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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Israel of God #5 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Israel of God #5
    The Israel of God #5
    Austin-Sparks, T.

    Aprendizado para o Reino de Deus

    Já avançamos demais no assunto que estamos tratando nesta conferência para podermos voltar e fazer uma revisão, embora isso pudesse ser útil àqueles que estão conosco pela primeira vez.

    Eles compreenderão que aquilo que ainda diremos tem um contexto amplo. Faz parte de uma esfera muito maior, na qual está inserido, do que aquilo que estamos considerando neste momento.

    Por outro lado, sem ler novamente as várias passagens das Escrituras que têm servido de base para nós, confio que os amigos que estiveram aqui reconhecerão que aquilo que vamos dizer agora se encontra nesse contexto.

    Assim, nesta tarde, peço que abram em Marcos 3:13-14.

    E Ele sobe ao monte e chama para junto de Si aqueles que Ele mesmo quis;
    e eles foram até Ele.
    E designou doze, para que estivessem com Ele,
    e para que os enviasse a pregar.

    O aspecto particular de toda a nossa consideração que quero apresentar a vocês nesta tarde é aquilo que vou chamar de aprendizado para o Reino de Deus. Isso, naturalmente, está todo contido na palavra discípulo ou discipulado.

    A Escolha Deliberada dos Doze

    Vocês terão observado os termos muito precisos em que essa declaração foi feita. Foi um ato muito deliberado, calculado, ponderado, de longo alcance e muito significativo — essa escolha dos doze.

    Em outra ocasião, Ele disse:

    Eu sei a quem tenho escolhido.

    E, novamente:

    Não vos escolhi a vós, os doze?

    Vocês observarão que Sua escolha veio depois de um tempo a sós com Seu Pai, em muita oração.

    Repito: foi um ato muito deliberado, pensado e ponderado. Estava longe de ser casual; havia um contexto muito amplo em Sua própria mente.

    Esses não são meros comentários sobre as declarações; são sustentados por todo o ensino das Escrituras. Vocês verão isso, em alguma medida, à medida que prosseguirmos.

    E Ele escolheu doze. Que coisa perigosa para Ele fazer! Que coisa significativa para Ele fazer!

    Esse número era bem compreendido em Israel — um dos grandes números predominantes na Bíblia e, particularmente, em Israel. Não havia doze patriarcas? Não havia doze tribos?

    De muitas outras maneiras, esse número aparece, tanto em si mesmo como em seus múltiplos. Agora, Ele o retoma deliberadamente e o traz para o próprio início do movimento em direção à nova dispensação.

    Assim, temos doze apóstolos. Na Nova Jerusalém, temos doze fundamentos da muralha. A própria cidade mede doze mil estádios em cada direção. Ela tem doze portas; junto às portas há doze anjos.

    E poderíamos continuar. Em Apocalipse 7, o número dos selados é um múltiplo de doze: cento e quarenta e quatro mil — doze vezes doze mil.

    Vocês estão começando a perceber algo desse ato deliberado do Senhor Jesus. Digo que não foi casual. Ele sabia o que estava fazendo.

    Em certo sentido, ao fazer isso, Ele estava fazendo a coisa mais perigosa que poderia fazer. Naturalmente, todos os judeus, todo Israel e, especialmente, os governantes tirariam imediatamente suas próprias conclusões daquilo que Ele estava fazendo.

    Logo lhes ocorreria: “Ah, então Ele está estabelecendo outro Israel?” E estava mesmo. Esse é o ponto. Para Ele, o Israel anterior havia cumprido seu tempo e fora rejeitado, como temos visto. Com Ele, outro é introduzido.

    Aos doze, Ele disse:

    Vós vos assentareis sobre doze tronos.

    Vocês sabem muito bem — ou muitos de vocês sabem — o que representa o número doze no simbolismo bíblico. É o número do governo, ou da administração.

