A passagem que li ontem à noite foi da carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, capítulo 4, a partir do versículo 10.
Ora, muito me regozijei no Senhor por, finalmente, terdes renovado o vosso cuidado por mim; do qual, na verdade, já vos lembráveis, mas vos faltava oportunidade.
Não digo isto por causa de necessidade: porque aprendi a contentar-me em qualquer estado em que me encontre.
Sei ser humilhado e sei também ter abundância: em tudo e em todas as coisas aprendi o segredo tanto de ter fartura como de ter fome, tanto de ter abundância como de padecer necessidade.
Posso todas as coisas Naquele que me fortalece.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te porque, quando nos achegamos ao ministério da Tua Palavra, Tu nos concedes graça e poder especiais. Tu nos concedeste uma unção. Custou-Te muito conquistar essa unção para nós.
Por isso, queremos nos achegar com muita simplicidade e pela fé. Queremos permanecer nessa unção durante este período da manhã, tanto para falar como para ouvir. Queremos, Senhor, encontrar-nos Contigo, ouvir a Tua voz para além da voz humana e conhecer-Te neste tempo em que estaremos na Tua Palavra, nesta manhã.
Então, Senhor, daremos a Ti todo o louvor e toda a glória. Pela fé, permanecemos nessa unção, tanto para falar como para ouvir. Enche este tempo com a Tua presença, Senhor. Que tudo o mais fique em segundo plano, e nós Te daremos o louvor. Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Eu não fazia ideia de que os irmãos haviam se reunido, pensado um pouco sobre o próximo ano e sentido que, de uma forma ou de outra, deveriam dar bastante atenção às questões fundamentais da vida cristã e da vida da igreja.
Só sei que, quando vim para cá, tinha apenas uma coisa no coração. Eu me sentia muito mal com isso, porque sabia que vários outros irmãos poderiam dizer exatamente o que estou dizendo. Em certo sentido, parece um tanto ridículo vir de tão longe para dizer coisas muito simples que outros irmãos podem dizer tão bem quanto eu.
Mas era isso que eu tinha no coração: segredos da vida cristã — não mistérios; isso é outra coisa —, mas chaves simples para a vida cristã. Aquelas coisas essenciais, fundamentais, que são os meios pelos quais somos levados a experimentar tudo o que é nosso no Senhor Jesus.
Aqui, o apóstolo diz que conhece o segredo de ser humilhado e de ter abundância. Diz que aprendeu o segredo de estar contente em qualquer condição em que se encontre. Isso não é um segredo insignificante.
No tipo de vida neurótica e frenética que todos nós vivemos, isso não é um segredo insignificante. E ele diz que o único caminho é descobrir que, em Cristo, no Messias, você pode estar contente. Você pode fazer todas as coisas Naquele que o fortalece.
Ontem à noite falei sobre três segredos. Falei de um que quase nunca é mencionado hoje em dia: o arrependimento. Ele é absolutamente fundamental. É essencial.
A maioria dos crentes mal pensa no arrependimento. Consideram-no uma palavra antiquada da versão King James, que, de alguma forma, pertence à antiguidade. Tem muito pouco a ver com a última parte do século XX.
No entanto, como vimos ontem à noite, o arrependimento é fundamental — não apenas para a conversão, não apenas para a salvação, mas também para os crentes. Oito vezes o Senhor diz às sete igrejas em Apocalipse 2 e 3 que se arrependam. Ele adverte:
Arrepende-te; ou virei a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro.
O arrependimento é fundamental. Vivemos numa sociedade em que, francamente, a vítima é vitimizada. Em outras palavras, arranjamos desculpas para o agressor: por que ele é criminoso, por que agride as pessoas, por que faz isto, por que faz aquilo. Pode haver algo a considerar nisso, mas ninguém nunca pensa na vítima. Interessante, não é?
De alguma forma, isso foi corroendo toda a nossa mentalidade. De um jeito ou de outro, culpamos as circunstâncias, nossos pais, nossa esposa, nosso empregador, nossos empregados, nosso trabalho — ou até mesmo nosso demônio. É sempre alguma coisa que se torna responsável pelo que fazemos.
Nós somos pessoas doces, ingênuas, amorosas, puras, crédulas, e são sempre as coisas ao nosso redor que acabam nos levando a dizer: “Bem, Senhor, é claro que caí nisso por causa de fulano e de sicrano”. Arrependimento é reconhecer nossa condição e assumir nossa responsabilidade por ela.
A segunda coisa sobre a qual falamos foi a fé viva: uma fé viva, prática, atuante — uma fé que se expressa concretamente no comportamento e na conduta. Aliás, não existe outra fé na Palavra de Deus. Toda outra fé é religião.
A fé verdadeira e viva sempre se expressa de maneira dinâmica em qualquer ser humano, e a fé viva é dom de Deus. Essa fé viva nos une à Palavra de Deus, à Palavra viva de Deus, de modo que a Palavra de Deus se torna carne e sangue em nós.
