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    2 Corinthians - Paradoxes of the Spiritual Life © 2026 Christian Testimony Ministry
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    2 Corinthians - Paradoxes of the Spiritual Life
    2 Corinthians - Paradoxes of the Spiritual Life
    Kaung, Stephen

    Os paradoxos da espiritualidade em 2 Coríntios

    Por favor, abram em 2 Coríntios.

    2 Coríntios 1:9:

    Mas nós mesmos tivemos em nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, Que ressuscita os mortos.

    2 Coríntios 1:12:

    Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, em santidade e sinceridade de Deus, não em sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e mais abundantemente para convosco.

    Agora, abram em 2 Coríntios 12:9-10:

    E Ele me disse: A Minha graça te basta: porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De muito boa vontade, pois, me gloriarei antes nas minhas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

    Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo: porque, quando sou fraco, então sou forte.

    Vamos fazer uma oração.

    Amado Senhor, nosso coração é profundamente grato a Ti por nos lembrares, mais uma vez, de quanto nos amas. Tu nos amas até o fim.

    Nós Te louvamos e Te agradecemos porque somos Teus, e Tu és nosso. Agradecemos por esta oportunidade de nos apresentarmos diante de Ti e esperarmos em Ti, para que nos abras a Tua Palavra e possamos ouvir a Tua voz.

    Que não apenas o nosso coração arda, mas que os nossos olhos sejam abertos para Te ver e Te receber em nós de maneira mais plena. Senhor, como desejamos que Tu sejas tudo para nós. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    As condições natural, carnal e espiritual

    Ontem à noite, compartilhamos juntos sobre 1 Coríntios. Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar sobre 2 Coríntios.

    Agora, espiritualmente falando, a Bíblia classifica a humanidade em três grupos: os naturais, os carnais e os espirituais. Vocês encontrarão isso em 1 Coríntios 2:14-15 e 1 Coríntios 3:3.

    A pessoa natural

    Os naturais são aqueles que não são salvos. Eles estão em Adão. Seu espírito estava morto em pecados e transgressões; por isso, são como se não tivessem espírito.

    Eles têm alma: seus próprios pensamentos, suas próprias emoções, sua própria vontade. Têm seu corpo, suas paixões e concupiscências, mas o espírito está morto. E, é claro, o Espírito Santo não está neles. Portanto, são os naturais.

    As pessoas que não conhecem o Senhor pertencem todas a essa categoria. Como a Bíblia nos diz:

    O homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura.

    E ele não apenas não as recebe, mas também não pode conhecer as coisas do Espírito, porque as coisas do Espírito precisam ser discernidas pelo espírito.

    Esse é o homem natural. É um homem do mundo. É o homem que vemos em toda parte.

    A pessoa espiritual

    E então a Bíblia diz que há os espirituais. Agora, quem são os espirituais? Os espirituais são aqueles que nasceram de novo.

    Não apenas o nosso antigo espírito, que estava morto em pecados e transgressões, foi vivificado e purificado para uma nova vida — um novo espírito —, mas, em nosso novo espírito, habita o Espírito de Deus, o Espírito Santo.

    E, porque o Espírito de Deus habita em nosso espírito para nos guiar e conduzir, e para trazer a vida de Cristo para dentro de nós, aqueles que receberam o Senhor Jesus devem ser espirituais.

    Isso quer dizer que eles têm o Espírito de Deus em seu espírito e devem ser guiados pelo Espírito de Deus, andar segundo o Espírito e viver no Espírito. Portanto, são os espirituais.

    A pessoa espiritual discerne todas as coisas, porque o Espírito de Deus, Que nela habita, conhece as profundezas de Deus. São os espirituais que conhecem a Deus e as coisas de Deus.

    Agora, todo crente, toda pessoa nascida de novo, tem o espírito e o Espírito Santo habitando nela, e deve ser espiritual.

    Ser espiritual não é algo reservado a poucos. Todo cristão nascido de novo deve ser espiritual. Essa é a vontade de Deus.

