Nestes dias, temos tido comunhão a respeito da família. Mencionamos logo no início que a família não é uma ideia humana; é um conceito divino.
Quando Deus criou o homem, Ele criou homem e mulher e os uniu para que fossem um. Esse é o homem que Deus criou. Em outras palavras, aí está a família.
A essa família, Deus deu uma tarefa: multiplicar-se, encher a terra e sujeitá-la — em outras palavras, trazer a terra de volta para Deus, para que Deus seja glorificado em todas as coisas.
Mas também sabemos que, na queda do homem, a família foi desfeita. O marido e a esposa foram separados, e a ordem da família foi distorcida. Em vez de Adão ser o cabeça da família, vemos Eva tomando a frente.
Mas graças a Deus, porque vemos que Sua obra de redenção também é para a família.
Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.
Para ter uma família segundo o coração de Deus, é claro que vocês precisam começar pela questão da escolha do cônjuge. Por isso, mencionamos algumas coisas sobre essa escolha: como procurar um companheiro para a vida, como Deus providenciará esse companheiro. Da última vez, falamos um pouco sobre o marido e a esposa.
Agora, nesta manhã, vamos continuar com outro aspecto da família, que também é muito importante: pais e filhos.
Por favor, abram em Efésios 6:1-4.
Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira;
mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.
Também Colossenses 3:20-21:
Filhos, obedecei a vossos pais em tudo, pois isto é agradável no Senhor.
Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.
Encontramos na Bíblia muitas instruções e ensinamentos sobre como ser pais e como ser filhos. No Antigo Testamento, vocês encontram no livro de Provérbios muitos provérbios relacionados aos pais e aos filhos.
Provavelmente, no livro de Provérbios, há mais palavras dirigidas aos filhos do que aos pais. Mas, é claro, também não são poucas as palavras dirigidas aos pais.
Quando vocês chegam ao Novo Testamento, encontram, especialmente nestas duas epístolas, Colossenses e Efésios, as verdades mais elevadas. Em Efésios, somos instruídos a respeito da igreja como o corpo de Cristo; e, em Colossenses, a respeito de Cristo como o Cabeça da igreja.
Assim, vocês veem que, nessas duas epístolas, Paulo trata da verdade mais elevada, da revelação mais elevada que se pode receber. Contudo, nessas mesmas epístolas, vocês encontram ensinamentos não apenas a respeito de maridos e esposas, mas também de filhos e pais.
Talvez a ênfase do ensino nessas epístolas pareça recair mais sobre os pais do que sobre os filhos. De qualquer maneira, vocês veem que a Bíblia é muito prática — não apenas espiritual, mas muito prática. Em outras palavras, quanto mais espirituais vocês forem, quanto mais estiverem no Espírito de Cristo, mais isso se manifestará nos relacionamentos cotidianos aqui na terra.
Ser marido e esposa afeta uma geração, mas ser pais afeta mais de uma geração. Portanto, vocês veem que a influência dos pais é enorme.
Não sei por que, em Efésios e Colossenses, quando Paulo menciona essa questão da responsabilidade dos pais, ele fala apenas dos pais, e não das mães. Isso me surpreendeu.
Embora tanto o pai quanto a mãe sejam responsáveis pela criação de seus filhos, se vocês lerem Provérbios 1:8, encontrarão estas palavras:
Ouve, filho meu, a instrução de teu pai;
e não abandones o ensino de tua mãe.
Em outras palavras, a responsabilidade de criar os filhos recai tanto sobre o pai quanto sobre a mãe. Há a instrução do pai e há o ensino da mãe. A mãe é igualmente responsável pela criação dos filhos.
Na verdade, vocês veem na Bíblia, assim como na história, como as mães influenciam seus filhos. Pensem em Samuel. Acho que todos amam Samuel, porque ele tinha uma mãe tão boa, Ana. Foi por meio da oração de Ana e da fidelidade de Ana que tivemos Samuel, o profeta.