Se você considera a doutrina cristã apenas doutrina e teologia, se considera a Bíblia apenas verdade objetiva, então, é claro, nada jamais acontecerá em sua vida ou em sua família. Mas a fé viva nos une ao Senhor. Esse é outro segredo.
O terceiro segredo sobre o qual falamos ontem à noite foi a contribuição sacrificial. Tudo o que você dá, sempre recebe de volta. Se você recebe do Senhor e dá aquilo que recebeu Dele, sempre terá mais.
Esse é o segredo da multiplicação e do transbordamento. Charles Haddon Spurgeon disse: “Toda evangelização está no transbordamento”. Em outras palavras, quando as vidas transbordam do Senhor, transbordam da beleza do Senhor, transbordam da graça de Deus, transbordam do Espírito Santo, outras pessoas são salvas.
É o transbordamento que tem tanto poder. A chave para uma vida que transborda é sempre, muito simplesmente, dar aquilo que você recebe. Não importa se é tempo, energia ou dinheiro; é sempre a mesma coisa.
A maioria de nós diz: “Bem, eu não posso dar”, e vivemos em condições muito limitadas. Experimente. É algo extraordinário: Deus honra aqueles que O honram.
É uma questão de fé. Sempre ficamos um pouco receosos disso por causa das fraudes no mundo cristão, especialmente em relação ao dinheiro. Mas preciso dizer que continua sendo um princípio: aquilo que você dá, você recebe — em medida recalcada, sacudida e transbordante. A Palavra de Deus é a Palavra de Deus.
Lembrem-se dessas três coisas de que falamos ontem à noite. Agora quero prosseguir. Não sei até onde chegarei nesta manhã, e não vou me preocupar demais com isso, porque esses segredos são inúmeros.
Aqui está outro segredo da vida cristã: um segredo que é uma porta, uma entrada para a plenitude, a proteção, a segurança, a experiência e o crescimento. É a centralidade absoluta de Cristo.
Tão simples. Você sabe que todos os grandes segredos do Senhor são profundamente simples? São tão simples que deixam perplexa a mente do século XX. Achamos que essas verdades maravilhosas são complexas por natureza, justamente porque são tão simples.
O arrependimento é incrivelmente simples. A fé viva é incrivelmente simples. Dar é incrivelmente simples. Você acreditaria que tanto da nossa vida cristã depende de algo tão simples?
Aqui está outro segredo: estar centrado no Senhor Jesus. Deixem-me apresentar algumas passagens das Escrituras. Vejam Filipenses 1:21:
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
É isso que chamo de centralidade de Cristo. Ele não disse: “Porque para mim o viver é conhecer a respeito de Cristo”, nem: “Para mim o viver é servir a Cristo”. Ele disse:
Porque para mim o viver é Cristo.
Esse homem está totalmente centrado na Pessoa do Senhor Jesus. O Senhor Jesus é seu fundamento. O Senhor Jesus é seu alvo. O Senhor Jesus é sua vida. O Senhor Jesus é sua salvação. O Senhor Jesus é seu poder. O Senhor Jesus é sua graça. Esse homem está centrado no Senhor Jesus.
E eu amo isto:
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
O que isso significa? Apenas mais do Senhor Jesus. Viver significa que toda a minha vida se resume ao Senhor Jesus — meu relacionamento com Ele, minha obediência a Ele, meu andar seguindo-O.
A mãe do Senhor Jesus disse aos serventes, no primeiro milagre que o Senhor Jesus realizou em Caná da Galileia:
Fazei tudo quanto Ele vos disser.
Tão simples. Tudo o que Ele disser, façam. Se você e eu aprendêssemos isso no início da nossa vida cristã, pode acreditar: teríamos uma experiência real com o Senhor. Cresceríamos Nele.
Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Isso significa simplesmente o seguinte: toda a minha vida se explica pelo Senhor Jesus e, quando eu morrer, haverá mais Dele. É só isso.
Vejam Colossenses 1:18:
E Ele é a cabeça do corpo, da igreja: é Ele o princípio, o primogênito dentre os mortos; para que em todas as coisas tenha a preeminência.
O Senhor Jesus ocupa um lugar de destaque em muitas vidas cristãs; em poucas, porém, Ele tem a preeminência. Ter destaque e ter preeminência são duas coisas muito diferentes.
Não sei que lugar o Senhor Jesus ocupa em sua vida. Não sei que lugar Ele ocupa em sua família. Não sei que lugar Ele ocupa em seu cotidiano de trabalho ou em seus negócios. Nem sequer sei que lugar Ele ocupa em seu relacionamento com a igreja. Mas existe uma diferença enorme, imensa, entre o Senhor Jesus ter destaque em sua vida e o Senhor Jesus ter a preeminência.
Deus estabeleceu nossa salvação de tal maneira que só podemos experimentá-la por meio do Senhor Jesus e no Senhor Jesus. Você entende? Não existe outro caminho. A salvação não é uma “coisa”; a salvação é uma Pessoa. Ser salvo é conhecer o Senhor Jesus.
