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    Lessons From Church History #7: Thyatira Part 2 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Lessons From Church History #7: Thyatira Part 2
    Lessons From Church History #7: Thyatira Part 2
    Graham, Mac

    Fidelidade a Cristo durante a Idade das Trevas

    Senhor, nós Te agradecemos e nos alegramos na beleza da Tua vida, na glória da Tua vida, ao contemplarmos a Ti. Agradecemos porque não precisamos permanecer afastados, mas podemos entrar na Tua presença. Podemos ver-Te e habitar como Teu povo.

    Senhor, continuamos em espírito de louvor e adoração diante de Ti, diante desse trono real, contemplando quão precioso Tu és. Ao examinarmos a Tua Palavra e considerarmos estas lições da história da igreja, confessamos novamente nossa dependência de Ti, Espírito Santo, para que sopres sobre este tempo. Nós nos entregamos a Ti, para que ocupes o lugar que legitimamente Te pertence.

    Ao considerarmos esses tempos, vemos a Tua grande fidelidade. Repetidas vezes, ficamos profundamente impressionados com a infidelidade do homem. Mas, Senhor, agradecemos pela Tua grande fidelidade e pela Tua promessa de que edificarás a Tua igreja. Apesar de nós, Senhor, edificarás a Tua igreja. Nós Te adoramos em nome de Jesus. Amém.

    Leitura das Escrituras

    Voltamos a Apocalipse 2:18, começando nesse versículo.

    E ao anjo da igreja em Tiatira escreve:
    Estas coisas diz o Filho de Deus, Que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao bronze polido:
    Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço e a tua perseverança; e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras.
    Tenho, porém, contra ti que toleras essa mulher Jezabel, que a si mesma se declara profetisa; ela ensina e seduz os Meus servos a se prostituírem e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.
    Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, porém, não quer arrepender-se da sua prostituição.
    Eis que a lanço num leito, e os que com ela adulteram, em grande tribulação, se não se arrependerem das obras dela.
    E matarei os seus filhos com a morte; e todas as igrejas saberão que Eu sou Aquele Que sonda os rins e os corações: e darei a cada um de vós segundo as vossas obras.
    Digo, porém, a vós outros, os restantes em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina e não conheceram as profundezas de Satanás, como eles dizem: não ponho sobre vós outro fardo.
    Todavia, o que tendes, retende-o até que Eu venha.
    E ao que vencer e guardar até ao fim as Minhas obras, Eu lhe darei autoridade sobre as nações:
    E ele as regerá com vara de ferro, como são quebrados em pedaços os vasos do oleiro; assim como também Eu recebi de Meu Pai:
    E lhe darei a estrela da manhã.
    Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Vamos voltar a dois versículos que consideraremos mais hoje: Apocalipse 2:24-25.

    Digo, porém, a vós outros, os restantes em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina e não conheceram as profundezas de Satanás, como eles dizem: não ponho sobre vós outro fardo.
    Todavia, o que tendes, retende-o até que Eu venha.

    Há mais duas passagens das Escrituras. Primeiro, Romanos 11:1-5. Como compartilhamos na semana passada, consideramos a história de Jezabel e o que aconteceu no tempo do rei Acabe e de Jezabel. Sabemos que Elias viveu naquele tempo, e estes versículos se referem a isso.

    Na semana passada, vimos as trevas que envolviam o mundo durante a Idade das Trevas. Olhando para as circunstâncias exteriores, alguém poderia se perguntar o que estava acontecendo e indagar:

    Porventura Deus rejeitou o Seu povo?

    Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele intercede junto a Deus contra Israel?
    Senhor, mataram os Teus profetas, derribaram os Teus altares; e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida.
    Mas que lhe diz a resposta de Deus? Reservei para Mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal.
    Assim, pois, também no tempo presente há um remanescente segundo a eleição da graça.

    Tenho certeza de que muitos de nossos irmãos e irmãs, durante a Idade das Trevas, traziam no coração o clamor de Elias. Sentiam-se sozinhos. Sentiam-se perseguidos. Viam muitos sendo mortos e clamavam ao Senhor. Contudo, a certeza dada pelo Senhor lhes vinha, assim como veio a Elias:

    Reservei para Mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal.

    O belo, ao olharmos para toda a Idade das Trevas, é que havia aqueles que não dobraram os joelhos diante de Baal. Eram poucos. Não eram pessoas de destaque. Às vezes, é preciso procurar para encontrá-los. Mas não dobraram os joelhos diante de Baal. Por quê? Foi a escolha graciosa de Deus. Deus os guardou.

    Eles tinham um coração voltado para o Senhor, para permanecer na simplicidade de nosso Senhor Jesus Cristo. À medida que O contemplavam, o Senhor, em Sua graça e misericórdia, os guardava ao longo dessas gerações. Nós os consideraremos hoje.

    Há outro versículo que aparece repetidas vezes quando lemos a história da igreja, especialmente durante essa Idade das Trevas: Lucas 12:32.

    Não temas, ó pequeno rebanho; porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.

    Em meio a tudo aquilo, a palavra era:

    Não temas, ó pequeno rebanho.

    Seu Pai está cuidando de vocês. Ele está zelando por vocês. Repetidas vezes, aqueles que exerciam a liderança espiritual encorajavam o coração dos irmãos em meio aos tempos de trevas: não temessem, pois seu Pai estava cuidando deles.

