Westland, Virgínia — Segunda-feira pela manhã, 5 de fevereiro de 1973
Nosso Pai, oramos para que nossos corações se alegrem ao nos reunirmos junto a Ti. Tu és a alegria da nossa casa. Tu és a nossa força, a nossa adoração e o nosso louvor. Como Te louvamos e agradecemos por Te dignares a estar conosco e receber os louvores e a adoração dos nossos corações.
Que privilégio! Que aceitação! Tudo isso é por causa da Tua graça, da Tua preciosa graça. Tu nos abriste este novo e vivo caminho. Oh, como Te louvamos porque és tão real, tão vivo, e nada pode nos separar do Teu amor, pois é o Teu amor por nós.
Que o Teu amor nos inspire a amar-Te, Senhor. Porque Te amamos, queremos conhecer-Te mais. Manifesta-Te a nós, como prometeste. Permite-nos ouvir a Tua voz, Senhor. É a Ti mesmo que desejamos, e nada mais.
Que Tu tenhas um lugar maior em nossas vidas — o lugar que Te pertence por direito. Entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando que aperfeiçoarás a boa obra que já começaste. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Por favor, abram no livro de Atos.
E, quando chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos; mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos e lhes contou como no caminho ele vira o Senhor, e que Este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus.
Os que foram dispersos pela tribulação que sobreveio por causa de Estêvão passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a palavra a ninguém, senão somente aos judeus.
Havia, porém, entre eles alguns homens de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
E a mão do Senhor era com eles; e grande número dos que creram se converteu ao Senhor.
E chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia.
O qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou; e exortava a todos a permanecerem no Senhor com firme propósito de coração.
Porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé; e muita gente se uniu ao Senhor.
E partiu para Tarso, a buscar Saulo;
E, achando-o, o conduziu a Antioquia. E sucedeu que, durante um ano inteiro, se reuniram com a igreja e ensinaram muita gente; e em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos.
E na igreja que estava em Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, irmão de criação de Herodes, o tetrarca, e Saulo.
E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-Me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Já mencionamos que aqueles anos de formação deste novo vaso, chamado corpo de Cristo — a igreja —, são muito, muito importantes. Se este novo vaso, o corpo de Cristo, será formado segundo o modelo celestial, tornando-se um vaso adequado ao uso do Mestre, ou se degenerará em algo diferente do que Deus deseja, isso depende, em grande medida, daqueles anos de formação.
Como vemos de Atos 6 a Atos 15, graças a Deus, Ele levantou sete homens fundamentais e os usou para ajudar na formação deste corpo de Cristo. Assim, por fim, vemos que Deus realmente obteve o que desejava.
Já mencionamos alguns deles: Estêvão, Filipe, Paulo e Pedro. Agora, nesta manhã, gostaríamos de prosseguir com Barnabé, porque Barnabé tem um lugar muito especial no estabelecimento dos fundamentos do corpo de Cristo. Ele serviu como uma espécie de ponte. Uniu Pedro e Paulo.
Vocês verão que ele teve um ministério muito especial no estabelecimento dos fundamentos do corpo de Cristo.
Encontramos Barnabé pela primeira vez em Atos 4. Naquele tempo, Deus estava aumentando o número dos que criam no Senhor. Todos os que criam estavam juntos. Eram de um só espírito e de uma só alma, e amavam uns aos outros.
Eles foram libertos do apego às próprias posses. Estavam dispostos a compartilhar tudo uns com os outros. Eram verdadeiramente um só corpo.
Foi naquele período que os membros do corpo perceberam que havia pobres entre eles, pessoas que passavam necessidade. Não podiam ver seus irmãos e irmãs em necessidade e simplesmente dizer: “Que o Senhor supra todas as suas necessidades”. Sentiam-se constrangidos pelo Senhor a suprir as necessidades daqueles que precisavam.
Alguns começaram a vender suas propriedades e a levar o valor dessas vendas aos pés dos apóstolos, para que fosse distribuído a todos os que estavam em necessidade.
