Nesta manhã, vamos examinar várias passagens das Escrituras.
Apocalipse 3:21
Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono, assim como também Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
Apocalipse 5:5
E um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
João 16:33
Estas coisas vos tenho dito, para que em Mim tenhais paz.
No mundo tendes tribulação; mas tende bom ânimo: Eu venci o mundo.
1 João 5:4-5
Porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.
E quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?
Apocalipse 14:4-5
Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens.
Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá.
Estes foram comprados dentre os homens para serem as primícias para Deus e para o Cordeiro.
E na sua boca não se achou mentira: são irrepreensíveis.
Apocalipse 17:14
Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque Ele é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; e também vencerão os que estão com Ele, chamados, escolhidos e fiéis.
Romanos 8:37
Mas, em todas estas coisas, somos mais que vencedores por meio Daquele que nos amou.
2 Coríntios 2:14
Graças, porém, a Deus, que sempre nos conduz em triunfo em Cristo e, por nosso intermédio, manifesta em todo lugar o aroma do Seu conhecimento.
1 Coríntios 15:57-58
Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.
Vamos nos curvar juntos para uma palavra de oração.
Ó Pai, ao nos aproximarmos da Tua Palavra, queremos reconhecer mais uma vez diante de Ti que, sem Ti, nada podemos fazer, nem ao falar, nem ao ouvir. Se isso estiver destituído de Ti, Senhor, se não proceder do nosso permanecer em Ti e de Ti em nós, sabemos que tudo será inútil.
Mas nós Te louvamos porque nos trouxeste ao nosso lugar no Senhor Jesus Cristo e nos concedeste este maravilhoso e bendito ministério do Espírito Santo: conduzir-nos às coisas do Senhor Jesus, torná-las reais para nós e anunciá-las a nós.
Ó Pai, enquanto, em minha fraqueza, procuro glorificar e engrandecer o Senhor Jesus Cristo, concede, Senhor, que o Teu poder se aperfeiçoe; e concede que, tanto ao falar como ao ouvir, conheçamos essa maravilhosa unção do Espírito Santo. Pedimos que este tempo seja um encontro Contigo, pois o pedimos em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Nesta manhã, temos um assunto glorioso. Se o Espírito Santo ajudar estes meus pobres lábios e este pobre instrumento humano, quero falar sobre Jesus como o Vencedor.
Porque fica perfeitamente claro que, no pensamento de Deus, não existe vitória à parte de Cristo. Ele é o Vencedor, e todo aquele que vence, vence no Vencedor e por meio do Vencedor.
Que palavras maravilhosas foram aquelas:
Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono, assim como também Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
Devemos vencer assim como Ele também venceu. E essa é a chave de toda vitória, tanto da sua natureza quanto do seu poder. Ela está na maneira como o Senhor Jesus venceu. Se pudermos descobrir a parte que Ele desempenhou, se pudermos ver a maneira como Ele venceu, teremos em nossas mãos uma chave para vencer.
Que palavra extraordinária é aquela em João 16:33. Vocês perceberam?
Estas coisas vos tenho dito, para que em Mim tenhais paz.
No mundo tendes tribulação; mas tende bom ânimo: Eu venci o mundo.
Agora, que consolo isso nos traz? Poderia até ser desanimador se não enxergássemos a ligação. Sabemos que Ele venceu, mas Ele é tão especial; Ele é único. Como isso pode me ajudar, se no mundo temos tribulação? Que ligação existe entre a nossa tribulação e as Suas palavras: “Tende bom ânimo: Eu venci o mundo”?
Certamente, o Senhor Jesus está dizendo: “No mundo vocês terão tribulação, mas tenham bom ânimo. Eu venci o mundo — não apenas para o futuro, mas há uma chave para vocês alcançarem a vitória no fato de que Eu sou o Vencedor. Em relação Comigo, vocês saberão, em meio a muita tribulação, que não estarão por baixo; não serão a cauda, mas serão a cabeça”. Vocês entendem?
E não é extraordinária a maneira como João registra aquelas palavras em 1 João 5:5, quando diz:
E quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?
Ora, Jesus era o Filho de Deus, mas Jesus é o Filho de Deus — Aquele que Se assentou à direita da Majestade nas alturas.
E há também aquelas palavras maravilhosas em Romanos 8:37:
Mas, em todas estas coisas, somos mais que vencedores por meio Daquele que nos amou.
Alguns cristãos acham que deveriam ser livrados dessas coisas. Observem a lista: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada. Então ele diz:
Mas, em todas estas coisas, somos mais que vencedores por meio Daquele que nos amou.
Essa é a única maneira de vencer. A New American Standard Bible, creio eu, traz algo como “vitória esmagadora”. Em todas estas coisas, a vitória esmagadora é nossa por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.
