Gostaria de dizer como estou feliz por estar com vocês, especialmente no outono — ou fall, como vocês o chamam — nesta região. Normalmente venho na época mais quente do ano, e sempre me parece que estou dentro de uma panela de cozimento lento. Por isso, é muito agradável vir numa época mais fresca.
Gostaria de chamar a atenção de vocês para uma pequena porção da Palavra na carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, Filipenses 4:10-13. Vou começar a leitura no versículo 10.
Muito me regozijo no Senhor por haverdes finalmente renovado o vosso cuidado por mim; de fato, já tínheis esse cuidado, mas vos faltava oportunidade.
Não digo isto por causa de necessidade: pois aprendi a estar contente em qualquer situação em que me encontre.
Sei passar por humilhação e sei também ter abundância: em tudo e em todas as circunstâncias aprendi o segredo, tanto de estar saciado como de ter fome, tanto de ter abundância como de passar necessidade.
Tudo posso Naquele que me fortalece.— Filipenses 4:10-13
Pai, queremos agradecer-Te porque providenciaste essa unção para o nosso tempo juntos, especialmente para o ministério da Tua Palavra. E, Senhor, queremos, de maneira muito simples, pela fé, nos colocar nessa unção, nessa graça e nesse poder — tanto para que eu fale como para que nós ouçamos.
Senhor, faz deste um verdadeiro encontro Contigo. Já pedimos que pudéssemos ver-Te, ouvir-Te e encontrar-nos Contigo. E, Senhor, sabemos que o Teu desejo é exatamente este: que nós Te vejamos, Te ouçamos e nos encontremos Contigo.
Portanto, Senhor, queremos simplesmente nos entregar a Ti, para que tomes todo este tempo e lhe dês vida com a Tua própria presença e atuação. Nós Te daremos todo o louvor e toda a glória, Senhor, por cumprires o Teu propósito e desígnio ao nos reunir. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Ao pensar nesta noite e em amanhã de manhã, apenas uma coisa esteve em meu coração. Algo muito simples, devo dizer, e quase fui tentado a achar ridículo falar com vocês sobre coisas tão simples. Mas, como não há mais nada vivo em meu coração, tenho de crer que isso vem do Senhor.
O que quero enfatizar no tempo que temos juntos é aquilo que chamo de segredos da vida cristã. Não mistérios — isso é outra coisa —, mas simplesmente aquelas chaves para a vida cristã, a experiência cristã e o crescimento: aquelas chaves que, de um modo ou de outro, tantos cristãos não encontram.
Uma das coisas mais tristes hoje, ao viajar pelo mundo, é encontrar tantos crentes que não entendem o que é a vida cristã e que, certamente, experimentam muito pouco dela. Então, esse é o encargo simples que tenho no coração. Sinto como se mil outras pessoas pudessem dizer exatamente a mesma coisa, mas, como o Senhor tornou isso vivo em meu coração, creio que Ele deve ter algum propósito nisso.
O apóstolo, nessa maravilhosa carta à igreja em Filipos, diz:
Não digo isto por causa de necessidade: pois aprendi a estar contente em qualquer situação em que me encontre.
Sei passar por humilhação e sei também ter abundância: em tudo e em todas as circunstâncias aprendi o segredo, tanto de estar saciado como de ter fome, tanto de ter abundância como de passar necessidade.
Tudo posso Naquele que me fortalece.— Filipenses 4:11-13
Não creio que alguém possa estar contente numa situação de grande necessidade, a menos que tenha aprendido isso no Senhor. Isso é um segredo. E muitas vezes tenho pensado que é mais fácil passar por humilhação do que ter abundância. Quando você está numa situação de humilhação — isto é, em circunstâncias limitadas e difíceis —, só pode depender do Senhor. Não há outro caminho para atravessar aquilo.
Se, por exemplo, recebo um convite para ir ao Taiti, e sempre quis ir ao Taiti, e tenho bastante dinheiro na conta, posso ir ao Taiti. Sem problema. Mas, quando não tenho nada na conta, preciso realmente encontrar o Senhor, e Ele precisa prover.
Então, em certo sentido, é quase mais seguro passar necessidade do que ter abundância. Quando você tem abundância, pode fazer tudo o que quiser. Entendem? Poder dizer: “Aprendi o segredo, não apenas de passar por humilhação, mas também de ter abundância” — isso é algo extraordinário.
Muitos de nós sabemos alguma coisa sobre passar necessidade — estar em circunstâncias difíceis, ter de encontrar o Senhor nessas circunstâncias, ter de vencer nessas circunstâncias, ter de perseverar e conhecer o Senhor nessas circunstâncias. Mas, quando chegamos a um período de abundância, então nos desmoronamos.
Muitas vezes, a vida do eu em nós desfruta intensamente da abundância. Ela só foi contida pelas circunstâncias restritas. O eu nunca foi tratado; foi simplesmente limitado e teve de depender do Senhor. Mas, quando você entra num período de abundância, conhecer o Senhor é verdadeiramente um segredo.
Agora, tenho um ou dois segredos. Não sei até onde vou nesta noite. Provavelmente vou continuar até ver todos vocês dormindo; então paro e continuo amanhã. Mas tenho um ou dois segredos sobre os quais quero falar. Um ou dois vocês já terão ouvido muitas vezes; um ou dois vocês conhecerão na cabeça, mas quase nunca são enfatizados ou destacados.
O primeiro segredo da vida cristã sobre o qual quero falar nesta noite é o arrependimento. É um assunto praticamente desconhecido entre os crentes hoje.
Para começar, o evangelho que se prega não é um evangelho que chama homens e mulheres ao arrependimento, mas um evangelho de decisão — quase como a atual campanha presidencial de vocês. Um ou outro candidato fará mais por vocês, se vocês simplesmente o colocarem no cargo.
Grande parte da nossa pregação do evangelho hoje tem pouquíssima semelhança com o evangelho pregado no Novo Testamento. Se vocês estudarem isso, descobrirão que, por toda parte no Novo Testamento, a palavra-chave na pregação do evangelho era: “Arrependei-vos.” Onde vocês ouvem uma palavra assim hoje?