    A condição carnal

    Mas, infelizmente, descobrimos que, embora tenhamos o Espírito de Deus em nós, de alguma maneira ainda estamos andando segundo a carne.

    E, por causa disso, vocês perceberão que continuamos sendo crianças em Cristo. Como Paulo mencionou em 1 Coríntios, no início ele os tratou como crianças e os alimentou com leite — alimento já digerido —, porque seus órgãos e suas faculdades espirituais ainda não haviam sido exercitados para receber alimento sólido.

    Mas, depois de alguns anos, Paulo disse: “Bem, vocês ainda são carnais. Ainda vivem segundo a carne. Vocês não cresceram”. Isso não deveria acontecer, porque, embora vocês pertençam ao Senhor, ainda agem segundo o homem, e não segundo Deus.

    E a Bíblia diz:

    A inclinação da carne não está sujeita à lei de Deus.

    Ela não apenas não está sujeita à lei de Deus, mas também não pode obedecer à lei de Deus, porque a carne jamais pode agradar a Deus.

    Portanto, aqui vocês encontram, entre o natural e o espiritual, o carnal. Em 1 Coríntios, vemos que os crentes de Corinto pertenciam a essa categoria.

    O apóstolo Paulo disse:

    Ainda sois carnais.

    Embora vocês pertençam ao Senhor, a julgar pela maneira como vivem, são exatamente como o homem natural. A única diferença é que a vida de Cristo está em vocês, mas está aprisionada e não é liberada.

    Mencionamos ontem à noite que, por serem carnais, eles viviam segundo a carne. Por isso, todos os sintomas da carne, do natural, se manifestavam. Os pecados se tornaram um problema para eles.

    A razão é que, depois de terem recebido o Senhor como seu Salvador, eles não haviam realmente se entregado e se submetido a Jesus como seu Senhor, nem permitido que a cruz de nosso Senhor Jesus operasse em sua vida. Essa é a razão pela qual se tornaram carnais.

    2 Coríntios e a vida espiritual

    Agora, quando vocês passam para 2 Coríntios, o quadro é inteiramente diferente. Em 1 Coríntios, vocês veem o que é a carnalidade; mas, em 2 Coríntios, veem o que é a espiritualidade.

    Na vida de Paulo e daqueles que receberam a operação da cruz em sua vida, o resultado é a espiritualidade. Isto é, o homem espiritual manifesta Cristo em sua vida.

    Creio que é isso que Deus quer que todos nós sejamos, e é isso que desejamos ser.

    Paulo disse:

    O espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é julgado.

    Portanto, em certo sentido, vocês percebem que a pessoa espiritual é um mistério.

    Agora, quem são os espirituais? Sim, são as pessoas guiadas pelo Espírito de Deus. São as pessoas que andam segundo o Espírito. São aquelas que estão cheias do Espírito. Esses são os espirituais.

    Mas quem são eles, realmente? Como vocês podem discernir que alguém é espiritual, e não carnal?

    Creio, portanto, que em 2 Coríntios temos vários sinais que nos mostram quem são os espirituais. Na verdade, vocês perceberão que a vida espiritual é um paradoxo. A segunda carta aos Coríntios está cheia de paradoxos, e é por meio desses paradoxos que vocês compreendem o que é a espiritualidade.

    Por isso, nesta manhã, gostaríamos de compartilhar juntos sobre alguns desses paradoxos.

    A sentença de morte e o Deus Que ressuscita os mortos

    O primeiro está em 2 Coríntios 1:9. O apóstolo Paulo disse:

    Tivemos em nós a sentença de morte.

    Para que não dependêssemos de nós mesmos, mas de Deus, Que ressuscita os mortos.

    Agora, esse é o primeiro paradoxo: a sentença de morte em contraste com Deus, Que ressuscita os mortos.

    É claro que, quando Paulo mencionou isso, ele se referiu a algo que aconteceu com ele, e talvez com Timóteo, quando estavam na Ásia. Não nos é dito o que realmente aconteceu com Paulo quando ele estava na Ásia.

