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    The Christian Life: A warfare © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Christian Life: A warfare
    The Christian Life: A warfare
    Austin-Sparks, T.

    A guerra espiritual e as tentações de Cristo

    Abram no Evangelho segundo Lucas, capítulo 4.

    E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão;
    e foi conduzido pelo Espírito no deserto,
    durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo.
    E naqueles dias não comeu coisa alguma;
    e, terminados eles, teve fome.

    E disse-Lhe o diabo: Se Tu és o Filho de Deus, manda que esta pedra se torne pão.
    E Jesus lhe respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem.

    E, levando-O a um lugar alto, mostrou-Lhe, num momento, todos os reinos do mundo.
    E disse-Lhe o diabo: Dar-Te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos;
    porque me foi entregue;
    e a dou a quem quero.
    Portanto, se Tu me adorares, tudo será Teu.
    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e somente a Ele servirás.

    E levou-O a Jerusalém, e colocou-O no pináculo do templo, e disse-Lhe: Se Tu és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo;
    porque está escrito: Aos Seus anjos dará ordens a Teu respeito, para Te guardarem;
    e: Eles Te sustentarão nas mãos,
    para que não tropeces com o Teu pé em alguma pedra.
    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus.

    E, tendo o diabo terminado toda a tentação, afastou-se Dele por algum tempo.

    A vida cristã como guerra

    Na primeira carta a Timóteo, em 1 Timóteo 1:18:

    Este encargo te confio, Timóteo, meu filho, segundo as profecias anteriormente feitas a teu respeito, para que, por elas, combatas o bom combate.

    E em 1 Timóteo 6:12:

    Combate o bom combate da fé.

    Depois, na segunda carta, em 2 Timóteo 2:3-4:

    Sofre comigo as aflições, como bom soldado de Cristo Jesus.
    Nenhum soldado em serviço se embaraça com os negócios desta vida;
    a fim de agradar Àquele que o alistou como soldado.

    Não é necessário provar a vocês que a vida cristã é uma guerra. Mas esse é um assunto do qual precisamos ter uma compreensão real. Há uma grande diferença entre conhecer algo como informação e compreender o que aquilo realmente significa.

    É importante, porém, para que nos lembremos e tenhamos plena consciência disso, reconhecer que a vida cristã é uma guerra. Além disso, o Novo Testamento deixa perfeitamente claro que essa guerra se estende por toda esta era. Ela prossegue até o fim desta era.

    É assim que ela é apresentada em todo o Novo Testamento. O Novo Testamento aponta para o próprio fim desta era e mostra que ela é caracterizada pela guerra espiritual do começo ao fim.

    A estratégia do inimigo contra o combate espiritual

    Agora, o inimigo com quem temos de lutar possui um plano tático muito elaborado, abrangente e detalhado para obter vantagem.

    Uma das principais táticas do inimigo é eliminar dos cristãos o próprio elemento do combate — isto é, fazer dos cristãos pessoas que não combatem; realmente, tirar deles o espírito de combate ou, de alguma maneira, levá-los a uma condição em que isso seja completamente eliminado.

    Há mais baixas espirituais por não combater do que por combater.

    Há muitos que ficam machucados, feridos e temporariamente derrubados na luta. Podem ficar fora de combate por algum tempo, mas se levantam e voltam a lutar.

    Mas o campo inteiro está repleto de baixas — pessoas que se tornaram baixas porque não combateram. Eu digo que essas são muito mais numerosas.

    A necessidade da resistência espiritual

    Ontem, mais uma vez, fiquei impressionado com algo que tenho observado muitas vezes ao viajar de avião: quando o avião está subindo, e quando está na altitude de voo com toda a sua potência em ação, ele fica muito mais estável. Prossegue com firmeza e enfrenta as forças contrárias de maneira vitoriosa.

    Mas, assim que o avião entra em descida, a aceleração diminui e a potência é reduzida, ele se torna um brinquedo do vento. Você balança de um lado para o outro, é sacudido por toda parte, porque a força propulsora diminuiu.

    É muito parecido com isso. Nós nos tornamos brinquedos do diabo; somos jogados de um lado para o outro quando deixamos de agir com firmeza ou quando o espírito de combate e de avanço enfraquece suficientemente. Esse é o momento perigoso na vida cristã.