A vida cristã segue a mesma equação simples. Basicamente, a vida cristã é experimentar o Senhor Jesus. Ele é a vida de Deus. Quando você começa a enxergar isso, a diferença é tremenda.
Considerem 1 Tessalonicenses 5:10:
Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele.
A mesma ideia, não é? Para onde quer que você se volte, encontra a mesma ideia. Abram em Colossenses 2:6-7:
Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai Nele;
arraigados e edificados Nele, e confirmados na vossa fé.
O Senhor Jesus é tudo. Como você recebeu o Senhor Jesus? Pela fé. Portanto, ande Nele da mesma maneira que O recebeu: pela fé. Você estará arraigado Nele e crescerá Nele, arraigado e edificado em sua fé Nele.
Pensem no Evangelho de João e nas grandes declarações “Eu sou”:
Eu sou o pão da vida.
Eu sou a luz do mundo.
Eu sou a porta.
Eu sou o bom pastor.
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.
Eu sou a ressurreição e a vida.
O que o Senhor Jesus queria dizer? Nós diríamos: “Bem, Ele não deveria dizer essas coisas. Deveria dizer: ‘Eu dou o pão da vida. Eu aponto para a porta. Eu prego a verdade. Eu mostro o caminho. Eu darei a ressurreição’”. Mas Ele não disse isso. Ele disse:
Eu sou o pão da vida.
Se você não der ao Senhor Jesus o lugar que Deus Lhe deu, prejudicará sua vida cristã e paralisará seu crescimento. É simples assim.
Se você não der ao Senhor Jesus o lugar que Deus Lhe deu em sua vida, em sua família, em seus relacionamentos, em seu trabalho, em seus negócios e em sua vida na igreja, prejudicará sua vida cristã e paralisará seu crescimento.
Conheço crentes que são crentes há vinte anos e só cresceram na cabeça. Não há crescimento neles de nenhuma outra forma, a não ser aqui em cima.
Conheço cristãos que ainda não conseguem adorar o Senhor vinte ou trinta anos depois de terem nascido de novo. Conheço cristãos que não conseguem combater o bom combate da fé em oração. Não sabem nada sobre guerra espiritual. Deveriam ser soldados do Senhor Jesus Cristo, mas são crentes frouxos — anêmicos, sem fibra. É trágico.
A chave é a centralidade absoluta de Cristo.
Essa questão da posição central que Deus Pai deu ao Senhor Jesus é de importância suprema, porque toca a raiz mais profunda da queda do homem. Vocês estão ouvindo? Ela toca a rebeldia.
Por que temos tanta dificuldade em fazer do Senhor Jesus tudo? Por que temos tanta dificuldade em fazer do Senhor Jesus o Senhor? Por causa da rebeldia.
Somos salvos por meio do tipo de evangelho pregado hoje, que se resume a uma decisão: “Decida-se pelo Senhor Jesus. Ele fará bem a você. Ele lhe dará uma passagem para o céu. De um jeito ou de outro, Ele o livrará do inferno. Ele mudará o rumo da sua vida”.
Esse não é o evangelho que vejo sendo pregado no Novo Testamento. Ali, a mensagem é: arrependam-se, e receberão a remissão, ou o perdão, dos seus pecados. É um evangelho bem diferente.
Não estou dizendo que o evangelho não seja pregado de forma alguma, mas o evangelho que se prega hoje é lamentavelmente superficial e raso, e não toca a raiz do nosso problema, que é a rebeldia.
Todos nós somos rebeldes. Nascemos com rebeldia no coração. Não estou falando dos Estados Unidos e de sua relação com o Reino Unido; estou falando dos seres humanos.
Temos rebeldia em nossa própria natureza e em nosso caráter. Algumas pessoas são muito doces, mas a rebeldia está ali. Toque em algo precioso para elas, e ela aparece.
Podem ser muito corteses e muito doces — especialmente vocês do sul dos Estados Unidos, muito, muito doces aí no sul —, mas a rebeldia está toda ali. Ela aparece quando se toca em alguma coisa preciosa, importante ou significativa para vocês. Rebeldia.
Quando pregamos um evangelho superficial, o que acontece é que entramos no reino, e Deus é tão gracioso que nos recebe com base naquilo que compreendemos. Mas nunca houve um dobrar de joelhos completo, no centro do nosso ser, diante do Senhor Jesus.
Esse é o problema sobre o qual eu estava falando ontem à noite em relação à Palavra de Deus. Muitas pessoas querem adaptar a Palavra de Deus ao século XX. Querem torcê-la e fazê-la dizer algo mais confortável para nós, dentro das nossas concepções do século XX.
Tudo volta à mesma questão: Jesus é Senhor ou não é Senhor? Vamos obedecer ao que Ele diz ou vamos desobedecer? Não tentem disfarçar isso de outras maneiras.
Por que os crentes têm tanta dificuldade? Porque dentro de todos nós existe o espírito de rebeldia. Temos uma dificuldade enorme em obedecer ao Senhor. Não é extraordinário pensar em algumas das coisinhas tolas pelas quais discutimos com o Senhor?