Por causa da falta de entendimento — e, de fato, da falta de experiência — do arrependimento, há algo seriamente ausente na concepção que tantos de nós temos do Senhor.
Talvez eu deva ler algumas passagens das Escrituras. Por exemplo, abram em Lucas 24:47. Estas são as palavras do Senhor Jesus aos Seus discípulos:
E que em Seu nome se pregassem o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
— Lucas 24:47
Vamos ler novamente:
Que em Seu nome se pregassem o arrependimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
— Lucas 24:47
Agora abram em Atos 20:21. Estas são as palavras do apóstolo Paulo aos presbíteros de Éfeso:
Testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
— Atos 20:21
Arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Já que vocês estão em Atos, voltem a Atos 2:38. Esta é a primeira vez, depois da cruz, que alguém pregou o evangelho. É Pedro quem fala:
Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.
— Atos 2:38
Agora, Atos 3:19:
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, a fim de que venham tempos de refrigério da presença do Senhor.
— Atos 3:19
Talvez vocês pensem que o arrependimento tenha a ver apenas com a experiência inicial — com pecadores se convertendo e sendo salvos. Mas quero mostrar a vocês que, quando nosso Senhor fala às sete igrejas em Apocalipse 2 e Apocalipse 3, a todas, exceto duas, Ele diz: “Arrepende-te.” Ele usa a palavra arrepender-se oito vezes nessas mensagens.
Portanto, entendo que o arrependimento tem algo a ver com os crentes e com a vida da igreja. Tem a ver com a vida cristã, com a experiência cristã contínua e com o crescimento cristão. Tem a ver com sermos conformados, ou transformados, à semelhança do Senhor Jesus.
Restringir o arrependimento à nossa conversão é cometer uma grave injustiça contra a Palavra de Deus.
Vejam, por exemplo, Hebreus 6:1:
Portanto, deixando a doutrina dos primeiros princípios de Cristo, prossigamos para a perfeição; não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus.
— Hebreus 6:1
Não pensem que deixamos o arrependimento para trás. Ele é um fundamento que não podemos lançar de novo. É um fundamento sobre o qual toda a estrutura é construída, seja a estrutura da nossa vida cristã, seja a estrutura da igreja. Ela é construída sobre esse fundamento, e não há outro fundamento.
Finalmente, mais uma passagem das Escrituras, e então examinaremos um pouco mais o que tudo isso significa. Em 2 Coríntios 7:9-10:
Agora me regozijo, não porque fostes entristecidos, mas porque fostes entristecidos para arrependimento; pois fostes entristecidos segundo Deus, para que em nada sofrêsseis dano por nossa causa.
Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, do qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo produz morte.— 2 Coríntios 7:9-10
O que isso significa? Por que chamo essa questão do arrependimento de segredo? Creio que muitas das nossas vidas cristãs são prejudicadas pela ausência de arrependimento.
O que é arrependimento? Eu diria de maneira muito simples: é assumir a sua própria responsabilidade por determinada falha, pecado, transgressão ou qualquer outra coisa. Não estou dando a vocês a explicação teológica do arrependimento. Estou simplesmente dizendo que arrependimento é quando você diz: “Eu sou o problema.”
Agora, querido filho de Deus, não é esse o nosso problema? Fico pensando quantos de nós culpamos as circunstâncias, os pais, os maridos, as esposas, os patrões, os empregados e mil e uma outras coisas por tudo o que está errado na nossa vida cristã.
Dizemos: “Bem, se eu não tivesse tido a infância que tive, seria uma pessoa diferente. Se não tivesse tido o tipo de pai que tive, seria uma pessoa diferente. Se ao menos tivesse tido uma mãe diferente, seria uma pessoa diferente. Se tivesse um marido diferente” — já ouvi isso mil vezes —, “seria uma pessoa muito diferente.”
É claro que, se você for alguém um pouco mais espiritual e piedoso do que a média, pelo menos dirá: “Bem, é claro que sei que estou errado, mas…” É aí que entra tudo. “Sei que estou errado. Sei que estou numa confusão, mas a culpa é de fulano. Você não faz ideia do tipo de pessoa com quem estou vivendo. Você não faz ideia das circunstâncias em que me encontro.”
É como se Deus não soubesse nada sobre a pessoa com quem você vive, nem sobre as circunstâncias em que você se encontra. De um modo ou de outro, sentimos que são essas coisas que nos moldam e produzem todas as nossas dificuldades e problemas. No fundo, é uma recusa em dizer: “Eu sou o pecador.”
Vocês se lembram da história que o Senhor Jesus contou em Lucas 18? Duas pessoas entraram no templo. Aparentemente, ambas eram filhos de Israel, ambas pertenciam à casa de Israel e ambas estavam em aliança com Deus.
Uma delas entrou, ficou de pé e disse: “Ó Deus, sou tão grato porque jejuo, dou o dízimo, faço isto, aquilo e mais aquilo. Sou muito grato por não ser como esse sujeito ali — um publicano.” Aliás, isso não significa que ele fosse dono de um pub. Vocês sabem disso, não sabem? Ele era um cobrador de impostos, profissão considerada uma das mais sujas de todas.
Ele disse: “Agradeço-Te, Senhor, porque não sou como esse homem ali.” Mas aquele cobrador de impostos nem sequer levantava os olhos. Não erguia a cabeça, mas dizia:
Ó Deus, sê Tu misericordioso para comigo, o pecador.
— Lucas 18:13
No original, isso é muito interessante. É realmente: “Ó Deus, sê misericordioso para comigo, o pecador.” Imagino que aquele cobrador de impostos poderia ter dito: “Senhor, sou pecador, mas tem misericórdia de mim. Olha as minhas circunstâncias. Olha o tipo de criação que tive. Foi meu pai quem me colocou nesse trabalho. Fulano me empurrou para isso.”
“Sei que tenho culpa, mas, querido Senhor, tem misericórdia de mim, porque, na verdade, eu não estaria aqui se não fossem as circunstâncias. Em outras palavras, querido Senhor, sou praticamente um sujeito bastante agradável e quase não sou tão ruim quanto todos dizem. Mas as circunstâncias ao meu redor determinaram completamente as coisas para mim, e agora estou nesta confusão.”
