Ao retomarmos nossa atenção à mensagem de Isaías 60, há apenas duas observações preliminares que quero fazer neste momento.
Em primeiro lugar, se há alguém que não esteve conosco nesta manhã, permitam-me dizer que talvez fique um pouco confuso, a menos que deixemos bem claro que, em grande parte das Escrituras do Antigo Testamento, há um duplo significado. Há aquilo que é histórico e se relaciona principalmente com Israel e seu futuro; e há aquilo que está por trás da mensagem a Israel, que é a mensagem mais ampla para o povo de Deus, em sentido espiritual, para o presente e para o futuro.
Não vamos discutir isso novamente, mas, nesta tarde, estamos tratando da segunda dessas interpretações. Não estamos espiritualizando tudo o que é histórico a ponto de fazê-lo desaparecer; estamos vendo que o histórico possui um significado espiritual que não é histórico, mas eterno.
A outra coisa que quero dizer dá continuidade à última palavra desta manhã. Vamos usar novamente a palavra igreja, e veremos que as coisas que estão sendo ditas dizem respeito à igreja e se relacionam com ela.
Agora, neste grupo relativamente pequeno, há pessoas que vêm de muitos lugares. Alguns não ficam muito longe; provavelmente vocês voltarão para lá. Outros vêm de lugares mais próximos ou mais distantes, entre esses pontos afastados.
Se, nos lugares onde vivem, vocês estão dispersos, e muitos são apenas indivíduos isolados ou grupos de dois ou três, talvez haja, em algum canto indefinido da mente, enquanto me ouvem falar, este pensamento: “Bem, isso é para a igreja. Ele está falando sobre a igreja. Tudo isso diz respeito à igreja. Mas eu sou apenas alguém sozinho em algum lugar, ou somos somente dois ou três num lugar remoto. Não podemos ser considerados a igreja. Portanto, até certo ponto, dificilmente tudo isso pode se aplicar a nós”.
Sinto que é necessário dizer uma palavra para corrigir isso. A melhor maneira de fazê-lo é lembrar vocês das últimas cartas de Paulo, dirigidas principalmente à igreja e tratando dela. Ele não as escreveu para um único grupo de cristãos em determinado lugar. Tampouco as escreveu apenas para vários grupos grandes ou assembleias. Elas eram para todos os cristãos, quer estivessem reunidos em grupos, quer estivessem dispersos e sozinhos; e assim têm permanecido desde então.
Paulo pensava em todos os crentes de maneira abrangente e inclusiva, e simplesmente os chamava de igreja — nada mais. Talvez estivessem aqui e ali, ou em muitos lugares, apenas um ou dois, ou pequenos grupos; ou talvez houvesse assembleias maiores. Mas, para ele, todos eram a igreja, e aquilo que tinha a dizer se aplicava a todos.
Por essa razão, como enfatizaremos daqui a pouco, naquele momento ele nunca os considerava, em última análise, como estando na terra. Havia se afastado completamente das condições terrenas, no que dizia respeito à geografia e ao tempo, daquilo que era meramente físico; e estava vendo a igreja do ponto de vista de Deus e do céu.
Assim, toda essa questão de dispersão, de lugar e de posição individual, não entrava em consideração, a não ser desta maneira: cada fragmento, onde quer que estivesse, era parte do todo, tal como este existe no céu. Portanto, tudo se aplicava a cada fragmento.
O valor prático disso, queridos amigos, é este: como disse nesta manhã, todos nós, onde quer que estejamos e por mais sozinhos que possamos estar, estamos envolvidos em tudo aquilo em que a igreja está envolvida. Você pode estar sozinho num lugar remoto; ainda assim, está ligado a tudo o que diz respeito à igreja — ao que a igreja está conhecendo, ao que a igreja está sofrendo e àquilo para o qual a igreja é chamada. Você está ligado a isso. Está dentro disso. Não está separado disso, seja qual for a sua situação.
É necessário que vocês compreendam isso e levem essa compreensão consigo, dizendo: “Estou aqui, aparentemente sozinho, ou com mais uma pessoa, neste lugar remoto, e sou tão parte do todo — a igreja — quanto aquele grupo em determinado lugar, ou qualquer outro grupo”. Bem, é isso que significa.
No Espírito e na esfera celestial, vocês estão sempre na congregação inteira da igreja. Talvez não vejam os demais; talvez não desfrutem dos benefícios pessoais adicionais da convivência com todos os outros na terra; mas estão na igreja inteira, onde quer que estejam — são parte da congregação.