Entre eles, havia um que se destacava. É claro que não foi o único a fazer isso, mas foi aquele que o Espírito Santo mencionou particularmente como exemplo. Havia um homem chamado José, levita, natural de Chipre. Ele vendeu sua propriedade e depositou o valor aos pés dos apóstolos.
Os apóstolos lhe deram um sobrenome — deram-lhe outro nome —, Barnabé, que significa “filho da consolação” ou “filho do consolo”.
O nome judaico de Barnabé era José. Mas vemos que ele tinha outro nome: Barnabé, filho da consolação. Era levita e havia nascido e sido criado em Chipre. Portanto, era um judeu helenista, não um judeu hebreu.
Nele encontramos a combinação não apenas da cultura grega, mas também da cultura hebraica. Nesse sentido, ele era muito parecido com Paulo.
Ele amava o Senhor, não apenas de palavra, mas de fato. Vendeu sua propriedade e depositou o valor aos pés dos apóstolos. Não fez tudo isso de maneira independente; fez em comunhão com a igreja.
Sabem, às vezes podemos fazer coisas boas, mas preferimos fazê-las de maneira independente. Contudo, nos primeiros dias da igreja, quando eram movidos pelo Espírito de Deus a fazer certas coisas, nunca faziam nada de maneira independente. Era sempre em comunhão com a igreja.
Tudo procedia da igreja, e tudo estava relacionado à igreja. Mesmo essa questão de servir aos pobres estava relacionada à igreja. Oh, aquilo era realmente belo.
Primeiramente, Saulo se converteu no caminho para Damasco. Ele havia se tornado famoso em Jerusalém como o principal perseguidor da igreja. Arrastava homens e mulheres para fora de suas casas e os colocava na prisão. Era muito conhecido em Jerusalém.
Então foi a Damasco e se converteu. Depois de se converter, foi para a Arábia, provavelmente por cerca de três anos, e ali permaneceu diante de Deus. Depois daqueles anos, voltou a Damasco. Ficou algum tempo com os discípulos e, como seu testemunho era tão eficaz, teve de fugir.
Vocês sabem como ele fugiu: em um cesto, descido por cima da muralha. Então foi a Jerusalém em busca de comunhão. Mas ninguém acreditava nele. Mesmo depois daqueles anos, a impressão que havia deixado era profunda demais.
Esses crentes em Jerusalém tinham medo de Paulo, que naquela época era chamado Saulo. Embora tivesse voltado como um homem transformado, depois de três anos ninguém acreditava nisso. Aqui encontramos Paulo em Jerusalém, rejeitado pelos judeus e não aceito pelos cristãos. Estava completamente sozinho, e isso deve ter sido uma experiência terrível para ele.
Mas, graças a Deus, entre todos os discípulos em Jerusalém havia um homem que teria coragem: Barnabé.
Barnabé era um judeu helenista. Quando a perseguição começou em Jerusalém, ela se concentrou, na verdade, nos judeus helenistas. Estêvão era um judeu helenista e foi apedrejado até a morte. Então começou a grande perseguição. Ela se dirigia principalmente contra os judeus helenistas.
Certamente Barnabé também era um alvo, de modo que deveria se lembrar muito bem daquilo. Contudo, vemos que Barnabé era um homem de coração tão grande que conseguia perdoar e esquecer o passado. Conseguia enxergar o que Deus havia feito na alma daquela pessoa e acreditar no que Deus havia feito.
Ele tinha fé não apenas em Deus, mas também, sabem, nas pessoas. Às vezes é muito difícil mudarmos nossa opinião sobre alguém. Depois que chegamos a uma conclusão, pronto.
Muitas vezes as pessoas perguntam a um irmão: “O que você acha deste irmão, ou desta irmã, ou deste homem, ou desta mulher? Você acha que há alguma esperança?”. No começo, você não sabe exatamente que tipo de pessoa ela é. Então tem algum contato e começa a formar uma ideia, um conceito. Depois que sua opinião está formada, pronto.
Mas você crê em Deus? Crê que Deus é capaz de mudar uma pessoa, de transformar uma pessoa? Se você crê em Deus, então pode acreditar nisso. Não que o homem possa mudar por si mesmo, mas Deus pode fazê-lo.
