Bem, como estou feliz por estar aqui entre vocês, especialmente em Richmond, Virgínia — de Richmond para Richmond.
A vocês que são de Richmond, deixem-me dizer uma coisa: há muitos anos, vocês colocaram uma placa em Richmond Hill, um lugar de onde se avista o vale do Tâmisa. Em um dia claro, é possível enxergar por noventa ou cento e dez quilômetros através do vale. É possível ver o Castelo de Windsor no horizonte e, do outro lado, em um dia muito claro — antes ou depois da chuva —, enxergar até as colinas de North Downs, e até mesmo as de South Downs, na costa da Inglaterra, junto ao Canal da Mancha.
Vocês colocaram ali uma placa dizendo que, originalmente, quando pessoas de Richmond, Surrey, vieram se estabelecer na Virgínia — não consigo lembrar a data, mas foi bem no início da história de vocês, e mais tarde na nossa —, chegaram a esse parque com vista para o rio James e viram uma paisagem que lhes lembrava tanto a terra natal que decidiram se estabelecer ali e chamar o lugar de Richmond.
Eu disse ao irmão Stephen, quando chegamos e olhei aqui para baixo: “Bem, será que isso é apenas exagero? Será que foi apenas a vontade de ver o que desejavam?” Mas, ao olhar para aquela paisagem, mesmo daqui — e não sei se este é o lugar; ninguém me disse ainda —, pude entender imediatamente por que lhe deram o nome de Richmond.
É uma paisagem bastante familiar para mim, vista do alto de Richmond Hill, ou do que hoje se chama Richmond Park: a mesma vista lá embaixo, embora talvez daqui não estejamos tão no alto. Por isso, sinto-me muito em casa. A única coisa com que não me sinto em casa é essa umidade pegajosa. Com isso, não me sinto em casa.
Sinto-me muito em casa com vocês, querido povo de Deus — não apenas com os de Richmond, mas também com os de todos os outros lugares. E estou feliz pelo privilégio que o Senhor me concedeu de compartilhar algo da Palavra de Deus.
Gostaria de ler em 1 Crônicas 22. Vou ler o capítulo inteiro a partir do versículo 2: 1 Crônicas 22:2-19.
E ordenou Davi que fossem reunidos os estrangeiros que estavam na terra de Israel;
e constituiu pedreiros para lavrarem pedras de cantaria, para edificar a casa de Deus.
E preparou Davi ferro em abundância para os pregos das portas dos portões e para as junturas;
e bronze em abundância, sem peso;
e madeira de cedro sem conta:
porque os sidônios e os de Tiro traziam a Davi madeira de cedro em abundância.E disse Davi: Salomão, meu filho, é moço e tenro,
e a casa que se há de edificar para o Senhor deve ser sobremodo magnífica,
de fama e glória em todas as terras:
farei, pois, preparativos para ela.
Assim, Davi fez preparativos em abundância antes de sua morte.Então chamou a Salomão, seu filho,
e lhe ordenou que edificasse uma casa ao Senhor, Deus de Israel.
E disse Davi a Salomão, seu filho:
Quanto a mim, tive em meu coração o propósito de edificar uma casa ao nome do Senhor, meu Deus.
Porém, a palavra do Senhor veio a mim, dizendo:
Tu derramaste sangue em abundância e fizeste grandes guerras:
não edificarás casa ao Meu nome,
porque derramaste muito sangue sobre a terra perante Mim.
Eis que te nascerá um filho, que será homem de descanso;
e lhe darei descanso de todos os seus inimigos ao redor:
porque seu nome será Salomão,
e darei paz e tranquilidade a Israel nos seus dias.
Ele edificará casa ao Meu nome;
e ele será Meu filho, e Eu lhe serei Pai;
e estabelecerei o trono de seu reino sobre Israel para sempre.Agora, meu filho, o Senhor seja contigo;
e prospera, e edifica a casa do Senhor, teu Deus, como Ele falou a teu respeito.
Somente o Senhor te dê prudência e entendimento,
e te confie o governo de Israel;
para que guardes a lei do Senhor, teu Deus.
Então prosperarás, se tiveres cuidado de cumprir os estatutos e os juízos
que o Senhor ordenou a Moisés acerca de Israel:
sê forte e corajoso;
não temas, nem te espantes.Eis que, na minha aflição, preparei para a casa do Senhor
cem mil talentos de ouro,
e um milhão de talentos de prata;
e bronze e ferro sem peso, porque há em abundância:
também preparei madeira e pedra; e tu poderás acrescentar-lhes mais.