Conheci uma moça que tinha uma dificuldade enorme por causa das unhas. Ela havia parado de avançar com o Senhor porque tinha a impressão de que o Senhor lhe pedia que cortasse as unhas — que, devo acrescentar, eram incrivelmente compridas.
Vocês realmente acham que o Senhor Se preocupa com unhas? Vou lhes dizer uma coisa: creio que o Senhor estava falando com ela sobre as unhas porque isso tocava o espírito de rebeldia.
Não tenho problema algum com o uso de maquiagem. Para mim, não há problema nenhum. É claro que não preciso usá-la, então isso não me incomoda. Acho muito melhor ter uma aparência de quem está vivo. Um pouco de pó aqui e um pouquinho ali talvez nos ajudem um pouco.
Mas, às vezes, Deus fala conosco sobre alguma coisa, e isso vai até a raiz de uma questão. Não se trata do que você está passando no rosto; trata-se de saber se você consegue obedecer ao Senhor. É um espírito de rebeldia.
Como é impressionante que, às vezes, uma dimensão enorme de experiência e crescimento espiritual dependa de um pequeno ato de obediência. Você não pode dizer que o Senhor Jesus é tudo, que Ele é o centro e o coração da sua vida, e não obedecer a Ele.
Deus, em Sua graça, salva você e eu e suporta uma quantidade tremenda de dificuldades que Lhe causamos. Mas, ah, quem dera pudéssemos resolver essas coisas logo no início.
Foi por isso que falei sobre arrependimento ontem à noite. Quando as pessoas passam dois ou três dias em agonia por causa do seu pecado e de sua condição pecaminosa, e finalmente chegam de modo pleno à salvação no Senhor Jesus, a questão da rebeldia é resolvida logo no início da vida cristã.
Pensem em John Newton, aquele traficante de escravos — o homem que chegou a lançar pessoas ao mar para serem devoradas por tubarões e as viu morrer. Quando foi salvo, passou por agonias diante de Deus. Depois se tornou o grande pregador que foi.
Deus fez do Senhor Jesus tudo, mas você não pode experimentá-Lo como tudo se Ele for apenas Salvador, e não Senhor. O senhorio de Jesus é a chave para entrar na plenitude da sua salvação.
Deus salva você, mas seu crescimento pode ser paralisado por toda essa questão da rebeldia em nós. Ela pode se tornar um problema para a vida inteira, porque nunca resolvemos essas questões.
Estamos entrando em dias de tremenda agitação e mudança. Estamos à beira de algumas das mudanças mais cataclísmicas que o mundo já conheceu em sua estrutura social e na ordem internacional.
Creio que os únicos crentes que atravessarão tudo isso como vencedores serão aqueles que fizerem do Senhor Jesus tudo.
Se você der ao Senhor Jesus o lugar que Deus Lhe deu em sua vida, em sua família, em seus negócios e em sua comunhão com os irmãos, esse será o melhor seguro para o presente e para o futuro. Ouviram isso?
Vocês que trabalham com seguros, por favor, ouçam. O melhor seguro que poderão obter não vem de nenhuma seguradora daqui. O melhor seguro que terão para o presente e para o futuro é fazer do Senhor Jesus, em sua vida, aquilo que Deus fez Dele. Deem a Ele o lugar que Deus Lhe deu.
É muito interessante que, quando o Senhor Jesus fala de Sua volta, Ele usa a palavra engano repetidas vezes. O maior problema na última fase da história do mundo será o engano.
Não estou falando de pessoas não salvas; estou falando de pessoas salvas. O Senhor Jesus disse:
Acautelai-vos, para que ninguém vos engane.
Ele fala de pessoas que virão dizendo que são isto, que são aquilo, que são aquilo outro. Ele diz:
Acautelai-vos.
A única maneira de você e eu estarmos seguros é fazer do Senhor Jesus, em nossas vidas, aquilo que Deus fez Dele. Se você fizer isso, terá o melhor seguro deste mundo.
Garanto que você atravessará os últimos dias e experimentará o Senhor como tudo o que Ele deve ser para você nos dias que estão por vir.
Sempre tenho um pouco de receio de falar do Senhor Jesus como pão, luz, vida, ressurreição, porta, caminho e verdade, porque, às vezes, perdemos o relacionamento pessoal com o Senhor Jesus como Pessoa.
Quando perguntaram ao Senhor Jesus, em Marcos 12, qual era o maior de todos os mandamentos, Ele imediatamente disse:
Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus, o Senhor é um:
e amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças.
O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
O Senhor Jesus elogiou a igreja em Éfeso por tantas coisas, e ela merecia ser elogiada. Então Ele disse:
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
É possível ficarmos tão envolvidos em beber do Senhor Jesus, respirar o Senhor Jesus, no poder do Senhor Jesus e na plenitude do Senhor Jesus, que nos esquecemos de que Ele é Alguém a ser amado.
Não digo isso de maneira sentimental. O Senhor Jesus disse:
Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos.