    Assim, novamente, a implicação de escolher doze é que Ele está estabelecendo um novo governo, uma nova administração. E estava mesmo — uma administração muito diferente, como veremos.

    Doze é o produto de três por quatro. Três é sempre o número da plenitude divina, do governo celestial. É a própria Divindade acima de tudo.

    Quatro é, muito claramente, o número do governo terreno; isto é, de tudo o que pertence a esta esfera: norte, sul, leste e oeste; primavera, verão, outono e inverno. O governo celestial e o terreno estão expressos nesse número doze, e isso também é muito significativo em relação ao Seu ato.

    Quantos detalhes e quanto material valioso precisamos deixar de lado em tudo isso! Observem que a aliança foi feita com Abraão: como a areia da praia e como as estrelas do céu, assim seria sua descendência.

    Mas Paulo nos diz:

    Não diz: E às descendências, como falando de muitas;
    mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.

    O governo celestial e o terreno encontram-se em Cristo.

    Penso que isso é suficiente para indicar o sentido. A escolha dos doze traz à vista, primeiramente, o novo Israel e, depois, o novo governo exercido por esse Israel — sobre o céu e a terra. E essa é a igreja, representada pelos doze.

    A Constituição Espiritual do Novo Israel

    Mas esse novo Israel, repetimos mais uma vez, é muito diferente. Ele nasce das dores de parto — é o fruto das dores de parto de Cristo, a descendência que Ele verá por causa dessas dores, segundo Isaías.

    É um povo que herda e assume o verdadeiro significado espiritual daquela nação chamada Israel: um príncipe com Deus. O elemento de governo está inerente ao próprio nome.

    Muitas coisas foram ditas sobre sua preeminência: ser cabeça das nações, ser cabeça e não cauda, e assim por diante. Isso fracassou no que diz respeito a eles. Mas, vejam, os princípios de Deus não fracassam quando os instrumentos de Deus fracassam.

    Quando algo que Deus escolhe para expressar Seus princípios deixa de fazê-lo, Ele não abandona o princípio. Talvez tenha de abandonar o vaso ou o instrumento, mas prossegue com Seus princípios.

    Assim, o princípio é assumido, e o novo Israel passa a ser o cumprimento dessa concepção: um príncipe com Deus, a cabeça e não a cauda, a cabeça das nações.

    Esse, então, é o contexto. Há dois aspectos principais: primeiro, a natureza essencial desse Israel; depois, o aprendizado essencial para o Reino.

    Primeiro, então, a natureza essencial. Temos isto: a constituição espiritual de Cristo. Dedicamos bastante tempo a isso nesta manhã, em João 3. Vamos apenas retomar esse ponto.

    Vejam, no Israel segundo a carne, vocês têm um povo concreto nesta terra. Podem reconhecê-lo. Podem dizer que, fisicamente e em todos os outros sentidos, era uma nação — qualquer que fosse a forma de sua manifestação.

    Mas essa não é a constituição do novo Israel. Agora não se trata de uma constituição física, uma constituição de características físicas. É essencialmente uma constituição espiritual.

    Isto é, em primeiro lugar, ela não tem a ver com nada exterior. Tem a ver com caráter. É um Israel constituído com base em outro caráter, e esse caráter é Cristo.

    Sua própria constituição é Cristo. Ele é constituído com uma faculdade de conhecer — com um conhecimento — que está inteiramente fora do alcance e da esfera de qualquer outro tipo de pessoa.

    Aqui voltamos novamente a João 3.

    Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.

    Não pode entrar no Reino. Isso está além de seu alcance quanto à visão, ao conhecimento, à compreensão — sem falar da herança.

    Esse Israel tem uma capacidade de ver que o antigo não tem, nem qualquer outro tem. Sendo assim constituído, isso não é apenas uma declaração de verdade; é algo que nos examina profundamente quanto a sermos filhos de Deus, filhos espirituais do verdadeiro Israel, Cristo.