Também tens contigo trabalhadores em abundância,
cortadores e artífices de pedra e de madeira,
e toda espécie de homens hábeis para toda espécie de obra:
o ouro, a prata, o bronze e o ferro não têm conta.
Levanta-te e faze a obra, e o Senhor seja contigo.Davi também ordenou a todos os príncipes de Israel que ajudassem Salomão, seu filho, dizendo:
Porventura não está convosco o Senhor, vosso Deus?
E não vos deu Ele descanso de todos os lados?
Porque entregou os habitantes da terra nas minhas mãos;
e a terra está sujeita diante do Senhor e diante do Seu povo.
Agora, pois, aplicai o vosso coração e a vossa alma a buscar o Senhor, vosso Deus;
levantai-vos e edificai o santuário do Senhor Deus,
para trazerdes a arca da aliança do Senhor,
e os utensílios sagrados de Deus,
à casa que se há de edificar ao nome do Senhor.
Vamos orar.
Senhor, como estamos felizes porque Tu mesmo nos disseste que nos deste o Espírito Santo, o Espírito da verdade, para nos conduzir a toda a verdade.
Agora queremos confessar e reconhecer na Tua presença, Senhor — tanto quem fala quanto quem ouve —, que dependemos do ministério do Espírito Santo. Não podemos depender, Senhor, da eloquência, do conhecimento, nem mesmo dos fatos bíblicos. Queremos conhecer o desvendar dessas coisas ao nosso coração pelo Espírito de Deus.
Ó Pai, enche, portanto, este tempo com a Tua presença. Faze com que haja um ministério do Espírito Santo sem impedimentos, tomando das coisas de Cristo e anunciando-as a nós, glorificando nosso Senhor Jesus Cristo e concedendo-nos aquele espírito de sabedoria e revelação no conhecimento de nosso Senhor Jesus.
Ó Pai, ouve-nos. Damos a Ti todo o louvor e toda a adoração. Agradecemos-Te, Senhor, porque Te agrada tomar a fraqueza e nela manifestar o Teu poder e a Tua força. Faze isso nesta noite, pedimos, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Quero falar nesta noite, e, se o Senhor me der graça e vida para isso, talvez em algumas ocasiões seguintes, sobre o livro de Crônicas.
Não sei. Algumas pessoas acham o livro de Crônicas uma coisa crônica. Elas meio que pensam: “Ai, meu Deus”, sabe? Começam 1 Crônicas com todas aquelas longas linhagens e genealogias e, quando conseguem atravessar dez capítulos, já estão praticamente esgotadas.
Há também pessoas que não conseguem entender muito bem por que temos o primeiro e o segundo livros de Crônicas, pois, afinal, quase tudo já se encontra em 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis e 2 Reis. Então, por que Crônicas repete tudo? Por que não ficar apenas com 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis e 2 Reis?
Mas, sabem, quando Deus repete alguma coisa, ela é de importância vital. Deus nunca desperdiça palavras, e Ele nunca desperdiça tempo. Deus sempre repete algo com um objetivo muito real. Crônicas é um dos livros de maior importância na Bíblia, e espero que, como resultado destes encontros, vocês comecem a perceber isso.
Vejam, há certos livros que são a interpretação de todos os outros. Esses livros, portanto, ocupam uma posição especial.
Por exemplo, dois livros me vêm imediatamente à mente. Deuteronômio — a segunda apresentação da lei, o quinto livro de Moisés, o quinto livro da Bíblia — é, de fato, uma recapitulação de tudo o que já temos em Êxodo, Levítico e Números. É a segunda apresentação da lei, mas é absolutamente essencial.
O livro de Deuteronômio vai ao cerne de tudo o que Deus tem feito em Gênesis, Êxodo, Levítico e Números. Um novo elemento é acrescentado — embora esteja ali o tempo todo, talvez não o tivéssemos percebido —, e é como se o dedo de Deus fosse colocado sobre ele, definindo-o. A atenção se concentra nele: Deus fez tudo isso porque ama Seu povo e quer que ele seja um instrumento para Si mesmo.