Vejam, temos chegado:
À universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus.
— Hebreus 12:23
Isso não se referia apenas a algumas pessoas em determinado lugar, nem a uma grande multidão num só lugar. Refere-se a todos os filhos de Deus. Todos nós temos chegado à universal assembleia e igreja dos primogênitos.
Portanto, o que dissermos nesta tarde não deve ser considerado algo dito a um corpo imaginário chamado “igreja”, como se isso significasse alguma coisa distante. É dito a todos nós, onde quer que estejamos.
Agora, tendo dito isso, voltemos à mensagem que recebemos por meio de Isaías 60:
Levanta-te, resplandece; porque vem a tua luz,
e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti.
— Isaías 60:1
Já dissemos bastante sobre o fundamento e a natureza dessa luz. Agora prosseguimos para fazer a pergunta e, até certo ponto, procurar respondê-la: que luz é essa? Qual é a luz que veio e a glória que nasceu?
Não hesito em dizer, de maneira abrangente, que é aquilo que veio de modo peculiar e particular por intermédio do apóstolo Paulo. Sei, naturalmente, que essa luz veio por meio de outros, mas a plena luz a respeito da igreja — o Israel espiritual — veio por meio de Paulo.
Ela está reunida, acumulada e concentrada em seu ministério mais pleno e concentrado, expresso em suas últimas cartas. As cartas de Paulo escritas na prisão — isto é, suas cartas sobre a igreja — são, sem dúvida, a luz que Deus concedeu a respeito da igreja e para ela.
Essa é a luz que nasceu, e essa é a glória que veio. Essas duas palavras são características daquelas últimas cartas: luz e glória. Não apenas as próprias palavras estão ali, mas a verdade está ali.
Ah, a luz! Vocês não encontram uma luz como essa em nenhum outro lugar da Bíblia. De fato, ficamos admirados com esse homem. Considerem sua abrangência: a luz brilhando até a eternidade passada; a luz brilhando até a eternidade futura; a luz brilhando sobre esta dispensação. Como é grande essa luz!
E, quanto à glória, novamente ela é uma palavra característica; é um elemento característico, não é?
A Ele seja glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
— Efésios 3:21
Que glória surgiu por meio desse ministério! E encontro consolo ao dizer que essa não é toda a luz que veio, nem toda a glória; mas, em seu pleno esplendor, ela veio por esse canal.
Bem, vamos considerar isso. Em primeiro lugar, trata-se de luz e glória a respeito do chamado da igreja para ser o instrumento da ressurreição do Senhor.
Essa é uma afirmação que aparece logo no início da carta aos Efésios. Lembrem-se: aqui Paulo está tratando da igreja. Em outros lugares, ele trata do indivíduo, referindo-se à união individual com Cristo na morte e na ressurreição. Essa é a mensagem particular aos coríntios, por exemplo, porque ali ela diz respeito, em grande medida, à conduta e ao caráter pessoais.
Mas, quando chegamos a essas últimas grandes cartas, especialmente Efésios e Colossenses, o pensamento de Paulo é, o tempo todo, coletivo. Quando ele se refere a sermos vivificados juntamente e ressuscitados juntamente, está falando da igreja. É uma igreja vivificada e ressuscitada e, como tal, é o instrumento da ressurreição — o instrumento do poder da ressurreição de Cristo.
Naturalmente, não pode haver igreja sem indivíduos, e todas essas coisas têm sua aplicação pessoal. Assim, o apóstolo diz que essa luz que veio, que nasceu sobre nós — essa glória que apareceu a respeito da igreja — tem o propósito de nos fazer conhecer:
Qual a sobre-excelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder,
que manifestou em Cristo, ressuscitando-O dos mortos.
— Efésios 1:19-20
Isso é para a igreja, incluindo todos os indivíduos. A própria igreja é um instrumento da ressurreição, destinada a expressar concretamente a suprema grandeza do Seu poder.
Nenhum de nós individualmente, nem qualquer número de nós como indivíduos separados e sem relação uns com os outros, pode conhecer a suprema grandeza do Seu poder, assim como não podemos conhecer qualquer outro aspecto de Sua plenitude. Mas é mais fácil perceber como a igreja — a grande companhia dos eleitos ao longo de todas as eras, em sua peregrinação e em sua guerra, com tudo o que teve e tem de enfrentar, e com tudo o que se levanta contra ela — precisa da suprema grandeza do Seu poder para ser levantada e tirada de tudo isso, livre e emancipada, e estabelecida na esfera celestial.
