Nosso Pai, nós Te agradecemos por pertencermos à família de Deus, não porque sejamos dignos, mas porque Tu nos chamaste pela Tua graça.
Nosso Pai, desejamos que, como Teus filhos na Tua família, saibamos como nos comportar, para que Tu recebas toda a glória e toda a honra.
Ó Senhor, nosso único desejo é glorificar-Te. Por isso, simplesmente nos entregamos a Ti, confiando que o Teu Espírito Santo soprará sobre a Tua Palavra, tornando-a viva e operante na vida de cada um de nós. Queremos que Tu faças a obra. Queremos que Tu nos conduzas a uma condição que Te agrade, que Te glorifique. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve uma murmuração dos judeus gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram negligenciadas na distribuição diária.
E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é conveniente que nós deixemos a palavra de Deus para servir às mesas.
Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este serviço.
Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.
E este parecer agradou a toda a multidão: e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas, e Nicolau, prosélito de Antioquia;
os quais apresentaram perante os apóstolos: e estes, tendo orado, lhes impuseram as mãos.
E crescia a palavra de Deus; e em Jerusalém se multiplicava grandemente o número dos discípulos; e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé.
Esta manhã, mencionamos como a igreja primitiva enfrentou um problema. Era o problema de um homem e sua esposa que tentaram mentir ao Espírito Santo. Mas o Espírito Santo era tão real na igreja que a disciplina do Senhor veio imediatamente sobre eles.
Ora, esse incidente foi como uma mosca no unguento. Mas, antes que pudesse estragar o unguento, ela foi retirada. Portanto, não foi algo tão grave. Era um problema pessoal; não afetou a igreja inteira e foi resolvido imediatamente, porque o Espírito Santo estava ali na igreja.
Mas, nesta noite, vemos em Atos 6 que a igreja primitiva teve um problema real. Esse foi o primeiro problema verdadeiramente coletivo que a igreja enfrentou. No caso anterior, era o problema de um casal, de natureza mais pessoal. Mas aqui havia um problema real, que afetava a igreja como um todo.
Será que vocês conseguem encontrar na terra uma igreja que não tenha nenhum problema?
Por um lado, nunca devemos nos contentar com o que vemos. Devemos sempre buscar aquilo que corresponda ao coração de Deus. Não creio que Deus queira que nos acomodemos e digamos: “Bem, somos humanos. Haverá problemas. E daí?” Então fechamos os olhos, nos acomodamos e tentamos ficar contentes e satisfeitos.
Deus quer que busquemos aquilo que satisfará o Seu coração. Se o Seu coração não está satisfeito, não fiquemos satisfeitos. Isso é muito verdadeiro.
Mas, por outro lado, sempre haverá problemas. Se vocês quiserem procurar uma igreja perfeita na terra, podem percorrer o mundo inteiro e não a encontrarão.
Sabem, conheço algumas pessoas que são perfeccionistas e estão tentando encontrar uma igreja perfeita. Elas ficam em um lugar por algum tempo, depois descobrem alguma mancha e vão para o lugar seguinte. No começo, acham que o novo lugar é melhor, mas, em poucos meses, descobrem mais alguma coisa e precisam seguir adiante. Em outras palavras, não existe uma igreja perfeita na terra.
Haverá problemas. Mas a igreja primitiva crescia por meio dos problemas. Sempre que encontramos um problema entre eles, parece que a igreja crescia por causa daquele problema. Em vez de ser derrotada, em vez de sucumbir, vemos que os problemas serviam como oportunidades para o Senhor levá-la a um nível mais elevado.
Irmãos e irmãs, isso aconteceu com a igreja primitiva, e hoje não pensem que vocês podem encontrar uma igreja perfeita, sem problema algum.
Se o Senhor realmente reuniu vocês, quanto mais próximos estiverem e quanto mais viverem como membros de um só corpo, mais problemas encontrarão. Se vocês apenas comparecem uma vez por semana, durante uma ou duas horas, ouvem uma pregação, cumprimentam algumas pessoas e vão para casa, não há problema. Nenhum problema. Mas isso não se chama vida da igreja.
