Faze para ti duas trombetas de prata; de obra batida as farás; e te servirão para a convocação da congregação e para a partida dos arraiais.
E, quando as tocarem, toda a congregação se congregará a ti à porta da tenda da congregação.
Mas, quando tocarem uma só, então a ti se congregarão os príncipes, os cabeças dos milhares de Israel.
Quando tocardes alarme, partirão os arraiais que estão acampados da banda do oriente.
Mas, quando a segunda vez tocardes alarme, então partirão os arraiais que estão acampados da banda do sul; alarme tocarão para as suas partidas.
Porém, quando se houver de congregar a congregação, tocareis, mas sem soar alarme.
E os filhos de Arão, os sacerdotes, tocarão as trombetas; e a vós vos serão por estatuto perpétuo nas vossas gerações.
E, quando na vossa terra sairdes à guerra contra o adversário que vos oprime, também tocareis alarme com as trombetas; e perante o Senhor, vosso Deus, haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos.
Semelhantemente, no dia da vossa alegria, e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos e sobre os sacrifícios das vossas ofertas pacíficas; e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o Senhor, vosso Deus.
Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? Isto é, a trazer do alto a Cristo.
Ou: Quem descerá ao abismo? Isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.
Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração: esta é a palavra da fé, que pregamos.
A saber: Se, com a tua boca, confessares a Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
Porque a Escritura diz: Todo aquele que Nele crer não será confundido.
Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam.
Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Como, pois, invocarão Aquele em Quem não creram? E como crerão Naquele de Quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?
E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam boas-novas de coisas boas!
Até as coisas inanimadas que emitem som, seja flauta, seja harpa, se não fizerem distinção nos sons, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a harpa?
Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?
Quero dar uma palavra muito simples — uma palavra que, para muitos de vocês, talvez pareça muito elementar —, mas baseada nessas duas trombetas de prata sobre as quais lemos no livro de Números.
Em primeiro lugar, quero falar aos cristãos; depois, dirigir uma palavra a muitos que talvez não se considerem cristãos. Primeiro, então, uma palavra aos cristãos sobre as trombetas e seu significado para nós.
Penso que fica perfeitamente claro, quando reunimos as passagens do Novo Testamento e aquelas palavras do Antigo Testamento, que o Senhor tem algo a dizer, e Ele quer que Seu povo saiba o que Ele tem a dizer. O Senhor tem dado voz, e continua dando voz, ao Seu pensamento.
Bem, esse, é claro, é o primeiro e mais simples significado de uma trombeta: ela dá voz. Há muita coisa sobre trombetas na Bíblia. De fato, a palavra aparece cerca de cem vezes na Bíblia, e isso é impressionante, porque significa que Deus tem algo a dizer, a anunciar, a tornar conhecido por meio de Sua Palavra.
Deus é um Deus que fala, que torna Seu pensamento conhecido às pessoas. É por aí que começamos.
Isso tem uma aplicação muito definida e imediata para nós que somos o povo do Senhor e somos chamados a ser Suas testemunhas. Vamos olhar para as duas trombetas.
Primeiro, sabemos de que material elas eram feitas: eram feitas de prata. Vocês, cristãos, sabem muito bem, como parte até mesmo de seu conhecimento bíblico de jardim de infância, que, na Palavra de Deus, no simbolismo do Antigo Testamento, a prata é um tipo ou símbolo da redenção.
Não vou reunir todas as provas de que isso é assim, mas sabemos que é assim. A prata nos fala de redenção. Portanto, as trombetas são o meio de proclamar a redenção, de tornar conhecida a redenção que há em Cristo Jesus.
Mas isso também nos diz que ninguém pode ser uma trombeta sem ser redimido. Elas são a expressão concreta dessa própria verdade: a redenção. Somente pessoas redimidas podem falar por Deus. Somente pessoas redimidas podem dar voz ao pensamento de Deus.
Isso, é claro, é muito elementar, mas não é universalmente reconhecido ou admitido. Antes de podermos falar ou proclamar a mensagem da redenção, precisamos ter a redenção na própria constituição do nosso ser. Precisamos conhecer a redenção na vida, na experiência. Precisamos ser redimidos.