    Irmãos e irmãs, isso pode encorajar nosso coração ao olharmos para os dias em que vivemos. Podemos achar que os tempos são muito sombrios, mas podemos ser encorajados a não temer. O Pai está conosco. Ele está cuidando de nós e escolheu nos dar o Seu reino. Nosso desejo é permanecer no fluir da Sua vida.

    O Remanescente Fiel em Tiatira

    O material de hoje é um adendo ao da semana passada. Nosso foco está nos “restantes” em Tiatira: aqueles irmãos e irmãs que foram fiéis ao Senhor durante esse tempo de trevas.

    Na semana passada, vimos a maldade que se desenvolveu por meio do sistema católico romano. Esse é o pano de fundo de todas as histórias que compartilharemos hoje. No entanto, os irmãos e irmãs que estamos considerando nunca se referiam a si mesmos pelos nomes que usaremos. Eles simplesmente se chamavam cristãos, irmãos ou amigos de Deus.

    Seus inimigos os rotularam e lhes deram nomes. Usaremos esses nomes apenas para distingui-los e identificá-los, mas eles não se chamavam por esses nomes. Eram simplesmente cristãos, reunidos no precioso nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Em muitos livros tradicionais de história da igreja, esses grupos são chamados de hereges, como se estivessem fora da corrente principal do cristianismo. Contudo, ao vermos do que eram acusados, descobriremos que não eram hereges. Eram verdadeiros crentes que permaneciam na fidelidade de nosso Senhor.

    Deixem-me estabelecer outro limite para hoje. A igreja em Sardes vem depois de Tiatira e normalmente marca o início do período da Reforma. Nós trataremos apenas do período anterior à Reforma. Pararemos antes de nomes conhecidos, como Wycliffe e Hus, que serão abordados daqui a algumas semanas, quando entrarmos na Reforma.

    A linha do tempo no material de vocês, extraída da revista Christian History, ilustra algo importante. Muitos dos grupos que discutiremos hoje mal são mencionados — quando chegam a ser mencionados — numa linha do tempo dos “acontecimentos mais significativos da história da igreja”. Isso mostra como eles têm sido vistos pelos especialistas tradicionais em história da igreja: como estando fora da corrente principal.

    Mas agradecemos ao Senhor porque, em Sua graça e misericórdia, Ele preservou certos registros para que possamos ver como essas pessoas viviam. Muitos de seus escritos foram destruídos quando foram perseguidos. Grande parte do que temos vem das acusações feitas contra eles.

    Contudo, mesmo ao lermos as acusações, descobrimos que muitas delas se aplicariam a nós e, na verdade, seriam elogios. Eram acusados de desconsiderar a autoridade do papa e de ter somente a Palavra de Deus como autoridade em sua vida. Por isso, eram condenados à morte. Nós aceitamos essa acusação.

    Pela graça de Deus, pedimos ao Senhor que nos ajude a captar o espírito daquilo que sustentava esses irmãos: o que eles viam — ou, melhor, Quem eles viam. Enquanto permaneciam em comunhão com nosso Senhor, Ele os sustentava durante os séculos mais sombrios.

    Os Paulicianos

    O primeiro grupo que queremos considerar são os paulicianos. Eles tiveram destaque do século VII ao IX, principalmente na Armênia e na Ásia Menor.

    Ninguém sabe ao certo como receberam o nome “paulicianos”. Alguns sugerem que foi porque amavam os ensinamentos de Paulo. Outra teoria é que, ao se converterem, crentes influentes mudavam seus nomes para os de cooperadores de Paulo. Constantino tornou-se Silvano; Simeão tornou-se Tito; Sérgio tornou-se Timóteo.

    Constantino-Silvano

    Um dos primeiros paulicianos documentados foi Constantino, que vivia na Armênia, na cidade de Kibossa. Um viajante passou a noite em sua casa e lhe deixou uma cópia das Escrituras — os Evangelhos e várias Epístolas. Constantino simplesmente leu as Escrituras, foi salvo e mudou seu nome para Silvano.

    Durante trinta anos, Silvano trabalhou por toda a Armênia, atravessando os montes Tauro e percorrendo a Ásia Menor, pregando o evangelho de Cristo. Muitos estavam sendo salvos. Seu ministério se tornou tão eficaz que o imperador em Constantinopla emitiu um decreto contra ele.

    O imperador enviou um oficial chamado Simeão para matar Silvano. Simeão o prendeu, reuniu ao redor dele seus amigos, deu uma pedra a cada um e ordenou que apedrejassem seu amigo até a morte. Nenhum deles quis fazê-lo.

    Então, o filho adotivo de Silvano, um homem chamado Justo, em quem Silvano havia investido sua vida, pegou uma pedra em troca de dinheiro e o matou. Silvano foi martirizado naquele dia.

    Mas Simeão, o homem enviado pelo imperador para matar Silvano, ficou profundamente tocado pelo testemunho de Cristo nesses crentes. Não amaram a própria vida até a morte. O imperador havia ordenado que apedrejassem aquele homem, e eles se recusaram. Simeão foi tão tocado pela vida de Cristo neles que foi salvo.

    Ele voltou aos aposentos do imperador e tentou permanecer ali por mais um ano, mas não conseguiu continuar. Fugiu de volta para aquela região, encorajou os irmãos e mudou seu nome para Tito.

    Quando o imperador soube que um de seus altos oficiais havia se convertido, enviou mais tropas. Os crentes foram cercados e presos. Justo conhecia seus caminhos secretos e os entregou ao imperador. Dessa vez, Tito e todos os seus seguidores foram apedrejados e queimados até a morte.

