual é o propósito? Por quê?
Para que Cristo seja glorificado em Seu corpo — glorificado na igreja. Esse é o propósito de Deus.
Oh, como precisamos entrar nessa realidade. Se não entrarmos nela, queridos irmãos e irmãs, perderemos o propósito de Deus. Podemos ser introduzidos na igreja e, no entanto, perder todo o significado disso.
Eles não sabiam como cooperar com o Espírito Santo. Por quê? Não conheciam a sabedoria. Não tinham a sabedoria de Deus.
Provavelmente se consideravam apenas uma organização religiosa ou um clube religioso. Mas a igreja não é isso.
Lembrem-se: Deus nos chamou para fora deste mundo e nos reuniu para sermos um testemunho dEle, para declararmos a Sua glória.
Oh, a glória enche a Sua casa, para que Ele fique satisfeito e nós fiquemos satisfeitos, para que esse propósito de glória seja cumprido.
Para que Cristo seja glorificado como a Cabeça no corpo. Agora, irmãos e irmãs, isso é tremendo.
Eu realmente agradeço ao Senhor porque, nos últimos anos, o Espírito de Deus está Se movendo. Muitas pessoas estão sendo salvas hoje. O fundamento está sendo lançado.
Mas, cada vez mais, vocês podem ver que o povo de Deus, em toda parte, está desejando, com mais fome, algo além da verdade fundamental. Graças a Deus pela verdade fundamental. Nunca se pode abandonar o fundamento.
E, no entanto, muitos estão ansiando por algo mais — ansiando por glória, ansiando por conhecer Cristo não apenas crucificado, mas vivo, glorificado na igreja, entre o povo de Deus.
Irmãos e irmãs, essa é a verdade pela qual devemos realmente buscar o Senhor, para que recebamos essa sabedoria e para que o propósito de Deus seja cumprido.
Então, penso que provavelmente ficaremos por aqui em nossa comunhão nesta manhã. Creio de fato que o Espírito de Deus revelará muito mais a vocês, porque isso toca as próprias profundezas de Deus, o próprio coração de Deus.
Querido Pai celestial, nós Te agradecemos porque nos revelaste o Teu Filho. Oh, nós Te louvamos e Te agradecemos por Jesus Cristo, e Este crucificado.
Mas, Senhor, Tu desejas que cresçamos na Tua graça e na Tua verdade. Tu queres que sejamos unidos a Ti no Teu propósito.
Nós Te pedimos que não nos contentemos em permanecer na infância. Mas, Senhor, visto que nos trouxeste para a luz, pedimos-Te que cresçamos, que sejamos perfeitos, que sejamos capazes de nos alimentar de alimento sólido, não apenas de leite.
Que conheçamos o Teu propósito e nos entreguemos a Ti para o Teu propósito. Oh, como desejamos ser semelhantes ao Teu servo Davi, que serviu ao Teu propósito em sua geração.
Agora, Senhor, ajuda-nos a servir ao Teu propósito em nossa geração. Oh, que Cristo seja glorificado na igreja, que a igreja seja conduzida à glória.
Senhor, há tanto que somente o Teu Espírito Santo pode nos falar e revelar. Nós simplesmente nos humilhamos diante de Ti e dizemos: “Senhor, aperfeiçoa a Tua obra em nós”.
Em nome de nosso Senhor Jesus, e para a Tua glória. Amém.