    Isso não é algo adicional à vida cristã, a ser alcançado caso vocês avancem até determinados graus mais elevados. Já no novo nascimento, vocês e eu — cada um de nós — deveríamos ter uma faculdade de compreensão, percepção e conhecimento espiritual que nenhuma pessoa que não pertença a esse Reino possui.

    Em outra ocasião, poderíamos dedicar tempo a examinar a tragédia que sobreveio ao cristianismo por não reconhecer isso ou por não viver à altura disso.

    Eu iria tão longe a ponto de dizer que a maior parte de todos os problemas entre cristãos se deve à falta de compreensão espiritual, ou à incapacidade de viver com base nela — discernimento espiritual, percepção espiritual, conhecimento espiritual.

    Há conhecimento natural de sobra no mundo cristão — conhecimento bíblico, conhecimento profético e tudo o mais. Mas o conhecimento espiritual é algo raro e, no entanto, deveria ser um elemento constitutivo do nosso novo nascimento, uma faculdade que deveríamos ter.

    Agora, se alguns de vocês estão dizendo: “Então, ai de mim! Não sei muito sobre isso”, o Senhor está simplesmente dizendo a vocês: “Isso lhes pertence por direito”.

    Não é algo adicional que vocês alcançam por meio de luta e esforço, por anos de uma vida cristã trabalhosa, ou por algum ato específico — alguma reviravolta tremenda em sua vida espiritual. É um direito de nascimento. Vocês têm direito a isso; apenas precisam seguir o caminho do Senhor.

    Vocês sabem — bem, talvez, afinal, saibam, embora não saibam que sabem. Vocês sabem que têm um novo senso, uma nova faculdade, algo novo dentro de vocês que lhes permite saber, ao menos em alguma pequena medida, o que é do Senhor e o que não é; o que é espiritual e o que não é.

    Mas, ah, que isso aumente! É o desenvolvimento disso, o crescimento disso, que constitui o aprendizado na escola de Cristo.

    Conhecimento Espiritual e Capacidade Divina

    Aprendemos com os erros; aprendemos com os enganos. Mas aquilo que estamos aprendendo não é meramente exterior. Aprendemos interiormente que tal coisa não é o caminho da vida, e faríamos bem em evitá-la; e que tal coisa é o caminho da vida, e esse é o caminho que devemos seguir. Aprendemos isso interiormente.

    Conhecimento — uma nova espécie de conhecimento — e uma nova espécie de poder. Essa descendência divina tem um poder, uma capacidade, uma força que é muito diferente, muito diferente.

    E nesse aprendizado, nessa escola, uma das coisas que aprendemos, se somos alunos, se estamos realmente entregues a conhecer o Senhor, é que o Senhor, por um lado, abala e mina nossa força natural.

    Ele nos leva a situações em que a melhor força natural, de qualquer espécie, não consegue dar conta do que enfrentamos. Precisamos ter uma força para atravessar aquilo que não nos pertence de modo algum por natureza, ainda que sejamos o melhor exemplar possível.

    Aqui, então, voltamos a Nicodemos. “Você simplesmente não pode”, diz o Senhor a Nicodemos. “Você simplesmente não pode.” Você pode estar tão disposto quanto qualquer pessoa; pode estar tão desejoso e tão interessado; mas o que paira sobre você é: “Não pode”.

    Esse é o grande clamor que surge repetidas vezes nos lábios de Nicodemos: “Como? Como? Como?” Você não pode. Mas essa realidade nova tem uma força diferente, muito diferente de tudo aquilo — uma capacidade de outra ordem. Paulo falou dela como a capacidade que Deus dá.

    E assim poderíamos continuar falando dessa constituição. Tudo se resumirá a isto: trata-se de outra geração — outra geração. Tem a natureza de uma nova linhagem.

    Há aqui capacidades, possibilidades e recursos que vêm do céu e que não podem, de modo algum, ser explicados por aquilo que é terreno.