    Repito: o espírito de combate no cristão é uma grande proteção. Estar sem ele é um grande perigo.

    Se afrouxarmos, creio que Satanás fará o mesmo. Mas ele nos atingirá de outras maneiras. Podemos ter a impressão de que teríamos uma vida mais fácil se não fôssemos tão firmes. Ele talvez alivie a pressão, naquela forma específica, se nós afrouxarmos; mas agirá de outras maneiras, mais sutis. Ele não está desistindo.

    Vocês querem ter uma vida mais fácil, mas nem por isso menos perigosa? Parem de lutar, e descobrirão que o inimigo os despedaçará. É, como eu digo, o perigo de se tornar uma baixa por não combater.

    As tentações de Cristo

    Chegamos às tentações de Cristo, essas três tentações sobre as quais acabamos de ler. Observem que a linha foi cruzada no Jordão. A batalha foi estabelecida e começou. Ele Se comprometeu com a cruz, conforme simbolizado no Jordão, e então o Espírito que unge veio sobre Ele. Esse foi o início da batalha.

    Agora observem a natureza dessa guerra, conforme indicada por aquelas tentações.

    O relacionamento com o Pai

    Em primeiro lugar, o ataque — a investida — foi contra o Seu relacionamento com o Pai:

    Se Tu és o Filho de Deus.

    Seu relacionamento com o Pai, toda a questão da filiação, era um alvo da investida satânica.

    Observem como o relato termina: o diabo afastou-se Dele “por algum tempo”. Mas a nota à margem diz: “até uma ocasião mais oportuna”; e ele de fato voltou a esse ponto bem no final, na hora de maior fraqueza. Voltou exatamente a isso: toda a questão do Seu relacionamento com o Pai.

    Não tenho tempo nesta manhã para falar sobre o que esse relacionamento realmente significa — um filho para o Pai —, mas posso apenas indicar isto: a filiação, em seu próprio significado, implica que toda a honra do Pai está envolvida.

    A verdadeira filiação significa assumir a responsabilidade pela honra do Pai. O mais terrível no fracasso da filiação, seja no caso de Cristo, seja nas relações comuns da vida, é que ele desonra o pai. Traz descrédito sobre o pai. Traz vergonha sobre o pai. O pai sofre vergonha pelo fracasso de um filho.

    Assim era com Cristo. Toda a questão da honra do Pai e da satisfação do Pai estava envolvida. Por isso, o inimigo concentrou sua investida, em primeiro lugar, naquele relacionamento com o Pai.

    Lembrem-se: essa é sempre a natureza desta guerra. Nosso relacionamento com Deus é um ponto central de constantes ataques e investidas do inimigo, e assim será até o fim, porque há muita coisa em jogo e ligada a esse relacionamento. O inimigo está sempre tentando criar uma divisão entre nós e o Pai.

    O relacionamento com o mundo

    Depois, em segundo lugar, há o relacionamento com o mundo: o relacionamento com o mundo. A oferta dos reinos do mundo, de sua glória e de sua autoridade foi feita nos termos de Satanás.

    Portanto, a questão passou a ser se Cristo abriria mão deste mundo tal como ele é e de tudo o que ele tinha a oferecer — posição, recompensas, influência e tudo aquilo com que este mundo nos atrai —; se Ele abriria mão disso em sua forma atual, para tê-lo somente nos termos de Deus e conquistá-lo à maneira de Deus.

    Vocês podem ver que essa é uma questão muito real na guerra espiritual, especialmente para os novos cristãos. Você se depara com isso de imediato, quase no mesmo instante. Torna-se cristão e já está diante dessa questão.

    Então, o mundo ou o Senhor — qual dos dois você vai escolher? Muitas vezes, ao se tornar cristão, essa escolha se apresenta com uma divisão muito clara, e você precisa enfrentá-la diretamente.

    Há muitas maneiras práticas pelas quais essa questão urgente se apresenta. Ela se torna uma batalha que prossegue até o fim. Nunca é agradável à nossa vida natural sermos menosprezados pelo mundo e vermos o mundo nos negar seu favor e seu apoio por sermos cristãos. Mas Deus falou, e chega o momento da prova.

