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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    House #4: Materials for the House © 2026 Christian Testimony Ministry
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    House #4: Materials for the House
    House #4: Materials for the House
    Lambert, Lance

    A Casa de Deus: Pedras Vivas, Humanidade e Glória Divina

    Leitura Bíblica

    2 Crônicas 3:1-8

    E começou Salomão a edificar a casa do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá, onde o Senhor aparecera a Davi, seu pai, no lugar que Davi tinha preparado na eira de Ornã, o jebuseu.

    E começou a edificar no segundo dia do segundo mês, no quarto ano do seu reinado.

    Estas foram as medidas estabelecidas para Salomão na edificação da casa de Deus: o comprimento, em côvados segundo a medida antiga, era de sessenta côvados; e a largura, de vinte côvados.

    E o pórtico que estava diante da casa tinha vinte côvados de comprimento, conforme a largura da casa, e cento e vinte de altura; e por dentro o revestiu de ouro puro.

    E a casa maior revestiu de madeira de abeto, que cobriu de ouro fino; e nela fez palmeiras e correntes.

    E adornou a casa com pedras preciosas, para sua beleza; e o ouro era ouro de Parvaim.

    Também revestiu de ouro a casa, as vigas, os umbrais, as paredes e as portas; e esculpiu querubins nas paredes.

    E fez a casa do Santo dos Santos: o seu comprimento, conforme a largura da casa, era de vinte côvados, e a sua largura, de vinte côvados; e a revestiu de ouro fino, no valor de seiscentos talentos.

    2 Crônicas 5:6-10

    E o rei Salomão, e toda a congregação de Israel que se reunira com ele diante da arca, sacrificaram ovelhas e bois, que, pela sua multidão, não se podiam contar nem numerar.

    E os sacerdotes trouxeram a arca da aliança do Senhor ao seu lugar, ao santuário interior da casa, ao Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins:

    Porque os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca; e os querubins cobriam por cima a arca e os seus varais.

    E estenderam os varais da arca, de modo que as extremidades dos varais se viam diante do santuário interior; porém não se viam de fora. E ali está até o dia de hoje.

    2 Crônicas 5:13-14

    E aconteceu que os trombeteiros e os cantores eram como um só, para fazer ouvir uma só voz, louvando e dando graças ao Senhor; e, levantando eles a voz com trombetas, címbalos e instrumentos de música, louvaram ao Senhor, dizendo:
    Porque Ele é bom;
    Porque a Sua misericórdia dura para sempre:
    Então a casa, a casa do Senhor, se encheu de uma nuvem;

    De modo que os sacerdotes não podiam permanecer ali para ministrar, por causa da nuvem: porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus.

    Oração

    Senhor, como Te agradecemos porque estiveste aqui, em nosso meio, nesta manhã, segundo a Tua Palavra. Como Te agradecemos, Senhor, pela maneira como já Te encontraste conosco, tocando nosso coração enquanto Te adorávamos, Te louvávamos e abríamos nosso coração a Ti.

    E agora, Senhor, pedimos que, em Tua graça, abras o Teu coração para nós. Toma a Tua Palavra, Senhor, e faz dela uma realidade viva para cada um de nós. Oramos, Senhor, para que não a recebamos apenas de maneira acadêmica ou intelectual, mas para que recebamos a Ti mesmo. Que haja uma comunicação de Ti mesmo a nós, Senhor. Concede-nos o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento de Ti mesmo, pedimos nesta manhã.

    Senhor, agradecemos porque há uma unção sobre a Cabeça, nosso Senhor Jesus, que abrange cada membro do Corpo. Ela desce até a orla das vestes. Permanecemos juntos nessa unção que pertence a todos nós, a cada um: unção para falar, unção para ouvir.

    Senhor, sabemos que não queremos que este seja apenas um tempo de recursos humanos, energia humana e palavras humanas. Queremos, Senhor, encontrar-nos contigo e receber de Ti. Agradecemos porque o Espírito Santo está aqui para glorificar o Senhor Jesus Cristo. O Espírito Santo está aqui, Pai, para nos tocar e ter comunhão conosco em toda a graça, sabedoria, fé e gratidão do nosso Senhor.

    Ó Pai, juntos entregamos este tempo a Ti. Nós o tomamos em nome do Senhor. Declaramos que Jesus Cristo é Senhor e que a Sua vontade será feita. Por isso, Te agradecemos em Seu nome. Amém.

    Crônicas e o Propósito de Deus

    Acho que agora é tarde demais para recapitular o que dissemos nas ocasiões anteriores sobre os livros de Crônicas. Algumas pessoas acham os livros de Crônicas terrivelmente entediantes. Mas, na verdade, eles estão entre as partes mais essenciais da Palavra de Deus.

    Há alguns livros que interpretam todos os outros. Deuteronômio é um deles; ele interpreta os quatro primeiros livros da Bíblia. Crônicas interpreta todo o Antigo Testamento, voltando até Adão, percorrendo terreno já abordado em Samuel e Reis e chegando praticamente ao retorno da Babilônia e à vinda do Messias.

    Os dois livros de Crônicas, juntamente com Esdras e Neemias — que, na antiga organização judaica, estavam ligados entre si —, abrangem toda essa história e, por assim dizer, interpretam tudo o que Deus vinha fazendo.

    Em outras palavras, nesses livros somos apresentados ao próprio segredo do coração de Deus. Somos apresentados ao anseio do Seu coração: aquilo que, de eternidade a eternidade, Ele desejou ter como Seu.

    O que é? Nós o lemos, naturalmente, em Efésios 2:21-22:

    No Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor;
    No Qual também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.

    O segredo da história humana, o segredo da redenção, o segredo por trás de todo o trato de Deus com os homens, por trás de Sua grande salvação e de Sua dádiva do Espírito Santo, é que Ele tenha um lar para Si mesmo no Espírito.

    A maravilha das maravilhas é que você e eu somos esse lar. Somos as pedras vivas. Somos o material que Deus salvou de maneira tão gloriosa. Não é maravilhoso quando vemos a Bíblia inteira, do começo ao fim? Os três primeiros capítulos e os três últimos correspondem entre si. Então percebemos a extraordinária e maravilhosa graça de Deus.

