17 de junho de 1973, em Richmond, Virgínia. A ministração está sendo feita por seu irmão, Stephen Kaung.
Somos gratos pela oportunidade de estarmos juntos. Ao olharmos para Ele, confiamos que Ele não nos decepcionará.
Atos 16:6-15:
E atravessaram a região da Frígia e da Galácia, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia;
e, quando chegaram diante da Mísia, tentaram ir para a Bitínia; mas o Espírito de Jesus não lhes permitiu;
e, passando pela Mísia, desceram a Trôade.
E, durante a noite, apareceu a Paulo uma visão: um homem da Macedônia estava em pé, rogando-lhe e dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos.
E, depois que ele teve a visão, imediatamente procuramos partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.
Portanto, navegando de Trôade, seguimos diretamente para Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis;
e dali para Filipos, que é uma cidade da Macedônia, a primeira do distrito, uma colônia romana: e permanecemos nessa cidade por alguns dias.
E, no dia de sábado, saímos para fora da porta, à beira de um rio, onde supúnhamos haver um lugar de oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se haviam reunido.
E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, que adorava a Deus, nos ouvia: o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.
E, depois que foi batizada, ela e sua casa, rogou-nos, dizendo: Se me haveis julgado fiel ao Senhor, entrai em minha casa e permanecei ali. E nos constrangeu a isso.
Filipenses 1:21, a primeira parte:
Porque para mim o viver é Cristo.
Porque para mim o viver é Cristo.
De todas as cartas que Paulo escreveu às igrejas, a carta aos Filipenses é a mais íntima que ele escreveu a uma igreja. Ao escrever essa carta, ele pôde abrir seu coração sem nenhuma reserva e sem nenhum receio de ser mal compreendido. Pôde derramar o que havia no mais profundo de seu coração para aquela igreja que tanto o amava e que ele tanto amava.
Creio que uma das experiências mais satisfatórias que podemos ter é poder abrir nosso coração a algumas pessoas sem nenhum receio. Vocês sabem, isso é uma tragédia neste mundo. Temos medo de abrir nosso coração uns aos outros — não porque não tenhamos essa necessidade, nem porque não queiramos, mas porque temos medo.
Se abrimos nosso coração a alguém, ficamos sujeitos a ser mal compreendidos. Estamos nos expondo, e as pessoas podem se apropriar do que dissemos e usar isso contra nós. Por essa razão, tornamo-nos muito prudentes. Procuramos ser muito educados. Procuramos ser muito diplomáticos. Procuramos dizer muita coisa sem dizer nada.
É assim que as coisas são neste mundo. É claro que sabemos como isso é insatisfatório. No fundo do coração, sabemos como seria satisfatório se pudéssemos abrir nosso coração uns aos outros, confiar uns nos outros, acreditar uns nos outros e saber que podemos confiar uns nos outros sem receio ou reserva.
Esse era o relacionamento entre Paulo e a igreja em Filipos. Por essa razão, a carta aos Filipenses ocupa um lugar muito singular na Bíblia. Nessa carta, Paulo pôde compartilhar seu segredo com os filipenses.
Na verdade, há duas cartas no Novo Testamento, escritas por Paulo, que revelam quem ele era. Uma é a segunda carta aos Coríntios, e a outra é a carta aos Filipenses. Mas existe uma diferença entre essas duas cartas.
Na segunda carta aos Coríntios, Paulo se revelou aos coríntios, mas foi obrigado a fazer isso. Na carta aos Filipenses, ele o fez voluntariamente, de boa vontade.
Na segunda carta aos Coríntios, ele se revelou mais como servo do Senhor, como ministro de Jesus Cristo. Em outras palavras, era seu ministério que estava sendo questionado, seu ministério que estava sendo contestado. Por isso, ele foi obrigado a se revelar como ministro de Jesus Cristo.
Mas, na carta aos Filipenses, ele não estava procurando revelar qual era seu ministério. Estava revelando qual era sua vida — não o ministério, não a obra, mas o homem.
Portanto, se queremos conhecer Paulo como homem de Deus, precisamos ler a carta aos Filipenses, porque ali ele nos abre seu segredo de vida como homem de Deus. Espero sinceramente que, talvez neste tempo em que estamos tendo comunhão, possamos ouvir e receber dele algo desse segredo.
Em primeiro lugar, creio que nesta noite vamos examinar um pouco do contexto histórico, porque penso que isso nos ajudará a compreender.
Filipos era uma colônia romana. A cidade de Filipos foi fundada por Filipe, rei da Macedônia e pai de Alexandre, o Grande. Ele fundou a cidade de Filipos em 368 a.C.