    Tudo havia acabado? Não. Seu testemunho de fé fortaleceu os demais. Ninguém negou a fé. Ao verem pessoas dispostas a morrer pelo testemunho de Jesus, as pessoas eram alcançadas pelo evangelho, mesmo enquanto a perseguição aumentava. Da Armênia e da Ásia Menor, o testemunho prosseguiu, atravessou os estreitos e chegou aos Bálcãs.

    Sérgio-Timóteo e a Perseguição de Teodora

    Por volta do ano 800, outro homem, chamado Sérgio, se converteu. Certo dia, enquanto caminhava pela rua, uma irmã fiel lhe perguntou: “Por que você não lê as Escrituras?”

    Ele respondeu: “Não posso ler as Escrituras. Elas são um mistério. Somente os sacerdotes podem lê-las”. Esse era o ensinamento da igreja naquele tempo: as Escrituras eram misteriosas demais para as pessoas comuns, e somente o papa poderia interpretá-las verdadeiramente.

    Mas a irmã lhe disse que o desejo de Deus era que todos chegassem ao conhecimento salvador de nosso Senhor Jesus Cristo. Isso o abalou. Ele foi para casa, encontrou uma cópia das Escrituras, leu-as e se converteu.

    Irmãos e irmãs, um padrão começa a aparecer aqui: a obra eficaz da Palavra de Deus. Quando homens e mulheres têm contato com a Palavra de Deus por meio da unção do Espírito Santo, vidas são transformadas. Vemos isso ao longo de toda esta história. Graças ao Senhor por aquela irmã fiel que o desafiou.

    Em 842, Teodora governava em nome de seu filho menor de idade, o imperador. Ela era adoradora de ídolos e católica, e desencadeou uma das maiores perseguições já conhecidas naquela região. Durante o período de cinco ou seis anos, de 842 a 847, dizem que mais de cem mil pessoas foram mortas e massacradas por causa do testemunho de Jesus.

    O papa Nicolau I enviou uma mensagem de aprovação a Teodora, elogiando sua determinação de conduzir os paulicianos “à verdadeira fé” ou de eliminá-los pela raiz. Ele a elogiou porque alguns haviam sido crucificados, outros mortos à espada e outros afogados, tudo porque ela havia seguido as orientações da Sé Apostólica.

    É difícil imaginar que o suposto vigário de Cristo, o representante de Cristo, autorizasse e ordenasse que cem mil crentes fossem condenados à morte pelo simples testemunho de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Um escrito pauliciano que sobreviveu, um livro armênio chamado A Chave da Verdade, concentra-se em duas coisas: a leitura das Escrituras e a oração, e a santidade de vida segundo a Palavra de Deus. A vida santa e a leitura das Escrituras os sustentavam. Apesar da perseguição, o evangelho se espalhava.

    Infelizmente, alguns dos que permaneceram acabaram se cansando da luta. Aliaram-se aos maometanos contra a Igreja Católica, considerando essa aliança o menor de dois males. Mais tarde, foram mortos nesse conflito.

    Os Bogomilos

    O evangelho e a perseguição se espalharam pela península Balcânica, levando-nos ao próximo grupo, os bogomilos. O nome vem de um termo eslavo que significa “amigos de Deus”. Por causa da perseguição, eles se estabeleceram por todos os Bálcãs, especialmente na Croácia, na Bósnia e na Sérvia.

    Basílio, o Médico

    Um bogomilo influente foi Basílio, o Médico, que viveu por volta de 1070. Ele foi salvo, mas fez a escolha consciente de continuar trabalhando como médico para se sustentar. O testemunho de muitos sacerdotes e monges daquele tempo era marcado pela mendicância, e Basílio não queria que qualquer suspeita relacionada a dinheiro ou ganho financeiro pairasse sobre seu ministério.

    Por volta de 1111, o imperador convidou Basílio para um jantar particular, supostamente porque queria ouvir seu testemunho. Basílio compartilhou o glorioso evangelho de Jesus Cristo, como havia sido salvo, tirado do mundo e entregado sua vida ao Senhor.

    Perto do fim do jantar, o imperador abriu uma cortina. Escribas estavam escondidos atrás dela, anotando tudo o que Basílio dizia. Seu testemunho foi então usado em seu julgamento para condená-lo. Era simplesmente uma armadilha do inimigo.

    Mas aquilo que o inimigo pretende para o mal, Deus usa para o bem. Em meio à fraude do imperador, o evangelho continuou avançando. Basílio foi preso em 1119, torturado e queimado naquele mesmo ano pelo testemunho de Jesus.

    O evangelho se espalhou por toda a Bósnia. Segundo os relatos, em 1199, o rei da Bósnia e toda a sua família foram salvos, e havia milhares e milhares de crentes no país. A Igreja Católica perdeu grande parte de sua influência ali. Não era uma “nação cristã”, mas uma nação com muitos cristãos.

    O papa Inocêncio III não podia tolerar isso. Obrigou o rei a se retratar, ameaçando invadir o país se ele não se arrependesse. O rei se retratou, mas o povo se recusou. O papa nomeou outro rei e enviou missionários para reconverter os bósnios, mas, até 1225, esses esforços haviam fracassado.

    Então, a perseguição recomeçou. Os exércitos do papa invadiram o país e o devastaram. Em 1291, a Bósnia foi submetida à Inquisição, e monges dominicanos e franciscanos entraram como inquisidores. Ainda assim, seus esforços não tiveram sucesso.