Vejam, isso não é arrependimento. Por que o Senhor disse que o homem que saiu do templo justificado por Deus foi aquele que disse: “Ó Deus, sê misericordioso para comigo, o pecador”? A responsabilidade termina aqui. Eu sou o responsável. Isso é arrependimento.
Não sei se estou falando à situação ou ao coração de alguém, mas quero dizer uma coisa: a sua vida é prejudicada pela falta de arrependimento. Se você não aprender essa questão inicial e fundamental do arrependimento, nunca chegará a lugar algum na vida cristã.
Sempre haverá terreno para Satanás entrar e deixar você completamente enredado, porque você está culpando os outros. É claro que havia outras pessoas nas suas circunstâncias. Quem já viveu uma vida separado de qualquer outro ser humano?
Cada um de vocês veio a este mundo por meio de uma mulher e de um homem. Todos nós temos circunstâncias familiares. Todos temos uma história genética que só Deus conhece. Todos temos vários tipos de circunstâncias, que diferem de uma pessoa para outra. A questão é: você está usando essas coisas como desculpa?
Arrependimento é poder dizer: “Senhor, estou nesta confusão por minha causa. Eu deveria ter conseguido vencer essas circunstâncias, porque a Tua graça está à minha disposição, o Teu poder está à minha disposição e a Tua sabedoria está à minha disposição. Tudo o que preciso para triunfar nessas circunstâncias está à minha disposição. Portanto, sou responsável por esta confusão.”
Quando você começa por aí, isso é verdadeiro arrependimento. Pela primeira vez, você está sobre uma base de realidade na presença de Deus.
Deixem-me avançar um pouco mais. Aonde quer que eu vá, as pessoas se aproximam de mim e dizem: “O irmão fulano me enganou.” Trata-se de algum nome famoso. “Fui iludido.” Você, tão querido, tão doce, tão ingênuo.
Agora você passa o tempo todo falando mal do irmão fulano. Ele é o homem mais endemoninhado, tenebroso e perverso; não há nada de bom nele. Antes, porém, você o considerava o maior apóstolo do mundo inteiro e a figura mais poderosa na obra de Deus. Agora ele não passa de um homem endemoninhado que vive no erro e que enganou você, tão querido, tão doce, tão ingênuo e amoroso.
Agora, quero dizer que você foi enganado porque havia algo em você suscetível ao engano e porque não ouviu — como diz o apóstolo João em 1 João 2 — o testemunho da unção que estava em você, que lhe diz se algo está certo ou errado.
Você é responsável por isso. Não fale mal desse irmão. Deus responsabiliza você. Você não pode ser enganado, a menos que esteja disposto a ser enganado. A maioria de nós entra nesse tipo de coisa porque há algo muito agradável em alguns desses pregadores. Eles nos oferecem coisas maravilhosas. Há um ambiente muito agradável.
Às vezes, há uma tendência elitista em muitos de nós. Gostamos de sentir que fazemos parte de algo de elite — especial, o melhor entre os cristãos. “Somos especiais. Esse irmão tem algo muito especial, desconhecido dos outros irmãos, que lhe foi revelado. Agora participamos desse segredo.” Entendem?
Onda após onda dessas coisas tem passado pelos círculos cristãos. Aonde quer que eu vá, encontro pessoas que são ex-discípulos deste movimento, ex-integrantes de alguma outra coisa, e elas dizem: “Ah, é terrível. Fui enganado.” Você foi enganado porque havia algo em você suscetível ao engano.
É muito interessante, se vocês estudarem cuidadosamente a Palavra, que, quando João escreve aos irmãos e às irmãs, ele fala de pais, jovens e filhinhos. Vocês imaginariam que ele diria: “Pais, vocês têm uma unção de Deus para saber o que é bom e o que é mau.” Mas ele diz: “Filhinhos.”
Em outras palavras, ninguém tem desculpa para ser enganado. Minha experiência tem sido exatamente essa. Conheci pessoas recém-salvas que tinham uma clareza extraordinária, e algumas pessoas mais antigas no Senhor que se deixavam enganar.
Por favor, ouçam o que digo sobre isso. Antigamente, se vocês lerem alguns escritos da Reforma e de antes dela, passando pelos puritanos e pelos morávios, ouvirão falar de pessoas que passavam dias sob convicção de pecado antes de serem salvas. Hoje vocês quase nunca ouvem falar disso.
Essa pedra fundamental da vida e da experiência cristã já não está presente. Pensamos: “Bem, arrepender-se é uma expressão que está na Palavra. É claro que tem alguma coisa a ver com a conversão, e todos nós somos convertidos.” Algo desapareceu, não apenas do nosso vocabulário, mas da nossa experiência. Por isso, creio que temos vidas cristãs prejudicadas.
Algumas pessoas culpam os demônios. Agora, eu pessoalmente creio na existência de demônios. Não tenho nenhuma dúvida a respeito. Creio que demônios podem atormentar os crentes. Já vi demônios saírem de verdadeiros crentes, portanto não tenho absolutamente nenhuma dúvida sobre isso.
Por causa do evangelho pobre que pregamos e do ensino muito pobre que as pessoas recebem, há ocasiões em que elas estão apenas pela metade no novo nascimento, se vocês entendem o que quero dizer. Conheci pessoas que vieram até mim e disseram: “Ore por mim. Preciso de libertação.” “Qual é o problema?” “Bem, é um demônio.”
Elas me dizem que ele foi expulso três anos atrás, voltou dois anos atrás, foi expulso de novo e agora voltou mais uma vez. Em outras palavras, o demônio é o responsável. “Sou a criatura mais doce do mundo inteiro, mas tenho um demônio que me faz desejar pornografia”, ou: “Tenho um demônio que me deixa com um temperamento terrível.”
Querido filho de Deus, isso não é arrependimento. Há momentos em que você precisa saber como disciplinar a si mesmo. Precisa conhecer alguma coisa daquilo que a Palavra de Deus chama de domínio próprio. Precisa fazer todas as coisas Naquele que o fortalece.
Existem demônios — não me entendam mal. Não há dúvida de que demônios atormentam os crentes. Muitas vezes há atividade demoníaca sobre a vida da igreja. Seria de esperar, não é? Se o Senhor está realmente fazendo alguma coisa, seria de esperar que o inferno se mobilizasse.