Vitória esmagadora — não apenas sair da luta feridos, marcados e mancando, mas uma vitória esmagadora. Isso não está falando do futuro. Não está falando do milênio. Não está falando das eras vindouras. Está falando de um tempo em que conheceremos tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada; e, em todas estas coisas, a vitória esmagadora é nossa por meio de Jesus Cristo, por meio do Vencedor.
Há também aquela outra palavra maravilhosa que lemos em 2 Coríntios 2:14:
Graças a Deus, que sempre nos conduz em triunfo.
O Dr. Conybeare traduziu essa passagem há muitos anos. Essa tradução me foi dada por um querido e idoso servo de Deus, que era um verdadeiro vencedor no Egito, e, durante todos estes anos, ela tem ficado sobre a minha mesa. Sempre foi um consolo para mim:
Graças a Deus, que me conduz de lugar em lugar no cortejo do Seu triunfo, para celebrar a Sua vitória sobre os inimigos de Cristo;
e, por meu intermédio, difunde o conhecimento Dele, como a fragrância do incenso, por todo o mundo;
pois Cristo é a fragrância.
Não é uma bela tradução? “Graças a Deus, que me conduz de lugar em lugar no cortejo do Seu triunfo.” Ele é o grande Vencedor, e nós estamos no cortejo do Seu triunfo.
Paulo estava tomando emprestada uma imagem daqueles grandes conquistadores que voltavam triunfantes a Roma. Atrás da sua carruagem triunfal vinha uma grande procissão de reis e de outros que haviam sido feitos cativos. Era uma extraordinária procissão triunfal. E ele diz: “Estamos no cortejo do Seu triunfo para celebrar a Sua vitória”. Estamos celebrando a Sua vitória. Ah, que imagem maravilhosa!
A questão é simplesmente esta: se queremos chegar ao trono, se queremos reinar com Ele na eternidade vindoura, precisamos segui-Lo no caminho que Ele percorreu até o trono. Não há outro caminho para o trono. Não há atalhos.
Precisamos seguir o caminho que Ele trilhou. Em João 12:26, encontramos uma das mais belas palavras do nosso Senhor:
Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo.
Essas palavras foram precedidas por estas:
Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
Quem ama a sua vida a perde; e quem odeia a sua vida neste mundo a conservará para a vida eterna.
Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo.
Não há outro caminho para o trono senão aquele que o Senhor Jesus percorreu. Onde Ele está agora? No trono de Seu Pai. E, se queremos servi-Lo, precisamos segui-Lo; então chegaremos aonde Ele está. Mas o caminho é o mesmo que Ele percorreu. Precisamos perder a nossa vida por amor a Ele e ao Evangelho. Precisamos cair na terra e morrer.
Em 1 João 2:6, está escrito:
Aquele que diz que permanece Nele deve também andar assim como Ele andou.
Ou, ainda, o apóstolo Pedro coloca a questão desta maneira em 1 Pedro 2:21:
Porque para isto fostes chamados; pois também Cristo sofreu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais os Seus passos.
Cristo venceu aquilo que nós precisamos vencer: o mundo, a carne e o diabo. É claro que o Senhor Jesus enfrentou tudo isso numa escala muito maior do que qualquer um de nós jamais conhecerá. Tudo estava concentrado. Todo o arsenal de Satanás foi posto em ação; os poderes das trevas foram mobilizados. O Senhor Jesus enfrentou tudo isso plenamente.
Mas não é maravilhoso, quando pensamos nisso, que Ele tenha vencido, basicamente, aquilo que você e eu precisamos vencer: o mundo, a carne e o diabo? Embora fosse sem pecado, Ele experimentou provações que nenhum de nós jamais conhecerá e venceu tudo. Agora, estando nós Nele, Ele vencerá novamente.
No tempo que temos nesta manhã, quero apenas destacar uma ou duas chaves da vitória do Senhor Jesus que, creio eu, abrirão para nós toda essa questão de vencer. Há várias dessas chaves. Não podemos examinar todas, mas vou tocar brevemente em cinco.
A primeira é a união com o Pai. A união com o Pai.
Não é interessante? Cristo, como Filho do Homem, sem pecado, santo, irrepreensível, imaculado, incorruptível, ainda assim não fazia nada a partir de Si mesmo. A vida do Seu próprio eu era absolutamente pura. Não havia pecado na vida do Seu eu, nenhum egocentrismo, nada da contaminação da Queda em Seu próprio ser. No entanto, Ele diz: “Nada farei a partir de Mim mesmo”. Tudo tinha de proceder do Pai Nele.
Mesmo como um Homem sem pecado, mesmo como Alguém absolutamente santo, tudo tinha de proceder do Pai Nele. Vocês já observaram isso? Peguem a Bíblia, e vamos examinar algumas passagens.
João 5:19
Jesus, pois, respondeu e lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: O Filho nada pode fazer de Si mesmo, senão aquilo que vê o Pai fazer; porque tudo quanto Ele faz, o Filho também o faz igualmente.
Não é extraordinário? Vocês entenderam?
O Filho nada pode fazer de Si mesmo, senão aquilo que vê o Pai fazer.