    Vejam, o antigo Israel foi colocado nessa base de maneira simbólica, ou tipológica. Dissemos nesta manhã que eles foram colocados sobre a base de Cristo. Vimos como foram colocados sobre a base de Cristo — simplesmente arrancados da terra quando tudo deu errado com eles, espiritual e moralmente, e se tornaram indignos do nome de Israel.

    Aqueles doze filhos de Jacó, seus filhos comportando-se daquela maneira — lançando José na cisterna, enganando o pai, tramando um assassinato — e, depois, sendo desmascarados diante de José, quando não o reconheceram no Egito. Que história lamentável a de Israel! Que colapso! Que queda!

    Por isso, eles precisam ser colocados sobre o fundamento de Cristo por meio da morte e da ressurreição, chegando ao significado de Israel pelas dores de parto e nascendo delas.

    Depois, são constituídos sobre a base de Cristo, de modo que não há como explicar seu pão, sua água ou qualquer outra coisa durante quarenta anos no deserto, senão por sua origem celestial.

    Moisés não deu o pão — não, perdoem-me —, ele era celestial. Vocês veem o ponto: constituídos segundo Cristo, com algo que não pode ser explicado de nenhuma outra maneira, a não ser pelo fato de vir do céu.

    Graças a Deus por isso. É a coisa mais maravilhosa — a coisa mais maravilhosa — viver de Cristo sobre uma base celestial. Vocês pensam que essa vida espiritual deve ser muito difícil. Bem, para a carne, naturalmente é; para o homem natural, naturalmente é; para a velha vida, é. Mas, na vida espiritual, é uma aventura maravilhosa.

    O que o Senhor faz! Ah, os Seus caminhos! Como meu coração acompanhou meu irmão ontem à tarde, quando ele falou sobre o ministério nesse assunto. A carne não gostaria de ter sempre tudo com bastante antecedência, elaborado, planejado e pronto, de modo que realmente não houvesse dificuldade alguma?

    E o Senhor fecha o acesso e retém a resposta, muitas vezes até o último minuto, e nos faz passar por verdadeiras dores de parto por causa de uma mensagem, até que ela venha. Essa é a história de trinta anos aqui, queridos amigos.

    Mas isso não é algo meramente teórico. É maravilhosamente real e realmente maravilhoso. Essa é a natureza desse novo Israel.

    O Mistério e a Persistência da Vida Espiritual

    Essa descendência é misteriosa. Isto é, não pode ser compreendida por meios naturais de modo algum. Tudo o que diz respeito a ela é misterioso.

    Não entendam isso de modo errado, interpretando que vocês precisam ser pessoas muito misteriosas. Há pessoas que tentam ser misteriosas e pensam que isso é espiritualidade.

    Não, o mistério é o mistério de uma vida. Naturalmente, a vida na esfera natural é sempre um mistério. Vocês não conseguem explicar a vida. Não sabem o que é a vida. A maior realidade e, ao mesmo tempo, aquilo que é mais impossível de explicar é a vida.

    Na esfera espiritual há outra vida, e ela é um mistério — essa vida. Ela vive apesar de tudo o que possa se levantar contra ela.

    Há um mistério a respeito da igreja. Há um mistério a respeito do povo de Deus, um mistério a respeito dessa vida — de como ela sobrevive. Ela sobrevive; prossegue; cresce.

    Nada em todo este universo sofre maior oposição do que essa vida do povo de Deus. Todas as forças das trevas desse reino têm um único objetivo final: de alguma maneira, pôr fim a essa vida.

    Todas as experiências pelas quais o Senhor permite que Seu povo passe, e às vezes o mantém nelas, experiências que, naturalmente, poderiam ser chamadas de morte — morte —, só são permitidas para manifestar esta maravilhosa realidade: há uma vida que, quando posta à prova e submetida a toda espécie de teste, sobrevive.