    Vocês veem como estou passando rapidamente por essas coisas, apenas dando algumas indicações.

    O relacionamento com a igreja

    Então, em terceiro lugar, a batalha concentrou-se no relacionamento com a igreja. Satanás O levou ao pináculo do templo. O templo. Por que não O levou ao palácio? Bem, isso teria pertencido à outra esfera. Não, foi ao templo.

    O Senhor Jesus veio com o propósito de conquistar a Sua igreja. Aqui está a questão: agora ela é religiosa. Não se trata mais do mundo; trata-se de uma questão religiosa. Não se trata diretamente de Deus; trata-se de outra coisa.

    Aqui vocês têm, representada pelo templo, a religião popular, a religião estabelecida, a religião tradicional, a religião formal — sim, e a religião morta. O diabo não diz isso expressamente, mas sugere, em sua tentação, que Cristo pode alcançar o mundo religioso se apenas fizer aquilo.

    Ele pode conquistar o mundo religioso e obter um lugar nesse mundo. Pode conquistar uma reputação. Pode conquistar influência nesse mundo. Pode fazer um nome para Si nesse mundo. Pode obter aplausos, aceitação e seguidores no mundo religioso.

    Mas Jesus sempre, em Sua vida, traçou uma linha nítida entre a religião tradicional, fria, morta e formal e uma igreja viva. Ele Se comprometeu com a igreja. Ele disse:

    Edificarei a Minha igreja.

    Cristo amou a igreja e entregou-Se por ela.

    Agora, o diabo tem uma percepção aguçada das coisas. Ele tem um conhecimento intuitivo. Creio que sabe o que essa igreja está destinada a significar para a sua ruína. Portanto, se conseguisse desviar Cristo daquele propósito específico da igreja para alguma coisa religiosa como alternativa, teria alcançado uma tremenda vitória.

    O relacionamento com a igreja: não, Cristo não Se deixa desviar disso. Não se esqueçam, queridos amigos: o inimigo está sempre tentando nos fazer aceitar algo inferior à plenitude do pensamento de Deus a respeito da igreja; fazer com que nos tornemos religiosos, sim, cristãos formais, profissionais; fazer com que sejamos rebaixados a esse nível e roubados e privados do tremendo significado do Corpo de Cristo e de seu destino no desígnio de Deus.

    Mais uma vez, estou apenas dando algumas indicações sobre isso. Quero chegar a outra aplicação tríplice desse assunto. Mas estas são três esferas da batalha: nosso relacionamento com Deus, nosso relacionamento com este mundo e nosso relacionamento com a igreja. A batalha se trava nesses três pontos.

    As três esferas do combate pessoal

    Mas agora olhem para Cristo pessoalmente, em Si mesmo: primeiro, o Seu corpo.

    A esfera do corpo

    Houve um ataque contra o Seu corpo e contra aquilo que parecia ser uma necessidade dele. Há um aspecto, queridos amigos, em que a grande questão surge na própria esfera do corpo: se as exigências de nossa vida corporal, de nossa vida física, terão a primazia ou se a vontade de Deus prevalecerá.

    Às vezes, essa é a questão. O apóstolo diz:

    Rogo-vos que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo.

    Seus corpos, um sacrifício vivo, porque muitas vezes é o corpo que se levanta e determina nosso caminho — aquilo de que precisamos para nossa vida tão difícil, ao que parece; aquilo que se impõe; aquilo que nos faz bem corporal e fisicamente.

    Às vezes, trata-se de encontrar descanso. Ah, sim, estes corpos precisam de descanso, e Deus sabe disso. Cristo levou isso em conta com Seus discípulos. Ele conhecia a necessidade de descanso físico.

    Mas há situações, eu digo, e momentos em que essa questão pode se tornar espiritual, e não apenas corporal. Pode haver fraqueza física ou alguma indisposição que passa a determinar tudo, e nós nos rendemos a ela, a aceitamos e somos retirados da batalha.

    Contudo, mesmo assim, há ocasiões — não sempre, observem bem — em que somos chamados a dizer: “Sim, não me sinto muito disposto. Não me sinto muito bem. O corpo parece dizer que eu deveria fazer isto, aquilo e aquilo outro. Mas há uma questão espiritual em jogo e, por isso, eu me aproprio da vida”.

