Segunda-feira à noite, 6 de novembro de 1973.
Senhor, nós nos reunimos em Tua presença, em adoração, amor e reverência. Senhor, Tu és o Cordeiro. Tu és Aquele que nos redimiu dentre todas as nações, tribos, línguas e povos. Tu nos fizeste reino e sacerdotes para Deus.
Ó Senhor, como não Te oferecer nossa adoração nesta noite? Tu és tão digno, tão digno. Senhor, como deixar de Te louvar? Ó, atribuímos a Ti toda a glória, toda a honra, para todo o sempre.
Senhor, não há fim para o louvor a Ti. Tu és Deus. Tu és o Cristo. Tu és nosso Senhor. Tu és nosso Mestre. Ó, nosso coração simplesmente se prostra diante de Ti.
Senhor, não tenho nada a dizer a nós nesta noite. Abre nosso entendimento. Liberta-nos de nós mesmos, de todas as limitações e restrições que pesam sobre nós.
Teus caminhos são mais altos que os nossos caminhos, e Teus pensamentos são mais altos que os nossos pensamentos. Não permitas que Te rebaixemos, que Te tragamos ao nosso nível; antes, eleva-nos ao Teu nível. Ó, esta é a oração do nosso coração.
Ó Senhor, encontra satisfação em Teu povo. Que Tua glória seja manifestada. Esta é a única razão de estarmos aqui.
Sim, Senhor, sopra sobre todo o corpo. Torna-o vivo e atuante em nossa vida. Está conosco, Senhor. Faz-Te presente.
Vamos ler 1 Coríntios 14.
Segui o amor; contudo, desejai ardentemente os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.
Porque aquele que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; pois ninguém o ouve; contudo, em espírito fala mistérios.
Mas aquele que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação.
Aquele que fala em língua edifica a si mesmo; mas aquele que profetiza edifica a igreja.
Ora, quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis: e maior é aquele que profetiza do que aquele que fala em línguas, a não ser que interprete, para que a igreja receba edificação.—1 Coríntios 14:1-5
Vamos ler também a partir do versículo 24.
Mas, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, por todos é convencido, por todos é julgado;
os segredos do seu coração se tornam manifestos; e assim, prostrando-se sobre o rosto, adorará a Deus, declarando que Deus está verdadeiramente entre vós.Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, cada um tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.
Se alguém falar em língua, sejam dois, ou no máximo três, e por sua vez; e haja um que interprete:
mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja; e fale consigo mesmo e com Deus.E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.
Mas, se a outro que estiver assentado for feita uma revelação, cale-se o primeiro.
Porque todos podeis profetizar, um de cada vez, para que todos aprendam, e todos sejam exortados;
e os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas;
porque Deus não é Deus de confusão, mas de paz.—1 Coríntios 14:24-33
Como em todas as igrejas dos santos,
estejam caladas as mulheres nas igrejas: porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também diz a lei.
E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos: porque é vergonhoso que uma mulher fale na igreja.Porventura foi de vós que saiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente a vós?
Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamento do Senhor.
Mas, se alguém é ignorante, seja ignorante.Portanto, meus irmãos, desejai ardentemente profetizar, e não proibais falar em línguas.
Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.—1 Coríntios 14:33-40
Mencionamos, nas duas últimas sessões, que, nesses capítulos, o apóstolo Paulo está tratando dos dons espirituais. Ao entrarmos no capítulo 14, há algumas coisas básicas que precisamos conhecer.
Primeiro, precisamos conhecer o senhorio de Cristo. Precisamos ver que Jesus é Senhor. Precisamos ver o Cabeça. Precisamos nos sujeitar à autoridade de Cristo em nossa vida. Precisamos nos apegar firmemente ao Cabeça. Este é o primeiro elemento essencial da vida espiritual.
Em segundo lugar, precisamos ver o corpo. Ninguém é o corpo. Somos apenas membros do único corpo de Cristo. Em um só Espírito fomos batizados em um só corpo, sejam judeus ou gentios, escravos ou livres, homens ou mulheres.
Neste mundo, nada separa mais as pessoas do que a distância entre o judeu e o gentio. Não se trata apenas de uma distinção racial, nem apenas de uma diferença nacional; é até uma diferença religiosa. Humanamente falando, o abismo entre judeus e gentios jamais pode ser transposto. Contudo, em um só Espírito, fomos batizados em um só corpo, sejam judeus ou gentios.
