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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Reigning With Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Reigning With Christ
    Reigning With Christ
    Lambert, Lance

    Realeza, Herança e a Casa de Deus

    Oração Inicial

    Vamos nos curvar juntos. Busquemos todos, de fato, ao Senhor, para que Ele Se encontre conosco em Sua Palavra.

    Nosso Pai, buscamos mais uma vez a Tua face. Ao nos aproximarmos da Tua Palavra, queremos reconhecer diante de Ti a nossa completa incapacidade, Senhor, de realmente receber, por nossos recursos naturais, as coisas que vêm de Ti.

    Mas, Senhor, nós Te louvamos pelo gracioso ministério do Espírito Santo, que veio para glorificar o Senhor Jesus, para nos conduzir a toda a verdade e para tomar as coisas de Cristo e anunciá-las a nós.

    Ó Pai, queremos que saibas que dependemos desse ministério do Espírito Santo nesta noite, tanto quem fala quanto quem ouve. Nós Te agradecemos pela unção que é nossa no Senhor Jesus; e, Pai, todos nós, pela fé, nos firmamos nela, tanto para ouvir quanto para falar.

    Senhor, que este seja um encontro Contigo. Eleva-o acima de uma simples leitura bíblica, de uma palestra bíblica ou de um estudo bíblico. Ó Pai, oramos para que faças deste um tempo de revelação, um tempo em que nos encontremos Contigo, um tempo em que recebamos diretamente de Ti.

    Ó Senhor, nós nos entregamos a Ti em toda a nossa fraqueza, e Te louvamos porque Te agradou aperfeiçoar a Tua força na fraqueza humana. Assim, Senhor, nós Te damos louvor, adoração e ações de graças, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

    A Progressão da Herança à Casa de Deus

    Nesta noite, quero considerar outra série de personagens do Antigo Testamento. Vocês sabem que temos falado sobre reinar com Cristo, sobre realeza, sobre vencer — sua natureza e seu caráter.

    Na última vez em que falei, examinamos quatro vidas, cada uma das quais revela e ilustra uma característica essencial da realeza, ou do vencer. No pensamento de Deus, o vencedor não é uma pessoa extraordinária; ele manifesta, na verdade, aquilo que Deus desejava em todos os Seus filhos, mas não conseguiu produzir.

    Examinamos Abraão, Isaque, Jacó e José. Vimos ali quatro características essenciais e fundamentais da verdadeira realeza:

    • Abraão: a obediência da fé — tudo procede de Deus.
    • Isaque: a fé que vence.
    • Jacó: a vida que vence, a vida e o poder da ressurreição.
    • José: a força da vida do eu quebrada, a transformação pela renovação da nossa mente, para que possamos experimentar qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus; e o ser escolhido, conhecendo a comunhão dos sofrimentos de Cristo — a escola da disciplina, o único caminho para o trono.

    Agora, nesta noite, quero passar a duas fases muito importantes do agir de Deus com o Seu povo no Antigo Testamento.

    A primeira se resume nas vidas de Moisés e Josué. Tudo tem a ver com a herança: um povo redimido para possuir a sua herança, para tomar posse das suas possessões.

    A segunda fase se resume nas vidas de Davi e Salomão: um povo em sua herança, para edificar o santuário, ou a casa, de Deus. É isso que quero abordar, pela graça de Deus, nesta noite.

    Há algo muito interessante nessas duas fases do agir de Deus com o Seu povo. Primeiro, temos a preparação — Moisés em uma fase, Davi na outra. Depois, temos a realização: Josué no primeiro caso e Salomão no segundo.

    Moisés e Josué: Fé e Paciência na Herança

    Primeiro, vamos considerar Moisés e Josué. Há uma passagem do Novo Testamento que, a meu ver, resume essas vidas de maneira maravilhosa: Hebreus 6:12.

    Para que não sejais indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.

    É muito interessante, quando voltamos a Êxodo 15, ver qual era a intenção de Deus ao tirar o Seu povo do Egito. No grande cântico de Moisés, lemos:

    O Senhor é a minha força e o meu cântico;
    E Ele Se tornou a minha salvação:
    Este é o meu Deus, e eu O louvarei;
    O Deus de meu pai, e eu O exaltarei.

    Depois, a partir de Êxodo 15:13:

    Tu, em Tua benignidade, conduziste o povo que redimiste;
    Tu o guiaste, em Tua força, à Tua santa habitação.
    Os povos ouviram e tremem;
    Dores se apoderaram dos habitantes da Filístia.
    Então os chefes de Edom ficaram aterrorizados;
    Dos poderosos de Moabe apoderou-se o tremor:
    Todos os habitantes de Canaã se derreteram.
    Terror e espanto caem sobre eles;
    Pela grandeza do Teu braço, ficam imóveis como pedra;
    Até que passe o Teu povo, ó Senhor,
    Até que passe o povo que adquiriste.
    Tu o introduzirás e o plantarás no monte da Tua herança,
    No lugar, ó Senhor, que fizeste para Tua habitação,
    No santuário, ó Senhor, que as Tuas mãos estabeleceram.
    O Senhor reinará para todo o sempre.

    O propósito de Deus não era apenas que aquele povo conhecesse o poder do Cordeiro, que conhecesse o livramento do anjo da morte, que ele passasse por cima de suas casas e que todos fossem preservados.

    Nem sequer era que se assentassem naquelas casas e comessem o cordeiro, sem deixar sobrar coisa alguma, mas participando completamente dele. Tampouco era apenas que saíssem do Egito pela poderosa mão e pelo braço estendido de Deus, que Ele dividisse as águas em duas partes e os fizesse atravessar em terra seca, saindo da casa da escravidão para a liberdade.

    O propósito de Deus ao redimir aquele povo, o propósito de Deus ao Se tornar a salvação deles, o propósito de Deus ao adquiri-los, livrá-los e libertá-los era que atravessassem para a terra que Ele lhes havia dado; que chegassem ao monte da Sua herança, passando pelo Seu santuário e entrando em Sua santa habitação.

    Em outras palavras, querido filho de Deus, a nossa salvação tem um objetivo. Não somos apenas salvos — e, em inglês britânico, dizemos “full stop”; vocês dizem “period”: ponto final. Não somos apenas salvos, sem que haja mais nada. Deus nos salvou tendo em vista um objetivo tremendo, uma finalidade tremenda.

    Poucos de nós exploraram e se apropriaram plenamente de tudo o que isso significa espiritualmente: que há o sangue do Cordeiro; que há um Cordeiro do qual devemos participar; que há um anjo da morte que não pode nos tocar; que há um mar Vermelho aberto para que atravessemos.

