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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Gospel of Luke III © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Gospel of Luke III
    Gospel of Luke III
    Kaung, Stephen

    A personalidade de Cristo como Filho do Homem

    Oração inicial

    Bem, ao nos reunirmos esta noite, o único desejo do nosso coração é que possamos ver.

    Senhor, pedimos que possamos ver a Tua glória, a glória do Filho do Homem. Oramos para que, ao Te contemplarmos com o rosto descoberto, sejamos transformados de glória em glória, segundo a Tua imagem, pelo Espírito Santo.

    Senhor, desejamos que sejas grandemente exaltado em nosso coração e desejamos ser um testemunho do Teu nome. Entregamos este tempo em Tuas mãos, confiando em Ti. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Evangelho segundo Lucas e o Filho do Homem

    Temos tido comunhão neste período em torno do Evangelho segundo Lucas. Lucas, cooperador de Paulo, Lucas, o evangelista, era médico. Sua profissão não o impediu; pelo contrário, vemos que, como médico, ele os serviu.

    Muito provavelmente, ele foi aquele a quem Deus usou para ajudar a estabelecer a igreja em Filipos. E, naturalmente, seu ministério a Paulo foi muito valioso. Até o fim, Paulo disse:

    Só Lucas está comigo.

    Então Deus o escolheu para ser evangelista, para nos apresentar um aspecto singular de Cristo. Lucas é usado por Deus para nos apresentar Cristo como o Filho do Homem.

    Agora, irmãos e irmãs, Deus sempre Se interessou por isso e nunca deixou de ter esse interesse. No princípio, quando criou o homem, Ele o criou à Sua própria imagem. Ele tinha um grande propósito para o homem: queria unir-Se ao homem.

    Embora Adão tenha caído, Deus não havia desistido de Seu grande desejo. Assim, três mil anos depois, encontramos Davi, como profeta, escrevendo em Salmos 8:4-5:

    Que é o homem mortal para que Te lembres dele?
    E o filho do homem, para que o visites?
    Pois pouco menor o fizeste do que Deus,
    E de glória e de honra o coroaste.

    Depois de três mil anos, Deus ainda não havia desistido de Seu interesse e de Sua esperança divina para o homem. Então se passaram mais mil anos, e encontramos esse Homem em Cristo. Em Hebreus 2:9, vemos Jesus feito um pouco menor do que os anjos, coroado de glória e de honra.

    Esse homem é um homem coletivo, não um homem individual. Quando Deus criou Adão, criou o homem; criou homem e mulher. Adão é uma figura de Cristo e da igreja. Não se trata apenas de que, em Cristo, Deus encontrou o Seu Homem; esse Homem é um Homem coletivo, que inclui todos os que pertencem ao Senhor.

    Nesta noite, gostaríamos de ir um pouco além. Deus deseja esse Homem. Em outras palavras, não se trata de qualquer homem; trata-se de um homem segundo o coração de Deus. Gostaríamos de conhecer esse Homem. Gostaríamos de conhecer a Sua personalidade, tal como é revelada por Ele.

    Quando você lê o Evangelho segundo Lucas, como pode perceber isso? É verdade que, no Evangelho segundo Lucas, como o próprio Lucas diz logo no início, embora não tenha sido testemunha ocular de tudo o que aconteceu, ele fez uma investigação muito cuidadosa.

    A partir dessa investigação cuidadosa, reuniu todas essas coisas de maneira sistemática e apresentou o relato a Teófilo. Agora, não sabemos quem era Teófilo. Provavelmente havia naquela época um homem de posição nobre chamado Teófilo, porque era costume, naqueles dias, dedicar um livro a determinada pessoa.

    Ainda hoje encontramos esse costume. Você escreve um livro e o dedica a determinada pessoa. Assim, ao escrever este Evangelho, Lucas, em certo sentido, o dirigiu a Teófilo, provavelmente um homem de posição nobre naquela época, que, creio eu, estava em Cristo.

    Ou talvez Teófilo não fosse uma pessoa; talvez fosse um pseudônimo. Teófilo significa “aquele que ama a Deus”. Assim, este Evangelho é apresentado a todo aquele que ama a Deus. Isso também é possível.

    De qualquer forma, vemos Lucas reunindo todas essas informações, organizando-as de maneira metódica e apresentando-as àqueles que amam a Deus. Se você ama a Deus, o Evangelho segundo Lucas é apresentado a você.

