É domingo à noite, 4 de novembro de 1973, em Richmond. A ministração está sendo realizada por meio do irmão Stephen Kong.
Recentemente, temos tido comunhão sobre 1 Coríntios. Nesta noite, vamos considerar 1 Coríntios 12.
Ora, quanto aos dons espirituais, irmãos, não quero que sejais ignorantes.
Sabeis que, quando éreis gentios, éreis levados aos ídolos mudos, conforme éreis conduzidos.
Por isso, vos faço saber que ninguém, falando pelo Espírito de Deus, diz: Jesus é anátema; e ninguém pode dizer: Jesus é Senhor, senão pelo Espírito Santo.
Ora, há diversidade de dons, mas o mesmo Espírito.
E há diversidade de ministérios, mas o mesmo Senhor.
E há diversidade de operações, mas o mesmo Deus, Que opera todas as coisas em todos.
Mas a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum.
Porque a um é dada, pelo Espírito, a palavra de sabedoria; e a outro, a palavra de conhecimento, segundo o mesmo Espírito;
A outro, fé, no mesmo Espírito; e a outro, dons de curar, no mesmo Espírito;
E a outro, operações de milagres; e a outro, profecia; e a outro, discernimento de espíritos; a outro, variedades de línguas; e a outro, interpretação de línguas.
Mas todas estas coisas opera um só e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um individualmente como Ele quer.
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, são um só corpo; assim também é Cristo.
Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nos foi dado beber de um só Espírito.
Porque o corpo não é um só membro, mas muitos.
Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo.
E, se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo.
Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles, como Lhe aprouve.
E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
Mas agora há muitos membros, porém um só corpo.
E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós.
Antes, muito pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários;
E os membros do corpo que julgamos menos honrosos, a esses damos muito mais honra; e os nossos membros menos decorosos têm muito mais decoro;
Ao passo que os nossos membros decorosos não têm necessidade disso: mas Deus compôs o corpo, dando muito mais honra àquele que dela carecia;
Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham o mesmo cuidado uns pelos outros.
E, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; ou, se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele.
Ora, vós sois o corpo de Cristo, e individualmente membros desse corpo.
A primeira carta de Paulo aos coríntios é uma carta muito prática. Ela trata de muitas questões sobre as quais os crentes de Corinto perguntaram a Paulo. Mais do que isso, Paulo os instrui a respeito de coisas que considera de importância vital.
Tudo o que é mencionado em 1 Coríntios é muito prático. Ao examinarmos algumas dessas questões, sabemos como elas são práticas.
Mas, até o capítulo 12, tudo aquilo de que Paulo tratou — todas as questões e todos os problemas — diz respeito a coisas que acontecem na terra, na esfera terrena. Por exemplo, há a questão da divisão, a questão de recorrer aos tribunais, a questão do casamento, a questão de comer coisas oferecidas aos ídolos e a questão da vida social: se uma pessoa pode ir a um templo pagão e comer com outras pessoas.
Vocês verão que todas essas coisas acontecem na esfera terrena, nesse nível. Mas agora Paulo vai se voltar para outra esfera. Por isso, vocês encontram este capítulo começando assim: “Ora, quanto ao espiritual”.
Ao lerem a sua versão, vocês provavelmente encontrarão, depois da palavra espiritual, alguma outra descrição entre parênteses. Sempre que encontrarem algo entre parênteses, vocês sabem que se trata de uma interpretação do tradutor.
Em outras palavras, se o texto diz apenas “quanto ao espiritual”, o que é isso? Não transmite um significado definido. Então os tradutores procuram acrescentar aquilo que entendem ser o significado. Mas, é claro, eles sabem que isso não está no original.
Em algumas versões, vocês podem encontrar “quanto às coisas espirituais”. Em outras, “quanto aos dons espirituais”. Em outras ainda, “quanto às manifestações espirituais”. Algumas chegam a apresentar “quanto aos homens espirituais”.
De que este capítulo e os capítulos seguintes realmente tratam? Acho que compreender a expressão que introduz o assunto é muito importante, porque assim sabemos exatamente o alcance desses capítulos.
Sem dúvida, a igreja em Corinto era muito rica em dons espirituais. Provavelmente é muito difícil encontrar hoje uma igreja tão rica em dons espirituais quanto a igreja em Corinto.