    A coluna de nuvem e de fogo — nuvem de dia, fogo de noite —, sombra contra o calor durante o dia, luz à noite, luz para afastar os animais selvagens, e assim por diante. Poucos de nós nos apropriamos de tudo o que isso significa simbólica e espiritualmente: maná do céu, água da rocha.

    Mas, sabem, tudo isso tinha uma finalidade. Não era apenas para que tivessem reuniões maravilhosas, cantassem sobre a água da rocha ou cantassem sobre serem conduzidos por uma coluna de nuvem e uma coluna de fogo. Por que a coluna de nuvem e de fogo os conduzia? Qual era o propósito de tudo isso?

    O propósito de Deus era levá-los através daquele deserto e fazê-los atravessar outro rio — o rio Jordão — para entrar na terra que Deus havia prometido por meio de Abraão, Isaque e Jacó, a fim de que possuíssem a sua herança, para que cada homem pudesse se assentar debaixo da sua própria videira e figueira.

    Vocês já pensaram nisso? Por que está escrito que cada homem se assentará debaixo da sua própria videira e figueira? Porque isso simplesmente significa que haverá terra suficiente, solo suficiente, para que haja uma videira e uma figueira debaixo das quais se assentar. Cada homem terá a sua porção da terra. Todos herdarão alguma porção daquela terra prometida — suficiente para cultivar uma videira e se assentar à sua sombra.

    Esse era o propósito de Deus. E, querido filho de Deus, esse é o propósito de Deus para você e para mim. É que você e eu entremos em toda a plenitude de Deus em Cristo; que conheçamos as insondáveis riquezas do Senhor Jesus Cristo; que conheçamos os tesouros da sabedoria e do conhecimento que estão ocultos Nele.

    Que conheçamos não apenas a vida, mas a vida mais abundante; que conheçamos não apenas poder, mas um poder que é a suprema grandeza do Seu poder, o qual Ele exerceu em Cristo quando O ressuscitou dentre os mortos.

    Ah, que herança é a nossa, queridos filhos de Deus, querida família de Deus! Se ao menos os nossos olhos fossem abertos para ver o que o Cordeiro pascal conquistou para nós.

    O sangue do Cordeiro é o fundamento não apenas da saída do Egito e de toda a jornada pelo deserto — que, na verdade, deveria ter levado apenas algumas semanas —, mas também deveria ser a base sobre a qual eles atravessariam para a terra e tomariam posse de toda ela.

    A morte do Cordeiro, o sangue do Cordeiro: essa era a base sobre a qual Deus não apenas os tiraria da casa da escravidão e os livraria dos poderes das trevas, mas também os transferiria para o reino — na linguagem do Novo Testamento, para o reino do Seu Filho amado.

    É um fato triste que muitos de nós estejam tentando edificar a casa de Deus antes de terem experimentado a plenitude de Deus.

    É um fato triste que comecemos a brincar de igreja porque não conseguimos fazer outra coisa. Tudo precisa permanecer na cabeça. Precisa ser uma questão de modelos. Precisa ser uma questão de teorias. Precisa ser uma questão de doutrina. Precisa ser uma questão de verdade — verdade, mas ainda somente verdade.

    Enquanto você e eu não atravessarmos o Jordão espiritualmente, enquanto, por meio de Cristo crucificado, não conhecermos apenas o que é sair da casa da escravidão para a liberdade, mas também entrarmos em nossa herança no Senhor — conhecendo e provando as Suas insondáveis riquezas, conhecendo a suprema grandeza do Seu poder, conhecendo essa vida mais abundante —, ah, queridos filhos de Deus, uma catástrofe terá se abatido sobre nós.

    Não compreendemos a nossa tão grande salvação.

    Deus quer que todos, até o crente mais simples aqui, entrem — entrem em uma experiência interior daquilo que lhes pertence no Senhor Jesus.

    Pois está escrito em Colossenses 2:9-10:

    Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade;
    E Nele estais completos.

    Ah, conhecer essa completude. Ah, conhecer essa inteireza Nele. Minha pequena capacidade cheia, transbordando com toda a plenitude de Deus — sendo cheio até toda a plenitude de Deus.

    Moisés e a Preparação para a Herança

    Agora, o interessante é que, quando olhamos para Moisés e Josué, vemos, ilustrados nessas duas vidas, os elementos essenciais do vencer, da realeza, do reinar com Cristo.

    Moisés representa a preparação. Não há atalhos com Deus, meu querido amigo. Em toda a história da igreja, nunca houve atalhos para o trono. Nunca houve atalhos para reinar com Cristo.

    Deus levou quarenta anos para preparar Moisés, e outros quarenta anos para usar Moisés e preparar um povo, assim como o próprio Moisés — oitenta anos ao todo nessa preparação —, antes que um povo fosse formado e estivesse pronto, com o espírito, o caráter e a fé necessários para atravessar aquele Jordão e possuir a herança de Deus.

    Qual é a grande lição de Moisés? Ah, há tantas lições. Mas, como eu disse, se vamos percorrer todo esse terreno nesta noite, só poderemos destacar talvez a mais importante de todas.

    Antes que Moisés pudesse conduzir um povo, ele mesmo precisava conhecer o Senhor. Se o Senhor havia de Se tornar a salvação do povo de Deus, Ele precisava Se tornar a salvação de Moisés. Ele precisava ser a vida de Moisés se havia de ser a vida daquele povo.

    Creio que tudo isso se resume naquele extraordinário encontro de Deus com Moisés, e de Moisés com Deus, registrado em Êxodo 3. Vou ler Êxodo 3:2:

    E o anjo do Senhor lhe apareceu numa chama de fogo, do meio de uma sarça:
    E ele olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.

    A sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.

    Esse encontro de Deus com Moisés foi o acontecimento mais extraordinário da vida de Moisés. Não apenas o transformou; transformou o curso da história.

    Moisés viu algo naquela sarça ardente que lhe seria de grande valia durante todos os anos do seu ministério.

    Porque, na verdade, o que Deus estava dizendo a Moisés era isto: “Moisés, você é uma sarça seca e morta, e Eu sou o fogo. E, quando a velha sarça seca e o fogo se unem, o Meu propósito se cumpre. Algo começa a acontecer. A história é influenciada”.

    Moisés nem sempre achou que era uma velha sarça seca. Lembro-me de quando, anos atrás, morei no Egito por alguns anos. De vez em quando, na estação quente e seca — que, naturalmente, no Egito é praticamente o ano inteiro —, víamos, no auge do verão, um clarão de fogo.

    Na primeira vez em que vi aquilo, perguntei ao pastor beduíno que estava comigo: “O que foi aquele clarão de fogo?”.

    “Ah”, disse ele, “é só uma velha sarça. Está morta, e o sol a incendiou.”