Permitam-me dizer — e nem todas as versões deixam isso claro, mas a minha deixa, e a minha é a certa:
De obra batida as farás.
Ora, vocês sabem o que isso significa, de maneira simples. A coisa é moldada a martelo. É trabalhada no íntimo do coração. Isso significa que há uma experiência muito real, profunda e completa naquilo de que temos de falar.
O Senhor não nos confia simplesmente algo para dizer. O Senhor trabalha isso em nós antes de nos permitir falar, se de fato vamos ser Seus mensageiros. Ele Se empenha em fazer com que esse padrão seja gravado a martelo em nosso próprio ser.
Sem conhecermos profundamente o que significa a redenção — e isso às vezes significa que o martelo e o cinzel precisam fazer cortes profundos em nós —, não podemos falar com realidade. É obra batida; é obra trabalhada. É algo muito real.
Queridos amigos, essas coisas, segundo o pensamento de Deus, devem caracterizar todos os que desejam ser mensageiros de Deus para os outros. Isso precisa ser trabalhado em vocês.
Posso dizer que, embora isso não esteja expresso aqui, trata-se de um processo contínuo. Só expressaremos verdadeiramente Deus, transmitiremos Deus, seremos capazes de falar de Deus e por Deus, e de comunicar aos outros o pensamento e a intenção de Deus, na medida em que isso for trabalhado em nós.
Se vocês receberam apenas um pouco e só permitiram que o Senhor os levasse até certo ponto, essa será exatamente a medida do seu testemunho e da sua capacidade real de transmitir o que Deus quer que seja transmitido. Deixemos Deus fazer essa obra em nós de maneira muito completa.
Sinto realmente que, por mais simples e elementar que isso seja, é algo muito importante a dizer.
Talvez haja pessoas aqui nesta noite que realmente vieram ao Senhor, que poderiam dizer que são salvas. Entregaram o coração ao Senhor; permitiram que o Senhor entrasse em seu coração, seja qual for a maneira de expressar isso. Houve aquele encontro inicial com o Senhor pelo qual vocês passaram a pertencer a Ele.
Isso aconteceu, mas vocês só avançaram até certo ponto. Ainda há coisas que não foram alcançadas pela redenção que há em Cristo Jesus. A redenção só avançou até certo ponto; não tocou algumas coisas em sua vida.
Vocês ainda têm certos vínculos. Ainda têm certos prazeres, certos interesses. Ainda têm alguns ídolos de algum tipo. Vocês são cristãos, sim, mas só avançaram até certo ponto; agora não foram além, e não estão indo além. Estão simplesmente parados.
Toda aquela grande plenitude que Deus tem para vocês está suspensa porque, bem, vocês só foram até certo ponto. Vocês pertencem ao Senhor, mas não estão permitindo que o Senhor trabalhe a plenitude da redenção em sua vida.
A redenção é algo muito abrangente. A redenção não começa e termina simplesmente com sermos salvos do juízo e do inferno, termos a certeza do céu, recebermos o perdão dos nossos pecados e passarmos a pertencer ao Senhor. Ah, isso é apenas uma parte — uma parte grande, importante e valiosa —, mas, afinal, à luz de toda a redenção que há em Cristo Jesus, é apenas uma coisa muito pequena.
Há muito mais. Essa redenção precisa aplicar-se a tudo e tocar tudo, até que estejamos inteiramente sobre o fundamento da redenção. Tudo deve estar sobre esse fundamento.
Tomem uma ilustração da vida de Israel. Vocês se lembram de quando foram redimidos por Deus da escravidão no Egito. O Senhor trabalhou de tal maneira, tão completamente, tão radicalmente, que não permitiria, como está escrito:
Nem uma unha ficará no Egito.
Ele aplicou essa questão da redenção até à última unha do último animal que eles possuíam. Sua intenção era uma redenção completa, sem deixar nada de fora. Ela abrangia tudo o que eles eram e tudo o que possuíam.
Foi porque aquela geração de israelitas não permitiu que esse princípio fosse trabalhado neles — o princípio que Deus havia estabelecido daquela maneira objetiva — que eles não entraram no pleno propósito da redenção nem ocuparam a grande terra da promessa.