É muito provável que eles tenham perguntado a Paulo sobre esses dons. Os dons espirituais eram tão abundantes que causavam muita confusão — não que esses dons estivessem errados, mas algo devia estar faltando. Sem dúvida, os crentes de Corinto apresentaram esta questão a Paulo: “E quanto ao espiritual?”
A rigor, no original, a expressão está no plural: “quanto aos espirituais”. Isso torna a questão ainda mais difícil. O que se quer dizer com “os espirituais”?
Acho que uma das melhores explicações ou interpretações com que já tive contato foi dada pelo Dr. Campbell Morgan. O Dr. Campbell Morgan é chamado de príncipe dos expositores.
Segundo o irmão Morgan, a palavra no original deveria ser traduzida como “quanto ao espiritual”. Mas as pessoas não sabem o que significa “o espiritual”; por isso, ele achava que, em inglês, a expressão deveria ser traduzida como “quanto à espiritualidade”.
Paulo está deixando aquela esfera da vida para se voltar à esfera espiritual. Quando entramos na esfera espiritual, há muitas coisas que precisamos saber. Há certos princípios espirituais nessa esfera que devemos compreender, porque a falta dessa compreensão resultará em confusão.
O Dr. Morgan considera que o assunto começa em 1 Coríntios 12:1 e continua até o capítulo 15. Em outras palavras, não se limita simplesmente ao capítulo 12, nem mesmo aos capítulos 12 a 14, mas abrange todos os capítulos seguintes, até o capítulo 15, inclusive. Estou inclinado a concordar com ele. Não sei o que vocês pensam, mas espero que levem isso ao Senhor, leiam novamente e vejam.
Quando Paulo começa a tratar dessa questão do espiritual, ele os leva de volta aos dias em que ainda eram incrédulos.
Ele diz:
Ora, quanto ao espiritual, irmãos, não quero que sejais ignorantes.
Há certos entendimentos que são muito necessários quando vocês entram na esfera espiritual.
Sabeis que, quando éreis gentios, éreis levados aos ídolos mudos, conforme éreis conduzidos.
Esses coríntios haviam sido adoradores de ídolos. O que eram esses ídolos? Eram ídolos mudos.
A Bíblia sempre descreve os ídolos como mudos, surdos, cegos e assim por diante, porque são mudos. Esses ídolos não podem falar.
Quando os coríntios adoravam esses ídolos, eram conduzidos a adorá-los. Os próprios ídolos eram mudos, mas por que eles iam até os ídolos para adorá-los? Iam ali em busca de orientação.
Os ídolos eram mudos, mas do templo saíam oráculos. Isto é, os ídolos eram mudos, mas os espíritos malignos eram muito ativos e se expressavam por meio dos médiuns e dos sacerdotes ou sacerdotisas.
As pessoas iam ao templo para adorar esses ídolos. Buscavam oráculos, e os oráculos eram dados — não pelos ídolos, é claro, mas pelos espíritos malignos por trás dos ídolos.
Naqueles dias, quando eram adoradores de ídolos, não havia relacionamento direto. Toda comunicação e todo relacionamento eram indiretos, por meio de um médium. Eles não tinham experiência de comunicação direta. Todo o seu relacionamento era indireto, e eram conduzidos cegamente. Nunca questionavam; aceitavam tudo.
Mas agora algo havia acontecido. Eles creram no Senhor Jesus. Havia comunicação direta com Deus. Seu relacionamento com o Deus vivo já não era indireto; havia se tornado direto.
Não precisavam recorrer a um médium para se comunicar com Deus, porque o próprio Espírito de Deus habitava neles. Era uma experiência nova. Tinham entrado na esfera espiritual de maneira pessoal e direta, e isso era muito novo para eles.
Antes, por assim dizer, estavam fora do espiritual. Mas agora haviam sido introduzidos na esfera espiritual. Graças a Deus, agora o Espírito de Deus habitava neles. Não precisavam de nenhum intermediário. Podiam ter comunicação direta com Deus.
Como isso era tão novo, Paulo disse que há um teste para saber se um espírito é de Deus ou não. Há um teste: o espírito que confessa que Jesus é Senhor é o Espírito de Deus. Mas, se o espírito não confessa Jesus como Senhor, não é o Espírito Santo, mas um espírito maligno.
Agora, irmãos e irmãs, Paulo está dizendo que vocês entraram na esfera espiritual, e Deus não quer que sejam conduzidos cegamente. Ele quer que entrem nela com entendimento.