    As Acusações contra os Bogomilos

    Por que esses bogomilos eram perseguidos? Temos escritos de alguns de seus inquisidores, justamente daqueles que os condenavam.

    Eles escreveram que os que ouviam a doutrina bogomila guardavam os mandamentos do evangelho em vez dos mandamentos do papa. Não prestavam honra à mãe de Deus nem à cruz. Rejeitavam as cerimônias da igreja e seus dignitários. Chamavam os sacerdotes de fariseus cegos. Diziam que a Ceia do Senhor não era celebrada segundo o mandamento de Deus e que o pão era pão comum, não o corpo de Cristo.

    Por isso, eram condenados à morte.

    Outro inquisidor escreveu que, quando as pessoas viam sua conduta humilde, pensavam que eles eram verdadeiros crentes. Aproximavam-se deles para tratar da salvação de sua alma. Contudo, esses supostos “lobos”, escreveu ele, humilhavam-se, inclinavam a cabeça em oração, respondiam com humildade e se apresentavam como se conhecessem o caminho para o céu. Essa era a acusação.

    Até mesmo alguns dentro do sistema católico foram tocados. Gregório de Narek escreveu que essa seita havia investigado o próprio fundamento — as Sagradas Escrituras —, buscando ensinamento puro e orientação sadia para uma vida moral. Ele disse: “Creio que encontrei entre eles o verdadeiro cristianismo apostólico”.

    Era algo extraordinário um pai da igreja admitir que havia encontrado o verdadeiro cristianismo apostólico fora do sistema católico.

    Durante os séculos XIII e XIV, o islã se espalhou da região da atual Turquia para os Bálcãs. Por cerca de cem anos, os combates se alternaram entre forças islâmicas e exércitos católicos. Sempre que o sistema católico retomava uma região, havia grande perseguição. Quando o islã prevalecia, os crentes geralmente eram aceitos, desde que não causassem problemas.

    Por fim, muitos se cansaram e se tornaram muçulmanos. Isso contribuiu para o que hoje se chama de minoria muçulmana de ascendência eslava na região da Bósnia e da Croácia. Contudo, agradecemos ao Senhor porque houve fiéis que perseveraram em meio a uma perseguição que mal conseguimos imaginar.

    Os Cátaros

    O próximo grupo é chamado de cátaros, ou puritanos. O nome cátaro vem de uma palavra que significa “puro”, e a acusação contra essas pessoas era que viviam uma vida pura. Eles se encontravam principalmente no sul da França, no norte da Itália e na região de Toulouse.

    Durante o período anterior à Reforma, chamar alguém de cátaro era uma forma de insulto. Mas eles eram chamados de cátaros simplesmente por causa de sua vida pura.

    Não há muitos escritos sobre esses crentes, porque seus textos foram destruídos. Reuniam-se de maneira simples, de casa em casa. Não tinham uma grande organização. Assim como os outros grupos, eram assembleias locais, com comunhão entre crentes de diferentes lugares, mas sem uma organização oficial que as interligasse.

    Cláudio de Turim

    Um homem influente nesse movimento foi Cláudio, bispo de Turim, no norte da Itália, por volta do ano 800. Embora tivesse sido nomeado bispo, ele havia estudado as Escrituras e se opunha fortemente ao sistema católico.

    Quando chegou a Turim, retirou das catedrais as relíquias, as cruzes e as imagens. Os edifícios se tornaram lugares simples, sem relíquias nem imagens. Ele também denunciou a autoridade do papa.

    Cláudio ensinava que a autoridade de Pedro não havia passado para o papa. Quando Pedro morreu, a autoridade de Pedro morreu. Cada pessoa se apresenta diante do Senhor. Ele falava do sacerdócio de todos os crentes, ensinando que o Senhor estabelece Seu governo nas localidades e levanta aqueles que podem exercer Sua autoridade delegada em diferentes momentos. A autoridade não é hereditária nem decorre meramente de um cargo; ela é reconhecida a partir da vida interior.

    Ele negava a transubstanciação. Ensinava que o pão era pão e o vinho era vinho, tomados em memória do Senhor. Nada de místico acontecia com os elementos; em vez disso, os crentes se lembravam da morte, do sepultamento e da ressurreição do Senhor e participavam desse testemunho.

    É notável que Cláudio não tenha sido martirizado. Embora fosse malvisto, viveu até o fim de seus dias e morreu em 839. De algum modo, o Senhor colocou sobre ele uma proteção. Ele exerceu influência por todo o norte da Itália e, mais tarde, seria associado aos ensinamentos dos valdenses.

    Pedro de Bruys e Henrique de Lausanne

    Por volta do ano 1100, Pedro de Bruys ministrou no sul da França, pela Borgonha, pela Provença e pela região conhecida como Languedoc. Durante vinte anos, pregou abertamente contra as corrupções da Igreja Católica.

    Ele retirava relíquias das igrejas. Por fim, reuniu cruzes com imagens de Cristo, colocou-as numa grande pilha e as queimou. Via que as pessoas estavam adorando ídolos e queria libertá-las para a simplicidade de adorar a Cristo. Pouco depois, foi queimado até a morte.

    Outro homem desse período foi Henrique de Lausanne, um seguidor de Pedro, profundamente influenciado por ele. Quando Pedro e Henrique davam testemunho do evangelho, as pessoas deixavam as catedrais e acorriam a eles.