Ora, tudo isso é uma ilustração. Foi verdadeiro na história, mas ilustra a vida espiritual: isso precisa ser trabalhado — obra batida —, trabalhado em nós de maneira completa e exaustiva, se vamos desfrutar de todos os benefícios da redenção.
Assim, embora possamos, em certo sentido, dizer: “Sou redimido”, precisamos poder dizer: “Estou continuamente sendo redimido”, avançando na redenção, aplicando-a a tudo.
Agora, o ponto é este: somente na medida em que isso é trabalhado em nós, como povo do Senhor, temos um testemunho real. Vocês não podem ir, no testemunho, falando aos outros, além daquilo que é verdadeiro em seu próprio ser. Portanto, é obra batida; é algo trabalhado em nós.
Então, mais uma vez, de maneira simples, as trombetas são duas — duas trombetas de prata. Qual é o significado disso? Por que duas?
Mais uma vez, muitos de vocês, estudantes da Bíblia, podem responder à pergunta tão bem quanto eu. Portanto, observemos isto: na Bíblia, havia uma exigência legal. O depoimento de uma só pessoa nunca era aceito.
Era necessária, requerida e exigida a confirmação de uma segunda testemunha confiável antes que qualquer coisa fosse aceita. A lei dizia:
Pela boca de duas testemunhas será estabelecida toda palavra.
Para o nosso propósito nesta noite, isso significa o seguinte: nosso testemunho precisa ser confirmado, estabelecido e corroborado. Isto é, precisa ser algo que tenha provas suficientes a seu favor.
Dois é sempre o número do testemunho suficiente. É o mínimo irredutível de Deus. Podem unir-se quantos mais houver, mas nunca menos de dois. Deus exige que a coisa seja comprovada, confirmada e se firme sobre essa base dupla.
Agora, vocês, estudantes da Bíblia, vão se lembrar de outras coisas: as bases de prata sob as tábuas do tabernáculo, por exemplo — duas para cada tábua. É assim. Deus quer que tudo seja estabelecido, confirmado, ratificado e seguro; sem qualquer dúvida a respeito.
Se você e eu vamos transmitir, no testemunho ou no ministério, alguma coisa de Deus, ela precisa ser absolutamente segura, absolutamente verdadeira — nenhuma teoria, nenhuma suposição, nenhum “Eu acho”, nenhum “Minha ideia é esta ou aquela”, mas: “Eu sei. Eu sei”.
Isso é algo que, para mim, está inteiramente fora de dúvida. Vejam, é disso que o apóstolo Paulo trata na passagem que lemos sobre a trombeta não dar um som incerto:
Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?
Se o instrumento é indefinido, quem sabe do que se trata? Receio que muita coisa seja assim. As pessoas realmente não sabem do que se trata. Não têm muita certeza sobre esses cristãos, sobre a posição deles. Não têm muita certeza de que os próprios cristãos saibam onde estão.
Há indefinição e incerteza demais em muitos cristãos. O ponto que quero destacar, queridos amigos, é que, como povo do Senhor e como testemunhas do Senhor, precisamos ser muito firmes e ter muita certeza.
Precisamos ser daqueles que não deixam ninguém com qualquer dúvida a respeito dessa questão. Ela está confirmada; está estabelecida; e as pessoas sabem que nós sabemos do que estamos falando. Como isso é necessário, não é, na vida cristã?
Não deve haver nada fraco, incerto ou indefinido em nós. Tudo deve ser confirmado e estabelecido. Portanto, são duas: é um testemunho; é confirmado.
Agora, o propósito dessas trombetas: a convocação de uma assembleia. Lemos que isso é algo que reúne o povo do Senhor, que estabelece os vínculos, a unidade, a comunhão e a solidariedade do povo do Senhor.
Isso é algo que une. A influência e o efeito de nossa vida não devem ser dispersar, desintegrar ou dividir. Devem unir em Cristo. Reunir o povo do Senhor é um grande ministério.
Posso ouvir esta trombeta soando:
Congregai o Meu povo a Mim, aqueles que fizeram Comigo uma aliança por sacrifício.
Reúnam-nos.
Tenhamos cuidado para que a influência de nossa vida e de nosso ministério não seja o contrário. Deve ser uma influência que consolida, fortalece os relacionamentos e reúne. Mudando a metáfora para a de uma obediência que traz cura: reúnam o povo.