Se o Senhor realmente colocou vocês juntos como membros de um só corpo, vocês se veem com frequência. Procuram adorar a Deus juntos. Procuram servir a Deus juntos. Procuram ministrar uns aos outros. Vocês encontrarão muitos problemas.
Mas a questão é esta: a igreja segundo Deus cresce por meio dos problemas. Se não houver problema, não haverá crescimento. Se não houver problema, não haverá oportunidade para o Senhor levar o Seu povo a um nível mais elevado.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não procurem uma igreja perfeita, sem problemas. Mas graças a Deus: quando há problemas, eles são oportunidades para Deus. Vemos que foi assim com a igreja primitiva.
O primeiro problema real que surgiu na igreja foi um problema criado pelos helenistas. Em outras palavras, a igreja primitiva em Jerusalém era composta principalmente de judeus. Não havia gentios — eram todos judeus, embora houvesse alguns prosélitos. A igreja em Jerusalém era composta de pessoas de origem judaica, de modo que não havia um problema racial. Mas havia problemas culturais.
Por quê? Porque esses judeus eram de dois grupos. Alguns judeus haviam nascido e sido criados na terra da Judeia. Eram judeus hebreus. Haviam sido expostos ao ensino e à prática rigorosos do judaísmo.
Mas havia outros judeus que haviam nascido e sido criados em cidades gentílicas, espalhadas pelo mundo de então. Haviam sido expostos à cultura grega. Eram judeus, mas haviam recebido a cultura grega. Sua perspectiva e suas opiniões haviam sido, de alguma maneira, influenciadas pela civilização grega. Não eram tão rigorosos na observância da lei quanto os judeus hebreus. Eram mais liberais porque tinham mais contato com o mundo — provavelmente, eram mais intelectualizados.
Portanto, esses eram os judeus helenistas, ou judeus gregos. Na igreja primitiva em Jerusalém, todos eram judeus, mas alguns eram judeus hebreus e outros eram judeus helenistas. E Deus os colocou juntos para formar um só corpo.
Naturalmente, os doze apóstolos, sendo judeus hebreus, conheciam melhor as condições dos crentes de origem judaica hebraica. Por isso, no cuidado com as viúvas entre eles, parecia que as viúvas dos crentes judeus hebreus eram bem assistidas, enquanto as viúvas dos crentes de origem helenista eram deixadas de lado.
Não intencionalmente. Certamente, os apóstolos não deixariam intencionalmente os helenistas de lado para cuidar apenas dos hebreus. Não era uma questão de intenção; era uma questão de circunstância.
Não sei por que havia tantas viúvas naqueles primeiros dias. Parece que havia muitas viúvas na igreja em Jerusalém. Provavelmente, a vida era muito difícil naquela época.
A igreja cuidava das viúvas. No Antigo Testamento, Deus não apenas ordenou ao Seu povo que não negligenciasse as viúvas, mas também determinou que, quando alguém estivesse ceifando ou fazendo a colheita, se alguma coisa ficasse para trás, não deveria voltar para recolhê-la. Deveria deixá-la para os órfãos e para os estrangeiros.
Deus cuidava das viúvas. Ele era o Pai dos órfãos e o Juiz das viúvas. Assim, vemos que, na igreja primitiva, eles sempre cuidavam das viúvas. Até mesmo em 1 Timóteo, vemos que uma viúva com mais de sessenta anos era incluída na lista da igreja; isto é, a igreja cuidava dessas viúvas.
Graças a Deus por isso. Eles eram realmente uma grande família. Mas, de alguma maneira, devido às limitações humanas — não intencionalmente, mas por causa das circunstâncias —, as viúvas dos judeus gregos foram negligenciadas. E, por causa disso, houve murmuração.
Irmãos e irmãs, esse foi o primeiro problema real na igreja. Era um problema de diferença cultural.
Sabem, há muitas distinções naturais em nossa vida: distinções raciais, como entre gregos e judeus; diferenças culturais, como entre os que receberam a cultura grega e os que receberam a cultura hebraica; diferenças sociais, como entre senhores e servos; e diferenças de instrução, como entre bárbaros e citas.
Do ponto de vista natural, vemos que há muitas, muitas distinções nesta terra. São linhas naturais de demarcação. É natural que o mundo se divida segundo essas linhas, porque são linhas naturais. É muito fácil haver divisão.