Não creiam em todo espírito, mas provem os espíritos. Queridos irmãos e irmãs, hoje o povo de Deus tem medo de provar os espíritos. As pessoas pensam que, se você prova o espírito, isso significa que duvida e não crê. Mas o Espírito de Deus nos diz que o provemos. Ele nos desafia a fazê-lo.
O Espírito da verdade não tem medo de ser provado. Quanto mais Ele é provado, mais puro Se mostra.
Na esfera espiritual, vocês não podem ver tudo. Há o Espírito de Deus, e há espíritos falsos. Como vocês provam isso? O espírito confessa que Jesus é Senhor?
Não sei muito sobre o que está acontecendo neste país, mas, no país de onde vim, as pessoas adoram demônios e diabos. Por isso, a possessão demoníaca era muito comum — muito comum.
A única coisa que realmente pode revelar se o espírito é de Deus ou do diabo é esta: quando uma pessoa está possessa, falando ou agindo sob alguma influência de um espírito, dificilmente vocês podem julgar pelo que ela diz ou faz, porque os espíritos malignos também podem profetizar, e a profecia pode se cumprir.
Então, como vocês provam o espírito? Quando uma pessoa está sob a influência de um espírito, um crente pode interpelar esse espírito — não a pessoa, mas o espírito.
Um espírito maligno é muito evasivo e sutil. Se vocês interpelarem a pessoa, a pessoa responderá. Vocês têm de interpelar o espírito que está sobre aquela pessoa, perguntando se ele reconhece Jesus como Senhor.
Cem vezes em cem, isso nunca falhou: se não for o Espírito de Deus, esse espírito se recusará a confessar Jesus como Senhor. Às vezes, tentará se esquivar, dizendo uma palavra e parando, e depois dizendo outra palavra. Não fará uma confissão clara e completa. Isso mostra que o espírito maligno não reconhece que Jesus é Senhor.
Mas, se for o Espírito Santo, o Espírito Santo na pessoa confessa: “Senhor Jesus”. Esse é o teste.
É claro, queridos irmãos e irmãs, que esse princípio pode ser aplicado de maneira muito mais ampla. Não se limita a uma pessoa sob a influência de um espírito. Onde quer que haja uma manifestação de qualquer tipo, seja em ação ou em palavras, o Senhor Jesus é exaltado? Se for assim, é o Espírito de Deus.
Mas, queridos irmãos e irmãs, esse não é o meu encargo nesta noite. Meu encargo nesta noite é muito simples.
Os crentes de Corinto eram muito ricos. Agora, o que são dons espirituais? Os dons espirituais são as manifestações do Espírito.
Não separem os dons espirituais do Espírito Santo. Por quê? Porque todos os dons espirituais são manifestações do Espírito.
Às vezes, consideramos os dons espirituais como coisas em si mesmas, separadas do Espírito Santo. Mas, quando vocês leem 1 Coríntios 12, descobrem que os dons espirituais nada mais são do que manifestações do Espírito no corpo — o corpo de Cristo.
Os crentes de Corinto eram muito ricos em manifestações espirituais. As manifestações do Espírito eram muito plenas e abundantes. Pensaríamos que, se houvesse tais manifestações e tais dons espirituais, certamente a igreja seria grandemente edificada. Tudo seria perfeito.
Mas com os coríntios era diferente. Normalmente, deveria ser assim. Quanto mais dons houver, quanto mais manifestações houver, mais o corpo deverá ser edificado. Por que o Espírito Santo Se manifesta nesses dons? Para a edificação do corpo.
Normalmente, deveria ser assim. Mas, queridos irmãos e irmãs, algo estranho aconteceu na igreja em Corinto. Em vez de edificar, aquilo derrubava. Por quê?
Eles tinham todas as manifestações espirituais, mas não conheciam o porquê nem o modo de operar da manifestação espiritual. Os dons estavam ali, e por isso as manifestações também estavam.
Muitas vezes, pensamos que 1 Coríntios 12 é um capítulo sobre dons espirituais. Se vocês o lerem com atenção, descobrirão que Paulo menciona esses dons, mas não está realmente tratando dos dons espirituais. Ele começa com outra coisa.