No tempo de Paulo, sob o Império Romano, havia mais escravos do que homens livres. Somente os cidadãos romanos eram livres. Eles desfrutavam de todos os privilégios e direitos da cidadania, mas a maioria das pessoas no mundo era escrava. Não tinham direitos; não tinham privilégio algum perante a lei. A distância entre um homem livre e um escravo era intransponível.
E, no entanto, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, sejam escravos ou livres. Na verdade, quando fomos batizados em um só Espírito em um só corpo, já não havia judeu nem gentio, homem livre nem escravo, mas Cristo é tudo e está em todos.
A todos nós foi dado beber de um só Espírito. Em outras palavras, não fomos apenas batizados em um só corpo, mas também nos foi dado beber de um só Espírito. O próprio Espírito de Deus, habitando em nós, deve ser a vida do corpo.
Porque somos um corpo vivo sob um Cabeça vivo, porque somos um corpo vivo unido a um Cabeça vivo, o Espírito Santo Se manifesta nos membros do corpo, dando a cada membro um dom.
Agora, irmãos e irmãs, nunca considerem os dons espirituais como coisas isoladas. Não é que o Espírito Santo dê um dom a uma pessoa e, então, caiba a essa pessoa usar esse dom e manifestar a si mesma. Não é assim.
Todos os dons espirituais concedidos aos membros do corpo de Cristo são manifestações do Espírito Santo. São manifestações Dele, não de vocês nem minhas. Por meio da manifestação do Espírito Santo, o corpo de Cristo deve ser edificado.
Isso é 1 Coríntios 12. Mas, antes que esse corpo vivo entre em funcionamento, há um caminho mais excelente que precisa ser seguido. Isso é 1 Coríntios 13:
Segui o amor.
A vida do corpo é o amor, porque a vida que está no corpo não é outra senão Cristo. Deus é amor. Se não houver amor no corpo, esse corpo se desintegrará. Se não houver amor no corpo, o exercício dos dons espirituais produzirá confusão, em vez de beleza.
O amor é o modo de vida do corpo.
Falamos muitas vezes do modo de vida americano. Quando vim a este país pela primeira vez, não conseguia entendê-lo. Muitas vezes, ao conversar com alguns irmãos e irmãs sobre certas coisas, recebia esta resposta: “Este é o nosso modo de vida americano”. Eu ficava tão frustrado.
O que é o modo de vida americano? Eles não conseguiam me explicar, mas sabiam o que era. Depois de estar neste país por muitos anos, comecei a entender alguma coisa sobre o modo de vida americano.
Mas, irmãos e irmãs, neste corpo de Cristo, não é o modo de vida americano que importa. É o modo de vida de Deus. E o modo de vida de Deus para o corpo é o amor.
Ó, que sejamos cheios do amor de Cristo — não apenas amando o Senhor, nosso Cabeça, mas amando uns aos outros com esse amor. Então esse corpo realmente crescerá e será edificado.
Depois desse caminho do amor, em 1 Coríntios 14, Paulo passa a tratar do funcionamento do corpo. Temos o corpo, e a vida do corpo é o amor. Agora os membros do corpo começam a funcionar e a atuar, para que o corpo seja edificado.
Nesta noite, gostaríamos apenas de apresentar alguns princípios, algumas diretrizes, para o funcionamento do corpo de Cristo.
O corpo de Cristo é vivo. Não se pode tentar limitar seu funcionamento a uma fórmula fixa. Por isso, a Bíblia nos dá apenas algumas diretrizes, alguns princípios. Esses princípios e diretrizes não devem ser usados de maneira legalista, mas espiritual.
As leis espirituais precisam ser aplicadas espiritualmente. Quando se tenta aplicar as leis espirituais de maneira técnica, elas se tornam mortas. Portanto, espero sinceramente que, ao entrarmos neste capítulo, nos lembremos de que o Espírito de Deus está nos mostrando alguns dos princípios do corpo em ação. Esses princípios precisam ser aplicados espiritualmente, não mecanicamente nem de maneira legalista.
Ao abrir este capítulo, vocês percebem que os primeiros vinte e cinco versículos parecem se dedicar a um contraste entre línguas e profecia. Mas, é claro, sabemos que esse contraste é usado apenas para ilustrar certos pontos.
Certamente, no corpo de Cristo, há mais dons do que apenas línguas e profecia. Mesmo em 1 Coríntios 12, quando Paulo enumera alguns dons dos membros do corpo de Cristo, aquela não é uma lista completa. Em Romanos, encontramos uma lista; em 1 Coríntios 12, outra; em Efésios 4, ainda outra. Nenhuma dessas listas é completa. São apenas exemplos.