Mas aqui está. Aqui está a luz que veio, a glória que nasceu: a igreja, meus queridos amigos — você e eu, onde quer que estejamos como parte dela —, por essa iluminação, é levada a saber que somos o instrumento da ressurreição; isto é, da suprema grandeza do Seu poder.
Não sei como essa verdade toca vocês. Não creio que esteja trazendo muito consolo, porque todos parecem muito abatidos.
Mas, se vocês tivessem estado comigo nas últimas semanas e visto a situação terrível e desoladora dos cristãos — sua limitação e fraqueza espiritual, tudo o que se dispõe a mantê-los nessa condição e quão pouco há que possa mudar isso —, chegariam muito perto de onde cheguei: a um ponto de desespero quanto a essa questão.
Permitam-me dizer aqui que esta conferência está nascendo da minha experiência. Cada parte desta conferência está muito próxima da minha própria experiência, nascida dos últimos meses.
Se vocês realmente conhecessem a situação da igreja neste mundo, a situação dos cristãos, as circunstâncias desesperadoras, a limitação e a falta daquilo que os levaria a uma plenitude maior no Espírito, talvez até levantassem a grande pergunta: Deus realmente pretende ter uma igreja em plenitude? Não estamos, na verdade, tentando algo impossível? Não nos comprometemos com algo que não pode existir? Isso não vai se desfazer e fracassar? Afinal, será mesmo isso o que Deus quer?
A resposta é: a luz foi concedida. A luz foi concedida. Ela veio. Essa luz significa que é isso o que Deus quer. E, bendito seja Deus, porque Ele o quer, o poder está disponível; e é o poder da ressurreição.
Talvez estejamos querendo tudo de uma vez. Talvez estejamos impacientes. Mas Deus há de ter isso. Foi concedida a visão da igreja cheia de glória no final. A luz veio. É assim que será, em sua plenitude e glória finais. Deus não será derrotado, e a igreja é o próprio instrumento, ou a esfera, do poder da ressurreição.
Você e eu conheceremos isso na medida em que nos apropriarmos dessa verdade pela fé — de que somos parte disso e estamos sobre esse fundamento. É ali que permanecemos. Passaremos a desfrutar desse poder da ressurreição, e ele operará em nós onde quer que estejamos.
Essa é a luz que foi concedida: o chamado da igreja para ser o instrumento da vida e do poder da ressurreição. Portanto:
Levanta-te, resplandece; porque vem a tua luz,
e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti.
— Isaías 60:1
Agora, como vocês reconhecem, essa foi a primeira coisa que dissemos nesta manhã a respeito dessa luz: aqui, em Isaías 60, temos o outro lado do cativeiro, o outro lado, por assim dizer, de uma sepultura. Tendo atravessado a sepultura do exílio e tendo sido chamados a se levantar sobre o fundamento da ressurreição, a palavra é: “Vem a tua luz”.
Portanto, vejam, essa luz está ligada à ressurreição. E assim a carta aos Efésios começa com isso:
E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.
— Efésios 2:1
E nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.
— Efésios 2:6
A suprema grandeza do Seu poder é para nós, tal como se manifestou na ressurreição do Senhor Jesus.
Então, a segunda coisa a respeito dessa mensagem de Isaías, que encontra seu cumprimento espiritual nesse ministério de Paulo, é que a igreja é chamada para ser o instrumento da luz — a luz para todos, para as nações.
Nesta manhã, vimos como essa luz atua, como sua eficácia é demonstrada neste capítulo, que impacto tremendo ela exerce até os confins da terra e como as nações começam a afluir em direção a essa luz. A imagem ali é de um movimento em direção à luz — como ela é eficaz!
Onde isso se torna perfeitamente claro, senão nesse ministério de Paulo: que a vocação da igreja é ser o instrumento e o veículo dessa luz?
A luz que Paulo apresenta em sua grande oração é luz para a vida:
Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais.
— Efésios 1:18
Vocês conhecem o desdobramento gradual dessa luz. Que plenitude maravilhosa ela possui! Quantos raios há nessa luz em sua oração! Quanta coisa deve ser conhecida por meio desse Espírito de revelação, que abre os olhos do coração!
A igreja é definitivamente chamada para ser — e isso significa você e eu — o instrumento da luz. Se as pessoas desejam ver e desejam conhecer, o Senhor transmite conhecimento por meio de nós. Elas o encontrarão entre o povo do Senhor.