O que Paulo realmente está tentando nos dizer em relação à manifestação espiritual — à espiritualidade? É como se Paulo dissesse: “Graças a Deus por todos esses dons e manifestações espirituais; mas, se vocês conhecerem apenas duas coisas, se conhecerem apenas dois princípios básicos, então todas essas manifestações serão proveitosas e edificantes. Mas, se não conhecerem essas coisas, farão uma grande confusão”.
Paulo está tratando de algo que governa os dons espirituais e as manifestações espirituais. Queridos irmãos e irmãs, que coisas são essas?
Por que Paulo começa este capítulo dizendo que, a menos que vocês estejam no poder do Espírito de Deus, não podem dizer: “Jesus é Senhor”?
Todas as manifestações espirituais são manifestações do Espírito Santo nos membros do corpo de Cristo. Elas são dadas para a edificação do corpo. Mas, antes de pensarem no corpo, vocês precisam ver outra coisa. Precisam ver a Cabeça.
É por isso que Paulo diz que, a menos que vocês estejam no poder do Espírito Santo, não podem dizer: “Jesus é Senhor”. Ele está procurando levar os crentes de Corinto a ver uma coisa: o senhorio de Cristo, Sua posição como Cabeça.
A menos que, no poder do Espírito Santo, vejamos que Jesus é Senhor, as coisas espirituais não são reais.
Irmãos e irmãs, não se trata apenas de dizer isso ou repeti-lo como uma fórmula ou um lema. Isso está se tornando popular hoje, e graças a Deus por isso. Mas lembrem-se: é mais do que um lema. É mais do que uma fórmula.
Vocês podem gritar um lema; podem repetir uma fórmula. Mas, se não for no poder do Espírito Santo, isso não é real. Não é porque vocês dizem “Jesus é Senhor” que, por isso, estão no poder do Espírito Santo — de modo nenhum.
Paulo está tratando de uma realidade. A menos que vocês estejam sob o poder do Espírito Santo, Jesus não é Senhor em sua vida. Mas o Espírito Santo vem com um propósito: tornar Jesus Senhor em sua vida.
Não é essa a obra do Espírito Santo? Não é essa a razão pela qual o Espírito Santo foi derramado?
Voltem a Atos 2, ao dia de Pentecostes. Ali vocês encontram cento e vinte pessoas reunidas em unanimidade — a congregação mais perfeita que se poderia encontrar na terra: cento e vinte membros excelentes.
Eles perseveravam diante do Senhor. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre eles. Houve o som de um vento impetuoso, e línguas como de fogo pousaram sobre cada um deles. Então começaram a falar em línguas e a glorificar a Deus.
Por causa disso, começaram a circular rumores, e as pessoas começaram a chegar. Não poderiam todos ir àquele cenáculo, porque nenhum cenáculo poderia acomodar tanta gente. Evidentemente, eles devem ter ido para o templo.
As pessoas se reuniram ao redor deles e começaram a se admirar e a perguntar o que havia acontecido. Pedro e os onze se levantaram e explicaram.
Voltem a Atos 2. Na conclusão da mensagem de Pedro, ele diz, em Atos 2:33:
Sendo, pois, exaltado à direita de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, Ele derramou isto que vós vedes e ouvis.
Eles viram e ouviram. Mas Pedro disse: “O que vocês veem e ouvem é o Espírito Santo que foi derramado”. Por qual razão? Atos 2:36 dá a resposta:
Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Cristo a este Jesus, a Quem vós crucificastes.
Irmãos e irmãs, o derramamento do Espírito Santo — o Espírito Santo descendo e todos sendo batizados no Espírito —, o que isso significa? O que o Espírito Santo veio fazer ao descer? Tornar real e comprovar que Deus fez de Jesus tanto Senhor como Cristo.
Quando o Senhor Jesus ascendeu do monte das Oliveiras, os irmãos ali reunidos O viram subir. Então uma nuvem O encobriu de seus olhos, e eles continuaram olhando para cima.
Para onde Jesus foi? Hoje todos dizemos que Ele foi para o Pai, porque Ele nos disse isso. Mas Ele chegou lá? Como sabemos que Ele chegou? Ninguém disse aos discípulos que Ele havia chegado.
Como sabemos que o nosso Senhor Jesus, depois de ressuscitar dentre os mortos e ascender, realmente chegou, como Homem vivo, à direita do Pai? Sabemos porque o Espírito Santo desceu.