    Ah, ela pode sobreviver! É um mistério. É simplesmente um mistério — seu poder, sua persistência e seu progresso. Quanto mais os oprimiam, mais eles cresciam.

    Apliquem isso ao Israel espiritual. Vejam hoje as coisas terríveis que as forças do mal, o inferno e os homens estão fazendo — reduzindo, matando, expulsando — e, ainda assim, há fé triunfante entre o povo do Senhor.

    Mas esse não é o fim da história. Essas pessoas são insensatas. Não sabem ler a história. Não sabem ler a história. Se ao menos refletissem sobre o que estão fazendo, veriam que estão fazendo exatamente aquilo que realizará o que elas estão tentando impedir.

    Ah, não, não se enganem a esse respeito. Longos séculos de provações terríveis comprovaram isto: há algo que vocês não podem explicar nem justificar naturalmente. Há aqui uma persistência e um crescimento que são um mistério.

    Ora, isso deveria ser verdadeiro em relação a todo filho de Deus. Portanto, tenha esperança; tenha ânimo, filho de Deus. Você está sentindo que há mais morte do que vida. A provação parece estar reduzindo você. Esse não é o fim da história — não é o fim da história.

    A Comunhão com Cristo como Aprendizado

    Agora, mais da metade do meu tempo nesta tarde já passou, e não toquei nem na metade do que preciso dizer. Chego a esse assunto do aprendizado essencial para o Reino de Deus, como o estou chamando.

    Isto é, Ele escolheu doze — vocês viram o significado de Seu ato — e, depois:

    Para que estivessem com Ele,
    e para que os enviasse.

    Duas metades de uma só realidade: uma harmonia essencial.

    “Estivessem com Ele.” Por quê? Para que Ele pudesse ensinar, instruir e capacitar, a fim de enviá-los.

    Todo envio deve proceder da mais íntima associação com Cristo em Sua escola. E toda associação com Cristo em Sua escola deve resultar em envio.

    Isso não significa mosteiros e claustros, com pessoas encerradas desse modo, sempre estudando e aprendendo, acumulando conhecimento de coisas, ainda que sejam coisas celestiais.

    Cada porção de conhecimento concedido por Deus deve servir a propósitos práticos. E toda atividade prática que não proceda do conhecimento concedido por Deus não terá efeito sobre o Reino de Deus.

    Assim, essas são as duas coisas. Agora, então, Cristo ensinando e treinando os doze — observem: tudo procedia de Sua própria vida espiritual.

    Não vinha dos livros. Não vinha das escolas. Os estudiosos de Sua época disseram:

    Como sabe Este estas coisas, sem ter estudado?

    Ele não era um homem das escolas. Não era um homem da biblioteca ou do gabinete de estudos.

    Tudo procedia de Sua própria vida divina. Ele possuía um conhecimento divino singular. Diferia inteiramente de qualquer outra espécie de conhecimento.

    O Conhecimento do Pai

    Uma coisa — e essa era a base de tudo —: Seu conhecimento do Pai era singular. Vejam isso em Lucas 10. Vocês conhecem tão bem, mas aqui está: Lucas 10:22.

    Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai:
    e ninguém conhece Quem é o Filho, senão o Pai;
    nem Quem é o Pai, senão o Filho,
    e aquele a quem o Filho O quiser revelar.

    Ninguém conhece o Pai — Quem é o Pai —, senão o Filho. Que declaração abrangente! Que coisa tremenda!

    Seu conhecimento do Pai, como eu disse, era singular. E esse conhecimento brotava da unidade espiritual com o Pai — não do estudo, não da contemplação, mas da unidade espiritual com o Pai.

    Agora, deixo isto para aqueles a quem possa ser importante compreender: a paternidade de Deus não era uma doutrina pregada por Jesus ao público em geral.

    Vocês podem verificar isso, se quiserem, recorrendo à Palavra. Era um mistério revelado em particular aos Seus discípulos.

    A paternidade de Deus não era uma doutrina para Jesus; não era uma teoria. Era uma realidade em Sua própria vida espiritual e em Seu próprio ser espiritual.

    Aos doze, Ele não deu apenas o ensino, a teoria, da paternidade de Deus. Ele a tornou real. Tornou-a real — não por argumentação, não por muitas palavras, mas porque o Pai era, para Ele, a realidade suprema em Sua vida.

    Seu ensino procedia disso. Seu envio dos doze procedia disso. E vocês observam quanto, em Seu ensino e em Seu treinamento deles, estava centrado no Pai.

    Quanto Ele falou sobre o Pai: “O Pai, o Pai, o Pai. Meu Pai. Vosso Pai. Pai. Pai.” Se isso não os impressiona, examinem novamente.

    Isso está no centro de tudo em Seu treinamento deles. Quando se trata de oração, tudo se baseia nisso, ao dizer:

    Portanto, vós orareis assim: Pai nosso.

    Digo que há algo dentro da escola que não é para o público em geral. É um mistério revelado somente aos que estão dentro, mas é tornado real.

    A Paternidade de Deus na Vida Comunitária

    Esse novo Israel precisa ser constituído sobre essa base. Assim como Ele treinou os doze com base em Sua união com o Pai, todo o nosso treinamento será por meio de nossa união com Cristo, da mesma maneira vital que Sua união com o Pai.

    De modo que nós, em união com o Filho, entramos pessoalmente no mistério e na maravilha da paternidade de Deus. É um segredo compartilhado com Ele — aquilo que está dentro do Israel de Deus, um segredo, o maravilhoso segredo: Deus é nosso Pai.

    Não um título, mas uma grande realidade. Ah, de quantas coisas seríamos poupados se isso se tornasse real em nosso ser, como era no Dele.

    Observem-No nesse assunto, do começo ao fim. É exatamente isso: Suas referências ao Pai, Sua deferência ao Pai, Seu apelo sempre ao Pai. A realidade que governa todos os Seus movimentos é o Pai. Para Ele, tudo vem do Pai.

    As últimas palavras do Senhor se referem ao Pai:

    Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.

    Foi isso, queridos amigos, que O manteve forte. Foi isso que O manteve no caminho certo. Foi a grande força motivadora de Sua recusa de tudo o que o diabo Lhe ofereceu — a força que O sustentou para suportar o sofrimento. Era tudo para Ele, em todos os sentidos, uma profunda realidade interior.

    E sugiro a vocês que nos falta algo em nossa constituição se nos falta uma percepção adequada dessa união espiritual com Ele como nosso Pai em Cristo Jesus.

    Aproximemo-nos dessa realidade; vejamos o quanto Ele estava próximo dela. Vocês começam a perceber algo, pois Ele procurou incutir neles, o novo Israel, o significado desse relacionamento entre Ele mesmo, como Filho, e o Pai.

    Isso deveria ter efeito prático no relacionamento deles uns com os outros. Ele não estava constituindo uma espécie de grupo fechado de seguidores, um novo movimento de pessoas com interesses comuns. Estava constituindo uma família.

    Paulo, na carta aos Hebreus, torna isso muito explícito, não é?

    Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo:
    Anunciarei o Teu nome a Meus irmãos.
    Eis-Me aqui, e os filhos que Deus Me deu.

    Ora, que declaração profundamente enraizada ele está fazendo! Vejam: vocês são todos irmãos porque são todos uma família, filhos de um só Pai, nessa realidade mais profunda, em sua constituição.

    Essa é a base sobre a qual vocês devem considerar uns aos outros, comportar-se uns para com os outros, estimar e cuidar uns dos outros, assim como Ele disse:

    Eu vos amei.

    Havendo amado os Seus que estavam no mundo,
    amou-os até o fim.

    Amou-os plenamente, até o fim. Isso é apenas tornar prático, na vida comunitária deles, o relacionamento entre Ele e Seu Pai, entre Seu Pai e Ele.

    A Disciplina Comunitária na Escola de Cristo

    Era um treinamento. Era uma disciplina — uma verdadeira disciplina. Se alguma vez houve nesta terra doze tipos diferentes de pessoas, esses doze eram assim.

    Vocês têm aqui um pouco de cada tipo: no temperamento, na constituição, na disposição, na natureza. Eles poderiam se fragmentar a qualquer momento. Não havia aqui nada de coesão ou integração natural.

    Mas, sob Sua mão, em Sua escola, algo estava acontecendo — algo iria acontecer. De qualquer modo, se o simbolismo dos últimos capítulos do livro de Apocalipse significa alguma coisa, há aqui algo muito sólido: doze fundamentos correspondentes aos apóstolos do Cordeiro, formando uma única base sólida para o Reino eterno.

    Algo aconteceu. Algo acontece. Ora, é isso que o Senhor está tentando fazer conosco.

    Se você sente que não consegue se dar bem com outro filho de Deus e quer entrar na esfera em que o Senhor não responde à sua oração, peça a Ele que afaste essa pessoa — ou que afaste você.

    Essa é uma oração à qual Ele não responde até que algo tenha acontecido — até que algo tenha acontecido.

    Precisamos passar por toda a dificuldade desse processo de sermos lixados pelas constituições, disposições e temperamentos contraditórios entre os filhos do Senhor. Parece que o Senhor não faz nada a respeito disso exteriormente.

    Ah, não seria bom se Ele simplesmente afastasse aquela pessoa tão difícil? Não. Ele vai fazer algo no interior. Talvez a afaste, mas não antes de que esse algo interior esteja acontecendo, esteja sendo realizado.

    Esse é o aprendizado para o Reino. Como podemos governar e reinar juntos no Reino, exercer o governo, se vamos permanecer em posições contraditórias e em conflito? Não, Ele não terá um reino assim — não terá um governo assim.

    Portanto, o fato de estarem com Ele era uma profunda instrução e um ensino prático em todo esse significado da paternidade de Deus — esse profundo segredo e mistério —, para que encontrasse expressão numa vida comunitária.

    A Cruz como Fundamento do Reino

    Agora, vejam, entrei em algo nesse assunto do treinamento que abrange um campo imenso — muitos outros aspectos além daquele que mencionei. Concluirei dizendo que é de tremenda importância reconhecermos isso.

    Seja qual for o aspecto desse aprendizado, desse treinamento para o Reino e em relação ao Reino, cada um de seus aspectos precisa ser visto à luz disto: o Reino veio no dia de Pentecostes. O Novo Testamento ensina que o Reino já está presente em princípio.

    Ele veio, está vindo e ainda virá. E é para essa vinda, agora e no futuro, que vocês e eu estamos sendo treinados. Estamos agora na escola para a vinda presente do Reino.

    Ele virá somente por meio das dificuldades daqueles que são chamados à comunhão com Cristo. E a manifestação final, o aparecimento do Reino, é algo para o qual está em curso uma grande preparação — uma preparação em todos nós. Somos instruídos para o Reino.

    Agora, qualquer que seja o aspecto do treinamento, observem como Jesus manteve tudo voltado para a cruz.

    Ele os tinha à parte, consigo. Deixou as multidões; deixou o mundo; reuniu-os junto a Si. Estava dizendo: “Estamos edificando”.

    E então leva tudo ao seu ponto culminante, dizendo: “Estamos subindo a Jerusalém, para ser entregue nas mãos dos governantes e ser crucificado”. Era isso que eles não conseguiam aceitar. Não conseguiam compreender. Era isso que os fazia tropeçar.