Todos os outros discípulos não conseguiam acreditar. Diziam: “Este homem não pode ser salvo. Provavelmente está apenas armando uma cilada. Está tentando descobrir quem são esses cristãos, juntando-se a eles, para depois persegui-los”. Ninguém acreditava.
Mas Barnabé era um homem de coração grande. Viu o que o Senhor havia feito naquela pessoa; por isso, tomou-o consigo e o apresentou aos crentes em Jerusalém. Foi assim que Paulo conheceu Pedro: por meio da apresentação de Barnabé.
Paulo pôde ficar com os discípulos por algum tempo, até que seu testemunho se tornou intenso demais novamente, e ele teve de partir. Então a igreja o enviou para longe, e Paulo voltou a Tarso. Passou vários anos na Síria e na Cilícia, pois Tarso fica na Cilícia.
Por causa da perseguição, os discípulos foram dispersos. Enquanto seguiam pelo caminho, chegaram à Fenícia, a Chipre e a Antioquia, e anunciavam as boas-novas, mas somente aos judeus.
Havia, porém, alguns de Chipre e de Cirene. Essas pessoas começaram a testemunhar aos gregos, e o Senhor começou a acrescentar muitos, muitos desses gregos à igreja. Por fim, começaram a chegar a Jerusalém notícias de que, nessas cidades gentílicas, muitos se haviam convertido a Cristo — não apenas judeus, mas também muitos gentios.
Então enviaram uma pessoa, e essa pessoa era Barnabé. Barnabé era muito adequado para esse tipo de trabalho. Foi enviado para visitar todos esses lugares, até Antioquia.
Será que ele foi como investigador ou inspetor? De modo algum. Sabem, na igreja primitiva não havia a ideia de uma igreja controlar outra. Não existia tal coisa.
Jerusalém não era a igreja-mãe, tendo todas as outras igrejas como igrejas-filhas. Esse foi um conceito que surgiu muito mais tarde.
Nos primeiros dias, à medida que as igrejas começaram a se espalhar por diferentes lugares, cada igreja mantinha sua independência de governo. Mas havia comunhão no Espírito entre as igrejas.
Assim, quando ouviram em Jerusalém que Deus havia feito algo nas cidades da Síria e da Cilícia, enviaram Barnabé, não com o propósito de investigar ou inspecionar e depois colocá-las sob seu controle. Enviaram Barnabé para buscar comunhão, a fim de que estivessem unidos em uma só comunhão e fortalecessem uns aos outros.
A Bíblia nunca apresenta a ideia de igrejas-mães e igrejas-filhas — nunca. O que a Bíblia apresenta são igrejas irmãs.
Em 2 João 1:13, encontramos:
Os filhos de tua irmã eleita te saúdam.
A relação entre as igrejas é uma relação de irmandade. Uma igreja é irmã de outra igreja. Algumas são irmãs maiores, e outras são irmãs menores, mas são irmãs. Não é uma relação de pais e filhos.
Se fosse uma relação de pais e filhos, os pais controlariam e governariam os filhos, e os filhos deveriam obedecer aos pais. Mas, se são irmãs, sua relação é de igualdade e, ao mesmo tempo, de comunhão.
Na formação da igreja, o corpo de Cristo, de maneira muito prática, vemos o Espírito Santo orientando e conduzindo o caminho. Barnabé foi enviado. Era o tipo de pessoa que tinha um coração grande. Era o filho da consolação. Era um judeu helenista.
Ele não saiu com a intenção de exercer poder sobre todas aquelas igrejas que Deus havia levantado, para incorporá-las ao domínio da igreja em Jerusalém. Esse é um caminho humano, não o caminho divino.
O Espírito Santo havia dado início a todas aquelas igrejas, e então Barnabé foi enviado para uni-las em comunhão no Espírito, mas não para colocá-las sob o controle da igreja em Jerusalém.
Toda a estrutura da igreja hoje não está de acordo com as Escrituras. Por um lado, cada assembleia local é independente, no sentido de que é governada diretamente por Deus. Nenhuma igreja governa outra igreja. Contudo, isso é equilibrado pela comunhão entre as igrejas, de modo que elas realmente sejam uma.