Quando o Senhor ascendeu ao Pai, o Pai O ungiu com o Espírito. O óleo desce pela barba e até a orla das vestes. Essa é a figura.
Porque o Senhor Jesus chegou, Ele foi ungido como Senhor e Cristo. Por isso, o Espírito Santo foi derramado sobre a igreja.
O que vocês veem e ouvem — o batismo no Espírito Santo, o derramamento do Espírito Santo, a vinda do Espírito Santo —, o que isso significa? Ele vem para realizar uma coisa: confirmar, assegurar-nos e tornar real que Jesus, Aquele que foi crucificado, é agora Aquele que foi glorificado. Ele é o Senhor.
Esse é o significado do Pentecostes. O som e aquilo que se vê são secundários. O essencial é que Jesus é Senhor.
O Espírito Santo veio nos provar que Jesus agora foi constituído Senhor e Cristo, e o Espírito Santo deve tornar isso real em nossa vida. Somente o Espírito Santo pode tornar Jesus Senhor em nossa vida de maneira real. Ele está fazendo isso. O Espírito Santo vem para glorificá-Lo.
A Cabeça — ah, irmãos e irmãs! Vocês sabem por que os crentes de Corinto, tão dotados, ainda estavam tão confusos? Porque não conseguiram ver a Cabeça.
Cada um deles era cabeça de si mesmo, até no exercício dos dons espirituais. Em outras palavras, exibiam seus dons para benefício próprio. Sua vida não estava sob Cristo como Cabeça, sob o senhorio de Cristo.
Esse é o princípio mais importante quando vocês entram no espiritual. Não toquem na esfera espiritual se não conhecem o Senhor. É a esfera mais perigosa em que se pode entrar.
Mas, se vocês conhecem o senhorio de Cristo pelo poder do Espírito Santo, irmãos e irmãs, não há nada mais belo. Vocês verão e experimentarão a esfera espiritual sob o senhorio de Cristo, retendo firmemente a Cabeça.
Então o corpo será bem ajustado e unido. A Cabeça — a Cabeça. Irmãos e irmãs, é disso que o povo de Deus precisa hoje. Precisamos ver a Cabeça.
Precisamos nos curvar diante do Senhor e dizer: “Senhor, Tu és Senhor. Tu és, de fato, o nosso Senhor”. Não apenas dizer isso, mas deixar que, pelo Espírito Santo, se torne real.
Quando o senhorio de Cristo, Sua posição como Cabeça, é estabelecido, então Paulo começa a nos falar sobre o corpo. Em 1 Coríntios 12:12, lemos:
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, são um só corpo; assim também é Cristo.
Essa é uma das declarações tremendas das Escrituras. Pode parecer muito óbvia: “Assim como o corpo é um e tem muitos membros” — todos sabemos disso. “Todos os membros do corpo, embora muitos, são um só corpo” — certamente, até uma criancinha sabe disso.
Mas então vem a declaração: “Assim também é o Cristo”. Todos os que leem esse versículo tendem a lê-lo de modo diferente: “Assim também é a igreja”. Certamente, a igreja é um só corpo com muitos membros. Mas isso é uma interpretação. A declaração é: “Assim também é o Cristo”.
Poderíamos dizer: “Assim também é o corpo de Cristo”. Mas isso também é uma interpretação. A Bíblia diz: “Assim também é o Cristo”.
Aqueles que conhecem o grego nos dizem que o grego é uma língua muito precisa. Às vezes, no original grego, encontramos a palavra Cristo sem artigo; às vezes, a encontramos com o artigo definido: o Cristo.
Quando Cristo é usado sem artigo, refere-se a Cristo pessoalmente — ao próprio Cristo como pessoa. Mas, quando encontramos o artigo, o Cristo, a expressão se refere a Cristo e à igreja: o Cristo corporativo.
Cristo e a igreja são o Cristo corporativo. Aqui, embora o corpo seja um e tenha muitos membros, e embora os membros sejam muitos, ainda assim são um só corpo — assim também é o Cristo.
Cristo é a Cabeça. A igreja é o Seu corpo: Cristo em Sua expressão corporativa.
Por que é chamado de o Cristo? A razão é muito simples: porque o corpo nada mais é do que a expressão, ou o desenvolvimento, da Cabeça. O corpo procede da Cabeça e está unido à Cabeça, assim como Eva procedeu de Adão e se uniu a Adão.