Isso não é verdade de maneira geral, mas este é o chamado da igreja: onde quer que as pessoas estejam realmente buscando conhecer a verdade, conhecer o Senhor, entrar na luz, o Senhor tenha um instrumento por meio do qual essa luz possa brilhar.
Isso é tanto um desafio quanto uma declaração de fato. É algo de que, creio eu, precisamos nos apropriar como fundamento. Vejam, essa é a intenção de Deus; portanto, deve ser possível. Por isso, o Senhor provê aquilo que deseja.
Não há razão para que qualquer um de vocês, queridos filhos de Deus, deixe de ser um veículo de luz para os outros, se está permanecendo pela fé na realidade desse chamado e dessa vocação celestiais. De fato, não ser esse veículo é falhar em seu chamado.
Agora, há luz suficiente para que outros a vejam por meio de vocês. Não estou pensando especificamente em vocês andando por aí com sua Bíblia, tentando transmitir luz às pessoas, mas em serem a luz. A igreja deve ser a luz que veio. Todos nós devemos ser luz no Senhor.
A grande obra do inimigo é tentar introduzir trevas e sombras, trazendo essas trevas e sombras por qualquer meio que esteja ao seu alcance. Se ele conseguir eclipsar a luz que a igreja é chamada a ser, terá alcançado grande êxito. Em larga medida, ele tem feito isso, e está sempre tentando.
O estranho é que, tão logo surge qualquer coisa — diferença, desacordo, divisão —, o inimigo se ocupa intensamente em destruir, dessa maneira, o testemunho da igreja como testemunho de luz.
No entanto, queridos amigos, é algo muito bendito realmente contemplarmos, considerarmos e compreendermos que, dadas as condições necessárias, pode haver uma luz que se irradia, como neste capítulo, até os confins da terra, e as pessoas vêm até ela.
Como disse nesta manhã, as pessoas afluem porque há algo para o qual afluir, algo que responde à necessidade. Ah, que o Senhor nos coloque nessa posição em que as necessidades estejam sendo atendidas o tempo todo, até os lugares mais distantes!
Então, a próxima coisa neste capítulo, como apontamos, é a riqueza à qual se faz referência. Provavelmente, ou talvez, vocês tenham examinado o capítulo novamente sob esse aspecto e reconhecido várias declarações sobre riqueza — de modo que o mundo inteiro parece ser enriquecido a partir de toda parte.
Isso não é uma fantasia da imaginação. Não, queridos amigos, é algo para o qual o Senhor realmente fez provisão, porque Ele chamou um povo para estar aqui nesta terra, onde quer que esteja, e ser canal de enriquecimento para os outros em todas as direções. Por meio desse povo, riquezas espirituais devem fluir.
Agora vocês veem como isso é verdadeiro no ministério de Paulo, não é? Que riquezas nos foram reveladas por meio dele! Ele próprio estava maravilhado com a riqueza à qual havia sido conduzido. Exclamava: “Ó profundidade das riquezas!” Falava das riquezas insondáveis de Cristo e nos concedeu luz a respeito de grande parte dessa riqueza.
Examinem novamente seu ministério desse ponto de vista, com esse pensamento em mente. Que riqueza existe aqui! Deveríamos ser pobres? Deveríamos estar num estado de penúria espiritual? Deveríamos viver de tal maneira que fosse difícil conseguir o necessário para sobreviver? Deveria ser esse o nosso estado, ou o estado da igreja, como infelizmente acontece em grande medida?
Ou deveria ser assim, à luz de toda essa riqueza — essa riqueza insondável e inesgotável que veio somente por meio desse homem? Considerem isso novamente.
Certamente vocês conhecem suficientemente esses instrumentos de luz em suas cartas para perceber que estão sendo levados a águas que ultrapassam sua profundidade. A expressão neste capítulo, em Isaías 60, é:
A abundância do mar se tornará a ti.
— Isaías 60:5
É uma expressão que sugere, como talvez nenhuma outra pudesse sugerir, quão vastos são os recursos que Deus revelou.
Se vocês leram nesta semana sobre o retorno dos peixes à costa leste deste país, a pesca foi tão grande e imensa que os barcos pesqueiros tiveram de esperar durante horas, porque não havia lugares para atracarem. Tantos já haviam chegado que simplesmente não conseguiam dar conta, e a enorme quantidade de peixes teria de ser devolvida ao mar.