    Era algo bastante comum. Moisés estava no deserto cuidando das ovelhas. Imagino que tenha visto aquele clarão de fogo e pensado: “Ah, uma daquelas sarças”. Aliás, elas estão por toda parte — são a forma mais comum de vegetação no sul do Sinai.

    Ele pensou: “Aquela velha sarça pegou fogo”, e continuou sonhando os seus sonhos e cuidando das suas ovelhas. Dez minutos depois, olhou para trás e viu que o fogo ainda estava ardendo. Então pensou: “Nossa, que sarça!”, e continuou sonhando os seus sonhos e pastoreando as suas ovelhas.

    Vinte minutos depois, olhou para trás e viu o fogo ardendo. “Deve ser a maior sarça do Sinai”, e continuou sonhando os seus sonhos e cuidando das suas ovelhas. Mas, depois de meia hora, pensou: “Vou me desviar do caminho e ver essa grande visão. Esta é a sarça mais extraordinária que já vi”.

    Ao caminhar até ela e se aproximar, viu que era apenas, suponho eu, uma sarça sem viço, comum. Elas raramente crescem acima da minha cintura, talvez com duas ou três vezes a largura deste púlpito.

    Então, quando ele se aproximou, uma voz saiu do fogo e disse:

    Moisés, Moisés, não te chegues para cá, porque o lugar em que estás é santo.
    Tira as sandálias dos teus pés.
    Eu sou o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

    Agora, vocês já pensaram numa coisa dessas? Quero dizer, é a coisa mais incrível quando realmente começamos a pensar nela.

    Se Deus tivesse escolhido uma palmeira, das quais há muitas no sul do Sinai, teria sido absolutamente maravilhoso — especialmente para nós que ensinamos a Bíblia. No pensamento judaico, a palmeira fala de justiça, ou santidade, e de frutificação.

    Poderíamos ter dito: “Santo, santo, santo ao Senhor”, e pensado em como seria maravilhoso: aquele fogo ardente no alto de uma palmeira, e Deus falando lá de cima a Moisés, dizendo: “Moisés, Moisés, não se aproxime mais. Tire as sandálias dos pés; o lugar em que você está é terra santa”.

    Moisés achava que era uma palmeira. Quarenta anos antes, ele era o filho da filha de Faraó. Era o grande herói da campanha da Líbia. Segundo a tradição judaica, havia sido grandemente condecorado por seu avô, o Faraó, depois da campanha do Sudão. Ele achava que era uma palmeira.

    Quando viu um egípcio brigando com um hebreu, interveio imediatamente. Ali estava uma oportunidade de salvar a situação. Ele podia fazer a obra de Deus por Ele.

    Deus levou quarenta anos para reduzir Moisés de uma palmeira a uma velha sarça seca, feia e comum. Quarenta anos para esvaziá-lo de todas as suas grandes ideias, de todas as suas ideias grandiosas, e reduzi-lo ao que ele realmente era aos olhos de Deus: uma sarça seca e comum no deserto.

    Suponhamos que Deus tivesse escolhido outra árvore muito encontrada no Sinai: a acácia, chamada shittah na versão King James. Isso teria sido simplesmente maravilhoso para os expositores bíblicos, porque teriam dito: “Vejam, Deus estava aparecendo a ele naquela bela acácia da qual seria feito todo o mobiliário do tabernáculo”.

    Mas Deus não apareceu a Moisés nem de uma palmeira nem de uma acácia. Ele entrou, por assim dizer, em uma velha sarça de verdade. É admirável para mim que Deus tenha olhado de baixo para cima, para Moisés; que Ele realmente tenha falado de baixo para cima a Moisés — não simplesmente em sua direção, nem de cima para baixo, mas de baixo para cima.

    Creio que Moisés viu naquela sarça e na chama de fogo — o anjo de Deus naquela sarça — algo que transformou toda a sua vida. Foi a sua preparação, o início da sua compreensão da base sobre a qual Deus conduziria aquele povo pelo deserto.

    O que era? Simplesmente isto: nós não somos nada, e Deus é tudo. Não podemos salvar a nós mesmos. Deus é o fogo. Nós somos apenas uma velha sarça seca. Até os camelos torcem o nariz para a sarça. Os beduínos nem sequer gostam muito de usá-la como combustível, porque ela queima tão depressa.

    Quantas ideias todos nós temos a respeito de nós mesmos! Sabemos que chegamos a Deus como pecadores. Sabemos que não podemos salvar a nós mesmos. Mas, assim que somos salvos, ah, começamos a ter grandes ideias. Ah, somos palmeiras: perfeitamente eretas, majestosas, nobres. Olhamos de cima para baixo, e Deus diz: “Coitados, pensam que são palmeiras, mas, na verdade, são sarças”.

    Ah, pensamos que somos acácias. Pensamos que podemos nos tornar a habitação de Deus; que podemos, por assim dizer, de alguma maneira participar da natureza divina. E Deus diz: “Pensam que são acácias, mas, na verdade, são apenas sarças”.

    O extraordinário é isto: a sarça continua sendo sarça, e a chama continua sendo chama. É combustível eterno para fogo eterno.

    Querido filho de Deus, às vezes o Senhor leva uma vida inteira para nos ensinar uma lição simples: que Ele é tudo e nós não somos nada. Às vezes, Ele precisa passar uma vida inteira nos reduzindo ao que realmente somos.

    Mesmo assim, alguns de nós tentam ser sarças verdes, cheias de seiva. Deus precisa nos fazer passar por tantas coisas até que, finalmente, os nossos recursos sequem, a nossa energia se esgote, tudo desapareça. Somos sarças mortas: feias, comuns, cheias de espinhos.

    Quando chegamos a esse ponto, Deus então diz: “Agora posso entrar em você. Agora posso Me manifestar em você, agora sobre a base da realidade”.

    Ah, querido filho de Deus, antes que você possa se tornar um cedro na casa do Senhor, antes que possa se tornar um ramo da videira, antes que possa se tornar uma acácia — aquela madeira da qual Deus fez o tabernáculo —, primeiro você precisa saber isto: que não é nada além de uma velha sarça seca.

    Quando o Senhor disse: “Estou enviando você a Faraó, porque vou tirar o Meu povo da casa da escravidão”, Moisés Lhe respondeu: “Mas, Senhor, se eu for, eles dirão: ‘Quem enviou você? Qual é o Teu nome?’”.

    O Senhor lhe disse:

    Meu nome é EU SOU O QUE SOU.
    Dize-lhes: EU SOU me enviou a vós.