    Ele poderia ter dado fim a Adão e Eva no momento em que caíram. Poderia ter dito: “Pronto, fora. Acabou. Uma palavra os fará explodir, e Nós começaremos de novo”. Mas Deus não é assim.

    Deus tem trabalhado incessantemente para resgatar o que se perdeu, recuperar o que se perdeu, trazer de volta o que se perdeu e reconciliar o que se perdeu. Você e eu somos o fruto dessa reconciliação — a obra do Senhor Jesus Cristo —, que nos traz de volta a Deus.

    Que tragédia quando fazemos de nossa grande salvação o fim, quando ela é, na verdade, o meio para alcançar o fim. O fim é voltarmos ao propósito original de Deus para a humanidade: sermos unidos a Ele, tornarmo-nos participantes da natureza divina e sermos unidos uns aos outros como um templo santo no Senhor — um lugar onde Deus Se manifesta, Se expressa, encontra Seu lar e revela Sua glória.

    Moriá e a Obra Consumada de Cristo

    Ontem falamos sobre Moriá: o Senhor proverá — o lugar onde Abraão ofereceu seu único filho, o filho nascido da promessa. No monte do Senhor se proverá.

    Deus providenciou absolutamente tudo de que os pecadores precisam para serem salvos por meio da obra do Senhor Jesus Cristo. Mais do que isso: absolutamente tudo de que os pecadores salvos precisam para servir a Deus foi providenciado por meio da obra consumada do Senhor Jesus Cristo.

    Tudo o que é necessário para a edificação da casa de Deus — para a construção, por assim dizer, desse templo santo no Senhor — foi providenciado: a habitação interior do Espírito Santo, a unção do Espírito Santo e os dons do Espírito Santo. Tudo foi providenciado com base na obra consumada de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Essa é a base. Sobre a base dessa obra consumada, tudo é providenciado. No monte do Senhor se proverá.

    Você pode ser a pessoa mais insignificante do mundo inteiro. Pode ser o crente mais sem valor do mundo inteiro. Mas, se você é crente, tem um direito de nascimento — um glorioso direito de nascimento. Tudo lhe é dado pela graça, mediante a fé. Se você simplesmente entrar pela fé, tudo será seu. Deus fez isso por você. Deus lhe deu tudo por meio da obra consumada de Seu amado Filho.

    O Fundamento: Jesus Cristo Crucificado

    Depois falamos sobre o fundamento. Que fundamento enorme era aquele: todo o topo do monte Moriá foi nivelado, exceto aquela saliência rochosa que permanece no local até hoje — a eira de Ornã, o jebuseu.

    Pedras enormes foram colocadas no lugar para formar aquele fundamento. O fundamento é Jesus Cristo, e Este crucificado. Não há outro fundamento.

    O diabo trabalha incessantemente para fazer com que a base de nossa reunião e de nossa edificação seja menor do que esse fundamento. Gostamos de misturar incrédulos com crentes. Não podemos fazer isso. Gostamos de estabelecer algo menor do que o Senhor Jesus Cristo. Não podemos fazer isso.

    O mais comum é acrescentar algo ao fundamento: o fundamento mais o batismo; o fundamento mais a santidade; o fundamento mais uma experiência de santidade; o fundamento mais o batismo do Espírito; o fundamento mais os dons do Espírito; o fundamento mais alguma interpretação de profecia ou qualquer outra coisa.

    Então dizemos: “Se vocês concordam conosco, entrem. Os demais são visitantes. Podem assistir e tudo o mais, mas não fazem parte do círculo interno”. Mas o fundamento de Deus é Jesus Cristo, e Este crucificado. Sobre esse fundamento, Deus edifica.

    O Espírito Santo Se recusa a comprometer-Se onde há menos do que o fundamento ou mais do que o fundamento. Ele abençoará as pessoas individualmente; Ele as considerará santos. Mas a obra de edificação de Deus fica paralisada. Ele não edificará enquanto não tiver o fundamento correto.

    Nosso fundamento deve ser Jesus Cristo. Isso revela o que realmente somos, porque significa que temos de receber todos aqueles que Cristo recebeu.

    Alguém chega, e uma pessoa sussurra: “Pentecostal”. Outra pessoa chega, e alguém sussurra: “Ah, batista”. Outra chega, e dizemos: “Cuidado — é dos Irmãos Exclusivos”. Vocês sabem como é. Temos dificuldades quando precisamos receber todos aqueles que Cristo recebeu.

    Se Cristo recebeu você, eu preciso receber você. Como posso entrar em conflito com meu Senhor? Se Ele recebeu você, eu preciso receber você. Talvez eu não goste da sua cara, mas tenho de receber você. Temos de estar juntos. Temos de ser edificados juntos.

    Não é uma questão de cor, raça, nacionalidade ou classe social. É uma questão de saber se Cristo recebeu você. Se Ele recebeu você, você é meu irmão. Não posso fazer nada a respeito.

    E eu sou seu irmão, e você não pode fazer nada a respeito. Você é minha irmã; eu sou seu irmão. Não podemos fazer nada a respeito. Tenho uma irmã. Não posso mudar isso. Ela é minha irmã; não há o que fazer. No Senhor, temos irmãos e irmãs, e precisamos recebê-los como Cristo os recebeu. Esse é o fundamento.

    A Obra Oculta nas Pedras Vivas

    Nesta manhã, no tempo que temos, eu queria falar um pouco mais sobre os materiais usados nessa construção. Só posso tocar no assunto. Mas o extraordinário é isto: Deus teve todo esse trabalho para que essas pedras vivas fossem edificadas juntas e, depois, cobriu tudo.

    Pensem nisso. Ele teve todo aquele trabalho para extrair essas pedras sem som de martelo ou cinzel, levá-las ao seu lugar, numerá-las, encaixá-las perfeitamente umas nas outras — e depois cobrir tudo, primeiro com madeira, depois com ouro e, em seguida, com pedras preciosas.