    Mas Ele manteve tudo voltado para isso, como se estivesse dizendo: “Tudo isso que tenho dito a vocês, tudo isso que tenho colocado diante de seus olhos, tudo isso para o que os escolhi, tudo isso para o que vocês estiveram na escola Comigo está baseado na cruz”.

    Está baseado na cruz. Nenhuma dessas coisas pode se realizar à parte da cruz. Vocês não podem entrar em nenhuma porção disso, senão pelo caminho da cruz. A cruz é essencial para que vocês sejam esse Israel.

    Vocês nascerão dessas dores de parto. Para isso, serão dispersos, cada um para o seu lugar. Como isso foi verdadeiro! Mas, nascidos como uma entidade orgânica de Suas dores de parto, de Sua ressurreição, eles se levantaram juntos no dia de Pentecostes.

    Não creio que alguma vez tivessem estado juntos exatamente daquela maneira. Uma nova maneira de estarem unidos! Eles nasceram no dia de Pentecostes. O novo Israel está aqui.

    Isso havia sido anunciado e preparado, com muita instrução, muito ensino, muito trabalho com eles; mas era necessária a cruz para produzi-lo.

    Assim, para todo o Israel de Deus, a cruz é essencial. A cruz é essencial ao Reino, ao reinar. A cruz é essencial ao serviço, à administração.

    Fico tremendamente impressionado, ao voltar àquela parte da profecia da qual extraímos nossa passagem fundamental, ao observar que o verdadeiro início de Isaías 53 não está no que, em nossa divisão, é assinalado como o primeiro versículo do capítulo 53.

    O verdadeiro início de Isaías 53, como o chamamos, está por volta de Isaías 52:13: toda a questão do Servo — o Servo sofredor.

    Eis que o Meu Servo procederá com sabedoria;
    Ele será exaltado e elevado, e será mui sublime.
    O Seu semblante estava tão desfigurado, mais do que o de qualquer homem,
    e a Sua aparência, mais do que a dos filhos dos homens.

    Ele era desprezado e rejeitado pelos homens;
    Homem de dores e experimentado no sofrimento:
    e, como alguém de Quem os homens escondem o rosto, era desprezado;
    e não fizemos caso Dele.
    Certamente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades e levou as nossas dores;
    contudo, nós O reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.
    Mas Ele foi ferido por causa das nossas transgressões.

    E, mais adiante:

    Quando Tu fizeres da Sua alma uma oferta pelo pecado,
    Ele verá a Sua descendência, prolongará os Seus dias,
    e a vontade do Senhor prosperará na Sua mão.
    Ele verá o fruto das dores de parto da Sua alma e ficará satisfeito.

    Quem é Ele? O Servo do Senhor. Toda a questão é serviço. Eles deveriam estar com Ele no serviço do Reino — Seus companheiros. Deveriam ser os servos.

    Vocês observam que a nota à margem em Lucas 10:22 diz que algumas autoridades textuais acrescentam: “E Ele os chamou apóstolos”. Pois bem, aqui estamos: aqui está todo o serviço do Reino plenamente em vista.

    Isaías 53:10-11, principalmente: pelas dores de parto, pelas dores de parto. Tudo procede das dores de parto, queridos amigos. Não há outro caminho.

    Algo precisa ser desfeito na cruz — desintegrado, quebrado e disperso. É uma posição que não consegue permanecer nem resistirá, e que se revela sem consistência.

    Outra realidade precisa ser introduzida, uma realidade espiritual, que possa resistir. A cruz é o instrumento de Deus para fazer surgir o novo Israel, o novo Reino e os novos servos.

    Espero que vocês consigam colher algo de tudo isso. Meu problema tem sido ter material demais — só isso. Mas que o Senhor diga algo ao coração de cada um de nós por meio desta mensagem, mostrando-nos que tipo de pessoas Ele procura e por que está nos conduzindo pelo caminho em que nos conduz.

    Ele tinha em vista um serviço aqui, nesta vida mortal, e também na vida futura, que requer pessoas dessa natureza.