Gostaria de dirigir a atenção de vocês a uma pequena passagem da carta do apóstolo Paulo aos filipenses: Filipenses 4. Vou ler apenas alguns versículos, começando pelo versículo 10.
Ora, muito me regozijei no Senhor por terdes finalmente renovado o vosso cuidado para comigo; do qual, na verdade, já estáveis lembrados, mas vos faltava oportunidade.
Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me em qualquer estado em que me encontre.
Sei estar abatido e sei também ter abundância; em tudo e em todas as coisas aprendi o segredo, tanto de ter fartura como de ter fome, tanto de ter abundância como de padecer necessidade.
Tudo posso Naquele que me fortalece.— Filipenses 4:10-13
Vamos fazer uma oração?
Amado Senhor, queremos agradecer-Te nesta noite porque, ao nos achegarmos ao ministério da Tua Palavra, Tu não nos deixaste entregues aos nossos próprios talentos, dons ou forças. Tu nos concedeste uma unção, e ela custou muito caro.
Nós Te agradecemos pela maneira como o Senhor Jesus entregou a Sua vida, para que não apenas fôssemos salvos, mas também conhecêssemos essa unção, essa graça e esse poder sobre nós. Pedimos, Senhor, nesta noite, que possamos experimentar a unção do Teu Espírito Santo, tanto ao falar a Tua Palavra como ao ouvi-la.
Sabemos que, com essa unção, o Teu propósito neste nosso tempo será cumprido; e teremos o cuidado de dar-Te todo o louvor e toda a glória. Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Apenas uma palavra de explicação. Como creio que muitos de vocês sabem, fui convidado a falar à comunidade de irmãos em Richmond no sábado à noite e no domingo de manhã. A única palavra que eu tinha no coração era muito simples.
Achei muito estranho ter vindo de tão longe para transmitir uma palavra que qualquer um dos irmãos poderia ter transmitido com igual poder e clareza. Mas era a única palavra que eu tinha no coração.
Depois descobri que os irmãos haviam buscado o Senhor na semana anterior, e Hinden havia compartilhado com toda a comunidade que eles sentiam que o Senhor os estava conduzindo de volta à consideração dos fundamentos e das verdades fundamentais.
Eu tinha no coração aquilo que intitulei “Segredos da Vida Cristã”. É claro que há muitos segredos. O apóstolo Paulo, escrevendo à igreja em Filipos, lhes diz que havia aprendido o segredo tanto de estar abatido como de ter abundância.
É muito mais fácil conhecer o segredo de estar abatido, porque, quando você não tem nada, precisa depender do Senhor. Quando você não tem dinheiro ou enfrenta um problema enorme, ou afunda ou consegue atravessar a situação. Se consegue atravessá-la, é com o Senhor que você a atravessa.
O fato é que, como crente, você não tem outra alternativa. Mas o segredo de viver na abundância é muito mais difícil. Quando você tem tudo, pode fazer o que quiser. Pode seguir o seu próprio caminho e associar o nome do Senhor a uma porção de coisas.
Então, aqui está um segredo maravilhoso. O apóstolo diz: “Aprendi este segredo extraordinário: como ter fome, como ter fartura, como estar abatido e como ter abundância”.
No vocabulário de alguns crentes, não há lugar para ter fome nem para estar abatido. Eles acham que essas coisas não fazem parte do evangelho. Mas o apóstolo nos diz que, quer tenhamos fome, quer estejamos abatidos, quer tenhamos abundância, há um segredo:
Tudo podemos Naquele que nos fortalece.
Em outras palavras, o Senhor tem a chave. E há muitas chaves.
O primeiro segredo que consideramos foi o arrependimento — um assunto do qual praticamente não se ouve falar entre os crentes hoje.
Nosso evangelho é tão raso e superficial que quase parece uma campanha presidencial americana. É como se pedissem às pessoas que votassem no Senhor, que decidissem pelo Senhor, porque Ele fará mais por elas do que o diabo. Ele as tirará do inferno e as levará para o céu, arrumará as confusões da vida delas e tudo o mais.
É um evangelho raso. É um evangelho que não faz nenhum chamado ao arrependimento. Mas, quando você olha para o Novo Testamento, descobre que, onde quer que o evangelho seja pregado, a primeira palavra é:
Arrependei-vos.
Algumas pessoas pensam que o arrependimento tem a ver apenas com a conversão inicial. Mas quem escreveu a carta aos hebreus nos diz, em Hebreus 6:1, que o arrependimento é fundamental. Você não pode lançar esse fundamento outra vez; ele é lançado de uma vez por todas.
Quando você percorre a Bíblia, encontra algo impressionante. Quando o Senhor Jesus fala às sete igrejas, que representam toda a igreja ao longo da história, oito vezes Ele diz às igrejas:
Arrependei-vos.
Isso significa que a questão do arrependimento é tão válida para os crentes quanto para as pessoas que ainda não foram salvas. É um segredo fundamental — um segredo essencial.
Aonde quer que eu vá, encontro pessoas que vêm conversar comigo, telefonam ou me escrevem. Elas foram, como dizem, “passadas para trás”. Algum nome famoso do mundo cristão as enganou, tomou seu dinheiro, levou-as a falsas experiências e até mesmo a falsos ensinamentos.
Agora elas têm uma longa lista de acusações contra a pessoa que antes adoravam. Não conseguem dizer uma única coisa boa a respeito dela. Essa pessoa é demonizada da cabeça aos pés. É má.