Além disso, as trombetas diziam respeito à ordenação da vida e do movimento do povo do Senhor. Há, de fato, uma necessidade muito grande desse tipo de ministério — o ministério que ajuda as pessoas a saber que caminho seguir, o que devem fazer, e lhes dá uma direção real para a vida.
Ele lhes torna conhecido qual é o propósito de Deus e qual é o objetivo de Deus. Agora, é muito interessante observar que as duas trombetas de prata aparecem logo depois da nuvem — a nuvem da Shekinah — que veio repousar sobre o tabernáculo.
Essas coisas estão ligadas. A coluna de nuvem sobre o tabernáculo foi dada para orientar o povo de Deus. A orientação dada, sempre que o povo estava devidamente ajustado ao Senhor, era para avançar e chegar cada vez mais perto do grande objetivo de Deus.
A terra, como figura — a terra da promessa, com toda a sua plenitude, riqueza e beleza espiritual —, era o objetivo de Deus. Nós, como cristãos, sabemos muito bem que o propósito eterno de Deus nos conduz até a plenitude de Cristo.
O propósito das trombetas era proclamar, antes de tudo, um propósito — propósito, um grande propósito. Nunca poderemos fazer soar essa nota com força ou clareza demais.
Não somos chamados simplesmente para ser cristãos, escapar do juízo e, de algum modo, chegar ao céu. Somos chamados com um grande propósito divino, formulado antes que este mundo existisse.
O povo do Senhor precisa saber. Precisa saber; precisa que lhe seja dado a conhecer que há um grande propósito governando seu chamado à comunhão do Filho de Deus.
As pessoas precisam ser informadas não apenas do propósito, mas também da maneira de Deus realizá-lo. Precisam disso, para que não fiquem vagando e se desviando indefinidamente, sem a certeza de onde estão, do que tudo isso significa, do que se trata e para onde tudo isso conduz.
Ah, que haja um ministério por meio de vocês e de mim que liberte essas multidões do povo do Senhor tanto de sua ignorância quanto de sua incerteza.
Vocês talvez não saibam, mas há pessoas assim no mundo inteiro. Muitas delas realmente não sabem onde estão. Não sabem do que tudo isso se trata. Sabem que foram salvas; além disso, pouco mais sabem. Sabem que um dia irão para o céu. Isso é tudo o que têm.
Mas, ah, a grandeza, o propósito e o objetivo — a meta para a qual fomos chamados em Cristo! As trombetas deveriam governar o povo do Senhor em relação à plenitude final que Deus tinha para eles.
Outros propósitos, como vimos, diziam respeito à guerra: o toque das trombetas para a guerra. Tenho certeza de que essa nota não precisa de muita explicação. Tenho certeza de que realmente estamos numa guerra.
Vocês não precisam ser lembrados disso; sabem muito bem. Mas às vezes ficamos um pouco surpresos, não é, por haver tanto conflito? Às vezes nos perguntamos sobre todo esse conflito, para onde tudo isso está levando. As coisas não deram errado, mas há tanto conflito.
Não se enganem a respeito disso: estamos numa batalha que continuará até o fim, e precisamos ser continuamente mobilizados dessa maneira pela voz da trombeta.
Antes de passar aos outros, há a clareza e a certeza do nosso testemunho. Há uma necessidade muito real de que nosso testemunho seja distinto e claro.
Não estou falando agora do testemunho de vocês acerca da salvação, ou de Cristo como Salvador. O povo do Senhor está tão disperso e tão incerto. Falta a coesão que vem de um conhecimento seguro e definido do Senhor — um testemunho distinto no meio do povo do Senhor.
Penso que vocês percebem, ao considerar o mundo como um todo e o cristianismo neste mundo, que há tantas vozes, como diz Paulo:
Há tantas vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação.
Parece mesmo que a banda ficou um pouco desafinada. Talvez todos estejam tocando sua própria melodia, mas não há muita harmonia nisso, não é? Não estamos todos dizendo a mesma coisa, aquela única coisa — nem todos temos a mesma mente, o mesmo espírito e o mesmo coração.
Há muita discórdia e muito conflito, que irritam os nervos. O Senhor deseja um testemunho claro e distinto no meio de Seu povo.