Por quê? Porque Filipos estava situada em um lugar de valor estratégico. A estrada que ligava o Oriente ao Ocidente passava por Filipos. Havia uma cadeia de colinas e, naquele ponto, havia uma passagem. Portanto, Filipos ocupava uma posição muito estratégica.
Quando os romanos conquistaram o mundo daquela época, fizeram de Filipos uma colônia romana. Vocês encontram no livro de Atos, que acabamos de ler:
Filipos, uma colônia romana.
Agora, o que era uma colônia romana? Uma colônia romana era uma invenção muito inteligente dos romanos. Seu território se estendia por uma vasta área e, para governar um império tão grande, eles construíram estradas para conectar todos esses lugares. Os romanos eram famosos por suas estradas.
Mas as estradas não eram suficientes. Então, ao longo delas, em pontos estratégicos, eles estabeleciam colônias. Uma colônia romana era muito diferente de uma colônia no sentido moderno. No sentido romano, era assim que eles estabeleciam uma colônia.
Quando encontravam um ponto estratégico em uma estrada romana, estabeleciam ali uma colônia. Enviavam aproximadamente trezentas famílias de soldados veteranos — pessoas que haviam lutado pelo Império Romano e prestado algum serviço ao império. Como recompensa, eram enviados com suas famílias para aquele ponto estratégico, e ali estabeleciam uma colônia romana.
Naquela colônia, tudo era romano. Era uma pequena Roma, uma Roma em miniatura. A língua usada naquela colônia era a língua dos romanos. Suas roupas eram roupas romanas. Os costumes que mantinham eram costumes romanos. Até os magistrados eram chamados por títulos romanos.
Tudo era romano. Era simplesmente uma pequena Roma em alguma parte do mundo. Os habitantes das colônias eram romanos e tinham muito orgulho de ser romanos. Recusavam-se a mudar.
Sempre que algo acontecia, uma colônia enviava reforços às outras muito rapidamente, graças às estradas que as conectavam. Era assim que os romanos governavam seu império.
Agora, irmãos e irmãs, é por essa razão que vocês encontram Paulo, ao escrever a carta aos Filipenses, mencionando que nossa cidadania está nos céus. Em outras palavras, somos colônias celestiais na terra.
Deus está estabelecendo Seu reino na terra. Como Ele governa Seu reino? Estabelecendo Suas colônias aqui e ali. Embora estejamos em Richmond, Virgínia, esta é uma colônia celestial. Este é um pequeno céu. Este é um pequeno reino de Deus aqui.
Irmãos e irmãs, Paulo nos lembra de não esquecer que aquelas colônias romanas tinham muito orgulho de ser romanas. Recusavam-se a perder sua identidade; recusavam-se a mudar. E nós?
Somos colônias celestiais na terra. Estamos representando o céu. Estamos representando o reino de Deus na terra. Mas temos orgulho de nossa cidadania celestial? Ou procuramos esconder nossa cidadania? Estamos tentando imitar, copiar, nos espremer para caber no molde deste mundo?
Ou estamos aqui para manter aquela posição celestial, aquela maneira celestial de viver, aquela linguagem celestial, aquela atmosfera celestial? É isso que está por trás da carta aos Filipenses.
Paulo estava procurando consolá-los e encorajá-los: “Não desanimem. Vocês são uma colônia celestial. Mantenham sua identidade. Não tenham medo”.
Na estratégia de Deus, Ele estabelece uma colônia aqui e outra ali. É isso que a igreja realmente é: uma igreja aqui, uma igreja ali, em diferentes localidades e em diferentes lugares, estrategicamente situada para trazer o reino de Deus a esta terra.
A chegada de Paulo a Filipos não foi planejada por ele. Paulo havia voltado a visitar as regiões da Frígia e da Galácia. Durante sua primeira viagem missionária, Barnabé e Paulo passaram por aquelas regiões da Galácia. Depois, durante sua segunda viagem, ele voltou a visitar essas igrejas.
Depois de terminar as visitas, ele estava viajando para o oeste. Em seu coração, pensava em ir para o sul, para a Ásia. A Ásia aqui não é o continente asiático; é a província romana da Ásia. Naquela época, a Ásia era uma província romana muito densamente povoada.
Depois que Paulo terminou sua viagem pelas regiões da Frígia e da Galácia, pensava em ir à Ásia para pregar o evangelho. Mas, curiosamente, o Espírito Santo o impediu de ir à Ásia.
Impedido de ir à Ásia, naturalmente voltou seus olhos para o norte, para a Bitínia. Era outra província romana densamente povoada. A necessidade ali era grande, por isso ele pensava em ir à Bitínia para pregar o evangelho. Novamente, o Espírito de Jesus o impediu.