Esses crentes tão doces, queridos, ingênuos, amorosos, puros e crédulos foram completamente enganados por esses perversos servos de Deus. Mas o fato é que, como sempre digo a essas pessoas, se vocês não se arrependerem, serão completamente enganados.
Vocês foram enganados porque havia em vocês algo suscetível ao engano. A Palavra de Deus nos diz claramente que os filhinhos têm dentro de si uma unção que lhes mostra o que é certo e o que é errado. Se você der ouvidos à unção, não cairá no engano em que a maioria de nós cai.
Mas não há arrependimento. E, por não haver arrependimento, tenho conhecido amigos preciosos que passaram de um engano a outro, seguindo um grande líder após outro, entrando em uma confusão após outra.
Há um segredo. O que é arrependimento? Arrependimento é simplesmente admitir a própria culpa. É dizer:
Ó Deus, sê misericordioso para comigo, o pecador.
Esse foi o primeiro segredo que consideramos.
O segundo segredo foi a fé viva e atuante.
A Palavra de Deus é muito clara:
Sem fé é impossível agradar a Deus.
Ela diz algo ainda mais forte:
Tudo o que não provém de fé é pecado.
Essa é uma afirmação muito severa.
A fé não é algo natural ao ser humano. Há um tipo de cristianismo que ensina que você tem algo dentro de si que pode inflar. Se conseguir visualizar aquilo e inflá-lo o suficiente, tudo o que quiser será seu.
Isso não é fé bíblica. A fé bíblica é dom de Deus e floresce em circunstâncias muito adversas. Você não precisa de muito encorajamento externo para crer. Tudo o que precisa fazer é ver o Senhor e ouvir o Senhor.
Quando você vê o Senhor e ouve o Senhor, faz o impossível.
Pedro teve essa experiência quando o Senhor Jesus deliberadamente não entrou no barco com os discípulos. Eles saíram para o mar, levantou-se uma grande tempestade e, para seu espanto, pensaram ter visto um fantasma andando em meio à água que espirrava e ao mar agitado pela tempestade.
Pedro disse: “Não acho que seja um fantasma. Acho que é Jesus”. Ele gritou em meio ao vento e à tempestade: “És Tu, Jesus?”. Jesus disse: “Sou Eu”. Então Pedro disse: “Se és Tu, manda-me ir”. Jesus disse: “Vem”.
Pedro fez algo extraordinário. Ele não havia frequentado uma faculdade de teologia para fazer um curso sobre como andar sobre o mar. Nunca havia lido um livro sobre os pré-requisitos para andar sobre o mar. Não se sentou para perguntar se era possível a um ser humano desafiar a lei da gravidade e andar sobre um mar agitado pela tempestade.
Ele ouviu o Senhor. Ele viu o Senhor. E a fé viva entrou imediatamente em ação.
É sempre assim com a fé viva. É um segredo. A questão é: estamos ouvindo o Senhor e estamos vendo o Senhor? Não importa quão difíceis sejam as circunstâncias. Se você está vendo o Senhor e ouvindo o Senhor, a reação espontânea será a fé viva. Você fará o impossível.
As pessoas sempre dizem: “Preciso de mais fé”. Você não precisa de mais fé. É um completo absurdo dizer que precisa de mais fé. O que você precisa é exercitar essa pequena fé, do tamanho de um grão de mostarda, que está em seu coração.
Não é uma grande fé que realiza alguma coisa. As pessoas colocam toda a ênfase numa grande fé: “Ah, você tem tanta fé! Eu gostaria de ter uma fé grande assim”. É o seu grande Senhor que faz tudo.
Uma grande fé nunca moveu uma montanha. É o Senhor Quem move montanhas. Mas uma fé tão pequena quanto um grão de mostarda em um ser humano une o homem finito à infinitude de Deus, e então o impossível acontece.
O terceiro segredo foi a doação sacrificial. Sempre tive muito receio desse assunto, porque há muita fraude nessa área. Dizem a todos que deem e que receberão de volta mais do que deram: coloquem isso na oferta e receberão dez vezes mais, e tudo o mais.
Mas isso não muda o fato de que há um princípio, um segredo da vida cristã. Não se trata apenas de dinheiro. Aquilo que você dá sempre lhe é devolvido:
Boa medida, recalcada, sacudida e transbordante.
Você dá tempo e, de alguma forma, terá mais tempo em sua vida. Você dá sua energia e, ao gastá-la em favor dos outros, Deus lhe dará mais energia. Quando você dá dinheiro, Deus o honra. É tão simples assim.
Uso a ilustração do mar Morto. Em nossa terra há dois lagos: o mar da Galileia e o mar Morto. O mar da Galileia é cheio de vida, absolutamente cheio de peixes de muitas espécies.
Ele recebe água das montanhas e das neves do Líbano, e dá. À medida que dá, recebe; e está cheio de vida. O mar Morto recebe tudo e não dá nada. Nada — nem mesmo juncos ou qualquer tipo de planta aquática — vive no mar Morto. Ele é estéril.
Assim acontece com muitos cristãos. Passam a vida inteira recebendo, recebendo. São como esponjas: absorvem tudo e não dão nada. O resultado é que recebem todo o poder vivificante e toda a graça de Deus e os transformam em esterilidade.
O quarto segredo é ter Cristo como o centro de tudo. A vida cristã é, basicamente, Cristo.
O apóstolo Paulo disse:
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.