Se realmente amarmos o Senhor de todo o coração, com todas as nossas forças e com todo o nosso vigor, teremos muito cuidado em obedecer à Palavra de Deus.
A figura da noiva, da igreja como noiva, é completamente absurda se você não a considerar em termos de amor. Por que o Senhor não falou de uma classe de guerreiros que, por fim, viria a reinar com Ele? Por que a noiva?
Só pode ser porque Ele está buscando uma qualidade de amor, devoção e compromisso que significa mais para Ele do que qualquer outra coisa.
Você já pensou nisto?
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito.
Ou já pensou nisto?
Ele me amou e Se entregou por mim.
Que tipo estranho de amor seria esse, se o Pai e o Filho tivessem ido tão longe e não Se importassem se você Os ama ou não. Você entende?
Fazer do Senhor Jesus tudo e dar a Ele o lugar que Deus Lhe deu não é simplesmente uma questão de posição. É uma questão de amor. Precisamos perguntar a nós mesmos: abandonei meu primeiro amor? Onde estou nessa questão? Tudo se tornou rotina? É apenas uma questão de deveres e responsabilidades? Eu cerro os dentes e sigo em frente? Ou é uma questão de amor?
Aqui está um verdadeiro segredo. Quando o apóstolo Paulo chegou a essa questão maravilhosa da igreja em 1 Coríntios 12 e passou a explicá-la ainda mais em 1 Coríntios 14, entre os dois está o capítulo 13:
O amor nunca falha.
Façam do amor o seu alvo. Lembrem-se disso.
Aqui está outro segredo: tomar a sua cruz. Vocês já ouviram falar disso muitas vezes, mas esse é um segredo essencial. É um segredo que introduz você na plenitude de Deus, na vida de ressurreição e no poder da ressurreição: entregar a sua vida.
Vejam Marcos 8:34-35:
E, chamando a Si a multidão juntamente com os Seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e qualquer que perder a sua vida por amor de Mim e do evangelho salvá-la-á.
Lucas 9:23 diz:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-Me.
Lucas 14:27 diz:
Qualquer que não levar a sua própria cruz e não vier após Mim não pode ser Meu discípulo.
Essas palavras são absolutas.
João 12:24-26 diz:
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.
Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo: se alguém Me servir, o Pai o honrará.
Tomar a sua cruz — observem: diariamente. Tomar a sua própria cruz. Que coisa interessante.
Sua cruz não é a artrite no quadril, a dor no pescoço ou a enxaqueca que você tem de vez em quando. Tampouco sua cruz é seu marido, sua esposa, seus pais, seus filhos ou o trabalho que precisa fazer. Pode ter alguma relação com essas coisas, mas não é isso que significa.
Quando o Senhor Jesus disse:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz.
O que Ele quis dizer? Agora sabemos que a haste vertical já estava sempre no lugar. Todas aquelas imagens de Jesus carregando uma grande cruz são bastante incorretas. Ele não carregou a cruz inteira daquela maneira.
A haste vertical já estava no lugar. O que a pessoa precisava carregar era a trave horizontal. Você colocava a trave sobre os ombros e levava a sentença de morte pendurada no pescoço. Ou, se fosse muito rico, tinha um servo que ia à sua frente com uma placa anunciando por que você havia sido condenado à morte.
Quando o Senhor Jesus disse:
Tome a sua cruz.
Ele estava, na verdade, dizendo: “Aceite a sentença”.
Ninguém pode crucificar a si mesmo, pode? Você não consegue fazer isso. É impossível. Os instintos de autopreservação são tão profundos que desafio qualquer pessoa a fazê-lo.
As pessoas disfarçam tudo isso. Você fica sem café por uma semana, sem doces ou chocolates por alguns dias; ou as pessoas vestem cilícios ou se amarram às paredes. De alguma forma, tudo isso tem a ver com vencer a carne. Mas a verdadeira carne está dentro, e é muito difícil crucificá-la.
Quando pensamos na obra da cruz, há dois aspectos dessa obra, e tudo está contido naquela maravilhosa palavra do apóstolo Paulo em Gálatas 2:20:
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim: e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé, na fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.
Temos duas coisas aqui:
Já estou crucificado com Cristo.
E:
Ele me amou e Se entregou por mim.
Aqui temos os dois aspectos da cruz em uma única declaração.
Quando o Senhor Jesus morreu, Ele fez duas coisas: morreu em seu lugar e morreu por você. O maravilhoso é que nenhum de nós pode ser salvo a não ser pela obra do Senhor Jesus na cruz. Acho que todos concordam com isso.
A maioria de nós só mais tarde chega a experimentar o que significa estar crucificado com Cristo. No entanto, as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo e, além disso, aconteceram há quase dois mil anos. Isso não é maravilhoso?
Então Deus revela isso a você. Você tem dentro de si a sentença de morte. Quando Ele disse:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo.
Ele quis dizer literalmente: “Abra mão de todo direito sobre si mesmo”.
Você abre mão dos seus direitos sobre si mesmo. Tome a sua cruz, e Ele fará o restante. O mundo crucificará você. Seus amigos crucificarão você. A igreja certamente crucificará você em algum momento.