    Quem entrasse nem sequer saberia que havia pedra na construção. Olhava para cima — ouro. Olhava para baixo — ouro. Olhava para um lado — ouro. Olhava para o outro — ouro. Nenhuma pedra ficava visível; tudo estava escondido.

    Só Deus poderia fazer isso. Depois de todo aquele trabalho com a pedra, nós desejaríamos deixá-la descoberta. Ou diríamos: “Senhor, não Te preocupes tanto com essa pedra. De qualquer maneira, tudo vai ser coberto. Se houver frestas e rachaduras, não Te preocupes muito. Vai ser coberto com madeira, ouro e pedras preciosas. Ninguém vai ver”.

    Mas o Senhor não age assim. Deixem-me dizer algumas coisas sobre essas pedras.

    A Extração e o Preparo das Pedras

    Primeiro, elas foram extraídas. Pelo que podemos saber, foram extraídas do próprio monte Moriá. Geralmente pensamos, com base em 1 Reis 6:7, onde se diz que não havia som de martelo ou cinzel, que as pedras foram extraídas a muitos quilômetros do local do templo.

    Mas, bem debaixo do monte Moriá, há cavernas enormes. Estive lá muitas vezes e vi as imensas marcas de cinzel nas profundezas da terra, onde foram extraídos blocos de pedra — alguns com cerca de 9,75 metros de comprimento, 2,75 metros de altura e 2,75 metros de largura.

    Era bem nas profundezas do solo. Por isso ninguém podia ouvir o martelo ou o cinzel. Era uma obra oculta. Grande parte da pedra foi retirada do próprio monte Moriá.

    As pedras eram extraídas — isto é, cortadas de forma bruta. Depois eram aparelhadas. Esse preparo exigia muito trabalho. Em seguida, as bordas eram chanfradas. Ainda hoje é possível reconhecer pedras antigas pela maneira como suas bordas são chanfradas.

    Depois elas eram marcadas. Isso é muito importante: eram marcadas na pedreira. Josefo nos diz que cada pedra era marcada, e que as marcas eram feitas de tal modo que um veio atravessava a pedra. Ele disse que o conjunto era como uma flor ou uma planta em sua unidade. Tudo havia sido planejado.

    Eu poderia mostrar a vocês pedras de períodos posteriores em Jerusalém, pedras mais altas do que eu e quase tão compridas quanto a distância daqui até aquela parede, entre as quais não se consegue introduzir uma faca. Os terremotos e a passagem dos anos apenas as apertaram ainda mais umas contra as outras.

    Não há argamassa nem cimento. Essas pedras foram cortadas com tanta perfeição, aparelhadas com tanta perfeição e numeradas com tanto cuidado que se encaixavam umas nas outras. É possível ver o veio atravessando o conjunto.

    E Deus cobre tudo isso. Todo aquele trabalho, e Deus o cobre. Deus vê, mas não se vê a olho nu.

    Os Crentes como Pedras Vivas

    Querido filho de Deus, você e eu somos pedras vivas. É isso que está escrito em 1 Pedro 2:4-5:

    Chegando-vos para Ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa,
    Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.

    Você e eu somos pedras vivas. Se você é um crente nascido de novo, deixe que isso entre em seu coração pelo Espírito de Deus: você é uma pedra viva. Se você nasceu de Deus, se foi salvo pela graça de Deus, é uma pedra viva.

    Deus extraiu você da natureza de Cristo, da própria vida Dele. Você nasceu de novo para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Há algo da vida Dele em você e algo da natureza Dele em você. Você é uma pedra viva extraída da natureza firme como rocha e da vida de Deus.

    Qual é a finalidade de uma pedra viva?

    Se eu levasse você à minha casa, mostrasse um fundamento com uma única pedra sobre ele e dissesse: “Esta é minha casa”, você pensaria que eu estava louco. Poderia ser uma pedra magnífica — lindamente cortada, polida, aparelhada, chanfrada, com belos veios —, mas uma pedra nunca fez uma casa.

    Há muitos crentes exatamente assim. Estão ali, completamente sozinhos. “Eu tenho tudo”, dizem. “Tenho o Senhor. Louvado seja o Senhor.” São uma única pedra solitária, cortada e aparelhada, permanecendo em sua beleza solitária.

    Deus diz: “O que posso fazer com esta pedra?”. A pedra pensa que é a única pedra. Pensa que é uma pedra suficientemente completa. Tem tudo o que deseja e está satisfeita em continuar sozinha. Mas qual é a finalidade de uma pedra viva? É preciso haver outras pedras.

    Agora, suponham que eu mostrasse um fundamento com duzentas pedras espalhadas por toda parte e dissesse: “Entrem, esta é minha casa”. Vocês ainda pensariam que eu estava louco. Um grande amontoado de pedras não faz uma casa.

    Mesmo que alguém organizasse as pedras e as colocasse em pilhas, lindamente empilhadas umas sobre as outras, aquilo ainda não seria uma casa. Há crentes que são simplesmente uma massa de pedras reunidas, e dizem: “Somos a igreja”. Naturalmente, em certo sentido, são a igreja. Mas precisamos ser edificados juntos para nos tornarmos a casa do Senhor.

    Não podemos ser o lar de Deus no Espírito se não formos edificados juntos. Pode haver alguma comunhão e alguma ordem, mas, se tudo for segundo a ideia do homem, e não segundo a obra soberana do Espírito Santo, ainda não será a casa de Deus.

    O que precisa acontecer é que as pedras sobre o fundamento correto encontrem seu relacionamento umas com as outras. À medida que cada pedra encontra seu devido lugar e sua relação com as demais pedras, a casa inteira começa a crescer.

    Não importa em que parte da casa você esteja. Você está em algum lugar, e está ali por determinação de Deus. Por estar ali, tem responsabilidade pelo todo. É isso que significa ser edificado como casa espiritual. É isso que significa estar bem ajustado.

    Unidade e Relacionamento na Edificação

    Observem três coisas sobre essa questão de estarmos juntos. Considerem Efésios 2:21-22 e Efésios 4:16:

    No Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor;
    No Qual também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.