Outro livro que, de muitas maneiras, percorre novamente o mesmo terreno é, naturalmente, o Evangelho segundo João. O Evangelho segundo João não é como Mateus, Marcos e Lucas, que são relatos históricos. Claro que João também é histórico, mas foi escrito como uma interpretação dos três livros anteriores. Por isso, todo o Evangelho é construído sobre as grandes declarações “Eu sou” e os grandes sinais.
O livro de Crônicas é exatamente como esses livros. Ele percorre todo o terreno outra vez e, desta vez, concentra nossa atenção no cerne da questão. É como se Deus dissesse: “Agora, vocês já passaram por tudo isso antes, mas vamos voltar novamente, até o princípio. Vamos recapitular, e então vou mostrar a vocês o que está por trás de tudo”.
Temos, naturalmente, os dois livros de Samuel e os dois livros de Reis. Crônicas percorre todo esse terreno mais uma vez. Samuel e Reis tratam do rei e do reino. Toda essa história diz respeito à maneira como Deus introduz Seu Rei e Seu reino.
Crônicas percorre todo esse terreno novamente e diz que há algo ainda mais essencial do que o reino. É isto: Deus introduz Seu Rei para que Sua casa seja edificada.
O tema dos dois livros de Crônicas, e de Esdras e Neemias — que, na contagem judaica, são considerados um só livro —, é o propósito de Deus de ter um lar para Si mesmo.
Deus aponta para algo que está por trás da vinda do Rei e por trás da extensão do reino. O trono de Deus é esse propósito do coração de Deus: ter um lar para Si mesmo; obter um povo eleito, se quiserem dizer assim; obter pedras vivas; produzir pedras vivas; e então edificá-las juntas sobre o fundamento correto, formando um templo santo no Senhor.
É disso, realmente, que tudo trata.
Em outras palavras, o tema de 1 Crônicas e 2 Crônicas é o propósito eterno de Deus. Ele remonta até Adão. O interessante é que remonta até Adão, percorre rapidamente a história por meio daquelas genealogias que algumas pessoas acham tão monótonas e prossegue para além de Salomão, até o retorno da Babilônia sob a liderança de Zorobabel.
É como se Deus dissesse: “Toda essa história deve ser explicada nestes termos: aqui está o propósito eterno de Deus por trás de todas essas coisas, de todos esses acontecimentos, de todos esses reinados, de toda a história dessas diferentes pessoas de Deus e desses diferentes santos”.
É esse propósito soberano e eterno de Deus de obter um lar para Si mesmo — ou, se preferirem expressá-lo de outra maneira, de produzir uma noiva para Seu Filho. Na verdade, é a mesma coisa. E, naturalmente, é muito emocionante quando começamos a enxergar dessa forma.
É por isso que temos as linhagens. É por isso que temos as genealogias. Talvez falemos sobre elas, se chegarmos a esse ponto, e descobriremos que são maravilhosas.
Não se trata apenas da genealogia de nosso Senhor. Trata-se do fato de que, de uma forma ou de outra, Deus está fazendo algo com pessoas, e é possível permanecer no âmbito do propósito de Deus ou sair dele.
Você não perde sua salvação, mas perde sua herança. Você sai da vontade de Deus. Algumas pessoas pensam que os cristãos não podem sair da vontade de Deus, mas podem. Saul saiu completamente da vontade de Deus.
Temos muitos outros nas linhagens: todo tipo de gente que começou bem e se desviou. Temos outras pessoas que começaram mal, receberam vida e entraram — pessoas como Bate-Seba, Tamar, Rute e outras que estavam numa situação terrível, mas que, pela graça de Deus, entraram plenamente e foram encontradas no centro do propósito de Deus.
Outras pessoas começaram muito bem. Tinham a ascendência certa e a linhagem certa, mas saíram completamente. Esaú foi uma delas. Tinham o pai certo e a mãe certa, mas saíram do propósito de Deus.
Depois temos capítulos inteiros no livro de Crônicas que tratam da preparação para a casa: as batalhas que precisavam ser travadas, os materiais que precisavam ser conquistados e todo aquele apropriar-se, por assim dizer, de coisas para o Senhor, a fim de que essa casa de Deus fosse edificada.
Depois temos, naturalmente, o relato da própria construção.
Em seguida, temos muitos e muitos capítulos sobre o conflito em torno da casa de Deus. Uma vez edificada a casa de Deus, todo o inferno se levanta contra ela — para destruí-la, para comprometê-la. Temos todo um registro da maneira como Satanás, o próprio inferno, se levanta por um meio ou outro: um ataque frontal de fora, ou, de algum modo, infiltrando-se e atacando de dentro para desfazer aquela obra.