Aqui está um segredo que considero tremendamente importante. Você e eu precisamos encarar as coisas de frente. Estou culpando as circunstâncias? Estou culpando as pessoas? Estou culpando os parentes? Estou culpando tudo o que deu errado na minha vida e colocando a responsabilidade sobre outra pessoa?
Não há saída por esse caminho. Você e eu precisamos finalmente chegar a isto: “Ó Deus, sê misericordioso para comigo, o pecador. Eu sou o responsável por isso. Ajuda-me, Senhor. Vem ao meu encontro, Senhor. Liberta-me, Senhor. Leva-me adiante, Senhor. Capacita-me a vencer, Senhor.” Esse é um segredo da vida cristã.
O segundo segredo sobre o qual gostaria de falar nesta noite é a fé viva e atuante. Já falei sobre isso antes, mas vou falar novamente, e vou fazer de conta que nenhum de vocês jamais me ouviu dizer alguma coisa sobre a fé viva e atuante.
Não existe outro tipo. Posso dizer de novo? Não existe outro tipo. Só existe fé viva e atuante. No que diz respeito à Bíblia, qualquer outra fé é religião. Se está apenas aqui em cima, na cabeça, não é fé. A fé só é real quando atua.
Lutero ficou muito incomodado com Tiago e chegou a colocar a carta de Tiago depois de Apocalipse na versão luterana alemã. Ele fez o famoso comentário de que ela só servia para acender o fogo. Terrível, não é, quando pensamos nisso?
Vejam Tiago 2:20-25:
Mas queres saber, ó homem vão, que a fé sem obras é estéril?
Não foi Abraão, nosso pai, justificado pelas obras, ao oferecer sobre o altar seu filho Isaque?
E, de igual modo, não foi também Raabe, a meretriz, justificada pelas obras, ao receber os mensageiros e fazê-los partir por outro caminho?— Tiago 2:20-21, 25
Isso é muito interessante. O que Tiago quis dizer? Na verdade, ele não está contradizendo o apóstolo Paulo. Paulo diz que somos justificados pela fé, independentemente das obras; Tiago diz que a fé sem obras é estéril. Mas, na realidade, ambos estão dizendo a mesma coisa.
Quando Abraão ofereceu Isaque, era a sua fé em ação. Entendem? Era fé viva, prática. Ele não ficou simplesmente sentado, dizendo: “Bem, acho que o Senhor vai fazer alguma coisa. Creio que o Senhor está no controle disso. Vou ter de sacrificar Isaque, mas não sei.” Isso seria tudo apenas na cabeça.
Ele ofereceu Isaque, e Hebreus diz que ele cria que Deus era capaz de ressuscitá-lo dentre os mortos, se necessário. Foi uma expressão da sua fé.
Deixem-me avançar mais um passo: toda fé real tem uma expressão concreta. Ela sempre se expressa no seu comportamento, na sua conduta e na sua vida. Caso contrário, não é fé.
Voltem a Efésios 2:8:
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;
Não vem das obras, para que ninguém se glorie.— Efésios 2:8-9
A fé viva e prática é dom de Deus. Algumas pessoas nos dizem que a fé é algo natural em todos e que basta usar essa fé. Essa é a base da fé das seitas, da fé da Ciência Cristã, da fé da Escola de Cristianismo Unity e, lamento muito dizer, de uma parcela considerável da fé carismática hoje.
É uma fé entendida como algo que está dentro de nós. Você visualiza, estimula, infla, e então acontece. É a mente dominando a matéria. É algo totalmente natural, alguma coisa dentro da psique humana. Você se apodera dessa coisa e a infla; faz tudo o que pode para ajudar a sua fé e, aos poucos, vai bombeando-a. Se ela atingir certo ponto, aquilo em que você está crendo acontecerá.
Para mim, isso não é fé real. Creio que vemos o melhor exemplo de fé em Abraão, quando Deus o deixou chegar aos cem anos de idade, e a querida Sara quase à mesma idade, e então a promessa se cumpriu. Em outras palavras, a fé é verdadeiramente dom de Deus.
Há duas passagens das Escrituras que considero bastante assustadoras. Uma é Hebreus 11:6:
Ora, sem fé é impossível agradar-Lhe.
— Hebreus 11:6
Isso não é apenas algo na cabeça. É fé viva, prática e atuante. Você não pode agradar ao Senhor sem possuir essa fé. Pode ter todo o conhecimento da Bíblia, de Gênesis a Apocalipse. Pode ser correto na doutrina. Pode dizer as coisas certas. Pode fazer mil e uma outras coisas. Mas, se não tiver esse tipo de fé viva e atuante, não pode agradar ao Senhor.
Estou falando do tipo de fé que une você ao Senhor. É algo que realmente o introduz num relacionamento com Ele, numa união com Ele.
A outra palavra me assusta ainda mais. É Romanos 14:23:
Tudo o que não procede de fé é pecado.
— Romanos 14:23
Essa é uma palavra dura. Tudo o que não é produzido pela fé viva e atuante é pecado. É uma palavra terrível, quando pensamos nisso.
O que o dom da fé viva fez por você? Se não fez mais nada, tornou você vivo para Deus. Não é verdade?
Voltem a Efésios 2:5-8:
Mesmo quando estávamos mortos em nossas transgressões, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça sois salvos —;
E nos ressuscitou com Ele, e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.— Efésios 2:5-6
O que significa receber vida? Pense em quando você recebeu vida e nasceu. O que aconteceu? Seus olhos se abriram. Que outra coisa aconteceu quando você nasceu? Seus ouvidos se abriram.
Você recebeu vida. De repente, estava vivo para tudo ao seu redor, especialmente para a sua mãe. Sua pobre mãe sabia muito bem que você estava vivo. Não demorou muito para que seus olhinhos se fixassem no rosto dela e conseguissem distingui-la de todas as outras mulheres encantadas ao seu redor. Seus ouvidinhos conseguiam distinguir a voz da sua mãe entre outras quarenta vozes femininas.