    A única coisa que encontramos em Atos 19 é que, enquanto ele estava na Ásia, houve, em determinada ocasião, um tumulto, e, por causa disso, Paulo teve de deixar Éfeso. Ele esteve ali durante três anos, e toda a Ásia ouviu o evangelho de Jesus Cristo. Deus fez uma obra maravilhosa ali.

    Portanto, realmente não sabemos o que aconteceu com Paulo. Ele usou o pronome “nós”, de modo que isso pode incluir Timóteo. O que realmente aconteceu ali, não sabemos.

    Mas algo muito terrível deve ter acontecido, porque Paulo disse:

    Desesperamos até da própria vida.

    A sentença de morte estava sobre nós. Já não podíamos depender da sabedoria humana para tentar resolver nosso problema. Chegamos ao nosso limite, e o Único para Quem podíamos olhar era o Deus Que ressuscita os mortos.

    Ele disse: “Com toda a sinceridade, podemos dizer que não vivemos pela sabedoria humana, mas pela graça de Deus”. Esse é o nosso testemunho.

    A aceitação da sentença de Deus sobre a carne

    Agora, embora talvez não experimentemos fisicamente a mesma coisa que o apóstolo Paulo experimentou na Ásia, espiritualmente falando, isso é algo que precisamos experimentar para sermos espirituais.

    Precisamos ser levados a um ponto em que a sentença de morte esteja em nós — isto é, em nossa carne.

    Sabem, no que diz respeito a Deus, quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, a sentença de morte estava sobre Ele. Não se tratava apenas de algum sofrimento; não se tratava apenas de alguma dor e de feridas. A sentença de morte estava sobre nosso Senhor.

    E, nessa sentença de morte, Deus condenou à morte todos os que estão em Adão. Portanto, em certo sentido, irmãos e irmãs, todos nós estávamos — todos nós estamos — sob a sentença de morte.

    Deus já sentenciou a nossa carne, a nós mesmos. Estamos crucificados com Cristo. Essa sentença de morte está sobre toda carne, porque Deus diz que não há bem algum na carne. Ela merece a morte, e nada mais. Deus fez isso em Cristo Jesus por todos nós.

    Mas, infelizmente, não aceitamos isso.

    Sabem, irmãos e irmãs, quando somos convencidos dos nossos pecados, reconhecemos que somos pecadores. Pecamos e precisamos de nosso Senhor Jesus como nosso substituto. Aceitamos o Seu sangue para a purificação da nossa consciência, a fim de sermos justificados diante de Deus e de que a boca do nosso acusador seja calada. Graças a Deus por essa maravilhosa salvação.

    Mas, estranhamente, quando se trata dessa questão de que Deus nos condenou à morte, nós não concordamos.

    Agora, reconhecemos que há muitas coisas más na carne e que precisamos nos livrar delas. Mas dizer que não há bem algum em nós — isto é, em nossa carne — nos parece demais. Não concordamos com o Senhor.

    A descoberta de Paulo em Romanos 7

    Até mesmo o apóstolo Paulo não concordou no início. Se vocês lerem Romanos 7, perceberão que, em Romanos 6, ele já havia ouvido a mensagem. Ele sabia que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo.

    Esse conhecimento intelectual é importante, mas vocês precisam de algo além disso. Em Romanos 7, vemos que ele não concordava com Deus.

    Ele disse: “Quero servir a Deus. Sou capaz de guardar os Seus mandamentos. Agora pertenço a Deus. Agora é diferente. Eu consigo fazer isso”.

    Ele tinha plena confiança em si mesmo. Rejeitou a sentença de morte sobre si e começou a servir a Deus e a guardar os mandamentos de Deus.

    Mas, curiosamente, entre os Dez Mandamentos, há um mandamento que trata das coisas interiores.

    Não matarás.

    Isso diz respeito a uma ação exterior, mas, entre os Dez Mandamentos, há um que diz:

    Não cobiçarás.

    “Não seja ganancioso.” Agora, isso tem a ver com os nossos sentimentos interiores. Paulo estava muito confiante de que não era uma pessoa gananciosa. Era uma pessoa ambiciosa, mas não gananciosa.

