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    The Israel of God #6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Israel of God #6
    The Israel of God #6
    Austin-Sparks, T.

    A agonia do amor de Deus por Seu povo

    Se lhes apresento alguns fragmentos da Palavra de Deus, não é porque vou lhes dizer muita coisa. Na verdade, a mensagem estará numa profundidade maior do que qualquer coisa que se possa dizer.

    Farei pouco mais do que algumas afirmações e deixarei que o Senhor, por meio delas, fale ao coração de cada um de vocês.

    Passagens bíblicas

    As passagens — e, antes de tudo, aquela que tem permeado toda esta conferência — começam com Isaías 53:10-11:

    Todavia, ao Senhor agradou moê-Lo;
    Ele O fez padecer:
    Quando Tu fizeres da Sua alma uma oferta pelo pecado,
    Ele verá a Sua descendência,
    Prolongará os Seus dias,
    E o propósito do Senhor prosperará em Sua mão.
    Ele verá o fruto do trabalho da Sua alma
    E ficará satisfeito.

    Isaías 66:7-8:

    Quem ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes?
    Nasceria uma terra num só dia?
    Nasceria uma nação de uma só vez?
    Pois Sião, assim que sentiu as dores de parto,
    Deu à luz seus filhos.

    Zacarias 1:14:

    Então o anjo que falava comigo me disse: Clama, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos:
    Com grande zelo estou zelando por Jerusalém e por Sião.

    Zacarias 8:1-2:

    E veio a mim a palavra do Senhor dos Exércitos, dizendo:
    Assim diz o Senhor dos Exércitos:
    Com grande zelo estou zelando por Sião,
    E com grande indignação estou zelando por ela.

    Hebreus 12:22:

    Mas vós chegastes ao monte Sião
    E à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial.

    Marcos 14:34-36:

    A Minha alma está profundamente triste até a morte.
    E Ele, tendo avançado um pouco, prostrou-Se em terra e orava para que, se fosse possível, aquela hora passasse dEle.
    E dizia: Aba, Pai, todas as coisas Te são possíveis; afasta de Mim este cálice: contudo, não o que Eu quero, mas o que Tu queres.

    Efésios 5:25:

    Cristo também amou a igreja e entregou-Se por ela.

    A agonia de Deus em Cristo

    Todas essas passagens, em princípio e em seu significado último, dizem respeito a uma só coisa. Nelas e por meio delas, certas coisas inteiramente inexprimíveis, incompreensíveis, são trazidas ao nosso coração.

    Em primeiro lugar, vocês perceberam? Todas elas dizem respeito ao amor de Deus que sofre em Cristo, à paixão de Deus em Cristo e, nisso, ao mistério do valor infinito daquilo por que Ele sofre.

    É preciso haver algo que justifique isso. É preciso haver algo precioso para Ele.

    A Minha alma está profundamente triste até a morte.

    Com grande zelo estou zelando por Sião.

    Zelo, indignação — tudo isso nos fala do coração de Deus em relação a isso.

    Algo de infinita preciosidade e valor deve estar em vista. É claro que tudo isso está centrado na cruz, como sabemos. A cruz está ligada àquilo que tem importância eterna e suprema para o coração de Deus. Está ligada à Sua herança em algo.

    Não se trata de uma coisa. Não é algum interesse em algo inanimado. É, muito claramente, uma relação de coração, algo da natureza daquilo que dilacera o seu próprio ser — não um interesse objetivo em alguma coisa.

    Aqui, trata-se de uma parte dEle mesmo. Isso é confirmado, como vocês verão, por essas Escrituras: uma parte dEle mesmo. Não ter isso significaria que uma parte essencial do Seu propósito estaria faltando.

    É uma questão do coração. É algo que toca toda a sensibilidade de Deus, como acontece com um ser vivo.

    Paulo fala disso como algo que corresponde à esposa:

    Maridos, amai vossas mulheres, assim como Cristo também amou a igreja e entregou-Se por ela.

    A lei que governa essa relação é:

    Serão uma só carne.

    Separem os dois, e vocês estarão dilacerando uma única realidade, reduzindo-a a pedaços e à morte.