Assim, ele precisou seguir diretamente para o oeste, até chegar a Trôade. Trôade era uma cidade à beira do mar Egeu. Ele havia chegado ao fim de seu caminho, porque além dali estava o mar.
Naquela noite, Deus lhe deu uma visão. Ele viu um macedônio pedindo ajuda:
Passa à Macedônia e ajuda-nos.
Na manhã seguinte, quando começou a compartilhar sua visão com seus companheiros de viagem, Silas estava ali, Timóteo estava ali e Lucas estava ali. Lucas, o médico amado, juntou-se a eles em Trôade. Se vocês lerem o livro de Atos com atenção, perceberão que é ali que começa o “nós”. Em vez de “eles”, começa o “nós”. Em outras palavras, Lucas estava incluído.
Quando Paulo compartilhou sua visão com seus companheiros de viagem, todos reconheceram que era o Senhor que os chamava a atravessar o mar e ir à Macedônia, e decidiram ir.
Irmãos e irmãs, esse foi um movimento muito importante do Espírito Santo. Por quê? Porque essa foi a primeira vez que o evangelho foi levado à Europa. A Macedônia ficava na Europa.
Antes disso, o evangelho estava mais ou menos restrito à Ásia como continente. Certamente, o evangelho não havia sido levado a toda a Ásia. Havia muitos lugares onde o evangelho ainda não havia sido pregado — a província romana da Ásia, a província romana da Bitínia. Eram esses os lugares aos quais Paulo pensava em ir para pregar o evangelho, mas o Espírito Santo não lhe permitiu fazer isso.
Não era porque não houvesse necessidade, mas porque Deus tem Seu próprio tempo. Mais tarde, vocês encontram Paulo passando três anos em Éfeso, a capital da província romana da Ásia. Deus tem Seu próprio tempo — não se trata apenas da necessidade, mas da estratégia de Deus e do tempo de Deus.
Às vezes, somos guiados apenas pela necessidade. Contudo, as necessidades são tão grandes — como podemos atender a todas elas? É muito difícil decidir. Mas, se somos guiados por Deus, pela direção e pela orientação do Espírito Santo, então o problema está resolvido. É o tempo de Deus.
Em vez de permitir que Paulo trabalhasse na Ásia, Deus o enviou para além do mar, à Europa, e o evangelho foi levado à Europa. A iniciativa foi do Espírito Santo, não do ser humano. Como é importante, quando se trata da obra de Deus e das coisas de Deus, que elas tenham sua origem em Deus e não sejam planejadas pelo homem.
Paulo e seus companheiros de viagem chegaram a Filipos, aquela colônia romana, a primeira cidade da Macedônia. Provavelmente, não havia muitos judeus naquela colônia, porque ela era tão romana.
Em muitas cidades, vocês encontram sinagogas dos judeus. Mas em Filipos, embora fosse uma cidade importante e uma colônia romana, não havia sinagoga.
Segundo o costume judaico, se houvesse dez homens com tempo disponível — dez homens judeus com tempo disponível —, poderia haver uma sinagoga. Isso não significa homens que não trabalhavam. Significa simplesmente homens dispostos a dedicar algum tempo ao judaísmo.
Na cidade de Filipos, não havia sequer dez homens judeus com essa disponibilidade. Por isso, não havia sinagoga. Somente as mulheres judias saíam para fora das portas da cidade, à beira do rio, para orar juntas. Havia uma reunião de oração de mulheres.
Com muita frequência, vocês percebem que as mulheres se interessam mais pelas coisas espirituais do que os homens. Os homens provavelmente estavam ocupados com seus negócios, e não havia sequer dez homens com tempo disponível. Mas as mulheres gostavam de adorar o Senhor e orar ao Senhor, por isso havia um grupo de oração de mulheres fora da cidade, à beira do rio.
Ao entrar em Filipos, Paulo procurou se informar, como era seu costume. Sempre que chegava a algum lugar, ele ia à sinagoga, porque, em seu tempo, o evangelho era anunciado primeiro aos judeus e depois aos gregos. Mas não havia sinagoga.
Ao procurar informações, soube que havia um grupo de oração de mulheres à beira do rio. Então foi participar da reunião das mulheres. Estando ali, pregou Cristo àquelas mulheres.
Não havia ali apenas mulheres judias; havia também gentias, provavelmente prosélitas. No tempo de Paulo, muitos gentios eram atraídos ao judaísmo pela pureza e pela simplicidade de sua adoração.
Alguns talvez fossem prosélitos plenos; chegavam até a ser circuncidados. Outros eram prosélitos da porta. Em outras palavras, aceitavam os ensinamentos do judaísmo sem passar por todos os rituais. Não sabemos, mas pelo menos vemos que, entre aquelas mulheres que oravam, havia mulheres gentias, provavelmente prosélitas.