Uma vez que você tenha enxergado isso, o Senhor cuidará do restante. Mas você precisa abrir mão de todo direito sobre si mesmo. Deus não imporá isso a você.
Você não pode ser salvo sem a obra do Senhor Jesus em seu lugar na cruz, mas não é obrigado a seguir essa vida crucificada. Aqui está o interessante: se você se apegar à sua vida — e a palavra grega significa a vida da alma, ou a vida do eu —, você a perderá.
Apegue-se à vida do seu eu. Lute pela vida do seu eu. Afirme a vida do seu eu, e essa vida será arruinada. Você conhecerá uma maldição sobre sua vida natural.
Talvez você consiga tudo o que quer, mas tudo se transformará em cinzas. Você descobrirá que tudo pelo que lutou e que desejou obter não satisfaz no final. É uma vida desperdiçada.
Você não consegue seguir o Senhor por muito tempo sem chegar à cruz Dele. Tente servir ao Senhor e, dentro de poucas semanas, você enfrentará a cruz. Então será uma questão de preservar a sua vida ou entregar a sua vida.
Vocês se lembram de como Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor lhe mostrou uma árvore? Ele cortou a árvore, lançou-a na água, e a água se tornou doce.
O nome daquele lugar era Mara — amargura. Quando lançaram a árvore na água, ela se tornou doce, passou a dar vida e a saciar a sede. Aprendam a lição. Ouçam-me com atenção.
Conheço tantos crentes cheios de amargura — amargura em relação à vida, amargura mortal por relacionamentos rompidos, amargura pela maneira como foram tratados, amargura em relação à igreja, amargura pela maneira como outros crentes os trataram. Estão sendo consumidos pela amargura.
Essa água não sacia a sede e não dá vida. A única maneira de vencer a amargura é pela cruz.
Você sabe por que está amargurado? Por favor, ouça-me; não estou atacando você. A razão de você estar amargurado é que tem um ego muito grande. Seu ego — a dignidade dele — foi pisoteado. Seu ego não conseguiu o que queria. Você se sente desvalorizado. Sente que sua imagem foi desfigurada.
Alguns de vocês, mais jovens, talvez não saibam realmente do que estou falando, mas vocês, mais velhos, sabem muito bem. São pouquíssimos os crentes que não têm amargura em sua vida.
A única maneira de tratar a amargura é entregar a sua vida. Se você entregar a sua vida, a amargura será tratada.
Vocês se lembram de outra história em Êxodo? Quando Moisés estava prestes a ir a Faraó, o Senhor lhe disse:
Que é isso na tua mão?
Ele respondeu: “É a minha vara, Senhor”. O Senhor disse:
Lança-a no chão.
Moisés a lançou no chão, e imediatamente ela se tornou uma víbora da areia, a mais venenosa das serpentes daquela parte do mundo. Moisés conhecia muito bem as víboras da areia. Havia passado quarenta anos no deserto cuidando de cabras e ovelhas. Ele fugiu dela.
Então o Senhor disse: “Moisés, volte. Pegue-a pela cauda”. A única coisa que você nunca faz com uma víbora da areia é pegá-la pela cauda. “Queres me matar, Senhor? É isso que estás querendo?”
Ele a pegou pela cauda, e ela se tornou uma vara novamente. Moisés deve ter levado um susto enorme. Havia dormido com aquela vara ao seu lado durante quase quarenta anos. Havia caminhado com ela. Ela tinha sido quase a expressão de toda a sua vida.
“Eu não fazia ideia de que havia uma serpente venenosa nesta vara.” Só quando ele a entregou é que ela, de repente, se revelou.
Quem perder a sua vida por amor de Mim…
Você só descobre o veneno, a serpente que existe na vida do seu eu, quando a entrega. Então, de repente, enxerga sua verdadeira natureza.
Então o Senhor diz: “Pegue-a”. Essa foi a mesma vara que Moisés ergueu sobre o mar Vermelho quando ele se abriu. Foi a vara que ele ergueu sobre a rocha quando dela saiu água. Foi a vara com a qual ele se apresentou a Faraó e realizou milagre após milagre.
Não é impressionante? Havia uma víbora da areia naquela vara, e ele nunca soube. Querido filho de Deus, todos nós temos veneno na vida do nosso eu. Nas circunstâncias certas, esse veneno matará outras pessoas ou matará você. Será uma maldição em sua vida.
Mas, se você a entregar, de repente verá o que ela é e, então, pela graça de Deus, poderá tomar aquela vara, e Deus poderá usá-la.
Uma vida crucificada. Eu poderia continuar falando sobre isso sem parar, mas vocês conseguem perceber que aqui está um segredo. É outro segredo para entrar na plenitude.
Para conhecer a ressurreição, precisamos conhecer a morte Dele. Se quisermos conhecer a plenitude, precisamos saber o que significa ter uma vida entregue.
Isso não é uma ideia fixa de certos irmãos desta comunhão. É uma verdade essencial, fundamental. É um segredo.