O que é o corpo de Cristo? Suponhamos, para ilustrar, que nesta terra sejamos os únicos crentes. Nós constituímos a igreja, o corpo de Cristo? Sim e não.
Sim, no sentido de que a igreja é constituída por aqueles que Deus chamou para fora e reuniu em Seu nome. Fomos chamados para fora e nos reunimos a Ele. Certamente, essa é a igreja de Deus.
Mas, a rigor, não. Por quê? Porque, embora tenhamos sido chamados para fora, muitas vezes somos como os filhos de Israel: eles saíram do Egito, mas o Egito não havia saído deles.
É verdade que fomos chamados para fora e reunidos. Mas, quando nos reunimos, não há apenas aquilo que é de Cristo em nós; há muito lixo — nós mesmos, a nossa carne e todas essas partículas estranhas.
Como o corpo pode subsistir com todas essas partículas estranhas? O corpo rejeita aquilo que lhe é estranho.
A rigor, o que é a igreja? O que é o corpo de Cristo? Somente aquilo que procede de Cristo pode ser unido a Cristo. O corpo e a Cabeça são um em vida.
É Cristo em vocês e Cristo em mim. Mas lembrem-se: isso requer e exige que vocês e eu estejamos na cruz.
Se tentamos projetar a nós mesmos no corpo, isso é algo estranho. O corpo não pode acolher isso; ele o rejeita. Assim, vocês descobrem que o corpo é constituído de muitos membros, mas o que se enfatiza aqui é Cristo em vocês e Cristo em mim. É isso que constitui o verdadeiro corpo.
Se vivemos em Cristo, se permanecemos em Cristo, então vivemos no Espírito e tocamos aquilo que é espiritual. Se vivemos na carne e vivemos em Adão, estamos no mundo e tocamos aquilo que é mundano.
Assim também é o Cristo. Mas como esse corpo é formado? Por qual poder? Por qual meio esse corpo é formado?
Vocês são salvos, eu sou salvo, e somos salvos individualmente. Não se pode ser salvo corporativamente. O pai não pode ser salvo pelos filhos, e os filhos não podem ser salvos pelos pais.
Embora haja uma promessa em Atos 16:31:
Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa.
Cada pessoa precisa ser salva individual e pessoalmente. A promessa pode ser reivindicada e aplicada.
Todos esses membros foram chamados para fora e reunidos. Mas como se tornam um só corpo?
Esta é a única explicação dada nas epístolas sobre o que significa o batismo no Espírito Santo. O que o batismo no Espírito Santo faz por nós? Vejamos 1 Coríntios 12:13:
Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nos foi dado beber de um só Espírito.
Qual é o significado do batismo no Espírito Santo? Primeiro: Jesus é Senhor — isso estabelece a Cabeça. Segundo: em um só Espírito, todos fomos batizados em um só corpo.
Vocês sabem o que o Espírito Santo faz em sua vida? Uma de Suas obras é colocar o Senhor Jesus em vocês: vocês nascem de novo. A outra obra é colocá-los no corpo de Cristo.
Antes, éramos membros diferentes, cada um por si. Mas o Espírito Santo nos tomou, e Nele todos fomos batizados em um só corpo.
Antes de o Espírito Santo vir, vocês encontram uma congregação de cento e vinte membros individuais. Estavam juntos, mas não eram um. Então o Espírito Santo veio, e eles foram batizados em um só corpo.
Uma congregação de cento e vinte membros é muito diferente de um corpo com cento e vinte membros. É inteiramente diferente. Foi isso que o Espírito Santo fez. Esse é o significado.
Em todo o Novo Testamento, somente esses dois lugares nos explicam o significado do batismo no Espírito Santo: o senhorio de Cristo, para que retenhamos firmemente a Cabeça; e o corpo, para que sejamos um só corpo, membros uns dos outros.
Se não conhecemos esses dois princípios — se não retemos firmemente a Cabeça e não vemos o corpo —, qual é o resultado? Os dons se tornam problemas, em vez de ministérios proveitosos. Quanto mais dons, mais problemas.
Se temos menos dons, precisamos uns dos outros. Mas, se somos muito dotados, vocês descobrirão que raramente as pessoas dotadas conseguem se dar bem umas com as outras.