    Por isso, quando veio o mandamento: “Não seja ganancioso”, ele tinha plena certeza de que nunca havia sido ganancioso e de que não seria ganancioso.

    Mas, quando ouviu aquele mandamento, de alguma maneira algo se agitou dentro dele. Aquela ganância começou a se manifestar.

    Antes da lei, ele era perfeito; mas, quando veio a lei, descobriu que o pecado começou a se agitar dentro dele. Então tentou lidar com a situação. Tentou reprimi-lo e vencê-lo, mas descobriu que ele voltava a surgir.

    Isso aconteceu repetidas vezes, até que ele disse: “Bem, isso não é algo que quero fazer. Mas faço o que não quero fazer, e não faço o que quero fazer, porque estou preso à lei do pecado e da morte”.

    Então, depois de tentar repetidas vezes, com forte determinação — pois Saulo era uma pessoa de vontade muito forte —, finalmente ele descobriu:

    Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.

    Foi somente nesse ponto que ele aceitou a sentença de morte que Deus havia pronunciado sobre ele. E, quando aceitou a sentença de morte, imediatamente clamou:

    Quem me livrará do corpo desta morte?

    E, imediatamente:

    Graças a Deus por Jesus Cristo.

    Em outras palavras, ele encontrou Deus, Que ressuscita os mortos.

    A vida de ressurreição mediante a identificação com Cristo

    Portanto, irmãos e irmãs, em nossa busca espiritual, como podemos sair dessa condição de carnalidade e entrar na condição espiritual?

    A primeira coisa de que precisamos é, pela graça de Deus, chegar a uma compreensão muito real disso. Não é algo que possa simplesmente nos ser dito. Já nos disseram isso muitas vezes, mas é algo que o Espírito de Deus precisa nos conduzir a experimentar.

    Vocês não aceitarão essa sentença de morte até que sejam levados a esse tratamento e descubram que ela é absolutamente verdadeira. Deus conhece vocês muito melhor do que vocês conhecem a si mesmos.

    Até que vocês se rendam e digam: “Senhor, é isso que eu sou. Em mim, isto é, na minha carne, não há bem algum. Enquanto a minha carne estiver no comando, cairei em pecado. Violarei a Tua lei. Eu Te ofenderei. Não há esperança em mim — isto é, em minha carne”.

    “Concordo e reconheço que a Tua sentença de morte é justa. Eu a aceito.”

    Quando vocês aceitam essa sentença de morte, isso significa que aceitam a sua morte juntamente com Cristo na cruz. Quando Ele morreu, vocês morreram Nele, e assumem essa posição pela fé.

    Então a vida de ressurreição começa a se manifestar. Em outras palavras, a vida de Cristo em vocês é vida de ressurreição. Ela está aprisionada pela sua carne. Assim, quando vocês aceitam a sentença de morte, a vida de Cristo — a vida de ressurreição de Cristo dentro de vocês — é liberada.

    Agora vocês começam a andar em novidade de vida, e isso nos conduz à espiritualidade.

    Derrota e triunfo

    Esse é o primeiro paradoxo que vocês encontram em 2 Coríntios. O segundo está em 2 Coríntios 2:13-14.

    O apóstolo Paulo escreveu uma carta muito severa à igreja em Corinto. Sabem, depois da primeira carta aos Coríntios, evidentemente Paulo fez uma breve viagem a Corinto. Isso não foi registrado no livro de Atos.

    Mas, em 2 Coríntios, vocês encontram estas palavras dele:

    Esta é a terceira vez que vou ter convosco.

    Agora, quando foi a segunda vez? Ela não foi mencionada no livro de Atos.

    Portanto, evidentemente, depois que ele escreveu a primeira carta aos Coríntios, as coisas não melhoraram. Na verdade, pioraram. Paulo, ao que tudo indica, fez uma viagem às pressas para tentar ajudá-los, mas foi uma grande decepção para ele. Não foi aceito.

    Ao voltar, escreveu outra carta, uma carta severa para eles. Escreveu essa carta com muitas lágrimas.