Pensem em Moisés. Embora sua mãe o tenha criado por pouco tempo, apenas até que fosse desmamado, vocês veem que ela foi capaz de lhe transmitir o conhecimento de Deus de tal maneira que, mesmo depois de quarenta anos no palácio do Egito, todo o conhecimento, todo o luxo e toda a corrupção da corte não puderam tirar Deus daquele menino.
Pensem na mãe de nosso Senhor Jesus, Maria, e em como ela se entregou completamente a Deus. De seu ventre veio o Salvador do mundo.
Pensem em Timóteo. Ele tinha uma mãe tão boa, Eunice, e também uma avó, Loide. Quando vocês olham para a história, encontram Agostinho e sua mãe, Mônica. Por meio das lágrimas de sua mãe, Agostinho foi levado ao Senhor.
Pensem em John Wesley e em Susanna Wesley, sua mãe, e em como ela criou todos os seus filhos no Senhor. Encontramos muitos exemplos de como as mães influenciam os filhos.
Mas, por estranho que pareça, tanto em Efésios quanto em Colossenses, vocês encontram palavras dirigidas apenas aos pais:
Pais, não provoqueis vossos filhos à ira.
Pais, não os irriteis, para que não fiquem desanimados.
Agora, eu realmente não sei por quê.
As mães não são responsáveis pela criação dos filhos? Certamente são. Mas por que, em ambos os casos, a ênfase está no pai?
Fico pensando se é porque muitos pais estão tão ocupados com as coisas deste mundo, com seus empregos e com seus relacionamentos sociais, que a maioria acaba negligenciando sua responsabilidade para com os filhos.
Em muitas famílias, vocês veem que os pais simplesmente não assumem sua responsabilidade como pais, mas deixam que as mães cuidem de tudo. Talvez essa seja uma das razões: o Espírito Santo sabe como são os pais; por isso, vocês encontram uma ênfase especial no pai.
Provavelmente há outra razão. Em geral, vocês veem que é o pai quem mais provoca os filhos. Alguns pais são rigorosos demais. São severos demais e, por causa disso, tendem a exigir muito dos filhos. As mães geralmente não fazem isso — embora também haja mães assim.
Portanto, não sei se é por essas duas razões que o ensino das Escrituras parece concentrar-se nos pais. Mas, é claro, precisamos lembrar que as mães também estão incluídas, porque são companheiras nessa responsabilidade. O pai é responsável pela família e pela criação dos filhos, com a ajuda da mãe, naturalmente.
Acho que primeiro teremos comunhão a respeito dos pais e depois a respeito dos filhos.
Antes de tudo, os pais precisam reconhecer que ter filhos é uma responsabilidade tremenda.
Deus confia um ser humano — espírito, alma e corpo — às mãos dos pais. Vocês não conseguem imaginar nada mais sério do que essa responsabilidade que lhes foi confiada.
Se alguém lhes confiasse um milhão de dólares, seria apenas um milhão de dólares. Se alguém lhes confiasse um país, seria apenas um país. Mas confiar-lhes um ser humano — não apenas o corpo, mas a alma e o espírito; não apenas para esta vida, mas para a eternidade — é uma responsabilidade tremenda, se realmente percebermos isso.
Receio que a maioria dos pais não perceba que Deus confia uma alma vivente, uma personalidade, uma vida às suas mãos. Como essa vida se desenvolverá — se amadurecerá e se tornará um homem ou uma mulher, ou se será um completo fracasso, uma vergonha, um desastre — depende do que vocês fizerem, não apenas para esta vida, mas para a eternidade.
Pais, vocês precisam reconhecer a tremenda responsabilidade que Deus lhes confiou. Deus considera vocês dignos de confiança. Deus os honra a tal ponto que confia almas viventes às suas mãos.
Que honra é ter filhos! Que responsabilidade vocês têm!
Acho que essa é a primeira coisa que os pais precisam saber. Não pensem que os filhos são sua propriedade. Eles pertencem a Deus. Vocês são mordomos.
