Voltemos a algumas passagens das Escrituras.
Depois destas coisas, veio a palavra do Senhor a Abrão em visão, dizendo: Não temas, Abrão; Eu sou o teu escudo e o teu grandíssimo galardão.
E o levou para fora e disse: Olha agora para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência.
Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em Minha presença e sê perfeito.
E porei a Minha aliança entre Mim e ti e te multiplicarei grandissimamente.
Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: Quanto a Mim, eis a Minha aliança contigo: serás o pai de uma multidão de nações.
E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de uma multidão de nações te tenho constituído.
E te farei frutificar grandissimamente; de ti farei nações, e reis sairão de ti.
E estabelecerei a Minha aliança entre Mim e ti e a tua descendência depois de ti, em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus e à tua descendência depois de ti.
E te darei a ti e à tua descendência depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua; e serei o seu Deus.
Abraão, que é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de muitas nações te tenho constituído; perante Aquele em Quem creu, a saber, Deus, Que vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem.
O qual, em esperança, creu contra a esperança, para que se tornasse pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.
E, sem se enfraquecer na fé, considerou o seu próprio corpo já amortecido, sendo já de quase cem anos, e o amortecimento do ventre de Sara; contudo, diante da promessa de Deus, não vacilou por incredulidade, mas foi fortalecido na fé, dando glória a Deus;
E estando plenamente convicto de que o que Ele prometera também era poderoso para cumprir.
Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.
Ora, não só por causa dele está escrito que lhe foi imputado;
Mas também por causa de nós, a quem há de ser imputado, a nós que cremos Naquele Que dentre os mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor;
O Qual por nossas transgressões foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.
Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.
Permitam-me simplesmente repetir e dizer: o que é oportuno neste momento? Isto é, qual é a mensagem do Senhor para nós agora?
Se vocês examinarem as passagens que acabamos de ler, verão cinco coisas:
A Palavra de Deus nos faz entender que, no fim, Deus terá uma condição de plenitude divina que corresponde à palavra ampliação. No fim, Deus terá as coisas estabelecidas — firmadas. No fim, Deus terá as coisas caracterizadas pela vida.
Mas tudo isso será por meio da fé, provada e aprovada. Reconhecemos que tudo isso nos é apresentado no simbolismo da cidade — a Nova Jerusalém —, vista descendo do céu, da parte de Deus, nos últimos capítulos da Bíblia.
Plenitude divina: tudo levado a uma condição definitiva; estabelecido; pleno; caracterizado pela vida. O rio, a água da vida, simboliza isso. E, conduzindo a esse ponto, ao longo de todo o caminho, está essa questão da fé provada e aprovada.
Ao observarmos o mundo cristão como ele é em nosso tempo, percebemos como essas são as grandes coisas absolutamente necessárias — as grandes necessidades entre os cristãos de hoje.
Precisamos de ampliação espiritual e divina. As coisas são tão pequenas em espírito. Precisamos de estabelecimento espiritual. As coisas são tão frágeis, incertas, variáveis e inconsistentes — sem segurança, sem certeza — entre os cristãos.
Precisamos de vida divina. Como é grande essa necessidade: mais vida, vida divina, vida celestial, uma plenitude maior de vida entre o povo do Senhor.
Embora reconheçamos que essas são necessidades urgentes, creio que todos estamos prontos a admitir que o único caminho para essas coisas é que muitas pessoas sejam realmente testadas, realmente provadas. Não gostamos da ideia, mas é assim. Tudo precisa ser posto à prova, para demonstrar que é verdadeiro e poder ser estabelecido.
Por isso, já estamos muito conscientes de um novo mover de Deus entre o Seu povo para testar as coisas, realmente prová-las e levá-las à maturidade.
Ora, parece que esse tem sido o caminho de Deus para o Seu povo ao longo de todas as eras: provados, testados, aprovados e estabelecidos; para conduzi-los à ampliação, ao estabelecimento e à vida. Esses são os caminhos de Deus — os princípios de Seu trato com o Seu povo.
Isso nos leva, em primeiro lugar, a uma visão abrangente dessa questão, antes de chegarmos à aplicação prática.
A Bíblia pode ser vista de muitos ângulos. Você a toma e a examina de determinado ponto de vista, e tudo o que está na Bíblia parece convergir para aquela única coisa. Pode ser o pecado, o juízo e a condenação. Pode ser a justiça e a vida — outro ângulo.