    Do Qual todo o corpo, bem ajustado e unido por meio da contribuição de todas as juntas.

    Juntos. As pedras precisam estar juntas. Essa é a primeira coisa. É preciso haver esse espírito de unidade. Ele não vem de maneira acadêmica ou meramente intelectual. Só o Espírito Santo pode criar essa união, esse senso de pertencimento.

    É maravilhoso quando você percebe: “Eu pertenço. Pertenço ao Senhor; portanto, pertenço a essas pessoas. Eu pertenço”. A unidade é um espírito.

    Naturalmente, cada um de nós precisa ter sua própria vida com o Senhor. Cada tábua do tabernáculo ficava sobre duas bases — cada tábua permanecia sobre seus próprios dois pés. Mas havia uma travessa que passava por elas, unindo-as a todas as outras.

    Você precisa ter seus próprios dois pés: sua própria vida com o Senhor, seu próprio andar com o Senhor, sua própria experiência pessoal com o Senhor. Mas precisa estar junto dos outros. As duas coisas devem andar de mãos dadas: sua própria vida e sua vida junto com os demais.

    A segunda coisa é o relacionamento. As pedras encontram seu relacionamento umas com as outras no Senhor, e isso é escolha de Deus. Cada uma dessas pedras está numerada.

    Nem sempre gostamos disso. Gostamos de encontrar pessoas que nos sejam favoráveis, agradáveis e que pensem como nós. Então dizemos: “Agora vamos ser um com elas. Posso ser edificado com elas”.

    Mas Deus não faz assim. Deus diz: “Não, não, não. O veio precisa atravessar a pedra”. Você pode muito bem descobrir que aquilo de que não gosta no irmão Fulano é exatamente o que está em você. É o veio.

    Aprendemos Cristo pela disciplina de estarmos juntos. Não aprendemos Cristo apenas nos livros, nem em reuniões maravilhosas nas quais permanecemos intocados. Aprendemos Cristo pela disciplina de estarmos juntos.

    Mais cedo ou mais tarde, alguém na igreja dirá algo a seu respeito que o deixará profundamente ressentido. Então você se levantará, irá embora e dirá: “Acabou. Já faz algum tempo que venho pensando que esse pessoal não é muito espiritual. Vou para outro lugar, onde a comunhão seja mais profunda”.

    Mas você não pode fazer isso. Eles podem estar errados, mas aí está uma oportunidade para você morrer. Se você perdeu sua reputação, que bênção — não tem mais nada a defender.

    A maioria de nós mantém uma fachada por causa de determinada reputação que estamos tentando preservar. Projetamos uma imagem e passamos a vida nos esforçando para manter essa fachada. Naturalmente, Deus não pode fazer muita coisa com uma fachada. Ele precisa nos alcançar por trás dela.

    Quando alguém prejudicar sua reputação, agradeça a essa pessoa. Havia um irmão idoso na Dinamarca, o pastor Fjor Christiansen, um grande homem de Deus. Certa vez, ele ficou muito perturbado com algo que alguém dissera a seu respeito e foi reclamar ao Senhor.

    O Senhor disse: “Essa pessoa é uma grande amiga sua. Está mantendo você humilde”.

    Então ele disse: “Bem, Senhor, darei uma moeda de cinco coroas a qualquer pessoa que me criticar”. E assim fez. Quando as pessoas vinham até ele e diziam: “Irmão, achei que hoje você se alongou um pouco”, ele tirava solenemente sua bolsa e dizia: “Aqui, isto é para você. Obrigado por me manter humilde”.

    Devemos ser gratos, porque, de muitas maneiras, é assim que Deus trata conosco. É assim que as pedras são edificadas juntas. Passamos a conhecer uns aos outros.

    Nos relacionamentos familiares — entre irmãos e irmãs, marido e mulher, filhos e pais —, aprendemos. Os pais dizem: “Aprendemos tanto com nossos filhos”. Os filhos talvez digam: “Vocês são tão antiquados”, e os pais ficam ressentidos. Depois percebem que estão envelhecendo e que os filhos os mantêm jovens.

    Podemos ficar ressentidos com essas coisas e ir embora, ou podemos aceitá-las. Mas é assim que passamos a conhecer a nós mesmos. Precisamos conhecer a nós mesmos. Ao conhecer o Senhor, passamos a conhecer a nós mesmos.

    Na maioria das vezes, não passamos a conhecer a nós mesmos por meio de alguma gloriosa experiência no alto do monte, em que o Senhor nos abraça e nos acolhe junto a Si. É aqui embaixo, na poeira, onde alguém diz algo a nosso respeito de que não gostamos.

    Jacó e a Disciplina do Autoconhecimento

    Já lhes falei muitas vezes sobre Jacó. Seu nome significava “trapaceiro” ou “enganador”. Quando nasceu, sua mão estava agarrada ao calcanhar do irmão. Disseram: “Ele é um trapaceiro”. Por isso o chamaram de suplantador, trapaceiro, enganador.

    Ele era o maior vigarista do Oriente Médio, mas não sabia disso. Quando roubou o direito de primogenitura e a bênção do irmão, não percebeu o que estava fazendo. Pensava estar fazendo o que lhe era natural — talvez até em nome do Senhor.

    Como o Senhor o curou? Enviou-o ao segundo maior vigarista do Oriente Médio: seu tio Labão. Era coisa de família, vocês devem pensar. Eles enganaram um ao outro durante vinte e um anos.

    Se vocês tirarem os óculos cor-de-rosa e lerem a história bíblica, verão que eles enganaram um ao outro durante vinte e um anos, até Jacó ficar completamente farto — não do tio, mas de si mesmo.

    Primeiro veio Lia. Lia participou daquela trapaça. Depois Raquel fez o mesmo tipo de coisa com os deuses domésticos. Jacó viu a si mesmo de três maneiras: primeiro no tio Labão, depois em Lia e, por fim, em Raquel. Foi chegando cada vez mais perto de si mesmo.

    Finalmente, estava tão farto de si mesmo que, quando o Senhor o encontrou antes do Jaboque, ele não O deixou ir até que o Senhor o transformasse de Jacó em Israel.