Essa é a natureza extraordinária de receber vida. Acho muito estranho que tantos cristãos nasçam, mas sejam natimortos. Em outras palavras, nunca veem o Senhor e nunca ouvem o Senhor. Há algo terrivelmente errado.
Como alguns crentes podem me dizer: “Nunca vi realmente o Senhor. Nunca ouvi o Senhor”? Toda a ideia de receber vida para Deus é que você se torna sensível a Ele. Você tem um relacionamento com Ele. O Espírito Santo foi derramado em seu coração, clamando: “Aba, Pai.” É um relacionamento tremendo.
Algumas pessoas dizem: “Bem, isso nunca vai acontecer comigo. Vai acontecer com fulano, porque essas pessoas são especiais.” Esse é o seu problema. É aí que você precisa de fé viva. Você não crê que Deus o ama, por mais pobre que você seja e quaisquer que sejam os seus problemas?
Ele tornou você vivo para Deus. Portanto, se você está vivo para Deus, pode ouvir o Senhor em Sua Palavra, pelo Espírito Santo, e pode ver o Senhor com os olhos do seu coração. Não se exclua do círculo do povo da aliança de Deus, como se você fosse um caso especial.
Todo filho de Deus nasce com visão e audição, mas muitos de nós parecem nascer, como eu disse, natimortos. Não estamos vivos. Ah, querido filho de Deus, pense por um momento no dano que causamos porque não temos esse dom da fé viva — fé viva e atuante, que nos torna vivos para o Senhor.
O inimigo tem uma maravilhosa máquina de propaganda e um enorme serviço de inteligência. Ele sabe tudo sobre você e transmite ao seu coração este tipo de pensamento: “Agora, não seja convencido. Você é alguém sem importância, muito sem importância. Tudo isso é muito bom para o irmão fulano e alguns dos outros irmãos. Eles são grandes irmãos. Mas você é muito pequeno.”
“Não pense que vai chegar a algum lugar. Você não tem fé suficiente.” E você diz: “Como isso é verdade.” O diabo — ou um dos seus milhões de subordinados — diz: “Exatamente. Não seja presunçoso. Não seja convencido. Você tem pouquíssima fé.”
“Só há uma coisa que você pode fazer: ir à comunhão, sentar-se na cadeira sempre que houver reunião e esperar. Aos poucos, à medida que for instruído e aprender, terá mais fé. Quando tiver mais fé, poderá fazer mais. Você se tornará vivo para o Senhor à medida que tiver mais fé. Verá o Senhor, ouvirá o Senhor e experimentará o Senhor à medida que tiver mais fé.”
E você diz: “Ah, como você está certo. Preciso ser humilde. Sou um sujeito pequeno. Sou muito pequeno mesmo. Não posso esperar que o Senhor faça grandes coisas na minha vida. Então vou à comunhão e fico sentado ali. Talvez, pela graça do Senhor, Ele aumente a minha fé e, um dia desses, quando ela for suficientemente grande, alguma coisa acontecerá.”
“Vou sair da casca como um Watchman Nee. De repente, me tornarei uma Amy Carmichael. De repente, surgirá um John Wesley, ou Charles Wesley, ou o conde Zinzendorf, ou alguma outra pessoa.” E o diabo pegou você. Ele o pegou para a vida inteira, porque você nunca, jamais, terá a quantidade de fé que pensa precisar.
Nosso Senhor colocou isso de maneira muito simples em Mateus 17:20:
Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá; e ele passará; e nada vos será impossível.
— Mateus 17:20
Não é a quantidade da sua fé; é o exercício da sua fé. Essa é a chave. Se você exercitar a pequena fé que tem, do tamanho de um grão de mostarda — tão pequena, tão pequena —, o Senhor poderá agir.
A maioria de nós está dizendo: “Senhor, quero uma quantidade de fé do tamanho de um ovo, pelo menos algo desse tamanho.” O Senhor diz: “Não.” Alguém diz: “Bem, uma quantidade do tamanho de uma noz serve.” Outro diz: “Uma amêndoa, apenas uma amêndoa. Isso será suficiente.” E o Senhor diz: “Você não precisa de nada disso. Precisa de fé como um grão de mostarda.”
Alguns de nós dizem: “Ah, não, não conseguiríamos fazer coisa alguma com um único grão de mostarda. Precisamos de vários grãos reunidos num montinho.” Que tolice, não é? O Senhor diz que, se vocês tiverem fé como um único grão de mostarda, dirão ao monte: “Seja removido”, e ele será removido.
Toda essa conversa sobre fé pode nos tornar centrados na fé, em vez de centrados em Cristo. Isso causa um dano tremendo, porque tendemos a pensar que, se temos um problema, precisamos ter pelo menos tanta fé quanto o tamanho do problema. Se tivéssemos uma fé tão grande quanto o monte, poderíamos mover o monte com a nossa quantidade de fé.
Mas, na verdade, a fé nunca removeu um monte. Deus remove montes. A fé nunca resolveu uma dificuldade ou um problema. É Deus Quem resolve dificuldades e problemas.
A sua pequena fé, tão pequena quanto um grão de mostarda, unirá você ao próprio Deus. Deixem-me colocar assim: a sua fé finita unirá você à infinitude de Deus, e nada será impossível. Isso é um segredo.
Realmente preciso dizer muito mais sobre isso, porque é algo tremendo. Vejam Hebreus 12:1-2:
Portanto, também nós, visto que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo peso e o pecado que tão facilmente nos envolve, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta,
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé.— Hebreus 12:1-2
Isso é muito interessante para mim, porque significa que você nunca terá fé a menos que olhe para Jesus. É somente quando você vê o Senhor Jesus que a reação espontânea do seu coração é a fé.
Como você recebe o dom da fé? Vendo o Senhor. Não há outro caminho. Como você foi salvo? Vendo o Cordeiro de Deus com os olhos do seu coração, talvez de maneira muito imperfeita. Mas, de repente, você percebeu que tinha um Salvador. Ele era capaz de salvá-lo, e, de repente, você teve fé para crer.