    Quanto mais a igreja os perseguia e falava contra eles, mais pessoas os seguiam. Pedro e Henrique davam testemunho de uma vida santa, pura e simples, buscando proclamar o verdadeiro evangelho. As pessoas viam o contraste entre a vida deles e a dos sacerdotes e monges e percebiam que alguma coisa não estava certa.

    Henrique foi capturado e condenado como herege em Pisa. Escapou da prisão, mas logo foi preso novamente e morreu na prisão.

    Bernardo de Claraval, de quem falamos ao tratar das Cruzadas, foi um dos mais fortes opositores de Pedro e Henrique. O papa incumbiu Bernardo de ser sua voz contra eles.

    Bernardo escreveu ao papa a respeito da condição do sistema católico naquelas províncias. Disse que as igrejas estavam sem povo, o povo estava sem sacerdotes e os sacerdotes estavam sem honra. Queixou-se de que as igrejas já não eram consideradas santas, os sacramentos já não eram tidos como sagrados e as festas já não eram celebradas.

    Lamentou ainda que as pessoas morriam sem penitência e comunhão, e que o batismo infantil era rejeitado. Em outras palavras, estava descrevendo um povo que havia deixado os ensinamentos da igreja e seguia o evangelho simples.

    Embora Bernardo fosse poderoso, seus esforços para trazer as pessoas de volta ao sistema católico foram, em grande parte, ineficazes. Ele não procurava reformar aquele sistema; tentava suprimir aquilo a que esses crentes se apegavam. Mas não conseguiu prevalecer, porque eles haviam tocado em algo real.

    Quando a revelação de Jesus Cristo acontece na vida de uma pessoa, ninguém pode anulá-la. Não há como negá-la. O Cristo vivo estava Se manifestando em vida e transformando vidas, e os maiores argumentos do mundo não podiam mudar isso.

    O último registro que temos desses cátaros é de uma conferência realizada em Toulouse, em 1167. Crentes vieram de todos os Bálcãs, da Dalmácia, da Albânia e de outros lugares. Vieram simplesmente para encorajar uns aos outros na comunhão e no testemunho da fidelidade do Senhor.

    Compartilharam repetidas vezes como o Senhor era maravilhoso e fiel em todos os Seus caminhos. Isso os fortaleceu, e eles voltaram às suas diversas regiões para continuar espalhando o evangelho.

    O Tratamento das Comunidades Judaicas

    Durante o século XIII, ocorreu outro acontecimento. Em 1215, o Quarto Concílio de Latrão tratou da maneira como os judeus deveriam ser tratados. O concílio exigiu que os judeus usassem roupas especiais ou insígnias e vivessem em guetos.

    Isso nos faz lembrar a estrela amarela que tantas vezes vimos na história. Pouco depois, a Inglaterra, a Espanha e a França expulsaram as comunidades judaicas de seus países. Muitos foram para a Alemanha e a Polônia.

    Também não encontraram uma vida pacífica ali. No século XIV, durante a Peste Negra, a superstição levou as pessoas a culparem os judeus pela peste. Milhares e milhares foram mortos. Continuaram sendo um povo perseguido, não por algo relacionado à sua religião, mas por causa da superstição e do medo.

    Os Valdenses

    O próximo grupo que queremos considerar são os valdenses. Não sabemos a data exata de sua origem. Alguns a remontam ao tempo de Cristo, quando crentes fugiram da perseguição em Roma e se estabeleceram no norte da Itália e nos Alpes.

    Outros sugerem que crentes da Ásia Menor e dos Bálcãs chegaram por meio da influência de Cláudio e encontraram morada no norte da Itália e no sul da França. Não há um momento definido em que possamos dizer que os valdenses começaram.

    Mas podemos dizer que viviam uma vida cristã simples, em conformidade com o padrão do Novo Testamento. Eles permaneceram segundo esse padrão.

    Alguns dizem que os valdenses foram formados por Pedro Valdo, por causa da semelhança entre os nomes. Contudo, os valdenses claramente existiam antes de Pedro Valdo, que se converteu por volta de 1160. Ele foi influente entre eles, mas não lhes deu origem.

    Os valdenses eram marcados por sua reverência à Palavra de Deus: pela maneira como a Palavra governava sua vida diária e os conduzia à plenitude daquilo que o Senhor desejava.

    As Crenças dos Valdenses e as Acusações contra Eles

    Seus opositores escreveram que os valdenses negavam o batismo infantil e negavam que o pão e o vinho se tornassem o sangue de Cristo. Também negavam que ministros infiéis tivessem qualquer direito de exercer poder eclesiástico.

    O que queriam dizer era que o poder acompanha a pessoa. Se você não vive uma vida fiel, não conhece o poder de Deus. O sistema católico sustentava que o poder era conferido a um cargo: se você fosse sacerdote ou papa, esse cargo trazia consigo o poder.

    Os valdenses estavam tentando afastar as pessoas da ideia de que a autoridade é inerente a um cargo e conduzi-las à verdade de que o poder e a autoridade residem na vida de crentes fiéis.

    Um inquisidor escreveu que eles eram os inimigos mais formidáveis da Igreja de Roma, porque tudo o que “esses homens miseráveis” afirmavam, aprendiam dos Evangelhos e das Epístolas. Não aceitavam nada além do que encontravam expressamente contido ali, rejeitando a interpretação da igreja.