O corpo de Cristo é universalmente um só, mas, em sua expressão prática, temos igrejas locais. Todas essas igrejas locais são expressões locais do corpo de Cristo. Portanto, têm comunhão umas com as outras para demonstrar que são uma. Isso é belo.
Essa é a razão pela qual Barnabé foi enviado. Ao viajar por esses lugares, viu a graça de Deus manifestada neles.
Sabem, é muito fácil, quando saímos para visitar, enxergar todas as falhas, fraquezas e deficiências. Isso é muito fácil. Se você tem uma capacidade de observação muito aguçada, pode ir a qualquer lugar e imediatamente perceber as fraquezas e falhas do povo de Deus. Pode chegar ali como juiz, e não como irmão.
Mas Barnabé era um homem diferente. Quando chegou ao meio daqueles crentes gentios, em vez de enxergar suas fraquezas, fazer comparações, desprezá-los e criticá-los, viu a graça de Deus neles.
Oh, irmãos e irmãs, como é fácil enxergarmos as coisas negativas. Não é preciso olhar muito a fundo para vê-las. Mas é muito difícil enxergarmos o que é positivo. Por quê? Por causa da nossa própria natureza — da nossa natureza pecaminosa, não é verdade?
Aqui encontramos esse homem cheio do Espírito Santo. Ele estava realmente sob o controle do Espírito Santo. Assim, quando chegou ao meio daquelas pessoas, não tinha nenhuma intenção de dominá-las. Não tinha nenhuma intenção de julgá-las. Veio simplesmente como um irmão, pronto para ajudar.
Ele viu a graça de Deus na vida delas e se alegrou. Conseguia se alegrar com o que Deus havia feito sem sua participação.
Ele as encorajou a servir ao Senhor com um único propósito: permanecer no Senhor. Em outras palavras, seu ministério era um ministério de firmar os crentes.
Ele não era muito dado a aventuras, mas era acolhedor, como um pastor. Chegava para ajudá-los, fortalecê-los e firmá-los. Por causa de seu trabalho entre aquelas pessoas em Antioquia, o Senhor acrescentou mais pessoas à igreja. Era um ministério de firmar os crentes.
Enquanto permanecia com eles, Barnabé começou a perceber o potencial da igreja em Antioquia. Começou a perceber que aquilo que Deus faria naquela igreja era algo que ele não poderia realizar sozinho. Era uma obra maior e mais ampla do que Barnabé poderia conduzir.
Então foi a Tarso buscar Paulo. Agora, pensem nisso.
Normalmente, falando em termos humanos, essa é sempre uma tentação para um servo do Senhor: se ele vai a um lugar e o Senhor começa a usá-lo, passa a considerar aquele lugar como seu. Aqui e ali, encontramos um estabelecendo um reino para si, e outro estabelecendo um reino para si. Então você guarda seu reino com muito cuidado. Considera a igreja sua propriedade particular.
Essa é uma tentação humana, e acontece em toda parte. Quando Deus começa a usar uma pessoa, ela estabelece um reino e não deixa mais ninguém tocar nele. “Este é o meu território.”
E você? Está edificando seu próprio reino ou está edificando o corpo de Cristo?
Como estratégia missionária, diferentes sociedades missionárias chegaram a um acordo: “Você vai para o leste, eu vou para o oeste, ele vai para o sul, e o outro vai para o norte. Cada um de nós delimitará um território e trabalhará nele. Agora, você não venha ao meu território”.
O que vocês estão fazendo? Estão edificando seu próprio reino ou estão edificando o corpo de Cristo? Se é o corpo de Cristo, pertence a Cristo. Se é o corpo de Cristo, deve poder se beneficiar de todos os ministérios que Deus deu à igreja.
Barnabé era uma pessoa que não buscava seu próprio benefício. Não saiu de Jerusalém simplesmente para ser um rei em Antioquia. Aquilo era a igreja, o corpo de Cristo, e precisava ser cuidado.