O corpo de Cristo é composto de muitos membros. Portanto, os dons que o Espírito de Deus concede aos membros do corpo não são apenas nove ou doze; são incontáveis.
O problema hoje é que, se não vemos esses nove dons, dizemos que não há dom algum. Mas, irmãos e irmãs, tudo o que vocês encontram na Bíblia está ali para ilustrar um ponto. Para ilustrar certos pontos, Paulo toma dois dons: o dom de falar em línguas e o dom de profetizar.
Quem fala em línguas edifica a si mesmo. Está falando, mas seu entendimento não participa. Em seu espírito, pode estar falando mistérios, mas ninguém entende. Nem ele mesmo entende, embora seu espírito seja abençoado.
Mas profetizar não é apenas falar com o espírito; é também falar com entendimento. Como se fala com o espírito e com entendimento, quem fala entende, e aqueles que ouvem também entendem. Em outras palavras, isso edifica a igreja.
Vocês podem dizer que este dom, dado pelo Espírito Santo, é maior do que outro dom dado pelo mesmo Espírito? Podem dizer que um dom é menor do que outro, quando ambos são dados pelo mesmo Espírito?
Todos os dons vêm do mesmo e único Espírito. Todos os dons são manifestações Dele. Como podemos dizer que este dom é maior do que aquele, ou que aquele é menor do que este? No que diz respeito aos dons em si, eles são igualmente bons. São igualmente grandes ou igualmente pequenos.
Contudo, a Bíblia diz que o dom de profecia é maior do que o dom de falar em línguas. Isso não é por causa do dom em si. É por causa do efeito desse dom sobre o corpo. Isso faz toda a diferença.
Quando alguém fala em línguas, em seu espírito está falando mistérios e ele mesmo é edificado; mas ninguém mais é edificado. No que diz respeito a ele mesmo, isso é bom. Mas, no que diz respeito ao corpo, isso não edifica o corpo.
A manifestação que edifica o corpo é o dom maior. A grandeza e a pequenez devem ser medidas em relação ao corpo.
Este é o primeiro ponto que Paulo quer apresentar: quando o corpo funciona, deve ser guiado por este princípio — edificar o corpo. Este é o princípio que governa o exercício dos dons espirituais.
Paulo diz que, já que vocês buscam ardentemente os dons espirituais, procurem abundar para a edificação da igreja. Isto é, busquem os dons que edificarão a igreja.
A palavra edificar não é uma tradução muito boa. Literalmente, significa “construir”. Os dons espirituais e seu exercício têm o propósito de construir o corpo. Este é o objetivo.
Se alguém fala em línguas, edifica a si mesmo. Se não houver interpretação, deve falar consigo mesmo e com Deus. Mas, se houver interpretação, então isso tem tanto valor quanto a profecia, porque edifica o corpo.
Por que Paulo dá tanta importância ao funcionamento dos membros do corpo de Cristo? Porque a igreja em Corinto era muito rica em dons, especialmente no falar em línguas. Não parecia haver muita profecia, mas havia muito falar em línguas.
O resultado foi que começaram a exibir seus dons, a fazer uma demonstração de si mesmos, em vez de realmente edificar o corpo. Por isso, Paulo diz que é melhor falar cinco palavras com entendimento, palavras que edifiquem.
É preciso que a mentalidade se desenvolva, deixando de ser infantil. Por um lado, quando vemos uma criança, todos a amam. Uma criança é tão inocente, tão aberta e tão sem malícia.
Contudo, por outro lado, a mentalidade de uma criança é centrada em si mesma. Uma criança só consegue pensar em si. Não se preocupa com mais ninguém. No meio da noite, se estiver com fome, chora. Faz a mãe se levantar. Ela é a pessoa mais importante do mundo.
Observem uma criança quando há visitas. Ela quer ser o centro das atenções e do afeto. Quer que todos estejam voltados para ela; então fica satisfeita.
Irmãos e irmãs, no corpo de Cristo, nossa mentalidade precisa se desenvolver. Quantos filhos de Deus nunca deixam de ser bebês?
Mesmo no exercício dos dons espirituais, aqui na igreja em Corinto, tudo o que queriam era chamar a atenção para si. Queriam exibir seus dons. Não se importavam se aquilo edificaria outros irmãos e irmãs. Só se importavam em que todos olhassem para eles e dissessem: “Que maravilha!”
Essa é uma mentalidade infantil: pensar apenas em si mesmo, e não em edificar outras pessoas. Por isso, Paulo diz que a mentalidade de vocês precisa mudar. Em vez de terem a mentalidade de uma criança, devem ter a mentalidade de um adulto.