Deus lhes deu os filhos para que vocês os criem na instrução e na disciplina do Senhor. Deus lhes confia uma obra tremenda. É a maior obra do mundo. É mais importante do que o seu emprego.
Deus os honra e lhes confia essa obra. Por causa disso, ah, como os pais precisam estar diante do Senhor!
Como é estranho que, assim que vocês têm filhos, pensem que sabem como ser pais. Vocês pensam que são capazes de ser pais. Provavelmente essa é a razão de tantos fracassos entre os pais, entre os pais e as mães.
Se vocês souberem o que Deus lhes confiou, como precisarão estar de joelhos e buscar no Senhor misericórdia, graça e amor!
Em outras palavras, os pais devem ir ao Senhor: “Senhor, Tu me honraste ao me confiar tamanha responsabilidade. Não sei como criar estes filhos para Ti. Tu precisas me ajudar. Tu precisas ser a minha sabedoria. Tu precisas me guiar e conduzir. Tu precisas me ensinar como fazer isso”.
Se os pais realmente forem ao Senhor e buscarem Sua graça e Sua misericórdia, irmãos e irmãs, descobrirão que Sua graça é suficiente. Mas, se tentarem ser pais por conta própria, como é fácil fracassar!
A palavra de Deus para os pais, conforme encontramos em Efésios 6:4, é:
E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira;
mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.
Há dois extremos entre os pais. Alguns pais não se atrevem a ensinar e disciplinar seus filhos. Deixam que os filhos cresçam sem limites.
A filosofia moderna diz: “Não os magoem. Deixem que desenvolvam sua própria personalidade”. Se vocês tentarem discipliná-los, se tentarem ensiná-los, supostamente eles não poderão desenvolver livremente sua personalidade. Portanto, não interfiram. Deixem que os filhos simplesmente cresçam naturalmente — e, naturalmente, sim, sem limites.
Então há outro extremo. Alguns pais levam sua responsabilidade tão a sério — não diante do Senhor, mas por conta própria — que disciplinam e governam seus filhos com mão tão pesada que eles simplesmente perdem o ânimo.
Mas vocês encontram na palavra de Deus um equilíbrio completo. Por um lado, a palavra de Deus diz:
Não provoqueis vossos filhos à ira.
Vocês devem ensinar seus filhos. Devem disciplinar seus filhos. Mas não os provoquem à ira. Não os irritem, para que não fiquem desanimados.
Como vocês provocam seus filhos à ira? Como os irritam a ponto de perderem o ânimo? Se os pais não são justos no tratamento dos filhos — se fazem acepção entre eles —, provocam seus filhos à ira.
Agora, não me digam que, por natureza, vocês não têm preferências. Lembro-me muito bem de que meu pai tinha sete filhos. Não estou falando de meu pai ou de minha mãe; deixo isso de lado. Estou falando de uma missionária, aquela que o Senhor usou para levar meu pai ao Senhor. Nós a chamávamos de Vovó. Ela era da Virgínia e morava conosco.
Dos sete filhos, ela amava mais o meu irmão caçula. Ele era o seu favorito. Muitas vezes, queríamos provocá-la, só para deixá-la agitada. Dizíamos: “Não, a senhora não é justa. A senhora tem preferência. Ama o nosso irmão mais do que qualquer um de nós”.
Ela dizia: “Não, não, não. Amo todos vocês da mesma maneira”. Nós dizíamos: “Não, isso não é verdade”. Ela ficava toda agitada e tentava dizer que nos amava. É claro que ela tinha uma razão. Dizia: “A razão é que o irmão de vocês é o que mais fica perto de mim. Vocês não se aproximam de mim. É por isso”.
Ela podia ter uma razão, mas, de qualquer maneira, vocês veem que, naturalmente, é difícil para os pais serem justos com todos os seus filhos. Alguns despertam mais a sua simpatia. Talvez tenham uma personalidade parecida com a sua.