Em outras palavras, ele disse que a vida cristã e o serviço cristão se resumem no Senhor Jesus. Trata-se de conhecê-Lo, segui-Lo e experimentá-Lo.
Ele é o fundamento. Ele é a pedra de remate. Ele é o poder e Ele é o alvo. Ele é tudo. Quando eu morrer, terei ainda mais Dele.
Poucos crentes têm essa atitude diante da vida. No entanto, Deus nos deu tudo no Senhor Jesus.
No Evangelho de João, Jesus tomou em Seus lábios o grande e impronunciável nome de Deus:
EU SOU O QUE SOU.
Ele disse:
Eu sou o pão da vida.
Eu sou a luz do mundo.
Eu sou a ressurreição e a vida.
Antes que Abraão existisse, Eu sou.
Ele tomou esse nome em Seus lábios e disse: “Vocês podem experimentar-Me como o EU SOU. Serei em vocês tudo aquilo de que precisam — desde o sustento e a salvação até o caminho para conhecer o Senhor, o crescimento e o progresso de vocês. Tudo é uma questão do Senhor Jesus”.
É extraordinário como temos dificuldade em fazer do Senhor Jesus o nosso tudo. Se déssemos ao Senhor Jesus o lugar que Deus Lhe deu, todas as nossas aflições estariam resolvidas. Ainda teríamos um inimigo, muitos problemas, oposição e obstáculos — mas, então, tudo isso seria responsabilidade do Senhor.
A maioria dos cristãos passa boa parte da vida discutindo com o Senhor. Querem ser salvos. Não querem ir para o inferno. Querem ir para o céu, mas não O querem de modo algum. Querem-No como Salvador, mas não O querem como Senhor.
Qual é o princípio da queda do homem? A rebelião. É o espírito de rebelião.
Quase todo jovem normal passa por uma fase de rebeldia. Alguns permanecem nela a vida inteira. Rebelamo-nos contra nossos pais, contra os padrões morais dos nossos pares, contra a sociedade. É um espírito que penetrou no nosso íntimo.
A maioria das vidas cristãs é arruinada por essa rebelião. A chave é simplesmente fazer de Jesus o Senhor.
Não é extraordinário? O único que nos amou e Se entregou por nós, que Se sacrificou pela nossa salvação — nós resistimos a fazer Dele o Senhor, como se Ele precisasse de nós. Ele não precisa de nós. É absurdo dizer que o Senhor precisa de você ou de mim. Somos uma fonte de problemas.
No entanto, Ele entregou a Sua vida para nos salvar. Se ao menos fizéssemos o que Ele diz, experimentaríamos toda a plenitude da salvação e todo o poder do Espírito Santo, e seríamos transformados nesta vida.
Em vez disso, travamos uma enorme discussão com o Senhor. Não confiamos realmente Nele. Achamos que estamos mais seguros quando controlamos nosso próprio destino e, assim, fazemos uma confusão da nossa vida, do nosso casamento, dos nossos filhos, dos nossos relacionamentos, da nossa carreira, da igreja — de tudo.
Parece que não aprendemos esta lição simples: se estivéssemos centrados no Senhor Jesus, estaríamos seguros.
O Senhor Jesus, ao falar de Sua volta, usou a palavra engano repetidas vezes:
Que ninguém vos engane.
Acautelai-vos, que ninguém vos engane.
É quase como se o Senhor dissesse que o maior problema para o Seu povo nos últimos dias da história do mundo seria o engano.
A única maneira de você e eu sermos preservados do engano é dando ao Senhor Jesus o lugar que Deus Lhe deu em nossa vida, em nossa família, em nosso trabalho e na igreja. Deem a Ele o Seu lugar, e estaremos seguros. Um alarme soará alto e claro sempre que estivermos em perigo de ser enganados.
Outro segredo é tomar a sua cruz.
Sempre que o Senhor Jesus falava a respeito do evangelho, Ele também dizia:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Negar a si mesmo é abrir mão de todo direito sobre si mesmo.
Algumas pessoas pensam que tomar a cruz é ter uma enxaqueca, artrite no quadril, um marido difícil, uma esposa impossível, filhos que gritam ou um chefe perfeccionista. Essas coisas podem estar incluídas, mas não é propriamente isso que o Senhor quis dizer.
Jesus não carregou a cruz inteira nos ombros. Ele carregou a trave transversal. A estaca vertical já estava no lugar. O homem condenado à morte carregava a trave transversal e, ao redor do pescoço, levava a sentença de morte — o crime pelo qual havia sido condenado. Ele ia até o lugar onde outros o crucificavam.
Foi isso que o apóstolo Paulo quis dizer quando afirmou que temos:
A sentença de morte em nós mesmos, para que não confiemos em nós, mas em Deus, Que ressuscita os mortos.
Nós vimos alguma coisa. Estamos seguindo o Senhor. Entendemos que temos de viver uma vida crucificada, mas não podemos crucificar a nós mesmos. Não se preocupem com isso. Depois que você perceber que está crucificado em Cristo, seus amigos mais queridos farão o serviço por você.
Seu marido ou sua esposa o pregará na cruz com satisfação. A igreja certamente fará isso. Sempre encontraremos quem nos crucifique.
As pessoas imaginam que podem ir a conferências em cabanas nas montanhas, ter alguma experiência de êxtase, e que anjos aparecerão com martelos de ouro e pregos de prata e as pregarão na cruz enquanto estiverem em êxtase. Que absurdo.