Sempre conto a história do Senhor no lago durante a tempestade. Havia uma tempestade terrível, e o Senhor estava passando ao lado do barco. Ele deliberadamente não entrou no barco. Eles olharam através da tempestade e pensaram que fosse um fantasma. Então gritaram: “Jesus, és Tu?” E Jesus respondeu: “Sou Eu.”
Então Pedro disse: “Senhor, se és Tu, manda-me ir ter Contigo sobre as águas.” O extraordinário é que Pedro não se sentou para pensar: “Agora, não seja tolo. Como posso andar sobre essa água? Não existe uma lei da gravidade? Como se vence a lei da gravidade?”
Ele nunca tinha frequentado uma escola bíblica e nunca tinha feito um curso de andar sobre as águas. Simplesmente passou pela borda do barco, sem ficar pensando. Tinha ouvido o Senhor. Tinha visto o Senhor. Fez o impossível.
Ele andou sobre as águas. Foi somente quando perdeu o Senhor de vista — já não conseguia ouvi-Lo, já não conseguia vê-Lo — que de repente pensou: “O que estou fazendo? Estou andando sobre as águas. Como é possível um ser humano andar sobre as águas?” E afundou.
Mas, quando viu o Senhor, ouviu o Senhor e obedeceu ao Senhor, a reação imediata e espontânea foi a fé viva. Ele não olhou para dentro de si e disse: “Agora, tenho fé suficiente para passar pela borda do barco e andar sobre as águas?” Se tivesse feito isso, estaria acabado.
Ele viu o Senhor, ouviu o Senhor, obedeceu ao Senhor e fez o impossível. Essa é a chave de toda verdadeira obra de Deus na terra. É também a chave para todo vencedor. Você ouve o Senhor, vê o Senhor e faz o impossível.
A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Cristo.
É a mesma coisa novamente. A fé viva vem por meio da Palavra de Cristo. Você precisa ouvir. É por isso que receber vida para o Senhor, ouvir o Senhor e ver o Senhor são coisas absolutamente vitais na vida de todo crente e de todo servo de Deus.
E quanto à Palavra de Deus e à fé? Querido filho de Deus, estamos vivendo dias em que a Palavra de Deus está sendo desvalorizada por todos os lados — não apenas nos círculos carismáticos, mas também nos círculos evangélicos. Aonde quer que eu vá, a Palavra de Deus já não ocupa o lugar que ocupava antes.
Isso é o começo da apostasia. Não tenho absolutamente nenhuma dúvida a respeito.
Creio que foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, seu amado filho na fé, em 2 Timóteo 3:16-17:
Toda Escritura inspirada por Deus é também proveitosa para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça:
Para que o homem de Deus seja completo, plenamente preparado para toda boa obra.— 2 Timóteo 3:16-17
Vocês creem nisso? Ouçam novamente: toda a Palavra de Deus é inspirada por Deus e dada por Deus — para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça —, a fim de que o homem de Deus, ou a mulher de Deus, esteja plenamente preparado para toda boa obra.
Não é apenas para que você seja ensinado, mas para que seja capacitado — plenamente preparado para toda boa obra.
Em Hebreus 4:2, temos uma pequena palavra muito interessante:
Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, assim como a eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, porque não foi unida pela fé aos que a ouviram.
— Hebreus 4:2
Em outras palavras, eles não tinham dentro de si o tipo de fé que os unia à Palavra de Deus. Não sei como explicar isso, mas creio que essa é a raiz da questão. A Palavra de Deus precisa tornar-se carne e sangue.
A única maneira de a Palavra de Deus tornar-se carne e sangue em nós é quando existe uma fé viva que nos une à Palavra de Deus. Ela coloca a Palavra de Deus e nós mesmos em união.
Queridos irmãos e irmãs, gostaria de poder explicar isso com mais clareza. Creio que o salmista, naquele maravilhoso salmo, o maior de todos, o Salmo 119, compreendia bem isso:
Faze bem ao Teu servo, para que eu viva; assim guardarei a Tua Palavra.
Abre Tu os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da Tua lei.— Salmos 119:17-18
Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para o meu caminho.
Jurei, e o confirmo, que guardarei os Teus justos juízos.— Salmos 119:105-106
Qual é a sua atitude em relação à Palavra de Deus? Você a modifica conforme lhe convém? Dá um jeito de torcê-la e adaptá-la às suas circunstâncias?
Creio que todo desvio na história da igreja começou com isto: não estar unido à Palavra de Deus. Todo grande movimento do Espírito Santo na história da igreja começou com uma união à Palavra de Deus.
Agora vou entrar por alguns momentos num assunto controverso, então acomodem-se e não fiquem todos aborrecidos comigo. Não estou atacando ninguém nem coisa alguma.
Se a Palavra de Deus diz que as irmãs devem usar alguma coisa na cabeça quando oram ou profetizam, vocês não acham que deveriam fazer isso? Você diz: “Bem, para você é muito fácil dizer isso, sendo homem.” Esse não é o costume hoje. Concordo plenamente — não é o costume. Mas não estou falando de costume. Estou falando da Palavra de Deus.
Alguém diz: “Eram apenas as mulheres casadas que precisavam usar alguma coisa na cabeça.” Ou alguém diz: “Se você usa aliança de casamento, isso é tudo o que importa.” Mas há uma pequena expressão que coloca toda a questão em outra dimensão: “Por causa dos anjos.”
Você pode dizer: “Isso não era alguma ideia que Paulo tinha em sua época, de que havia anjos por toda parte? Hoje nós não acreditamos em anjos, acreditamos?” Tudo o que estou dizendo é isto: não estou atacando as irmãs. Aqui está um bom exemplo de algo que nem todos nós entendemos. Por que está ali? Não deveríamos, no mínimo, perguntar ao Senhor: “O que isso significa?”
Não quero que ninguém se sinta condenado e pense: “Ah, você destruiu toda a mensagem desta noite ao dizer uma coisa dessas.” O fato é que há algo na Palavra. Se a Palavra diz isso, será que é apenas costume?
É exatamente o que dizem sobre o batismo. Dizem que, no primeiro século, o costume era batizar por imersão, mas, com o passar do tempo, isso foi mudado para uma forma mais sofisticada, em que a água era aspergida, muitas vezes formando uma cruz na cabeça. É muito mais agradável, muito mais refinado, muito mais sofisticado. “Afinal, isso também é batismo, não é?”