Além disso, o mundo precisa disso. O mundo precisa que a igreja fale com uma só voz, fale com autoridade, saiba onde está e saiba o que Deus quer. Não deve haver dispersão, e certamente nenhuma contradição.
Ah, é necessário que isso nos caracterize como povo do Senhor. Falemos sem fazer concessões e, certamente, sem abrir mão de nada que seja essencial. Procuremos sempre encontrar o ponto em que somos absolutamente um, com uma nota afirmativa.
Bem, isso é o que tenho a dizer aos cristãos sobre as duas trombetas de prata. Eu disse a vocês que seria muito elementar. É quase como a primeira aula, não é, no serviço cristão? Mas aí está.
Quero passar aos outros — alguns que talvez estejam aqui nesta noite, aqueles que não podem ser incluídos, e que não se incluiriam, entre o povo do Senhor; aqueles que não sabem realmente o que significa pertencer ao Senhor de maneira viva.
Vejam, algumas daquelas coisas que Paulo disse sobre o toque da trombeta se aplicavam a essas pessoas. Aquela grande passagem de Romanos 10 fala de não poderem ouvir a menos que alguém tocasse a trombeta — alguém lhes contasse — e, certamente, de não poderem crer se não tivessem ouvido.
Talvez alguns de vocês aqui nesta noite estejam nessa situação, em que ainda não são o que se chama de crentes naquele sentido do Novo Testamento: pessoas que pertencem ao povo do Senhor. A trombeta tem algo a dizer a vocês.
Paulo diz, a respeito dessa proclamação do evangelho:
Por toda a terra saiu a sua voz.
Ora, isso é algo para o mundo inteiro, e é algo para vocês. Há uma mensagem para vocês.
É um fato extremamente solene. Pensem profundamente nisso: extremamente solene. A trombeta está soando; isto é, Deus está falando. Deus está no mundo tornando conhecido Seu pensamento para vocês — para todos os homens.
Deus não está em silêncio. Deus não parou de falar. Ele está falando muito alto hoje, e de maneira muito ampla. Alguns estão se perguntando se Deus não está falando, como fala hoje, pela última vez.
Cremos que o Senhor Jesus está voltando. Cremos que Sua vinda está se aproximando. Cremos que o fim desta dispensação talvez esteja quase sobre nós.
Nós, neste país, não estamos tão despertos e sensíveis a isso quanto as pessoas em alguns lugares. Eu estava dizendo — penso que foi hoje; os dias parecem tão longos que não tenho certeza se foi hoje ou ontem — o que descobri do outro lado dos Estados Unidos apenas uma ou duas semanas atrás.
Ali, ao longo de toda aquela costa oeste dos Estados Unidos, havia um grande número de casas com placas: “Vende-se”. Andei pela vizinhança, vendo todas aquelas placas, e perguntei aos amigos em cuja casa eu estava hospedado: “Por que tanta gente está querendo sair de suas casas?”
“Ah”, ele disse, “sabe, todo mundo aqui está vivendo como se estivesse à beira de um vulcão. Estão morrendo de medo dessas bombas atômicas que acreditam que podem chegar a qualquer momento. Querem ficar bem longe das áreas povoadas. Acham que estarão mais seguros no deserto, em qualquer lugar”.
Estão vivendo assim, e você sente a tensão. Sabe que é assim, e todo mundo fala disso. Não sei se isso é inteiramente injustificado. Eles sabem de tudo isso por lá.
Um dia, saí de carro pela cidade de Los Angeles e percebi que meus olhos estavam começando a doer tanto que eu mal conseguia mantê-los abertos, e minha garganta estava ficando tão seca que eu não entendia o que estava acontecendo. Isso me dificultava falar.
Expliquei isso ao meu amigo. Ele disse: “Sabe, explodiram uma bomba atômica ontem — e o vento está trazendo isso para cá”. Apenas uma pequena amostra, uma pequena amostra.
Ah, não, não sou alarmista. Não estou tentando assustar vocês para levá-los a fazer alguma coisa. Mas pensamos perceber que o fim não está longe, e os homens estão desmaiando de medo. A Escritura diz:
Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo.