    Ele também disse que demonstravam uma grande aparência de piedade, porque viviam de maneira justa diante dos homens, criam corretamente a respeito de Deus e sustentavam os artigos do credo. Contudo, queixava-se ele, odiavam e insultavam a Igreja de Roma.

    Mais uma vez, era a vida que contrastava com o que a Igreja de Roma dizia.

    Às vezes, esses grupos são classificados como hereges. Mas precisamos lembrar os tempos em que viviam e aquilo a favor de que pregavam e contra o que pregavam. O sistema católico ensinava que Maria era a mãe de Deus. Em resposta, esses grupos pregavam Cristo e Sua relação com Deus. Então eram acusados de negar a humanidade de Cristo, embora essa não fosse a questão. Sua preocupação era a origem e a identidade de Cristo.

    Também eram acusados de rejeitar toda autoridade, porque pregavam contra o papa e a autoridade da igreja. Mas o que realmente diziam era que criam no sacerdócio de todos os crentes: todo crente é sacerdote.

    Pedro Valdo e os Pobres de Lyon

    Os valdenses talvez tenham sido um dos grupos mais perseguidos na história do testemunho cristão. Do século XII ao XVII, estiveram sob perseguição constante. Centenas de milhares foram condenados à morte. É difícil imaginar como suportaram tudo isso.

    Pedro Valdo ficou profundamente abalado quando um amigo próximo morreu de repente. Aquele acontecimento o despertou, e ele veio a conhecer o Senhor. Era um rico comerciante e homem de negócios, mas vendeu o que tinha e adotou uma vida de pobreza para poder sair e ministrar.

    Os que eram enviados entre os valdenses eram chamados de Pobres de Lyon. Viajavam como simples comerciantes, levando mercadorias de cidade em cidade. Dessa maneira, usavam sua atividade comercial para espalhar o evangelho.

    Ao começarem a conversar com alguém e mostrarem suas mercadorias, podiam perceber se havia abertura. Se houvesse, diziam: “Também tenho uma pérola de grande valor. Você teria interesse nela?” Então começavam a compartilhar o evangelho.

    Pedro Valdo e seus homens chamaram a atenção do papa Alexandre III. Valdo chegou a ir ao papa e pedir permissão para pregar. Mas, por ser leigo, teve a permissão negada e foi excomungado.

    Dali, fugiu para a Boêmia, onde acabou morrendo. A Boêmia fica próxima da Morávia, uma região que mais tarde teria importância em relação aos morávios. Vemos aquilo que a História da Igreja, de Miller, chama de um fio de prata: o Senhor usando diferentes pessoas e ligando-as ao longo dos séculos.

    Perseguição e Preservação

    Repetidas vezes, ao longo de cinco séculos, o papa enviou cruzadas aos Alpes para massacrar os valdenses. Em um dos casos, o exército chegou a uma cidade e perguntou: “Como sabemos quem devemos matar? Como distinguimos os cristãos?” O emissário do papa respondeu: “Não se preocupem. Matem todos”.

    Dependendo do relato, entre vinte e quarenta mil pessoas foram mortas naquela cidade. Em centenas de aldeias por todos os Alpes, todos os habitantes foram massacrados.

    Os exércitos do papa eram implacáveis. Deveriam dar às pessoas a oportunidade de se arrependerem, mas muitas vezes não o faziam. Em um relato, o abade responsável disse, em tom de zombaria: “Não tenham medo. Não haverá muitos convertidos para vocês cuidarem”.

    Em Montfort, os exércitos encontraram duas casas: numa delas, homens estavam orando; na outra, mulheres estavam orando. Perguntaram-lhes se iriam se retratar e voltar à fé católica. Eles se recusaram.

    Negaram a supremacia do papa e a autoridade do sacerdócio, dizendo que não tinham outro Cabeça senão Cristo, nem outra autoridade senão Sua santa Palavra. Enfurecido com sua firmeza serena, o abade ordenou que acendessem a fogueira.

    A pilha se tornou uma única massa de chamas. Os destemidos confessores do nome de Jesus, entregando sua alma em Suas mãos, entraram voluntariamente nas chamas, como se subissem ao céu numa carruagem de fogo.

    Contudo, também vemos a mão do Senhor em ação. Em Apocalipse 2:22-23, Cristo fala daqueles que não se arrependem e são feridos com a peste. Em 1225, Luís VIII e o papa organizaram uma cruzada para os vales do Piemonte e o sul da França.

    Qual era o tamanho dessa força? O exército do papa contava com duzentos mil cruzados marchando para aqueles vales contra esses crentes. Mas a mão do Senhor interveio.

    Enquanto o exército invasor estava acampado, uma peste irrompeu. Trinta mil morreram em uma semana. O exército recuou, e os valdenses foram poupados por algum tempo.

    Há outro relato da proteção do Senhor. Os valdenses, familiarizados com as montanhas, estavam escapando pelos Alpes quando os exércitos do papa se aproximaram pelos dois lados. Os valdenses ficaram encurralados no meio.

    Enquanto permaneciam em oração, uma nuvem cobriu as montanhas. Os valdenses conheciam o terreno e sabiam que, quando as nuvens chegavam, era preciso simplesmente ficar parado. Permaneceram parados e viram a salvação de seu Deus.

    Os soldados, sem experiência em combate nas montanhas, entraram em pânico. Dizem que quarenta mil caíram dos precipícios ao tentarem fugir. Os valdenses permaneceram parados e depois escaparam, quando a nuvem se dissipou.