Depois que você perceber que está crucificado em Cristo, amanhã de manhã alguém o crucificará no trabalho. Será muito rápido. Se não for no trabalho, então, na comunhão amanhã à noite, alguém cravará mais alguns pregos nas suas mãos. Nessa questão, morremos diariamente.
O extraordinário é isto: você só conhece a vida por meio da morte. Somos salvos, e isso não vem de nós; é obra do Senhor. Mas, para a plenitude da vida cristã, precisamos entregar nossa vida.
O sexto segredo foi a humildade — algo muito raro.
É interessante observar nas Escrituras que Deus sempre diz:
Humilhai-vos.
As pessoas dizem: “Não consigo me humilhar. O Senhor precisa me humilhar”. Não. O Senhor nunca diz isso. Ele diz:
Humilhai-vos.
Aquele que se humilha será exaltado; e aquele que se exalta será humilhado.
Lembro-me de alguém que me escreveu depois de uma enorme discussão em uma obra cristã. Ele era um dos diretores e não se entendia com o presidente. Terminou sua carta amarga dizendo: “Você sabe que sou o homem mais humilde deste mundo”.
Todos nós sabíamos que era exatamente isso que ele não era. É estranho como formamos ideias erradas a respeito de nós mesmos.
Lembro-me de uma senhora de uma comunidade de irmãos, muitos anos atrás. Ela sempre dizia: “Você pode me contar qualquer coisa. Sabe que eu sei guardar confidências”. Todos nós sabíamos que, se você lhe contasse algo em confiança e dissesse: “Não conte a ninguém”, dentro de uma hora a cidade inteira saberia.
Ela não conseguia ficar de boca fechada, mas acreditava que sabia guardar segredos. É algo estranho no ser humano: todos nós achamos que determinada característica é o nosso ponto forte, enquanto todos os outros sabem como somos fracos nela.
A Escritura diz simplesmente que Deus habita com os humildes. Também diz:
Deus resiste aos soberbos.
Isso significa que, se você é crente, mas é arrogante e orgulhoso, Deus de fato resiste a você. Não é uma notícia agradável, não é?
A resposta é humilhar-se. Humilhe-se, e você descobrirá que Deus está com você.
Agora gostaria de acrescentar mais alguns segredos à lista. O primeiro é ser cheio do Espírito Santo.
E não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito.
— Efésios 5:18
Em Atos 6:3, lemos:
Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço.
Se tivéssemos tempo, eu poderia percorrer com vocês o livro de Atos, e vocês descobririam que a qualificação para todos os que servem ao Senhor é serem cheios do Espírito.
Acho isso interessante, porque é algo que nem sempre seguimos na vida da igreja. Aqui estavam sete homens que cuidariam da parte financeira dos assuntos da igreja e distribuiriam o dinheiro. Nós teríamos dito: “Vamos procurar contadores — pelo menos homens que saibam fazer contas”.
Mas a primeira qualificação era que fossem cheios do Espírito e de sabedoria, não simplesmente que tivessem diplomas de contabilidade. Que confusão fizemos da vida da igreja nessa questão! Procuramos pessoas hábeis em organizar, e elas organizam a igreja até a morte.
Matam-na com a organização. Alguém disse certa vez: “São os dons do povo de Deus que destroem a igreja, não suas fraquezas”. Vivi o suficiente para ver que isso é verdade.
Quaisquer que sejam os seus dons, se forem levados à cruz, Deus poderá usá-los. Mas, quando um dom não é crucificado, ele se torna a destruição da igreja.
Ser cheio do Espírito Santo significa que você é capacitado a entregar sua vida. Você já pensou por que o Espírito Santo veio sobre Jesus na forma de uma pomba?
A maioria dos cristãos pensa: “A pomba — doce, mansa, delicada”. Mas, para o judeu, a forma mais comum de sacrifício era a pomba. Duas rolas eram levadas ao templo por aqueles que não podiam oferecer sacrifícios mais caros.
Quando o Espírito Santo veio sobre o Senhor Jesus nas águas do Jordão, quando Ele foi batizado, veio como símbolo de sacrifício. Embora Ele não conhecesse pecado, o Espírito Santo veio sobre Ele para que pudesse morrer diariamente durante três anos e, por fim, oferecer-Se a Deus sem mácula, pelo Espírito eterno.
Ser cheio do Espírito traz alegria, poder, dons e mil coisas boas quando o Espírito Santo vem sobre você. Mas, quando você tenta ser crucificado na sua própria força, acaba com algo sombrio, pesado e religioso.
Quando o Espírito Santo lhe diz que você pode entregar sua vida, tudo o que as pessoas verão será o Senhor Jesus. Elas não verão sua aflição nem seu sofrimento. Verão a beleza do Senhor, nosso Deus, sobre você — o caráter Dele manifestado em você.
Haverá fruto em sua vida e poder em sua vida. Haverá vida abundante sendo expressa por meio de você.
Muitos cristãos têm medo da obra do Espírito Santo. Alguns falam somente do Espírito Santo e até oram somente ao Espírito Santo, como se o Pai e o Filho não importassem.
Creio na pessoa do Espírito Santo. Creio que o Espírito Santo é tão Pessoa quanto o Pai e o Filho. Você precisa conhecer o Espírito Santo. Mas toda a obra do Espírito Santo é glorificar o Pai e o Filho. Toda a Sua obra é desviar você de si mesmo e voltá-lo para o Senhor Jesus, para o Pai e para o Filho. Ele nunca fala de Si mesmo.