Portanto, irmãos e irmãs, quando Paulo procura ajudar esses crentes de Corinto, ele não está jogando água fria sobre as manifestações deles — de modo nenhum. Eles tinham muitas manifestações.
Mas o problema deles era que não retinham firmemente a Cabeça. Não viam o corpo. Esse era o problema deles.
Se ao menos pudessem ser introduzidos nessa realidade, cada membro do corpo funcionaria de maneira bela, sob a Cabeça e em coordenação com os demais. O corpo seria edificado.
Mas, quando vocês começam a perceber o corpo, surgem várias questões. Primeiro:
Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo;
Ou, se o ouvido disser:
Porque não sou olho, não sou do corpo;
Isso faz com que ele deixe de ser parte do corpo? É claro que não.
Quando as pessoas começam a ver o corpo, muitas vezes procuram ser um membro de maior destaque. O pé fica embaixo; a mão fica em cima. O ouvido fica atrás; o olho fica na frente. Assim, vocês descobrem que aqueles que estão embaixo e mais atrás frequentemente reclamam.
“Ah, porque não sou mão, não sou do corpo. A menos que eu seja a mão, não sou do corpo. Porque não sou olho, então não sou do corpo.”
Irmãos e irmãs, como somos humanos! Mesmo quando entramos na esfera espiritual e começamos a ver o corpo, imediatamente vem a tentação. Queremos ser o maior. Pensamos que aquele é o maior.
Não estamos contentes nem satisfeitos com o lugar em que Deus nos colocou. Vocês sabem por quê? Isso prova que não vimos o corpo.
Se vimos o corpo, não teremos ciúmes dos outros. Não ficaremos insatisfeitos com o lugar em que Deus nos colocou.
Sim, as mãos ficam em cima e os pés ficam mais embaixo. Mas, sem os pés, até onde a mão pode ir? Sua mão só pode alcançar uma pequena distância, nada mais. Mas, com os pés, ah, até onde vocês podem ir!
Irmãos e irmãs, vocês encontram essas coisas acontecendo o tempo todo. Geralmente, aqueles que são, humanamente falando, menos destacados ou mais ocultos reclamam. Por quê? O eu, o eu, a autocomiseração, o amor a si mesmos. Eles não veem o corpo.
Se todos os membros fossem olhos, onde estaria o corpo?
Segundo: há o problema daqueles que estão mais embaixo e mais atrás, mas também há o problema daqueles que estão em cima.
O olho diz à mão:
Não tenho necessidade de ti.
A cabeça diz aos pés:
Não tenho necessidade de vós.
Os membros que estão mais em cima podem humilhar as pessoas. Na verdade, Deus colocou todos os membros no corpo. Não há inferior nem superior; é o corpo.
Contudo, humanamente falando, aqueles que talvez estejam um pouco mais em cima podem dizer: “Não preciso de você”. Quantas vezes as pessoas mais dotadas pensam que são completas, capazes de fazer tudo. Sua tentação é pensar que podem se sustentar sozinhas, sem a ajuda dos irmãos e irmãs. Essa é a condição delas.
Muitos anos atrás, quando eu lecionava, meus dentes estavam em péssimo estado. O dentista decidiu extrair meus dentes — primeiro todos os dentes da arcada superior. Mas eu ainda precisava ir à escola e dar aulas.
Meus alunos eram muito bons. Não riam de mim quando eu dava aula. Mas descobri o meu problema.
Costumo pensar que os dentes servem para comer e a língua serve para falar. Isso está certo. Mas, naquela época, descobri uma coisa: embora a língua sirva para falar, se vocês estiverem sem dentes, não conseguirão pronunciar corretamente.
Por mais dotado que um membro seja, ele não pode exercer plenamente o seu dom sem a ajuda de outro membro.
Agora, quanto a comer: vocês dizem que comem com os dentes. Certo. Mas suponham que não tenham língua. O que aconteceria? Teriam de usar o dedo para movimentar a comida.
É a língua que movimenta o alimento. Quando ele precisa ser triturado, ela o leva para trás. Quando precisa ser cortado, ela o leva um pouco para a frente. Quem faz isso? É a língua que faz isso.
Não sei se vocês já perceberam isso. Funciona tão bem!
Assim, vocês descobrem que até os dentes, ao mastigar o alimento, precisam da ajuda da língua. Caso contrário, não podem cumprir sua função.