Falando do ponto de vista natural, vocês veem que é muito fácil os pais terem preferências. Quando os pais são parciais, têm ideias preconcebidas e não são justos no tratamento dos filhos, provocam os filhos à ira. Alguns filhos podem fazer certas coisas sem sofrer consequências; outros, não. Por quê? Porque os pais têm preferências. Não são justos.
Como os pais podem provocar seus filhos à ira? Exigindo demais.
Sabem, alguns pais têm um ideal que desejam alcançar, mas fracassam. Então transferem esse ideal para os filhos e o colocam sobre eles. Querem que os filhos tenham sucesso naquilo em que eles mesmos fracassaram. Em outras palavras, querem fazer dos filhos aquilo que eles próprios sonharam ser.
Eles não respeitam a personalidade dos filhos. Por causa disso, exigem, exigem e exigem, querendo que seus filhos sejam a realização perfeita de seu sonho.
Vocês veem que, quando os pais fazem algo assim com os filhos, eles os irritam e os desanimam, porque os filhos sentem que nunca serão capazes de chegar àquele nível.
Sempre exigindo, nunca reconhecendo, nunca elogiando — por fim, os filhos desistem e dizem: “Não sirvo para nada. Não importa o que eu faça, nunca está bom. Então, por que tentar?”.
Irmãos e irmãs, a palavra de Deus aos pais é:
Não os provoqueis à ira.
Vocês precisam ensiná-los. Precisam discipliná-los. Mas precisam respeitar sua personalidade. Precisam ser justos. Não devem exigir o tempo todo sem, às vezes, elogiar e reconhecer o que fazem.
Então vocês encontram o equilíbrio do outro lado:
Criai-os na admoestação e na disciplina do Senhor.
Vocês precisam cuidar deles — não apenas de suas necessidades físicas. Alguns pais simplesmente suprem as necessidades físicas dos filhos e depois os deixam por conta própria. Fornecem comida, moradia, roupas, dinheiro para ir à escola e algum dinheiro extra, e isso é tudo. Em outras palavras, estão cuidando apenas de seus corpos.
Vocês precisam cumprir sua responsabilidade. As necessidades físicas são apenas uma área dessa responsabilidade. Os pais devem criar seus filhos não apenas para que sejam fisicamente saudáveis, mas também para que tenham um bom espírito e uma boa alma.
Em outras palavras, vocês precisam ensiná-los. Precisam admoestá-los. A admoestação provavelmente se dá, em sua maior parte, por palavras: vocês os admoestam com palavras, com ensino. A disciplina provavelmente se dá, em sua maior parte, por ações. Às vezes, as palavras precisam ser acompanhadas de ações.
Se houver apenas palavras e nenhuma ação, as palavras terão pouco valor e não serão respeitadas. Assim, vocês veem aqui que a admoestação e a disciplina precisam andar juntas para que os filhos sejam criados no Senhor.
É claro que o texto não diz que vocês devem admoestá-los e discipliná-los segundo seus próprios critérios. Não, de modo algum. Admoestem e disciplinem no Senhor.
Em Hebreus 12, vocês encontram que nossos pais terrenos nos corrigem conforme lhes parece melhor. Eles acham que algo precisa ser disciplinado e o fazem. Mas nosso Pai celestial nos corrige com uma vontade perfeita, para que sejamos participantes de Sua santidade.
Como pais cristãos, não devemos admoestar ou disciplinar nossos filhos apenas segundo a nossa vontade. Como pais cristãos, precisamos admoestá-los e discipliná-los segundo a vontade de Deus. Essa é a diferença.
Como venho de uma cultura chinesa, preciso dizer que a antiga concepção chinesa considera os filhos propriedade dos pais. Os pais podem fazer qualquer coisa com seus filhos, assim como podem fazer qualquer coisa com seus bens. Os pais nunca estão errados — nunca, de modo algum.
Eles podem disciplinar seus filhos e dizer-lhes coisas simplesmente de acordo com seus desejos. Por quê? Porque os filhos são sua propriedade. Não é assim. Não é assim na palavra de Deus.