Não, não é. Não creio que seja. Não creio que alguém tenha o direito de mudar o que o Senhor ordenou, muito menos de dizer que, por estarmos vivendo no século XX, tudo mudou. O que mais mudou? Onde paramos nessa questão?
Por que não aspergimos as pessoas com Sprite, ou com alguma outra coisa? Que diferença faz? Certa vez, estive num lugar em que, em vez de vinho, havia leite, e, em vez de pão, havia bolo para a mesa do Senhor. Foi um momento agradável, mas achei aquilo ridículo.
Se uma pessoa que eu amasse tivesse dito: “Vou deixar algo para você. Quero que entenda que estes símbolos farão você se lembrar de mim e me trarão à sua memória toda vez que os tomar”, não seria estranho se eu os mudasse?
É por isso que tenho uma dificuldade real quando as pessoas defendem o uso de suco de uva na mesa do Senhor. Não tem o mesmo significado. Não é a alma derramada até a morte. O vinho é fermentado; é vivo, ativo. “Ah, mas hoje você não pode fazer isso. Pode levar as pessoas a tropeçar.” Que tipo de salvação elas receberam, se a libertação é tão pequena assim?
Todo desvio começa com explicações muito inteligentes e sofisticadas. É aí que começa. Passamos a explicar: “Vejam, estamos vivendo em regiões muito frias do norte da Europa. Não se pode mergulhar as pessoas na água. Vocês vão matá-las.”
Mas, meus queridos amigos, não vejo que tenhamos qualquer direito de fazer uma coisa dessas. Isso é outro batismo, outro tipo de batismo. Para mim, não é batismo. Quem tem o direito de mudá-lo? E, para mim, é a mesma coisa com a mesa do Senhor.
Não me entendam mal. Bebo todo tipo de coisa pelo mundo — desde Ribena até suco de cranberry e sei lá o que mais — nas comunidades que visito, e ainda assim tenho comunhão com o meu bendito Senhor. Mas isso me entristece. Algo incrivelmente precioso foi tratado superficialmente.
Algo que o Senhor nos deixou, de imenso significado e valor, ninguém tem o direito de mudar — por motivo algum. Se podemos mudá-lo, isso é o começo do desvio, porque também podemos mudar mil outras coisas.
Se o Senhor planejou que o corpo de Cristo fosse conduzido por presbíteros, parece-me muito estranho que tenhamos apenas mulheres nos liderando. Não tenho nada contra as mulheres. Vocês podem pensar que, por causa do que eu disse sobre usar algo na cabeça, tenho algum interesse em afastar as mulheres de suas funções. Mas não tenho interesse algum nisso.
Acho as irmãs extraordinárias. Elas têm um papel muito poderoso a desempenhar. De fato, eu diria que as irmãs têm o papel mais poderoso a desempenhar. Mas, se o Senhor nos deu determinadas coisas, e estamos falando de restauração, então essas coisas são extremamente importantes — tanto para a minha vida pessoal como para a comunhão da igreja.
Se podemos mudar todas essas coisas em relação ao que a Palavra de Deus diz, então creio que também podemos ter casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se você diz: “Ó Deus, nunca ouvi uma coisa dessas. Não se deveria permitir que isso fosse dito num lugar como este”, não há diferença entre isso e mudar qualquer outra coisa na Palavra de Deus.
Uma vez que você começa, pode mudar qualquer coisa. A Palavra que está acima de nós é a Palavra de Deus. Ela tem autoridade. É inspirada e serve para a nossa repreensão, correção e instrução, para que sejamos plenamente preparados para toda boa obra.
Aqui está o meu último segredo desta noite, e não vou me demorar tanto nele. Raramente falo sobre isso porque, nestes dias, há muita fraude nessa questão. Quero falar sobre a contribuição sacrificial.
Vocês sabiam que dar sacrificialmente é um segredo da vida cristã? É um segredo para o crescimento. É um segredo para a multiplicação. É um segredo para avançar com o Senhor em todo o Seu propósito.
Deixem-me apresentar algumas passagens das Escrituras. Lucas 6:37-38:
Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados:
Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordante vos darão no regaço. Porque com a medida com que medirdes vos medirão de novo.— Lucas 6:37-38
Não é uma palavra maravilhosa? “Com a medida com que medirdes vos medirão de novo.” Agora, isso vale para tudo. Não é apenas dinheiro — não apenas dinheiro. Vale para energia, tempo e, literalmente, tudo.
Aquilo que você dá, sempre receberá. Deixem-me colocar de outra maneira: Deus não fica devendo a ninguém. Você nunca poderá chegar à glória e dizer: “Bem, Senhor, dei isto, isto e isto, e não recebi nada de volta. No fim das contas, Tu ficaste me devendo.” O Senhor não fica devendo a ninguém.
Abram comigo em 2 Coríntios 9:6-11:
Mas digo isto: quem semeia com escassez também colherá com escassez; e quem semeia com abundância também colherá com abundância.
Cada um contribua segundo propôs em seu coração; não com tristeza nem por obrigação: porque Deus ama quem dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda graça; a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, abundeis em toda boa obra.
Como está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a Sua justiça permanece para sempre.
E Aquele que fornece semente ao semeador e pão para alimento fornecerá e multiplicará a vossa semente para semear, e aumentará os frutos da vossa justiça:
Sendo enriquecidos em tudo para toda generosidade, a qual, por nosso intermédio, produz ações de graças a Deus.— 2 Coríntios 9:6-11
Acho que essa é uma das passagens mais maravilhosas da Palavra de Deus. Você semeia com escassez, colherá com escassez. Semeia com abundância, colherá com abundância. Muito simples, não é?
Ouçam isto: Deus é poderoso para fazer abundar em vocês toda graça, para que vocês, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, abundem em toda boa obra. Eu gostaria muito de conhecer essa realidade. Ah, qual é a chave? O segredo é este: dê.
Se você quer conhecer toda suficiência em tudo e sempre abundar em toda boa obra, dê. Não estou falando apenas de dinheiro — não me entendam mal. Talvez você não tenha dinheiro para dar, mas tem a si mesmo para dar.