Em vez de buscar o dom que fará vocês se exibirem, busquem o dom que edificará o corpo. Ao exercerem seu dom, não tentem atrair as pessoas para si. Que as pessoas sejam edificadas em Cristo. Este é o tipo de mentalidade que precisa ser desenvolvido.
Se todo o povo de Deus se reunir com uma mentalidade infantil, vocês sabem o que acontecerá. Mas, se todo o povo de Deus se reunir com a mentalidade de um adulto, ó, como a igreja será ricamente ajudada!
Este é o primeiro princípio orientador do corpo em funcionamento. O problema da igreja em Corinto não eram os dons. O problema era a mentalidade infantil. Esse era o problema.
Não há nada de errado com os dons dados por Deus, as manifestações do Espírito Santo, concedidos com o propósito de edificar o corpo. Mas, com uma mentalidade infantil, surgem problemas.
Que cresçamos no Senhor. Que busquemos edificar. Que sejamos libertos de nos concentrarmos em nós mesmos, de atrairmos as pessoas para nós; antes, que as pessoas sejam direcionadas a Deus em Cristo.
Em segundo lugar, quando o povo de Deus se reúne, há um objetivo: que a glória do Senhor seja manifestada.
Para que serve o templo? O templo deve ser cheio da glória do Senhor. Lembro-me de que o irmão F. B. Meyer disse certa vez: “O que é glória?” Sua definição foi esta: quando Deus está satisfeito, isso é glória.
Não que vocês estejam satisfeitos, nem que eu esteja satisfeito, mas que Deus esteja satisfeito.
Em Mateus 18:20, o Senhor diz:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
O que é o templo? O que é a casa de Deus? É o lugar onde Deus habita. E, porque o nome de Deus está ali, a glória do Senhor está ali.
Onde quer que dois ou três estejam reunidos em Seu nome, ali Ele está no meio deles. Este é o princípio. Portanto, quando o povo de Deus se reúne, quando o corpo funciona, a única coisa que estamos avaliando é se vemos o Senhor.
Se todos falarem em línguas, diz Paulo, uma pessoa indouta ou um incrédulo entra e não consegue entender. Mas, se todos profetizarem, então a pessoa indouta e o incrédulo entram, são convencidos e precisam se prostrar e dizer que Deus está verdadeiramente entre vocês.
Irmãos e irmãs, o que importa é a presença do Senhor. Muitas vezes, quando nos reunimos, o que estamos procurando?
Muitas pessoas conversaram comigo e disseram: “Ah, irmão, esta reunião não é boa. Aquela reunião não é boa”. O que vocês estão procurando? O que estão procurando?
Quando o povo de Deus se reúne, há apenas um critério, e esse critério é a presença do Senhor. A presença do Senhor está ali? É real? Está sendo manifestada?
Isto é, quando o povo de Deus se reúne, as pessoas encontram o Senhor? Elas se prostrarão e dirão: “O Senhor está verdadeiramente aqui”? Elas experimentam essa realidade?
Se muitas pessoas se reúnem e vão embora sem ver o Senhor, onde está a realidade do corpo? Esta é a única coisa para a qual vocês devem olhar.
Não é quantos dons são manifestados. Não é que tipo de dom é manifestado. Não é a animação. Não é o conhecimento. Não é isto, nem aquilo.
Quando o povo de Deus se reúne, vocês devem procurar apenas uma coisa: a presença do Senhor. A presença do Senhor está aqui? Se a presença do Senhor não estiver aqui, nada realmente importa.
Creio que este é um princípio muito importante que governa o corpo em ação. Quando o povo do Senhor se reúne, esse é o momento em que, por meio das manifestações do Espírito Santo, o Cabeça é exaltado. O Senhor é de fato visto.
Em terceiro lugar, quando a igreja se reúne:
Cada um tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.
—1 Coríntios 14:26
Aqui está o corpo, e há muitos, muitos membros. O Espírito Santo, segundo Sua vontade, dá dons a cada um, e todos esses dons são diferentes. Assim, quando a igreja se reúne e entra em ação, vocês percebem que cada um tem algo.
Talvez isso precise de uma pequena explicação. Há dois tipos diferentes de reunião. Um é o que podemos chamar de reunião de ministério; o outro é o que podemos chamar de reunião da igreja.
Há um tipo de reunião que, na verdade, é um trabalho. Alguém que é chamado por Deus e a quem Deus concede certos dons ministra à igreja. Esse é o seu trabalho.