    Repetidas vezes, uma enorme força do mal foi desencadeada contra esses valdenses. A perseguição não parou com a Reforma. Continuou durante os séculos XVI e XVII, enquanto as forças da Contrarreforma percorriam os vales, matando e massacrando pessoas inocentes.

    Às vezes, os valdenses pegavam em armas para se defender. Referiam-se a Lucas 22:36-38, quando o Senhor disse aos discípulos que levassem uma espada, e Pedro disse que tinham duas. O Senhor respondeu:

    Basta.

    Há séculos, os historiadores da igreja debatem se os cristãos devem pegar em armas. Às vezes, os valdenses o fizeram.

    Contudo, quando faziam prisioneiros, tratavam-nos melhor do que eles próprios eram tratados. Em uma batalha, os soldados do papa estavam tão desnutridos que os cruzados se renderam aos valdenses, porque seriam mais bem cuidados como prisioneiros dos valdenses do que no exército do papa. Alguns foram salvos e deixaram o exército definitivamente.

    O que sustentava os valdenses não era apenas uma convicção pessoal. Eles desejavam viver na simplicidade e na pureza do Senhor Jesus Cristo. Estavam entre aqueles sete mil que não dobraram os joelhos diante de Baal. Permaneceram na fidelidade do Senhor.

    A perseguição continuou até 1689. Naquele tempo, alguns voltaram de Genebra e, depois disso, conseguiram viver uma vida relativamente pacífica.

    Os Amigos de Deus e os Irmãos da Vida Comum

    Durante os séculos XIII e XIV, surgiram outros dois grupos: os Amigos de Deus e os Irmãos da Vida Comum.

    Os Amigos de Deus

    Os Amigos de Deus tinham seus centros em Estrasburgo, Colônia e Basileia. Entre os nomes associados a eles estão Eckhart e Suso. Frequentemente são chamados de místicos, e alguns faziam parte do sistema católico. Eckhart e Suso eram monges dominicanos.

    Contudo, em seu zelo pelo Senhor, chegaram a um conhecimento salvador Dele. Se vocês querem ver como os homens tentavam chegar a Deus durante a Idade das Trevas, considerem o ensino da salvação por meio de obras e do autossacrifício.

    Esses homens torturavam o próprio corpo físico, tentando fazer morrer a carne. Usavam roupas de lã com pregos cravados nelas. Açoitavam-se, passavam fome, privavam-se de sono e dormiam sobre pisos duros. Tentavam chegar a Deus, crucificar a carne, viver uma vida santa e ser libertos do corpo que nos enreda.

    Mas louvado seja o Senhor por Sua soberania. Mesmo em suas tentativas equivocadas de buscar a salvação, Deus interveio. Ele tocou sua vida, transformou-os e os libertou. Tornaram-se verdadeiros crentes no Senhor Jesus. Foi uma grande libertação.

    Em Estrasburgo, havia um conflito entre o imperador e o papa sobre quem tinha o comando — e, como muitas vezes acontecia, sobre quem recebia o dinheiro. Johannes Tauler ficou do lado do imperador. Como o imperador se opunha ao papa, todo o país foi colocado sob interdito, o que, na prática, equivalia a excomungar o país.

    Tauler permaneceu fiel no serviço ao seu rebanho e àqueles que o procuravam. Durante a peste em Estrasburgo, em 1349, continuou servindo aos que estavam morrendo.

    Tauler e outros monges publicaram um texto condenando as ações do papa. Sua grande declaração foi esta: já que Cristo morreu por todos, o papa não podia fechar a porta do céu. Já que Cristo morreu por todos, o papa não pode fechar a porta do céu. Os crentes têm um céu aberto ao qual podem se achegar.

    Mais tarde, os jesuítas ordenaram que seus livros fossem queimados, e o papa os colocou na lista de livros proibidos. Se você quisesse saber quais livros ler, poderia ter olhado aquela lista.

    A fonte da qual esses crentes bebiam era um relacionamento pessoal com o Senhor. Sua influência sobre a Reforma foi extraordinária. Um pequeno livro chamado Theologia Germanica, ou Teologia Alemã, veio dessa corrente.

    Martinho Lutero obteve esse livro e o elogiou muito pela influência que teve em sua vida. Seu ensinamento não nos parece ultrapassado.

    Fala-se do velho homem e do novo homem. Deves saber o que essa linguagem significa. O velho homem é Adão, a desobediência, o ego, o eu e coisas semelhantes. Mas o novo homem é Cristo.

    Diz-se também que o homem deve morrer para si mesmo; isto é, o ego do homem, seu eu e seu “meu” devem morrer. São Paulo fala da mesma coisa: “Despojai-vos do velho homem com as suas práticas, e revesti-vos do novo homem”.

    Aquele que vive em seu ego e segundo sua própria vontade pertence ao velho homem e é chamado filho de Adão. Mas aquele que vive em obediência, na vida do novo homem, é irmão de Cristo e filho de Deus.

    Paulo também diz: “Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados”. Todos os que seguem Adão na desobediência estão mortos e jamais poderão viver, a não ser em Jesus Cristo. Por essa razão, enquanto o homem é Adão ou seu filho, existe sem Deus. Mas aquele que está com Cristo e em Cristo está com Deus e vive.

    Isso foi escrito no século XIII ou XIV, e, no entanto, ainda falamos do velho homem, do novo homem, do ego e do eu. Aquilo que às vezes recebemos como uma nova revelação muitas vezes foi preservado por irmãos e irmãs ao longo dos séculos, até que, em algum momento, entramos no desfrute dessa realidade.