Você não pode conhecer absolutamente nada da vida cristã sem o Espírito Santo. Nada.
Você não pode conhecer a convicção de pecado sem o Espírito Santo. Não pode conhecer o dom da fé viva à parte do Espírito Santo. Não pode nascer de novo, a menos que nasça do Espírito. Não pode conhecer nada a respeito de ser vivificado para Deus à parte do Espírito Santo.
Você não pode conhecer o crescimento cristão sem o Espírito Santo. Não pode ser transformado à semelhança do Senhor Jesus à parte do Espírito Santo. Não pode conhecer a vida eterna como experiência à parte do Espírito Santo. Não pode servir a Deus, receber dons nem vencer à parte do Espírito Santo.
O Espírito Santo é absolutamente essencial.
O Senhor Jesus é Deus situado em um lugar. Deus estava em Cristo, reconciliando Consigo o mundo. No Senhor Jesus, vemos Deus com um rosto humano — com olhos, pele e um corpo — para sempre.
O Senhor Jesus viveu trinta e três anos nesta terra e subiu à direita de Deus. Ele é o mesmo Senhor Jesus. Não cresceu nem um centímetro, nem envelheceu. Ele tem um corpo espiritual, mas está de fato situado à direita de Deus.
Alguém pode dizer: “Você quer dizer que, quando digo: ‘Ó Senhor Jesus, vive em mim’, Ele não pode viver em mim?”. Não, de modo algum. Ele pode viver em você — mas como vive em você? Pelo Espírito Santo.
Deus não nos deu coisas. Ele nos deu uma Pessoa, e nessa Pessoa nos deu tudo. Mas, à parte do Espírito Santo, tudo isso é apenas teologia.
Não existe igreja sem o Espírito Santo. Quando o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes, cento e vinte indivíduos separados se tornaram cento e vinte membros de uma vida compartilhada.
O Espírito Santo transformou uma congregação de unidades e indivíduos em um corpo unido a uma Cabeça no céu. Quando o Espírito Santo revelou e expressou o Senhor Jesus por meio daqueles cento e vinte membros na terra, Jerusalém foi virada de cabeça para baixo; depois, a Judeia; depois, Samaria; e, então, o mundo.
No momento em que a igreja se tornou orgulhosa, separou-se de sua Cabeça e se tornou uma organização e uma instituição, seu poder de transformar o mundo cessou.
Em João 20, Jesus apareceu no meio dos discípulos. Ele disse:
Paz seja convosco.
E soprou sobre eles, dizendo:
Recebei o Espírito Santo.
— João 20:22
Tomé não estava ali. Oito dias depois, Tomé estava presente, e Jesus lhe mostrou Suas mãos e Seu lado. Tomé disse:
Senhor meu e Deus meu!
No entanto, o Senhor não soprou então sobre Tomé separadamente, dizendo: “Recebe o Espírito Santo”.
Creio que o Senhor estava ensinando algo aos discípulos por meio de uma figura. Quando o Espírito Santo vem, duas coisas acontecem: o Espírito Santo vem para dentro de você, e o Espírito Santo vem sobre você.
Há dois aspectos, assim como a obra da cruz tem dois aspectos: Jesus morreu por mim, e Jesus morreu como eu, em minha identificação com Ele. Essas duas coisas aconteceram juntas no Calvário, mas muitos de nós somos salvos por meio da primeira verdade muito antes de entrarmos na experiência da segunda.
O Espírito Santo que habita em nós é muito silencioso. O fruto do Espírito é muito silencioso. Você nunca ouve um fruto crescendo. Não ouve: “Bum, bum, bum — apareceu uma maçã”. Tudo acontece silenciosamente, da flor ao fruto.
O caráter, o fruto e a vida do Senhor Jesus que habita em nós são silenciosos, constantes e progressivos. Mas, quando o Espírito Santo vem sobre você, todos sabem: vento e fogo.
O Senhor Jesus disse:
Permanecei na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.
— Lucas 24:49
Quando você está devidamente vestido, não fica preocupado consigo mesmo. Não precisa pensar em si; pode pensar no trabalho que tem de fazer. O Espírito Santo vem sobre nós para nos revestir para o serviço, a fim de que possamos prosseguir com o trabalho sem ficar pensando em nós mesmos.
Precisamos do Espírito Santo habitando em nós para produzir fruto, formar o caráter e nos transformar à semelhança do Senhor Jesus. Mas também precisamos ser cheios do Espírito Santo para o serviço, a unção, os dons e a vitória.
Conheço pessoas que não conseguem abrir a boca para orar, mesmo depois de vinte anos como crentes. Conheço pessoas que não conseguem participar da adoração, mesmo depois de muitos anos como crentes. Ninguém duvida de que nasceram de novo, mas elas não conseguem abrir a boca. Por quê? Porque o Espírito Santo nunca as encheu.
Quando o Espírito Santo enche você, você não se torna uma pessoa barulhenta, desagradável e vulgar, querendo se exibir aonde quer que vá. Esse tipo de coisa é carne. Quando o Espírito Santo enche você, a beleza do Senhor, nosso Deus, será vista sobre você.
Você se tornará um membro que contribui para o corpo do Senhor Jesus e para a obra de Deus no mundo. Esse é um segredo vital para a vida cristã, o crescimento cristão, o serviço cristão e a vida da igreja.