João 5:30
Eu nada posso fazer de Mim mesmo: conforme ouço, julgo; e o Meu julgamento é justo, porque não busco a Minha própria vontade, mas a vontade Daquele que Me enviou.
João 8:28-29
Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou e que nada faço de Mim mesmo; mas falo estas coisas como o Pai Me ensinou.
E Aquele que Me enviou está Comigo; Ele não Me deixou só, porque Eu faço sempre as coisas que Lhe agradam.
Agora vocês começam a enxergar a lição da vida de Jesus? Tudo procede de Deus.
Tudo o que é nascido de Deus vence o mundo.
Até mesmo Jesus, como Homem — sem pecado, santo, verdadeiro, puro —, não fazia nada a partir de Si mesmo, mas somente aquilo que procedia do Pai Nele.
João 12:49
Porque Eu não falei de Mim mesmo; mas o Pai, que Me enviou, Ele Me deu mandamento quanto ao que dizer e ao que falar.
Vejam, o Senhor Jesus não falava a partir de Si mesmo, não falava de Si mesmo, mas a partir do Pai.
João 14:10
Não crês tu que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? As palavras que vos digo não as falo de Mim mesmo; mas o Pai, que permanece em Mim, faz as Suas obras.
Agarrem-se a essa expressão: “Não de Mim mesmo”. Essa é a chave: não a partir de nós mesmos, mas a partir do Pai.
Ele venceu fazendo tudo a partir do Pai Nele. Falava a partir do Pai Nele. Trabalhava a partir do Pai Nele. Fazia a vontade do Pai Nele. Vocês entendem?
Não há caminho para a vitória senão pela dependência de Cristo. Assim como Cristo dependia do Pai, você e eu precisamos depender de Cristo. Não posso fazer nada de mim mesmo se quero alcançar a vitória. Tudo precisa proceder de Cristo em mim.
Tudo tem de ser de Deus. Tudo tem de ter origem Nele.
2 Coríntios 5:17-18
Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas passaram; eis que se fizeram novas.
Mas todas as coisas são de Deus, que nos reconciliou Consigo mesmo por meio de Cristo.
Penso também em Filipenses 1:21:
Porque, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
O que o apóstolo Paulo queria dizer? Ele queria dizer isto: minha vida se resume no Senhor Jesus Cristo. Ele é a minha vida. Ele é a soma da minha vida. Ele é a base, a energia, o poder, o objetivo, o conteúdo e a circunferência.
Porque, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
O que ele queria dizer era: viver é Cristo; morrer é mais de Cristo. Ah, que filosofia! Que palavra maravilhosa: viver, Cristo; morrer, mais de Cristo.
Colossenses 3:3-4
Porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória.
Gálatas 2:20
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;
e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé, a fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.
Maravilhoso, não é?
João 7:37-39
Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
Mas isto disse Ele a respeito do Espírito.
De onde vêm esses rios? Da sua alma? Não. De onde vêm esses rios? Do conhecimento intelectual? Não. De onde vêm — da sua devoção? Não. De onde vêm — do seu zelo? Não. De onde, então, fluem esses rios?
Ele foi liberado. Ele rompeu a muralha exterior da sua vida, e os rios de água viva estão fluindo. É a única maneira de vencer. Precisamos aprender a permanecer Nele.
O Senhor Jesus, entre as últimas coisas que nos disse, falou sobre esse assunto em João 15:
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
Eu sou a videira, vós sois os ramos; quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto: porque sem Mim nada podeis fazer.
Mas, meus queridos amigos, podemos fazer muita coisa sem Ele, não podemos? Posso pregar sem Ele. Vocês sabem disso? É possível pregar sem Ele. É possível orar sem Ele. É possível testemunhar sem Ele. É possível ler a Bíblia sem Ele. É possível fazer quase qualquer coisa sem Ele. Vocês podem ter uma reunião sem Ele.
Há milhares de reuniões cristãs que estão fora Dele, ou que não procedem de permanecer Nele. São a nossa maneira de fazer as coisas, segundo a nossa ideia mental do tipo de modelo com que Deus ficaria satisfeito. Então fazemos uma reunião. Qualquer pessoa pode fazer isso. Basta reunir alguns cristãos, e podemos fazer tudo.
Mas, sabem, é diferente quando estamos permanecendo Nele, e Ele está em nós. O que o Senhor quis dizer quando afirmou: “Sem Mim nada podeis fazer”, já que podemos fazer quase tudo?
Ele quis dizer que nada disso chega ao trono. Nada disso entra no reino. Nada disso contribui para a edificação da cidade de Deus. Nenhum dos materiais com que a cidade de Deus é edificada procede de fora de Cristo. Somente quando permanecemos Nele, e Ele em nós, o que fazemos tem valor eterno.