    Agora, já ouvi alguns sermões maravilhosos sobre o nome, o nome impronunciável de Deus — coisas tão maravilhosas sobre a Sua infinitude, a Sua onisciência, a Sua onipresença e o Seu poder todo-poderoso. São absolutamente empolgantes, mas nenhum deles tocou o meu coração.

    Sempre reconheci que “EU SOU O QUE SOU” significa simplesmente que Deus não tem princípio nem fim, mas que tudo o que existe existe por causa Dele e Nele.

    Certa vez, veio até nós, em Richmond, um pequeno e idoso evangelista irlandês, um homem que mal conseguia falar o inglês padrão, mas que levou meu querido pai ao Senhor no ano anterior à sua morte. Ele pregou uma mensagem que nunca esqueci.

    Ele disse: “Quando Deus disse ‘EU SOU’ a Moisés, ah, na verdade, deu-lhe um cheque em branco. Disse: ‘Moisés, Eu sou aquilo de que você precisa. Precisa de amor? Eu sou o seu amor. Precisa de poder? Eu sou o seu poder. Precisa de graça? Eu sou a sua graça. Precisa de sabedoria? Eu sou a sua sabedoria. Precisa de força? Eu sou a sua força. Precisa de paciência? Eu sou a sua paciência’”.

    “EU SOU, Moisés. Você é apenas uma velha sarça seca. Não há nada em você — nada em você —, mas a chama de fogo está na sarça. Eu sou tudo aquilo de que você precisa.”

    Querido filho de Deus, você nunca poderá atravessar para possuir a sua herança sem antes aprender essa lição. Não tenha medo. Deus não vai consumir você.

    A sarça ardia no fogo, mas a sarça não se consumia.

    Não importa quem somos. Quando finalmente chegamos ao ponto essencial, todos nós somos velhas sarças secas.

    Sabem, às vezes vocês ouvem alguém pregando e pensam: “Ah, que pessoa maravilhosa”. Depois, passam a conhecê-la.

    Tenho certeza de que, se tivéssemos o apóstolo Paulo entre nós, diríamos: “Ah, que homem! Vocês ouviram aquilo?”. Ora, se ele apenas abrisse a boca e nos apresentasse o primeiro capítulo de Efésios, isso já teria sido suficiente para nós.

    Mas, sabem, o apóstolo Paulo era uma sarça. Aqueles que quisessem podiam espalhar tudo o que desejassem a respeito do velho Paulo. Diziam:

    A sua presença corporal é fraca, e a sua palavra, desprezível;
    As suas cartas são graves e fortes.

    E diziam muitas outras coisas.

    Que lição é essa, querido filho de Deus. Nós a vemos ao longo de toda a vida de Moisés. Creio que Deus estava dizendo a Moisés: “Agora, Moisés, entenda bem isto: você é esta sarça, e Eu sou o fogo. Quando nós dois nos unimos, algo acontece. Faraó ficará paralisado. Todo o poder do Egito ficará paralisado. O Meu propósito será cumprido”.

    “Mas a grande necessidade não é apenas que você saiba que é uma sarça morta e que Eu sou o fogo, mas que saiba que a sarça e o fogo devem estar juntos — fogo e sarça juntos para sempre.”

    Ah, filho de Deus, que lição!

    O Senhor é a minha força e o meu cântico;
    E Ele Se tornou a minha salvação.

    Esse é o cântico de Moisés. O que ele estava dizendo era: “O Senhor — Yahweh, EU SOU — é a minha força e o meu cântico. Ele Se tornou a minha salvação”.

    Gostaria que tivéssemos tempo para nos aprofundar muito mais na vida de Moisés: para falar sobre a sua intercessão, quando suplicou ao Senhor e disse: “Senhor, se não perdoares este povo, apaga-me”.

    Ou sobre Levi — a casa de Levi, da qual Moisés fazia parte — e sobre como Deus os escolheu. É a mesma lição, repetidas vezes: eles não tinham herança; o Senhor era a sua porção. O Senhor era tudo. Ele deveria ser tudo para eles.

    Vejam, trata-se do vencedor. Trata-se da realeza. Querido filho de Deus, ninguém jamais reinará com Cristo a menos que saiba que não é nada e que Ele é tudo, e que cada coisa necessária para a administração do governo de Deus, o cumprimento da vontade de Deus e a execução do conselho de Deus nos foi dada em Cristo.

    Nós não somos nada além de velhas sarças secas, mas Ele — Ele é tudo.

    A marca de Moisés está por toda parte nessa questão. Deus estava dizendo: “Moisés, lembre-se de que este povo que você vai conduzir é uma velha sarça seca. Nunca discuta com eles. Lembre-se: são uma velha sarça seca, e Eu sou o fogo, e estou neles”.

    É por isso que Deus ficou tão irado com Moisés quando ele feriu a rocha e disse:

    Ouvi agora, rebeldes; porventura faremos sair água desta rocha para vós?

    Para muitos de nós, isso parece tão duro e severo da parte de Deus. Mas Deus estava dizendo: “Moisés, você se esqueceu. Se Miriã e Arão foram feridos porque tocaram em você — uma velha sarça enriquecida pela chama da presença de Deus —, você não pode tocar no povo de Deus”.

    É uma lição difícil, não é?

    Seja qual for a condição de seus irmãos e irmãs, meus queridos amigos, no mínimo eles são uma velha sarça seca, com muitos espinhos. Mas a chama de fogo está neles.

    Tenham cuidado ao descartá-los. Tenham cuidado ao criticá-los. Tenham cuidado ao acusá-los e condená-los. Eles são os remidos do Senhor.

    Josué e a Posse da Terra

    Então, naturalmente, chegamos a Josué. Josué, como a maioria de vocês sabe, é a forma do Antigo Testamento do nome Jesus no Novo Testamento: Yeshua. O Senhor é salvação.

    Moisés havia aprendido essa lição. Era o cordeiro, o sangue do cordeiro e o cordeiro do qual haviam participado que constituíam a chave para sair da casa da escravidão, atravessar o mar Vermelho e entrar na liberdade.

    Agora eles precisavam aprender a atravessar e possuir a terra. A terra não vem até nós. Precisamos entrar e tomar posse dela.

    Há muitos crentes que me dizem que têm tudo em sua salvação. Não discordo de vocês nem por um instante. Ora, vocês têm em sua salvação cada coisa de que precisam. Mas, meu querido amigo, a terra — a plenitude de Deus, as riquezas do Senhor Jesus Cristo, todos os recursos de Deus em Cristo — não vem simplesmente até você. Não cai simplesmente sobre você. Você precisa, pela fé, entrar e tomar posse.

    Pela fé e pela paciência, você precisa herdar as promessas.