    Eu me aproprio da vida. Não é verdade que, muitas vezes, quando nos pomos de pé e nos preparamos para essa batalha física, a vida vem, e fazemos o que não teríamos feito se tivéssemos cedido ao corpo? Vocês entendem o ponto.

    A questão, então, naquele momento, era se o corpo iria determinar o caminho ou se a vontade do Pai prevaleceria: a esfera do corpo.

    A esfera da alma

    Depois, há a esfera da alma. Como observei, essa oferta dos reinos do mundo era um apelo à Sua alma — à ambição.

    Ambição! Todas as mais tristes tragédias da ambição neste mundo. Os pais, em sua ambição pelos filhos, tantas vezes devastaram a vida espiritual deles.

    Nossa ambição neste mundo — chegar a algum lugar, chegar ao topo, ser alguém, fazer um nome e todas as outras manifestações de nossa própria vida natural —, como ela é poderosa! Isso era um apelo ao próprio eu neste mundo: reputação, nome, posição, influência, ganho, sucesso, prosperidade, ascensão. Tudo isso estava envolvido.

    Bem, não há nada de errado em fazer um bom trabalho, em trabalhar neste mundo e em progredir. Mas, se isso ocorre à custa de fazer a vontade do Pai, e se acontece por sugestão do diabo e pelo estímulo à nossa própria vida da alma, há um perigo imenso ligado a isso.

    Temos de lutar até resolver essa questão e chegar ao ponto central: o que está determinando o caminho — meu próprio eu, minha própria vida da alma — ou, de fato, aquela antiga questão: o que Deus quer para minha vida? Essa é uma batalha muito intensa, não é?

    A esfera do espírito

    Depois, quanto ao Seu espírito — o Seu espírito. Toda a questão da adoração rege essa tentação, não é? Adoração em espírito.

    O espírito é aquela parte de nós em que Deus é adorado. Deus procura verdadeiros adoradores que O adorem em espírito — não no corpo, não na alma, mas no espírito.

    Paulo disse:

    A Quem sirvo em meu espírito.

    O inimigo fará qualquer coisa para nos tirar da base desse relacionamento essencial e último com Deus em nosso espírito — qualquer coisa para nos afastar disso.

    Vocês e eu temos aprendido, com uma percepção cada vez mais aguçada e clara, o que significa andar no Espírito e ter nossa vida com Deus por meio de nosso espírito: não por nossos sentimentos, nossas emoções, nossos desejos, nosso próprio raciocínio, nem, de modo algum, pelas influências dominantes deste mundo.

    Com Deus no mais íntimo do nosso ser — com Deus. Vocês veem como, desde aquele momento, essa foi uma questão fundamental na vida do próprio Senhor Jesus.

    Ao longo de todo o caminho, desde essa entrega no Jordão e desde essa batalha fundamental e abrangente no deserto, Sua vida se baseou nisto: Ele Se deixaria influenciar por outras considerações ou andaria com o Pai de maneira interior, em Seu coração?

    Vocês veem como isso surgiu repetidas vezes. O inimigo estava tentando encontrar uma brecha ali, fazer com que Sua vida se apoiasse em outra base que não a Sua comunhão interior com o Pai.

    A autoridade final na guerra espiritual

    Muito poderia ser dito, não é? Vocês percebem a batalha que se trava ali para nos tirar dessa base. Mas tudo isso levanta uma grande questão: o que vai prevalecer?

    O inimigo se aproxima por meio da vida física; aproxima-se por meio da vida emocional; vem de todas essas maneiras diferentes. Mas há uma única questão em tudo isso. É uma batalha. Quem vai prevalecer, e o que vai prevalecer?

    O Senhor Jesus voltava, a cada vez, àquilo que o Pai havia revelado acerca de Sua vontade. Afinal, quando Ele dizia:

    Está escrito.

    Ele estava apenas dizendo, em outras palavras: “Deus falou. Deus falou. Eu sei o que Deus disse”.

    É isso. Essa é a palavra final nesta batalha. Esse é o argumento — não o argumento de minhas necessidades e condições físicas, nem, de modo algum, o argumento do meu bem-estar neste mundo, mas o argumento de minha vida interior com Deus.