Há tantas outras passagens das Escrituras que poderíamos examinar. “Nada faço de Mim mesmo.” Metade do problema da nossa vida cristã é que ela procede de nós mesmos. Metade do problema do serviço cristão é que ele procede de nós mesmos. Metade do problema da nossa vida como igreja é que ela procede de nós mesmos, em vez de proceder do Senhor Jesus em nós.
Esse é o caminho para a vitória. Não há outro caminho para o trono, nenhuma outra maneira de alcançar a vitória, nenhuma outra maneira de conhecer a vitória esmagadora por meio de Jesus Cristo. Precisamos estar Nele, e Ele em nós.
E isso não é uma vida de terrível tensão. Às vezes, fico muito triste quando falamos dessa vida mais profunda, porque as pessoas entram numa espécie de neurose espiritual. Ficam com medo de fazer qualquer coisa — medo de testemunhar, medo de orar, medo de se reunir, medo de que tudo proceda delas mesmas.
Sabem o que chamo de adolescência espiritual? A menor coisa nos abala. Sentimos como se estivéssemos cobertos de espinhas e manchas, muito conscientes de que todos estão olhando para nós — introvertidos, introspectivos. Mas não é disso que se trata.
O Senhor Jesus não era assim. O Senhor Jesus não era um caso de neurose espiritual. Vocês não percebiam Nele, o tempo todo, uma sensação de tensão ou de esforço — tentando conter-Se, sempre perguntando: “Como estou fazendo isso a partir do Pai?”. Não, era uma vida maravilhosamente espontânea.
Em Mim tereis paz.
Nenhuma neurose, nenhuma tensão. Em Mim tereis paz.
Uma das pequenas declarações mais maravilhosas do Novo Testamento está em 1 João 2:17. Nunca a leio sem me comover. Há algo especial nesta frase:
E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
Não é belo? Tão simples, tão profundo.
Aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
Há uma segunda chave para a vitória de Cristo: uma vida entregue desde o princípio. Não se enganem quanto a isso. Muitas pessoas pensam que o Senhor Jesus entregou a Sua vida ao final de trinta e três anos. Não foi assim. Ele entregou a Sua vida logo no princípio.
Não teria havido Belém se o Filho não tivesse aberto mão da Sua glória. Foi como se Ele a tivesse soltado.
Filipenses 2:5-8
Tende em vós este sentimento, que houve também em Cristo Jesus:
o Qual, existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que Se devesse apegar;
mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens;
e, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
Cristo venceu entregando a Sua vida, abrindo mão da Sua vida, perdendo a Sua vida.
João 10:11, 17-18
Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a Sua vida pelas ovelhas.
Por isso o Pai Me ama, porque Eu dou a Minha vida para a retomar.
Ninguém a tira de Mim, mas Eu a dou de Mim mesmo.
Sabemos que ninguém pode entregar a própria vida enquanto não decidir fazê-lo. Você nunca entrará nessa experiência enquanto não estiver disposto a querer a vontade de Deus.
Chega um momento em que você precisa dizer: “Não consigo fazer isso. Não consigo fazer isso. Não consigo cair na terra e morrer apenas tentando”. Tente cair na terra e morrer — você não consegue. Mas pode dizer: “Senhor, estou pronto”, e então Deus enviará um vento.
O vento sacudirá a espiga até que todos os grãos caiam na terra e morram. Você não vai gostar do vento. Algumas das pessoas mais próximas e queridas serão esse vento. Elas vão sacudir você.
As pessoas vêm a mim e dizem: “Como posso ser crucificado?”. Sempre lhes digo: “Ouça, primeiro, você já está crucificado. Segundo, não se preocupe com a experiência prática. As pessoas mais próximas e queridas vão pregá-lo na cruz”.
Seus amados companheiros, membros do Corpo — basta conhecê-los por trás daqueles rostos radiantes, e você descobrirá que eles o pregarão na cruz de maneira mais efetiva do que qualquer outra pessoa neste mundo.
Você quer saber, na prática, como pode entregar a sua vida? Primeiro, precisa dizer: “Entrego a minha vida”. Você precisa enxergar que, em Cristo, isso já está feito; depois, precisa decidir. Mas espere só.
Belém foi o primeiro exemplo de Ele entregar a Sua vida. Não foi maravilhoso? Belém — quando Ele ficou reduzido aos cuidados de mãos humanas; quando Ele, o Senhor da glória, foi acalentado nos braços de uma mulher; quando Se tornou dependente daquela mulher e dependente de seres humanos.
Você acha difícil aceitar limitações, restrições, circunstâncias difíceis? Já pensou no Senhor, o Vencedor, que Se permitiu viver em circunstâncias restritas? O Senhor da glória, o Criador do céu e da terra, por meio de Quem todas as coisas foram criadas e para Quem todas as coisas foram criadas, permitiu-Se tamanha limitação que precisava ser alimentado na hora certa, precisava ser cuidado, precisava ser protegido.