    É a vontade do Senhor que tomemos posse das nossas possessões, que sejamos completos Nele. Podemos ter uma compreensão clara do que Deus deseja a respeito da igreja. Podemos ter uma compreensão clara da sua edificação. Mas, se você e eu não estamos tomando posse das nossas possessões, o que temos para contribuir?

    Tanta vida cristã, tanto serviço cristão, tanta vida da igreja não passam de um interminável andar em círculos, em círculos e mais círculos no deserto.

    Às vezes, há uma verdadeira experiência de direção: uma coluna de nuvem, uma coluna de fogo. Às vezes, há uma experiência real de Cristo: a água da vida, o pão da vida. E, no entanto, continuam andando em círculos, em círculos e mais círculos, e nunca atravessamos.

    Há duas coisas nessa questão de tomar posse das nossas possessões, de herdar aquilo que é nosso no Senhor Jesus Cristo.

    A primeira é esta: de toda aquela geração que saiu do Egito, apenas dois atravessaram — Josué e Calebe. Por quê? Porque tinham outro espírito.

    Creio de todo o coração que a chave para atravessar e tomar posse das nossas possessões está no ministério do Espírito Santo. Qualquer pessoa que tenha medo da Pessoa, da obra e do ministério do Espírito Santo nunca, jamais, atravessará para tomar posse das suas possessões.

    Esse gracioso ministério do Espírito Santo é a chave pela qual você e eu atravessamos. Temos outro espírito.

    Você não consegue produzir fé por esforço próprio. Experimente. Pode conhecer a sua Bíblia de ponta a ponta, mas não consegue obter fé tentando despertá-la por si mesmo. Sem o Espírito Santo, a fé só pode ser uma coisa acadêmica, uma coisa teórica, uma questão da cabeça.

    Você pode saber tudo sobre santidade, tudo sobre ser crucificado com Cristo, tudo sobre a vida de ressurreição — mas não conhece isso por experiência. Somente o Espírito Santo pode nos iluminar, vivificar e capacitar.

    É pelo Espírito que fazemos morrer os feitos do corpo. É a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus que nos liberta da lei do pecado e da morte.

    Foi pelo Espírito eterno que Jesus Se ofereceu a Deus sem mancha nem defeito. Vocês já perceberam isso? Não apenas o oferecimento de Si mesmo na cruz pelo Espírito, mas o fato de que Ele pôde viver uma vida sem mancha nem defeito — Ele o fez pelo Espírito.

    Se o Senhor Jesus o fez pelo Espírito, quanto mais você e eu? Não podemos atravessar para entrar na terra. Não podemos possuir aquilo que é nosso na plenitude de Cristo. Não podemos conhecer essa graciosa habitação interior e capacitação do Espírito Santo, a unção e esses benditos dons de Deus, senão pelo Espírito.

    Essa é a primeira chave.

    A segunda chave é que existem apenas três coisas capazes de impedir um crente de entrar naquilo que lhe pertence: apenas três coisas — pecado, incredulidade ou ignorância.

    Algumas pessoas simplesmente não sabem. Nunca souberam que havia algo mais. Pensavam que ser cristão era ser perdoado. Por não saberem, nunca perceberam que havia mais para possuir. Nunca souberam que era preciso prosseguir, e nunca souberam que havia uma terra na qual entrar e da qual tomar posse.

    Vocês entendem? Bem, espero que ninguém aqui nesta noite esteja em completa ignorância. Depois disso, restam-nos duas coisas: incredulidade e pecado.

    Há pessoas aqui que dizem: “Ah, isso é maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso. Como eu gostaria de entrar. Ele não me conhece. Às vezes, ele não conhece a minha história. Não entende o meu temperamento. Eu sou muito especial. É muito, muito maravilhoso, mas não vai funcionar comigo. Vai funcionar com os outros, mas não comigo”.

    Incredulidade. Os espias voltaram e disseram: “Ah, esta é uma terra maravilhosa, que mana leite e mel. Vejam as uvas que trouxemos do vale de Escol”.

    “Mas é uma terra fortificada até os céus. Há gigantes nela. Não podemos entrar e tomar posse.”

    Ah, há um crente que diz: “Bem, é maravilhoso. Fiquei entusiasmado com aquela mensagem. Fiquei profundamente tocado, e aquele livro que estou lendo é uma coisa de outro mundo. Mas não serve para mim. Não consigo. Veja, as minhas circunstâncias são muito incomuns”.

    Em outras palavras, você está dizendo: “É claro que há cidades fortificadas até o céu, e há gigantes que percorrem a terra. Não podemos entrar”.

    Ou há pecado. Fico surpreso com o pecado que existe entre o povo de Deus, mesmo entre aqueles que parecem mais espirituais: imoralidade, desonestidade, fraudes, sonegação de impostos — todo tipo de coisa que Deus chama de pecado, não de esperteza.

    Esse tipo de coisa nos impede de entrar para possuir a terra. Mas precisamos prosseguir se vamos terminar nesta noite.

    Querido filho de Deus, nunca poderemos edificar a casa de Deus enquanto não tomarmos posse das nossas possessões. As duas coisas caminham juntas. Você e eu precisamos conhecer algo de Cristo como a nossa plenitude, Cristo como a nossa vida, Cristo como o nosso poder.

    Temos Jericós para enfrentar logo no início da terra, bem na entrada da terra — Jericós cujas grandes muralhas precisam cair se vamos entrar e tomar posse.

    Davi e Salomão: Reino e Casa

    Então há esta segunda fase do agir de Deus — na verdade, a terceira fase, se considerarmos Abraão até José como a primeira —, ilustrada por Davi e Salomão. Há muitos outros, como Samuel, mas precisamos deixá-lo de lado. Vamos falar apenas de Davi e Salomão.

    Novamente, temos a mesma coisa. Agora Deus nos introduziu na terra. Agora, pelo menos, apesar de todas as nossas fraquezas, estamos na terra. Temos uma porção. Se somos como Calebe, dissemos: “Dê-me este monte”, e tomamos posse dele.

    Mas, meu querido amigo, essa é apenas uma segunda fase. Não importa se você viu o terceiro céu e ouviu coisas que não é lícito dizer. Isso não é tudo. Pode ser algo muito grandioso que Deus fez por um servo amado, mas tem muito pouca relação com o objetivo.

    Agora vemos que Deus começa a tratar com esse povo na terra. Há duas coisas que Ele tem em vista: o reino, o trono, e a casa.

    A primeira é uma questão de governo, de reinar com Cristo; a segunda é uma questão de adoração e da morada eterna de Deus.

    É importante reconhecermos que, mesmo que tenhamos conhecido algo da plenitude de Cristo e dos recursos de Deus, Deus tem um objetivo mais elevado do que isso. Não é para que você e eu fiquemos satisfeitos se obtivermos a nossa herança.