Ela tem muitos ângulos assim, e cada um deles parece ser abrangente. Basta olhar a Bíblia por outro ângulo, e a mesma coisa parece acontecer novamente. Toda a Bíblia se reúne naquela visão específica do céu. A Bíblia é assim: você pode enxergá-la por inteiro simplesmente mudando um pouco de um ângulo para outro.
Vocês verão como isso é verdadeiro neste exemplo muito claro que temos diante de nós: toda essa questão da ampliação pela vida por meio da fé. Seria muito fácil reunir toda a Bíblia nisso e dizer que é disso que a Bíblia inteira trata. É claro que não é só disso; mas é uma questão muito abrangente.
Ampliação pela vida por meio da fé. Aqueles de vocês que conhecem a Bíblia perceberão imediatamente como isso a atravessa de ponta a ponta.
Suponhamos que mudemos a metáfora e digamos que há um molho de chaves para a Bíblia — um molho muito grande. Cada uma delas parece ser uma chave mestra que abre a Bíblia inteira.
Nesse grande molho de chaves, parece haver três unidas em sua própria argola, por assim dizer. Essas três chaves são fé, vida e ampliação. A fé abre a primeira porta; essa porta conduz à seguinte, que é a vida; e, pela vida, chega-se à próxima, que é a ampliação.
Essas três coisas sempre caminham juntas ao longo da Palavra de Deus. O princípio se torna claro pelo seu oposto: nas Escrituras, a incredulidade sempre resulta em limitação. Você simplesmente não avança mais. Você para — com toda a certeza, para.
Onde há incredulidade, não há ampliação, mas apenas limitação. Portanto, não há vida além daquele ponto — nenhuma vida maior ou mais plena —, porque você não pode separar essas coisas. É sempre assim: essas três coisas estão ligadas umas às outras.
Todas as grandes crises na história do povo de Deus, conforme a encontramos nas Escrituras, apresentam essas três características.
Vocês gostam de começar bem no princípio, em Gênesis 1, com Adão. Ali isso fica perfeitamente claro. Toda a questão do estabelecimento, da ampliação e da vida dependia da fé.
Então ele se recusou a crer em Deus, ou deixou de crer Nele. Aquilo foi uma interrupção completa — um ponto final. Nada mais. Naquele momento, entraram a morte e a limitação, no que dizia respeito a Adão; no que dizia respeito à comunhão com Deus e a tudo o que Deus significava em termos de vida.
Isso dependia de sua fé ou de sua recusa em crer. Se ao menos tivesse crido em Deus, teria havido ampliação, estabelecimento e vida sem restrições, de modo contínuo e incessante.
Vocês prosseguem em Gênesis, de onde selecionamos alguns versículos nesta tarde — dos capítulos 15 e 17 —, e chegam a Abraão.
O Senhor entra na vida de Abraão seguindo essa linha de ampliação, estabelecimento e vida. Essas são as três grandes coisas que nortearam a vida de Abraão. Tudo depende da fé.
Tudo o que Deus diz sobre multiplicação, esse tremendo aumento, essa ampliação e o estabelecimento dele na aliança para sempre — em caráter definitivo —, bem como o maravilhoso princípio da vida, tão evidente no caso de Abraão, quando a morte parecia demonstrar que não havia perspectiva alguma nele mesmo, em Sara ou em toda a situação: tudo isso se apoiava na fé. Ele creu em Deus. Se não tivesse crido, nada disso teria acontecido.
Vocês passam para Êxodo, para a grande crise na vida nacional de Israel — o próprio êxodo, a libertação do Egito. Êxodo 12 coloca diante de nós toda a questão da ampliação: libertação para a ampliação, o estabelecimento, uma condição definitiva, a plenitude e a vida.
Talvez a palavra central em Êxodo 12 seja vida, não é? De um lado, a matança — a morte dos primogênitos do Egito —; do outro, a libertação de Israel para a vida por meio da morte. Essas coisas caminham juntas.
Essa foi a crise, mas tudo dependia da fé em ação: se tomariam o cordeiro, aspergiriam o sangue, cingiriam os lombos e tomariam o cajado na mão. Vejam, tudo isso era uma atitude e uma disposição de crer em Deus. Tudo dependia disso.
Passem para o livro de Números e, através de Números, para Josué; novamente, é a terra que está em vista — a terra da promessa, com tudo o que ela significava para eles historicamente e tudo o que significa em termos tipológicos e espirituais.
O Jordão está entre Números e Josué. Toda a questão da ampliação consistia em sair do deserto, com todas as suas limitações, para aquela amplitude, plenitude e liberdade; para serem estabelecidos na terra.