Se incluirmos Esdras e Neemias, como era originalmente, então, por fim, temos não apenas o conflito e a ruína da casa — o testemunho do Senhor —, mas também a restauração em glória.
Esse é um tipo de resumo da história, uma visão panorâmica muito rápida de tudo.
Agora vamos voltar a isso e refletir um pouco mais. Estou pressupondo que todos vocês são verdadeiros crentes, que cada um nasceu de Deus. Se não for assim, oro para que logo seja. Mas vamos pressupor que todos aqui realmente conhecem meu Senhor nesta noite.
O tema de Crônicas é o propósito eterno de Deus.
É como se Deus dissesse: “Agora venham Comigo, venham Comigo. Registramos toda essa história — Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis e 2 Reis. Registramos tudo, mas agora venham Comigo. Isso ainda não é o verdadeiro cerne da questão. Vocês só têm visto as circunstâncias exteriores”.
“Quero levá-los de volta. Quero voltar até Adão e percorrer toda a história novamente. Então quero lhes dizer o que está no Meu coração — aquilo que tem governado todos os Meus caminhos com vocês, aquilo que tem governado o derramar da graça sobre vocês, a razão pela qual existe um caminho de salvação para vocês. Quero lhes dizer o que tudo isso significa.”
Naturalmente, quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos isso repetidas vezes.
É por isso que coloquei esta parte aqui no quadro. Está muito malfeita; fiz muito depressa, a iluminação não é boa, e imagino que vocês não consigam enxergar direito. Mas fiz isso para que possam vir depois e copiar, se acharem útil.
Lembro-me de que, anos atrás, quando descobri isso pela primeira vez, foi minha maior alegria. De repente, para meu espanto, descobri que os três primeiros capítulos da Bíblia e os três últimos correspondem um ao outro nos mínimos detalhes.
As pessoas nos dizem que a Bíblia é uma espécie de coleção de lendas e mitos, com uma ou duas outras coisas misturadas, e que é um pouco inconsistente em algumas partes — que não se pode confiar inteiramente nela. Eu acho isso impressionante.
Embora todos concordassem que Gênesis deveria ser o primeiro livro, durante os quatro primeiros séculos da igreja primitiva houve muita discussão sobre Apocalipse. O livro de Apocalipse não ocupou a última posição na Bíblia por muitos anos. Finalmente, no quarto século depois de Cristo, Apocalipse foi universalmente reconhecido como inteiramente proveniente de Deus e encontrou seu lugar no fim da Bíblia.
Não foi como se alguém tivesse dito: “Agora que todo esse material já foi incluído, vou me sentar e escrever algo que arremate tudo”. Era o Espírito de Deus Quem estava fazendo isso.
Agora, vejam. Tomem os três primeiros capítulos e os três últimos.
Nos três primeiros capítulos, temos um céu e uma terra: Gênesis 2:4. Nos três últimos, temos um novo céu e uma nova terra: Apocalipse 21:1.
No primeiro capítulo, temos a introdução do tempo: Gênesis 1. Nos três últimos, temos a introdução da eternidade: Apocalipse 21.
Nos três primeiros capítulos, temos a entrada de Satanás: Gênesis 3:1. Nos três últimos, temos Satanás lançado fora para sempre, graças a Deus: Apocalipse 20:10.
Nos três primeiros capítulos, temos o paraíso perdido: Gênesis 3:24. Nos três últimos, temos o paraíso recuperado: Apocalipse 21:3.
Nos três primeiros capítulos, temos a terra amaldiçoada: Gênesis 3:17. No último capítulo, temos aquelas palavras maravilhosas de Apocalipse 22:3:
E não haverá mais maldição.
Nos três primeiros capítulos, observem bem, temos apenas duas pessoas: Adão e Eva — um homem e uma mulher. É tudo o que temos nos três primeiros capítulos da Bíblia: Gênesis 2:23.
Nos três últimos, essas duas pessoas deram lugar a uma multidão inumerável de remidos, um povo remido que ninguém pode contar: Apocalipse 21:3; Apocalipse 22:14.