Na palavra de Deus, encontramos que os filhos pertencem a Deus. Os pais são apenas mordomos; são administradores a serviço de Deus. Por essa razão, precisam admoestar e disciplinar seus filhos no Senhor, segundo a vontade de Deus, e não segundo a própria vontade.
Agora, estamos fazendo isso? Os pais estão admoestando seus filhos segundo o ensino do Senhor? Não porque eu queira, mas porque é isso que o Senhor quer.
Estamos disciplinando nossos filhos porque é assim que Deus deseja que o façamos? Não porque eu queira, mas porque é assim que Deus quer.
Irmãos e irmãs, se os pais reconhecessem isso, que mudança, que diferença haveria!
Por um lado, há uma responsabilidade sem fim; mas, por outro, a responsabilidade é do Senhor. Vocês têm o Senhor de Quem depender, a Quem recorrer — não segundo a sua própria maneira, mas segundo a maneira do Senhor.
Bem, esses são os princípios. Vamos falar um pouco da prática. Como os pais podem criar seus filhos da maneira que o Senhor deseja?
Em termos práticos, a primeira coisa que os pais devem fazer é santificar-se por amor aos filhos.
Na família, não pode haver dois padrões. Às vezes, os pais, por serem adultos, pensam que podem fazer muitas coisas e que têm liberdade para fazê-las. Mas têm outro padrão para os filhos.
Os filhos não entendem. Talvez vocês tenham certos direitos em algumas áreas por serem adultos, mas os filhos não entendem. Se vocês não se santificarem por amor a eles, nunca serão capazes de ensiná-los e discipliná-los.
Olhem para nosso Senhor Jesus. Em João 17, vocês encontram que nosso Senhor Jesus santificou a Si mesmo por nós. Há muitas coisas que nosso Senhor Jesus pode fazer, e não há nada de errado com o Senhor. Mas, por amor a nós, Ele Se separou para não nos fazer tropeçar de maneira alguma.
Irmãos e irmãs, isso é importante para os pais. Antes de terem filhos, provavelmente há coisas que vocês podem fazer livremente. Mas, depois de terem filhos, precisam pensar neles.
Se vocês disserem tal coisa, se fizerem tal coisa, se forem a tal lugar, como isso afetará seus filhos? Vocês dizem aos filhos: “Você não pode dizer isso. Você não pode fazer isso. Você não pode fazer aquilo”, mas fazem as mesmas coisas.
Vocês veem que muitos filhos se rebelam contra os pais porque os pais têm dois padrões. Vocês perdem o respeito dos filhos. Eles não os respeitarão mais. Pensam que vocês são hipócritas.
Portanto, na prática, a primeira coisa é os pais se santificarem por amor aos filhos. Isso faz parte da cruz. Por amor aos filhos, vocês estão dispostos a abrir mão de certas coisas às quais têm direito, porque isso manterá um só padrão na família. Acho isso muito importante.
Segundo: o pai e a mãe precisam viver diante de Deus. Não há como ajudar os filhos se os próprios pais não vivem na presença de Deus.
Se os pais temem a Deus, os filhos temerão a Deus. Se os pais amam a Deus, os filhos amarão a Deus. Vocês precisam proporcionar o ambiente adequado. Precisam ser exemplos para eles. Os pais precisam viver diante de Deus para criar seus filhos.
Terceiro: os pais precisam estar de acordo no ensino e na disciplina dos filhos. Os filhos são muito espertos. São mais espertos do que vocês pensam.
Como sabem jogar o pai contra a mãe e a mãe contra o pai! Em certas coisas, sabem que o pai dirá não, então vão à mãe. Em outras, sabem que a mãe dirá não, então vão ao pai.
Muitas vezes, vocês veem que eles jogam o pai contra a mãe e causam algum tipo de conflito entre os dois. Essa é a esperteza natural.
Portanto, no ensino e na disciplina dos filhos, os pais precisam estar de acordo. Se os filhos forem à mãe, ela deve perguntar: “O que seu pai disse?”. Não lhes deem oportunidade, nenhuma brecha. O mesmo se aplica ao pai. Eles precisam ser um; caso contrário, não conseguirão criar seus filhos.