Aqui está outro segredo: o temor do Senhor. Vocês ouvem falar do temor do Senhor hoje? Acho que o século XX sabe muito pouco a respeito dele.
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
— Provérbios 9:10
O temor do Senhor é fonte de vida,
Para desviar dos laços da morte.— Provérbios 14:27
O temor do Senhor é a instrução da sabedoria;
E diante da honra vai a humildade.— Provérbios 15:33
Muito raramente ouço falar do temor do Senhor, e muito raramente o encontro. Vivemos em uma época em que as pessoas tratam Deus com uma familiaridade inacreditável.
O que é o temor do Senhor? Não é um terror terrível e angustiante diante do Senhor. É uma reverência sensível e um profundo respeito. É sensibilidade aos sentimentos do Senhor e à Pessoa do Senhor.
Eclesiastes diz:
Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras.
Isso não significa que devamos simplesmente economizar palavras. Significa que, se você se lembrar de que Aquele com Quem está falando é infinito, enquanto você é finito, metade das palavras que usa não será necessária.
Elias dizia, onde quer que estivesse:
Vive o Senhor dos Exércitos, perante Quem estou.
Quer estivesse no Carmelo, no Sinai ou em outro lugar, sempre dizia: “O Senhor, perante Quem estou”.
O que isso revela? Revela que ele tinha consciência de estar na presença do Senhor. Tinha consciência de ser servo do Senhor, à disposição do Senhor. Isso é o temor do Senhor.
Essa inacreditável falta de temor do Senhor está nos conduzindo a um desastre terrível.
Lembro-me de um rapaz com quem eu estava conversando certa vez. Ele discursava com ares de autoridade sobre determinado assunto e, de repente, tirou sua Bíblia e disse: “O que é este livro? São apenas palavras impressas”.
Então ele a jogou no chão e sentou-se sobre ela. Eu lhe disse: “Não há temor do Senhor nos seus olhos, e Deus vai julgá-lo”. De alguma forma estranha, algo penetrou naquele jovem orgulhoso e o deixou apavorado.
Essa ideia de que podemos controlar o Espírito Santo, manipular Deus, tomar o nome do Senhor em vão e tratar as coisas de Deus com familiaridade — isso é estupidez.
Uzá tocou na arca do Senhor e morreu. Há muitos crentes cristãos que tocam na presença do Senhor e morrem espiritualmente. Tratam as coisas de Deus com familiaridade, mas você não pode tratar as coisas de Deus dessa maneira.
O temor do Senhor é um segredo. É o princípio da sabedoria. Sabedoria não é conhecimento. Conhecimento tem a ver com fatos; sabedoria tem a ver com o que você faz com os fatos — como lida com eles e os aplica.
O temor do Senhor é o princípio do entendimento de como lidar com sua vida e com seus problemas.
O Salmo 25 nos traz uma bela palavra:
Qual é o homem que teme ao Senhor?
Ele o instruirá no caminho que há de escolher.
A sua alma habitará em sossego;
E a sua descendência herdará a terra.O segredo do Senhor é para os que O temem;
E Ele lhes fará saber a Sua aliança.— Salmos 25:12-14
Se você teme o Senhor, Ele o instruirá no caminho que há de escolher. Sua alma habitará em sossego, e Ele lhe fará conhecer a Sua aliança. Não é uma bela palavra?
Malaquias nos traz outra bela palavra:
Então os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros;
E o Senhor atentou e ouviu,
E um livro de memória foi escrito diante Dele,
Para os que temiam ao Senhor
E para os que se lembravam do Seu nome.E eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos,
Minha possessão particular, naquele dia que farei;
E poupá-los-ei,
Como um homem poupa a seu filho que o serve.— Malaquias 3:16-17
Isso fala do tempo do fim. Nos últimos dias, quando as pessoas não temerem o Senhor, aqueles que O temem serão tão preciosos que o Senhor terá um registro, e o nome de cada um deles estará escrito nele. Quando chegar o momento, eles serão um tesouro especial para o Senhor.
Aqui está outro segredo: a comunhão comprometida.
Às vezes, quando você é ferido na comunhão do povo de Deus, é mais fácil se afastar e se tornar um eremita. Não quero dizer que você se sente no alto de uma coluna ou entre numa caverna e se feche lá dentro, mas, espiritualmente, é exatamente isso que fazemos.
Somos feridos na vida da igreja. As pessoas dizem e fazem coisas, e ficamos perturbados e magoados. Então nos tornamos eremitas no meio da igreja. Espiritualmente, nos fechamos numa pequena caverna. Vamos às reuniões e nos sentamos ali, mas não queremos nos comprometer com os irmãos.
O que temos visto e ouvido, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.
— 1 João 1:3
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
— 1 João 1:7
Comunhão não é apenas um relacionamento espiritual com o Pai e com o Filho. Ela também é horizontal, não apenas vertical. Temos relacionamentos uns com os outros, e é aí que está o nosso problema. Toda a cristandade está cheia de problemas nesse nível horizontal.
Fiel é Deus, pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
— 1 Coríntios 1:9
Fomos chamados não apenas à comunhão com Seu Filho, mas à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. O que é essa comunhão? Paulo a descreve como um corpo. Ele tem muitos membros, mas é um só corpo.
Os membros são todos diferentes, mas compartilham uma só Cabeça, um só Nome e uma só Vida. Essa é a igreja.
