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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Story of Halford House © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Story of Halford House
    The Story of Halford House
    Lambert, Lance

    O desenvolvimento da comunhão cristã e da vida da igreja em Richmond

    Originalmente, eu iria para a China como missionário. Na Universidade de Londres, eu havia me especializado em chinês clássico e guoyu, e também em filosofia oriental. Mas, Fiona, já esqueci a maior parte disso.

    Eu estava para ir à China como missionário pela Missão para o Interior da China. Depois, trabalhei durante dois anos na capelania da Força Aérea Real e, nesse período, minha saúde entrou em colapso e a China se tornou comunista. Então voltei muito, muito doente. Durante algum tempo, suspeitaram que eu estivesse com um princípio de leucemia.

    A influência do avivamento nas Hébridas

    Quando voltei para casa, em 1951, só se falava do avivamento nas Hébridas. As Hébridas são pequenas ilhas ao largo da costa noroeste da Escócia. Duas irmãs idosas haviam passado todas as noites em oração durante seis meses e, na outra extremidade da ilha, em Lewis e Harris, sete irmãos haviam se reunido durante um dia inteiro por semana, por dois anos.

    Essas pessoas haviam agonizado em oração por aquelas ilhas e, de maneira extraordinária — embora contar isso levasse tempo demais e, em certo sentido, não faça parte da história de Richmond —, houve um derramamento do Espírito de Deus sobre as Hébridas.

    Pastores de ovelhas nos campos eram subitamente prostrados no chão, convencidos do pecado, e encontravam o Senhor. Depois, caminhavam até as aldeias e cidades, apenas para descobrir que muitas outras pessoas também haviam encontrado o Senhor.

    Houve ocasiões em que as pessoas se reuniram para orar numa casa, e a casa inteira foi abalada. Em outra ocasião — e tenho amigos que estavam presentes nesses momentos —, quando saíam de uma reunião, de repente os céus acima deles se encheram de música e cânticos. Foram tempos extraordinários.

    Toda a Grã-Bretanha estava maravilhada com esse derramamento do Espírito nas Hébridas. Todos ouviam falar muito dessas duas irmãs idosas e desses sete senhores idosos. Eu vinha lendo as Preleções sobre avivamentos, de Finney. Se vocês quiserem ficar muito incomodados, leiam as Preleções sobre avivamentos, de Finney, especialmente a passagem sobre lavrar a terra não cultivada. Aquilo realmente acabou conosco.

    O início da oração conjunta

    Minha irmã, mais uma ou duas pessoas e eu fizemos um compromisso de não falar sobre avivamento, não ler sobre o assunto e nem sequer orar a respeito durante um mês inteiro. Temíamos que esse encargo fosse apenas emocional, produzido por tudo o que se dizia sobre as Hébridas e por todo o resto.

    Mas dissemos que, se depois de um mês o encargo estivesse mais profundamente em nosso coração do que antes, nós nos reuniríamos e começaríamos a orar. Depois de um mês, o encargo era maior do que nunca.

    Então, no primeiro dia de setembro de 1951, começamos a orar. Oramos todas as noites durante setembro, outubro, novembro e dezembro, até o Natal de 1951.

    Quando olho para trás, considero um milagre que tenhamos conseguido orar daquela maneira. Costumávamos nos reunir por volta das sete e orar até as dez ou dez e meia — de três a três horas e meia todas as noites. Vocês sabem como é difícil perseverar em oração por apenas meia hora. Quando olho para trás e penso em como conseguimos, digo que foi um milagre.

    Nunca éramos menos de dois, nem mais de oito. No entanto, em novembro de 1951, tivemos o maior nevoeiro da história de Londres, no qual morreram três mil pessoas. Era tão denso que não conseguíamos enxergar o outro lado da rua. Todo o trânsito e tudo mais parou, mas não interrompemos nossos períodos de oração.

    Caminhávamos três, cinco, até seis quilômetros através do nevoeiro para nos reunir em oração. Sempre havia pelo menos dois de nós em cada uma daquelas reuniões.

    A formação da comunidade Koinonia

    Disso surgiu nossa comunidade interdenominacional, se quiserem chamá-la assim. Nós a chamamos de Koinonia, a palavra grega para comunhão. Não fizemos anúncios nem divulgação. Não fizemos nada além de nos reunir. Éramos apenas jovens.

    Antes que se passassem uma ou duas semanas, começamos a nos reunir todas as sextas-feiras, nos primeiros meses de 1952. Naquela época, tínhamos pouquíssima compreensão da igreja.

    Nosso encargo em oração tinha dois aspectos:

    1. Que Deus fizesse algo novo em Seu povo.
    2. Que Ele salvasse os que ainda não eram salvos.

    Eu fazia parte de uma igreja batista muito grande, onde realmente havia conhecido o Senhor. A maioria das pessoas vinha de fora de Richmond. Vinham de carro e tinham muito pouco encargo verdadeiro pela região.

    Uma coisa que me incomodava muito era que vocês poderiam retirar de Richmond todas aquelas seiscentas pessoas e, desde que não levassem o prédio com elas, ninguém perceberia. Não havia impacto sobre a localidade, nenhum impacto sobre o curso real da vida das pessoas de Richmond.

    Esse era um encargo muito real, irmãos. Sentíamos que todo verdadeiro grupo de filhos de Deus, toda igreja verdadeira, deveria virar o mundo de cabeça para baixo. Deveria haver algum tipo de perturbação no inferno, se não houvesse em nenhum outro lugar.

    Eu nunca conseguia entender por que tínhamos oito mulheres para cada homem na igreja. Eu era um jovem muito irreverente e vivia perguntando: “Por que há tantas mulheres?” As irmãs mais velhas diziam: “Nossas almas não são tão valiosas quanto as dos homens?”

    Mas não era isso que eu queria dizer. Eu ficava completamente intrigado com o fato de o Senhor salvar tantas mulheres em comparação com os homens. Outros me diziam, com toda a certeza, que duas guerras mundiais haviam matado todos os homens. Mas eu não conseguia entender isso, porque se viam tantos homens nas ruas e nos cinemas quanto na igreja.

    Eu costumava pensar comigo mesmo: quando Deus realmente age, Ele salva um tipo de homem que não se vê com frequência nas igrejas. Por que Ele não faz isso hoje? Quando lemos o Novo Testamento, vemos que Ele salvou todo tipo de pessoa.

    Foi assim que o encargo se desenvolveu. Era como um reservatório de água que se esvaziava quando orávamos. Depois nos levantávamos e íamos embora, mas, no dia seguinte, o reservatório estava cheio de novo, e simplesmente tínhamos de orar outra vez para dar vazão ao encargo. É claro que aquilo era um trabalho de parto espiritual, embora ainda não compreendêssemos isso plenamente.

    Orávamos por todo tipo de lugar: pelos locais de prostituição, por lugares de maldade de uma espécie ou de outra, por hospitais, escolas, faculdades, igrejas — por tudo. Durante aqueles meses, oramos por tudo isso.

    Disso surgiu a Koinonia. Em poucas semanas, todas as igrejas, capelas e missões estavam representadas por jovens. Tínhamos católicos, anglicanos, episcopais, metodistas, congregacionais, batistas, Irmãos, presbiterianos — de tudo. Naquela época, não tínhamos ninguém dos Irmãos Exclusivos.

    Nunca tivemos brigas, problemas ou disputas. Simplesmente amávamos o Senhor e amávamos uns aos outros. Nunca chamávamos aqueles encontros de reuniões de oração ou estudos bíblicos; nós os chamávamos de encontros de comunhão Koinonia.

    Alguns cristãos mais velhos não entendiam a palavra Koinonia. Achavam que estávamos nos voltando politicamente para a esquerda, porque ela parecia uma palavra russa. Estavam convencidos de que nossa maneira de pensar estava se tornando comunista ou marxista.

    As Escrituras, a comunhão e a evangelização

    No início, não fazíamos nenhum trabalho evangelístico. Adorávamos o Senhor, compartilhávamos o Senhor uns com os outros e estudávamos a Palavra. A Palavra se tornou um elemento muito poderoso na vida de todos nós.

    Éramos jovens, acostumados, em certo sentido, a receber tudo de segunda mão. Mas, quando começamos a estudar a Palavra e o Espírito de Deus lançou luz sobre ela, isso se tornou revolucionário para nós. A Palavra começou a moldar e influenciar tudo entre nós. Era como um grande rio de vida fluindo através de nós.

    Então começamos a realizar o que chamávamos de “apertões”. Vocês entendem essa expressão? Eram encontros de jovens nos quais espremíamos todo mundo dentro de um prédio pequeno. Por isso chamávamos o encontro de “apertão”.

    Não permitíamos que ninguém viesse sem trazer um amigo que ainda não fosse salvo. Se a pessoa não trouxesse um amigo não salvo, tinha de ir a outra casa, onde havia uma reunião de oração, e orar pelo encontro.

    Na primeira vez que realizamos um desses encontros, a casa ficou lotada: no andar de cima, nos quartos, nos cômodos do térreo — em toda parte. Um grande número de pessoas foi salvo.

    Depois alugamos um cinema e usamos o restaurante que havia no prédio. Isso incomodou alguns cristãos. Diziam que era terrível os jovens estarem num cinema. Mas outras pessoas foram salvas.

    Chegamos até a alugar um barco a vapor no rio Tâmisa. Ele havia sido construído para cerca de cento e cinquenta pessoas, mas colocamos mais de duzentas a bordo. Depois que soltamos as amarras, é claro, elas não podiam mais desembarcar. Foi um dos melhores momentos de evangelização que já tivemos.

    Descemos o rio até Hampton Court e, de propósito, não atracamos ali. Fizemos a volta e percorremos todo o caminho de volta. Um bom número de pessoas foi salvo naquela viagem. Algumas delas estão conosco até hoje. Elas se tornaram o núcleo da obra.

    A oposição e a separação

    É claro que começaram a exclusão e o antagonismo. Todas as pessoas que eram salvas naquela época eram encaminhadas às diferentes igrejas, mas as igrejas se voltaram contra nós.

    Continuo convencido de que o Senhor estava nisso. Nunca teríamos aprendido as lições que aprendemos agora, nem seguido o caminho que seguimos, se não fosse por aquilo. Como disse José, eles intentaram o mal, mas o Senhor intentou o bem. Isso tira o aguilhão da situação.

    Diziam coisas terríveis a nosso respeito. Espalhavam histórias de que estávamos envolvidos com magia negra, de que realizávamos sessões espíritas, de que éramos russelitas, Testemunhas de Jeová, mórmons e de que eu estava dando instrução sexual aos jovens.

    Lembro-me de uma ocasião em que uma moça chegou, bateu com força à porta, nem tirou o casaco e disparou para um canto como um coelho assustado. Seu rosto estava tão vivo quanto a plumagem de um canário, e ela ficou sentada ali com um caderno e um lápis.

    Não sabíamos, mas ela havia sido enviada por um cristão conhecido da região para fazer anotações sobre a suposta sessão espírita, a fim de obter provas em primeira mão. Ela foi tão abençoada que está conosco desde então.

    É claro que isso se tornou mais uma prova de que havia algo de hipnótico em todos nós. Vejam: pessoas que não eram do nosso grupo entravam, ficavam tão “hipnotizadas” que permaneciam e se tornavam bem diferentes.

    No outono de 1952, percebemos que tínhamos uma igreja dentro de uma igreja dentro de uma igreja. Na minha própria igreja, por exemplo, dois terços dos membros nem sequer olhavam para nós. Desviavam o caminho quando nos viam. Não apertavam nossa mão nem diziam bom-dia ou boa-noite.

    Fizeram uma queixa contra mim por eu conversar com novos membros — pessoas que haviam encontrado o Senhor entre nós e que tínhamos encaminhado para o batismo e assim por diante. A situação se tornou muito desagradável.

    Naquela época, comecei a enxergar o que era a igreja, e isso me libertou completamente. Senti que não podia mais ser batista; só podia ser cristão.

    Não era que eu estivesse promovendo divisão, mas já não podia ser um segmento do povo de Deus. As pessoas dizem que isso não importa, mas é como um comunista dizer que isso não importa enquanto continua sendo um membro do Partido Comunista com carteirinha.

    Eu sentia que não podia mais pertencer a algo que fosse uma divisão do povo de Deus. Então disse: “Não posso mais ser batista. Sou apenas cristão”.

    Tivemos três semanas de oração. Dissemos a todos: “Busquem o Senhor. Não faremos nada em bloco. Se vocês sentirem que o Senhor quer que permaneçam nos grupos estabelecidos, permaneçam. Mas, se sentirem que o Senhor os libertou e que devem sair e se reunir, vamos buscar o Senhor e fazer a Sua vontade”.

    O resultado foi que dois terços decidiram, de maneira bastante tranquila, permanecer nos grupos estabelecidos. Ficamos reduzidos a um pequeno punhado de pessoas. Foi realmente assim que a obra começou.

    Os pastores da região nos deram seis meses. Fizeram uma reunião especial e disseram: “Bem, damos seis meses a eles. São apenas garotos. Depois de seis meses, quando tiverem cometido todos os seus erros, voltarão de chapéu na mão”.

    Mas eles não percebiam que já nos haviam posto para fora. De certa forma, era apenas uma questão de tempo até que todos fôssemos expulsos. Nós simplesmente nos antecipamos e saímos.

    No entanto, eles nos haviam lançado nos braços de Deus. Nunca, em momento algum, decidimos ter uma igreja. Nunca havíamos concebido a possibilidade de ficar por nossa conta. Só tínhamos pensado que o Senhor faria algo novo em Seu povo por todo o vale do Tâmisa e que muitas pessoas não salvas seriam salvas.

    Quando isso aconteceu, não sabíamos o que fazer. Tínhamos o Livro, tínhamos o Espírito Santo e buscamos o Senhor. Foi assim que a obra começou.

    Lições do desenvolvimento da obra

    O trabalho de parto como princípio do nascimento espiritual

    A primeira lição que surge diretamente do que já disse é o princípio do trabalho de parto espiritual.

    Por que não encontramos a casa de Deus verdadeiramente expressa? Por que não encontramos a igreja de Deus realmente funcionando? Temos muitos modelos do Novo Testamento, não temos? No entanto, eles parecem tão impotentes, tão sem vida e, de muitas maneiras, tão sem esperança.

    Creio que a chave é o trabalho de parto. A igreja não é uma organização; é um organismo. Um organismo precisa nascer, e, para que haja nascimento, é preciso haver trabalho de parto.

    O dilema de Deus é encontrar pessoas que saibam passar por esse trabalho de parto. Você não pode passar por um trabalho de parto quando ainda é um bebê. Precisa ter certa idade, certa maturidade espiritual. Por toda parte onde Deus olha, Ele não pode fazer algo nascer se não houver pessoas capazes de passar por esse trabalho de parto.

    Simplesmente montar uma igreja é brincar de igreja. As pessoas acham que podem reunir algumas pessoas e montar uma igreja. Algumas chegam a falar em montar um corpo — como se fosse possível montar um corpo.

    Meu corpo nunca foi montado; meu corpo nasceu. Não se pode montar um corpo. Nem sequer se pode montar uma igreja.

    Em potencial, vocês têm uma igreja quando crentes se reúnem numa determinada região, no tempo, aqui na terra. Mas, para que a igreja realmente funcione, ela precisa nascer de Deus. Isso exige um trabalho de parto em algum lugar.

    Não importa para onde olhemos na história da igreja: por trás de cada verdadeiro mover do Espírito de Deus, encontramos um ministério de trabalho de parto espiritual.

    Você não pode passar por esse trabalho de parto se não estiver disposto a entregar sua vida. As pessoas vinham a mim e diziam: “Que maravilha vocês poderem se reunir — vocês tinham tempo. Nós não conseguiríamos”.

    Supostamente, eu estava morrendo de leucemia. Minha irmã estava fazendo suas provas finais. Outra irmã acabara de ter um bebê e estava atolada em responsabilidades. Um irmão tinha seu próprio negócio recém-aberto, que absorvia todos os seus pensamentos. Cada um de nós tinha uma desculpa perfeita para não orar.

    No entanto, custou muito a cada um de nós separar aqueles períodos e orar. Não creio que possa haver trabalho de parto espiritual sem entrega da vida.

    É por isso que há tão pouca expressão da igreja em funcionamento. As pessoas querem as bênçãos, a comunhão e as vantagens, mas não querem as responsabilidades. As responsabilidades são totais.

    O exercício prático de Jesus Cristo como Cabeça

    A segunda lição que aprendemos, logo no início, foi que o Senhor Jesus Cristo é o Cabeça — o Cabeça absoluto.

    Venho de uma monarquia, e fico feliz por vir de uma monarquia. É claro que preciso ter cuidado aqui, por causa de toda a história de vocês. Nossa monarquia é o que chamamos de monarquia constitucional, uma monarquia democrática.

    Isso significa que ela não é uma monarquia absoluta. O monarca é uma figura representativa, acima dos partidos e das facções, mas o governo que estiver no poder escreve os discursos para a monarca, e ela precisa lê-los como se fossem seus.

    Leis e atos são aprovados no Parlamento, e a rainha precisa assiná-los. São elaborados por outros, mas entram em vigor em nome dela.

    É exatamente isso que temos feito com o Senhor Jesus. Ele não é um monarca absoluto na igreja. Com muita frequência, Ele é um monarca constitucional. Escrevemos Seus discursos para Ele e depois os pronunciamos em Seu nome.

    Há muitos sermões que se enquadram perfeitamente nessa categoria. Também aprovamos atos em Seu nome.

    Talvez nos reunamos para discutir uma programação para o outono e o inverno seguintes. Dizemos: “Muito bem, aqui estamos nós, a comissão. Vamos fazer uma oração”.

    Então oramos: “Senhor, por favor, Tu nos conduzirás quanto à programação para este próximo outono e inverno? Mostra-nos o que devemos fazer, como devemos fazer e quem deve participar. Amém”.

    Depois, o líder diz: “Muito bem, você trouxe a lista de atividades para o próximo outono? E trouxe a lista dos preletores? Vamos ouvir tudo”.

    Ouvimos uma lista inteira de coisas já organizadas. Discutimos um pouco, inclinamos a cabeça, e alguém diz: “Obrigado, Senhor, por nos mostrares a Tua vontade para este próximo outono e inverno”. Depois nos perguntamos por que não há bênção.

    Vejam: temos um monarca constitucional.

    Éramos apenas jovens, mas acreditávamos numa coisa simples: quando Efésios 1:22-23 diz que Ele foi constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, isso é prático. Não é apenas místico ou abstrato; é prático.

    Ele é nosso Líder. Ele é o Presidente de qualquer comissão que possamos ter. Ele é Quem pode dar a conhecer Sua vontade pelo Espírito.

    Por isso, desde o início, consultávamos o Senhor Jesus e nos submetíamos a Ele como se estivesse fisicamente entre nós. Toda vez que tínhamos um problema, nos ajoelhávamos e dizíamos: “Senhor, diz-nos: o que devemos fazer a respeito disso?”

    Todos os nossos erros aconteceram quando não fizemos isso. Todas as bênçãos que conhecemos ao longo dos anos vieram dessa prática simples.

    Isso se aplicou em todos os níveis: aos presbíteros, aos diáconos, ao trabalho com as crianças, ao trabalho com os jovens, à evangelização e à obra que se estende por toda a Europa Oriental e pela Rússia.

    Em todos os aspectos da obra, a prática tem sido a mesma. Nós nos ajoelhamos, consultamos nosso Senhor, nos submetemos a Ele e nos recusamos a fazer qualquer coisa até termos um só entendimento.

    Às vezes, um irmão sentiu: “Não, isso não está certo”, e nós esperamos. Dissemos: “Irmão, você sabe que essa é uma grande responsabilidade. Você é o único que sente assim. Consulte o Senhor, e nós também consultaremos o Senhor”.

    Às vezes, ficou comprovado que aquele único irmão estava certo. O restante de nós continuou buscando o Senhor e descobriu que ele tinha razão. Muitas vezes, a verdade estava entre as percepções de todos nós.

    Fomos poupados de muitas tragédias simplesmente por adotar esse princípio de unanimidade: ter um só entendimento no Senhor e respeitar uns aos outros.

    Não devemos dizer: “É só o fulano. É o temperamento dele. Ele sempre pensa assim”. Quando fazemos isso, desconfiamos uns dos outros, e o diabo encontra uma brecha. Mas, quando dizemos: “Este é um irmão no Senhor”, confiamos no Senhor uns nos outros e encontramos o caminho.

    Se alguém me perguntar qual foi a maior lição de nossa história, eu diria, sem sombra de dúvida, que foi essa questão de consultar nosso Senhor Jesus e nos submeter a Ele.

    Se vocês realmente conhecerem, em termos práticos, Jesus Cristo como Cabeça, sem dúvida conhecerão o Corpo. Como ensina Colossenses 2:19, apeguem-se ao Cabeça e encontrarão o Corpo. Vocês não encontram o Corpo para depois chegar ao Cabeça; vocês se apegam ao Cabeça e encontram o Corpo.

    O quebrantamento e a dependência do Senhor

    Moisés e Arão eram líderes, mas, sempre que havia um problema, prostravam-se com o rosto em terra diante do Senhor. Por quê? Eram homens quebrantados. Só podiam fazer uma coisa quando surgia um problema: entregá-lo ao Senhor e dizer: “Senhor, o que fazemos agora? Não vamos tocar nisso. Tu nos dirás o que fazer”.

    Isso é reconhecer o Cabeça.

    O governo do Senhor Jesus Cristo como Cabeça confronta toda a pequena ditadura encontrada em tantos grupos pequenos, nos quais certos irmãos querem uma plataforma ou querem se tornar ditadores em seus próprios pequenos impérios. Ele destrói tudo isso.

    O governo do Senhor Jesus como Cabeça só pode ser exercido por pessoas que conhecem algo da cruz e do Espírito em sua vida. São pessoas quebrantadas. São dependentes do Senhor.

    Mesmo quando conhecem a Bíblia de capa a capa, não podem simplesmente colocá-la em prática de maneira mecânica. A coisa mais perigosa é conhecer a Bíblia e, assim que surge um problema, dizer: “Ah, bem, eu sei. É claro, está escrito aqui”.

    Vocês não têm visto as tragédias que resultam de fazer algo bíblico da maneira errada, no momento errado? Mas, quando buscamos o Senhor, Ele pode dizer: “Não ajam ainda. Esperem”.

    Princípios orgânicos na liderança da igreja

    A responsabilidade dos presbíteros

    Se Deus lhe dá responsabilidade na obra de Deus, pelo povo de Deus e pelo rebanho de Deus, sua vida precisa ser inteiramente entregue ao Senhor. Você não tem tempo para si mesmo. Sua vida precisa ser entregue.

    Há exigências absolutas nessa questão. Não pode haver nada desse glamour, dessa idealização, dessa imposição da própria autoridade, dizendo: “Eu sou o líder”.

    Alguns anos atrás, sentimos que a comunidade em Richmond estava em grande necessidade. A maioria de nós estava ocupada todas as noites, e alguns também o dia inteiro, em vários aspectos da obra.

    Concluímos que só havia uma coisa a fazer: abrir mão da única noite livre que tínhamos, a segunda-feira, e nos colocar à disposição de qualquer pessoa da comunidade que desejasse vir.

    Anunciamos que, a partir da segunda-feira seguinte, os presbíteros estariam disponíveis desde as cinco e meia da tarde. Se alguém quisesse vir com reclamações, sugestões, críticas, para aconselhamento ou para oração, que viesse. Se quisesse ter certeza de que nos encontraria, poderia marcar um horário.

    Pensávamos que talvez viessem uma ou duas pessoas necessitadas. Em vez disso, todas as segundas-feiras ficávamos ali das cinco e meia até, pelo menos, oito e meia da noite.

    Essa única iniciativa significou mais para a comunidade do que quase qualquer outra coisa. Temos visto o Senhor intervir de maneiras extraordinárias.

    Aprendi a não atender tantas pessoas sozinho. Se uma questão diz respeito a alguém da comunidade, digo: “Por que você vem a mim? Por que não procura os presbíteros?” O Senhor Se restringe quando sou apenas eu, mas, quando os cinco presbíteros estão presentes, Ele pode dar à pessoa de quem menos se esperaria uma compreensão da situação.

    Alguém faz uma pergunta, e toda a situação se esclarece. Ela se resolve. Temos constatado isso repetidamente.

    O surgimento orgânico dos presbíteros

    E quanto aos presbíteros? Como eles surgem? Cometemos um grande erro aqui.

    Éramos garotos, no fim da adolescência e no início dos vinte anos, lendo as Escrituras. Pensamos: “Há presbíteros e diáconos, e eles foram separados mediante oração e jejum”. Então tivemos duas semanas de oração e jejum. Ao final, separamos três irmãos como presbíteros e quatro como diáconos.

    Tínhamos um modelo perfeito do Novo Testamento: três presbíteros, quatro diáconos, uma diaconisa e a Mesa do Senhor todos os domingos. Éramos perfeitamente unidos. Não havia sequer um sussurro de desunião ou facção. Era lindo. Pessoas eram salvas, e todos os que vinham diziam: “Que belo modelo do Novo Testamento vocês têm!”

    Depois de dois anos, porém, vários de nós passaram a perceber profundamente que alguma coisa poderia partir tudo aquilo, como um terremoto abala a terra.

    Não sentíamos isso em nossa alma, mas em nosso espírito. Toda vez que nos reuníamos, havia essa sensação de que alguma coisa estava tentando sair. Ficamos tão perturbados que treze irmãos passaram um dia em oração e jejum, desde o início da manhã até tarde da noite, apegando-se ao Senhor.

    Oramos: “Senhor, mostra-nos o que é. Há alguma coisa na obra, alguma coisa na comunidade, alguma coisa na igreja que não está certa. Não conseguimos identificar o que é”.

    Quando havia transcorrido cerca de um terço do dia, eu estava com os olhos abertos. Do outro lado da sala havia um pequeno vaso para germinar bolotas, com uma bolota dentro. Estava cheio de água. Enquanto eu olhava, foi como se o Senhor dissesse: “Essa é a resposta para o seu problema”.

    A unidade do modelo de vocês é como a unidade da casca daquela bolota. Vocês têm um modelo perfeito do Novo Testamento, mas ele não é orgânico.

    Dentro da bolota há vida de carvalho. Essa vida é outro tipo de unidade. Ela romperá a casca exterior, crescerá até se tornar uma árvore e produzirá muitas outras bolotas.

    Enxerguei isso num instante. Nossos presbíteros haviam sido designados da maneira mais espiritual possível, mas não tínhamos observado o princípio orgânico.

    Quando perguntamos ao Senhor o que deveríamos fazer, sentimos que Ele dizia: “Não façam nada. Deixem comigo”. Por isso, não cancelamos nada nem forçamos renúncias. Simplesmente deixamos tudo com o Senhor.

    Alguns domingos depois, um por um, todos os que ocupavam algum cargo na comunidade deixaram suas posições. Não saíram da comunidade; simplesmente deixaram de exercer suas funções.

    Ao final daquele domingo, restavam-nos um presbítero e um diácono. O Senhor havia agido. Fomos reduzidos novamente à condição de simplesmente irmãos e irmãs, e nos comprometemos com o princípio orgânico.

    Aprendemos que nenhuma abordagem espiritual pode compensar a não observância de um princípio. Nunca se esqueçam disso.

    Vocês podem fazer algo da maneira mais espiritual possível, mas, se não observarem um princípio, ele prevalecerá. Vocês podem ler a Bíblia durante uma hora inteira, orar por mais uma hora e depois sair pela janela. O princípio da gravidade prevalecerá. Sua abordagem foi espiritual, mas vocês não observaram um princípio.

    O modelo do Novo Testamento e o crescimento orgânico

    Por que o apóstolo Paulo nunca designou presbíteros e diáconos em sua primeira viagem missionária? Não temos um único caso registrado no Novo Testamento de o apóstolo designar presbíteros e diáconos em sua primeira viagem. Somente na segunda viagem — às vezes dois ou três anos depois de sua visita inicial — ele voltava e os designava.

    Em Tito 1:5, Paulo diz:

    Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam,
    e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei.

    Por que Paulo e Tito não poderiam simplesmente ter orado juntos e conhecido pelo Espírito quem deveria ser presbítero em cada cidade? Porque Paulo sabia que precisava observar o princípio orgânico.

    Dentro de cerca de um ano, surgiam do meio da comunidade irmãos que eram verdadeiros presbíteros. Todos olhavam para eles. Provérbios diz que o dom de um homem lhe abre espaço.

    Quando um homem é presbítero, nada pode impedir isso. Todos recorrem àquele homem. Se uma pessoa tem um verdadeiro senso prático de responsabilidade, ela cuidará das coisas e, em pouco tempo, ficará evidente que tem o ministério de diácono.

    Essa foi uma de nossas grandes lições. Por onde vou, encontro muitas tragédias que surgiram porque as pessoas designaram presbíteros e adotaram normas do Novo Testamento sem observar esse princípio.

    Unidade, condição de membro e cuidado pastoral

    Outra lição que aprendemos muito cedo foi a questão de nossa unidade. Vimos que éramos um só povo, sem rótulo, sem um movimento específico e sem divisão. Éramos cristãos e pertencíamos a todos os crentes.

    Nós nos recusávamos a criar qualquer barreira entre nós e quaisquer outros crentes. Não teríamos um rol de membros, porque víamos que um rol de membros era uma divisão: significava que alguém estava dentro e alguém estava fora.

    Um importante líder evangélico na Grã-Bretanha, um dos poucos homens que nos apoiaram desde o início, me disse: “Concordo com tudo o que vocês descobriram até agora, mas não posso acompanhá-los nessa questão da condição de membro”.

    Ele disse: “Vocês aprenderão, para sua tristeza, que não conseguirão disciplinar os crentes. A igreja precisa ter disciplina, e, para haver disciplina, é preciso haver membros formalmente reconhecidos. Quando alguém faz algo errado, talvez seja necessário excluí-lo. Como vocês poderão fazer isso se não têm um rol de membros?”

    Buscamos muito o Senhor a respeito disso, mas não conseguíamos encontrar essa condição formal de membro nas Escrituras. Procuramos de trás para a frente, de cima a baixo, de todas as maneiras que conhecíamos. A única condição de membro que encontramos foi a de sermos membros do Corpo de Cristo e membros uns dos outros. Esse é outro tipo de vínculo.

    Entregamos a questão ao Senhor e nunca tivemos nenhum problema com a disciplina.

    Houve pessoas que tivemos de impedir de participar da Mesa do Senhor. Houve pessoas que tivemos de afastar da comunidade. Mas, quando vocês afastam alguém por motivos disciplinares, não devem ignorá-lo nem tratá-lo de maneira horrível.

    A Escritura diz que devemos tratar essa pessoa como um gentio. Lembrem-se de como devemos tratar as pessoas não salvas: com a maior cortesia e amor.

    Muitas tragédias foram causadas quando pessoas caíram em pecado, a igreja teve de tratar da situação e depois todos lhes viraram as costas, como se isso fosse espiritual.

    É claro que precisamos lidar firmemente com o pecado. Mas devemos procurar restaurar essa pessoa com espírito de mansidão. Se um bêbado vem à reunião, não o expulsamos simplesmente; nós o amamos e procuramos conduzi-lo ao Senhor. Precisamos tratar a pessoa que caiu com o mesmo amor redentor.

    A expressão local da unidade cristã

    Vimos que, em termos práticos, nossa unidade era com os crentes de nossa cidade — os crentes de Richmond. É claro que éramos um com os crentes de Tóquio, de Richmond, na Virgínia, de Washington, de Melbourne e de todos os outros lugares. Somos uma só família.

    Não impediríamos a entrada de um católico que tivesse nascido de novo. Diríamos: “Entre. Nós o amamos de todo o coração”. Faríamos o mesmo com qualquer pessoa que soubéssemos ser crente.

    Mas, em termos práticos, os crentes que moram em Richmond são os integrantes da igreja em Richmond. Nós nos recusávamos a acreditar que, pelo fato de alguém adorar em outro lugar ou em outra comunidade, não tivéssemos responsabilidade para com essa pessoa.

    Havia uma irmã idosa em nossa cidade, uma grande guerreira de oração, que chegou aos últimos anos de sua vida. A comunidade com a qual ela se reunia quase nada fazia por ela. Não cuidavam dela. De vez em quando, enviavam um buquê de flores.

    Sentimos que isso era terrível. Ela não conseguia cuidar de si mesma, então providenciamos uma enfermeira que morou com ela até o dia de sua morte.

    As pessoas diziam: “Eles estão roubando ovelhas. A única razão pela qual estão fazendo isso é levá-la para o grupo deles”. Ela tinha oitenta e nove anos! Nós dizíamos: “Não, cuidamos do povo de Deus como povo de Deus”.