Continue pensando nisso. Você enfrenta circunstâncias difíceis? É um Vencedor que pode viver em você. Ele sabe tudo sobre circunstâncias limitadas, tudo sobre as coisas que restringem, e a Sua vida em você pode vencer.
Tenho em mim a vida que nasceu em Belém. Tenho em mim a vida Daquele que conhece, por dentro, como vencer em meio a restrições, limitações e fraqueza humana.
E quanto ao Jordão? Quando o Senhor Jesus tinha trinta anos, quando chegou à idade em que os levitas, os sacerdotes, entravam em serviço, Ele desceu ao rio Jordão.
Não creio que o céu O tenha ajudado por um único instante nessa decisão, porque aquelas águas do rio Jordão falavam da morte na cruz.
Por que Jesus foi batizado? As pessoas dizem: “Bem, porque Ele deveria nos dar um exemplo”. Sabemos que Ele não foi batizado porque tivesse pecados a serem lavados. Ele era sem pecado.
Mas a razão pela qual Ele foi batizado é que aquelas águas falavam da morte na cruz, três anos antes de Ele chegar a ela. Era como se Deus Pai estivesse dizendo: “Então, estás pronto para Te comprometer com a obra da cruz três anos antes de chegares a ela? Se não estiveres, nada do que fizeres nesses três anos terá valor algum”.
Não creio que o céu O tenha ajudado em nada. Jesus precisou tomar uma decisão a sangue-frio, e desceu àquelas águas, comprometendo-Se com a obra da cruz três anos antes de chegar a ela.
A partir de então, Ele soube o que era morrer diariamente. Isso se tornou a base de todo o Seu ministério público, do Seu serviço a Deus e ao homem. Nenhum homem poderia ter vivido a vida que Jesus viveu durante três anos — pressionado pelas multidões o tempo todo, perguntas e mais perguntas, pessoas querendo cura, pessoas querendo ajuda, de dia e de noite —, a menos que tivesse Se comprometido com a obra da cruz, a menos que tivesse morrido, a menos que tivesse entregado a Sua vida.
Quando Ele desceu àquelas águas e foi batizado, foi como se o céu se precipitasse para falar; como se Deus já não pudesse Se conter. Os céus se abriram, e Deus disse:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
“Vejo Nele a Minha própria natureza. Vejo Nele a disposição de Se sacrificar pelos outros — outros, outros, outros.”
Então, do céu veio o Espírito Santo em forma de pomba. Por que uma pomba? Eu costumava ouvir as pessoas dizerem: “Bem, a pomba é a imagem da gentileza, da mansidão e da doçura”, e elas pensam naquele belo hino: “Jesus, manso e meigo”.
Para ser bem sincero, Jesus nem sempre era manso e meigo — não nesse sentido. Certa vez, Ele fez um chicote de cordas e os expulsou. Não chamo isso de muito meigo. Em outras ocasiões, está escrito que Ele Se indignou. Não acho isso tão parecido com uma pomba.
Eu costumava refletir muito sobre por que era uma pomba, mas então enxerguei a questão desta maneira. Se você fosse uma pessoa rica, da aristocracia, levava um novilho para o sacrifício. Se fosse da classe média, levava um carneiro. Mas, se pertencesse à imensa, imensa multidão dos pobres, da classe trabalhadora, levava duas rolas ou dois pombinhos.
Quando João Batista viu o Espírito Santo descendo, viu-O vir sobre Alguém que havia entregado a Sua vida, e disse:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
Ele compreendeu imediatamente: sacrifício, sacrifício. Era por isso que o Espírito de Deus havia vindo sobre Ele.
Minha única ressalva quanto ao movimento carismático é esta: se não entendermos que o Espírito Santo vem sobre nós para que possamos entregar a nossa vida, tudo acabará em mera emoção e exibições.
O objetivo da obra do Espírito Santo é nos capacitar, nos habilitar a entregar a nossa vida, para que, a partir de então, os outros venham em primeiro lugar.
Encontramos isso novamente na Transfiguração. Quando Jesus subiu àquele monte, foi transfigurado em glória. Ah, que maravilha! Era um Homem sendo transfigurado em glória, não um foco de luz vindo do céu sobre Ele.
Às vezes, imaginamos algum maravilhoso foco de luz da glória divina brilhando sobre Ele e fazendo-O resplandecer. Não, era como se, de repente, algo fosse aceso no mais profundo do Seu interior e brilhasse através da Sua própria carne e dos Seus ossos, através da Sua garganta, de modo que todo o Seu ser fosse transfigurado. Ele foi glorificado.
Naquele momento, como Homem, Ele foi bem-sucedido onde Adão falhou. Adão ficou aquém da glória de Deus. Jesus alcançou a glória de Deus. Ele poderia ter entrado no reino, chegado ao trono, para sempre.
No entanto, Ele deixou de lado a Sua glória e desceu até um menino epiléptico, possesso de demônio, e o curou. Dentro de uma ou duas semanas, Ele estava morto — crucificado. Ele entregou a Sua vida.