    Talvez você já tenha lido o Evangelho segundo Lucas. Você vê ali as palavras e os feitos do nosso Senhor Jesus? Não há dúvida disso. Este Evangelho registra as palavras proferidas pelo nosso Senhor Jesus e os feitos que Ele realizou. Ele proferiu muitas palavras e realizou muitos feitos.

    Mas foi só isso que você apreendeu? Se, depois de ler o Evangelho segundo Lucas, tudo o que você apreendeu foram as palavras e os feitos do nosso Senhor Jesus, você perderá de vista o próprio propósito do Evangelho segundo Lucas.

    Não é que as palavras e os feitos não sejam importantes. Eles são importantes. Mas o propósito fundamental, aquilo que está no âmago do Evangelho, é que, depois de ler o Evangelho segundo Lucas, depois de ouvir as palavras e testemunhar os feitos, vejamos a Pessoa.

    É a Pessoa que o Espírito Santo está procurando colocar diante de nós — não apenas as palavras ou os feitos, mas a Pessoa que profere essas palavras e realiza esses feitos. Em outras palavras, a palavra e o feito são a expressão de uma personalidade.

    Se tudo o que você viu e ouviu foram apenas os feitos e as palavras, e você não chegou a encontrar essa Pessoa, deixou de perceber essa personalidade. Então deixou de alcançar o próprio propósito do Espírito Santo ao nos dar este Evangelho.

    Por isso, precisamos ir além das palavras e dos feitos para encontrar essa Pessoa. É por causa dessa Pessoa que existem tais palavras e feitos. O Espírito Santo está procurando nos atrair, por meio dessas palavras e desses feitos, a essa Pessoa.

    Essa Pessoa é o Filho do Homem — o Homem segundo o coração de Deus, a nova humanidade, o novo Homem. É isso que precisamos ver ao ler o Evangelho segundo Lucas. Caso contrário, estamos apenas tocando a superfície e não chegamos à própria fonte de todas as coisas.

    No Evangelho segundo Lucas, é da maior importância que tenhamos um vislumbre — não apenas um vislumbre, mas que possamos contemplar a glória do Filho do Homem. Se contemplarmos a glória do Filho do Homem, daremos ao Espírito Santo a oportunidade de nos transformar à Sua imagem.

    Em outras palavras, Cristo é as primícias. Deus quer que sejamos como Ele: uma nova humanidade, um novo ser humano, uma nova personalidade manifestada neste mundo. Esse é o verdadeiro propósito do Evangelho segundo Lucas.

    Assim, nesta noite, esperamos compartilhar algo das características dessa personalidade.

    Cristo como a personalidade da nova humanidade

    Agora, não sei se estou correto ao dizer isto: a personalidade é a soma de todas as características de uma pessoa. O desenvolvimento e a expressão de todas as suas características formam sua personalidade.

    Quanto a nós, os que cremos, Deus não quer apagar a nossa individualidade. Não é propósito de Deus que percamos a nossa individualidade. Seremos diferentes para sempre.

    Quando Deus nos criou, criou cada um de nós de maneira diferente. Quando somos colocados no Corpo de Cristo, somos membros diferentes do Corpo de Cristo. E, mesmo por toda a eternidade, Pedro será Pedro, Paulo será Paulo e João será João.

    É verdade que precisamos perder o nosso individualismo. Deus precisa tratar conosco para que percamos o nosso individualismo. Mas isso não significa que devamos perder a nossa individualidade.

    No entanto, qual é a personalidade da igreja? Qual é a personalidade de um cristão? Cristo deve ser a personalidade de um cristão. Ele deve ser a personalidade da igreja.

    Em outras palavras, quando você vê um cristão, ele deve manifestar Cristo, porque Cristo se torna a sua personalidade. Ele não deve manifestar a si mesmo. Quando você vê a igreja, deve ver Cristo. Não deve ver pessoas; deve ver Cristo, porque Cristo se torna a personalidade delas.

    É por isso que a formação do caráter é tão importante para nós, cristãos. A menos que o Espírito Santo possa formar Cristo em nós, de modo que o caráter de Cristo se torne o nosso caráter, é impossível que a Sua personalidade seja expressa.

    No Evangelho segundo Lucas, o Espírito Santo está nos apresentando Cristo. Ele quer que vejamos Cristo, o Filho do Homem. Qual é a Sua personalidade? Que tipo de Pessoa Ele é? Que tipo de caráter Ele tem?

    À medida que O vemos e vemos o Seu caráter, o Espírito Santo pode nos transformar, trabalhando esse caráter em nós, para que a personalidade de Cristo caracterize essa nova humanidade.