    Se outros querem usar rótulos, que usem. Nós não concordamos com rótulos e não enxergamos rótulos. Não faremos deliberadamente coisas para incomodar outras comunidades, mas somos um só povo.

    Talvez eles não nos aceitem como membros, mas nós os aceitamos como nossos. Nós nos recusamos a aceitar qualquer divisão entre nós e os outros crentes de nossa cidade.

    Formas de reunião e ministério

    As reuniões de domingo

    Talvez vocês queiram saber como nos reunimos. Deixem-me descrever uma semana normal e contar o que fazemos.

    No domingo, temos um período com os irmãos às dez e quinze. É aberto a todos os irmãos da comunidade. Nós nos reunimos das dez e quinze até cerca de dez e quarenta e cinco e oramos.

    Nossa reunião da manhã começa às onze horas. Na verdade, temos duas reuniões que se sucedem sem interrupção. Primeiro, temos a Mesa do Senhor, oração aberta e adoração. Depois, temos o ministério da Palavra, embora quase não se perceba que são duas reuniões distintas.

    A primeira hora é inteiramente aberta. Conforme o Espírito Santo conduz, qualquer pessoa pode contribuir com louvor ao Senhor, sugerir um hino, dar um testemunho e assim por diante. Durante esse período, participamos da Mesa do Senhor.

    Em algum momento depois do meio-dia, cantamos hinos infantis e oramos com as crianças. Elas estiveram conosco durante toda a reunião e então vão para suas classes. Todos os demais permanecem para o ministério da Palavra.

    Os irmãos se reúnem antes por duas razões. Primeiro, acreditamos que nunca se pode ter uma reunião aberta sem muita oração.

    Um dos grandes erros nas reuniões abertas é pensar que, por ser um período aberto, ninguém precisa orar a respeito. Eu digo que uma reunião dirigida exige menos preparação do que uma reunião aberta.

    Uma reunião aberta exige que os irmãos se reúnam antes, para ligar e desligar coisas em nome do Senhor. Oramos: “Senhor, nós ligamos toda contribuição que não procede de Ti para esta manhã, ou que pode ser verdadeira em si mesma, mas não é para este momento. Nós a ligamos em nome do Senhor Jesus Cristo. Liberamos tudo o que procede de Ti para este momento”.

    Em segundo lugar, qualquer irmão pode ter um hino, um salmo, uma leitura ou alguma outra contribuição. Compartilhamos essas coisas antes da reunião e perguntamos: “Senhor, como começamos? De maneira tranquila? Com vigor? Com um hino, uma oração ou uma leitura?”

    Procuramos conhecer a nota que Deus deseja que seja tocada. Às vezes, três irmãos têm o mesmo hino, e então sabemos com facilidade. Em outras ocasiões, sentimos um peso e sabemos que precisamos começar com oração.

    Qualquer irmão também pode acreditar que tem uma palavra do Senhor para ministrar. Ele pode procurar os irmãos antes e dizer isso. Então dois ou três irmãos oram sobre a questão e procuram saber quem é a pessoa para aquele momento.

    A evangelização aos domingos à noite

    No domingo à noite, temos uma reunião às seis e meia. Às cinco e meia, algumas pessoas se reúnem para orar. Recebem folhetos e literatura evangelística e saem pela cidade, de dois em dois, para alcançar homens e mulheres e levá-los a ouvir o evangelho.

    A maioria de nossos convertidos veio dessa maneira: pelo trabalho de casa em casa, pelo trabalho nas ruas ou pelo que chamamos de pescaria. Eles saem para pescar.

    Na reunião da noite, um irmão dirige e outro prega o evangelho. Frequentemente temos testemunhos e, às vezes, cânticos. Recentemente, fizemos outra descoberta que tem sido uma bênção tremenda. Várias pessoas se converteram, e batizamos quarenta e oito pessoas desde janeiro, com outras dezesseis em preparação.

    Sempre louvávamos o Senhor em nossas reuniões, mas não fazíamos isso nas reuniões evangelísticas, porque achávamos que não era para os incrédulos. Então o Senhor nos mostrou que deveríamos fazê-lo.

    Isso abriu toda uma nova possibilidade. Muitos que vieram disseram: “Isso é algo que nunca encontramos antes. Nunca encontramos pessoas assim. Nunca encontramos uma atmosfera de amor como esta. Nunca sentimos essa percepção de alguma coisa”.

    É claro que é Deus. Mas, antes disso, eles sentiam que tudo era dirigido a eles — cada hino, oração e contribuição, bem no meio da testa.

    Então deixávamos de nos dirigir a eles e dizíamos: “Perdoem-nos. Nós, cristãos, amamos adorar nosso Deus. Ele é tão maravilhoso. Vamos simplesmente esquecer todos vocês por um momento, se não se importarem, e adorá-Lo”.

    Passávamos cinco ou dez minutos simplesmente adorando o Senhor. Isso produzia algo nas pessoas. Quando viam cristãos claramente desfrutando do Senhor, isso lhes falava de uma maneira diferente.

    Normalmente terminamos por volta das quinze para as oito no domingo à noite. Depois, como somos britânicos, tomamos uma xícara de chá. Todos os que desejarem ficar podem fazê-lo, e isso oferece uma oportunidade de nos conhecermos.

    Às oito e meia, temos o último encontro do dia, que chamamos de período de ministério. Podemos cantar, ouvir testemunhos, ouvir aqueles que vieram ao Senhor ou considerar perguntas.

    As reuniões de oração e a comunhão local

    Na terça-feira, temos oração. Normalmente, de cem a cento e vinte pessoas, ou mais, vêm para esse período de oração. Percebemos que isso estava se tornando gente demais, então dividimos toda a região em que a comunidade está distribuída em cinco grupos distritais.

    Em semanas alternadas, nós nos reunimos em casas nesses cinco distritos. Oramos pelas mesmas questões principais, mas esses grupos são mais abertos. Perguntamos às pessoas se têm necessidades pessoais, parentes, amigos ou vizinhos pelos quais gostariam que orássemos.

    Nas outras semanas, todos nos reunimos. Nos encontros distritais, oramos por questões pessoais e locais; quando estamos todos juntos, oramos por questões nacionais e internacionais.

    As pessoas que vêm à comunidade em Richmond muitas vezes ficam impressionadas com o ministério de oração. Dizem: “Não conseguimos deixar de nos surpreender com o ministério de oração ali — com a maneira como as pessoas oram”.

    Temos sido ensinados a orar de maneira executiva — não apenas fazendo pedidos vagos, mas tomando posse da vontade de Deus e, por assim dizer, executando-a no lugar secreto.

    Acreditamos que a oração é uma operação militar e precisa ser conduzida como uma operação militar. Não achamos bom simplesmente deixar tudo sem direção, nem apenas esperar que um encargo se desenvolva quando há pouco tempo.