    Os Irmãos da Vida Comum

    Os Irmãos da Vida Comum estavam principalmente nos Países Baixos, na região de Deventer. Vejam como o evangelho estava se espalhando. Começou no Oriente e, durante os tempos mais sombrios, o evangelho não foi impedido. Estava se espalhando por toda a Europa.

    Os Irmãos da Vida Comum são especialmente conhecidos por sua ênfase na educação. Estiveram entre os primeiros reformadores da educação. Gerard Groote disse que “a raiz do estudo e o espelho da vida devem ser, antes de tudo, o evangelho de Cristo”.

    Eles desenvolveram escolas, incluindo uma em Deventer com mais de dois mil alunos. Sua obra tinha como fundamento a pregação do evangelho de Cristo.

    Um livro importante associado aos Irmãos da Vida Comum foi A Imitação de Cristo. Não foi escrito por Tomás de Aquino, mas por Tomás de Kempis, que, em grande parte, o compilou a partir dos escritos de outros.

    A Permanência da Igreja de Cristo

    Ao compararmos os que foram fiéis ao Senhor com as trevas que consideramos na semana passada, vemos um contraste. O que mais encoraja meu coração a respeito da Idade das Trevas é a declaração de Cristo em Mateus 16:18:

    Edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Por mais sombrios que os tempos se tornem, o Senhor continua trabalhando. Quero encerrar lendo um testemunho de um documento escrito em 1404. Não sabemos exatamente quem o escreveu, mas era o testemunho de um irmão perseguido diante de um inquisidor.

    Durante duzentos anos ou mais, nossa comunidade desfrutou de bons tempos, e os irmãos se tornaram tão numerosos que, em seu concílio, estavam presentes setecentas pessoas ou mais. Deus realizou grandes coisas em toda a comunidade.

    Então, uma severa perseguição irrompia sobre os servos de Cristo. Eram expulsos de terra em terra, e até o presente essa crueldade continua.

    Mas, desde que a igreja de Cristo foi fundada, os verdadeiros cristãos jamais foram reduzidos a tal ponto que não se encontrassem alguns dos santos no mundo, ou pelo menos em alguns países.

    Além disso, nossos irmãos, por causa da perseguição, às vezes atravessaram o mar e, em determinada região, encontraram irmãos. Mas, como não entendiam a língua do país, a comunicação com eles era difícil.

    A face da igreja muda como as fases da lua. Muitas vezes, a igreja floresce por causa do número dos santos e é forte nesta terra. Outras vezes, parece declinar e perder seu vigor. Mas, se desaparece em um lugar, sabemos que pode ser vista em outras terras, ainda que os santos sejam apenas uns poucos que levam uma vida boa e permanecem em santa comunhão.

    E cremos que a igreja será levantada novamente em maior número e força até que nosso Senhor volte. O Fundador de nossa aliança é Cristo, e o Cabeça de nossa igreja é Jesus, o Filho de Deus.

    Oração Final

    Senhor, nós Te agradecemos por tão grande fundamento. Agradecemos porque, ao lermos essas histórias dos horrores que essas pessoas suportaram, embora seja difícil para nós nos identificarmos com elas e isso esteja além da nossa compreensão, essas histórias podem nos encorajar.

    Senhor, vemos que, apesar de todos os esforços e fracassos do homem, e apesar das táticas do inimigo, a Tua promessa permanece verdadeira: Tu edificarás a Tua igreja.

    Nós Te agradecemos por esses fiéis. Ao considerarmos como foram fiéis em tempos de trevas, somos levados a refletir sobre nossa própria vida. Vemos os tempos em que vivemos, as liberdades que temos e os luxos de que desfrutamos.

    Quase podemos escolher quando queremos nos achegar a Ti. Podemos escolher quando queremos servir-Te e, muitas vezes, fazemos escolhas erradas. Senhor, ajuda-nos a nos aproximarmos de Ti de uma maneira renovada.

    Que nosso caminhar Contigo não seja determinado pelas circunstâncias exteriores. Que tenhamos uma revelação tão renovada de nosso Senhor Jesus Cristo que possamos ver-Te e conhecer-Te interiormente, dia após dia.

    Senhor, agradecemos pela comunhão que temos uns com os outros e pelas portas abertas para a comunhão por todo este mundo. Que elas sejam um tesouro para nós.

    Senhor, que a Tua vida se torne uma medida cada vez maior de testemunho. Que a Tua vida seja uma medida maior de encorajamento dentro de todos nós.

    Quando, por vezes, nos afastamos de Ti, Tu conheces nossa condição frágil. Não virias, Senhor, para nos levantar? Que o Teu amor seja derramado em nosso coração, elevando-nos ao lugar em que retemos firmemente o que temos.

    Agradecemos porque temos a Ti, Senhor. Agradecemos porque Tu nos sustentas. Tu nunca nos deixas nem nos abandonas. Tu nos encorajas dia após dia:

    Não temas, ó pequeno rebanho.

    Senhor, agradecemos pela preciosa provisão da Tua vida. Que desejemos aprender a receber da Tua vida de maneira cada vez maior, para que possas ter a noiva pela qual estás esperando.

    Senhor, isto continua voltando ao nosso coração: queremos ser aqueles que apressam a Tua volta. Ajuda-nos a aprender, Senhor, não apenas sobre coisas, mas sobre a Tua vida. Em nome de Jesus.