Deus dá à igreja alguns como apóstolos, alguns como profetas, alguns como evangelistas e alguns como pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos. Em outras palavras, Deus envia esses homens como dons à igreja, e eles trabalham no corpo. Ministram ao corpo.
Vamos chamar isso de reunião de ministério. Pela aparência exterior, é uma via de mão única. Uma pessoa ministra às outras.
É claro que, se o ministério for eficaz, aqueles que recebem a ministração também ministram àquele que ministra, capacitando-o a cumprir seu ministério. Eles fazem com que algo venha à tona nele. Mas, pela forma exterior, é uma via de mão única.
Quando as pessoas vêm a esse tipo de reunião, todos os ouvintes tendem a se tornar passivos, e toda a responsabilidade recai sobre o orador. Não é de admirar que tão pouco seja feito.
Mas há outro tipo de reunião que chamamos de reunião da igreja. Por que chamá-la de reunião da igreja? O princípio dessa reunião não é uma via de mão única; é uma via de mão dupla. Há atividade mútua.
Não é uma pessoa ministrando, exercendo seu dom para ministrar à igreja inteira. Pelo contrário, cada membro do corpo ministra aos outros. Isso é ministério do corpo.
Às vezes, as pessoas ficam um pouco confusas. Pensam que, se uma pessoa ministra a muitos grupos, isso é ministério do corpo. Não. Ministério do corpo é quando os membros do corpo ministram uns aos outros.
O ministério do corpo se baseia no princípio da mutualidade. Não há ninguém no corpo que apenas receba. Não há ninguém que esteja sempre apenas dando. Há mutualidade.
O Espírito conduz. Você ministra a mim, e eu ministro a você. Você dá e recebe. Este é o princípio de uma reunião da igreja. Este é o corpo em funcionamento.
Na história do cristianismo, conhecemos muitas das chamadas reuniões de ministério, mas conhecemos muito pouco da chamada reunião da igreja.
Se me lembro corretamente, Campbell Morgan disse certa vez que, no Novo Testamento, há apenas um lugar que nos diz como nos reunir, e, no entanto, não temos esse tipo de reunião. Ele tentou iniciar esse tipo de reunião em sua congregação, mas não deu certo.
Estamos tão acostumados ao tipo de reunião de ministério. Temos alguém na plataforma ministrando a nós, e ficamos apenas sentados, desfrutando — nem sequer cooperamos.
Como é terrível alguém ministrar a uma congregação e encontrar as pessoas sentadas ali como seus juízes! Estamos acostumados a esse tipo de reunião. Há lugar para essas reuniões; vocês encontram isso no Novo Testamento. Mas, irmãos e irmãs, há um lugar muito maior para o ministério mútuo.
Para a edificação do corpo, os membros do corpo precisam ministrar uns aos outros. Se houver apenas o tipo de reunião de ministério, sem o tipo de reunião da igreja, o corpo não poderá ser edificado de maneira rápida e saudável.
Graças a Deus, parece que Ele está conduzindo Seu povo nessa direção. Cada vez mais pessoas estão começando a perceber que, quando nos reunimos, precisamos ministrar uns aos outros.
Sublinhem isto: cada um. Cada membro — não apenas alguns membros dotados, não apenas alguns que parecem ter dons maiores —, cada membro tem uma parte.
Você pode ter um salmo. O que é um salmo? Talvez você não seja músico. Talvez não seja poeta. Mas pode ter um salmo.
Ao ler os Salmos, vocês percebem que um salmo é a expressão de uma experiência com Deus. De uma experiência com Deus, de uma experiência de Cristo, brota música; brota poesia. Pode não haver rima nem métrica, mas aquilo toca o coração.
Pode algum crente dizer que nunca tem um salmo, que nunca tem uma experiência de Cristo em sua vida? Não.
Você pode ter um salmo, um ensino, uma revelação, uma língua ou uma interpretação. O trabalho é ilimitado. Tudo isso está disponível. Não diga que você precisa ser como aquele irmão ou aquela irmã para ter algo a trazer. De modo algum.
Cada um de vocês tem algo — não segundo o que não tem, mas segundo o que tem.
Irmãos e irmãs, algumas pessoas têm o que eu chamaria de uma espécie de mentalidade de gênio. Nunca se preparam. Nunca estudam diante do Senhor. Nunca buscam a face do Senhor. Mas, quando vêm a uma reunião, esperam ser tão movidas pelo Espírito de Deus, no impulso do momento, que possam fazer algo para contribuir.
A Bíblia diz:
Cada um tem.
—1 Coríntios 14:26
Quando os filhos de Israel vinham a Jerusalém para adorar o Senhor, não vinham de mãos vazias.