    Achamos melhor que certos filhos de Deus abram o caminho, toquem o Senhor, conheçam o encargo e depois o tragam à comunidade.

    Na quinta-feira, temos estudos da Palavra. Normalmente, esse é um período mais dirigido. Se temos entre nós alguém com ministério de ensino, o período é dedicado em grande parte a isso. Podem vir de cento e vinte a cento e cinquenta pessoas.

    O ministério aos jovens e às famílias

    Na sexta-feira, os mais jovens se reúnem. Estávamos especialmente preocupados com os filhos de pais cristãos. Os jovens salvos nas ruas normalmente não tinham problema; assim que chegavam, sabiam que aquela era sua família. Imediatamente levavam bandejas de chá, ajudavam e recolhiam os livros.

    Mas os filhos de pais cristãos muitas vezes enfrentavam dificuldades maiores. Começamos esses encontros dos mais jovens para ajudá-los a superar essas dificuldades.

    Posso dizer algo a vocês que são pais cristãos? Recentemente, temos sido muito encorajados ao ver família após família encontrando o Senhor. Anos atrás, nos disseram que, por nossas reuniões serem longas, nossos filhos ficariam entediados e não viriam ao Senhor.

    Mas, louvado seja Deus, só podemos dizer que é extraordinário ver como aqueles que um dia dedicamos estão agora encontrando o Senhor.

    Uma família tinha quatro filhos e uma filha. Os pais estavam profundamente sobrecarregados com esse encargo. A filha e o filho mais velho conheciam o Senhor, mas os outros não.

    A mãe disse ao pai: “Vou me levantar às cinco e meia todas as manhãs para orar pelos meninos”. Ele disse: “Se você fizer isso, eu também farei”. Então os dois se levantavam todas as manhãs às cinco e meia para orar pelos filhos.

    Eles não conseguiam orar apenas pelos próprios filhos. Outra família que morava na rua ao lado disse: “Vamos orar pelos filhos deles também”. Então um dos meninos foi maravilhosamente salvo. Em seguida, veio seu irmão mais velho. Depois, o menino e a menina da outra família foram salvos. Outro casal, que tinha um filho único, começou a se levantar cedo para orar, e seu filho único foi salvo.

    Isso se espalhou por toda a comunidade. Só posso dizer que acredito que aconteceu porque os pais assumiram uma verdadeira responsabilidade diante do Senhor.

    A fé e a provisão financeira

    O princípio pelo qual sempre temos agido é a fé. Acreditamos que tudo o que não procede da fé é pecado.

    Nos primeiros tempos, tivemos grandes discussões sobre se deveríamos recolher ofertas. Depois de examinar as Escrituras, decidimos que, embora recolher ofertas não fosse errado em si, era a forma mais inferior de fazê-lo.

    Se vocês forem recolher uma oferta, sejam francos. Digam a todos: “Agora vamos recolher a oferta. Por favor, esvaziem os bolsos”. Isso parece mais saudável e honesto do que enfiar um prato debaixo do nariz das pessoas e constrangê-las psicologicamente a contribuir.

    Mas sentimos que a melhor maneira era colocar uma caixa de ofertas num lugar discreto, aonde as pessoas precisassem ir deliberadamente para dar. Esse ato de ir seria, por si só, um ato de adoração.

    Certa vez, um pastor me disse: “Meu caro rapaz, você está cometendo um grande erro nessa questão do dinheiro. Você é um idealista. Mais cedo ou mais tarde, terá de encarar a realidade. O povo de Deus não contribuirá se não for lembrado. Em pouco tempo, você estará mendigando o pão de cada dia”.

    Continuamos nessa base. Milhares e milhares de libras passaram por nossas mãos, e o Senhor fez muito mais por nós do que, tenho certeza, teria feito se tivéssemos dependido de coletas.

    A história da provisão de nosso local de reuniões — os milagres de provisão, dinheiro, cuidado e manutenção — levaria uma tarde inteira para ser contada. Mas o Senhor tem demonstrado Sua fidelidade.

    A adoração e a liberdade espiritual

    Mais recentemente, aprendemos o valor da adoração. Sempre fomos uma comunidade que adora, mas, nos últimos anos, temos visto que adorar o Senhor é uma das atividades mais profundas, mais plenas e mais satisfatórias às quais podemos nos dedicar.

    Descobrimos que, mesmo em nossas reuniões de oração executiva, nas quais tratávamos de coisas dolorosas ou satânicas, a atmosfera era transformada quando começávamos com adoração aberta.

    Dizíamos às pessoas: “Não peçam nada. Não orem por nada. Não façam nenhuma petição ao Senhor. Simplesmente adorem a Ele. Digam a Ele o que Ele significa para vocês. Digam a Ele como Ele é amável”.

    Às vezes, penso que o Senhor recebe mais de alguém que abre a boca e gagueja: “Senhor, eu Te amo”, do que de um daqueles longos sermões em forma de oração.

    Existe a ideia de que, para adorar o Senhor, é preciso apresentar a Ele todo o livro de Cânticos ou capítulos de Isaías, de alguma forma reformulados com suas próprias palavras. Mas, às vezes, penso que o Senhor quer atravessar tudo isso e perguntar: “Você Me ama ou não?”

    Acho que significa mais para o Senhor quando alguém diz: “Senhor, eu Te amo. Eu Te amo de todo o coração”.

    Também descobrimos que as pessoas podem se esconder no canto. Não há nada de errado com os hinos; devemos falar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais. Mas precisamos ter cuidado para não nos escondermos em nosso canto.

    Caso contrário, nossa adoração não é adoração. É esconderijo. Não é uma expressão de adoração dirigida ao Senhor.

    O maravilhoso é quando realmente abrimos os lábios, um por um, e louvamos o Senhor. Então vem um cântico, outro cântico, mais algumas pessoas louvam o Senhor, e vêm mais ações de graças. Temos descoberto que isso enriquece muito a adoração.

    Também temos o que chamamos de comunhão em família, um período inteiramente aberto. Cada um de nossos encontros é coberto previamente pelos irmãos reunidos em oração.

    Em algumas ocasiões, temos percebido o valor de ficar em pé para orar. Na Grã-Bretanha, normalmente nos sentamos para orar e ficamos em pé para cantar, enquanto no continente europeu as pessoas frequentemente ficam em pé para orar e se sentam para cantar. Descobrimos que ficar em pé para orar pode trazer certo tipo de liberdade.

    Algumas pessoas gostam de levantar as mãos. Outras sentiram que isso era um pouco excessivo. Mas tenho ressaltado que o Senhor está olhando para o coração.