Ele viu grande potencial naquela igreja e percebeu que aquilo ia além do que podia fazer. Graças a Deus por Barnabé! Se um servo do Senhor consegue reconhecer sua limitação, isso é algo digno de nota.
Ele pensava apenas no bem da igreja; não pensava em sua posição. Se estivesse pensando em sua posição, nunca teria ido buscar Paulo. Por quê? Porque, desde o início, Paulo tinha mais dons do que ele. Foi por isso que foi buscá-lo.
Percebeu que aquela era uma obra que não poderia conduzir sozinho. Conseguiu firmá-los no começo, mas então chegou ao seu limite. Não manteria a igreja em Antioquia dentro de sua própria limitação; queria que eles fossem aquilo que Deus desejava que fossem.
Graças a Deus por isso. Todos os servos de Deus hoje deveriam aprender essa lição.
Paulo já estava na Síria e na Cilícia havia vários anos. Não podia permanecer em Jerusalém, por isso o enviaram a Tarso, e ele passou vários anos naquela região. Em Gálatas 1, diz que estava na Síria e na Cilícia, trabalhando para o Senhor. As pessoas na Judeia apenas ouviam dizer que o antigo perseguidor agora anunciava as boas-novas, mas nunca o tinham visto.
Paulo estava quase esquecido. Havia duas possibilidades: ou ficaria tão desanimado que desistiria, ou ficaria tão indignado com o tratamento que recebera que diria: “Está bem, se vocês não se importam comigo, eu não me importo com vocês. Vou estabelecer uma obra na minha região, e esse será o meu reino. Não terei nada a ver com a igreja em Jerusalém nem com ninguém mais”.
Uma pessoa como Paulo, se não tivesse encontrado alguém que lhe trouxesse equilíbrio, poderia ter ido a esse extremo. Mas graças a Deus por Sua sabedoria divina: Barnabé foi buscá-lo.
Se vocês lerem a Palavra com atenção, verão que Barnabé fez certo esforço para encontrar Paulo. Não foi simplesmente uma questão de saber que Paulo estava em Tarso, correr até lá e bater à sua porta. Não. Ele nem sequer sabia onde Paulo estava. Precisou procurá-lo.
Estava disposto a dedicar tempo para encontrar Paulo, e o levou a Antioquia. Ali Paulo trabalhou com Barnabé durante um ano inteiro.
Por causa do trabalho conjunto desses dois servos do Senhor, os discípulos cresceram muito no Senhor. A igreja manifestava Cristo com tamanha plenitude que as pessoas começaram a olhar para eles e perguntar: “Quem são eles?”.
Eles não eram o judaísmo, porque a maioria era gentia. No começo, a maior parte dos crentes era composta de judeus, de modo que as pessoas podiam olhar para a igreja e dizer: “Isto é apenas uma seita do judaísmo”. Mas, em Antioquia, a situação era inteiramente diferente.
Ali eram, em sua maioria, gentios. Não se podia dizer que aquilo era uma seita do judaísmo ou uma parte do judaísmo. Era algo diante dos olhos das pessoas, algo vivo. Elas olhavam para eles e diziam: “São cristãos” — homens de Cristo.
Cristo era tão manifestado no meio daquelas pessoas que elas receberam esse apelido: cristãos.
Puderam chegar a tal testemunho por causa do amor, da humildade e do trabalho de Barnabé, que estava disposto a permanecer oculto.
Sabem, em Colossenses 2:19 lemos:
Retendo a Cabeça, da Qual todo o corpo, suprido e unido pelas juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
Todos nós nos apegamos firmemente à Cabeça. Cristo é a Cabeça. Então todo o corpo é suprido, ligado e unido pelas juntas e pelos ligamentos.
No corpo, precisamos de juntas e de ligamentos. As juntas são juntas de suprimento. Elas fornecem o sangue, fornecem a vida e suprem o corpo. Mas também precisamos de ligamentos, porque os ligamentos unem.
Assim como em seu corpo físico, você não precisa apenas dos ossos e das juntas, mas também dos músculos. Eles unem o corpo. Com as juntas de suprimento e os ligamentos de união, o corpo cresce com o crescimento de Deus.