Nos três primeiros capítulos, temos um jardim: Gênesis 2:8. Nos três últimos capítulos da Bíblia, o jardim dá lugar a uma cidade: Apocalipse 21:2. A cidade é uma cidade-jardim, mas continua sendo uma cidade. O jardim deu lugar a uma cidade.
Nos três primeiros capítulos, temos a árvore da vida: Gênesis 2:9. Nos três últimos, temos a árvore da vida: Apocalipse 22:2.
Nos três primeiros capítulos, temos o rio da vida: Gênesis 2:10. Nos três últimos, temos o rio da vida fluindo até os confins da terra: Apocalipse 22:2.
Nos três primeiros capítulos, temos Deus andando no meio do jardim uma vez por dia. Em outras palavras, Deus visita o jardim para ter comunhão com Adão e Eva. Uma vez por dia, Ele entra no jardim e conversa com eles.
Nos três últimos capítulos, temos Deus habitando no meio dos Seus para sempre. Ele não os está visitando. Não está apenas entrando e saindo. Não está ali uma vez por dia. Ele está ali; é Seu lar. Ele chegou em casa. Está ali para sempre.
Se Ele sai, sai do meio deles e volta para eles, mas esse é Seu lar. Ele não os visita. Isso está em Apocalipse 21:3.
Nos três primeiros capítulos, temos o casamento terreno: Gênesis 2:21-25 — um homem e uma mulher, Adão e Eva, um casamento terreno até que a morte os separe.
Nos três últimos capítulos, temos o casamento celestial, ou eterno. Temos o Cordeiro e a esposa do Cordeiro. Esse casamento é eterno, e o casamento terreno é apenas uma figura, um símbolo, uma ilustração dele.
Nos três primeiros capítulos, temos dor, tristeza e morte: Gênesis 3:16-19. Nos três últimos, temos aquelas palavras maravilhosas de Apocalipse 21:4:
Não haverá mais dor, nem pranto, nem luto, nem morte.
Nos três primeiros capítulos — ouçam com atenção —, parece que temos três substâncias. Vocês precisam acompanhar isso com muito cuidado, mas, se olharem em Gênesis 2:11-12, encontrarão algo sobre o qual certamente alguns de vocês já se perguntaram.
Parece tão estranho, no segundo capítulo da Bíblia, sermos informados de repente de que havia uma árvore da vida no meio do jardim e um rio da vida que se dividia em quatro grandes rios e regava toda a terra. Então o texto diz que, se acompanharmos o rio, encontraremos ouro, e:
O ouro dessa terra é bom.
Depois diz que também encontraremos a pedra de ônix. E então diz que encontraremos uma coisa chamada bdélio.
Três substâncias: ouro, pedra de ônix e bdélio.
O ônix é muito interessante, porque, se vocês olharem em Êxodo 28:9-12 ou Êxodo 28:18-20, verão que o sumo sacerdote tinha doze pedras preciosas no peitoral. Cada pedra representava uma das doze tribos de Israel, e em cada pedra preciosa estava gravado o nome da tribo.
Era uma figura do sumo sacerdote levando todo o povo de Deus sobre seu coração diante de Deus.
Aqueles doze nomes, aquelas doze tribos, eram então reunidos sobre seus ombros. Ele tinha seis nomes gravados em pedras sobre um ombro e seis nomes em pedras sobre o outro, significando que o governo estava sobre seu ombro.
Mas as pedras sobre os ombros não correspondiam às pedras do peitoral. Eram pedras de ônix. Em outras palavras, o ônix reúne toda a preciosidade e as qualidades das outras pedras; torna-se o símbolo de todas elas.
Portanto, quando acompanhamos esse rio da vida, encontramos não apenas ouro, mas pedras preciosas. Encontramos a pedra de ônix, que simboliza todas as pedras preciosas da Bíblia.
O bdélio é ainda mais interessante. Em hebraico, é bedolach. Nos dias de nosso Senhor, os rabinos discutiam muito essa palavra, procurando determinar exatamente o que era.
O bdélio é uma planta aromática. Quando é quebrada, sai uma substância branca que endurece e adquire uma aparência opaca, semelhante à madrepérola. Nos dias de nosso Senhor, os rabinos frequentemente discutiam se essa planta não estaria, na verdade, relacionada à pérola ou às pérolas de água doce.