    Observem que Êxodo diz:

    Tu o introduzirás e o plantarás no monte da Tua herança.

    Tantos de nós, crentes, estamos preocupados apenas conosco mesmos: nossa bênção, nosso bem, nossa paz, nossa vida, nossa satisfação. Ah, nosso, nosso, meu, minha!

    Iremos a qualquer conferência se acharmos que ela tem algo para nós. Viajaremos centenas de quilômetros se for uma questão de termos alguma participação nisso.

    Mas Deus diz que você precisa primeiro atravessar para a terra da herança Dele. Você precisa ter entrado; precisa ter tomado posse da terra; precisa saber o que é seu. Mas, então, precisa compreender que não existe apenas a sua pequena herança — existe a herança de Deus.

    Qual é a herança de Deus? É a casa do Senhor. Enquanto Deus não pudesse colocar no trono um rei, um homem segundo o Seu coração, não poderia haver a edificação da casa de Deus. Essa é a história de Davi e Salomão.

    Davi representa a preparação; Salomão, a realização. Mais uma vez, o que podemos extrair dessa maravilhosa vida de Davi?

    Toda essa questão de chegar ao trono é tão importante. Por que o Senhor Jesus disse em Mateus 16:18-19:

    Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
    E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
    Eu te darei as chaves do reino dos céus:
    E tudo o que ligares na terra será ligado nos céus;
    E tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

    O que Ele estava dizendo a Pedro? “Se Eu vou edificar a Minha igreja, e se as portas do Hades não devem prevalecer contra ela, Pedro, você precisa usar as chaves. Há coisas que precisam ser ligadas, e há coisas que precisam ser desligadas”.

    Querido filho de Deus, por que não vemos a edificação da casa de Deus? Por que podemos pregar até perder o fôlego sobre questões da igreja e ainda assim não ver uma verdadeira edificação do povo de Deus?

    Por que podemos conhecer corretamente a doutrina da igreja, ter toda a prática correta, estar ali na comunidade e, ao mesmo tempo, nunca ver os crentes sendo edificados juntos? Nunca os vemos sendo ajustados uns aos outros. Nunca vemos a glória do Senhor enchendo a casa até que ninguém possa ministrar nela.

    Ah, essa experiência acontece quando, de alguma maneira, por causa da glória de Deus, aquela percepção da presença do Senhor mantém a congregação dos Seus filhos em tamanha reverência que ninguém ousa dizer uma palavra — não por inibição, não por limitação. Isso é a glória.

    Há manifestações da glória que podemos experimentar aqui, coletivamente, quando o Espírito de Deus — nem sempre em algum grande movimento dinâmico, mas às vezes da maneira mais silenciosa — de repente nos torna a todos conscientes de que o Senhor está no meio de nós de maneira manifesta.

    É porque você e eu não temos usado as chaves do reino dos céus, porque não temos conhecido o que deve ser ligado e o que deve ser desligado, que temos mantido toda essa questão da edificação da igreja, por anos e anos, no campo da teoria.

    É por isso que a realeza é tão importante. É por isso que a oração que exerce a autoridade do reino é um aspecto tão vital da casa de Deus. É algo que tem a ver com o trono.

    Agora, querido filho de Deus, ouça-me nesta questão: nunca veremos a casa de Deus edificada enquanto não tivermos o trono. Uma vez que tenhamos o reino, uma vez que comecemos, da nossa maneira tão limitada, a reinar juntos com Cristo, então começaremos a ver a casa do Senhor.

    Vocês acham que Satanás vai ficar parado e simplesmente observar a casa do Senhor ser edificada e concluída? Acham que ele considera isso algo tão simples? Ele sabe que a edificação desse lugar, onde está a morada eterna de Deus, significa o seu fim. Ele não vai simplesmente ficar de lado, observando.

    Ele colocará em ação cada arma do seu arsenal. Fará tudo o que se possa imaginar para derrubar, minar e paralisar a obra, para oprimir o povo de Deus até que toda a obra de edificação seja interrompida.

    Querido amigo, se você e eu não aprendemos a reinar com Cristo, se não estamos dispostos a usar as chaves do reino dos céus, não haverá conversões. Não haverá tições arrancados do fogo. Não haverá recém-nascidos sendo acrescentados à casa de Deus, entre o povo de Deus.

    O diabo está interessado em impedir isso. Vocês verão que não haverá material para essa casa, nem pedras vivas para essa edificação. É uma questão de ligar e desligar.

    O mesmo se aplica ao ministério. Davi fez muito para preparar o ministério da casa. Os últimos anos de sua vida foram gastos organizando os turnos dos cantores, dos músicos, dos diferentes instrumentistas, das diferentes ordens de Levi, e assim por diante.

    Meu querido amigo, precisamos de uma realeza conquistada em combate, levada até esse ponto. Precisamos reinar com Cristo. Vejam, o Rei está no trono.

    Jesus disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    Os protestantes frequentemente se esquecem de que Ele disse:

    Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.

    Com isso, naturalmente, Ele Se referia a Si mesmo, mas a Si mesmo revelado em Pedro.

    “A ti” — a Mim mesmo? Não, a ti, Pedro — “dou as chaves do reino dos céus”. O Senhor Jesus não disse apenas: “Edificarei a Minha igreja”. Ele disse: “Você é Pedro. Isso tem algo a ver com você”. Você precisa fazer alguma coisa.

    A Compreensão de Davi sobre o Propósito de Deus

    Aprendemos coisas tão maravilhosas com a vida de Davi. Algo que sabemos, e que só posso mencionar brevemente, é que, desde o princípio, ele tinha uma compreensão clara do propósito do Senhor.

    Ele nunca viu o trono como um fim em si mesmo. Viu o trono como uma responsabilidade dada por Deus, uma mordomia — quero dizer, para edificar uma casa para o Senhor.

    Se vocês quiserem as passagens bíblicas que mostram isso, levaria tempo demais citar todas. Só posso indicar 1 Crônicas 17:1-4 e 1 Crônicas 17:12-14. Comparem essas passagens com 1 Crônicas 28:2. Se vocês consultarem esses textos e os examinarem novamente, verão do que estou falando.

    Mas olhem para o coração de Davi. Ouçam o que ele diz:

    Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
    Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
    Para contemplar a beleza do Senhor
    E para inquirir no Seu templo.

    Ele estava orando pela casa de Deus antes mesmo de haver um templo, quando escreveu esse salmo. Posso lhes apresentar uma série inteira de salmos nos quais ele fala sobre o templo. Isso aparece tanto que os teólogos liberais dizem que esses salmos nunca poderiam ter sido escritos por Davi; devem ter sido escritos depois da construção do templo.