No jardim do Getsêmani, aconteceu a mesma coisa. A batalha no jardim do Getsêmani foi tão tremenda que, em determinado momento, antes da mais severa de todas as provações, um anjo de Deus precisou aparecer e ministrar a Ele.
Então, na parte mais intensa da batalha, foi como se gotas de sangue saíssem Dele — tamanha era a angústia mental e emocional que o Seu sangue veio para o Seu suor.
O que era aquilo? Não creio que Jesus tenha questionado a nossa salvação, perguntando: “Pai, não há outra maneira de salvá-los?”. Ele sabia, desde o princípio, que precisava dar a Sua vida. Mas era a cruz.
De repente, Ele tomou consciência, como Homem, do tremendo custo de tornar-Se pecado, de ser feito o nosso pecado, de conhecer a ira de Deus, de ser ferido por Deus, de ser rejeitado por Deus, abandonado por Deus. De repente, veio a tentação: “Será para sempre. Será para sempre. Uma vez que fores separado, será para sempre”.
Eu não sei. Tudo o que sei é que o diabo apresentou à mente do Senhor Jesus as perspectivas mais horríveis, as visões mais terríveis, até que, por fim, está escrito:
A Minha alma está profundamente triste até à morte.
Ele poderia ter morrido no jardim do Getsêmani antes mesmo de chegar à cruz. E toda a batalha foi vencida numa única frase simples:
Não como Eu quero, mas como Tu queres.
Nenhum filho de Deus jamais vencerá sem passar por isso; e todos nós, mais cedo ou mais tarde, teremos essa hora. Nunca será como a do nosso Senhor, mas todos precisamos entrar no nosso pequeno jardim do Getsêmani. O único caminho para a vitória é o mesmo do Mestre:
Não como Eu quero, mas como Tu queres.
Ele era o único que tinha paz. Quando eles chegaram, aquele grande grupo armado, Ele era o único que tinha paz absoluta. Curou a orelha de Malco. Falou palavras de consolo. Os demais estavam tomados de pânico.
Algumas pessoas não querem fazer a vontade de Deus nem pagar o preço porque têm medo do que podem perder. Têm medo do conflito, medo da tensão, medo da batalha.
Meu querido amigo, não há nada como a paz de fazer a vontade de Deus. Eu preferiria estar no centro de um furacão fazendo a vontade de Deus a estar em algum paraíso fora da vontade de Deus. Não há nada como o inferno de estar fora da vontade de Deus. Você pode ter um paraíso ao seu redor e estar no inferno.
Você pode estar num inferno humano, fazendo a vontade de Deus, e ter paz.
Vencer? Fico tão feliz por ter em mim Aquele que disse: “Não como Eu quero, mas como Tu queres”. Isso tem sido a minha salvação, vez após vez. Quando enfrentei situações sem saber como atravessá-las, e sem sequer estar disposto, disse: “Ó Senhor, Tu estás dentro de mim. ‘Não como Eu quero, mas como Tu queres.’ Dize isso, Senhor, novamente dentro de mim”.
Bem, meus amigos, estou apenas tentando dizer algumas coisas, mas vocês começam a enxergar o princípio? Não há caminho para o trono senão pela entrega da nossa vida.
Jesus disse:
Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
1 João 3:16 é um complemento extraordinário de João 3:16. Vocês já observaram isso?
Nisto conhecemos o amor: que Ele deu a Sua vida por nós; e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.
Apocalipse 12:11 diz:
E eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho;
e não amaram a própria vida até à morte.
Não pode haver vitória se você ama a sua vida. Se preservar a sua vida, você a perderá. Meu querido amigo, agarre-se ao seu ministério, agarre-se à sua juventude, agarre-se ao que você tem do Senhor — e você o perderá.
Abra mão, e você o encontrará como vida eterna. É um princípio. Perdemos a nossa vida para encontrar a nossa vida. Morremos para conhecer o poder da Sua ressurreição. Caímos na terra e morremos para que haja uma colheita. Humilhamo-nos, e Deus nos exalta.
Abrimos mão da nossa reputação, e Deus nos dá um nome conhecido eternamente. Somos quebrantados para que outros sejam abençoados. Negamos a nós mesmos e descobrimos a plenitude de Deus. Tomamos a cruz, e Ele nos conduz ao trono da Sua glória.
Enquanto não estivermos preparados para entregar a nossa vida, nunca conheceremos a verdadeira natureza do velho homem. Vocês sabiam disso? Nem mesmo no serviço cristão, nem mesmo na vida da igreja.
Eu costumava me perguntar, vez após vez, por que o Senhor disse a Moisés: “Que é isso na tua mão?”. E ele respondeu: “Uma vara”. O Senhor disse: “Lança-a no chão”, e, quando Moisés a lançou, ela se tornou uma serpente.