Ao longo do ano, haviam trabalhado em seus campos. Do trabalho de suas mãos, traziam o cesto, os produtos da terra e aquilo com que o Senhor os havia feito prosperar. Traziam tudo isso ao templo para adorar o Senhor.
Não vinham de mãos vazias para, de repente, encontrar algo caindo em suas mãos. Não digo que isso não possa acontecer, mas raramente acontece.
Esse é o problema: as pessoas não são diligentes em sua vida diária. Por isso, quando se reúnem, ninguém traz nada. Todos vêm de mãos vazias, esperando ser alimentados porque não trouxeram nada. Não é de admirar que se encontre pobreza ali.
Não é esse o caminho. O caminho é que cada irmão e cada irmã, na vida diária, busque diligentemente o Senhor, aprenda do Senhor, aprenda Sua Palavra e aprenda Seus caminhos.
Porque todos são diligentes, alguns podem ter um salmo, alguns podem ter um ensino, alguns podem ter uma revelação. Irmãos e irmãs, cada um tem algo e se reúne para contribuir, ministrando com aquilo que recebeu do Senhor.
É assim que o corpo é enriquecido e edificado. Não pela genialidade, mas pela diligência. Até mesmo uma ideia é noventa e cinco por cento transpiração e apenas cinco por cento inspiração.
É verdade que, ao nos reunirmos, precisamos ser conduzidos pelo Senhor. Mas, ainda assim, o Senhor precisa ter algo com que conduzir você.
Se todos têm algo a trazer, isso cria outro problema — um problema muito diferente do nosso. Nosso problema é que há muito pouco. Mas, se formos realmente diligentes diante do Senhor e cada um tiver algo, então haverá outro problema.
Porque o Senhor lhe deu algo durante a semana, isso significa que você precisa forçar sua contribuição na reunião? Caso contrário, talvez você pense que a desperdiçou. Não é assim. Não é assim.
A beleza está em que cada um tem algo, e todos se reúnem com o coração aberto, tanto para dar como para receber. Então há a direção do Espírito Santo.
O Espírito Santo pode tocar uma pessoa e dizer: “Dê”. Ele pode passar por outra e tocar uma terceira. Mesmo que você tenha algo e aquilo não seja usado naquele momento, não está perdido.
Esta é a direção do Espírito Santo. Muitas vezes entendemos mal o que é direção. Todos pensam que direção significa esperar passivamente por Deus, como as pessoas junto ao tanque de Betesda, esperando que a água se movesse. O Espírito Santo não conduz dessa maneira.
Se você está sentado ali passivamente, se não traz nada consigo, o Espírito de Deus não tem nada para usar. Isso não é direção em uma reunião.
Direção em uma reunião significa que todos vêm preparados, por assim dizer, diante de Deus. Todos vêm trazendo algo. Ó, como é emocionante ver o Espírito de Deus começar a Se mover!
Quando o Espírito de Deus Se move, às vezes Ele liga tudo. Pode haver um salmo, um ensino, uma língua, uma interpretação e uma profecia; contudo, vocês percebem que há unidade, harmonia e direção. Não é desordem. É harmonia.
Essa é a direção do Senhor. Alguns irmãos e irmãs não sabem como o Espírito Santo conduz a reunião e, por isso, metem as mãos e interferem em Sua obra.
Ó, quanto precisamos do Espírito! Precisamos de entendimento. Se for apenas você, talvez o espírito seja suficiente. Mas, se for o corpo, você precisa do espírito e precisa de entendimento.
Como precisamos estar abertos e atentos, dizendo: “Senhor, o que o Espírito Santo está fazendo?” Como precisamos perceber a direção em que o Espírito está Se movendo na reunião!
Irmãos e irmãs, quando isso acontece, é mais do que belo — é glorioso. Vocês veem o Senhor. Veem o Senhor. É assim que Deus fala comigo.
Mesmo que o Espírito Santo não use você neste momento, não desanime. Isso não significa que você não tenha nada. Não significa que seja inferior. É simplesmente a soberania do Espírito de Deus.
Em outra ocasião, aquilo que foi depositado em você pode ser tocado pelo Espírito Santo e vivificado no momento certo, para a necessidade certa. Nada se perde.
É assim que o povo de Deus deve se reunir. Não há desordem, mas há uma ordem — a ordem do Espírito de Deus no corpo, não uma ordem organizada ou programada pelos homens.
Não, é a ordem do Espírito no corpo. À medida que o Espírito Se move, Ele dá uma certeza, e vocês percebem que todas as coisas cooperam de maneira bela. Não há nota dissonante, não há distração, mas tudo flui e edifica.