Quarto: os filhos devem ser ensinados e disciplinados em todas as áreas da vida.
Como acabamos de dizer, não se trata apenas de lhes dar dinheiro ou suprir suas necessidades materiais — comida, roupas e assim por diante. É claro que isso é importante, mas é a menor parte.
Os pais precisam educar seus filhos quanto às boas maneiras, ao modo de viver, aos hábitos, ao trabalho, ao caráter, aos relacionamentos e a todo tipo de coisas. Em tudo isso, eles precisam de ensino e disciplina.
Por exemplo, os filhos precisam aprender boas maneiras — não apenas à mesa, embora as maneiras à mesa também façam parte disso, mas também ao encontrar outras pessoas. Como devem cumprimentar as pessoas? Como devem se comportar?
Vejo que muitas pessoas hoje cresceram sem instrução. Já não têm boas maneiras porque não foram ensinadas.
Os filhos devem aprender valores. Quais são as coisas realmente valiosas? Eles devem receber algum padrão de valores. Se aprenderem valores quando forem pequenos, serão preservados de muitos erros.
Quais são as coisas valiosas? Quais são as coisas que têm valor na vida? Essas são coisas que vocês devem ensinar aos filhos quando ainda são muito pequenos. Devem ensinar seus filhos a conhecer padrões. Deve haver certos padrões a serem observados, e eles precisam ser ensinados quando os filhos ainda são pequenos.
Eles devem aprender a usar o dinheiro. Ajudem-nos. Devem aprender a trabalhar e a ser diligentes.
Sou realmente grato aos meus pais. Quando éramos pequenos — todos os irmãos e irmãs; éramos sete —, tínhamos de trabalhar em casa. Nossa mãe nos dava certas tarefas: varrer o chão e fazer outras coisas. Ela nos dava responsabilidades.
Os filhos devem aprender a trabalhar. Muitas crianças de hoje não sabem trabalhar; são servidas o tempo todo. Devem aprender a ser diligentes e a desenvolver o caráter.
Todas essas coisas precisam ser ensinadas e, quando necessário, acompanhadas de disciplina, para que, ao crescerem, os filhos se tornem homens e mulheres maduros. Essa é a responsabilidade dos pais.
Quinto: ao lidar com os filhos, suas palavras precisam ser exatas, e suas promessas precisam ser cumpridas.
Muitas vezes, os pais prometem alguma coisa aos filhos e depois simplesmente se esquecem. Isso magoa muito os filhos. Tudo o que vocês dizem precisa ser exato e precisa ser cumprido.
Se o que vocês dizem não é cumprido, os filhos percebem que suas palavras não têm valor, não valem nada. Quando vocês dizem alguma coisa, precisam ser exatos; precisam cumpri-la. Essa é a maneira de criar os filhos.
E, é claro, não menos importante, os pais têm a responsabilidade de levar seus filhos ao Senhor. Essa é a coisa mais importante.
Muitos pais falham nessa responsabilidade. Não levam seus filhos ao Senhor e permitem que eles se afastem para o mundo. Então outra pessoa — a igreja — precisa sair e buscá-los.
Mas, na verdade, é responsabilidade dos pais criar seus filhos e conduzi-los ao Senhor. Se isso acontecer, vocês verão que eles permanecem na igreja. Serão úteis na igreja, e não será necessário sair pelo mundo para resgatá-los e trazê-los de volta.
Portanto, essas são algumas coisas práticas. Eu lhes disse que há muitas, muitas outras coisas, mas mencionamos apenas algumas como lembrete de como os pais devem criar seus filhos no ensino e na disciplina do Senhor.
Bem, isso é o que temos a dizer aos pais. Agora nos voltamos aos filhos.
A palavra de Deus tem um ensino definido sobre como ser filhos. É muito definido. Se vocês lerem Efésios ou Colossenses, verão que ele se concentra em uma palavra: obedecer.
Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
Filhos, obedecei a vossos pais em tudo, pois isto é agradável no Senhor.
A única coisa que os filhos devem lembrar é obedecer. Agora, vocês veem que a Bíblia usa as palavras com muito cuidado. Para as esposas, em relação aos maridos, a palavra é “submeter-se”. Mas, para os filhos, em relação aos pais, é “obedecer”.
Por quê? Porque a submissão é uma atitude interior. O marido e a esposa são coerdeiros da graça da vida. Em outras palavras, o marido e a esposa são iguais. São parceiros. Por isso, vocês encontram a palavra “submeter-se”. É uma atitude interior de submissão.
Mas os pais e os filhos não são iguais. Hoje, muitos filhos pensam que são iguais aos pais ou até superiores a eles. Mas a Bíblia nos diz que os pais e os filhos não são iguais. Os pais estão em um nível superior.
Portanto, a relação dos filhos com os pais é de obediência. A obediência é uma conduta exterior — uma conduta concreta.
Às vezes, os filhos podem não entender por que os pais querem que façam certas coisas ou por que não querem que façam outras. Vocês podem não entender.
Se esperarem entender tudo o que os pais exigem antes de obedecer, não conseguirão obedecer. Muitos filhos dizem: “Mas por quê?”. Quando os pais querem que façam alguma coisa, imediatamente perguntam: “Por quê?”. É como se, a menos que vejam uma boa razão para fazer aquilo, não fossem fazê-lo.
Muitas vezes, vocês não conseguem saber por quê. Ainda não têm tanta maturidade. Quando seus pais querem que façam certas coisas ou deixem de fazer outras, talvez vocês não entendam plenamente. Contudo, a obediência não depende de vocês entenderem.
A submissão é uma atitude interior, mas a obediência é uma ação exterior. Quer entendam, quer não, façam. Façam.
É claro que, se puderem entender, isso ajuda. Se seus pais estiverem dispostos a explicar, isso ajuda. Mas, na obediência, quer entendam, quer não, vocês devem obedecer. Por quê? Porque isso é justo.
Onde está a justiça? A justiça está nisto: seus pais cuidam de vocês. Eles lhes fornecem tudo. Têm a responsabilidade de criá-los. Como têm essa responsabilidade sobre vocês, é justo que vocês lhes obedeçam.
Se vocês recebem tanto deles e, ainda assim, não querem obedecer-lhes, estão sendo injustos. É justo que os filhos obedeçam aos pais.
Às vezes, dizemos: “Bem, nossos pais não sabem tanto quanto nós”. Isso pode ser verdade em certas áreas. Mas não é porque seus pais não sabem mais do que vocês que vocês podem desobedecer. Não é assim.
Olhem para nosso Senhor Jesus. Aos doze anos, Ele foi reconhecido como filho da lei no templo. Conhecendo Sua responsabilidade para com Seu Pai, Ele permaneceu no templo quando Seus pais terrenos voltaram para casa.
Depois de três dias, eles O encontraram no templo. Disseram:
Filho, por que nos fizeste assim?
Eis que Teu pai e eu Te procurávamos aflitos.
E o Senhor Jesus disse:
Não sabíeis que Me cumpre estar na casa de Meu Pai?
Nosso Senhor sabia que era o Filho do Pai. Precisava ocupar-Se dos assuntos do Pai. Contudo, Seus pais não entenderam.
Não foi por eles não entenderem que nosso Senhor Se recusou a voltar para casa. A Bíblia diz que o Senhor voltou com eles e lhes era sujeito. E Ele crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.
Portanto, filhos, mesmo que pensem ser superiores aos pais — mesmo que saibam mais —, ainda é seu dever obedecer. Isso pode ter um custo, mas o Senhor diz:
Nega-te a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-Me.
Isso é agradável ao Senhor.
Não apenas é justo; é agradável ao Senhor. Irmãos e irmãs, jovens, filhos, vocês querem agradar ao Senhor, não querem?
Como filhos, não há nada que possa agradar mais ao Senhor do que obedecer aos pais. Isso é agradável ao Senhor.