    Esse é realmente o propósito do Evangelho segundo Lucas. Queridos irmãos e irmãs, ao ler o Evangelho segundo Lucas, vocês precisam encontrar essa Pessoa. Precisam ver o Seu caráter, a Sua personalidade — uma personalidade totalmente diferente da de qualquer outra pessoa neste mundo.

    Essa personalidade deve caracterizar a igreja. Essa personalidade deve ser manifestada por todos nós — por todos nós.

    Não vamos ler nenhuma passagem específica do Evangelho segundo Lucas, porque, se você ler esta passagem e aquela, poderá obter algumas palavras e alguns feitos. Mas, se quiser conhecer uma personalidade, terá de considerar o conjunto.

    Portanto, não vamos ler nenhuma passagem em particular, mas lembrem-se: todo o Evangelho segundo Lucas está diante de nós. Nesta noite, gostaria de ter comunhão com vocês a respeito de apenas alguns pontos — alguns traços, algumas características que caracterizam esse maravilhoso Cristo como o Filho do Homem.

    A autenticidade e a transparência de Cristo

    Um Homem autêntico e transparente

    Primeiro ponto: não sei se, depois de ler o Evangelho segundo Lucas, alguma característica de Cristo impressionou vocês mais do que outras. Sempre que você encontra uma pessoa, ouve o que ela diz e observa o que ela faz, forma-se em você uma impressão sobre a personalidade dessa pessoa.

    Agora, depois de ler o Evangelho segundo Lucas, que impressão esse Homem deixa em você? Creio que seja diferente para cada um. Você pode se impressionar com Cristo de uma maneira; outra pessoa pode se impressionar com outra característica. Não há uniformidade nisso.

    Mas, se me permitem compartilhar minha impressão, sinto que, depois de ler o Evangelho segundo Lucas, a impressão que ele me causa é esta: aqui está um Homem autêntico, um Homem transparente.

    Você já encontrou um homem autêntico neste mundo? Já encontrou um homem verdadeiro neste mundo? Já encontrou um homem tão transparente quanto esse Homem, Cristo Jesus? Já encontrou alguém assim?

    Veja, o homem caído já não é o que deveria ser. O homem já não é o que deveria ser. O homem já não é o que Deus quer que ele seja. Já não é.

    Quando leio Gênesis, vejo que Deus criou o homem, e depois veio Eva. No final de Gênesis 2, em Gênesis 2:25, está escrito que Adão e Eva estavam nus e não se envergonhavam.

    Agora, realmente não compreendo plenamente o que isso significa. Eles estavam nus e não se envergonhavam. Muito provavelmente, deviam estar vestidos de glória. Deus revestiu cada animal com alguma coisa, e não poderia tê-los deixado sem vestimenta alguma. Provavelmente estavam vestidos de glória.

    Mas, de qualquer forma, penso que, quando Deus criou o homem, ele estava nu e não se envergonhava. Em outras palavras, eles eram muito autênticos. Não havia cobertura — nenhuma cobertura humana. Havia glória, é verdade, mas, em certo sentido, estavam nus.

    Quando saíram das mãos de Deus, uma coisa que podemos dizer a respeito deles é que eram autênticos. Estavam nus. Não havia cobertura, e não se envergonhavam disso.

    Mas, imediatamente após a queda do homem, a primeira coisa que fizeram foi tentar se cobrir. Começaram a usar folhas de figueira e tentaram fazer aventais para se cobrir. Embora esses aventais não os cobrissem de verdade, eles pensavam que estavam cobertos.

    Na viração do dia, o Senhor veio. Quando o Senhor veio, eles se esconderam. Por quê? Porque sabiam que, embora estivessem cobertos com aventais, ainda estavam nus.

    Esses aventais feitos de folhas não podiam cobrir sua nudez, especialmente na viração do dia. As folhas não apenas não lhes davam calor, mas talvez houvesse algum vento ali. Aquilo não era uma cobertura. Esconderam-se entre as árvores, mas nem mesmo entre as árvores conseguiam se cobrir.

    Então Deus os interrogou. Você percebe que Adão já não era verdadeiro com Eva, já não era verdadeiro consigo mesmo e já não era verdadeiro com Deus. Deus perguntou: “O que você fez?” Adão respondeu, em essência: “Foi a mulher. Não foi culpa minha”.

    Ele tentou se encobrir. Tentou encobrir seu pecado. Mas a Bíblia diz que o pecado veio por um só homem, e esse homem foi Adão. Eva foi enganada, mas Adão pecou deliberadamente. No entanto, Adão tentou se encobrir:

    A mulher que me deste por companheira, ela me deu do fruto.