Bem, afinal, isso é apenas um pequeno ponto nesta terra — um mero microcosmo do todo. Não se pode dar conta do conteúdo do mar e da abundância do mar. Mas é exatamente isso, na verdade.
Venho tentando dar conta disso há metade de quarenta anos, e ainda tenho consciência de que estou quase submerso nesse mar. Quero dizer: cada vez que vocês se aproximam disso no Espírito, percebem que ainda está além do seu alcance.
Vocês conseguem abarcar a maravilhosa luz a respeito dos desígnios de Deus antes que este mundo existisse? Conseguem abarcar tudo o que se diz aqui sobre o que haverá nos séculos dos séculos, inteiramente além de nós?
Mas, dessa plenitude, dessa plenitude, você e eu somos chamados a ser enriquecidos por amor aos outros. A igreja é chamada a participar dessa riqueza. Como deveríamos ser ricos!
Peçam ao Senhor, se não compreendem isso, que abra seus olhos para a herança que possuem em Cristo. A igreja é chamada para ser o instrumento da ressurreição, o instrumento da luz que veio e o instrumento da riqueza que foi revelada.
E, de maneira muito clara, tanto em Isaías 60 quanto nessas cartas de Paulo, trata-se de uma questão de governo. Há algo aqui — apenas percebam a imagem:
E as nações caminharão à tua luz,
e os reis, ao resplendor que te nasceu.
— Isaías 60:3
Em resumo, vocês terão poder e autoridade para governar. Aqui estão os reis, aqui estão os governantes, aqui estão todas essas pessoas que supostamente ocupam uma posição de autoridade e governo, e todas estão se curvando diante do seu povo. Bem, isso é uma autoridade superior.
Há alguma coisa a esse respeito nas cartas de Paulo? Há, não é?
Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia.
— Efésios 1:21
Sim, até mesmo acima dos principados e potestades, dos dominadores deste mundo de trevas e das hostes espirituais da maldade. A igreja é chamada a essa posição.
Temos muito a aprender a respeito desse lugar e desse poder — nossa posição espiritual de autoridade para governar. O que estamos dizendo aqui é que parte da luz que Paulo nos mostrou e trouxe consiste nisto: esse é o lugar da igreja segundo o pensamento de Deus. Esse é o nosso lugar: uma posição de autoridade no governo espiritual.
Como? Em Cristo. Ah, que conhecêssemos mais disso na prática! Mas aí está. Que deixemos de tentar incessantemente e passemos a compreender que isso não é algo a que devemos subir por meio de esforço. Fomos conduzidos a esse lugar por Cristo.
Ele nos fez assentar juntamente com Ele nos céus. Ele nos ressuscitou e nos colocou muito acima de tudo. Esse é o nosso lugar por direito.
Creio que há uma coisa que você e eu precisamos aprender — embora devamos ter muito cuidado com isso, pois outras pessoas se envolveram em dificuldades justamente nessa questão e desenvolveram toda uma fraseologia e outras coisas relacionadas a ela. Ainda assim, não devemos nos deixar afastar por esse tipo de coisa.
Uma coisa que precisamos aprender é como, ao orarmos juntos, em nossos momentos de oração, quer sejamos dois ou três, quer grupos maiores, realmente ocupar nosso lugar de autoridade e governo. Estamos o tempo todo suplicando e implorando, rogando e procurando alcançar, lutando e tentando nos apoderar das coisas; e muito raramente assumimos a posição que é nossa em Cristo para governar situações e forças espirituais.
Aqui somos chamados a isso de maneira espiritual — não por meio do tom, do orgulho, da linguagem, de expressões ou de vozes. É uma posição espiritual, mas envolve um exercício definido e positivo que devemos realizar juntos, como igreja: autoridade sobre outras autoridades que estão atuando neste universo.
Então, mais uma coisa, ao encerrarmos por enquanto. Vocês percebem a universalidade das coisas no capítulo 60 de Isaías — como seu alcance é sempre amplo, como é abrangente:
Teus filhos virão de longe,
e tuas filhas se criarão ao teu lado.
— Isaías 60:4
As nações, as nações da terra — isso é muito abrangente e extenso, não é? Esse ministério, o valor dessa luz, tem um alcance tão amplo. Quando chegamos ao ministério de Paulo, bem, aqui estamos. Isso não é algo apenas para uns poucos num canto qualquer, ou em vários cantos. Há algo para todos, algo para todos.