Barnabé era um ligamento. Provavelmente Paulo era uma junta de suprimento, mas Barnabé certamente era um grande ligamento. Sem esses ligamentos, a igreja não pode crescer.
Irmãos e irmãs, muitas vezes enfatizamos o ministério das juntas, mas, de alguma forma, deixamos de perceber o ministério dos ligamentos. Pensamos que, para a edificação do corpo de Cristo, precisamos de pessoas que sejam como juntas, capazes de suprir vida. Graças a Deus por todas essas juntas.
Contudo, há pessoas que não parecem fornecer muito suprimento, e ainda assim existe um ministério silencioso em andamento: ligando as pessoas umas às outras, aproximando-as, unindo-as e firmando-as juntas.
É um ministério tão essencial quanto o ministério das juntas. Geralmente essas pessoas não são vistas. Geralmente são negligenciadas pelos outros. Mas, sem esses ligamentos, o corpo não pode crescer com o crescimento de Deus.
Por meio das juntas e dos ligamentos, vemos que a igreja em Antioquia cresceu com o crescimento de Deus. Havia um testemunho maravilhoso: foram chamados cristãos.
É assim que a igreja deve ser edificada. Esses princípios precisam ser mantidos para que o corpo de Cristo seja edificado em toda parte, onde quer que sua expressão local deva se manifestar. Precisamos dessas juntas e desses ligamentos. Precisamos de Paulo e precisamos de Barnabé.
Naquele tempo, Deus levantou cinco profetas e mestres na igreja em Antioquia. Barnabé era o principal, pois seu nome é mencionado primeiro, e Saulo era mencionado por último, porque era relativamente novo no Senhor e ainda estava aprendendo.
Enquanto os cinco profetas e mestres serviam ao Senhor com jejum e oração, antes de servirem à igreja e antes de servirem ao povo de Deus, primeiro serviam ao Senhor. Essa é a ordem correta.
Eles serviam ao Senhor, atendiam à Sua necessidade, e depois à igreja. Enquanto serviam ao Senhor, o Senhor disse:
Separai para Mim Barnabé e Paulo.
Era para uma obra apostólica especial.
Porque serviam com tanta fidelidade na igreja local, Deus ampliou seu ministério e lhes deu um ministério mais abrangente — um ministério apostólico. Deus enviou Barnabé e Paulo para isso.
Irmãos e irmãs, vemos que a maneira pela qual Deus prepara Seu povo é esta: vocês sempre são preparados na igreja local.
Muitas vezes, quando as pessoas dizem que querem servir a Deus, especialmente os jovens, imediatamente pensam em um lugar distante. Isso é natural, porque ali parece haver aventura. Você nunca pensa em servir a Deus aqui; está sempre pensando em servir a Deus em algum outro lugar.
Para servir a Deus em algum outro lugar, o que você deve fazer? Receber preparo. Ir para uma escola bíblica. Para onde mais poderia ir?
Agora, não estou criticando ninguém, porque passei por isso. Quando fui salvo e estava fervoroso, queria servir a Deus. Para onde deveria ir? Para a Mongólia, é claro! Não para Xangai, minha terra natal. Como poderia ir à Mongólia para servir? É claro que precisava ir para uma escola bíblica. Onde mais alguém poderia receber preparo?
Vocês leem o Novo Testamento e não encontram isso. Como Deus preparava Seus obreiros?
Se Deus coloca em você o desejo de servir, a igreja está ali. Ali está o preparo. Não é uma escola; é a igreja, o corpo de Cristo.
Não há escola em que você possa aprender a servir a Cristo melhor do que na expressão local do corpo de Cristo. Você diz: “Todo mundo me conhece”. Graças a Deus, todo mundo conhece você. É ali que o preparo começa.
Se você for fiel no lugar onde Deus o colocou, servindo ao Senhor, um dia o Senhor poderá dizer: “Seja separado. Vá”. Então você poderá entrar em um ministério maior.
Vemos que isso sempre começa no lugar onde estamos. Se você não pode ser usado por Deus entre as pessoas que conhece, pode esperar que, de repente, seja grandemente usado por Deus entre pessoas que não conhece?