    Queridos irmãos e irmãs, esse é o hábito do homem caído: encobrir-se. Já não somos autênticos, já não somos verdadeiros, já não somos transparentes. Não ousamos ser.

    Segundo este mundo, o homem mais sábio e mais bem-sucedido é aquele que consegue se encobrir com maior habilidade. Um homem seria considerado tolo se tentasse se revelar.

    Agora, cristãos, é isso que o mundo é. Trata-se de enganar a nós mesmos e tentar enganar uns aos outros. O mundo inteiro está sob um grande engano. Como diz a Bíblia:

    O mundo inteiro jaz no maligno.

    Não é autêntico. É tudo falso. É tudo opaco. É tudo trevas. Seu próprio caráter é oposto ao caráter de Deus.

    Não é de admirar que, quando eu era menino, lêssemos em nossas aulas de inglês sobre um filósofo que, em pleno dia, carregava uma lâmpada acesa e procurava alguma coisa. Quando as pessoas lhe perguntavam: “O que você está fazendo?”, ele dizia: “Estou procurando um homem”.

    Mas, quando leio o Evangelho segundo Lucas, uma coisa me impressiona: aqui está um Homem tão verdadeiro, tão autêntico, tão transparente. Não há nada oculto Nele. Não há fingimento Nele. Não há falsidade Nele.

    Ele é o único Homem verdadeiramente autêntico que você encontrou neste mundo. Ele é autêntico. Ele é verdadeiro. Ele é transparente.

    Sabe, existe uma diferença entre ser honesto e ser verdadeiro. Você pode ser honesto, mas talvez não seja verdadeiro. Sinceridade não significa necessariamente autenticidade.

    Aqui você vê um Homem. Ele anda sozinho, ou está com Seus discípulos e amigos, ou até mesmo no meio de Seus inimigos. Você percebe que Ele é o mesmo.

    Toda a humanidade age de maneira diferente em situações diferentes. Quando você está sozinho, é um tipo de pessoa. Quando está com seus amigos, é outro tipo de pessoa. Quando está com outras pessoas, é ainda outro tipo de pessoa. Somos atores. Somos diplomatas.

    Precisamos nos proteger e precisamos tirar vantagem dos outros. Todo o nosso ser humano está fundamentado no egoísmo. Por causa do egoísmo, estamos sob um grande engano. Não podemos nos dar ao luxo de ser autênticos, porque, se tentarmos ser autênticos, as pessoas tirarão vantagem de nós.

    Mas aqui você encontra o nosso Senhor Jesus. Diante dos homens, diante de Deus, não há mudança, não há contradição. Ele é o mesmo.

    Muitas vezes, você percebe que podemos dizer uma coisa, mas pensar outra. Às vezes queremos tirar vantagem dos outros; em outras ocasiões, simplesmente queremos ser diplomáticos. Quantas vezes dizemos uma coisa e pensamos outra.

    Mas não é assim com o nosso Senhor Jesus. Tudo o que Ele diz procede do Seu coração. Não há mistura de motivos no Senhor. Tudo procede do Seu coração.

    Isso significa que, por ser tão autêntico, Ele é tolo? Não. O mundo diz:

    Sede, pois, prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.

    Ele é autêntico, mas isso não significa que seja tolo — de modo algum.

    Somente uma pessoa autêntica, somente uma pessoa transparente, é verdadeiramente sábia. Se você tem um vidro transparente, pode olhar através dele e ver tudo com clareza.

    Você percebe que o nosso Senhor Jesus pode enxergar o íntimo de todas as pessoas porque Ele é tão autêntico. Quando entra em contato com as pessoas, sabe o que há no coração delas. Elas não precisam Lhe dizer. Sempre que as pessoas vêm à Sua presença, tudo é exposto.

    Esse discernimento espiritual é o resultado de ser verdadeiro, autêntico e transparente. Não somos autênticos; por isso, não conseguimos enxergar o íntimo das pessoas. Antes de tudo, nem sequer enxergamos o nosso próprio íntimo. Se não conhecemos a nós mesmos, como podemos conhecer outras pessoas?

    Mas, se formos realmente verdadeiros, autênticos e transparentes diante de Deus, quando as pessoas vierem à nossa presença, não precisarão dizer nada. Tudo ficará exposto.

    Portanto, não significa que, por ser autêntico, você se torna tolo. De modo algum. Você se torna sábio. Tem discernimento. Por causa disso, é capaz de ministrar às pessoas.

    A autenticidade na igreja

    Irmãos e irmãs, não sei como vocês se sentem, mas sinto profundamente que, neste mundo, vivemos encobertos. Todos se escondem. Podemos estar juntos, podemos ter contato, mas, depois de muitos anos, não conhecemos uns aos outros de verdade.

    Todos usam uma máscara, e todos nos escondemos atrás de um muro. Temos medo. Temos muito medo.

    Isso é o mais doloroso. Suponha que você saia para trabalhar num escritório e perceba que não pode se dar ao luxo de ser autêntico. Precisa ser diplomático. Precisa lidar com as pessoas e tentar ser agradável e diplomático.

    Se você chega em casa e descobre que precisa ser assim também dentro de casa, nossa, não sei como consegue viver. Pelo menos em sua própria casa você pode ser autêntico, não é?

    Mas, queridos irmãos e irmãs, nem mesmo isso vocês conseguem neste mundo. Onde podem encontrar isso? Às vezes digo aos irmãos e irmãs: no mundo, vocês não podem se dar ao luxo de ser autênticos, mas, na igreja, precisamos ser autênticos.

    Se não pudermos ser autênticos, verdadeiros, abertos e transparentes uns com os outros, isso é demais. É demais.

    Esse é exatamente o pensamento de Deus. Quando você chega ao final da Bíblia, em Apocalipse 21 e 22, descobre que, na Nova Jerusalém, até o ouro é transparente.

    Agora, não preciso lhes dizer que o ouro de hoje, por mais puro que seja, não é transparente. Mas, na Nova Jerusalém, o ouro é transparente. Tudo é transparente, autêntico, sem nada oculto — aberto.

    Essa é a nova humanidade, a nova humanidade que Deus procura: antes de tudo, um caráter autêntico, verdadeiro e transparente.

    A vida pelo homem interior

    Queridos irmãos e irmãs, como podemos ser autênticos? Como podemos ser transparentes? Como? O que é autenticidade? O que é verdade? Como é isso?

    Primeiro, se vivermos pelo homem exterior, não seremos autênticos. Se vivermos pelo homem interior, então seremos autênticos.

    No Senhor Jesus, há unidade, há harmonia entre o Seu homem exterior e o Seu homem interior. Mas conosco não é assim. Em nós, o homem interior é Cristo em nós; o nosso homem exterior é o nosso próprio eu — nós mesmos. Esse é o homem exterior, para dizer de maneira simples.

    Assim, você percebe que, em nossa vida cristã, podemos viver pelo homem exterior ou pelo homem interior. Às vezes vivemos pelo homem interior, e às vezes vivemos pelo homem exterior. Sempre que vivemos pelo homem exterior, não somos verdadeiros; não somos transparentes.

    Somente quando vivemos pelo homem interior é que somos realmente verdadeiros, autênticos e transparentes.

    Para dizer de outra maneira: se vivermos pela carne, permanecemos como a velha criação, a velha humanidade, que está corrompida. Mas, se vivermos no Espírito, então pertencemos a essa nova humanidade. Ela foi recriada; é nova. É verdadeira. É autêntica.

    Portanto, tudo se resume a este ponto: como vivemos nesta terra? Vivemos nesta terra pela velha vida? Então não somos autênticos.

    Ou vivemos pela nova vida, pela vida de Cristo, pela vida no Espírito? Se assim vivemos, irmãos e irmãs, todos sabemos que somos verdadeiros e transparentes.

    É por isso que é tão importante andarmos no Espírito, e não segundo a carne. Há uma diferença entre a velha humanidade e a nova humanidade. Há uma diferença de personalidade.

    Qual é o seu novo nome? Cristo, não é? O propósito de Deus é que Cristo viva. Somente quando vivemos no Espírito é que Cristo pode manifestar o Seu caráter. Então você percebe que há autenticidade.

    Uma das coisas que Deus mais odeia, uma das coisas que o nosso Senhor Jesus denunciou com maior veemência, é a hipocrisia, porque ela não é autêntica. Não é verdadeira. É fingimento. É trevas.

    Portanto, essa nova humanidade é marcada pela autenticidade, pela verdade e pela transparência. Esse é o primeiro ponto.

    A dependência filial de Cristo em relação a Deus

    O segundo ponto: ao ler o Evangelho segundo Lucas, outra característica de Cristo como Filho do Homem me impressiona. É a Sua dependência de Deus — Sua dependência de Deus como a de uma criança.

    O que caracteriza o velho homem? A independência.

    Quando Deus criou o homem, criou-o à Sua imagem. Colocou o homem no jardim do Éden, onde havia a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Em outras palavras, o propósito de Deus para o homem era que ele comesse da árvore da vida e, assim, vivesse em dependência de Deus.

    Agora, isso não significa que você se torne uma pessoa sem caráter, como uma cana agitada pelo vento. De modo algum. Não se trata de depender das pessoas, de se apoiar nas pessoas, sem vontade própria ou sem força em si mesmo. Esse tipo de dependência é fraqueza.

    No entanto, a nova humanidade é caracterizada por uma dependência de Deus semelhante à de uma criança. Por haver essa dependência, essa vida é verdadeira.

    Como sabemos que o nosso Senhor Jesus viveu uma vida tão dependente? Ao ler o Evangelho segundo Lucas, você percebe que, entre todos os Evangelhos, Lucas é aquele em que a vida de oração do nosso Senhor Jesus recebe maior destaque.

    Não é que o nosso Senhor Jesus não orasse nos outros Evangelhos, mas, no Evangelho segundo Lucas, Sua vida de oração recebe maior destaque. Se você procurar, ao ler o Evangelho segundo Lucas, todas as passagens relacionadas à vida de oração do nosso Senhor, ficará surpreso com a quantidade delas.

    Em Lucas 3:21, quando Ele foi batizado e saiu da água, estava orando. Em Lucas 6:12-13, passou a noite inteira em oração antes de escolher Seus discípulos. Antes de fazer qualquer coisa, Ele primeiro orava.

    Em Lucas 9:18, antes de fazer a pergunta:

    Quem diz a multidão que Eu sou?

    Ele orou a sós. Antes de fazer a pergunta, primeiro orou.

    Novamente, quando levou três de Seus discípulos ao monte da transfiguração, foi para lá a fim de orar.

    Mais adiante, você encontra o nosso Senhor Jesus orando, e os discípulos disseram:

    Senhor, ensina-nos a orar.

    Em Lucas 18:1, o Senhor Jesus contou uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer.

    Mais adiante, naturalmente, você encontra o nosso Senhor Jesus orando por Pedro, dizendo:

    Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.

    No jardim do Getsêmani, naturalmente, Ele estava orando. Na cruz, orou:

    Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.

    Quando morreu, orou:

    Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.

    Vemos que toda a vida do nosso Senhor Jesus é caracterizada pela oração.

    Queridos irmãos e irmãs, o que é oração? Como vocês entendem a oração? Muitas vezes pensamos na oração em termos de pedir alguma coisa e receber alguma coisa. Mas, na verdade, a oração é uma expressão do quanto você depende.

    Se você pode depender de si mesmo, então não precisa orar. Não é assim? Se há alguma coisa que você consegue fazer sozinho, simplesmente vai e faz. Quando não consegue, então começa a orar. Isso mostra que você depende.

    O problema é que somos tão independentes; por isso, não oramos muito.

    Mas, no nosso Senhor Jesus, você vê toda a Sua vida caracterizada pela oração. Ele esperava em Deus, porque, em tudo o que fazia, fosse nas grandes coisas ou nas pequenas, vivia diante de Deus uma vida de dependência, como a de uma criança.

    Enquanto estava na terra, Ele Se voltou e orou:

    Pai, graças Te dou, porque assim foi do Teu agrado.

    Como uma criança que depende do pai — queridos irmãos e irmãs, essa é uma característica da nova humanidade.

    Não devemos viver nesta terra de maneira tão independente. Se vivermos nesta terra fazendo tudo por nós mesmos, ainda que estejamos realizando uma obra cristã, estaremos vivendo na velha criação.

    Esse não é o Homem segundo o coração de Deus. O Homem que Deus procura é Aquele que depende do Pai.

    Não é de admirar que você encontre o Senhor dizendo:

    Nada posso fazer de Mim mesmo.
    Nada posso dizer de Mim mesmo.
    Falo porque ouvi Meu Pai falar.
    Faço porque vejo Meu Pai fazer.

    Em outras palavras, você encontra uma vida perfeitamente dependente. Você vê essa vida como uma vida fraca? De modo algum. É a vida mais forte do mundo.

    O Senhor não lhe dá impressão alguma de que seja fraco. Não, não, não. Ele é um Homem autêntico. Pode Se colocar diante das pessoas. Pode ir à cruz, porque conhece a vontade do Pai. Ele depende do Pai.

    Portanto, essa é outra característica do Homem segundo o coração de Deus.

    A grandeza e a universalidade de Cristo

    O terceiro ponto: ao ler o Evangelho segundo Lucas, outra impressão me vem a respeito de Cristo como Filho do Homem. Queridos irmãos e irmãs, deixem-me fazer uma pergunta: vocês já encontraram alguém realmente grande? Quero dizer, grande por dentro — um homem de grandeza interior?

    Muito raramente. Muito raramente. Somos muito pequenos, muito pequenos. Por quê? Porque todos somos centrados em nós mesmos. O eu nos transformou em anões.

    Mas, quando você lê o Evangelho segundo Lucas, vê um Homem grande — oh, um Homem grande —, com um coração que acolhe a todos. Você não encontra apenas uma pessoa pequena. Ele é um Homem grande.

    Ele foi criado nas colinas de Nazaré. Durante toda a Sua vida, percorreu uma região de cerca de trezentos e vinte quilômetros. Nunca viajou além de trezentos e vinte quilômetros. Nunca frequentou uma escola. Diríamos: “Ora, uma pessoa com esses antecedentes certamente deve ser uma pessoa muito pequena”.

    Mas você encontra o nosso Senhor Jesus transcendendo a tradição de Seu tempo. O povo judeu naquela época tinha uma concepção muito estreita: pensava que era o povo escolhido de Deus e que Deus não viria a ninguém mais além deles. Eram pessoas muito preconceituosas e de visão estreita.

    Mas o nosso Senhor Jesus transcendeu a tradição de Seu tempo. Ele era um Homem universal. Seu coração estava aberto não apenas aos judeus, mas também aos gentios. Podia conversar com Nicodemos; podia conversar com uma mulher samaritana. Você percebe que Seu coração era tão grande; acolhia a todos. Sua grandeza era universal.

    Você pode ver isso na escolha de Judas. Haveria alguém que O trairia. Ele conhecia Judas? Sim. Sabia desde o princípio.

    No entanto, o nosso Senhor Jesus manteve Judas ao Seu lado por mais de três anos. Sabia tudo o que Judas fazia. Mas os outros onze discípulos sabiam alguma coisa sobre Judas? O Senhor nunca deu qualquer indicação.

    Ele conhecia Judas o tempo todo, mas nunca o expôs diante dos outros. Tratava Judas da mesma maneira que tratava os demais discípulos. Isso não é grandeza?

    Suponha que você conhecesse uma pessoa que iria traí-lo. Antes de tudo, você não ficaria contente. Se a tivesse por perto, dentro de uma hora todos saberiam.

    Mesmo perto do fim, quando Judas já havia decidido trair o Senhor Jesus, enquanto comiam a ceia da Páscoa, o Senhor disse:

    Um dentre vós Me há de trair.

    Mas ninguém sabia quem era.

    Pedro fez um sinal a João, que estava ao lado do Senhor. João reclinou-se sobre o peito do Senhor e perguntou:

    Quem é?

    O Senhor disse:

    É aquele a quem Eu der o bocado, depois de o ter molhado.

    O Senhor pegou o pão, molhou-o e o entregou a Judas. O estranho é que os discípulos ainda não perceberam.

    Segundo o costume, esse era um gesto dirigido ao convidado mais honrado. O anfitrião molhava o bocado e o entregava ao convidado mais honrado.

    Mesmo depois de sofrer tamanha dor, o Senhor ainda pôde fazer isso. Por quê? Porque Sua intenção era tratar Judas da maneira mais honrosa.

    O Senhor, pela última vez, tentou restaurar Judas. Mas, quando Judas recusou, seguiu em frente. Ninguém soube. Isso não é grandeza?

    Que Homem grande é o nosso Senhor Jesus. Não há nada de pequeno Nele.

    Às vezes conversamos entre cristãos. Somos tão pequenos. Ainda somos contenciosos e, por causa disso, somos pequenos. Mas essa nova humanidade é grande.

    Ao ler os dois últimos capítulos de Apocalipse, a respeito da Nova Jerusalém, você não consegue imaginar como essa cidade é grande. Está além da nossa imaginação. Ela tem doze portas abertas para as quatro direções. É universal.

    Aquilo que a igreja é, é o que devemos ser.

    O crescimento interior por meio da pressão

    O quarto ponto é este: a pressão nos amplia interiormente. Somos naturalmente pequenos, mas temos em nós essa vida grandiosa, esse Cristo. Portanto, quando Deus coloca pressão sobre nós, em vez de nos tornarmos menores, podemos crescer interiormente.

    Se não tivéssemos essa vida, ao sermos pressionados, ficaríamos menores. Tudo o que é pressionado fica menor. Mas, porque temos Cristo, quando estamos sob pressão, não somos esmagados.

    Olhe para o Senhor Jesus. Quanto maior era a pressão sobre Ele, mais a Sua grandeza se expressava. Ele era capaz de suportar. Como Ele é grande!

    Olhe para a rejeição, a incompreensão, a oposição e os questionamentos humanos que vieram sobre Ele. O apóstolo Paulo disse em 2 Coríntios 6:11, em essência:

    O nosso coração está dilatado.

    Ele não estava de modo algum limitado.

    Quanto mais as pessoas o criticavam, mais ele as amava. O apóstolo Paulo era um homem de grandeza interior. Era um homem que tinha a vida de Cristo e, depois do Senhor Jesus, o novo homem se manifestou.

    Irmãos e irmãs, não é essa uma das razões pelas quais o Senhor permite que a pressão venha sobre nós? Podemos estar cercados; podemos estar perplexos; o vaso de barro pode ser quebrado. Mas o poder do tesouro que vive em nós se manifesta. Esse é o segredo da grandeza.

    A determinação de Cristo em cumprir a vontade do Pai

    Por fim, deixem-me apenas mencionar o último ponto. Naturalmente, existem muitos outros, mas mencionarei apenas mais um. Esse Homem é caracterizado pela unidade de propósito.

    Ao longo da vida do nosso Senhor Jesus, conforme você lê o Evangelho segundo Lucas, impressiona-se com a simplicidade do Seu olhar e com a unidade do Seu propósito.

    Mesmo quando era criança, Ele disse:

    Não sabíeis que Me cumpria estar na casa de Meu Pai?

    Para Ele, havia apenas uma coisa: os assuntos do Pai. Ele firmou o rosto para ir a Jerusalém. Nunca vacilou nessa decisão. Não podia ser distraído. Não podia ser desviado. Tinha um único propósito diante de Deus — fazer a vontade do Pai.

    Isso caracteriza essa nova humanidade. É assim que o Senhor Jesus diz:

    Se o teu olho for simples, todo o teu corpo estará cheio de luz.
    Mas, se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará cheio de trevas.

    Ninguém pode servir a dois senhores;
    Porque ou há de odiar um e amar o outro,
    Ou se há de apegar a um e desprezar o outro.
    Não podeis servir a Deus e a Mamom.

    Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

    Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça,
    E todas estas coisas vos serão acrescentadas.

    Em outras palavras, a simplicidade — a unidade de propósito — marca a vida de Cristo.

    É por isso que, em Lucas 9, um homem veio ao Senhor e disse:

    Senhor, seguir-Te-ei.

    O Senhor disse:

    As raposas têm covis,
    E as aves do céu têm ninhos;
    Mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

    A outro, Ele disse:

    Segue-Me.

    Mas o discípulo disse:

    Senhor, permite-me que vá primeiro sepultar meu pai,
    E então virei e Te seguirei.

    Ainda outro discípulo disse:

    Senhor, seguir-Te-ei;
    Mas permite-me primeiro despedir-me dos que estão em minha casa.

    O Senhor disse:

    Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.

    Há uma unidade de propósito que caracteriza esse novo Homem, esse Homem Cristo. Irmãos e irmãs, como precisamos ser caracterizados por isso.

    Precisamos estar ocupados com os assuntos do Pai, talvez em funções diferentes, mas trata-se daquilo que é de santo interesse para Deus. Buscamos o Seu reino e a Sua justiça. Não olhamos para trás, mas O seguimos até o fim.

    Esse é o caráter do novo Homem, da nova humanidade.

    A personalidade da igreja

    Agora, quando você reúne essas características, e muitas outras que pode encontrar no Evangelho segundo Lucas, então vê uma personalidade. É a personalidade de Cristo, o Filho do Homem.

    Como Filho do Homem, Ele é o princípio de uma nova humanidade. Quanto a nós, que somos Dele, Ele quer que sejamos humanos — divinamente humanos. Quer que tenhamos todas essas características.

    Essas características devem ser as nossas características, e elas fluem da personalidade da igreja. Queridos irmãos e irmãs, que possamos vê-Lo. Que possamos vê-Lo.

    É para isso que existe o Evangelho segundo Lucas. Caso contrário, podemos lê-lo, podemos tocar a superfície, mas, se não O vemos e não vemos a Sua personalidade, o propósito do Evangelho não se cumpre.

    Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Vamos orar?

    Oração final

    Nosso Pai celestial, Tu nos apresentaste o nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho do Homem, a nova humanidade, o Homem que entrou em Teu coração.

    Oh, Senhor, oramos para que possamos vê-Lo. E, ao vê-Lo, que sejamos transformados pelo Espírito Santo, de glória em glória, segundo a Sua imagem.

    Essa é a oração do nosso coração. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.