    A relação aqui, é claro, tem uma natureza que transcende qualquer analogia humana. O eterno está aqui.

    Bem, o que afirmo é que tudo isso — Sua agonia, Seu amor, Seu sofrimento — implica, no mínimo, se é que não declara em altíssima voz, que o objeto de tudo isso tem valor infinito para Ele.

    A infinita preciosidade do Seu povo

    O que é isso?

    Ele verá o fruto do trabalho da Sua alma.

    É aquilo de que temos falado durante toda esta conferência: aquilo que é representado por essa grande multidão, um povo para Si mesmo.

    Isso está além de nós — inteiramente além de nós. Podemos ouvi-lo, aceitá-lo de uma forma um tanto objetiva e dizer: “Sim”. Mas, quando chegamos a isso — você e eu —, à infinita preciosidade que você e eu temos para Ele, eu digo: está além de nós.

    Não sei quanto a vocês, mas sei muito bem como isso se passa comigo. Minha maior dificuldade para crer nisso surge quando penso em mim mesmo.

    Há duas coisas, principalmente, que tornam difícil crer em algo assim. Primeiro, aquilo que somos em nós mesmos. Conhecemos a nós mesmos — nossa pecaminosidade, nossa falta de valor.

    De fato, não vamos apenas usar palavras nem fingir — isso é realmente verdade: quando conhecemos nossa completa falta de valor, chegamos a senti-la de maneira humilhante. Não temos valor algum em nós mesmos.

    Você me diz que tudo isso é verdade e que diz respeito a mim, que se aplica a mim? Você está me colocando diante de um problema. Está me pedindo que creia em algo que não é fácil de crer.

    Mas, veja, posso examinar isso na Bíblia e mostrar como, afinal, não é impossível.

    Pergunto-me qual é, para vocês, o trecho mais consolador das Escrituras. Posso lhes dizer qual é para mim?

    1 Timóteo 1:15:

    Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.

    Isso é trazido diretamente ao indivíduo. Bem, há muitas coisas consoladoras na Bíblia, mas não se pode ir mais fundo do que isso. Não se pode chegar a nada mais fundamental. Aí está: toda essa paixão e agonia infinitas por pessoas como nós.

    A Bíblia diz isso. A Bíblia traz isso para perto, concentra-o no indivíduo. Eu lhes disse que poderia definir, explicar e fazer afirmações, mas aí está. E essa é uma das razões pelas quais temos tanta dificuldade para crer e aceitar.

    O mistério dos caminhos de Deus

    A outra dificuldade provavelmente é o mistério dos caminhos de Deus conosco. Muitas vezes, no mistério dos Seus caminhos, somos fortemente tentados a perguntar se algo assim pode ser verdade.

    Pode ser verdade a respeito de algumas pessoas, mas Seus caminhos conosco parecem não confirmar isso de modo algum. Um amor assim? Até a morte? Uma valorização da alma a esse ponto? Realmente, realmente, isso não parece ser confirmado pela maneira estranha e misteriosa como Ele nos governa.

    Há escuridão, perplexidade, problemas, decepção e tudo o mais. Ah, Satanás está sempre ao nosso lado para dizer: “Isso não é o amor dEle por você”.

    E não estou aqui para discutir isso filosoficamente, nem mesmo com argumentos das Escrituras. Estou aqui para fazer esta afirmação: a Bíblia diz isso.

    Aqui está. O que é tudo isso? Aqui está — tudo isso sobre o trabalho da Sua alma. Como é chamado? “Sua descendência”. Bem, Sua descendência: aqueles que creram nEle para a vida eterna.

    Ah, se pudéssemos crer nisso! Se eu pudesse crer nisso em todo tempo: que, em todo o mistério dos Seus caminhos, na estranheza do Seu trato conosco, em toda a confusão e perplexidade quanto ao que Ele está buscando, eu pudesse crer que, por trás de tudo, existe essa outra realidade.

    O custo infinito da redenção

    Aí está. A segunda coisa: o sofrimento infinito por trás de pertencermos ao Senhor, o sofrimento infinito por trás de toda a nossa salvação. E toda essa agonia foi por você. Ah, que coisa extraordinária!

    Pedro apresenta este contraste:

    Sabendo que não fostes resgatados com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais;
    Mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.