Enquanto Paulo falava de Cristo àquele grupo, Deus abriu o coração de uma mulher chamada Lídia. Lídia era de Tiatira. Tiatira ficava na Ásia, na província romana da Ásia.
Vocês se lembram de que, no livro de Apocalipse, o Senhor enviou sete cartas às sete igrejas da Ásia, e uma das igrejas da Ásia era a igreja em Tiatira. Essa mulher veio de Tiatira para Filipos, provavelmente a negócios, porque era uma comerciante. Ela era vendedora de púrpura.
Naqueles dias, a púrpura era a cor de maior distinção. Somente os muito ricos e os nobres usavam púrpura. Lídia era negociante, comerciante, vendedora de púrpura. Em outras palavras, ela devia ser uma mulher muito rica. Era como uma princesa do comércio.
O Senhor abriu seu coração, e ela aceitou o Senhor. Ela foi batizada, e sua casa foi batizada. Literalmente, toda a casa de Lídia se voltou para o Senhor. Depois de se voltar para o Senhor, ela insistiu para que Paulo e seus companheiros fossem para sua casa.
Ela disse: “Se vocês me consideram fiel ao Senhor, então precisam aceitar meu amor e minha hospitalidade”. Foi assim que aquela primeira igreja começou.
Irmãos e irmãs, quando pensamos nas coisas espirituais, a mente de Deus é mais elevada do que a mente humana. Estávamos dizendo que o Espírito Santo guiou Paulo à Europa. Certamente, Ele queria que europeus fossem salvos. Curiosamente, a primeira pessoa a se converter foi uma asiática.
Se Ele queria salvar uma asiática, por que não ir à Ásia? Ele impediu Paulo de ir à Ásia; contudo, quando conduziu Paulo a Filipos, a primeira pessoa salva foi uma asiática. Como vocês explicam isso? Não podemos explicar os movimentos do Espírito Santo.
Sua mente é mais elevada do que a nossa, e Seus caminhos são mais elevados do que os nossos. Só podemos nos prostrar e adorá-Lo, porque Ele é Deus. Ele é soberano. Portanto, os primeiros convertidos, os primeiros crentes na cidade de Filipos, foram Lídia e os de sua casa — asiáticos.
Paulo continuou a frequentar aquele grupo de oração, porque ainda estava procurando ajudar aquelas mulheres a conhecer o Senhor. Enquanto ia àquele grupo de oração, uma jovem escrava com um espírito de adivinhação seguia Paulo todos os dias.
Ela seguia Paulo e seus companheiros enquanto iam ao grupo de oração e clamava pelas ruas:
Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação.
Era como se até o diabo estivesse pregando a doutrina. Na verdade, o diabo estava procurando confundir as coisas. Depois de alguns dias, o espírito de Paulo ficou perturbado. Deus não precisa de nenhuma ajuda do diabo.
Quando o espírito maligno parece estar ajudando, na verdade está procurando distorcer e confundir o evangelho. Finalmente, Paulo se voltou e, em nome do Senhor Jesus, expulsou o espírito maligno. A jovem escrava ficou livre.
Mas seus senhores viram que sua oportunidade de ganhar dinheiro havia desaparecido. Essa jovem escrava tinha um espírito de Píton. Píton era uma divindade grega, um revelador de coisas. Evidentemente, por meio desse espírito maligno, ela conseguia predizer o futuro e revelar segredos. Seus senhores perderam o lucro quando o espírito maligno foi expulso.
A segunda pessoa libertada na cidade de Filipos foi uma grega. A primeira foi uma asiática; a segunda foi uma grega.
Como os senhores viram que seu lucro havia desaparecido, incitaram a multidão, dizendo que aqueles homens eram judeus e que anunciavam algo que os romanos não podiam aceitar. “Somos romanos. Não podemos mudar. Estes são judeus, e estão dizendo a vocês coisas que nós, romanos, não devemos fazer”.
Por causa disso, Paulo e Silas foram presos, espancados e lançados no calabouço. Irmãos e irmãs, eles não foram interrogados nem julgados, embora a lei romana supostamente fosse uma lei justa.
Pois a vida de Deus, a vida de Cristo, era tão predominante neles. À meia-noite, começaram a cantar, a orar e a louvar.
Normalmente, quando está escuro, à meia-noite, vocês sentem mais a dor, porque tudo está em silêncio e não há distração. Mas aqui vocês veem que a vida de Cristo era tão predominante nesses dois homens. Em vez de gemer, lamentar e murmurar, eles estavam cantando, louvando e orando.
Enquanto faziam isso, houve um terremoto. Todas as portas da prisão se abriram. De repente, o carcereiro acordou. Ao ver as portas abertas, pensou que todos os prisioneiros haviam fugido, por isso estava prestes a se matar.
Paulo gritou:
Estamos todos aqui.
Mais uma vez, isso é muito estranho. Quando as portas da prisão se abriram, os prisioneiros deveriam ter aproveitado a oportunidade para fugir, mas ninguém fugiu. Todos estavam ouvindo. Esqueceram-se de que estavam na prisão.
Então o carcereiro veio. Ele viu a ação de Deus, e até um carcereiro romano, desprovido de consciência, prostrou-se diante deles e disse:
Que devo fazer para ser salvo?
Eles lhe disseram:
Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa.
Ele creu, e os de sua casa creram. Levou Paulo e Silas para sua própria casa, lavou-lhes as feridas, pôs a mesa, e toda a sua casa ficou cheia de alegria.
Aqui vocês veem que a terceira pessoa era um romano. A igreja em Filipos foi formada à medida que Deus salvava pessoas da Ásia, da Grécia e de Roma.
Ela começou como uma igreja internacional. Mas, é claro, não era internacional no sentido natural, porque, quando todas essas pessoas de diferentes nacionalidades foram trazidas para o Corpo de Cristo, tornaram-se uma nova criação — nem judeu nem gentio.
A maravilha do evangelho de Jesus Cristo é que ele alcança a todos. Quer você seja asiático, quer seja grego, quer seja romano, o evangelho de Jesus Cristo alcança a todos.
Aqui vocês encontram uma demonstração disso na cidade de Filipos. A igreja em Filipos era composta de pessoas de diferentes nacionalidades e, contudo, quando se reuniam, não havia nem judeu nem gentio. É Cristo. É Cristo.
Olhem para essas três pessoas. Lídia era uma mulher rica. Ela tinha uma formação religiosa — não apenas uma formação asiática, mas uma formação judaica, porque talvez fosse prosélita. Sua posição social era elevada, porque era uma mulher de posses.
A jovem escrava não tinha posição social alguma. E o carcereiro romano provavelmente era de classe média. Aqui vocês encontram pessoas de diferentes posições sociais e, contudo, Deus é capaz de salvar pessoas de todas as condições e uni-las em um só corpo.
Nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, nem judeu nem gentio, nem circuncisão nem incircuncisão;
mas Cristo é tudo, e Ele está em todos.
Esse é o significado da igreja. Desde o início, vocês veem isso demonstrado na igreja em Filipos — não apenas pessoas de diferentes nacionalidades, mas pessoas de diferentes condições sociais. Deus pode uni-las? Já não há divisão; todas são uma em Cristo.
Desde o início da igreja, vocês encontram o amor expresso de maneira prática. Lídia creu no Senhor Jesus e imediatamente começou a servir. O carcereiro creu no Senhor e imediatamente lavou as feridas de Paulo e Silas e os serviu.
A igreja em Filipos teve um bom começo, um começo maravilhoso. Começou bem. Por causa disso, vocês veem que essa igreja esteve com Paulo durante toda a sua vida.
Na carta de Paulo aos Filipenses, escrita muitos anos depois, da prisão em Roma, ele disse:
Desde o primeiro dia até agora, tendes participado comigo no evangelho.
Eles tinham uma só mente e um só coração com Paulo no evangelho.
Não é de admirar que Paulo amasse tanto aquela igreja e que eles amassem Paulo tanto, tanto. Esse era o contexto.
Mencionamos no início que, nesta carta aos Filipenses, Paulo abriu seu coração. Qual era o contexto?
Paulo chegou a Roma como prisioneiro. Embora lhe fosse concedida certa liberdade, embora pudesse morar em sua própria casa alugada e receber visitantes, ainda assim era prisioneiro. Não era livre. Estava sempre preso por uma corrente a um guarda romano, vinte e quatro horas por dia.
A igreja em Filipos ouviu falar disso e enviou um de seus membros, Epafrodito, da Macedônia para a Itália, para Roma. Não o enviaram apenas para levar uma oferta a Paulo, que estava preso e certamente tinha necessidades.
Eles não apenas oravam com ele em espírito, mas também o serviam de maneira prática. Enviaram uma oferta a Paulo para suprir sua necessidade. Mais do que isso, ao enviarem Epafrodito com a oferta, enviaram-no para servir Paulo em seu lugar.
Eles não podiam servir Paulo enquanto ele estava preso, por isso enviaram Epafrodito como seu representante — não apenas para levar dinheiro, mas para permanecer ali e servir Paulo como um servo. Vocês veem o amor da igreja em Filipos por Paulo. Eles realmente o amavam. Queriam fazer tudo o que pudessem para aliviar seu sofrimento.
Viajar naqueles dias era muito difícil. Não era como hoje, quando se pode pegar um avião e chegar em poucas horas. Ele provavelmente precisou viajar por terra e por mar, e havia todo tipo de perigo.
Depois que Epafrodito chegou a Roma, ficou doente, chegando quase à morte. Provavelmente, por causa dos perigos e das dificuldades da viagem, chegou muito doente. Quase morreu.
Quando Paulo viu a situação, sabia que, quando uma pessoa está doente, naturalmente pensa em sua própria casa e em seu próprio povo. Epafrodito, estando doente, naturalmente pensaria em seu povo, que o havia enviado.
Paulo era esse tipo de pessoa. Nunca foi alguém que pensava apenas em si mesmo. Era tão atencioso. Estava sempre pensando nas outras pessoas.
Mas, por fim — e, na verdade, o mais importante —, eles amavam tanto Paulo, e Paulo os amava tanto. Paulo queria compartilhar seu segredo com os filipenses. É por isso que essa carta aos Filipenses é tão importante. Paulo está abrindo seu coração e nos contando seu segredo de vida.
Ao lerem a carta aos Filipenses, creio que vocês ficarão impressionados com seu conteúdo. Pensem em Paulo em Roma. Ele era prisioneiro — mais do que isso, era prisioneiro contra sua vontade.
Os judeus o obrigaram a apelar para César. Os judeus queriam assassiná-lo, e até os magistrados e governadores romanos procuravam agradar aos judeus. Paulo foi obrigado a dizer:
Apelo para César.
Como cidadão romano, ele tinha o direito de apelar para César — de ser julgado pelo próprio César. Mas, ao fazer isso, poderia parecer aos judeus que estava acusando seus próprios irmãos e se opondo a seus próprios parentes segundo a carne. Portanto, isso era algo que Paulo foi obrigado a fazer e que não queria fazer de modo algum.
Ao chegar a Roma, reuniu imediatamente os anciãos da sinagoga e lhes disse que havia sido obrigado a fazer aquilo. Não era porque tivesse algo contra os judeus, contra seu próprio povo. Era prisioneiro contra sua vontade.
Enquanto estava em Roma como prisioneiro, embora tivesse certa liberdade, permanecia preso por uma corrente a um guarda romano, vinte e quatro horas por dia. Nunca estava sozinho. Os guardas romanos se revezavam para vigiá-lo e, por estarem juntos, não podiam deixar de ouvir o que Paulo dizia.
Apenas do ponto de vista humano, se vocês não têm privacidade, isso não é um grande sofrimento? Absolutamente nenhuma privacidade.
Ele não apenas não tinha liberdade, mas também não tinha privacidade. Além disso, enquanto estava em Roma, podia receber visitantes e pregar o evangelho, mas certos cristãos judeus, por inveja, pregavam um evangelho de lei e graça em oposição a Paulo. Acrescentavam aflição às suas cadeias, porque Paulo considerava aquilo um evangelho distorcido.
E, é claro, ele trazia todas as igrejas no coração. Elas tinham seus problemas e, contudo, ele não podia ajudá-las pessoalmente porque estava preso.
Irmãos e irmãs, vocês conseguem pensar em todas essas coisas? Humanamente falando, Paulo estava em uma situação muito ruim. Conseguem imaginar alguma situação ou circunstância em que vocês estivessem em condição pior do que a de Paulo?
Quando estamos em uma situação assim, ou mesmo em uma situação menos difícil, qual será nossa reação? Qual será nossa maneira de viver? Provavelmente, começaremos a gemer, lamentar, murmurar e até nos rebelar.
“Por que Deus permitiu que todas essas coisas acontecessem comigo? Não fiz nada de errado. Pelo contrário, estou servindo ao Senhor, e me vi envolvido em todos esses problemas. Ele não alivia meus problemas nem os resolve. Permite que eu fique acorrentado aqui”.
Contudo, vocês encontram na carta aos Filipenses um espírito tão elevado, tão vitorioso. A situação continuava ali; não havia mudado. Mas Paulo se elevou acima da situação. Ele não vivia debaixo dela; vivia acima dela. Por quê? Ah, sim — Cristo.
Irmãos e irmãs, Deus não nos prometeu uma vida sem dificuldades. Não é porque vocês servem ao Senhor que toda a sua situação e tudo ao seu redor serão um mar de rosas, sem problemas nem dificuldades. Deus não necessariamente resolverá cada problema de imediato, nem impedirá que qualquer problema entre em sua vida.
Provavelmente, sua situação ficará pior, porque Ele os libertou do poder das trevas e os transportou para o reino do Filho do Seu amor. Vocês percebem que o inimigo está atrás de vocês, procurando vocês.
Então, como vamos viver aqui na terra? Qual é o segredo da vida? Como podemos viver acima das circunstâncias, e não debaixo delas?
Paulo disse:
Porque para mim o viver é Cristo.
Essa é a diferença.
Se alguém pudesse viver por sua própria força de vontade, por sua personalidade dinâmica, por sua própria força, conhecimento e determinação, esse homem seria Paulo. Paulo era realmente um gênio, sem dúvida alguma.
Mesmo antes de se converter, quando era Saulo de Tarso, vocês veem que ele era um homem com capacidade de liderança. Embora fosse jovem, já havia avançado mais do que seus contemporâneos no judaísmo. Estava em ascensão.
Era um homem de vontade, poder, força e talento. Se algum homem pudesse viver por sua vontade, personalidade dinâmica, força e conhecimento, certamente esse homem seria Paulo.
Mas ele podia viver assim? Leiam Romanos 7. Ele mesmo confessou que não podia.
O querer está presente em mim, mas não o realizar o bem.
“Eu sei o que é bom. Estou determinado a fazê-lo. Contudo, não consigo. Tenho tentado, e tentado bastante”.
Até que um dia ele disse:
Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Isso foi uma revelação para Paulo.
Às vezes, pensamos em Paulo de determinada maneira. Algumas pessoas têm a impressão de que, quando Paulo se converteu no caminho de Damasco, ele não teve problemas como os nossos. Parece ter sido um cristão tão maravilhoso, como se, depois da revelação no caminho de Damasco, simplesmente tivesse seguido em frente vitoriosamente, sem nenhuma derrota em sua vida.
Não foi assim. Não foi assim. Leiam Romanos 7. Ele era exatamente assim.
Depois que somos salvos, sabemos que devemos seguir o Senhor. Sabemos que devemos agradar ao Senhor. Sabemos que devemos fazer tudo para glorificar o Senhor. Então começamos dizendo: “Agora sou cristão. Vou viver como Cristo”.
Com boas intenções e firme determinação, dizemos: “Vou viver como Cristo, porque é isso que um cristão é. É isso que um cristão deve ser”.
Então tentamos. Todos nós tentamos, com o melhor de nossa capacidade. Tentamos vez após vez, até que um dia percebemos que viver como Cristo é impossível. Não está ao alcance de nenhum homem viver como Cristo. Há apenas um Homem que pode viver como Cristo, e esse é Cristo.
Nem mesmo Paulo podia viver dessa maneira. Se Paulo não podia viver dessa maneira, você pode? Eu posso?
Recentemente, fizeram-me uma pergunta, mas não tive tempo de responder. Alguém perguntou, em uma conferência há duas semanas: “Paulo tinha uma vontade forte. Por isso, podia ser um cristão vitorioso. Suponhamos que uma pessoa não tenha uma vontade tão forte — ela pode vencer?”
É como se tudo dependesse de nossa vontade. Mas o próprio Paulo disse:
O querer está presente em mim, mas não o realizar.
Não é uma questão de força de vontade. Não é uma questão de determinação. Não é uma questão de conhecimento. Não é uma questão de sua força.
Mais cedo ou mais tarde, vocês descobrirão que sua força, seu conhecimento, sua força de vontade e sua determinação não são capazes de competir com a lei do pecado. Vocês não conseguem viver como Cristo. Ninguém consegue.
Creio que foi uma grande revelação quando Paulo disse:
Miserável homem que sou!
Nós nos chamaremos de homens miseráveis? Se alguém chamar você de miserável, você discutirá com ele. Dirá: “Por que você me chama assim? Não sou melhor do que isso?”
Mas um dia Paulo começou a perceber que era miserável. Irmãos e irmãs, antes de crerem no Senhor Jesus, vocês não se sentiam tão miseráveis. Podiam fazer tudo o que quisessem, até desfrutar de alguns prazeres do pecado.
Mas, depois que são salvos e querem servir ao Senhor, seguir o Senhor, amar o Senhor e agradar a Ele, começam a descobrir que essa é uma vida muito miserável — mas vocês estão presos a ela.
Se soubessem disso de antemão, provavelmente nem teriam tentado. Talvez nem se tornassem cristãos. Mas agora não há caminho de volta — não há caminho de volta.
Em nossa vida espiritual, chegará um dia em que vocês começarão a perceber como são miseráveis. Algumas pessoas hoje acham que a vida cristã é apenas uma vida de risos. É preciso rir o tempo todo. É preciso mostrar um rosto sorridente o tempo todo. Então você é um bom cristão.