    Não penso assim. Posso lhes dizer que isso é uma compreensão clara de qual era o propósito de Deus. Era edificar uma casa para Ele.

    Vocês podem anotar Salmos 27:4, Salmos 36:8-9, Salmos 68:29, Salmos 11:4 e Salmos 18:6. E aquela passagem, a mais bela de todas?

    Certamente a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida;
    E habitarei na casa do Senhor para sempre.

    Os rabinos nos dizem que isso foi escrito quando Davi era menino. Se for assim, significa que, desde a infância, ele tinha uma compreensão da casa do Senhor.

    Se você e eu vamos ver a casa de Deus edificada, precisamos ter entendimento. Deus já conquistou você de tal maneira que diga:

    Uma coisa desejo, e a buscarei:
    Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida.

    Essa era outra coisa a respeito de Davi: ele era um homem de guerra. Salomão era um homem de paz. Davi era um homem de guerra — dois lados de uma mesma moeda. Vocês nunca terão a casa de Deus sem o combate da fé.

    Combate o bom combate da fé.
    Toma posse da vida eterna, para a qual foste chamado.

    Se você não fizer isso, não haverá o cumprimento do propósito de Deus. Há um conflito. Há uma luta. É o combate da fé.

    Ah, quanta desilusão surge em nossa vida nessa questão da edificação da casa de Deus. Quanta decepção. Quantos problemas inexplicáveis surgem. Como é fácil o entusiasmo da juventude dar lugar à desilusão da meia-idade.

    Filho de Deus, lembre-se:

    Combate o bom combate da fé.

    Foi Davi quem, ao chegar àquela fortaleza dos jebuseus e vê-los olhando do alto da grande cidade fortificada, ouviu-os dizer: “Vamos deixar apenas os coxos e os cegos sobre estas muralhas. Você nunca conseguirá subir”.

    Davi se lembrou das palavras de Deus a Josué:

    Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, Eu vo-lo tenho dado.

    E disse: “Muito bem. Vamos ver essa questão dos coxos e dos cegos”.

    Ele enviou seus homens pelo poço de água, que ainda existe hoje no complexo do túnel de Ezequias. Eles puseram os pés ali e disseram: “Isto pertence ao Senhor”. Poderia ter sido feito centenas de anos antes, mas eles não tiveram fé. Jerusalém foi tomada.

    Se vocês lerem algumas dessas coisas maravilhosas sobre as batalhas de Davi, suas guerras — algumas delas podem fazer o sangue de vocês gelar —, o fato é que, ora, trata-se do combate da fé. Moabe, Amom, Edom, Filístia, os amalequitas e Arã — todos caíram, um após outro, após outro.

    Aqui está a coisa mais maravilhosa de todas para aqueles de vocês que desejam estudar isso. Consultem 1 Crônicas 29:1-5 e comparem com 1 Crônicas 18:7-11. O que encontrarão? Encontrarão que as guerras de Davi forneceram o material com o qual a casa de Deus foi edificada.

    Quando Davi disse: “Preparei ouro e prata em abundância, e pedras preciosas, mármore, madeira, ferro e toda sorte de outras coisas”, vocês descobrirão que tudo isso foi custeado pelas vitórias.

    Querido filho de Deus, você acha que a casa de Deus é edificada apenas sentando e cantando hinos? Você simplesmente acha que a casa de Deus será edificada lendo um livro ou realizando um estudo bíblico? Meu querido amigo, Deus permitirá que o Seu inimigo venha de todos os lados — do norte e do sul —, e eles tomarão cada coisa que temos na terra.

    Eles nos subjugarão. Eles nos submeterão. Farão de nós escravos sem herança, a menos que aprendamos, e até que aprendamos, a lição de que precisamos nos levantar em nome do Senhor, e todo Golias cairá.

    Então, das vitórias que experimentarmos em nome do Senhor, virá o material para a casa do Senhor.

    Não é pelo poder que temos em nós mesmos. Ninguém chegará ao trono de outra maneira. Não pense que Deus vai simplesmente colocar uma coroa em você, tratá-lo como um bebê, pôr-lhe uma fralda e ficar embalando você o tempo todo, quando já tem quarenta anos de idade.

    Há crentes que têm quarenta anos de idade fisicamente e ainda esperam que alguém os proteja, os carregue para cá, os carregue para lá, faça isto por eles e faça aquilo por eles.

    Vocês acham que a casa de Deus vai crescer como num conto de fadas — basta agitar uma varinha, e ela surge como por magia? Meu querido amigo, de certa maneira seria até agradável se fosse assim, mas seria um desastre para o caráter.

    Deus nunca, jamais, permitirá que o caráter seja deixado de lado. Ele quer o Seu caráter. A única maneira de você e eu aprendermos as características da realeza é resistir aos inimigos de Deus em nome do Senhor e derrotá-los.

    Meus queridos amigos, é claro que vocês não podem derrotá-los pelo seu conhecimento, pela sua devoção, pelas suas lágrimas ou pelo seu jejum, mas pela obra consumada do Cordeiro. É a obra consumada do Cordeiro e o Deus que Se manifestou para destruir as obras do diabo.

    Aquele que tinha o poder da morte — o diabo — foi derrotado. É isso que precisamos declarar.

    Então teremos despojos: o ouro de Cristo proveniente da batalha, da vitória; a prata da redenção; as pedras preciosas da Sua natureza. Por meio do sofrimento, conhecemos a madeira da Sua humanidade, as pedras da Sua durabilidade. Todas essas coisas virão a nós à medida que aprendermos a combater o bom combate da fé e a tomar posse da vida eterna.

    Querido filho de Deus, você não acha que às vezes precisamos disso em nossas reuniões? Nós que vimos algo disso e estamos nos reunindo como crentes — por que tantas vezes ficamos tão pesados, não é? Todos sabemos que há algo no ambiente, mas seguimos com os nossos hinos e o nosso estudo bíblico.

    Às vezes, seria bom parar e dizer: “Amigos, há algo oprimindo esta congregação, algo que precisa ser enfrentado em nome do Senhor. Vamos deixar de lado o que estamos fazendo e nos dedicar à oração”.

    Então as coisas começariam a acontecer. É como uma brecha nas defesas do inimigo. Uma vez aberta uma grande brecha, as defesas do inimigo começam a desmoronar. Uma vez que há um avanço decisivo, ele é obrigado a recuar.

    Não enxergamos as coisas assim. Achamos que o diabo é tão tolo, sabem — penduramos alguns versículos, e ele sai correndo como um pequeno chacal assustado. O diabo não é assim. Ele possui uma inteligência aguçada, inferior apenas à de Deus. Ele sabe o que está fazendo.