Essa Escritura está realmente se cumprindo, e se diz que isso é um sinal do tempo do fim. Bem, talvez; deixemos isso de lado. Mas pode ser.
Suponhamos que o tempo esteja ficando curto, à medida que nos aproximamos do fim desta dispensação. As pessoas estão ficando apreensivas com isso. Não poderia ser que Deus estivesse realizando uma grande obra soberana? Porque ela é soberana. Não conseguimos ver nenhuma outra explicação para o que está acontecendo nesta grande campanha, por exemplo.
O principal pregador dessa campanha, lá em Glasgow e aqui em Londres no ano passado, ele mesmo diz que não há nada no homem que explique isso. Ele não é um grande pregador; todos os que o ouvem sabem disso. Se vocês estão procurando um sermão extraordinário, não o encontram ali. Se procuram um grande discurso sobre teologia, não o encontram ali.
É tudo muito simples. Vocês se perguntam como isso pode produzir o efeito que produz. Certamente não é por impressionar o intelecto, e realmente não é por mexer com a emoção. Todos dizem: “Não, isso não é algo de grande apelo emocional”. Deus certamente está fazendo alguma coisa de maneira soberana.
Como isso se espalhou amplamente! Ainda nesta noite ouvimos sobre tudo o que se comenta lá nos Estados Unidos, e sobre um grande número de pessoas falando a respeito. Elas ouviram os relatos do que está acontecendo.
Estará Deus tocando a trombeta pela última vez? Estará Ele tornando conhecido, de maneira soberana, que há redenção em Cristo Jesus para todos os homens? Coloco isso na forma de uma pergunta, mas a pergunta é permitida, é legítima. É algo muito solene, não é?
Mas vocês, queridos amigos, se não estão em Cristo, estão ouvindo a trombeta soar. Estão ouvindo o anúncio de que Deus providenciou redenção para vocês em Seu Filho, Jesus Cristo.
Vocês nunca poderão dizer, diante de Deus, no tempo ou na eternidade: “Eu nunca soube. Nunca ouvi. Nunca tive uma oportunidade”. Talvez Deus tenha trazido vocês aqui de maneira igualmente soberana, assim como determinou soberanamente que isso fosse dito.
Isso é algo em que pensar. É algo muito, muito sério ter ouvido o evangelho da graça de Deus, ter recebido a notícia dessa maravilhosa redenção.
Colocamos nosso coração nisso nesta noite quando dizemos: creiam nisso. Ah, pecador, creia nisso. Receba as boas-novas. É verdade. É verdade. É verdade.
Deus está chamando vocês. Deus está chamando vocês. Ele está chamando vocês para Si. Assim como aquelas trombetas chamavam o povo a Moisés, para se reunir junto dele, Alguém maior do que Moisés está aqui: o Senhor Jesus.
Por meio da proclamação da mensagem nesta noite, Ele está chamando vocês para Si. Jesus está chamando hoje com ternura, mas também em alta voz e de maneira definida.
A palavra é:
Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração.
É um chamado agora — um chamado de advertência, um chamado de súplica. É um chamado de advertência.
Vocês não têm o poder de dizer: “Ouvirei a trombeta amanhã”. Talvez ela não toque amanhã. Vocês não têm o controle da trombeta; Deus tem.
O Espírito Santo de Deus é o sopro pelo qual a trombeta soa. Vocês não podem ordenar ao Espírito Santo que lhes fale em outra ocasião. Ele diz:
Hoje, se ouvirdes a Sua voz.
Não garanto nada depois de hoje. Chamo hoje.
Sim, é amor; é misericórdia; mas é uma advertência solene. Parece haver dois tons se misturando nesse som.
É um som de júbilo. É um som de júbilo. Quão bendito, quão precioso é o som do evangelho! É o som do evangelho. Evangelho significa boas-novas — boas-novas.
As boas-novas significam isto: Deus, pela morte de Seu Filho, pelo fato de Seu Filho ter levado nosso pecado e nosso juízo, providenciou redenção. Essas são boas-novas para você, querido amigo, para você. Ele a providenciou. Esse é um som de júbilo.
O salmista fala do som de júbilo, e são bem-aventurados os que ouvem o som de júbilo. Devemos ouvir o som de júbilo; no entanto, misturado ao som de júbilo, há um som solene.