Muitas pessoas dizem que não conseguem ganhar nenhuma alma aqui, mas, se forem para a África, de repente ganharão muitas almas. Isso precisa ser demonstrado aqui primeiro. A partir da fidelidade, Deus ampliará seu ministério.
Barnabé e Paulo foram separados para partir. Barnabé era um homem de coração tão grande. Estava sempre procurando ajudar as pessoas. Estava sempre procurando alguém a quem pudesse ajudar e edificar.
Sem Barnabé, não teríamos Paulo. Embora Deus tivesse Se revelado de tal maneira a Paulo, sem Barnabé, Paulo poderia ter se perdido. Foi Barnabé quem o introduziu na comunhão dos santos. Foi Barnabé quem o introduziu na obra. Na verdade, Paulo foi preparado sob a orientação de Barnabé.
Barnabé estava atento a Paulo. Durante vários anos, depois de tê-lo deixado em Jerusalém, ainda se lembrava dele. Sabia que era um jovem muito promissor e queria ajudá-lo, edificá-lo, para que se tornasse alguém maior do que ele próprio.
Quando Deus separou Barnabé e Paulo para essa obra apostólica, imediatamente vemos que Barnabé levou também outro jovem, João Marcos.
Não porque João Marcos fosse seu primo. Creio que Barnabé sabia muito bem que não deveria agir assim. Não foi por causa de um vínculo carnal. Não; na obra de Deus, a carne não pode entrar.
Aqui vemos o coração grande de Barnabé. Ele estava sempre procurando jovens a quem pudesse ajudar e edificar, para que se tornassem vasos para Deus. Precisamos agradecer a Deus por Barnabé. É disso que a igreja precisa hoje.
Os jovens que têm o desejo de servir a Deus e querem aprender precisam de ajuda. Aonde podem ir? Quem os ajudará? Quem se lembrará deles? Talvez os mais velhos tenham medo dos mais jovens, porque um dia os jovens poderão substituí-los.
Mas não Barnabé. Quando via a graça de Deus em uma pessoa, queria ajudá-la e edificá-la. Por isso, voltou sua atenção para João Marcos. Paulo concordou com ele, portanto não se tratava de um vínculo carnal.
Se vocês lerem o livro de Atos com atenção, verão que, naquele período, no começo era Barnabé e Paulo. Quando Deus disse:
Separai Barnabé e Saulo.
Eles partiram como um grupo: Barnabé, Saulo e João Marcos.
Mas então algo aconteceu. De repente, vemos o Espírito Santo dizer: “Paulo e Barnabé”. Como agora era Paulo e Barnabé, João Marcos não conseguiu suportar aquilo.
Esse jovem ainda era um homem de carne e sangue. Seu primo havia sido o líder do grupo, e agora Paulo assumia a liderança. Ele não conseguiu concordar com isso e foi embora.
Mas Barnabé continuou com Paulo. Paulo estava em evidência. As pessoas viam Paulo, ouviam Paulo e falavam de Paulo. Barnabé estava à sombra de Paulo, mas aceitou isso com graça.
Oh, a humildade desse homem de Deus! Irmãos e irmãs, como desejamos ver algo assim hoje entre os servos de Deus.
Muitas vezes os servos de Deus disputam posição e destaque uns com os outros, assim como as pessoas disputam autoridade e poder neste mundo. Que coisa triste.
Se ao menos soubéssemos nos render à Cabeça! Onde quer que a Cabeça determine, é ali que devemos estar, mesmo que, humanamente, seja difícil.
Mas Barnabé não estava atrapalhando os passos de Paulo. Estava apoiando Paulo em seu ministério. Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras que, quando o Espírito Santo mudou a ordem, Barnabé tenha seguido a contragosto, enquanto secretamente colocava obstáculos no caminho de Paulo. Não; ele apoiava Paulo de todo o coração — um filho do consolo, um filho da consolação.
Quando decidiram sair pela segunda vez, Barnabé disse: “Vamos levar João Marcos novamente”. João Marcos os havia deixado e ido para Jerusalém. De alguma maneira, por meio do ministério de Pedro, João Marcos foi parcialmente restaurado. Antes, Barnabé e Paulo o haviam levado de Jerusalém para acompanhá-los.