Mas, na redenção de Cristo, na obra de Deus, Ele faz algo diferente. Ele traz alguns dentre os judeus e alguns dentre os gentios e faz deles um só. Ele traz alguns homens livres e alguns escravos e faz deles um só. Ele traz os citas e os bárbaros e faz deles um só.
Em Cristo, todas essas distinções naturais são eliminadas. Por isso, a Bíblia diz:
Não há judeu nem grego.
Antes de entrar na igreja, você é judeu. Mas algo acontece quando você entra na igreja: você já não é judeu. Não há judeu na igreja. Antes de entrar na igreja, você é gentio. Mas, quando entra na igreja, algo acontece: sua identidade gentílica fica do lado de fora. Você se torna algo diferente. Não há gentios na igreja.
Antes de entrar na igreja, você pode ser um homem livre. Pode ter uma posição social elevada. Mas, quando entra na igreja, já não é um homem livre. Não há homem livre; somos escravos de Cristo. Ou você pode ser um escravo, com uma posição social muito baixa, mas, quando entra na igreja, já não é escravo. Você está em Cristo.
Irmãos e irmãs, quando entramos na igreja, Deus já fez algo em nós. Todas essas distinções naturais são eliminadas. A velha criação terminou; ficou do lado de fora. Agora somos um novo homem, uma nova criação. O corpo de Cristo é Cristo.
Sempre me lembro daquele episódio com o nosso querido irmão Watchman Nee. Ele tinha um empregado. Eu conhecia esse empregado — um querido irmão no Senhor. Ah, ele amava o irmão Nee e cozinhava para ele. Amava tanto o irmão Nee que usava o próprio salário para comprar comida para ele.
Sempre que o irmão Nee dizia: “Bem, gosto deste prato”, ele passava a ter aquele prato todos os dias. Aquele irmão o amava e o servia com muita fidelidade.
Mas, quando vinham à igreja — quando se reuniam para lembrar o Senhor à Sua mesa —, ambos eram irmãos. Esse empregado sempre procurava ver onde o irmão Nee se sentava e não ousava sentar-se perto dele. Procurava sentar-se em outro lugar, atrás dele.
Então, um dia, o irmão Nee o tomou consigo e o fez sentar-se ao seu lado. Por quê? Na igreja não há homem livre nem escravo. Somos irmãos.
Sabem, na igreja primitiva, especialmente na igreja em Roma, a maioria era de escravos, embora alguns fossem homens livres. Mas, quando se reuniam, não havia distinção entre escravo e homem livre. Ó Deus!
Irmãos e irmãs, em Cristo, na igreja, tudo o que é natural fica de fora. Agora estamos em Cristo, e Cristo está em nós. Isso faz de nós um só corpo. Que igreja!
Mas como a nossa carne é sutil, e como o inimigo é sutil ao tentar introduzir a velha criação! Uma vez que permitimos que aquilo que pertence à velha criação entre na igreja, isso dividirá a igreja, se não for tratado.
Portanto, o primeiro problema na igreja era este: se aquilo tivesse continuado, toda a igreja em Jerusalém teria sido dividida segundo as diferenças culturais. Os judeus hebreus se reuniriam em um grupo, e os judeus helenistas se reuniriam em outro. A igreja seria fragmentada e dividida segundo as diferenças de cultura.
Era uma grande tentação — uma grande tentação. É muito fácil, sabem, sentir-se próximo de pessoas que têm a mesma formação cultural e a mesma posição social.
Um dia, um irmão que era uma alta autoridade do governo chinês conversou com o irmão Nee. Ele disse: “Estou pensando em organizar uma igreja onde todas essas altas autoridades possam vir adorar a Deus. Sabe, essas autoridades não irão a uma igreja qualquer. É preciso organizar uma igreja para elas”.
Então, nosso irmão disse: “Está bem, se você quer organizar uma igreja para altas autoridades, então acho que os condutores de riquixá deveriam ter uma igreja de condutores de riquixá. Assim, eles se sentirão muito felizes, porque todos são condutores de riquixá”.
A igreja está acima de todas essas distinções naturais que pertencem à velha criação. Somos um em Cristo.