É claro que 1 Coríntios 14 nos dá um retrato de uma reunião da igreja na qual todos os membros exercem seus dons e funcionam conforme o Espírito dirige. O princípio está ali, mas isso não significa que haja apenas um tipo de reunião.
Pode haver variações. Pode ser oração; pode ser ministério da Palavra; pode ser estudo bíblico; pode ser comunhão aberta. Mas o princípio está ali.
Agora chegamos à parte mais difícil. Aqui encontramos Paulo dizendo:
Estejam caladas as mulheres.
—1 Coríntios 14:34
Não estou tentando evitar esse assunto. Vamos voltar um pouco.
Paulo trabalhou em Corinto durante um ano e meio. Durante aquele ano e meio, ele disse que nada sabia entre eles, a não ser Jesus Cristo e Este crucificado. Eu acredito nele, porque não disse àqueles crentes como deveriam se reunir.
Ele não falou de nada mais, a não ser de Jesus Cristo e Este crucificado. Muitas pessoas foram salvas. Os que foram salvos se reuniram como uma expressão do corpo de Cristo. Mas Paulo nunca lhes ensinou, desde o início, como se reunir.
Isso foi negligência da parte de Paulo? Suponham que eu vá a determinado lugar e, pela graça de Deus, algumas pessoas sejam salvas. Eu as reúno e digo: “Agora vamos edificar uma igreja do Novo Testamento. Vocês vão se reunir desta maneira”.
Então estabeleço dez ou cem regras e regulamentos: “Isto é o que vocês devem fazer. Isto é o que não devem fazer”. Suponham que eu faça isso. Vocês sabem o que acontecerá.
Essas regras e regulamentos substituirão a vida desde o início. Em vez de deixar a vida crescer e se expressar, as pessoas olharão para regras e regulamentos. Vocês não terão uma igreja do Novo Testamento; terão uma congregação do Antigo Testamento.
Assim, Paulo foi para lá, e algumas pessoas foram salvas. Ele disse: “Reúnam-se. Ministrem uns aos outros”. Essas pessoas se reuniram, e eram ricas em dons.
Vemos todos esses dons sendo exibidos e todos os membros funcionando com muita vivacidade. Mas começaram a brigar uns com os outros. Havia desordem; havia confusão; não era muito bonito.
Deus permitiu que crescessem, sem tentar lhes impor limites. Deixem a vida crescer. Deixem a vida crescer.
Então, quando a vida cresce até certo ponto, Deus dá algumas orientações e algumas instruções para canalizar essa vida. Irmãos e irmãs, creio que é isso que Paulo está fazendo em 1 Coríntios.
A primeira carta aos Coríntios é de natureza corretiva, não de natureza diretiva. Vocês estão ouvindo isso? Há pouquíssimas coisas de caráter diretivo em 1 Coríntios, mas muita correção, porque algo já estava sendo feito, mas não estava inteiramente certo. Por isso, precisava ser corrigido.
Portanto, quando Paulo diz:
Estejam caladas as mulheres.
—1 Coríntios 14:34
Lembrem-se de que ele não disse às mulheres que ficassem caladas desde o início. Se tivesse dito, elas já estariam caladas. Entendem meu ponto?
Muitas vezes, por nossa boa intenção de guardar a Palavra, estabelecemos a lei desde o início. Normalmente, quando uma assembleia está começando, há mais mulheres do que homens, e normalmente as mulheres são mais espirituais do que os homens.
Se vocês começarem com esse legalismo e simplesmente disserem: “Esta é a Bíblia; eu creio na Bíblia”, então perceberão que mais da metade do corpo está paralisada, e a outra metade mal consegue manter as coisas funcionando.
Graças a Deus, quando a vida começa a crescer até certo ponto, o Espírito de Deus diz: “Agora precisa haver regulamentação”.
Não sei se vocês concordam comigo, mas é assim que entendo. Não devemos negligenciar a Palavra de Deus; contudo, a Palavra de Deus não deve ser aplicada mecanicamente. Precisa ser aplicada na vida.
Se a vida cresce até certo ponto, então há uma determinada regulamentação que é muito natural e muito bela. Vocês sabem disso. Sabem disso.
A igreja sempre começa como uma família. Em uma família, o pai, a mãe, os irmãos, as irmãs, os mais novos e os mais velhos podem falar. Todos podem dar sua contribuição. É uma família.
Mas, quando a igreja começa a crescer, e o Senhor começa a levantar alguns irmãos com a Palavra, então uma ordem divina deve ser estabelecida.