Ah, que Deus nos livre do exclusivismo! Que Deus nos livre de aprisionar aquilo que Ele concedeu aos nossos pequenos círculos e a pequenos grupos aqui e ali. Que Deus nos faça saber que Ele nos colocou bem no meio do universo, bem no meio das nações, e que nos concedeu o suficiente para todo o Seu povo.
Precisamos vigiar constantemente essa questão, para não reservarmos as coisas a determinadas pessoas que gostam desse tipo de ensino. Não, não. Essa luz foi concedida para todos, e precisamos nos precaver cuidadosamente contra tudo o que nos impede de ver que o caminho do céu está aberto a todos e que essa luz está disponível para todos.
Pois a luz da igreja é universal; isto é, ela é para todos e em toda parte. E há luz suficiente — suficiente —, porque não vamos perder nada. Certamente, não ficaremos sem recursos se ampliarmos nosso alcance a todo o povo do Senhor.
Nosso próprio crescimento em amplitude acontece quando nosso coração se amplia para acolher o povo do Senhor. Portanto, sejam cuidadosos e vigilantes contra aquilo que é sempre a tendência das pessoas que recebem luz: reservá-la para certos círculos estreitos, mantê-la nesses âmbitos limitados.
Ah, lembrem-se sempre de que ela não é apenas para as pessoas que a viram e responderam a ela. Para ser preciso, vocês sempre encontrarão muitos entre o povo do Senhor correndo o risco de interpretar as coisas dessa maneira. Dizem: “Nós vimos a luz, temos a luz e saímos por meio da luz que recebemos. Essas outras pessoas, bem, estão onde estão. Estão nisto e naquilo, e não estão na luz”.
O efeito disso é a divisão. Isso destrói justamente aquilo para o qual a igreja existe. Não, a luz é para todos, assim como o amor é para todos. É para todos. Mantenham o coração aberto. Mantenham o coração e a mente abertos.
É impressionante quantas pessoas realmente famintas e cheias de anseio existem justamente onde não há luz. Precisamos estar sempre atentos para que a luz esteja disponível a todas elas.
Creio que essa advertência é muito necessária. Ah, que nosso coração se amplie, porque o Senhor não faz Seu sol brilhar apenas sobre os bons. A luz beneficia pessoas muito más. Pessoas muito perversas recebem benefícios do sol.
Não, Ele não diz: “Somente as pessoas boas terão o Meu sol”. Não, ele está disponível para todos, e precisamos mantê-lo assim. Se a luz veio, a glória nasceu e ela é como o sol, então é como o sol para todos.
E temos surpresas, não é? Ah, temos surpresas. Para minha vergonha, digo que já tive algumas surpresas espantosas. Algumas pessoas — quero dizer, mulheres com uma dureza aparente, com tudo aquilo que faria você recuar e manter distância —, quando você entra em contato com elas e começa a conversar, descobre um coração faminto, faminto.
Isso não é exagero. Não é ficção. É verdade. Surpresas: como corações famintos, corações necessitados, estão escondidos por trás de coisas que nos afastariam!
Precisamos manter a luz disponível para todos e nunca nos deixar afastar. Falei de coisas físicas, mas há também outras coisas — coisas eclesiásticas, religiosas, denominacionais, qualquer coisa que vocês queiram mencionar. Não se deixem afastar. Não se deixem colocar de lado.
Não permitam que sua luz seja negada a ninguém por causa dessas complicações. Talvez vocês pensem que alguém não compreende plenamente o pensamento do Senhor; ainda assim, mantenham-se abertos a todos. Vocês estarão no caminho das surpresas e encontrarão respostas maravilhosas à luz, vindas de lugares muito inesperados, se tão somente a tornarem disponível.
Ah, a luz, a luz, é para todos. É uma luz universal. Isto é, está disponível; deve estar disponível para todos. A luz é algo amplo — algo amplo, a luz.
Portanto:
Nunca mais te servirá o sol para luz do dia,
nem com o seu resplendor a lua te alumiará;
mas o Senhor será a tua luz perpétua,
e o teu Deus, a tua glória.
— Isaías 60:19
Isso é algo muito maior do que os corpos naturais que emitem luz, não é? Como o Senhor é grande! Como o Senhor é grande! Nosso sol é grande por iluminar e aquecer a terra inteira — ao menos, às vezes, é capaz de fazê-lo. Quanto mais o Senhor!
A glória do Senhor nasceu sobre você. Não a guarde para si. Não a aprisione em nenhum compartimento.
Levanta-te, resplandece; porque vem a tua luz,
e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti.
— Isaías 60:1