Então Ele disse: “Pega-a pela cauda”. Bem, não sei como são as víboras daqui. Alguém me disse que aqui vocês podem pegá-las pela cauda. Devem ser muito extraordinárias; isso é tudo o que posso dizer. Mas tudo o que sei é que, no Oriente Médio, a única coisa que você nunca faz é pegar uma serpente pela cauda, porque ela se volta num instante.
Mas essa vara era a vara da autoridade de Moisés. Era a vara que ele levantou sobre o mar Vermelho, e o mar se abriu. Era a vara que ele apontou para a rocha, e dela saiu água. Era a vara que simbolizava a autoridade do Deus vivo. Como poderia haver uma víbora?
Somente quando você entrega até mesmo aquilo que recebeu de Deus, somente quando o lança no chão, abre mão, entrega tudo, é que descobre o veneno da vida do eu. De repente, descobre que aquilo que julgava ser tão inteiramente de Deus tinha a sua própria vida do eu bem no meio — o veneno da serpente.
Então você precisa pegá-la pela cauda — não atrás da cabeça, que, naturalmente, é o único lugar seguro.
Depois Ele disse: “Põe a mão no teu peito”. Junto ao seu coração. “Tira-a.” Lepra.
O que você está fazendo para o Senhor? O que você toma do Senhor? O que você recebe do Senhor? Vocês sabem quantas vezes o coração é enganoso. Somente quando começamos a abrir mão é que descobrimos que a lepra do pecado está ali.
Entregue a vida.
Outra chave para a vitória do Senhor Jesus é o ministério do Espírito Santo. Cristo nasceu do Espírito Santo, foi habitado pelo Espírito Santo e manifestou o fruto do Espírito Santo. Foi ungido pelo Espírito Santo. Manifestou os dons do Espírito Santo. Pelo poder do Espírito, realizou a obra da nossa salvação.
Em Hebreus 9:14, está escrito:
Pelo Espírito eterno, ofereceu-Se a Si mesmo sem mácula a Deus.
Não tenham medo do ministério do Espírito Santo. Cristo nasceu do Espírito Santo, foi habitado pelo Espírito Santo, cheio do Espírito Santo e manifestou o fruto do Espírito Santo. Ainda assim, precisou da unção do Espírito Santo quando tinha trinta anos.
Antes de iniciar o Seu ministério e serviço públicos, o Espírito Santo que estava Nele, de Quem Ele havia nascido, precisava vir sobre Ele.
Não há outra maneira de vencer. Não há outra maneira de poder dizer: “Nada faço de Mim mesmo; mas aquilo que o Pai faz, isso faço”. Vocês não podem fazer a obra de Deus senão pelo Espírito Santo.
Pelo Espírito, fazeis morrer as obras do corpo.
Filho de Deus, há tanto nessa questão do ministério do Espírito Santo. Se o meu Senhor precisou conhecer o ministério do Espírito Santo para atravessar tudo — Ele, que era sem pecado, santo, irrepreensível, incontaminado —, quanto mais eu preciso conhecer o ministério do Espírito Santo?
É algo muito interessante: o nosso Senhor diz ao vencedor:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
É interessante que as palavras do Senhor tenham sido:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Oliveiras: homens e mulheres cheios do Espírito Santo, ungidos pelo Espírito Santo, derramando o azeite dourado — vida e natureza — no candelabro, para que haja luz.
Não há outro caminho.
Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
Não apenas crianças de Deus, mas homens e mulheres que estão amadurecendo e que serão capazes de administrar os negócios do Pai.
Há, então, uma quarta chave, e ela é o amor — o amor perfeito.
Vocês acham que o Senhor Jesus veio a este mundo de dentes cerrados? Acham que Ele viveu a Sua vida por um senso de dever, como se, de alguma maneira, fosse algo a ser suportado, simplesmente como um dever cansativo e pesado para Deus e para o reino?
Vocês acham que Jesus simplesmente suportou tudo para poder chegar ao trono, exibir a Sua glória e tornar-Se o centro de um novo universo? Acham que foi por isso que Ele passou por tudo?
Está escrito que Ele suportou a cruz, desprezando a vergonha, pela alegria que Lhe estava proposta. Mas qual era a alegria que Lhe estava proposta? Era a alegria da satisfação pessoal? Era a alegria de Se exibir, de poder assentar-Se à direita do Pai e manifestar a Sua glória? Ou a alegria que Lhe estava proposta era a de conduzir muitos filhos à glória?
Meu amigo, eu conheço o Senhor — por pouco que eu O conheça — e sei que essa era a chave. Ele não tinha outro objetivo. Não era chegar ao trono para ser alguém. Não era chegar ao trono para Se exibir ou para Se tornar o centro do reino.
Não, era por amor ao Pai, por amor a você e por amor a mim.
Efésios 5:25-27
Cristo também amou a igreja e Se entregou por ela;
para que a santificasse, tendo-a purificado pela lavagem de água com a palavra;
para apresentá-la a Si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante; mas santa e irrepreensível.