    Há apenas uma coisa capaz de acabar com o inimigo: quando o povo de Deus se levanta junto em nome do Senhor, com toda a sua consciência de fraqueza, seus sentimentos de indignidade, seus sentimentos de insignificância, e diz: “O Senhor terá a Sua casa”.

    Salomão e a Sabedoria para a Edificação

    Bem, o nosso tempo realmente acabou, mas devo dizer algo sobre Salomão.

    Quanto a Salomão, penso que, em alguns aspectos, o fim da sua vida foi triste. Há aqueles que acreditam que Salomão se desviou completamente. Eu não penso assim. Suponho que, por causa da minha formação, creio na posição judaica: que ele seguiu plenamente o Senhor no início, afastou-se na meia-idade, escreveu Eclesiastes e Cântico dos Cânticos quando era jovem e, depois, voltou ao Senhor na velhice e reuniu os Provérbios.

    Mas Salomão faz parte dessa história. Com ele, a casa do Senhor é edificada.

    Uma das coisas mais belas de toda a Palavra é quando o Senhor aparece a Salomão certa noite, quando ele tinha vinte e um anos de idade, e lhe diz: “Diga-Me, o que você deseja de Mim?”.

    Salomão disse: “Tu me fizeste rei sobre este povo, que é uma grande multidão, como a areia da praia. Peço-Te sabedoria e conhecimento, para que eu seja capaz”.

    Deus lhe disse:

    Porque não pediste riquezas, nem bens, nem honra, nem a vida daqueles que te odeiam, nem tampouco pediste longa vida;
    Mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para que possas julgar o Meu povo:
    Eu te darei sabedoria e conhecimento como nunca houve antes de ti, nem depois de ti se levantará alguém semelhante a ti.
    E, com essa sabedoria, Eu te darei riquezas, bens e honra.

    Quando se trata de edificar a casa de Deus, precisamos de sabedoria.

    Quando vemos tanta coisa que, no início, foi maravilhosa em muitas partes do mundo no que diz respeito à edificação da igreja, e depois vemos como depressa, de uma forma ou de outra, ela sai dos trilhos, se desvia para outras coisas, se torna fórmula, sistema e instituição, percebemos a necessidade de sabedoria.

    Sabedoria é mais do que conhecimento. O conhecimento tem a ver com os fatos; a sabedoria é a aplicação dos fatos — saber como.

    Ah, queridos amigos, precisamos de sabedoria. Cada um de nós é um edificador — alguns de nós um pouco mais, mas todos somos edificadores.

    É muito interessante o que está em 1 Coríntios 3. O texto fala daquilo que alguém edifica, e todos nós pensamos nos presbíteros, nos ministros. Na verdade, não — é o apóstolo Paulo falando daquilo com que você contribui para a edificação: ouro, prata, pedras preciosas. A obra de cada um será manifesta.

    O que você está colocando na edificação?

    O que você está colocando na edificação?

    Salomão: um homem de paz.

    Salomão foi um homem extraordinário, pelo menos na juventude. Ele preparou o terreno do monte Moriá. Até hoje, vocês podem ver o que ele fez. Foi um feito incrível.

    Depois, dispôs as grandes e enormes pedras e edificou sobre aquele fundamento uma casa para o Senhor. Então revestiu o interior com prata, depois com madeira, depois com ouro, e mais ouro.

    Ah, deveríamos realmente ter uma mensagem inteira sobre cada um desses elementos, não é?

    O Fundamento

    Não há outro fundamento além daquele que está posto, o qual é Jesus Cristo.

    A igreja nunca será edificada sobre uma coisa, sobre um método, sobre uma técnica, sobre uma verdade ou sobre uma experiência.

    Ela é edificada sobre Ele, e somente sobre Ele. A igreja é edificada sobre esse fundamento: “Eu edificarei”. É tão simples quanto isso e, no entanto, tão profundo.

    Almas vivas, introduzidas na própria natureza de Deus, são edificadas sobre o fundamento que é o Senhor Jesus Cristo.

    Prata, Madeira, Ouro e Pedras Preciosas

    Depois há aquela prata. Depois a madeira — madeira de cedro e de oliveira no templo. O cedro e a oliveira falam de humanidade: incorruptibilidade, durabilidade, flexibilidade, nobreza e humanidade cheia do Espírito.

    Depois, o ouro da Sua natureza, e depois as pedras preciosas. E, quando a casa do Senhor é edificada no Espírito, a glória do Senhor a enche.

    Querido filho de Deus, você e eu fomos chamados pelo Deus de toda a graça para a Sua eterna glória em Cristo.

    Vocês entenderam? Não é apenas uma questão de entrar e possuir aquilo que é seu em Cristo. É também uma questão de reinar com Cristo, para que a casa de Deus seja edificada.

    Essa morada eterna de Deus é o coração de toda a criação e o coração de todo o agir de Deus com a humanidade. Estamos aqui para edificar a casa do Senhor, para que, quando ela estiver edificada, possamos reinar com Ele para sempre.

    Exortação Final

    Acho que vamos parar por aqui. Isso já é suficiente para uma noite sobre toda essa questão da realeza e do vencer, não acham?

    Fico pensando em quantos reis há aqui — aqueles que estão tomando posse daquilo que lhes foi comprado por um preço tão elevado, ao custo do amor de Cristo. Eu quero isso.

    Quantos vencedores há aqui nesta noite, aprendendo a estar somente por cima, e não por baixo, a ser a cabeça, e não a cauda, enquanto aprendem a edificar a casa do Senhor?

    Que o Senhor ajude cada um de nós a compreender essas coisas. Vamos orar?

    Oração Final

    Pai, nós Te pedimos, com muita simplicidade, que nos dês toda essa sabedoria espiritual e revelação no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Precisamos que os nossos olhos sejam iluminados. Há muitos aqui que talvez, Senhor, não estejam entrando naquilo que lhes pertence no Senhor Jesus como Tu desejas que entrem.

    Ó Pai, que, ao fim desta semana, muitos de nós nos levantemos em nome do Senhor e, pela fé e pela paciência, herdemos as promessas; atravessemos para a plenitude que é nossa no Senhor Jesus e tomemos posse dela; comecemos a experimentar algo dos Teus recursos e das Tuas riquezas Nele.

    Ó Pai, oramos para que todos nós tenhamos os olhos do coração abertos para ver qual é o Teu objetivo, para que, Senhor, aprendamos a reinar Contigo e, reinando Contigo, edifiquemos a casa do Senhor.

    Ó, revela-nos o que é essa casa e o que a sua edificação realmente significa em termos práticos.

    Pai, ouve-nos, pois nos entregamos a Ti em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.