    É isso que Deus faz com as pedras vivas. Não pense que você escapará do trato do Senhor nessa questão. Ele coloca você ao lado de alguém, e você encontra a mesma coisa. Talvez você não seja dado a trapaças, mas pode ser orgulhoso, convencido de suas próprias opiniões ou prolixo. O Senhor coloca você junto de outra pessoa, e você vê isso claramente nela.

    Então clama ao Senhor: “Senhor, livra-me disso. Vejo isso tão nitidamente no irmão Fulano”. Ah, como amamos uns aos outros quando passamos a perceber que, no fim das contas, somos todos iguais.

    Deus nos edifica aqui. Encontramos nosso relacionamento uns com os outros no Senhor, bem ajustados — encaixados de tal maneira que nos tornamos parte integrante do edifício.

    Não importa onde você esteja, contanto que esteja em algum lugar entre o fundamento e a pedra do topo. Contanto que esteja no edifício.

    A Disciplina da Edificação Conjunta

    Isso é uma disciplina. Estamos prontos para a disciplina de sermos edificados juntos?

    Há certo tipo de ensino que parece pregar a liberdade de toda disciplina e responsabilidade. Isso é inteiramente contrário às Escrituras. Ser liberto da escravidão, da inibição e da preocupação excessiva consigo mesmo é correto. Mas a maior liberdade que qualquer homem ou mulher pode ter é a liberdade de ser prisioneiro no Senhor Jesus Cristo.

    Paulo diz em Efésios 3:1:

    Eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus.

    Depois, após uma longa digressão, ele volta ao assunto em Efésios 4:1 e diz:

    Eu, pois, o prisioneiro no Senhor.

    Você é prisioneiro no Senhor Jesus Cristo? A maior liberdade neste mundo é a liberdade de entregar sua vida. Essa é a verdadeira liberdade. Quando uma pessoa não consegue entregar sua vida, está presa da maneira mais terrível de todas.

    Ela quer entregar sua vida, mas não consegue. Quer cair na terra e morrer, mas não consegue cair na terra. Só o Espírito Santo pode lhe dar o poder de fazer morrer as obras do corpo. Só o Espírito Santo pode lhe dar a graça e o poder de entregar sua vida pelo Senhor. Esse é o único caminho.

    Você está preparado para a disciplina? Efésios 5:18 diz:

    Enchei-vos do Espírito.

    Em seguida, fala de salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando de coração. Depois diz, em Efésios 5:21:

    Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

    Você consegue fazer isso? Não de maneira servil, não de um modo que signifique não ter personalidade, espontaneidade ou originalidade. Não significa que, se todos olham para este lado, você também olha; se todos olham para cima, você olha para cima; e, se olham para baixo, você olha para baixo.

    Sujeitar-se uns aos outros no temor do Senhor significa aceitar uns aos outros no Senhor, respeitar uns aos outros no Senhor, honrar uns aos outros no Senhor e recusar-se — aconteça o que acontecer — a se afastar uns dos outros no Senhor.

    Não fiquem abatidos demais com a fragmentação e a divisão. Algumas pessoas dizem: “As coisas deram errado em todo lugar aonde vamos. Ouvimos falar de fragmentações e divisões”. Escutem: por mais que procuremos algo perfeito aqui embaixo, nunca o encontraremos. Nunca.

    Deus está nos treinando. Enquanto essa obra estiver realmente sendo feita, é isso que importa.

    Se eu tivesse tempo, percorreria toda a história da igreja, e vocês ficariam aqui até as seis horas — não haveria casamento! Não podemos fazer isso; precisamos casar esses dois como se deve.

    Mas, quando olhamos para a história da igreja, encontramos algo notável: no espaço de uma geração, quase todo movimento do Espírito de Deus, desde o Pentecostes até os nossos dias, entrou em declínio ou morreu.

    Além disso, parece que Deus não está interessado em manter algo vivo depois da primeira geração. É quase como se Ele permitisse que morresse.

    Em quase todos os grandes movimentos desde a Reforma, houve divisões importantes dentro de vinte anos: Wesley e Whitefield; os Irmãos, divididos em Exclusivos e Abertos; os puritanos, em presbiterianos, congregacionais e episcopais.

    Por quê? Porque Deus está fazendo algo naquela primeira geração cujos valores entram na cidade e nunca se perdem. Há ouro, pedras preciosas e pérolas produzidos naqueles começos e no trato de Deus com aquela primeira geração — valores que entram na cidade e nunca se perdem.

    Deus está edificando uma cidade. É por isso que precisamos aprender esses princípios aqui embaixo. Não chegaremos ao trono de qualquer jeito.

    Se você não tem vitória junto à pia da cozinha, Deus não o levará ao trono. Se você não tem vitória em sua família, Deus não o levará ao trono. Ele não terá pessoas sentadas em tronos dizendo: “Não sei que conselho dar sobre esse assunto, porque minha própria casa está numa confusão terrível”.

    Não estou dizendo que tudo deve ser perfeito em sua casa. Há problemas em muitos lares que não foram causados por vocês. Mas você está por cima da situação? Está reinando com Cristo agora? Está governando a situação a partir do trono de Deus?

    Lembro-me de um irmão que tinha uma placa em seu escritório com as palavras: “Olhe para baixo”. Todos os que entravam perguntavam: “O que você quer dizer com ‘Olhe para baixo’? Não seria ‘Olhe para cima’?”

    “Não”, ele dizia. “É uma questão de onde você está. Se está assentado com Cristo nos lugares celestiais, olhe para baixo. Olhe para todas as coisas de cima.”

    É uma questão de onde você está.

    Você está aprendendo a disciplina de ser edificado junto com os outros? Está preparado para, em cada comunidade da qual faz parte, sujeitar-se uns aos outros no Senhor? Está preparado para assumir responsabilidade?

    Em alguns lugares, uma única pessoa coloca todas as cadeiras, faz todos os preparativos e toda a limpeza. Todos os demais vêm, desfrutam, dizem: “Estamos desfrutando do Senhor” e depois vão embora. Ninguém assume responsabilidade.

    Deus observa essas questões práticas. “Ora, ora, ora. Todos entraram — trinta pessoas —, desfrutaram de Mim e depois foram embora, deixando aquela pobre pessoa fazer tudo sozinha. Não posso ter em grande conta esse desfrutar de Mim se fazem esse tipo de coisa.”

    Quando desfrutamos do Senhor, de alguma maneira Ele nos ensinará a ser práticos.

    A Madeira e a Restauração da Verdadeira Humanidade

    Já falamos bastante sobre as pedras, não é? Vamos dizer alguma coisa sobre a madeira?

    Em 2 Crônicas 3:5, o próximo material que cobre a pedra é a madeira. A madeira era de três tipos: madeira de abeto — ou, em algumas versões, cipreste —, madeira de cedro e madeira de oliveira.

    Parece que as grandes vigas externas do teto e as que ficavam sob o piso eram provavelmente de abeto. As paredes internas, o teto e o piso eram de cedro. As portas de entrada do Santo dos Santos eram de madeira de oliveira.

    Nas Escrituras, as árvores simbolizam o homem. Salmos 1:3 fala do homem que é como uma árvore plantada junto a correntes de águas. Jeremias 17:7-8 fala do homem que confia no Senhor como uma árvore que não teme quando vem o calor.

    A pedra tem a firmeza da rocha. A madeira tem calor.

    Agora que vocês perceberam que são pedras, que foram extraídos, bem ajustados e colocados em relacionamento uns com os outros, nunca se esqueçam de ser seres humanos.

    Essa é uma área em que o diabo desfaz muitas obras verdadeiras de Deus na vida de uma pessoa. As pessoas se tornam máquinas espirituais. Reprimem a si mesmas de tal maneira e sentem que há algo errado em ser humano, a ponto de se tornarem Bíblias ambulantes ou máquinas espirituais de respostas automáticas. Você coloca um pouquinho, e sai a resposta esperada.

    Posso lhes contar muitas coisas que sofri por causa de máquinas espirituais. Todos vocês também não passaram por isso, em algum momento?

    Nosso Senhor alguma vez foi uma máquina espiritual? Nunca. Ele chorou. Entristeceu-Se. Sentiu. Foi tomado de indignação. Irou-Se de maneira santa. Toda a gama de sentimentos humanos Lhe pertencia.

    A Sua era uma humanidade verdadeira, sem pecado e não governada pela alma. Seu espírito governava Sua alma. Quando Deus realiza em nós uma obra de separação entre alma e espírito, e quando nossa alma conhece algo do quebrantamento — e isso custa caro —, então nossa alma passa a ocupar seu devido lugar.

    Deus quer que, ao começarmos a ver o que é a igreja, nunca percamos nossa humanidade. Em muitas comunidades, as pessoas já não são humanas. Você entra e sente algo artificial, algo mecânico. Basta apertar o botão, e tudo dispara. Não é isso que Deus quer.

    Deus quer seres humanos. Quer um novo homem: alguém que pense, ria, chore, sofra dores de parto e possa ser tocado pelos sentimentos dos outros. Deus quer esse tipo de humanidade.

    As Qualidades Simbolizadas pela Madeira

    A madeira de abeto ou cipreste está entre as madeiras mais duráveis conhecidas no Oriente Médio. Dizem que as portas da Basílica de São Pedro, no Vaticano, têm mil e seiscentos anos e são feitas de madeira de cipreste. Há uma tradição muito antiga de que a madeira de gofer era madeira de cipreste. Ela é extremamente durável.

    O cedro, naturalmente, é incorruptível. Se você quer uma madeira na qual não entrem brocas, na qual não comece a podridão seca e que não seja deteriorada por insetos e doenças, use cedro. O cedro é relativamente incorruptível.

    O cedro também fala de nobreza. Pensamos nos cedros do Líbano — os reis da floresta. Assim, temos durabilidade, incorruptibilidade e nobreza. Esse é o tipo de natureza humana que Deus quer. Esse é o tipo de humanidade que Deus quer.

    Efésios 4:24

    Revesti-vos do novo homem, que, segundo Deus, foi criado em justiça e santidade da verdade.

    Vocês acharam durável a humanidade do Senhor Jesus? Absolutamente. Ela resistiu a todas as tempestades. Sua humanidade era incorruptível? Ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Sua humanidade era nobre? Ele é Rei dos reis e Senhor dos senhores.

    Temos tudo isso Nele.

    Vocês alguma vez viram o Senhor Jesus agir como uma máquina? Ele disse:

    Não faço as Minhas próprias obras, mas as obras de Meu Pai.

    Ele disse:

    Não falo as Minhas próprias palavras, mas as palavras de Meu Pai.

    Mas Ele não era uma máquina. Negava a Si mesmo, mas era plenamente humano.

    Ninguém poderia ser mais humano do que nosso Senhor junto ao túmulo de Lázaro. Por que Ele chorou diante da morte de Lázaro, sabendo que iria ressuscitá-lo dentre os mortos? Era uma encenação? Uma apresentação teatral? Claro que não. Ele realmente chorou.

    Por quê? Porque a miséria ao Seu redor O tocou: o que havia acontecido a este mundo, o que Satanás havia feito, o que o pecado havia feito. Ele chorou. Esse é o nosso Senhor Jesus.

    O Senhor Jesus é o mesmo nesta manhã que era naquele tempo. Nunca se esqueçam disso. Mesmo tendo ido para o céu, Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele ainda Se compadece das nossas fraquezas.

    Ele é Homem glorificado, além de Deus. Quando chegou a Jerusalém, chorou sobre ela:

    Ó Jerusalém, Jerusalém.

    Havia algo muito humano Nele.

    Creio que o Senhor tinha senso de humor. Publicanos e pecadores não permanecem por muito tempo atraídos por uma pessoa sem humor. Os fariseus só podiam chamá-Lo de comilão e beberrão porque O viam entre pessoas comuns. Creio que Ele era um homem com toda a gama de sentimentos humanos.

    Querido filho de Deus, precisamos ser governados pelo Senhor e quebrantados pela obra da graça, mas devemos ser sempre seres humanos. Revistam-se do novo homem. Não nos tornemos máquinas, automáticos ou impessoais. Sejamos seres humanos.

    Deus criou o homem no princípio. Deus redimiu o homem. Agora somos o novo homem em Cristo. Não somos espíritos sem alma e nunca seremos espíritos sem corpo, como os anjos. Somos espírito, alma e corpo — redimidos pela graça de Deus.

    Considerem 1 Tessalonicenses 2:8:

    Assim, tendo por vós tão grande afeto, de boa vontade vos comunicaríamos, não somente o evangelho de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque vos tornastes muito queridos de nós.

    Isso é algo em que pensar.

    A Prata e a Segurança da Redenção

    E quanto à prata? Isso é muito interessante. Em 1 Crônicas 29:4, Davi fala de:

    Três mil talentos de ouro.

    E de:

    Sete mil talentos de prata refinada, para revestir as paredes das casas.

    Os estudiosos da Bíblia têm encontrado muitas dificuldades com essa prata. Onde está a prata? Ela não é mencionada no relato da construção; no entanto, havia mais que o dobro de prata em relação ao ouro destinado às paredes.

    Alguns disseram que a prata foi usada nas construções anexas e nos depósitos. Mas a prata escurece. O ouro não escurece da mesma maneira, mas a prata fica escura rapidamente.

    Os rabinos, porém, sempre disseram que uma lâmina de prata era colocada sobre a pedra, entre a pedra e a madeira, para impedir qualquer tipo de apodrecimento ou problema. Acho que isso provavelmente está correto.

    Sobre toda a pedra: prata. Que imagem maravilhosa — redenção. A redenção é a única coisa que impede o apodrecimento.

    Voltem sempre a ela. Nunca se afastem da redenção. Por mais que avancem em santidade, boas obras, sacrifício, zelo, oração, conhecimento bíblico ou serviço, nenhuma dessas coisas os preservará da perda. Somente a obra consumada do Senhor Jesus Cristo.

    Essa é a única maneira de vencer Satanás: pelo sangue do Cordeiro. Voltem a isso repetidas vezes, repetidas vezes.

    O Ouro e a Natureza Divina

    Depois, naturalmente, havia o ouro. Tudo era revestido de ouro — repetidas vezes, repetidas vezes. Até os pregos eram de ouro.

    Se vocês entendem alguma coisa de construção, imaginem martelar um prego de ouro. O ouro é um metal macio. Contudo, até o peso dos pregos de ouro nos é informado.

    Ao entrar nessa casa, você não saberia que havia pedra, prata ou madeira. Tudo era ouro. Você caminhava sobre um piso de ouro — ouro puro, o melhor de todos. Paredes, teto, pisos — tudo era ouro.

    De que fala o ouro? Da natureza divina. A pedra está ali, a madeira está ali, e então vem o ouro.

    Penso imediatamente em passagens como Colossenses 1:27:

    Cristo em vós, a esperança da glória.

    E em 2 Pedro 1:4:

    Para que por elas vos torneis participantes da natureza divina.

    Nós nos tornamos verdadeiramente participantes da natureza divina. O ouro está entrando em nós.

    Penso nas palavras do Senhor à igreja em Laodiceia, em Apocalipse 3:18:

    Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo, para que te enriqueças.

    Cristo em nós, a esperança da glória. Depois que Deus faz toda essa obra, é Cristo que importa. Ele faz todo o trabalho de preparação, mas, por fim, o que importa é a glória do Senhor Jesus.

    Não me diga quanto você sabe sobre a Bíblia. Não me diga quão poderoso você é. Quero saber apenas uma coisa: o Senhor Jesus é visto em sua vida?

    Essa é a única coisa que conta no fim, e a única coisa que determinará sua recompensa e herança eternas: quanto de Cristo há em você?

    João Batista disse, em João 3:30:

    É necessário que Ele cresça e que eu diminua.

    As Pedras Preciosas e a Beleza de Cristo

    Por fim, o ouro era incrustado de pedras preciosas. Ao entrar nessa casa, provavelmente não no piso ou no teto, mas nas paredes, havia belas pedras preciosas colocadas em pontos que realçavam a beleza do trabalho.

    As palmeiras, os querubins e os lírios eram realçados com pedras preciosas. Toda a beleza da casa era ressaltada. Se você e eu pudéssemos voltar na história e entrar na casa do Senhor, acho que a primeira coisa que faríamos seria ficar sem fôlego.

    Mesmo conhecendo a descrição da Bíblia, você não faria ideia de como era bela. Ouro por toda parte, pedras preciosas brilhando.

    De que falam essas pedras preciosas? Pedras como essas se formam nas regiões escuras da terra, sob calor e pressão intensos. Creio que falam do esplendor, das belezas incomparáveis e das glórias de Cristo.

    O Senhor não chega a resplandecer assim por meio de coisa alguma até que haja uma obra real. Então você começa a ver algo desse brilho saindo de uma pessoa.

    Querido filho de Deus, é isso que Deus quer fazer com você e comigo. Penso nas insondáveis riquezas de Cristo, nas riquezas de Sua glória e nas riquezas de Sua graça. Para onde quer que se olhe na casa de Deus, deveria haver belezas, glórias e tesouros de Cristo, incomparáveis e radiantes.

    Como você e eu podemos manifestar Cristo dessa maneira? Somente se estivermos preparados para entrar em lugares escuros e deixar Deus fazer Sua obra.

    Considerem Isaías 45:3:

    E te darei os tesouros das trevas,
    E as riquezas encobertas de lugares secretos,
    Para que saibas que Eu sou o Senhor,
    Que te chama pelo teu nome, o Deus de Israel.

    Você precisa entrar nesses lugares secretos e escondidos, onde ninguém vê, a não ser Deus. Ali algo é feito em sua vida. Muitas vidas são atingidas por coisas inexplicáveis.

    Aonde quer que eu vá, as pessoas vêm e, em particular, abrem o coração e contam suas histórias. A história é inexplicável: “Por que o Senhor fez isso comigo? O que tudo isso significa? Como pôde acontecer?”. Mas Deus está fazendo algo.

    Da vida daquela pessoa surge algo que não poderia surgir de nenhuma outra maneira: algo de beleza e glória incomparáveis, que finalmente se manifesta e nunca será tirado.

    Considerem Isaías 54:11-12:

    Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada,
    Eis que assentarei as tuas pedras com belas cores,
    E te fundarei sobre safiras.
    E farei os teus pináculos de rubis,
    E as tuas portas de carbúnculos,
    E todos os teus limites de pedras preciosas.

    Ouçam o contexto:

    Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada.

    Há momentos em que o Senhor permite que tempestades entrem na vida das pessoas e Se mantém afastado. Ele nem sequer intervém. Parece oculto. Não diz uma palavra. Permanece em silêncio.

    Querido filho de Deus, se estou falando com alguém que está numa tempestade assim, num caminho tão inexplicável com o Senhor, e o Senhor está absolutamente silencioso — se você anseia por uma palavra do Senhor e Ele não lhe dá nenhuma —, descanse Nele.

    Você pode estar sendo sacudido por tempestades. Pode estar aflito e sem consolo. Não tema. Deus está fazendo algo em sua vida que resplandecerá com beleza incomparável. Ele fará isso.

    Lembro-me de uma ocasião em minha própria vida em que estava passando por um período de grande aflição. Uma passagem das Escrituras chegou até mim por meio de minha querida cunhada, já idosa, que conhecia profundamente o Senhor. Por toda a casa dela estavam as palavras:

    A Minha paz vos dou.

    Eu costumava me perguntar por que ela tinha aquela palavra em toda parte. Mas, quando estava em grande aflição, eu lhe disse: “Tenho passado por tormentos terríveis, mas, de repente, entrei na paz. Não sei dizer por quê, porque a situação continua exatamente como antes. Mas tenho paz por dentro”.

    Ela disse: “Deixe-me lhe contar uma coisa. Anos atrás, quando eu estava em grande dificuldade e fui levada a uma instituição psiquiátrica, parecia que nada poderia me ajudar. Eu cria na cura de Deus, e Ele não me curou. Perdi minha reputação e tudo o mais”.

    Ela disse: “Em meio a grande tormento, um versículo me veio à mente, João 14:27:

    Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou.

    “Vi que Ele me deixou, como legado, paz com Deus.”

    “Ele nunca precisou de paz com Deus; sempre teve paz com Deus. O pecado havia destruído minha paz, mas Ele a deixou como legado. Depois me deu Sua própria paz: a paz Daquele que não tem pecado, demonstrada no Getsêmani e na cruz, quando disse, em Lucas 23:46:

    Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.

    “Depois de todo o tormento e de toda a aflição, havia a paz Dele.”

    A Minha paz vos dou.

    A Presença de Deus em Sua Casa

    Precisamos encerrar. Há outras coisas sobre as quais eu gostaria de falar: as colunas Jaquim e Boaz, os querubins e os utensílios santos de Deus.

    Os antigos querubins ainda estavam ali sobre o propiciatório, olhando para baixo. Mas os dois grandes querubins estavam de pé, em toda a sua altura, com as asas estendidas de uma parede à outra. Não olhavam para baixo, para o propiciatório; olhavam para dentro da casa de Deus.

    Essa é uma bela imagem. Deus precisa primeiro dirigir nossa atenção à obra consumada do Senhor Jesus Cristo, e depois dirige nossa atenção à habitação: “Esta é a primeira coisa que vocês precisam ver; agora, aqui está a próxima — um lar para Mim mesmo”.

    Mas terminarei com isto: quando a casa finalmente foi edificada, a arca do Senhor entrou nela, e a glória do Senhor encheu a casa.

    Isso não faz Salmos 27:4 ganhar vida?

    Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
    Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
    Para contemplar a beleza do Senhor,
    E para inquirir no Seu templo.

    Você está ali e não vê nada além de beleza. A maravilha é que tudo isso está nos Seus e se manifesta por meio deles. Que graça! Não apenas o Senhor Jesus singularmente em Si mesmo, mas Sua beleza revelada naqueles que Ele trouxe à glória consigo — conduzindo muitos filhos à glória.

    No fim, querido filho de Deus, essa habitação de Deus existe para a presença do Senhor. Ele quer comprometer-Se com ela.

    Quando a arca entrou, deparamo-nos com uma grande dificuldade no hebraico do versículo referente aos varais. Algumas versões dizem que os varais foram retirados. Outras dizem que foram alongados ou tornados mais compridos. O hebraico simplesmente diz que os varais foram tornados mais compridos.

    Acho que isso provavelmente significa que os varais foram puxados parcialmente para fora. A lei de Moisés proibia que os varais fossem removidos; portanto, talvez tenham sido puxados parcialmente para fora para indicar que a arca havia chegado ao seu lar para descansar. Não seria mais transportada. A arca do Senhor havia chegado ao seu lar.

    As extremidades dos varais provavelmente podiam ser vistas como saliências no véu, mostrando ao povo: Deus está em casa. Finalmente, Deus está em casa.

    Aonde quer que eu vá, pergunto: “Onde Deus está em casa? Ele está em casa em Richmond? Está em casa em Washington? Está em casa nesses outros lugares?”

    Pode haver milhares de pedras vivas, muitos crentes queridos e muita experiência com o Senhor. Mas onde a arca chegou ao seu lar? Onde os varais foram alongados? Onde Deus finalmente encontrou Seu lar?

    Podemos terminar com Salmos 27:4:

    Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
    Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
    Para contemplar a beleza do Senhor.

    Para adorá-Lo, oferecer-Lhe sacrifícios de louvor, ver algo de Sua glória manifestada nos outros santos e por meio deles, enquanto são transformados juntos à Sua semelhança, de glória em glória, e para inquirir no Seu templo.

    É para isso que existe a casa de Deus:

    1. Para a presença do Senhor.
    2. Para a adoração.
    3. Para que sejamos transformados de glória em glória.
    4. Para que possamos servi-Lo, consultando o Senhor.

    E que o Senhor abençoe.