O inimigo é sutil. Vemos aqui que o inimigo usou as distinções naturais, as diferenças culturais, e tentou introduzir uma cunha na vida da igreja.
Mais uma vez, digo que, da parte dos apóstolos, não foi intencional. Não poderia ter sido. Foi apenas circunstancial. Mas uma murmuração começou a surgir.
Sabem, Deus não gosta de murmuração. Se vocês lerem a Bíblia, do Antigo ao Novo Testamento, verão que Deus nunca gosta de murmuração. Às vezes, quando as pessoas começavam a murmurar, Deus as tratava com muita severidade.
Por quê? A murmuração é o começo da contenda e da divisão. Se a murmuração não for interrompida, ela se transforma em algo muito grande.
Irmãos e irmãs, por que eles não podiam simplesmente conversar abertamente? A Bíblia diz:
Falai a verdade em amor.
Se as viúvas dos helenistas estavam sendo negligenciadas, por que os helenistas que conheciam a situação não foram aos apóstolos para lhes contar?
Creio que os apóstolos teriam apreciado muito isso. Eles eram humanos; eram limitados. Não haviam percebido a situação. Embora fossem muito espirituais, os apóstolos não eram perfeitos.
Mas, em vez de irem aos apóstolos e lhes apresentarem o problema, murmuraram pelas costas deles, e a murmuração começou a se espalhar. Se isso não tivesse chegado aos ouvidos dos apóstolos, um dia, de repente, teria ocorrido a ruptura. Era perigoso.
Mas, felizmente, a murmuração começou a chegar aos ouvidos dos apóstolos. Então, os apóstolos tomaram conhecimento dela.
Irmãos e irmãs, aqui encontramos um problema. Um problema não é um problema em si mesmo. Depende da maneira como vocês lidam com ele. Se lidarem com ele corretamente, não será um problema; será uma oportunidade. Se lidarem com ele de maneira errada, então ele se tornará um problema real.
Portanto, quando a murmuração chegou aos ouvidos dos apóstolos, vejam o que eles fizeram. Em vez de ficarem magoados, apresentaram a questão abertamente a todo o corpo.
É muito melhor que algo que diz respeito à igreja inteira seja apresentado a todo o corpo para comunhão do que tentar esconder alguma coisa e murmurar pelas costas. Tudo foi trazido à luz.
Os apóstolos foram suficientemente humildes. Não foram orgulhosos a ponto de pensar que não havia problema algum. Estavam dispostos a colocar tudo diante dos irmãos e irmãs.
E disseram:
Não é conveniente que nós sirvamos às mesas.
Sabem, na verdade, esse problema deu aos apóstolos uma oportunidade de reconsiderar seu serviço ao Senhor. Provavelmente, naqueles dias, eles estavam se perguntando: “Por que estamos tão ocupados? Estamos tão ocupados servindo às mesas que nem sequer temos tempo para orar. Nem sequer temos tempo para ministrar a Palavra”.
Provavelmente, os apóstolos estavam sobrecarregados por todos os lados. Por um lado, era preciso servir às mesas; essas coisas precisavam ser feitas; as viúvas precisavam ser cuidadas. Não se pode simplesmente dizer: “Bem, não vamos fazer nada”. Não, é preciso fazer.
Contudo, provavelmente os apóstolos se perguntavam por que isso afetava seu ministério da Palavra e sua vida de oração. Esse problema chamou a atenção deles, e eles começaram a enxergar.
O que enxergaram? Enxergaram uma coisa: não podemos monopolizar todos os serviços da igreja.
A igreja é o corpo de Cristo. Há um lugar para cada membro. Há diversidade de ministérios e de serviços. Os apóstolos não devem monopolizar todo o serviço espiritual da igreja, e foi isso que fizeram no começo.
Sabem, eles não conheciam uma maneira melhor. Pensavam que, por terem sido chamados por Deus como apóstolos e por serem líderes, deveriam cuidar de tudo. Não porque fossem ambiciosos, mas porque não tinham consciência disso. Agiam com inocência, por isso tentavam fazer tudo pela igreja.