    E vocês sabem que a palavra “sangue” é sinônimo de alma. Quando Ele derramou Seu sangue, derramou Sua alma. A alma está no sangue, no simbolismo bíblico.

    Sim, Ele considerou isso de um valor infinitamente superior aos tesouros de ouro e prata. Ele deu isso pela nossa redenção. Essa agonia está por trás de você pertencer ao Senhor e de eu pertencer ao Senhor.

    O que estou tentando fazer? Resgatar tudo isso da banalização. Sim, uma salvação tornada barata demais e fácil demais — rebaixada a um nível tão baixo. Aqui está o custo infinito, o sofrimento que está por trás da salvação de uma única alma.

    O amor imutável de Cristo

    Além disso, há o amor infinito que Cristo tem pelos Seus. O apóstolo parece fazer algumas afirmações tremendas. Às vezes, elas quase soam como exagero.

    Quem nos separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus?

    E então ele enumera todas as coisas concebíveis que poderiam ser consideradas capazes de fazer isso e diz: “Não”. Reunindo todas elas, ele diz:

    Mas, em todas estas coisas, somos mais que vencedores.

    Nenhuma dessas coisas. Em todas elas e acima de todas elas, o amor triunfará.

    O amor que Ele tem por aqueles que são Seus — quando já os tem. Não é assim? Não, não se trata apenas de Ele os ter, mas de como os ama depois de tê-los conquistado.

    Às vezes, estamos dispostos a crer ou a pensar que o evangelho da nossa salvação se baseia em tudo isso para nos conquistar. E então, à medida que avançamos um pouco, nos perguntamos: Ele ainda nos ama agora como nos amava no começo? Ainda está tão empenhado em nos ter agora quanto estava naquela época?

    Estou dizendo algo que não deveria dizer? Vocês sabem o que quero dizer. Muitos de nós somos exatamente assim.

    Não, há uma imagem maravilhosa disso no Antigo Testamento, naquele templo de Salomão — talvez a estrutura mais magnífica já construída. A característica predominante daquele templo era o ouro: revestido de ouro, ouro puro. Ouro por toda parte — ouro, ouro, em toda parte.

    Algo que o Senhor agora possui e que, em símbolo e figura, representava aquilo em que Ele havia posto Seu coração. Apenas em símbolo e figura; ainda assim, isso é verdadeiro em princípio. O Senhor obteve aquilo para o qual vinha trabalhando o tempo todo com Seu povo: um lugar em que pudesse habitar.

    Por toda parte, tudo está simplesmente coberto e envolto em ouro. E o ouro é sempre a figura do amor divino. Ele o obteve. Para Ele, isso é mais precioso do que o ouro.

    É a preciosidade daquilo que Ele possui, depois de tê-lo para Si. E isso está representado por toda parte, com abundância — toda aquela abundância de ouro nos dias de Salomão. Tudo é amor: o amor de Deus por aquilo que Ele possui, depois de tê-lo obtido.

    Não, Seu amor não muda depois que Ele toma posse. É o mesmo. Faço a afirmação; vou explicá-la. Aí está.

    A importância infinita da igreja

    Portanto, esta é a próxima coisa: a importância infinita atribuída à igreja.

    Se Sião é apenas outra palavra, um título, para Sua noiva ou Seu templo, todos eles são, na realidade, a mesma coisa. Então, todos convergem para isto: a importância infinita atribuída à igreja.

    Receio que muitas pessoas pensem que a igreja é um ensino — aquilo que chamam de “ensino sobre a igreja”. Sabem, nada me faz estremecer, nada me arrepia mais a pele, do que ouvir as pessoas usarem essa expressão: “ensino sobre a igreja”.

    Já ouvi até pessoas falarem do ensino de Paulo sobre a igreja. Ensino sobre a igreja! Que o Senhor nos livre. A igreja não é uma verdade. Não é um ensino. Não é uma ideia.

    A igreja é Getsêmani. A igreja é Gólgota. A igreja é o clamor de um coração quebrantado na cruz. A igreja é o derramamento da Sua alma até a morte.