Já vivi o suficiente para ver alguns dos irmãos jovens que começaram comigo no Egito se desviarem do caminho. Vi alguns deles se envolverem nas coisas mais extraordinárias. Em cada caso em que houve realização, foi porque uma vida foi entregue. Onde houve desvio, foi porque a vida do eu foi preservada.
Não vista a vida do seu eu com belos termos cristãos. Ela matará você. Deixe o Senhor tratar dela. Não pode haver vida cristã com uma vida do eu cheia de vigor.
Quando o Senhor tomar posse de você em plenitude, haverá tanta alegria e tanto riso — e, se me permitem dizer assim, isso é chocante para alguns. Não há nada como a alegria de uma vida entregue.
Todos dizem: “Ah, é tão terrível. Você precisa estar todo quebrantado, abatido, sombrio e, ainda assim, contente”. É claro que há um lado que é assim, mas não é dessa maneira que vejo uma vida entregue.
Creio que é um espírito de glória que repousa sobre você. A alegria do Senhor se torna a sua força. Há riso em sua boca enquanto você retorna a Sião.
O Senhor não faz isso porque gosta de ver Seus filhos miseráveis — espalhados em pedaços por toda parte, pisoteados, destroçados, infelizes, miseráveis, aflitos. Meus queridos amigos, o que o Senhor deseja para vocês é a plenitude Dele.
O que o Senhor deseja para vocês é uma vida que transborda. O que o Senhor deseja para vocês é poder de ressurreição e graça. O que o Senhor deseja para vocês é uma vida frutífera. Ele quer que vocês estejam cheios da alegria Dele e, no fim, cheios da glória Dele.
Preciso terminar, porque acho que estou me alongando demais. Vou lhes apresentar mais uma coisa: a humildade.
A humildade — a mais rara de todas as coisas. Algumas pessoas parecem tão humildes, mas não são humildes de modo algum. É uma fachada. Você pode projetar toda uma imagem de humildade, mas ela não ser genuína.
Deixem-me apresentar algumas passagens das Escrituras. Lucas 14:11:
Porque todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado.
Pensem nisso. Aqui está uma promessa: se você se exaltar, cairá de cara no chão; e, se você se humilhar, Deus o levantará.
Lucas 18:14 diz:
Todo aquele que se exalta será humilhado; mas aquele que se humilha será exaltado.
Mateus 23:12 diz:
E qualquer que se exaltar será humilhado; e qualquer que se humilhar será exaltado.
Tiago 4:6-10 diz:
Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
Chegai-vos a Deus, e Ele Se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e purificai os corações, vós de ânimo dobre.
Afligi-vos, lamentai e chorai: converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza.
Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará.
Por fim, 1 Pedro 5:5-6:
Sim, todos vós cingi-vos de humildade, para servir uns aos outros: porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele, a seu tempo, vos exalte.
Não é interessante? Sempre somos instruídos a nos humilhar. Se Deus diz em Sua Palavra: “Humilhai-vos”, então, obviamente, é isso que Ele quer dizer. Mas nós sempre esperamos que o Senhor nos humilhe.
A questão da humildade é algo extraordinário. Lembro-me de um homem, anos atrás, que era alguém de muita importância em certa grande organização cristã. Ele teve uma discussão enorme com o presidente da organização. Era um dos principais executivos e me escreveu.
Terminou a carta com estas palavras extraordinárias: “Você sabe que sou um dos homens mais humildes da face da terra”.
Todos nós sabíamos que o problema daquele homem era o orgulho. Ele acreditava que era humilde.
Conheci outro sujeito que aspirava a ser alguém na obra do Senhor. Ele me disse uma coisa, e eu respondi: “Sabe, fulano, essa é uma afirmação muito orgulhosa”. “Ah”, disse ele, “talvez. Mas, sabe, agora sou vinte vezes mais humilde do que era no ano passado”.
É algo extraordinário nos seres humanos. Não fazemos ideia de quem somos. A humildade é algo tão incrível.
Em Isaías 66:1-2, o Senhor diz:
Assim diz o Senhor: O céu é o Meu trono, e a terra é o estrado dos Meus pés: que espécie de casa Me edificareis? E qual será o lugar do Meu repouso?
Porque a Minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas vieram a existir, diz o Senhor: mas para este olharei, para o pobre e contrito de espírito, e que treme da Minha palavra.
Isaías 57:15 diz:
Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita a eternidade, cujo nome é Santo: Habito no alto e santo lugar, e também com o contrito e humilde de espírito.
A humildade é uma chave. Você pode ir a um seminário teológico e passar cinco anos lá. Pode ir a uma escola bíblica e passar três anos lá. Pode fazer um desses cursos bíblicos por correspondência. Não sou contra nenhum desses estudos; por favor, entendam-me.
Você pode participar de tudo isso e ainda assim não chegar a lugar algum, a menos que tenha humildade. Deus nunca revela o que realmente está em Seu coração aos orgulhosos.