Eles não apenas oravam e ministravam a Palavra, mas também serviam às mesas. Vejam, tentavam fazer tudo. Eram muito humildes; estavam fazendo o melhor que podiam. Não podemos culpá-los.
Mas, por fim, isso não funcionou. Embora fizessem o melhor que podiam, perceberam que havia um problema. Haviam deixado alguém de lado. Isso era ruim — realmente ruim.
Começaram a perceber que há diversos serviços e ministérios na igreja. Os apóstolos não devem monopolizar todos os serviços espirituais da igreja. Os apóstolos não devem ser responsáveis por tudo.
Cada membro do corpo tem um serviço específico. Deus chama os apóstolos para orar, pregar e ministrar a Palavra. Deus não os chamou para servir às mesas. Por isso, quando serviram às mesas, não o fizeram muito bem.
Talvez pensemos que, se os apóstolos estão servindo às mesas, certamente esse é o melhor serviço, não é? Não. Quando ministravam a Palavra, sim. Mas, quando tentaram servir às mesas, perceberam que o resultado era muito ruim, porque atendiam a uns e deixavam outros de lado.
Começaram a descobrir suas limitações. Começaram a descobrir que eram necessários outros membros do corpo para completar o serviço.
Irmãos e irmãs, problemas são oportunidades. Se não tivesse havido esse problema na igreja primitiva, os apóstolos teriam continuado a servir às mesas. O resultado seria que estariam tão envolvidos na assistência social que não teriam tempo para pregar e orar.
Portanto, graças a Deus pelo problema. Ele os despertou. Ele os acordou. Começaram a perceber: “Não é bom. Não é bom. Esse não é o caminho de Deus”.
O caminho de Deus em Sua igreja é que membros diferentes tenham ministérios diferentes e, assim, trabalhem em coordenação uns com os outros. Por isso, sugeriram que fossem escolhidos sete homens — homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria — e que eles servissem.
Quando a igreja ouviu isso, ficou satisfeita. Ela respondeu positivamente. Sabem, essa é a maneira de fazer as coisas.
Qualquer coisa que afete o corpo inteiro não deve ser decidida por uns poucos líderes. Eles devem procurar discernir o sentir do corpo. Devem apresentar a questão ao corpo e ver como ele responde, porque ela afeta a igreja inteira.
Irmãos e irmãs, servir às mesas é um ministério inferior ao ministério da Palavra? Em nosso entendimento humano, talvez pensemos que dedicar-nos à oração e ao ministério da Palavra é um serviço espiritual, enquanto servir às mesas é apenas um trabalho humano — um trabalho secular — que nada tem a ver com a obra espiritual.
Mas, queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus não diz isso. Não se trata de ministrar a Palavra ou servir às mesas. Trata-se daquilo que vocês foram chamados a fazer.
Se vocês foram chamados para ministrar a Palavra, então, ao ministrarem a Palavra, servem ao Senhor; isso é espiritual. Mas, se foram chamados para servir às mesas e servem de acordo com o seu chamado, estão servindo a Deus; isso é espiritual. Não há diferença aos olhos de Deus.
Não é que, por ministrarem a Palavra de Deus, vocês precisem estar cheios do Espírito Santo, mas, quando servem às mesas, não precisem estar cheios do Espírito Santo. “De que adianta estar cheio do Espírito Santo para servir às mesas? Qualquer pessoa pode fazer isso.” Não.
Em um restaurante, sim, vocês podem servir às mesas sem estar cheios do Espírito Santo. Mas, na igreja, quando servem às mesas, precisam estar cheios do Espírito Santo. Por quê? Porque, na igreja, servir às mesas é uma obra santa. Vocês estão servindo a Deus. Estão servindo à igreja. Precisam estar cheios do Espírito Santo para fazer isso.
Na igreja, no que diz respeito ao serviço e ao ministério, não se trata apenas de fazer alguma coisa. Geralmente, dizemos: “Bem, podemos fazer isso. É só isso que importa”. Mas, na igreja, não se trata apenas de fazer algo. Trata-se de como vocês o fazem.
Como vocês fazem isso? Fazem com o Espírito de Cristo ou fazem simplesmente porque é algo que precisa ser feito?