É verdade que Deus colocou cada um no corpo, e cada membro tem uma função específica. Contudo, no exercício dessa função, vocês descobrem que é necessário haver coordenação e cooperação. Ninguém pode tomar o lugar do outro. Por quê? Porque o Senhor está interessado no corpo.
Então, é claro, no corpo pode haver membros que parecem mais fracos. Tenho de confessar diante de vocês, irmãos e irmãs, que li isso muitas e muitas vezes. Consultei muitas autoridades no assunto, mas ainda não sei exatamente a que esses versículos se aplicam.
Se esses membros mais fracos são realmente mais fracos, não sei. Se vocês lerem, encontrarão:
Os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários.
Talvez não sejam realmente mais fracos; apenas parecem mais fracos. Contudo, são necessários.
Pergunto-me se esses membros que parecem mais fracos se referem aos órgãos internos. Os membros externos parecem ter alguma força, mas os órgãos internos parecem muito frágeis. Precisam ser protegidos; não se pode tocá-los.
Mas esses órgãos internos não são muito necessários? Retirem o estômago e vejam o que acontece. Os membros que parecem mais fracos são necessários — muito necessários.
Deixem-me tentar consolar algumas das irmãs. A Bíblia pode dizer que as mulheres são vasos mais frágeis. Talvez o ministério de vocês seja mais oculto, mas aqui a palavra é “necessários”. Suponham que não houvesse nenhuma irmã; então vocês veriam o que aconteceria.
Realmente não sei o que se quer dizer com os membros menos honrosos ou menos decorosos, aos quais Deus dá mais honra e mais decoro. Não sei. Pergunto-me se Deus está Se referindo àqueles que manifestam dons. Não sei.
Mas, de qualquer modo, sei de uma coisa: o Senhor diz que não deve haver divisão no corpo — nenhuma divisão no corpo. Deus sabe como equilibrar tudo.
Então, finalmente, o texto diz:
E, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; ou, se um membro é glorificado, todos os membros se alegram com ele.
Ora, vós sois o corpo de Cristo, e individualmente membros desse corpo.
Há tamanha unidade no corpo que, quando um membro sofre, todo o corpo sofre.
Antes de extrair meus dentes, eu conhecia muito bem a dor de dente. Basta um dente doer, e vocês nem imaginam como o corpo inteiro sofre. Quem nunca teve dor de dente não consegue se compadecer de vocês.
Vocês não imaginam como é desconfortável. É simplesmente terrível. O corpo inteiro fica abatido.
Mas, se um membro é glorificado, todo o corpo se alegra. Se os olhos de vocês veem uma bela imagem, todo o corpo fica feliz.
Esse é o relacionamento entre os membros do corpo de Cristo.
Não é essa a questão mais básica no espiritual? Por que existem manifestações? A quem os dons são dados?
Os dons são dados aos membros do corpo de Cristo: uma Cabeça viva com um corpo vivo. Todos os membros estão vivos e funcionam segundo o dom que Deus deu a cada um, para a edificação do corpo em amor.
É isso que Deus deseja.
Então, irmãos e irmãs, pergunto-me se não precisamos ver isso. À medida que, pela graça de Deus, o povo de Deus entra na espiritualidade, é muito, muito necessário que vejamos a Cabeça e vejamos o corpo.
Se vocês virem essas duas coisas, irmãos e irmãs, o Espírito de Deus poderá realizar obras poderosas para o cumprimento do propósito eterno de Deus. Vamos orar?
Ó Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos. Com a vinda do Teu Espírito, Tu não apenas nos regeneraste, mas também nos conduziste à esfera espiritual, para que possamos tocar aquilo que é espiritual.
Ó Senhor, é um mundo novo para nós, e realmente precisamos de iluminação. Realmente precisamos de entendimento.
Ó Senhor, oramos para que dês ao Teu povo uma visão da Cabeça, do senhorio de Cristo. Ó, pelo Teu Espírito Santo, torna isso muito real para nós, para que verdadeiramente estejamos sob a Cabeça e retenhamos firmemente a Cabeça.
E, Senhor, dá-nos uma visão do corpo, para que não sejamos independentes, mas nos relacionemos corretamente uns com os outros, em amor e em submissão.
Ó Senhor, que o Teu corpo cresça até a maturidade, em direção à Cabeça.
Senhor, abençoa o Teu povo. Pedimos em Teu precioso nome.