Você pode dizer: “Isso é maravilhoso, mas onde posso encontrar uma igreja assim?”. No entanto, Paulo disse isso à igreja em Corinto. Duvido que a maioria de nós tivesse permanecido ali.
Alguns, à mesa do Senhor, se embriagavam e caíam debaixo da mesa. Outros levavam uns aos outros aos tribunais. Um homem vivia em imoralidade com a mulher de seu pai. Se você ler essa carta inteira, ficará abalado até os alicerces.
No entanto, Paulo disse:
Sempre dou graças ao meu Deus por vós.
Ele disse que não lhes faltava nenhum dom e que Deus era fiel, por Quem haviam sido chamados à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Isso não significa que nos tornemos participantes dos pecados dos outros, nem que deixemos de tratar do pecado. Mas significa que há uma base sobre a qual permanecemos juntos. Isso é comunhão comprometida.
Todos nós somos capazes de pecados inimagináveis. Somos tão rápidos em julgar os outros quando caem em pecado, mas, dadas as condições propícias, cada um de nós é capaz de fracassar terrivelmente.
Deus sabia do que você era capaz quando o salvou. Pela graça de Deus, Ele o guarda, e em cada tentação há uma saída. Mas precisamos lembrar que julgamos uns aos outros com severidade e julgamos a nós mesmos com misericórdia.
Para nós mesmos, temos um padrão muito misericordioso; para os outros, temos um padrão perfeito e justo.
Qual é a base da verdadeira comunhão? Não é termos todos a mesma opinião ou sentirmos todos da mesma maneira. Certamente não é assim.
A base da comunhão é que você está no mesmo Senhor Jesus em Quem eu estou, e o mesmo Senhor Jesus que está em você está em mim. Podemos ter diferentes histórias de vida, temperamentos, contextos culturais, padrões de vida e origens étnicas, mas é o mesmo Senhor Jesus.
Eu estou Nele; você está Nele. Ele está em mim; Ele está em você. Essa é a comunhão de Seu Filho.
Meu corpo é uma comunhão. Tenho dedos das mãos, dedos dos pés, pés, mãos, braços, ouvidos e olhos. São todos diferentes, mas compartilham minha vida, meu nome e meu futuro. Se minha cabeça manda meus pés se moverem, eles se movem. Se quero pegar um livro, minhas mãos se movem. São membros de um só corpo.
É assim que o corpo de Cristo deve funcionar. Compartilhamos Sua vida, Seu Nome e Seu futuro. Somos herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.
É por isso que 1 Coríntios 14:26 diz:
Faça-se tudo para edificação.
É uma lei simples. Se não pode edificar, não faça. Se não edifica, não ofereça essa contribuição. Que tudo seja feito para a edificação do corpo.
Em 1 Tessalonicenses 5, somos orientados a exortar uns aos outros e a edificar uns aos outros. O que significa edificar uns aos outros? Significa amar uns aos outros e cuidar uns dos outros.
Às vezes pensamos que é apenas uma questão de dar uma palavrinha. Já sofri com muitas dessas palavrinhas na minha vida. As pessoas chegam com alguma palavra espiritual maravilhosa de Jonas ou Obadias e a impõem a você.
Às vezes eu gostaria que viessem cortar a grama, fazer um bolo ou realizar algo prático. Às vezes, tudo de que você precisa é algo muito simples, e isso leva Cristo a uma pessoa.
Não estou dizendo que nunca devemos usar a Palavra de Deus. Mas, às vezes, podemos dar pequenas palavras frias que exibem nosso conhecimento do Senhor, mas não edificam ninguém. Um simples ato de amor — cuidar de um bebê, cortar a grama, levar um bolo — pode edificar alguém e trazer-lhe uma nova liberdade.
Alguns de nós somos difíceis de amar. Por natureza, somos pessoas muito espinhosas. No entanto, precisamos superar isso. O Senhor me ama; se o Senhor ama você, eu também tenho de amá-lo.
Há segurança na comunhão. Considerem Colossenses 3:15:
E a paz de Cristo governe em vossos corações, para a qual também fostes chamados em um só corpo.
— Colossenses 3:15
A palavra governar significa “arbitrar”. Deixe que a paz de Cristo seja o árbitro em seu coração quando precisar conhecer a vontade de Deus.
O sumo sacerdote tinha o Urim e o Tumim — luzes e perfeições. Não sabemos exatamente como essas pedras funcionavam, mas, na tradição judaica, eram entendidas como pedras que brilhavam quando o Senhor dizia sim e se tornavam opacas quando o Senhor dizia não.
Quer tenha sido exatamente assim ou não, é uma figura perfeita. Deixe que a paz de Cristo seja o árbitro em seu coração. Quando há vida e luz, o Senhor pode estar dizendo sim. Quando há morte, trevas ou inquietação, o Senhor pode estar dizendo não.
Mas alguns de nós somos muito obstinados. Temos uma falsa paz, porque, quando conseguimos o que queremos, temos paz. Quando seguimos o caminho que queremos seguir, temos luz. Tudo o que contraria nossa vontade parece trevas. Assim, podemos nos enganar.
Confirme com seus irmãos e irmãs a direção que você recebeu. Não procure apenas aqueles que você sabe que concordarão e dirão: “Ah, sim, faça isso”. Confirme no corpo de Cristo. Ali está a sua segurança.