    Não importa se você junta as mãos, mantém as mãos abaixadas, coloca-as atrás das costas ou as levanta. O que importa é o coração. Deixem as pessoas livres. Se alguém sente que pode adorar o Senhor levantando as mãos, deixem que levante as mãos. Se alguém se sente mais à vontade mantendo as mãos abaixadas, deixem que as mantenha abaixadas.

    Não devemos estar sob uma ditadura nessas coisas.

    A obra do Espírito Santo

    Desde o início em Richmond, conhecíamos algo dos dons espirituais. Por isso, não conseguíamos entender alguns queridos amigos pentecostais quando nos diziam que primeiro era preciso ter uma experiência definida, depois falar em línguas e, então, receber dons.

    Já conhecíamos essas coisas em operação antes de estarmos abertos a algumas dessas outras questões.

    Sempre esperávamos que o Senhor falasse conosco. Quando perguntávamos: “Senhor, devemos seguir este caminho ou aquele? Devemos ter uma reunião na sexta-feira em vez de quinta-feira? Devemos comprar esta propriedade ou não?”, esperávamos que o Senhor falasse de alguma maneira.

    Louvado seja Seu nome, Ele sempre falou.

    Não sabíamos nada sobre profecia em termos técnicos, mas o que acontecia com frequência era que uma pessoa lia algo das Escrituras e outra lia algo aparentemente sem relação. No entanto, aquilo era a resposta para a situação, e todos reconheciam isso. Tínhamos um só entendimento.

    Se alguns não tinham clareza, esperávamos e orávamos mais até termos um só entendimento. Repetidamente, foi assim que conhecemos o pensamento do Senhor.

    Também conhecíamos o dom da fé desde o início. Quando fomos adquirir uma casa, tínhamos cinquenta libras, e os proprietários queriam 1.750 libras pela propriedade original. Então encontramos outro lugar pelo qual pediam 3.000 libras. Oferecemos 200 libras, e eles disseram que era pouco. Oramos e oferecemos 400 libras, acrescentando as cinquenta libras que tínhamos. Eles disseram: “Sim, vocês podem ficar com ele”.

    Essa propriedade foi avaliada em 173.000 libras há dois ou três anos.

    Toda vez que precisávamos dar um passo adiante, conhecíamos o dom da fé. Também conhecíamos a palavra de sabedoria e a palavra de conhecimento.

    Repetidamente, depois de termos orado sobre alguma coisa, um membro aparentemente insignificante da comunidade dizia: “Enquanto estávamos orando, ocorreu-me que…”, e aquela pessoa tão discreta tinha a resposta completa.

    Às vezes, alguém dizia: “Estávamos orando ontem à noite sobre tal pessoa. Enquanto eu orava, fiquei pensando se não seria certo fazer isto”. Essa pessoa tinha uma palavra de sabedoria — uma aplicação prática que não havia ocorrido aos irmãos.

    Mais recentemente, à medida que nos tornamos mais abertos à obra do Espírito Santo, tem sido maravilhoso ver algumas das coisas que Deus fez.

    Uma ilustração do ministério profético

    Temos entre nós uma irmã que havia sido uma atriz conhecida. Ela tinha dificuldade com o senhorio do Senhor por causa de seu passado, de problemas pessoais, de um divórcio e de outras questões. No entanto, cresceu no Senhor.

    Num encontro de oração e estudo bíblico, o Senhor nos abençoou grandemente. Alguns dias depois, num período aberto, um dos irmãos disse: “Talvez haja pessoas aqui que foram tocadas pelo Senhor e queiram se levantar e confessar sua necessidade diante do povo de Deus e diante do Senhor em oração”.

    Essa irmã se levantou e orou: “Senhor, Tu sabes que, durante seis meses, tenho sido quase uma cristã apenas de nome. Por dentro, entrei em colapso. Não sei o que é, Senhor, mas sinto que não consigo continuar”. Ela clamou: “Senhor, por favor, por favor, por favor”.

    Então um irmão visitante deu uma palavra de profecia. Ele não sabia nada sobre a situação dela, mas a palavra falava de o Senhor tratar graciosamente da questão e trazer libertação.

    A irmã foi para casa e disse: “Senhor, aquela palavra veio de Ti para mim. Eu sei disso. Faz alguma coisa por mim. Eu me firmo naquela palavra”. Naquela noite, ela experimentou uma profunda libertação.

    Na manhã seguinte, às cinco e meia, estava no parque de Richmond, louvando o Senhor e sentindo-se renovada. Na noite seguinte, veio à reunião e, durante o ministério, outro irmão falou diretamente à situação dela.

    A palavra era que o Senhor havia ouvido seu clamor, mas que havia questões em sua vida envolvendo fofoca, murmuração, críticas e feridas causadas a outras pessoas. O irmão não a conhecia. Ele lhe disse que não discutisse nem dissesse que a palavra era para outra pessoa. Também mencionou dores nos joelhos que subiam até o quadril, algo que a vinha incomodando em particular havia três meses.

    Ela sabia que Deus havia falado com ela. Em vez de ficar esmagada, foi cheia de alegria e do Espírito Santo, porque sabia que o Senhor havia tratado com ela.

    Quando as pessoas dizem que essas coisas são do diabo, erradas, excessivas, falsas ou usadas de maneira abusiva, aceitamos plenamente que pode haver excesso, falsificação, uso errado e abuso. Mas também há aquilo que é verdadeiramente de Deus. Aprendemos isso.

    Nos últimos cinco ou seis anos, temos conhecido um pouco mais de clareza nessas questões, sem cair em exageros. Simplesmente consideramos esses dons como recursos para realizar o trabalho.

    Uma herança de fidelidade

    Finalmente, deixem-me dizer que não somos nada de especial. Nunca pensamos em nós mesmos como algo incrível, nem como o início de um novo movimento mundial.

    Sempre que ouço alguma coisa que diz: “Agora somos o novo mover de Deus”, ou: “Somos o novo nível”, fico cauteloso. Acreditamos que Deus fez esse tipo de coisa repetidamente ao longo da história de Seu povo.

    Temos uma herança, irmãos e irmãs. Chegamos ao fim desta era, não ao seu início. Temos uma herança que remonta, através de toda a história da igreja, ao próprio começo.

    As mãos de nosso Senhor lançaram o fundamento, e Suas mãos também concluirão a obra. Fazemos parte de algo que remonta ao início.

    Precisamos ter muito cuidado com a herança que é nossa — não jogar nada fora apenas por reação. Muitos de vocês falaram de coisas que vivenciaram neste país e que os incomodam e perturbam. Tenham muito cuidado com a reação. As reações raramente são corretas.

    Não joguem o bebê fora junto com a água do banho. É isso que a maioria das pessoas faz. Não façam isso.

    Temos uma herança maravilhosa. Estamos chegando ao fim desta era, quando Deus completará a obra de Seu Filho.