Sabe por quê? Ouça: duas ou três vezes isso aparece nas Escrituras — Deus resiste aos soberbos. Se você tiver orgulho no coração e um espírito arrogante, Deus resistirá a você.
Você pode frequentar uma faculdade bíblica e ter Deus resistindo a você durante todo o percurso. É simplesmente a Palavra de Deus; é isso que ela diz. Mas, onde há um espírito humilde, Deus olhará. Deus revelará alguma coisa.
O que significa nos humilharmos, senão começar a olhar para nós mesmos de maneira realista? Pensem. Pensem nisso.
Vou terminar com isto, porque está ligado à humildade. Aqui está outra palavra maravilhosa nas Escrituras. Não é a mesma coisa que humildade, mas está ligada à humildade: mansidão.
Não sei por quê, mas, nos círculos cristãos, sempre se pensou na mansidão como uma característica de alguém sem firmeza, alguém que não tem nenhuma opinião forte, alguém que você pode manipular. “Ah, ele é muito manso. Você pode empurrá-lo de um lado para o outro e fazer qualquer coisa.” O que é a mansidão bíblica?
O livro de Números diz que Moisés era o homem mais manso da terra. Bem, não tenho certeza de que ele se encaixe na ideia comum de mansidão.
Esse era um homem que havia sido um grande herói militar nas campanhas de Faraó na Líbia e na Etiópia, altamente condecorado. Ele chegou a matar um egípcio quando o viu maltratando um dos escravos hebreus. Não parece exatamente manso, parece?
Sim, ele passou quarenta anos no deserto; isso está perfeitamente correto. Mas foi um líder extraordinário. Não se encaixa na ideia comum de mansidão.
O Senhor Jesus disse em Mateus 11:
Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim; porque sou manso e humilde de coração.
O que isso significa? Que você pode manipular o Senhor Jesus? Acho que não.
É muito interessante que, em hebraico, existam duas raízes ligadas a essa palavra, e ambas sejam escritas da mesma maneira. Ninguém sabe qual raiz devemos considerar. Uma significa “estar abatido”, e dela vem toda a ideia de quebrantamento e fraqueza. A outra significa “prestar atenção”, voltar os olhos para alguma coisa.
Pessoalmente, acho que a raiz que significa “prestar atenção” é a chave para a mansidão. Significa que você está disposto a aprender. Você não está tão cheio das próprias ideias e concepções que não possa ser ensinado. Você está disposto a aprender.
Não é interessante? Uma pessoa mansa é uma pessoa que pode ser ensinada. Quarenta anos no deserto, e Moisés saiu de lá como um homem ensinado por Deus — manso.
Você está disposto a aprender? Algumas pessoas não podem ser ensinadas. Acreditam que sabem tudo.
Havia um hino muito infeliz. Na verdade, era um lindo hino, mas tinha este pequeno verso: “Já que eu lhe disse isso antes, e agora sei tudo”. Aquele pequeno verso estragou o hino para mim.
Sou crente há tempo suficiente para ter encontrado muitos cristãos que sabem tudo. Não podem ser ensinados. Não estou dizendo que precisam ser ensinados por mim. Não conseguem aprender com as circunstâncias. O Senhor não consegue ensiná-los por meio de outras pessoas. De uma forma ou de outra, não se deixam ensinar. Isso é o oposto da mansidão.
Mas a humildade e a mansidão são segredos da vida espiritual, da experiência espiritual e do crescimento espiritual.
Que o Senhor tome esses poucos segredos sobre os quais falamos e os escreva em seu coração. Abordei apenas seis nesses dois encontros, mas, se vocês derem atenção a esses seis, posso lhes dizer uma coisa: a vida de vocês será transformada.
Esses são segredos verdadeiros. São chaves para um número tremendo de coisas. Que o Senhor use essas verdades de maneira viva em nossos corações e em nossas vidas.
Se você é orgulhoso, lembre-se: Deus está resistindo a você. Por que não se humilha diante do Senhor? Abaixe-se de verdade, pela primeira vez. Comece a enxergar a si mesmo como realmente é, e então talvez comece a aprender Dele.
Vamos orar.
Senhor, torna isso real para cada um de nós. Livra-nos de uma condenação indevida que possa surgir de qualquer coisa que tenha sido dita. Mas, Senhor, traz uma verdadeira convicção aos nossos corações, para que conheçamos dentro de nós esses segredos da Tua plenitude e do crescimento espiritual.
Senhor, queremos ser transformados à Tua semelhança. Não queremos ser pessoas que apenas crescem em conhecimento, mas que, de alguma forma, estão paralisadas e atrofiadas no crescimento. Senhor, não queremos isso.
Queremos, nestes dias, nos últimos dias deste mundo, ser daqueles que crescem na graça e no conhecimento do nosso Senhor; daqueles que estão sendo transformados à Sua semelhança; e daqueles que estão cheios do espírito de glória e de graça.
Ó Senhor, pedimos que abras os nossos olhos, para que vejamos nosso Senhor Jesus de uma maneira inteiramente nova. Pedimos isso em nome Dele. Amém.