Ele amou a igreja. O apóstolo Paulo diz em Gálatas 2:20:
Ele me amou e Se entregou por mim.
Há uma palavra tão bela em João 13:1:
Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.
Amor. Nunca haverá uma maneira de vencer senão amar. Ouçam isto: o dever nunca levará vocês ao trono. Cerrar os dentes nunca levará vocês ao trono. Somente o amor.
O perfeito amor lança fora o medo. Por que temos tantos problemas? Por que recuamos diante de tantas coisas? Por causa do medo — medo, medo e mais medo. O perfeito amor lança fora o medo.
Ouçam estas palavras maravilhosas e bem conhecidas de 1 Coríntios 13:4-8:
O amor é paciente e bondoso;
o amor não inveja;
o amor não se vangloria, não se ensoberbece;
não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita;
não leva em conta o mal;
não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade;
tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba.
Foi assim que o Senhor Jesus chegou ao trono. E essa é a única maneira pela qual você e eu chegaremos ao trono.
Agora direi apenas uma última coisa. Talvez possamos falar um pouco mais sobre isso em outra ocasião. A quinta chave é o aperfeiçoamento por meio do sofrimento.
Não há outro caminho para o trono. É surpreendente considerar que Cristo, embora sem pecado, ainda assim foi aperfeiçoado por meio do sofrimento. A palavra significa completo, pleno, concluído, plenamente desenvolvido. Vocês entendem? Às vezes, usamos a palavra perfeito no sentido de completo.
O Seu caminho até o trono do Pai passou pelo sofrimento. Vocês precisam examinar Hebreus 5:8-9 e Hebreus 2:10, e compará-los com Filipenses 2:8.
Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu;
e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-Se o Autor da salvação eterna para todos os que Lhe obedecem.
Ele foi aperfeiçoado por meio do sofrimento. O caráter do Seu serviço, do Seu reinado, tornou-se pleno, completo, plenamente desenvolvido pelo sofrimento, pelo aprendizado da obediência. Ele aprendeu o pleno significado e a natureza da obediência pelas coisas que sofreu.
O reino de Cristo não se baseia em linhagem, posição ou título, embora Ele seja o Filho e tenha uma posição e um título. Baseia-se no caráter. O Seu supremo direito ao trono de Deus é o caráter.
Quando Ele foi despojado de cada uma das coisas que os homens consideram essenciais à realeza e ao reinado, revelou caráter. Aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.
Para Deus, o reinado nunca pode ser apenas uma questão de posição, título ou linhagem. Precisa ser também uma questão de caráter e experiência. Deus não pode ter reis cuja experiência seja superficial.
O Filho precisou aprender a obediência pelas coisas que sofreu. Por meio da Sua experiência de sofrimento, passou a compreender a humanidade por dentro, como Homem.
O universo nas eras vindouras estará em uma situação lamentável se for governado por alguns cristãos. Você acha que, só porque é salvo, tem capacidade para reinar, governar, administrar? Não, querido filho de Deus. Se o Filho precisou ser aperfeiçoado por meio do sofrimento, você e eu precisamos seguir o mesmo caminho.
Assim, Deus toma a nossa vida cotidiana — a pia da cozinha, o nosso trabalho, os fatos que enfrentamos, a nossa faculdade, as nossas circunstâncias — e faz de tudo uma escola: a escola da disciplina, a escola do treinamento, a escola da têmpera.
A maneira como nos desenvolvemos ali determinará se chegaremos ao trono. Como você está se desenvolvendo na escola da disciplina de Deus?
Há tanto a dizer sobre essa questão de sermos aperfeiçoados. Preciso deixar tudo isso com vocês agora. Somente por meio das coisas pelas quais passamos — se elas produzirem em nós sensibilidade, compaixão e compreensão — é que nos tornamos qualificados para o trono.
O Leão de Judá é o pequeno Cordeiro como que imolado. De um lado, vemos o Leão de Judá — majestoso e poderoso, cheio de autoridade. Mas, do outro lado, é o pequeno Cordeiro como que imolado.
Essa é a concepção de Deus sobre o reinado. No trono, o Leão é um pequeno Cordeiro como que imolado.
Ninguém jamais poderá assentar-se no trono do Cordeiro sem ter se tornado semelhante ao Cordeiro.
Vamos orar?
Ó Pai, procuramos apresentar o Senhor Jesus como o Vencedor. Ele disse:
Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono, assim como também Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
Ouve-nos, Senhor, nós Te pedimos. Nós, que somos todos tão fracos e matéria-prima tão pobre — Senhor, Tu operaste de maneira tão maravilhosa em Teu Filho, para aperfeiçoá-Lo por meio do sofrimento e conduzi-Lo à glória. Somos gratos porque Tu já fizeste o suficiente.
Conduze-nos pelo Teu caminho, pelo mesmo caminho, até o Seu trono. Coloca cada um dos nossos corações diante de Ti, rendido e entregue, disposto a fazer a Tua vontade.
Pois nós o pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.