Bem, graças a Deus por isso. Deus talvez permita que vocês tenham isso por meio ano. Mas, depois disso, receio que provavelmente começarão a se sentir miseráveis.
Na verdade, quando vocês começam a se sentir miseráveis, estão crescendo no Senhor. Talvez pensem que estão andando para trás. “Por que, quando cri no Senhor pela primeira vez, eu podia cantar o tempo todo e era tão feliz? Por que hoje me sinto tão miserável?” Irmão, você está crescendo.
Vocês começam a perceber que, para vocês, viver — e, para mim, viver — significa apenas uma coisa. Não é simplesmente viver na terra. Não. Para vocês, viver significa viver para a glória de Deus, viver como Cristo.
“Porque para mim o viver” significa apenas uma coisa: Cristo não é apenas nosso propósito e nosso alvo; Ele é nosso caminho, o caminho para esse alvo e esse propósito.
Todos nós tentamos viver essa vida e nos tornamos miseráveis. Então vem a revelação:
Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
Esse versículo tem um contexto. Paulo estava pensando em uma punição romana. Se uma pessoa assassinasse outra, a punição romana consistia em amarrar o cadáver da pessoa assassinada ao assassino — rosto com rosto, corpo com corpo, mão com mão, pés com pés — e deixá-los presos um ao outro.
Então deixavam que o cadáver em decomposição, o veneno daquele cadáver, envenenasse gradualmente a pessoa viva. Essa era uma punição romana, e Paulo estava pensando nisso.
Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
“Estou amarrado a um cadáver. Não consigo me livrar dele. Ele está me envenenando. Está me corrompendo. Quem é esse cadáver? É o velho homem. Como você pode se livrar dele?”
Irmãos e irmãs, é nesse ponto que vem a revelação positiva:
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim:
e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé, a fé no Filho de Deus,
Que me amou e Se entregou por mim.
Vejam, essa revelação veio em duas partes. Qual é a parte negativa, e qual é a positiva? A negativa é perceber: “Miserável homem que sou. Nunca conseguirei. É melhor nem tentar”.
O lado positivo é que Ele já o fez. “Fui crucificado com Cristo”. Quem pode me livrar desse homem miserável? Fui crucificado com Cristo. Sim, quando Ele foi crucificado na cruz, eu estava ali. Ele fez isso.
Então, agora, quem vive? Já não sou eu. Quem é? É Cristo Quem vive. Agora vivo na carne. Ainda estou na carne, vivendo neste corpo, mas é pela fé.
Não vivo por mim mesmo. Se vocês olharem, pode parecer que sou eu, mas vivo pela fé. Fui crucificado com Cristo. É Cristo vivendo.
Paulo diz:
Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Em outras palavras, para mim, viver é outra Pessoa.
Deus nunca teve a intenção de que vivêssemos por nós mesmos. Deus quer que saibamos que o viver não é você; é Cristo.
Quantas vezes tentamos viver. Quanto mais tentamos, mais miseráveis nos tornamos. O tempo todo, é como se o Senhor estivesse procurando nos dizer: “Vocês não precisam fazer isso. Vocês já morreram. Eu estou vivendo. Eu viverei, se vocês apenas crerem”.
Porque para mim o viver é Cristo.
Não: “Para mim, viver é ser como Cristo”; não: “Para mim, viver será Cristo”. Mas:
Para mim o viver é Cristo.
Deus já fez isso.
Tudo o que precisamos fazer é crer e agir pela fé em Jesus Cristo. Portanto, o segredo de nossa vida como cristãos, como homens e mulheres de Deus, é Cristo.
O segredo não é que Paulo conhecesse alguma fórmula secreta. Às vezes, estamos sempre procurando alguma fórmula secreta, especialmente na medicina chinesa. Não estamos procurando uma fórmula secreta. O segredo é uma Pessoa viva: Cristo. Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, este é um segredo aberto. É de vocês. É meu. Todos nós temos isso. A única coisa que falta é reconhecer que é assim.
Se realmente reconhecemos isso e sabemos que está tudo certo, é de admirar que Paulo tenha sido capaz de viver acima de sua condição? Não é de admirar.
De que outra maneira vocês podem viver? Esta é a única maneira de viver.
Irmãos e irmãs, aqui vocês veem que o cristianismo não nos dá um padrão para depois nos colocar sob a escravidão da lei. O cristianismo nos dá Cristo como o padrão e também como o caminho para alcançar esse padrão. É Cristo.
Portanto, espero sinceramente que, ao começarmos a estudar a carta aos Filipenses, e à medida que Paulo se revela a nós, possamos realmente nos apropriar desse segredo.
É Cristo.