    Quando lemos 1 e 2 Coríntios, realmente não conseguimos identificar uma carta escrita com muitas lágrimas. Portanto, evidentemente ele escreveu uma carta muito severa. Aquilo o tocou tão profundamente que ele chorou, derramou lágrimas e realmente sofreu como que dores de parto.

    Muito provavelmente, enviou essa carta à igreja em Corinto por meio de Tito. Combinou com Tito que se encontrariam em Trôade, para saber o que havia acontecido depois que os coríntios receberam aquela carta.

    Então começou a viajar e, em determinado momento, chegou a Trôade. Esperava encontrar Tito ali, para que ele lhe trouxesse notícias sobre o resultado daquela carta severa: se os coríntios haviam recebido a carta e se arrependido, ou se ainda estavam fortemente contra ele.

    Mas, quando chegou a Trôade, vemos em 2 Coríntios 2 que o Senhor havia aberto uma porta para o evangelho ali. Contudo, ele não teve descanso em seu espírito, porque não encontrou Tito ali.

    Ele estava tão preocupado e entristecido com a situação em Corinto que, embora a porta estivesse escancarada para que pregasse o evangelho, não tinha ânimo para pregar. Não tinha descanso e, por isso, foi embora.

    Ao que tudo indicava, ele havia fracassado. O Senhor abriu uma porta para o evangelho. Como ele poderia ir embora? Porque não tinha descanso em si mesmo. Ele foi um fracasso.

    Mas, curiosamente, imediatamente depois de dizer que não teve descanso e, por isso, foi embora, ele disse:

    Graças, porém, a Deus, Que sempre nos conduz em triunfo em Cristo.

    Derrota e vitória ao mesmo tempo — outro paradoxo.

    A pessoa espiritual permanece humana

    Sabem, irmãos e irmãs, em nossa concepção, o espiritual é alguém que está sempre acima das circunstâncias. Nunca é dominado por elas. É um super-homem, sempre no controle das situações. Esse é um homem espiritual.

    Em outras palavras, em nossa concepção, um homem espiritual não é um homem.

    Mas a Bíblia nos diz que um homem espiritual continua sendo um homem. Não é um homem de madeira nem um homem de ferro, sem sentimentos e sem fraqueza alguma. Não, ele continua sendo um homem.

    Pode haver inquietação em certas situações, e ela pode ser tão avassaladora que ele não consiga cumprir o seu dever.

    Mas, graças a Deus, ele não permanece assim. Por ainda ser um homem, terá de passar por todas essas coisas; contudo, vocês percebem que ele se recupera rapidamente.

    Cristo no Getsêmani

    Pensem em nosso Senhor Jesus. Pensem na cena no Getsêmani. Nós pensaríamos que nosso Senhor veio para esse propósito e sempre soube disso.

    Contudo, quando entrou naquele jardim, estava tão oprimido em Seu espírito, tão angustiado, que a Sua alma estava profundamente triste até a morte. Pediu aos Seus três discípulos que vigiassem com Ele, que O ajudassem.

    Ele chegou a orar:

    Pai, se é possível, passe de Mim este cálice.

    Ele não sabia que aquilo era para Ele?

    Ele era um homem perfeito. Seu próprio ser recuava; Sua carne se retraía. Vocês veem isso.

    Contudo, sendo homem, Ele teve de negar a Si mesmo. Embora fosse Deus, teve de lutar por isso. Teve de orar. E, quando orou, suou, e o Seu suor se tornou como sangue. Que agonia!

    Se o anjo não tivesse vindo e O fortalecido, Ele poderia ter morrido no jardim.

    Contudo, depois de três vezes, Ele disse:

    Faça-se a Tua vontade, Pai.

    Agora, isso é espiritualidade.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, não pensem que a pessoa espiritual deixa de ser humana. Vocês têm emoções. Têm sentimentos. Podem ser feridos — profundamente feridos.

    Vocês podem sofrer angústia. Podem sentir inquietação. Podem ter fraquezas, até mesmo ao ponto de negligenciar o seu dever.