Algumas pessoas nem sequer se dão à comunhão. Não se comprometem. Por isso, tornam-se pessoas sem vida, anêmicas, que só esquentam os bancos. É claro que aqui isso é um pouco difícil, mas vocês sabem o que quero dizer — esquentam as cadeiras.
Quando nos comprometemos, sempre recebemos. O princípio é muito simples: dê, e você receberá.
Às vezes, as pessoas me dizem: “Isso é muito bom, mas, se você não tem nada para dar, não pode dar.” Mas não foi isso que o Senhor disse. Ele disse: “Seja o que for que você tenha, dê alguma coisa do que tem, e receberá.”
Temos uma ilustração maravilhosa disso em Israel. Toda aquela água que dá vida nasce no monte Hermom e desce pelo rio Jordão até o lago da Galileia, que está repleto de peixes.
Ela sai pelo rio, desce por todo o vale do Jordão e chega ao mar Morto. Não há absolutamente nada vivo naquela água — nem camarão, nem caranguejo, nem peixe, nada. Se você beber aquela água, morre.
Você pode flutuar no mar Morto. Na verdade, é impossível afundar no mar Morto. Pode ficar deitado na água lendo um jornal, de tantos minerais e sei lá o que mais que ela contém. Mas isso é apenas um comentário à parte.
Esta é a lição. Qual é a diferença entre o lago da Galileia, o mar da Galileia, e o mar Morto? Por que um é o mar vivo e o outro é o mar Morto?
O mar vivo recebe e dá, recebe e dá, recebe e dá. Entendem? Ele transborda de vida. O mar Morto recebe tudo e não dá nada; por isso, tudo morre.
Seria de imaginar que toda aquela água que dá vida, entrando no mar Morto dia após dia, 365 dias por ano, faria alguma coisa. Não faz nada. O mar Morto a mata.
Ah, quantos crentes recebem toda a vida de Deus e a transformam em morte. Quantos crentes recebem tudo no ministério, tudo na Palavra de Deus, e, de um modo ou de outro, isso é atingido pela morte. Nada vivo. Você não aprendeu a simples lição: dê, e você receberá.
Essa lição tão simples é tremenda, e cada um de nós precisa aprendê-la. Às vezes, quando temos muito pouco, sentimos que não podemos dar porque temos tão pouco. Mas aprendam a lição, até mesmo financeiramente: se, conforme o Senhor lhe mostrar, você der o que deve dar, descobrirá que o Senhor o honrará.
Ele o honrará. Nunca conheci alguém que o Senhor não tenha honrado dessa maneira. Conversei com muitos obreiros que estão em circunstâncias apertadas, e eles dizem: “Não sei por que o Senhor supre as suas necessidades e não supre as nossas. Talvez você seja melhor do que nós.”
Mas essa não é a questão. A questão é que, muitas vezes, você não aprendeu a dar. Até mesmo o servo do Senhor, o obreiro, precisa aprender a dar. É um princípio do qual ninguém está dispensado.
Todos nós precisamos aprender esta pequena coisa tão simples: aquilo que damos, receberemos de volta — não na mesma medida, mas recalcado, sacudido e transbordante. Quando vier a próxima porção desse jeito, dê mais.
Vocês já observaram o jardim de alguém? É claro que aqui nos Estados Unidos os jardins são utilitários, mas a Grã-Bretanha tem jardins lindos. Vejo pessoas que plantam uma plantinha aqui, outra plantinha ali, e aquilo fica tão sem graça. Você deveria espalhar por toda parte, e o jardim inteiro se tornaria uma explosão de cores.
Lembro-me de uma irmã que ia ao jardim e cortava um grande ramalhete de flores. Ela dizia: “Leve tudo.” As pessoas diziam: “Bem, você deixou o jardim sem nada.” “Na semana que vem estará cheio.” E sempre estava cheio. Quanto mais cortavam, mais florescia.
Isso parece ser um princípio do Senhor: quem semeia com escassez colhe com escassez; quem semeia com abundância colhe com abundância. Você não pode pegar as sementes e dizer: “Agora, preciso ser preciso à moda alemã. Vou colocar cada semente perfeitamente, para que ela cresça e não desperdicemos nada.” Esse não é o princípio.
Você precisa semear com abundância. Quando semeia com abundância, colhe com abundância.
Que o Senhor nos ensine alguns desses pequenos segredos. São segredos muito simples. Acho que qualquer pessoa poderia ter dito essas coisas a vocês, mas isso era tudo o que estava no meu coração para compartilhar nesta noite. É claro que há alguns outros também, se o Senhor nos der força, poder e vida para compartilhá-los.
Creio que esses são segredos da vida cristã e do crescimento cristão. Se Deus pudesse tocar nosso coração apenas nestas três coisas, isso transformaria nossa vida cristã:
Amado Senhor, nós nos curvamos aqui em Tua presença e respondemos a Ti em adoração, porque és tão fiel. Nós Te agradecemos, amado Senhor, porque podes tomar esta palavra nesta noite e torná-la viva no coração de cada um de nós, aplicando-a conforme a Tua vontade à vida e às circunstâncias de cada um.
Ó Senhor, ajuda-nos a ser pessoas verdadeiras, que encaram com honestidade as coisas da própria vida. Dá-nos verdadeiro arrependimento, Senhor — não aquele tipo de experiência miserável, solitária e voltada para dentro de nós mesmos, mas, Senhor, faz de nós pessoas que assumem a própria transgressão e a própria insensatez, e as encaram de frente.
Senhor, ajuda-nos a conhecer o que é ter uma fé viva e atuante que nos una a Ti e à Tua Palavra. Dá-nos uma atitude para com a Tua Palavra, Senhor, que seja absolutamente fiel.
Senhor, nós nos entregamos a Ti, e ajuda-nos a ser um povo que conhece alguma coisa sobre dar — em tempo, em energia, em dinheiro, de todas as maneiras. Que sejamos pessoas que sabem dar, para que sejamos daqueles que recebem e então dão ainda mais.
Senhor, faz de nós crentes que transbordam o tempo todo, nos quais outras pessoas encontram a Ti. Abençoa-nos, Senhor, nesta noite. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.