    A igreja é o grande coração de Deus neste universo. Agora, não estou exagerando. Isso não são meras palavras. Eu os levo aos profetas e lhes mostro ali que tudo isso é verdade.

    Ah, voltem a alguns daqueles profetas. Ouçam Oseias falar:

    Ó Efraim, como te deixaria?

    Eles choravam e clamavam pelo povo do Senhor como por uma noiva infiel, uma filha rebelde, um filho pródigo, uma família que rejeita o melhor dos pais.

    Essas são comparações nos lábios dos profetas a respeito do povo do Senhor, e Deus está com o coração partido — simplesmente com o coração partido.

    Não falem de doutrina da igreja, de ensino sobre a igreja. Ah, não.

    Cristo também amou a igreja e entregou-Se por ela.

    Com grande zelo estou zelando por Sião,
    E com grande indignação.

    Queridos amigos, não estamos aqui para apresentar ensino sobre a igreja e doutrina da igreja. Nós vimos algo. Nós vimos algo.

    Não se trata apenas de um assunto de interesse ao qual voltamos repetidas vezes. Não, não. Isso é um encargo em nosso coração e uma paixão em nossa vida, pelos quais sofremos não pouco.

    Não é pela verdade em si. Se fosse apenas pelo ensino, bem, não perseveraríamos nisso. É pela igreja: pela importância infinita que Sua igreja tem para Ele.

    Mais uma vez, digo que não consigo explicar, mas aí está a verdade. Ah, que você e eu pudéssemos enxergar além da verdade, da doutrina e do ensino — simplesmente enxergar a realidade.

    Vejam que é isso que está naquele coração dilacerado, naquele clamor angustiado, naquele suor como grandes gotas de sangue. É pela igreja. Não se trata de uma coisa, de uma teoria, de uma linha doutrinária. É algo tremendo.

    A motivação para a resposta e o serviço

    Então, a que isso nos conduz? Por fim, à motivação infinita para nossa resposta ao Senhor.

    A primeira resposta, sim. Se há alguém que ainda não deu essa resposta inicial, existe uma motivação infinita para que você o faça. Nenhuma motivação menor do que tudo isso.

    A motivação infinita para nossa resposta ao Senhor em todas as questões. Por que eu deveria entrar em controvérsia com o Senhor em qualquer assunto? Por que deveria deixar de lado meus próprios interesses pessoais? Por que deveria me desligar deles? Por quê, por quê — por que não?

    À luz disso, existe alguma coisa, realmente, realmente, que vocês possam colocar em oposição a isso? Há uma motivação infinita para prosseguir com o Senhor, responder, obedecer, dar-Lhe tudo.

    E essa é a motivação infinita para o serviço. Por que deveríamos dar-Lhe uma vida de serviço? Justamente por essa razão.

    Naqueles primeiros dias dos irmãos morávios — e tudo era tão puro naquelas origens —, o Senhor os usou tremendamente em torno dessa única questão. Ah, que coisa maravilhosa aconteceu!

    John R. Mott disse, na Conferência de Edimburgo, em 1910, que, se a igreja cristã tivesse seguido o caminho dos irmãos morávios, o mundo inteiro teria sido evangelizado há muito tempo.

    Há uma história maravilhosa — uma história maravilhosa — de sacrifício, de sofrimento, de entrega de si mesmos. Um missionário para cada dez membros de sua comunidade. Maravilhoso.

    Qual era o segredo? Eles tinham um lema. Tinham um lema. Ele estava escrito em tudo. Levavam-no aonde quer que fossem, e seu lema era este:

    Conquistar para o Cordeiro que foi morto a recompensa dos Seus sofrimentos.

    Essa é a motivação infinita: a recompensa dos Seus sofrimentos para o Cordeiro que foi morto.

    Fiz minha afirmação e assim a deixo. Isso está inteiramente além de nós, mas aí está. É isso que está aqui, em figura, não é, em todas essas outras coisas?

    Se isso é verdade, Ele não vai desistir de nós tão facilmente. Ele não vai abandonar Seu propósito. Vai voltar a ele vez após vez.

    Voltei para Sião.

    Ele voltará de novo, de novo, de novo, pois Seu coração está voltado para isso.

    Mas, ah, que tenhamos algo dessa realidade: o amor de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo.