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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Faith unto Enlargement through adversity #4 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Faith unto Enlargement through adversity #4
    Faith unto Enlargement through adversity #4
    Austin-Sparks, T.

    Fé, Ampliação, Estabelecimento e Vida Divina

    Vou ler aqueles versículos da Carta aos Romanos, capítulo 4, que foram colocados no início do nosso período de meditação.

    No final de Romanos 4:16:

    Abraão, que é pai de todos nós,
    como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí,
    perante Aquele no Qual creu, a saber, Deus,
    Que vivifica os mortos
    e chama as coisas que não são como se fossem.

    Observem o tempo verbal, é claro. Não diz que, na grande ressurreição, Ele dará vida aos mortos. Ele está presente e atuante: Deus vivifica os mortos.

    O qual, em esperança, creu contra a esperança,
    para que se tornasse pai de muitas nações,
    conforme o que lhe fora dito:
    Assim será a tua descendência.

    E, sem enfraquecer na fé,
    considerou o seu próprio corpo já como morto,
    tendo cerca de cem anos,
    e a condição morta do ventre de Sara;
    contudo, diante da promessa de Deus,
    não vacilou por incredulidade,
    mas foi fortalecido pela fé, dando glória a Deus,
    e estando plenamente convicto de que o que Ele prometera,
    também era poderoso para cumprir.

    A incredulidade sempre nos faz vacilar. Toda a nossa vacilação vem de uma fé negativa. Mas Abraão foi fortalecido pela fé, dando glória a Deus e estando plenamente convicto de que aquilo que Deus prometera, Ele também era poderoso para cumprir.

    Pelo que também isso lhe foi imputado como justiça.

    Ora, não foi escrito somente por causa dele que isso lhe foi imputado;
    mas também por nossa causa,
    a quem será imputado, a nós que cremos Naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor,
    O Qual foi entregue por causa das nossas transgressões
    e ressuscitado para a nossa justificação.

    A Relação da Fé com a Ampliação, o Estabelecimento e a Vida

    A palavra que rege este nosso tempo juntos é fé. Estamos sendo conduzidos a perceber a relação da fé com três coisas.

    Primeiro, a fé em relação à ampliação. Temos observado que todo o propósito de Deus para o Seu povo é ampliá-lo até a Sua própria plenitude. “Toda a plenitude de Deus” é a expressão que indica o pensamento de Deus a respeito do Seu povo.

    Mas cada novo avanço em direção à ampliação, ou cada nova etapa dessa ampliação, acontece por meio de um novo desafio à fé — a fé sendo provada de uma maneira nova, como nunca antes. Pela fé há uma ampliação maior, e não há ampliação, não há aumento da plenitude divina, de nenhuma outra maneira. As Escrituras mostram isso do começo ao fim.

    Segundo, a fé em relação ao estabelecimento. Vimos novamente o pensamento de Deus de ter as coisas estabelecidas: em um estado de estabilidade, perseverança e firmeza; algo consistente, algo profundamente enraizado, fundamentado e inabalável.

    Deus trabalha nessa direção para eliminar todos aqueles elementos presentes em nós que nos tornam pouco confiáveis, incapazes de suportar peso e assumir responsabilidade; para nos levar a uma condição em que estejamos estabelecidos em Cristo.

    Mas cada parte dessa obra — confirmar, estabelecer, enraizar e fundamentar — está ligada a uma nova prova da fé, à comprovação da fé. Cada nova prova faz nossas raízes descerem e se firmarem mais profundamente. É pelo caminho da fé provada que nos tornamos estabelecidos.

    Onde não há teste, provação ou adversidade, somos fracos e pouco confiáveis. Assim, vemos isso novamente por todas as Escrituras: Deus está avançando para que as coisas sejam firmadas e correspondam à Sua própria natureza — eternas, permanentes, duradouras. A Bíblia inteira mostra que isso se realiza pela fé.

    Terceiro, a fé em relação à vida. É disso que vamos tratar um pouco mais tarde, nesta tarde, talvez com uma palavra final sobre a própria fé.

    A Centralidade da Vida nas Escrituras

    A fé em relação à vida. Mal preciso percorrer as Escrituras com vocês para mostrar como essas duas coisas caminham juntas. Muito nos virá à mente à medida que prosseguirmos, mas apenas lhes recordo este fato conhecido: a Bíblia começa com a árvore da vida e termina com a árvore da vida. Essa é a grande questão do começo ao fim.

    Em certo sentido, como dizíamos ontem, a Bíblia trata inteiramente dessa questão da vida, repetidas vezes.

    Assim como nas outras duas coisas — ampliação e estabelecimento —, vemos que Deus não nos deixou nenhuma dúvida quanto ao Seu pensamento sobre esse assunto. Ele tornou perfeitamente claro que o Seu pensamento é vida, e vida em plenitude.

    O Senhor Jesus, ao vir a este mundo, com uma das mãos alcança lá atrás, o princípio, e com a outra alcança adiante, os séculos dos séculos. Ele ocupa essa posição, e sobre esse fundamento e propósito que Ele mesmo declarou:

    Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

    Vida, e vida abundante.

    Aquelas outras duas coisas de que falamos — ampliação e estabelecimento — estão inseparavelmente ligadas a essa mesma questão da vida. Toda ampliação que Deus realiza acontece pela vida.

    Isso, é claro, fica muito evidente quando consideramos a parábola da criação e da natureza. Voltem ao princípio, em Gênesis. Deus trata do vazio, da desolação e da ausência de conteúdo que caracterizavam este mundo, tal como o encontramos no início da Bíblia. Deus trata disso em termos de vida.

    Em cada esfera, a Sua plenitude — a Sua plenitude crescente — se desenvolveu pelo caminho da vida. Digo que aí está uma parábola da maneira de Deus agir. O crescimento e a plenitude no povo de Deus, na vida cristã, sempre se dão em termos de vida.

    Quando Deus acrescenta, é sempre mais vida. O resultado de toda a obra de Deus é este: há mais vida do que havia antes.

    Assim, progressivamente, por meio de crises e etapas, Deus avança com o Seu povo — onde Ele pode, onde permitem que Ele atue, onde não vacilam por incredulidade — em direção à Sua plenitude final, com base em uma vida que aumenta constantemente.

    O mesmo é verdade em relação ao estabelecimento: confirmar, tornar as coisas estáveis, sólidas e profundas. Essa obra de estabelecer também está sempre relacionada à vida: confirmar na vida, fortalecer na vida.

    O elemento essencial dessa vida é a sua eternidade. Um aumento de vida é sempre uma indicação de que algo mais profundo foi realizado no coração.

    Sair de alguma condição de incerteza, pela vitória da fé em uma crise, em uma experiência difícil e sombria, significa simplesmente que há mais vida. Só isso. É assim todas as vezes: mais vida. Estamos experimentando e desfrutando mais vida.

    A Vida como Fundamento do Estabelecimento Espiritual

    A vida é a base para nos tornarmos mais firmes. Há muitas pessoas que pensam que são outras coisas que levam à consolidação, ao estabelecimento, à certeza e à segurança. Mas, quando examinamos a questão, não é assim de modo algum.

    Você não se torna estabelecido por receber muito mais ensino, muito mais informação, mesmo sobre as coisas divinas. Você nem sequer se torna espiritualmente estabelecido por conhecer melhor a sua Bíblia. Isso não significa que não deva fazê-lo, ou que isso não seja necessário.

    Mas o verdadeiro estabelecimento consiste em a vida se tornar conhecida em nossa percepção interior. A resposta é esta:

    Este é o testemunho: que Deus nos deu a vida eterna.

    O testemunho não é uma forma de ensino, uma interpretação da verdade ou um sistema de pensamento. Essas não são as coisas centrais.

    O testemunho não é nenhuma dessas coisas:

    Este é o testemunho: que Deus nos deu a vida eterna.

    Ser estabelecido significa conhecer constantemente o aumento da Sua vida.

    Sendo essa a ligação entre essas três coisas, porque elas invariavelmente caminham juntas, vamos considerar algumas das evidências de Deus. De modo abrangente, é claro, a evidência de Deus é a vida. A evidência de Deus é a vida. O testemunho de Deus é a Sua vida.

    Não preciso me desviar do assunto para dizer que a evidência de Deus não é a morte, nem muitas outras coisas. A evidência de Deus é a vida.

    A Árvore da Vida como Critério Divino

    Voltemos àquele critério original no simbolismo do princípio: a árvore da vida.

    Está perfeitamente claro, não está, que a árvore da vida — aquilo que ela representava e simbolizava — concentrava toda a questão de Deus continuar ou não com o homem, de o homem continuar ou não com Deus, de o relacionamento permanecer intacto ou não.

    A evidência de Deus foi colocada ali. Ora, evidentemente, ela representava outra vida, diferente daquela que o homem já possuía. Isso está perfeitamente claro.

    Deus havia criado os seres vivos: as águas repletas de criaturas vivas, o ar cheio de criaturas vivas e a terra cheia de criaturas vivas e de vegetação viva. Então Deus soprou nas narinas de Adão o fôlego de vida, e ele se tornou alma vivente.

    O homem já possuía, como todos nós possuímos por natureza, essa vida que chamamos de vida natural. Mas foi depois de conceder esse tipo de vida, e depois de o homem ter se tornado alma vivente, que Deus apontou para a árvore da vida e fez dela a questão de vida e morte.

    Não era a vida que já estava no homem que constituía a questão de vida e morte, porque o homem não perdeu aquela vida que estava nele quando desobedeceu. A árvore evidentemente representava e simbolizava uma vida inteiramente diferente, além daquela que Deus já havia soprado nele: uma outra vida.

    A morte, portanto, passou a significar duas coisas. Em primeiro lugar, significou uma mudança no homem tal como ele era. Embora continuasse sendo um ser animado por um longo período de anos, uma mudança aconteceu nele.

    Não é necessário analisar essa mudança. Pela desobediência, ele se tornou diferente, até mesmo em seu próprio ser natural.

    Por outro lado, perdeu o seu direito a essa outra vida, adicional e verdadeiramente real, representada pela árvore. Ele nunca chegou a herdá-la; nunca chegou a possuí-la. Perdeu o seu direito a ela.

    Isso lança alguma luz sobre estas palavras a respeito do Senhor Jesus:

    A todos quantos O receberam, deu-lhes Ele o direito de se tornarem filhos de Deus.

    É apenas outra maneira de dizer: o direito a essa outra vida de Deus, que vem por sermos gerados por Deus. Adão perdeu o direito a essa vida pela desobediência e pela incredulidade. O direito a essa vida é restaurado pela fé no Senhor Jesus.

    Isso é muito simples e muito elementar.

    O Engano da Vida Natural Separada de Deus

    Satanás disse:

    Certamente não morrereis.

    Essa foi a afirmação categórica:

    Certamente não morrereis.

    Além da ruptura de comunhão com Deus, da qual tinha conhecimento, causada por sua desobediência em razão da incredulidade, Adão provavelmente não tinha consciência do que havia acontecido.

    Certamente não morrereis.

    Muito bem: crendo no diabo em vez de crer em Deus, ele agiu.

    Contudo, um véu cobriu a face de Deus, e veio uma sombra, em lugar de luz, clareza e comunhão. O homem continuou vivendo. Não morreu por completo ali, naquele momento. Continuou vivendo, e continuou vivendo por bastante tempo.

    Continuou crescendo, desenvolvendo-se, multiplicando-se. Estão vendo? Houve uma tremenda ampliação, segundo a sua espécie, a partir daquele homem: o grupo, seus filhos, a família, a tribo, a raça — desenvolvimento e ampliação em todos os sentidos.

    Parecia muito que o diabo estava certo:

    Certamente não morrereis.

    Deus estava errado, e o diabo estava certo. Mas o que aconteceu?

    Entrou no homem um engano profundo e terrível — uma ilusão —, uma vida falsa, uma vida em cujo âmago está a morte.

    Isso certamente foi se manifestando, e ainda está se manifestando. Todo o crescimento alcançado, todo o desenvolvimento e toda a ampliação dessa espécie nas coisas deste mundo — no âmago de tudo isso estão a amargura e a desilusão. No fim, na melhor das hipóteses, há vazio e desilusão.

    Para que serviu tudo isso? Qual é o sentido de tudo isso?

    As pessoas que mais possuem e não têm Deus são sempre as mais insatisfeitas. Isso é verdade. As pessoas que mais possuem e não têm Deus são as pessoas mais insatisfeitas deste mundo.

    Abundância Material e Insatisfação Espiritual

    As evidências disso estão por toda parte. Como eu dizia ontem, acabo de voltar de uma parte do mundo onde até o último capricho e desejo é satisfeito. Tudo o que a alma humana poderia desejar parece estar disponível.

    Considerem as coisas naturais. Lá, onde estive, no sul da Califórnia, vocês veem hectares e hectares, quilômetros e quilômetros das mais belas frutas. Colhi cestos das toranjas e laranjas mais bonitas que vocês poderiam imaginar.

    Meu amigo, em cuja propriedade de cultivo de frutas eu estava hospedado, disse: “Sabe, a abundância é tão grande que, para manter algum mercado, centenas e centenas dessas frutas belíssimas são jogadas numa vala, e despejam cinzas sobre elas para que ninguém as pegue e tente comercializá-las”.

    Pessoas pobres que gostariam de ter um pouco dessa abundância são privadas dela para preservar algum tipo de mercado. A abundância é tão grande.

    É assim não apenas nas coisas naturais — frutas e outras coisas desse tipo —, mas também nos prazeres. Muitas vezes, numa só família, há três ou quatro carros. Todos os filhos têm um carro.

    E poderíamos continuar. Vocês sabem o que a palavra Hollywood significa. Ali está o que há de mais, mais recente em todo tipo de criação humana. Vocês podem ver tudo isso lá.

    No entanto, há agitação febril, inquietação, atividade incessante, incerteza e ansiedade. O maior hospital do mundo fica ali, em Los Angeles, e quatro mil casos são atendidos todos os dias. Em um país assim, onde todo recurso de ajuda está ao alcance da mão, o que significa tudo isso?

    É a pressão da vida, a tentativa de dar conta da vida.

    Fiquei hospedado em um bairro residencial muito bonito. Tudo era muito agradável. Passei por uma casa após outra, todas vazias, e perguntei ao meu amigo: “O que significa isso?”

    Ele disse: “Todos que vivem num raio de muitos quilômetros desta cidade estão vivendo como se estivessem à beira de um vulcão, por causa dessa questão da bomba atômica. Todos estão se mudando para o mais longe que conseguem, porque pensam que, a qualquer momento, a bomba atômica pode ser lançada sobre eles”.

    Uma vida em tensão, com tudo o que se possa imaginar para provê-la: pressão, tensão, medo e medo. Ah, não exagerei a diferença, porque não conseguiria. Basta ir até lá para ver.

    Aqui está um exemplo do que quero dizer. Quanto mais os homens possuem, mais insatisfeitos ficam. Quanto mais você dá a essa vida, mais ela toma, mais exige e mais insatisfeita se torna. Ela consome tudo num instante.

    Nada disso consegue durar. Não dura. Essa é a vida que Satanás deu em lugar daquela outra vida.

    Você e eu podemos ter muito pouco neste mundo, nada que se compare àquele cenário californiano, e, ainda assim, ter o Senhor Jesus e estar satisfeitos em nosso coração. Essa questão da diferença é algo muito prático.

    Mas, vejam, o diabo disse:

    Certamente não morrereis.

    E Adão aceitou isso e seguiu por esse caminho. Ah, Deus estava errado; o diabo estava certo; ele estava vivo. E foi isto que essa escolha fez dele: uma vida falsa, vazia no âmago, que nunca atende à verdadeira necessidade do homem — uma zombaria.

    O fruto parece bonito, pendurado nas árvores, mas há veneno, há um engano oculto nessa vida.

    A Vida Encontrada em Cristo

    Mas, naquela vida representada pela árvore — a outra vida —, tudo é exatamente o contrário. Ela não tem absolutamente nada a ver com coisas. Tem tudo a ver com uma Pessoa.

    Essa vida não se desgasta. Ela resiste bem ao tempo. Ela permanece.

    Não é como a outra, mantida apenas por respiração artificial e estimulantes. Como essas coisas são artificiais! Essa vida é sustentada por uma fonte viva e não exige estimulantes, nada artificial, para mantê-la.

    Isso nos examina profundamente. Isso é muito importante: termos plena certeza de que essa realidade se concretizou em cada convertido; de que não há ilusão nem engano, mas de que eles realmente se tornaram, de modo definido e seguro, participantes dessa outra vida, que não exigirá uma sucessão constante de estimulantes externos.

    Quando todas as coisas exteriores falham, ela continua. Esse é o teste. Esse será o teste. É algo muito importante.

    A Ilusão da Reputação Religiosa

    Essa ilusão pode entrar na religião, e esse é o lugar onde o diabo mais gosta de tê-la: uma ilusão.

    O Senhor tinha algo a dizer a uma igreja sobre essa mesma questão. Ele disse a Sardes:

    Tens nome de que vives e estás morto.

    Uma reputação de vida, uma reputação de estar vivo — e, no entanto, morto. Os olhos de chama enxergam através da reputação, do nome, da condição falsa.

    Não seria difícil, é claro, retratar o que isso seria, como isso seria, como seria uma igreja assim. Não precisamos nos deter nisso. Há muitas coisas que têm aparência de vida, que parecem vida, que as pessoas chamam de vida, mas não são vida.

    Como eu disse, elas exigem que se apliquem estimulantes externos o tempo todo para manter tudo funcionando. Aquilo que o Senhor chama de vida é, de fato, algo inteiramente diferente.

    As Características da Vida Divina

    Renovação Perene

    Quais são algumas das características dessa vida, dessa vida divina? Em primeiro lugar, um frescor perene. Ela é chamada de “novidade de vida”.

    Andemos nós em novidade de vida.

    A palavra “novo”, em nossa língua inglesa, tem por trás de si duas palavras gregas. Uma significa algo que nunca existiu antes; a outra significa algo inteiramente renovado.

    Essa vida, é claro, é algo que ninguém jamais possuiu fora de Cristo. Mas a sua característica é o frescor. Ela está livre do toque da terra.

    Há uma maldição sobre esta terra. Esta terra está na morte; está sob juízo. Tudo o que pertence a ela está sob juízo. Se esta terra toca em alguma coisa, toca nela com a morte.

    Mas essa vida da qual estamos falando é completamente livre do toque da terra e livre do toque da mera natureza humana. Ela é fresca, e, para preservar o seu frescor, exige ser mantida longe desta terra e longe do toque do homem.

    Essa tem sido a questão o tempo todo, não é? A vida de Deus chega, maravilhosamente preciosa e maravilhosamente bela. Então o homem precisa tomar posse dela de alguma maneira, colocá-la no seu molde, conduzi-la segundo as suas ideias, organizá-la e montar uma estrutura para ela.

    Não demora muito para que aquilo já não conserve o seu frescor. É tocado por algo que lhe tira o viço e, com o passar do tempo, envelhece.

    Deus não tem interesse em nada que seja velho. Muitos de vocês, alguns dos seus pais, são mais velhos do que eu, mas ainda assim digo isso.

    Deus só Se interessa por aquilo que procede Dele e está vivo em nós; e o Seu interesse é mantê-lo fresco até a velhice e os cabelos brancos. Se a vida de Deus é o princípio pelo qual estamos vivendo, ainda há frescor — ainda há frescor.

    Mas devemos manter as mãos do homem afastadas, e devemos manter a terra longe. Não devemos rebaixar essa vida ao nível terreno. Ah, o homem tem um hábito terrível de querer tomar posse da vida de Deus e administrá-la. Isso matou mais obras de Deus do que qualquer outra coisa.

    Surge um maravilhoso mover do Espírito; o homem assume o controle, coloca-o dentro da sua estrutura, sob o seu domínio e sob a direção da sua comissão. Muito bem, o Senhor Se retira, e aquilo já não conserva o frescor da Sua vida.

    Frescor e novidade são características da vida de Deus.

    Novos Recipientes para a Nova Vida

    Há a botija nova. Considerem a história de Eliseu e das águas impróprias de Jericó, com a esterilidade e a morte que resultavam da falta desse elemento vital na água.

    Trazei-me uma botija nova e ponde nela sal.

    As águas foram saradas. Pentecostes é a contrapartida disso: a igreja como a botija nova, com a vida dentro dela, diante de toda a morte deste mundo.

    A novidade de vida exige novos recipientes. O Senhor Jesus apontou precisamente para esse princípio quando disse:

    Ninguém deita vinho novo em odres velhos.

    Loucura! Vocês vão perder tudo se fizerem isso. Perdem tudo.

    Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha.

    Deus não faz isso. Para Ele, tudo precisa ser novo e fresco. Somos cidadãos da nova criação.

    Poderíamos continuar. Procurem a palavra “novo” no Novo Testamento, e ficarão surpresos ao ver como ela abrange tudo. Tudo é novo onde essa vida está.

    Produtividade Orgânica

    Uma segunda característica dessa vida é a sua capacidade de produzir, ou produtividade. Esse é o método de Deus para o crescimento, como dissemos: é o método da vida.

    Há toda a diferença entre acrescentar de fora — por agregação — e crescer de dentro. Esse é o princípio de Deus: o princípio orgânico do crescimento e da multiplicação pela vida que vem de dentro.

    É realmente assim que acontece. A vida produz vida, e a vida produz organismos segundo a sua própria espécie. A semente tem vida em si mesma para reproduzir a planta adulta cem vezes mais. A característica dessa vida é a sua produtividade.

    Ora, isso é, em primeiro lugar, um testemunho; também é um teste. Se há vida, haverá crescimento. Não há dúvida alguma, porque crescer é uma lei da vida.

    Isso também é um teste. É um desafio. Se não há crescimento — nenhum crescimento —, então há algo errado na questão da vida.

    Se você e eu não estamos dando fruto, se não estamos realmente no caminho do crescimento, então é melhor examinarmos essa questão da nossa vida. Isso é inevitável; é incontornável, porque é espontâneo.

    Deve haver produtividade. Onde há vida, há reprodução — a menos, é claro, que contrariemos a vida, atravessemos o seu caminho de alguma maneira e obstruamos a fonte. Então a nossa frutificação fica impedida.

    Inesgotabilidade e Incorruptibilidade

    Essa vida se caracteriza por ser inesgotável. Não há fim; não há esgotamento. Ela continua. Como dissemos, ela não envelhece. Nós podemos envelhecer, mas essa vida em nós não envelhece. Ela simplesmente continua. É inesgotável.

    Por fim, é uma vida incorruptível. Porque é a vida de Deus, ela é incorruptível.

    Na Bíblia, a vida corresponde ao sal. O simbolismo da botija nova e do sal dentro dela é simplesmente o recipiente com a vida de Deus em seu interior. A presença dessa vida se opõe à presença da corrupção, onde quer que ela seja encontrada.

    A Vida Divina como Resposta à Corrupção

    Essa, é claro, é a grande realidade no Livro de Apocalipse, naqueles primeiros capítulos que contêm as mensagens desafiadoras às igrejas. Era, e é, um tempo de decadência espiritual.

    Vocês examinam essas mensagens e veem os nomes dados à decadência: corrupção espiritual, influência satânica, Jezabel, o ensino de Balaão, ensinando Israel a pecar. Aqui está a corrupção.

    O desafio a esse estado de corrupção é indicado, em primeiro lugar, pela declaração do próprio Senhor:

    Eu sou Aquele que vive; estive morto,
    mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos.

    É como se Ele estivesse dizendo: “É segundo esta vida incorruptível que Eu avalio vocês. Com base nesta vida incorruptível, que vence a morte, Eu os confronto em sua corrupção”.

    O sentido da mensagem é este: se vocês tivessem a vida vibrante e triunfante, nenhuma dessas condições existiria. Essas condições de corrupção se devem ao fato de que algo deteve a vida e colocou essa questão em evidência.

    Vencer, eliminar toda a corrupção, é uma questão de vida.

    Falso ensino: o corretivo para a heterodoxia não é a ortodoxia. Vou mudar a palavra: o corretivo para o modernismo não é o fundamentalismo. O corretivo para o erro é a vida.

    É isso que a Escritura diz. O corretivo para o erro é a vida. Assim acontece nas sete igrejas. Havia falso ensino, e João, que escreveu Apocalipse, também escreveu as suas cartas, vocês sabem, aproximadamente na mesma época.

    As suas cartas também tratam de erro, declínio, corrupção, anticristo e de tudo o mais. Mas a grande palavra de João — em seu Evangelho, em suas cartas e em Apocalipse — é vida.

    Todo estudo dos escritos de João leva a essa conclusão. Ele começa o seu Evangelho:

    Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.

    Essa é a nota dominante do Evangelho do começo ao fim, até a ressurreição.

    As suas cartas mantêm essa nota o tempo todo:

    Este é o testemunho: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho.
    Quem tem o Filho tem a vida.

    Então vocês começam Apocalipse com:

    Eu sou Aquele que vive.

    Ou:

    Eu sou o Vivente.

    Vocês terminam Apocalipse com a árvore da vida, a água da vida e o rio da água da vida. Tudo trata da vida, mas tudo é apresentado em um tempo de corrupção.

    A resposta à corrupção é a vida divina. Não é argumentação. É vida.

    O Discernimento Espiritual por Meio da Vida

    Essa vida é algo que só pode ser apreciado e compreendido por aqueles que a possuem. Os outros, que não a possuem, podem ver o seu efeito ou o seu fruto, mas não a compreendem de modo algum.

    Eles podem dizer: “Bem, essas pessoas têm algo de que eu não sei nada. Não compreendo isso de modo algum. Não sei o que é. Elas parecem felizes com tudo isso, mas certamente sou um estranho a tudo isso”.

    Ou talvez isso não os afete de modo algum. Entram em um lugar onde há vida abundante e saem sem serem tocados. Não a compreendem nem a apreciam.

    Mas você e eu compreendemos. Os outros que possuem essa vida a apreciam e a compreendem. Não conseguimos explicá-la a outra pessoa. Na esfera natural, podemos explicar o que é a vida natural, mas ninguém consegue explicar como é essa vida divina. Nós a conhecemos.

    Se estamos espiritualmente vivos — realmente espiritualmente vivos, vivos para Deus, vivos no Espírito —, entramos no meio de outros filhos de Deus e sentimos algo.

    Pode ser que sintamos falta de vida, ausência de vida: algo aqui não está vivo; há algum impedimento à vida aqui. Ou, por outro lado, podemos perceber a presença da vida.

    Essa capacidade, essa habilidade de apreciar e compreender, é o guia do povo do Senhor. É a nossa inteligência espiritual.

    Sentimos que há algo errado aqui. Por que sentimos que há algo errado? Por que dizemos que há algo errado aqui? Porque não sentimos a vida. Não percebemos a vida. Há algo que não está vivo. Não é isso?

    Muito bem, então estamos sensíveis ao fato de que há algo errado. Essa é a nossa inteligência, e esse é o nosso guia.

    O que é? O que é?

    Creio que foi exatamente isso que Paulo encontrou em Éfeso, quando encontrou aqueles discípulos. Eram discípulos, e haviam recebido um ensino muito rico que Apolo podia oferecer, porque aquele homem era poderoso nas Escrituras e lhes dava muito ensino bíblico.

    Quando Paulo chegou, foi como se dissesse: “Há ensino aqui, e vocês professam ser discípulos do Senhor, mas o que há com vocês? Há algo cuja falta eu sinto aqui”.

    Recebestes o Espírito Santo quando crestes?

    O Espírito Santo é o Espírito de vida. Paulo percebeu a ausência do testemunho da vida, mesmo com todo aquele ensino bíblico. Esse foi o seu guia, e isso o levou a identificar precisamente a situação para esclarecê-la.

    Essa vida é algo muito prático, algo que nos dá direção. Ela opera de tantas maneiras que não vou tentar apontar todas, mas vocês percebem o princípio.

    A Fé como Caminho para uma Vida Mais Plena

    Todo avanço realizado pelo Senhor, como dissemos — a ampliação e o estabelecimento que o Senhor realiza —, segue esse caminho da vida. Tudo é governado por isso.

    Estamos pensando bastante em Abraão. Ainda há mais a dizer sobre ele, mas aí está: cada novo avanço em direção à ampliação, à consolidação e ao aumento de vida veio por meio de uma nova prova da fé.

    Tudo repousa sobre essa questão de a fé ser provada. Você e eu passamos por períodos em que a nossa fé está sendo severamente provada, realmente posta à prova. Procuremos, ou peçamos ao Senhor que nos ajude, ajustar-nos a essa realidade.

    Isso não é para a morte, mas para a vida. Isso não é planejado nem permitido pelo Senhor para pôr um fim. É permitido pelo Senhor para nos levar a uma vida mais plena.

    Se ao menos pudéssemos ter essa atitude, tiraríamos dos tempos sombrios e dos tempos difíceis o seu poder mortal e os transformaríamos no próprio terreno em que entramos em novidade de vida, por meio de novas vitórias da fé.

    A fé é o caminho para a vida por meio da provação, do teste, do sofrimento e da adversidade.