Irmãos e irmãs, não é que Paulo tenha aversão às mulheres. De modo algum. É uma ordem divina. Há uma ordem.
Nessa ordem divina, os homens, os irmãos, representam Cristo. As mulheres, as irmãs, na igreja representam a igreja, o corpo.
Como os homens representam Cristo, devem assumir uma participação maior na liderança. As mulheres representam o corpo; portanto, devem assumir a parte de apoio. Se os irmãos liderarem e as irmãs não derem apoio, vocês não chegarão a lugar algum.
Há cooperação segundo a ordem. Com essa ordem, tudo será muito eficaz. A ordem visa à eficácia, assim como, em uma família, o pai ou marido é a cabeça, e a esposa é o corpo. Com a cabeça conduzindo e o corpo apoiando, a família funciona.
Não é uma questão de igualdade ou desigualdade. É para a eficácia do funcionamento. Para o funcionamento eficaz do corpo de Cristo, quando a vida cresce até certo ponto, precisa haver correção e regulamentação.
Naquele momento, porque as mulheres na igreja em Corinto haviam assumido uma participação tão destacada e de tanta liderança, Paulo disse:
Estejam caladas as mulheres.
—1 Coríntios 14:34
Isso significa que uma mulher não pode nem orar ou nem cantar? Em alguns lugares, as pessoas entendem assim. Dizem que, porque a Bíblia manda que as mulheres fiquem caladas, elas não podem falar nem cantar. Mas me pergunto por que permitem que cantem.
Se vocês lerem o contexto, perceberão que imediatamente vêm estas palavras:
Porventura foi de vós que saiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente a vós?
—1 Coríntios 14:36
Isso não significa que a Palavra de Deus não venha às mulheres. A Palavra de Deus vem, sim. Não significa que as irmãs nunca tenham a Palavra de Deus. De modo algum.
Mas significa que, por terem a Palavra, vocês não precisam necessariamente assumir o lugar de liderança, se Deus deu a Palavra aos irmãos também. Entendem o ponto?
Como a Palavra de Deus veio tanto aos homens como às mulheres na igreja, que haja essa ordem.
Isso não tem nada a ver com oração, porque a oração é dirigida a Deus, não aos homens. Não tem nada a ver com uma irmã relatar uma experiência ou dar um testemunho. Diz respeito à questão da Palavra.
Portanto, irmãos e irmãs, isso é principalmente uma questão de ordem. Não é algo técnico, mecânico, nem apenas uma questão de seguir a letra. Não.
É algo que passa a existir quando a vida cresce. Então vocês veem surgir uma ordem. E, irmãos e irmãs, quando essa ordem surge, vocês veem o corpo fortalecido, assim como em uma família.
Se todos querem discutir e falar, não temos essa ordem. Se você se considera espiritual, este é o mandamento do Senhor. Se quer ser ignorante, então seja ignorante.
Isso não é algo sobre o qual discutir. Se vocês o recebem do Senhor no Espírito, graças a Deus. Se não conseguem recebê-lo, tudo bem, leiam a respeito.
Faça-se tudo decentemente e com ordem.
—1 Coríntios 14:40
De maneira bela, com ordem.
Irmãos e irmãs, estas são algumas diretrizes, alguns princípios, que o Espírito dá a respeito do corpo em funcionamento. Espero que nos ajudem, para que o corpo funcione de maneira bela e gloriosa.
Todo o propósito é que o corpo seja edificado e que a glória do Senhor seja manifestada.
Querido Senhor, Tu és o Cabeça de Teu povo, de Teu corpo. Tu deste Teu Espírito ao corpo, para que o corpo seja conduzido e seja edificado.
Ó, nós realmente oramos para que haja uma expressão desse corpo em funcionamento, para que as pessoas se prostrem e digam: “O Senhor está verdadeiramente aqui”.
Ó Senhor, liberta-nos de uma mentalidade infantil. Concede-nos crescer em entendimento, para que possamos edificar nossos irmãos e irmãs.
Torna-nos diligentes em Te buscar. Dá-nos algo com que possamos contribuir para o corpo.
Capacita-nos a ser conduzidos por Ti, não nos impondo, mas permitindo que Tu nos conduzas.
Ó Senhor, estabelece Tua ordem na igreja. Queremos ver Teu corpo edificado e o Cabeça exaltado.
Que Tu sejas grandemente bendito. Usa estas palavras. Entregamos tudo em Tuas mãos. A Ti sejam todo o louvor, a glória e a honra, para todo o sempre.