O deserto nunca teve lugar no pensamento e no propósito de Deus como uma condição permanente. Era apenas uma fase que deveria ser atravessada tão rapidamente quanto a condição espiritual do povo permitisse. Seu pensamento era conduzi-los à terra, e que permanecessem ali para sempre.
O Jordão, transbordando por todas as suas margens e situado entre eles e a terra, fala da morte que precisa ser vencida. Entrar na terra é a vida triunfando sobre a morte. Mas, novamente, tudo dependia da fé. Eles avançariam pela fé?
Uma geração não conseguiu fazer isso e pereceu no deserto; mas outra geração o fez, e entrou na terra. Essas coisas se apoiavam na fé.
Passem para os livros de Samuel, e vocês saem daqueles terríveis quatrocentos anos abrangidos pelo livro de Juízes — o livro mais terrível da Bíblia, a meu ver. Que história dolorosa e vergonhosa de Israel: uma história de horror. É limitação; é incerteza.
Do livro de Juízes para Samuel, o Senhor introduz uma nova condição: ampliação. Isso chega ao seu ponto culminante com Davi e Salomão — a ampliação do reino para além de tudo o que já havia existido; estabelecimento; e vida.
Mais uma vez, tudo se baseia na fé. A fé na mãe de Samuel trouxe Samuel à existência. Não podemos nos deter em todos os detalhes. Mais tarde, é claro, a fé se perdeu, a incredulidade prevaleceu, e novamente houve um retorno à limitação, à escravidão, ao espírito de morte e à incerteza. Tudo depende da fé.
Vocês podem examinar todo o período anterior ao cativeiro e o período posterior ao cativeiro, com o remanescente, e encontrarão essas coisas ligadas umas às outras o tempo todo.
Passem para o Novo Testamento. Essas são as coisas que permeiam os Evangelhos — o cerne do Evangelho. Toda a questão é ampliação, estabelecimento e plenitude de vida. Essa é a questão nos Evangelhos, tudo em Cristo. Agora, a questão é: creiam nisso.
O mesmo é verdadeiro em Atos e em Apocalipse. Essas são as coisas que governam aqueles primeiros capítulos de Apocalipse, nos quais as igrejas estão em vista. É uma questão de limitação espiritual ou ampliação espiritual, de ser estabelecido ou de ter o candeeiro removido de seu lugar.
É uma questão de vida por meio Daquele Que vive, Que esteve morto e está vivo para todo o sempre. Todo o desafio gira em torno dessa questão da vida — se será vida ou morte — e se concentra na única questão da fé.
Assim, vocês chegam às últimas cenas de Apocalipse, e ali encontram essas coisas levadas à plenitude na grande cidade, como representação simbólica da Igreja. Como ela é grande, como é ampla, como é sólida, como está estabelecida e como é viva! Ela é a expressão concreta de uma fé provada, testada e aprovada.
Vejam, toda a Bíblia se reúne nisso, e essa é uma lição tremenda para nós. A Bíblia simplesmente nos diz isto: nossa vida cristã se baseia na Bíblia — na Bíblia inteira.
O que isso pode significar? Significa que nossa vida espiritual diz respeito à plenitude espiritual; diz respeito a sermos estabelecidos para a eternidade, e não arrastados pelo tempo; e diz respeito a toda essa questão da vida divina levada ao triunfo completo sobre o último inimigo, a morte.
O que governa a vida cristã nesses três aspectos que a abrangem é toda essa questão da fé: fé provada, fé aprovada, fé estabelecida, fé aperfeiçoada. Quantas coisas isso explica!
Agora precisamos examinar, por alguns minutos, essas palavras que usamos — os termos que estamos empregando. Talvez, nesta tarde, consideremos apenas essa questão da ampliação.
Podemos usar a palavra alternativa plenitude. Tenho aqui um pensamento especial a respeito dessa palavra ampliação, porque creio que essa é uma questão muito viva neste momento: se o Senhor vai nos ampliar, se seremos ampliados.
A ampliação é um pensamento que governa o agir de Deus ao longo de toda a Bíblia. Vimos que o pensamento de Deus é a ampliação. Deus sempre pensa em termos de ampliação, de crescimento, de uma plenitude final. Deus nunca encontra prazer algum no vazio e na pequenez.
Deus não Se agrada do vazio e sempre reage contra ele. Abrimos nossa Bíblia e, praticamente — embora não literalmente —, a primeira coisa que lemos, depois de termos lido as palavras de Gênesis 1:1:
No princípio, Deus…
é que a terra era sem forma e vazia; ou, se preferirem, desolada e vazia.
A terra estava vazia, e o Espírito de Deus reagia contra aquela condição de vazio. Era como se Deus dissesse: “Esse não é o Meu pensamento. Isso é inteiramente contrário ao que tenho em mente. Sou contra isso e vou fazer algo a respeito”.
Deus deseja que tudo esteja em plenitude divina — isto é, em abundância. Esse é o Seu pensamento para a terra e para as pessoas. Assim, o Espírito de Deus, pairando sobre esse vazio, começa a trabalhar; e cada etapa e fase da atividade divina tem o propósito de encher.
Ele enche a terra com a imensa variedade de vegetais, sementes em abundância e vida dentro das sementes, capaz de produzir e se reproduzir sem cessar. Ele enche a terra com o reino animal. Ele enche o mar e diz, em Gênesis 1:20:
Povoem-se as águas de enxames de seres viventes.
Então, ao criar o homem, Ele diz, em Gênesis 1:28:
Frutificai e multiplicai-vos.
“Sou contra esse vazio, essa ausência de conteúdo.” Então Ele age segundo esse princípio, governado por esse pensamento, e chega a Abraão, dizendo, em Gênesis 22:17:
Multiplicarei grandemente a tua descendência, como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar.
Pois bem, compreendam isso, se puderem — esse pensamento divino que ultrapassa toda a compreensão. Deus sempre pensa em termos de ampliação.
O Senhor Jesus veio expressar os pensamentos de Deus de todas as maneiras práticas. Entre outras coisas que disse, Ele falou de uma grande ceia que foi preparada; os convidados foram chamados, mas não vieram. Apresentaram desculpas.
Então o homem que preparou a ceia disse aos seus servos, em Lucas 14:23:
Sai pelos caminhos e valados e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha.
Vejam, esse é o pensamento de Deus entrando neste mundo: “Para que a Minha casa se encha”.
No Novo Testamento, o dia de Pentecostes é o maior exemplo e a maior expressão desse pensamento divino. Quando o Espírito veio, como um vento impetuoso e forte, Ele encheu toda a casa onde estavam sentados. Depois, Ele encheu cada crente. Testemunhas cheias.
Está muito claro, não é? Esse é um pensamento que governa o agir de Deus: ampliação. Contudo, por outro lado, o Senhor Jesus também disse que é extremamente perigoso estar vazio.
Ele falou de uma casa, referindo-Se a um homem que havia sido possuído por um demônio, um espírito imundo. Descreveu a expulsão do espírito imundo e a casa varrida e ornamentada, mas deixada vazia.
Como nenhum outro ocupante toma posse dela, o espírito imundo volta à sua casa e a encontra vazia. O Senhor diz que ele vai, toma consigo outros sete semelhantes a ele e enche a casa vazia.
É perigoso estar vazio, sem conteúdo. Se Deus não encher, o diabo encherá. Cuidado, meus amigos, com condições negativas, com a falta de uma atitude positiva, com a falta de ocupação espiritual. Cuidado com os vazios em seu coração, em sua mente e em sua vida.
Certo dia, Davi estava no terraço, numa condição de vazio. Na época em que os reis saem para a guerra, ele era rei, e um rei guerreiro; contudo, foi para o terraço em vez de se ocupar de maneira positiva. Estava numa condição passiva, e sabemos a tragédia que lhe sobreveio, da qual nunca se recuperou pelo resto da vida.
É perigoso estar vazio. O diabo cuidará de preencher qualquer espaço que possa ocupar. O Senhor quer encher.
Mas não é apenas tamanho que o Senhor procura; é plenitude. Não é apenas grandeza; é permanência.
A palavra definitiva sobre essa questão na Bíblia é Efésios 3:19:
Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Pensem nisso. Isso é dito aos crentes juntos, em sua vida coletiva, de relacionamento uns com os outros — a Igreja.
Como diz Efésios 1:23:
É a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Pensem nisso: a plenitude de Deus. A plenitude de Deus é Deus entrando de tal maneira que não sobra espaço para mais nada.
Há uma ilustração disso no templo do Antigo Testamento. Quando a nuvem, a glória, encheu o santuário, os sacerdotes tiveram de sair. O Senhor o encheu, e não havia espaço para mais nada nem para mais ninguém. Essa é a plenitude de Deus.
Parece-me que aquela palavra “vazia”, no início de Gênesis, descreve o resultado de um juízo. É claro que isso tem sido muito discutido. Algumas pessoas pensam assim, outras pensam de modo diferente; mas vocês podem examinar a questão de outro ponto de vista, e creio que ele é complementar.
Quando o Senhor enviou Seu povo Israel ao cativeiro babilônico por setenta anos, a terra ficou desolada. A terra caiu numa condição que correspondia, em grande parte, àquela condição do princípio: vazia e desolada.
No caso de Israel indo para o cativeiro babilônico, aquilo foi um juízo — um juízo sobre sua incredulidade e sua idolatria. Assim, a desolação, o vazio, era um juízo. Parece que assim também foi no princípio: claramente como resultado de um juízo sobre uma criação anterior.
Mas qual é o ponto? A questão deve ter sido esta, pois sempre tem sido esta: não se permitia que Deus enchesse todas as coisas. Ou o lugar de Deus era compartilhado com outras coisas, ou Deus era expulso.
O fim deste mundo presente, conforme nos é mostrado no Novo Testamento, será assim. Chegará um momento em que Deus será definitivamente rejeitado por este mundo e não terá lugar nele. Estamos avançando rapidamente para esse tempo.
O resultado será este mundo consumido pelo fogo: juízo, destruição e o fim das coisas. Depois, após um período cuja duração não sabemos, haverá um novo céu e uma nova terra, e todas as coisas serão criadas de novo.
O juízo sempre recai sobre esta única questão: se Deus é tudo e está em todos, ou não. É só isso. A ampliação — a plenitude que corresponde ao pensamento de Deus — se apoia nessa questão de Deus ter o Seu lugar em todas as coisas.
Meus queridos amigos, essa é a base de toda provação da fé. À medida que prosseguimos, Deus torna essa questão cada vez mais direta: se creremos Nele o suficiente para permitir que Ele tenha o Seu lugar nesta situação impossível.
O que queremos dizer com a plenitude de Deus? Não é Deus entrando pessoalmente e preenchendo tudo, mas, certamente, Sua natureza enchendo todas as coisas.
Deus é luz, dizem as Escrituras. Deus é luz. Então, onde Deus está, não há trevas; não há espaço para trevas. Quando Deus entra em plenitude, não há treva alguma. Tudo é luz no Senhor.
O Senhor está agindo nessa direção, queridos amigos, com vocês e comigo: tirar-nos completamente de nossas trevas e levar-nos à Sua luz; isto é, conduzir-nos à luz, como Ele está na luz.
Ele está agindo. Ah, como a fé é um fator nessa questão! Chegar a conhecer o Senhor, entrar na luz do Senhor, alcançar entendimento — qualquer palavra que vocês usem para luz — é ver, é conhecer, é compreender.
Vocês e eu nunca alcançamos sequer uma porção a mais de vida verdadeira — não estou falando de informação; estou falando de vida espiritual — senão pelo caminho da fé provada, da fé realmente testada.
Vocês querem conhecer o Senhor? Querem ter mais do Senhor?
Uma querida mulher, que percebia que se irritava com facilidade e tinha o temperamento difícil, disse a um servo de Deus: “Ah, ore por mim para que eu tenha mais paciência. Preciso mesmo de mais paciência. Ore por mim para que eu tenha mais paciência”.
E o servo de Deus disse: “Muito bem, vamos orar agora”. Então se ajoelharam, e ele disse: “Ó Senhor, por favor, envia mais tribulação à vida desta querida irmã”.
Ela se sobressaltou e disse: “Não, eu não disse que queria isso!”
“Ah”, disse ele, “mas a Palavra diz, em Romanos 5:3”:
A tribulação produz a paciência.
Ah, sim, queremos mais do Senhor, mas nem sempre estamos prontos a seguir o caminho pelo qual Ele nos conduziria para que tivéssemos mais Dele mesmo. Não é assim? O que é a tribulação, senão a provação da fé — colocar-nos em situações nas quais é preciso ter fé em Deus para viver e prosseguir?
Eu estava no oeste dos Estados Unidos, na Califórnia, e um irmão disse: “Vamos visitar alguns dos filhos de Deus”, que estavam a cerca de cem quilômetros de distância, de carro.
Essas queridas pessoas haviam se tornado, de maneira maravilhosa, um verdadeiro exemplo de levar Deus a sério. Depois de um longo dia de trabalho muito pesado — trabalho duro —, vários filhos de Deus se acomodavam num carro, sem sequer terem tido tempo de fazer uma refeição, levavam algo para comer no caminho e percorriam cento e sessenta quilômetros todas as noites para participar de uma única reunião.