Quando decidiram sair pela segunda vez, Barnabé disse: “Vamos levar João Marcos”. Ele esqueceu completamente a falha de João Marcos. Barnabé perdoava; Barnabé restaurava. Estava ansioso para restaurar plenamente aquele jovem.
Mas Paulo, porque João Marcos os havia abandonado em certa ocasião, sentia que ele precisava ser disciplinado. Eles tiveram uma discordância. Barnabé levou Marcos e foi para Chipre, e Paulo escolheu Silas. A igreja os recomendou ao Senhor, e Paulo foi para a Síria, a Cilícia, a Galácia e assim por diante.
Hoje, irmãos e irmãs, muitas vezes fazemos esta pergunta: quem estava certo?
Esses dois servos de Deus haviam trabalhado juntos e sido tão abençoados. Agora vemos que entraram em conflito a tal ponto que não conseguiram chegar a um acordo. Cada um teve de seguir seu próprio caminho. Quem estava certo? Quem estava errado?
A história procura julgar o certo e o errado nesse episódio. Geralmente as pessoas dizem: “É claro que Barnabé estava errado”. Por quê? Depois disso, Barnabé não foi mais mencionado. O que ele fez não foi mais mencionado. A história, dali em diante, é a de Paulo, e Barnabé desaparece de cena.
Não sabemos o que aconteceu depois que ele levou Marcos para Chipre. Parece que o Espírito Santo disse: “Você se desviou”, enquanto Paulo continuou, apoiado pela igreja. Por isso, algumas pessoas dizem que Paulo deve ter estado certo e Barnabé deve ter estado errado.
Mas, queridos irmãos e irmãs, receio que Deus não julgue de maneira tão simples. É verdade, parece que Barnabé, nessa decisão, estava tomando um rumo errado. Parece ser assim.
Se Barnabé tinha uma falha, era a falha da generosidade. Seu coração era tão grande; ele perdoava demais. Como isso pode estar errado? Era simplesmente o modo soberano de Deus agir.
É verdade que, por meio da ajuda contínua de Barnabé, embora Barnabé parecesse desaparecer de cena, João Marcos foi aperfeiçoado. Ele foi aperfeiçoado. Mais tarde, Paulo pôde dizer:
Ele me é útil para o ministério.
Até mesmo Deus pôde usá-lo para escrever o Evangelho segundo Marcos.
Assim, aqui vemos que parece que Barnabé morreu para que Marcos pudesse viver. É um ministério de amor — de amor. Quem somos nós para julgar? Ele pode ter estado errado, mas era a falha de sua generosidade, e Deus é capaz de relevar a falha e ainda usá-lo para aperfeiçoar esse jovem, João Marcos.
Irmãos e irmãs, é assim que o corpo de Cristo deve ser formado. Por meio do morrer de uma pessoa, surge a vida de Cristo em outra pessoa.
Quando isso acontece, já não podemos julgar. Penso que um dia, quando comparecermos perante o tribunal de Cristo, teremos uma ideia diferente a respeito de Barnabé.
Sei que não são muitas as pessoas que têm Barnabé em alta estima, mas me pergunto se um dia mudaremos nossa opinião sobre ele. Era um homem de Deus e tinha um lugar muito especial na edificação do corpo de Cristo.
Ele foi uma ponte que desapareceu de cena, mas a igreja foi edificada.
Portanto, precisamos pedir a Deus que levante mais — não apenas mais Paulos, mas também mais Barnabés. Precisamos deles.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e agradecemos pela diversidade dos Teus servos, que deste à Tua igreja, para que ela seja edificada segundo o Teu projeto divino.
Nós Te agradecemos por Paulo e Te agradecemos por Barnabé. Oramos para que haja muitas juntas de suprimento e muitos ligamentos de união, para que o corpo cresça com o crescimento de Deus.
Oh, Senhor, este é o vaso que procuras, e queremos tê-lo, para que Tu, a Cabeça, possas continuar a fazer e a ensinar. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.