    Contudo, a vida de Cristo dentro de vocês é tão predominante que vocês se recuperam em pouco tempo.

    Aonde quer que vão, ainda espalham a fragrância de Cristo, porque não são vocês; é Cristo em vocês.

    Creio que esse é o segundo paradoxo que vocês encontram em 2 Coríntios.

    Vasos de barro e o tesouro divino

    O terceiro está em 2 Coríntios 4:7:

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos.

    O apóstolo Paulo disse: “Somos vasos de barro”. Somos feitos de terra; portanto, naturalmente somos vasos de barro — baratos, opacos, frágeis, comuns. É isso que somos.

    Mas o mais estranho é que Deus colocou um tesouro em vasos de barro. Nós jamais faríamos isso. Se tivéssemos um tesouro, onde o colocaríamos? Em uma caixa de ouro, adornada e belamente preparada. Isso parece apropriado.

    Mas Deus faz algo extraordinário: Ele coloca o tesouro em vasos de barro. Ninguém faria isso.

    É claro que sabemos que o tesouro é o nosso Senhor Jesus. Esse é o evangelho.

    Não é porque o tesouro está em nós que deixamos de ser vasos de barro. Continuamos sendo vasos de barro — baratos, comuns, frágeis. Ainda somos vasos de barro.

    Mas, graças a Deus, esse tesouro não é assim.

    O propósito do vaso de barro

    Qual é o sentido de ter o tesouro no vaso de barro? Por que ele está naquele pequeno vaso? O propósito de Deus é que o resplendor desse tesouro seja manifestado.

    Agora, se vocês querem que a luz do tesouro seja manifestada, não o colocariam em um vaso opaco. Sem o vaso de barro, o tesouro realmente brilharia. Cristo, sem nós, brilharia.

    Mas, curiosamente, Deus coloca Cristo em nós para que Ele brilhe. Esse é o mistério.

    Por causa disso, para que o resplendor do tesouro seja manifestado e o poder seja de Deus, e não do homem, esse vaso de barro precisa ser quebrado.

    É necessário haver quebrantamento. Deus, pelo Espírito Santo, ordena as nossas circunstâncias para nos levar ao quebrantamento.

    Por isso, Paulo disse em 2 Coríntios 4:8-9:

    Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.

    Li várias versões desse texto e gosto de algo assim:

    No limite dos nossos recursos, mas não no fim da nossa vida.

    E:

    Derrubados, mas não nocauteados.

    Gosto muito disso.

    Sabem, irmãos e irmãs, por que Deus permite que sejamos levados ao limite dos nossos recursos? Muitas vezes nos encontramos em um ponto em que já não sabemos o que fazer. Chegamos ao nosso limite. Por quê?

    Por que temos sido derrubados tantas vezes? Há algo que o Senhor está tentando nos dizer?

    Todos nós gostamos de preservar a nossa integridade. Todos gostamos de nos manter intactos, de nos agarrar a nós mesmos. Por causa disso, Cristo fica aprisionado. O Seu resplendor não pode se manifestar. O Seu poder não pode ser manifestado.

    A única maneira é Deus realizar a Sua obra de quebrantamento. Mas, graças a Deus, chegamos ao fim de nós mesmos, e Cristo brilha.

    Levamos em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifestada não apenas em nós, mas também aos outros. É assim que Deus trabalha.

    Portanto, mais uma vez, vocês percebem que isso é um paradoxo: quebrantamento e liberação.

    A fraqueza e o poder de Cristo

    Esse é o terceiro. Há um quarto. Paulo o mencionou em 2 Coríntios 12.

    Sabem, nos capítulos 11 e 12, Paulo, por assim dizer, abriu o coração aos coríntios por causa da incompreensão deles a seu respeito. Teve de agir como um insensato e se expor.

    Normalmente, ele procurava se ocultar, porque devia pregar Jesus Cristo, e não a si mesmo. Mas foi forçado a agir como um insensato e começou a nos falar de si mesmo.

    Quando vocês leem os capítulos 11 e 12, descobrem os sofrimentos pelos quais esse homem passou por amor a Cristo. É algo quase além da nossa imaginação. Ele sofreu muito mais do que a maioria das pessoas jamais sofrerá.