Se vocês pregam porque isso é algo que precisa ser feito, isso é pior do que servir às mesas com o Espírito de Cristo. Portanto, aqui vemos que não há serviço inferior ou superior. Não. A questão é servir ao Senhor.
Alguns são chamados para servir de uma maneira; outros são chamados para servir de outra. Todos os serviços são espirituais quando realizados com o espírito correto.
À medida que os apóstolos reconheceram suas limitações e se dispuseram a abrir os serviços da igreja aos outros membros do corpo, o resultado foi que aqueles sete homens escolhidos, cheios do Espírito Santo e de fé, serviram tão bem às mesas que não houve mais murmuração. Fizeram melhor do que os apóstolos.
Como fizeram isso tão bem, os apóstolos ficaram livres para pregar o evangelho. Assim, vemos que a Palavra de Deus se multiplicou.
Por meio da cooperação e da coordenação dos diferentes membros do corpo, cada um cumprindo o seu ministério, o resultado é que o corpo cresce. Irmãos e irmãs, aquele problema se tornou uma oportunidade porque foi tratado da maneira correta e com o espírito correto.
O que é a igreja? O que é o corpo? Vocês leem o Novo Testamento e encontram o ensino nas epístolas. Aqui em Atos, encontram uma demonstração. Ainda não havia um ensino; havia apenas uma demonstração. Mais tarde, nas epístolas, encontramos o ensino.
No corpo há muitos membros, e cada membro tem uma função a cumprir. O Espírito Santo concede dons de acordo com o propósito para o qual cada um é chamado a ministrar. Não há apenas alguns membros de destaque monopolizando tudo e fazendo tudo pela igreja.
Se fizerem isso, a igreja não crescerá, e eles não conseguirão fazer as coisas bem. Tentam fazer coisas demais, e nada é feito corretamente.
Segundo a Palavra de Deus, Deus, em Sua sabedoria, colocou cada um no corpo. Todos somos sacerdotes para Deus. Há um lugar, um serviço, um ministério para cada um de nós no corpo.
É a vontade de Deus que todos esses membros aprendam a exercer sua função segundo a graça e o dom que Deus deu a cada um — não apenas exercer sua função, mas fazê-lo em coordenação. Não todos fazendo a mesma coisa, mas todos fazendo alguma coisa e, ainda assim, trabalhando juntos como membros de um só corpo.
Isso é Efésios 4. Vemos Efésios 4 sendo praticado em Atos 6, antes de vir o ensino.
Os que têm mais dons enfrentam a tentação de monopolizar tudo na igreja. Os que têm menos dons tendem a enterrar seus talentos na terra. Mas, segundo a sabedoria de Deus, todos têm um lugar.
Precisamos ser membros vivos e atuantes — exercendo nossas funções juntos, em coordenação, dirigidos pela Cabeça, pelo Espírito Santo. O resultado é que a Palavra de Deus cresce grandemente, e muitos vêm ao Senhor.
Observem que, quando os apóstolos apresentaram essa questão à igreja inteira e sugeriram que fossem escolhidos sete homens, deixaram claro que, para servir ao Senhor, em qualquer função — até mesmo servindo às mesas —, é preciso estar cheio do Espírito Santo.
Vocês não estão fazendo isso segundo os próprios pensamentos, pela própria força ou dependendo da experiência passada. Se vocês foram garçons ou garçonetes em um restaurante, não pensem que, por isso, podem servir às mesas na igreja. De modo algum.
Se vocês foram executivos em uma grande empresa, não pensem que, por isso, podem ser presbíteros na igreja. De modo algum. É preciso estar cheio do Espírito Santo, sob o controle do Espírito Santo, para servir.
Tudo na igreja precisa estar sob o controle do Espírito Santo. Quando homens e mulheres estão sob o controle do Espírito Santo, então vemos que tudo funciona em coordenação.
Assim, essa questão foi apresentada à igreja inteira. Eles escolheram sete homens. E sabem de uma coisa? Ao ler os nomes deles, vemos que todos eram judeus helenistas. Nenhum deles era hebreu.
Os judeus hebreus eram a maioria; os judeus helenistas eram a minoria. Contudo, quando escolheram os sete homens, todos eram judeus helenistas.