É claro que, se vocês querem ser bons filhos, antes de tudo precisam confiar no Senhor. Precisam estar no Senhor. A menos que estejam no Senhor, não podem ser agradáveis ao Senhor.
Primeiro, confiem no Senhor. Peçam ao Senhor Jesus que entre em seu coração. Aceitem-No como seu Salvador pessoal. Aprendam a conhecê-Lo. Aprendam a confiar Nele. À medida que O ouvirem, Ele os capacitará a obedecer aos pais.
Vocês acham que os filhos de hoje realmente se rebelam contra a autoridade? Exteriormente, sim; mas, interiormente, não.
Exteriormente, parece que os filhos de hoje se rebelam contra a autoridade — qualquer tipo de autoridade, eles se rebelam. Mas, interiormente, respeitam a autoridade. Sabem que na autoridade há segurança e há amor.
Quando os pais não disciplinam os filhos, os filhos não os respeitam. Não apenas isso: chegam a pensar que seus pais não os amam e não têm um senso de segurança.
Mas os filhos que são disciplinados pelos pais no Senhor sabem que seus pais os amam o suficiente para discipliná-los. Eles têm segurança e respeitam a autoridade.
Portanto, por respeito à Bíblia, obedeçam — não apenas em algumas coisas, mas em tudo. Não discutam com eles.
Somente em um caso muito raro, se houver, quando seus pais quiserem que vocês façam algo contrário a Deus, então, é claro, vocês devem obedecer a Deus antes que aos homens. Mas esse é um caso muito raro para os filhos.
Portanto, a Bíblia diz:
Obedecei a vossos pais em tudo, pois isto é agradável ao Senhor.
Honrem seu pai e sua mãe. Honrem seu pai e sua mãe.
Sabem, os Dez Mandamentos estão em duas tábuas de pedra. Os quatro primeiros dizem respeito ao nosso relacionamento com Deus. Os seis seguintes dizem respeito ao nosso relacionamento com as pessoas. Nos relacionamentos humanos, o primeiro mandamento é:
Honra a teu pai e a tua mãe.
Esse é um mandamento com promessa:
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
Honrem seu pai e sua mãe. Como honramos nosso pai e nossa mãe? A melhor maneira de honrá-los é obedecer-lhes. A melhor maneira de honrá-los é ouvi-los. A melhor maneira de honrá-los é buscar seus conselhos. A melhor maneira de honrá-los é aceitar sua disciplina.
A melhor maneira de honrá-los é conversar com eles, aprender com eles. Essa é a melhor maneira de honrá-los.
Muitos filhos hoje não conversam com os pais. Buscam conselhos fora de casa, e não com os pais. Não querem ouvir seus pais. Desprezam seus pais. Isso não é honra.
Honrar é aproximar-se, conversar, abrir o coração, aceitar seus conselhos e ouvi-los. Essa é a maneira de honrar seu pai e sua mãe.
A Bíblia diz:
Para que te vá bem, e vivas muito tempo.
Deus tem uma promessa.
Portanto, irmãos e irmãs, quanto aos filhos, lembremos que Deus espera que todos na família sejam Seus servos. Que nossos filhos obedeçam e honrem em tudo.
Se os pais e os filhos aprenderem a buscar o Senhor, aprenderem a viver pela vida de Cristo e todos aprenderem a estar no Senhor e a viver para o Senhor, vocês verão que essa família certamente será um testemunho, e o Senhor a receberá.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e Te agradecemos porque Tu desejas ter uma família que seja para a glória do Teu nome.
Ah, como Te louvamos porque Tu não apenas nos dizes o que esperas dos pais e dos filhos, mas nos dás a Tua própria vida. Com essa vida, podemos ser pais e podemos ser filhos segundo a Tua vida.
Portanto, Senhor, nós Te pedimos que, tanto os pais quanto os filhos, nos humilhemos diante de Ti, confiemos em Ti e busquemos a Tua vida, para que sejamos para a glória do Teu nome. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.