Eu falaria de festividades solenes — festividades solenes —, dessa mistura de alegria e solenidade por causa das questões tremendas que estão envolvidas.
Vocês não esperariam que eu lhes dissesse que fechar o coração e os ouvidos à voz de Deus não é algo solene e muito terrível. Tudo está envolvido. Tudo está envolvido.
Lembro-me muito bem de que, alguns anos — sim, muitos anos — atrás, eu estava de visita numa casa, com um amigo. Cheguei àquela casa naquela noite, e ficamos conversando por metade da noite.
Ele disse: “De um jeito ou de outro, eu tinha de vir aqui nesta noite. Vim lá do outro lado da cidade. De alguma maneira, senti que tinha de vir aqui nesta noite. Não sei por quê”.
Chamamos essas coisas de um impulso interior. Mas foi assim. Então eu disse: “Bem, provavelmente, à medida que conversarmos, descobriremos por quê”.
Comecei a conversar com ele. Não demorou muito para descobrirmos a razão. Deus tinha um interesse naquela vida.
“Fui trazido aqui nesta noite”, ele disse. “Reconheço isso.” Eu disse: “Não vá simplesmente embora para pensar a respeito. Não pense por tempo demais. Chegue a uma conclusão o mais rápido que puder — agora mesmo”.
Fiquei algum tempo sem ter notícias dele. Curiosamente, algumas semanas depois, eu estava naquela mesma casa, e ele chegou na mesma ocasião.
Ele ficou um pouco sem jeito quando descobriu que eu estava ali de novo. De qualquer maneira, eu queria tratar do assunto com seriedade, então disse: “Bem, e aquela questão? Você disse que acreditava que Deus o havia trazido do outro lado da cidade naquela noite. E então?”
“Ah”, ele disse, “sim, sim, pensei a respeito. Depois fui procurar alguém para falar disso e perguntei a um pastor, por sinal — um pastor que eu conhecia. Ele disse: ‘Ah, não se preocupe com essas coisas. Não se preocupe com essas coisas. Não se torne fanático’”.
“Bem”, eu disse, “então é esse homem ou Deus? Você disse que acreditava que Deus o havia trazido, falado com você e colocado uma questão diante de você; e depois permite que um homem contradiga Deus e diga que não importa o que Deus diz”.
Voltamos a tratar seriamente do assunto, e ele chegou a reconhecer isso. Disse: “Não consigo fugir disso. Creio, creio que é isso que Deus quer”.
Chegamos diretamente ao ponto, mas ele não quis ceder. Não quis tomar aquela decisão diante de Deus. Foi embora de novo.
Passou algum tempo antes que eu o visse novamente, mas, na terceira vez em que isso aconteceu, ele ainda não respondeu a Deus.
Então, algum tempo depois, aconteceu de eu estar bem do outro lado da cidade. Estava caminhando por uma rua e vi um homem vindo em minha direção de bicicleta.
Quando chegou perto o suficiente para me reconhecer, ele me viu. Deu meia-volta com a bicicleta e saiu pedalando desesperadamente.
Ouvi mais tarde que aquele homem havia se lançado de cabeça no pecado e perdido toda a esperança — afundado numa condição de perdição.
Não corram esse risco. Deus fala. Deus traz vocês aqui; a trombeta está soando. É algo muito, muito grande que está em jogo: se vocês respondem ou se dizem: “Bem, vou pensar a respeito”, ou: “Preciso perguntar a alguém sobre isso e ver o que essa pessoa diz”, ou encontram qualquer outra maneira de adiar.
Não, não. O Senhor diz:
Hoje, se ouvirdes a Sua voz.
Enquanto é hoje, tudo pode depender disso.
Não estou tentando provocar emoção. Não estou tentando ser sensacionalista. Mas estou dizendo que a trombeta soa. A trombeta soou; vocês a ouviram.
O Espírito de Deus está falando a vocês, dizendo-lhes nesta noite o que Deus quer no que diz respeito a vocês. Ele quer vocês para Si, como parte de Seus redimidos, desfrutando dessa redenção.
Cabe a vocês dizer: “Sim, eu ouço e respondo. Atendo ao chamado”.
Que Deus influencie vocês de tal maneira que façam isso. Vamos orar?