    Não apenas isso, mas que revelação ele recebeu! Foi arrebatado ao terceiro céu. Foi levado ao paraíso e ouviu coisas que não podiam ser expressas. Que homem em Cristo ele era!

    Por causa da grandeza de suas revelações, Deus permitiu que Satanás o atacasse e colocasse um espinho em sua vida.

    Agora, não sabemos o que era esse espinho. Algumas pessoas pensam que era algo físico, porque Paulo viajava por regiões onde havia muita malária. Ao que parece, ele contraiu malária.

    Com a malária, quando vem uma crise, a pessoa treme e se sacode. Paulo disse que esteve com eles:

    Em temor e em muito tremor.

    A malária também pode prejudicar a visão, e Paulo disse que sua visão estava tão ruim que precisava escrever com letras grandes.

    A malária deixa a pessoa fraca. Como mensageiro de Deus, viajando entre os gentios, ele sentia que precisava ser fisicamente forte. Caso contrário, as pessoas diriam: “Você prega o evangelho da salvação, mas olhe para si mesmo — que exemplo tão lamentável”.

    Para a glória de Deus, ele orou e pediu ao Senhor que retirasse aquele espinho, que retirasse sua fraqueza. Queria ser forte — forte para o Senhor —, e era assim que deveria ser.

    Então orou, orou e orou. Depois de três vezes, o Senhor lhe disse:

    A Minha graça te basta.

    “Não vou retirar o seu espinho. Não vou torná-lo forte em si mesmo.”

    “Permitirei que o inimigo o ataque e permitirei que você permaneça em fraqueza, mas a Minha graça lhe basta. Na sua fraqueza, manifestarei o Meu poder.”

    Agora, vocês conseguem aceitar isso?

    Agora, irmãos e irmãs, quando estamos enfraquecidos, qual é a nossa oração? “Torna-me forte.”

    Temos uma boa razão — não apenas por nós mesmos, mas por amor ao Senhor. As pessoas olham para vocês e dizem: “Esse é um exemplo tão lamentável do poder do evangelho. Como vocês podem pregar o evangelho com tamanha fraqueza?”.

    Mas o caminho de Deus é sempre mais elevado do que o nosso caminho. Os Seus pensamentos são mais elevados do que os nossos pensamentos. Ele sabe melhor.

    Vocês estão dispostos a permanecer em fraqueza para que o poder de Deus seja aperfeiçoado em vocês?

    Nós choramos. Derramamos lágrimas por causa da nossa fraqueza. Mas Paulo disse:

    Eu me glorio nas minhas fraquezas.

    Quando vocês começam a se gloriar na sua fraqueza, experimentam o poder de Cristo. Portanto, isso é um paradoxo.

    Irmãos e irmãs, Deus não tem a intenção de torná-los fortes, mas tem o firme propósito de que o poder de Cristo seja aperfeiçoado na fraqueza de vocês.

    Estamos dispostos a aceitar as fraquezas? Paulo disse: “Eu me glorio nas fraquezas, nos sofrimentos, nas tribulações, em todas essas coisas”.

    Porque, quando sou fraco, então sou forte.

    O próprio Senhor é liberado.

    O princípio fundamental da espiritualidade

    Portanto, ao lerem a segunda carta aos Coríntios, vocês percebem que, em certo sentido, Paulo está nos revelando o seu segredo. Como podemos ser espirituais, como devemos ser?

    É um paradoxo. A carne precisa ser levada à morte para que a vida de Cristo em nós seja manifestada.

    Esse é o segredo da espiritualidade. Vamos orar?

    Amado Senhor, queremos Te agradecer por nos revelares o Teu segredo. Oramos para que realmente possamos compreendê-lo e estar abertos a ele.

    Como Te louvamos e Te agradecemos porque é da Tua vontade glorificar o Teu Filho em nós. E, Senhor, queremos nos oferecer a Ti e dizer: “Senhor, que a Tua vontade seja feita”.

    Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.