Não há algo significativo nisso? No âmbito da criação natural, os judeus hebreus poderiam ter dito: “Ah, precisamos de sete homens. Somos a maioria. Vamos escolher alguns dos nossos, para que nossas viúvas continuem sendo cuidadas”.
Mas não. Esses irmãos de origem hebraica perceberam o problema. Amavam tanto seus irmãos que, para confortá-los, escolheram todos do outro lado — se podemos usar essa expressão. Eles não eram um grupo adversário, mas eram judeus helenistas.
As viúvas haviam sido negligenciadas, por isso disseram: “Vamos escolher os homens deles. Eles conhecerão melhor a situação, e assim suas viúvas serão cuidadas”. Nunca pensaram que agora a situação se inverteria e as viúvas hebreias seriam negligenciadas. Não, não estavam pensando nisso.
Irmãos e irmãs, vemos como o amor venceu todos os temores naturais dentro deles. Escolheram cada um dos sete dentre os helenistas. Ao fazer isso, guardaram a unidade do Espírito.
Naquele momento, a igreja enfrentava um problema real e sério. Se aquele problema tivesse sido tratado de maneira errada, teria dividido a igreja exatamente segundo aquela linha de separação. Era sério.
Para guardar a unidade e a condição de um só corpo, esses irmãos tinham tanto amor que se esqueceram de si mesmos. Pensaram no que aconteceria com aqueles que já haviam sido ofendidos. Caminharam a segunda milha.
Porque fizeram isso, a unidade da igreja foi preservada.
Portanto, irmãos e irmãs, não tenham medo dos problemas. Quando surge um problema, esse é o momento de irmos ao Senhor e buscarmos a Sua face.
Provavelmente, o Senhor tem algo a nos ensinar. Provavelmente, por meio do problema, poderemos ser elevados a um nível mais alto. Provavelmente, por meio do problema, seremos levados para mais perto do propósito original de Deus a respeito da igreja.
Se tivermos esse espírito dentro de nós, e se formos realmente abertos uns com os outros, se realmente amarmos uns aos outros, se realmente nos empenharmos em guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz e se realmente estivermos dispostos a esquecer de nós mesmos e pensar em nossos irmãos e irmãs, então veremos que, pela graça de Deus, a igreja será elevada a um nível mais alto.
Foi isso que aconteceu na igreja primitiva. Portanto, queridos irmãos e irmãs, esse é o encargo que tenho nesta noite.
À medida que o Senhor reúne o Seu povo, estejam preparados para ter problemas. Ainda somos humanos; somos limitados. Mas a nossa limitação é uma oportunidade para Deus, para que aprendamos o quanto precisamos uns dos outros.
Caso contrário, talvez pensemos: “Bem, nós podemos fazer isso. Nós podemos fazer isso”. Então aprendemos a precisar uns dos outros e realmente aprendemos a trabalhar juntos com humildade, mansidão, paciência e amor.
Se fizerem isso, verão que o corpo — a igreja — cresce e é edificado. Caso contrário, haverá divisão.
Nosso Pai celestial, como nós Te louvamos e agradecemos porque Tu estás trabalhando para levar o Teu corpo à plenitude.
Nós Te louvamos e agradecemos porque, às vezes, Tu permites que surjam problemas entre o Teu povo, para que tenhamos oportunidades de aprender um pouco mais de Ti.
Ó Senhor, pedimos que Tu nos conduzas adiante. Abre os nossos olhos para que vejamos como precisamos guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz; como precisamos suportar uns aos outros com paciência; e como precisamos de nossos irmãos e irmãs.
Não podemos fazer tudo sozinhos. Mas, Senhor, ensina-nos a ser membros atuantes do corpo, segundo aquilo para o qual fomos chamados, para que possamos servir-Te com humildade e fidelidade.
Ó Senhor, oramos para que o corpo seja edificado em amor. Oramos para que ele logo amadureça até alcançar a plenitude da estatura de Cristo, para que Ele possa voltar e receber o Seu corpo como Sua noiva.
Assim, oramos para que essas lições fiquem profundamente gravadas em nós, e oramos para que sejam trabalhadas em nosso interior e expressas entre nós. Nós Te adoramos juntos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.