Depois da reunião, já bem tarde, voltavam para casa, chegando depois da meia-noite, para estarem novamente no trabalho na manhã seguinte. Isso é levar o Senhor a sério, não é?
Eles insistiram para que fôssemos visitá-los, então saímos pela manhã. Esses queridos filhos de Deus viviam talvez numa das situações mais mundanas, desfavoráveis e espiritualmente impossíveis que vocês poderiam imaginar — o lugar onde moravam todas as estrelas de Hollywood. Não consigo descrevê-lo.
Chegamos lá e encontramos nossos dois amigos vivendo no que eles chamam de trailers — nós os chamamos de caravanas —, num trailer grande, bem no centro de um enorme parque de trailers cheio de pessoas mundanas.
Ao redor deles havia trailers residenciais luxuosos e, ao que me pareceu, uma atmosfera de sensualidade, materialismo e satisfação dos próprios desejos.
Entramos e tivemos uma tarde abençoada com eles nas coisas do Senhor — um tempo preciosíssimo. Passamos a tarde inteira em contato com o céu.
O irmão disse: “Talvez vocês não acreditem, mas há dezesseis cristãos inteiramente dedicados ao Senhor neste parque de trailers. Vou buscar alguém”. Ele foi até o outro lado e voltou trazendo dois queridos filhos de Deus, pessoas idosas e simples.
Sem rodeios nem conversa sobre generalidades, fomos diretamente às coisas do Senhor. Poderíamos ter continuado a noite inteira. Eles ficaram muito tristes por termos de partir. O irmão disse: “Todos nós nos reunimos aqui neste trailer — nós dezesseis — e temos momentos de comunhão muito abençoados”.
Por que estou dizendo isso? O lugar mais improvável da terra — sim, o lugar mais impossível para qualquer coisa verdadeiramente do Senhor, de caráter espiritual — e, no entanto, bem ali estavam pessoas vivendo numa comunhão viva com o Senhor.
Talvez você diga: “Ah, o lugar onde tenho de viver e trabalhar — é impossível ter qualquer vida espiritual ou crescimento espiritual ali. Tudo está contra mim”. Lembre-se disto: o Senhor pode ampliar você em qualquer lugar, se Ele o chamar para estar ali.
Mas o argumento é que a situação é impossível. Pois bem, pensem em Abraão. Pensem em Abraão e no impossível.
Ampliação — não porque tudo fosse favorável, não porque tudo facilitasse as coisas ou ajudasse. Não. Pode haver luz no lugar mais escuro, se o Senhor estiver ali: o crescimento da presença do Senhor.
Quando ouvi falar daquela situação, pensei que aqueles queridos amigos deveriam ser tirados dali. Mas, quando os deixei, mudei completamente de opinião. Não sei se realmente lhes faria bem sair dali.
É isso que os está ampliando espiritualmente. É isso que os faz depender do Senhor. É isso que os faz conhecer o Senhor. Não há nada ali senão o Senhor; tudo o mais é contrário ao Senhor. É somente o Senhor — mas ali estão eles.
É a plenitude de Deus. Isso se expressa em luz, mesmo nas trevas; em amor, pois Deus é amor, num ambiente de ódio; em vida, pois Deus é vida, num ambiente de morte; em santidade, num ambiente de impiedade.
Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Agora, preciso dizer muito mais sobre essa questão da ampliação. Lembrem-se de que esse era o propósito que governava os dons soberanos do Senhor que subiu aos céus, conforme Efésios 4:8, 11-13:
Subindo Ele ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens.
E Ele mesmo deu uns para apóstolos; outros, para profetas; outros, para evangelistas; e outros, para pastores e mestres;
Para o aperfeiçoamento dos santos.
Até que todos cheguemos à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Todo dom divino no ministério tem a plenitude como seu objetivo e seu princípio norteador.
Permitam-me encerrar com isto: a medida espiritual é sempre o critério para saber se algo é de Deus. Não é a medida do conhecimento doutrinário, nem mesmo a medida do conhecimento bíblico. Não é a precisão ou a correção da técnica, da forma e do procedimento. É a medida da presença de Deus.
Podemos ter todas essas outras coisas, e talvez não haja nenhuma medida da presença de Deus. É a medida da presença de Deus que conta — a medida de Deus. Isso é tudo o que importa quando nos reunimos e quando outros se reúnem conosco.