Não se mude simplesmente, não aceite outro emprego, não compre outra casa, não mude de carreira nem vá de repente para Timbuktu. Confirme antes. Seríamos poupados de mil tragédias se aprendêssemos esse simples segredo da comunhão.
Muitas vezes vivemos como se não houvesse outros membros do corpo. Oramos de maneira completamente individualista. No entanto, o Senhor Jesus nos ensinou a orar:
Pai nosso.
Quando você ora, está orando por mim também. Comunhão significa que levamos uns aos outros diante do Senhor.
O último segredo que deixo com vocês nesta noite é a adoração genuína.
O Salmo 34 faz uma declaração extraordinária:
Bendirei ao Senhor em todo o tempo;
O Seu louvor estará continuamente na minha boca.— Salmos 34:1
Você sabe que foi feito para adorar? Quando Deus o criou, criou você como adorador.
Todo ser humano adora, inclusive os ateus. Eles adoram alguma coisa. Muitos adoram a si mesmos. Todos os dias se curvam diante do altar de si mesmos, honram a si mesmos e se veem como o centro de tudo o que há de glorioso no universo.
Outros adoram amigos, esportes, carreiras ou mil outras coisas. Todos precisam adorar alguma coisa. Você foi feito para adorar.
Deus constituiu você de tal maneira que somente quando adora é verdadeiramente feliz. Você pode conhecer muita coisa, ter comunhão, ser leal, zeloso e ativo e, ainda assim, continuar infeliz, porque nunca aprendeu o segredo da adoração.
Bendirei ao Senhor em todo o tempo.
Alguém diz: “Isso é impossível. Isso é ridículo. Como você pode bendizer ao Senhor em todo o tempo — quando está abatido, triste e coisas difíceis aconteceram na sua vida?”.
A questão é esta: você está louvando ao Senhor apenas por causa do que Ele fez por você? Essa é uma maneira egocêntrica de olhar para isso. Você está adorando ao Senhor somente quando Ele faz alguma coisa por você?
O inimigo vem e diz: “Não louve ao Senhor. Você teve um dia ruim. Fez coisas das quais deveria se envergonhar. Fique de boca fechada e seja humilde pelo menos uma vez”. Então você diz: “É verdade. Não quero ser hipócrita”.
E o diabo fará questão de que sempre haja alguma coisa para impedir você de louvar ao Senhor — uma acusação, uma circunstância, uma dificuldade, algo preparado para manter sua boca fechada.
Mas a adoração não se baseia em tudo estar dando certo. Bendizemos ao Senhor pelo que Ele é. O louvor Dele está em nossa boca.
Às vezes aprendi, de maneira dolorosa, que o que devemos fazer é adorar ao Senhor e dizer: “Senhor, eu me sinto péssimo, mas Tu és maravilhoso. O Teu trono está estabelecido”.
Eu costumava ter a estranha ideia de que, para ser honesto e verdadeiro, não deveria louvar ao Senhor se estivesse me sentindo mal. Então o inimigo fazia questão de que eu me sentisse mal. Eu acordava de mau humor, e ele dizia: “Agora não louve ao Senhor. Você não pode louvar ao Senhor. Não seja hipócrita”.
Então, um dia, acordei e pensei: “Não, vou louvar ao Senhor”. Não vou dizer: “Senhor, eu me sinto maravilhoso”, quando não me sinto assim. Vou dizer: “Senhor, eu me sinto péssimo hoje, mas Tu és absolutamente maravilhoso”.
Não é ridículo pensar que, porque você acordou de mau humor, o reino dos céus entrou em crise, o governo de Deus abdicou e toda a obra do Senhor ficou paralisada?
A verdade Dele continua a mesma, quer você esteja abatido ou animado. O trono Dele continua o mesmo, quer você esteja abatido ou animado. O Senhor cumprirá o Seu propósito, quer você esteja abatido ou animado.
Agora você pode adorar ao Senhor. Pode dizer: “Senhor, a Tua verdade é para sempre. O Teu trono está estabelecido. Tu és maravilhoso”.
O Senhor Jesus disse à mulher junto ao poço de Samaria:
O Pai procura os que assim O adorem em espírito e em verdade.
— João 4:23
Quando você adora ao Senhor em um momento difícil, o Senhor diz: “Agora, isto é adoração”.
A adoração é um grande segredo. Ela levanta você. Você começa a ver as coisas sob uma luz diferente. É maravilhoso.
Romanos 12:1 diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
— Romanos 12:1
O que é uma adoração espiritualmente inteligente? Seu corpo — um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.
Aqui está um segredo maravilhoso. Ele o conduzirá a uma maneira inteiramente nova de caminhar com o Senhor e lhe dará uma nova forma de enfrentar os problemas, as circunstâncias e as dificuldades que chegam a todos nós.
Fomos feitos para adorar ao Senhor. Quando as pessoas adoram verdadeiramente, tocam em algo primordial, algo que remonta ao princípio — à maneira como Deus constituiu o ser humano.
Algo é liberado em seu espírito. É quase como se você estivesse em harmonia com Deus e com o próprio universo que Ele criou. É extraordinário.
Todos esses são segredos — não mistérios além da nossa compreensão, mas segredos que Deus concede a nós, que nascemos do Seu Espírito, para que possamos entrar numa experiência real da vida cristã, do crescimento cristão, do serviço cristão e da vida da igreja.
Louvado seja o Senhor. Ajuda-nos, pois, Senhor, e ensina-nos. Vamos orar juntos?