Não podemos estabelecer isso com certeza, mas ouçam com atenção. Temos três substâncias: ouro, pedra preciosa e algo muito parecido com uma pérola. Certamente tem o mesmo simbolismo de uma pérola. É preciso quebrá-la — sofrimento —, e da planta quebrada sai sua própria seiva vital, que se transforma em algo semelhante a uma pérola.
Talvez todos vocês estejam me olhando sem entender. Chegamos aos três últimos capítulos da Bíblia, e o que encontramos? Se vocês não conhecem sua Bíblia, espero que falar assim lhes dê tanta vontade de se aprofundar nela que nada — nem mesmo cavalos selvagens — consiga detê-los.
Quando chegamos aos três últimos capítulos da Bíblia, encontramos uma cidade de beleza incrível. Ela é produzida a partir de apenas três substâncias: ouro, pedra preciosa e pérola. Não há outra substância em toda a cidade.
Se quiserem examinar isso, encontrarão em Apocalipse 21:18-21. Há apenas três substâncias. Ouro — e o ouro é tão refinado que é transparente como vidro. Nenhum de vocês jamais viu ouro transparente como vidro.
Que refino! Que fogo! Que aflição esse ouro sofreu para se tornar transparente como vidro, de modo que somente a glória de Deus possa atravessá-lo — nada que impeça a glória de Deus, nada que impeça a luz de Deus de brilhar através dele.
A segunda coisa é a pedra preciosa: os doze fundamentos da cidade. Abraão, quando o Deus da glória lhe apareceu, saiu em busca da cidade que tem fundamentos.
Quais são esses fundamentos sobre os quais essa cidade eterna está firmada? São doze pedras preciosas. De onde vêm? Das profundezas dos lugares escuros da terra. Como foram formadas? Por calor e pressão extraordinários em lugares ocultos — como diz o profeta Isaías:
Tesouros das trevas e riquezas encobertas de lugares secretos.
Essas pedras foram encontradas pelo Espírito de Deus, trazidas à luz e maravilhosamente trabalhadas, de modo que se tornam uma cidade. Pensem nisso: pedra preciosa, toda trabalhada de tal maneira que se torna uma cidade, bem unida, edificada em conjunto.
A terceira coisa são as doze portas. Cada uma das doze portas é feita de uma só pérola.
Eternamente, a entrada na cidade é por uma porta de pérola. Eternamente, a saída é por uma porta de pérola. Vocês sabem que, nas Escrituras, as portas falam de governo; é ali que as questões são resolvidas. Antigamente, os assuntos eram resolvidos à porta da cidade. Os anciãos iam até a porta e ali se sentavam para julgar, resolver disputas e dar às coisas caráter legal e definitivo.
Observem novamente, por favor, vocês que se sentem perplexos diante da Bíblia. Aqui no início, nos três primeiros capítulos, onde encontramos essas coisas? Meu querido amigo, elas não são evidentes a olho nu.
A coisa mais evidente é o rio. É preciso começar pela árvore da vida e acompanhar o rio da vida. Se você acompanhar o rio, chegará ao ouro. Mas onde está o ouro? O ouro está todo no sedimento. Precisa ser descoberto, extraído, peneirado e depois submetido ao fogo.
Onde encontramos a pedra preciosa? Debaixo do próprio chão sobre o qual estamos andando. Não a vemos com estes olhos. Ela precisa ser encontrada e descoberta.
Onde está a pérola? Bem, se for pérola, está na água, no leito do rio. Vocês sabem o que produz a pérola? Um grãozinho incômodo de areia que cai na parte mais macia da ostra.
A ostra diz: “Ai, não gosto disso. Vou expulsar esse grão de areia. Isso não me pertence. Não tem nada a ver com minha vida. Isso é Satanás. É algo que veio do inferno”.
Então ela utiliza todos os recursos e todas as energias de sua vida e coloca uma camada ao redor do grão para expulsá-lo. Uma camada o envolve, mas o grão permanece. Outra camada o envolve, e mais outra. Quase podemos ouvir a ostra dizer: “Senhor, Senhor, tira de mim este mensageiro de Satanás”.
O Senhor diz:
A Minha graça te basta.
E mais uma camada envolve o grão. Novamente a ostra clama: “Senhor, tira isso de mim”, e o Senhor diz: “Não, a Minha graça basta”, e mais uma camada o envolve.
Vejam, são todos os recursos e todas as energias da vida de Deus em vocês produzindo uma camada ao redor do grão de areia. O grão não é retirado, mas Deus o transforma.
Fazendo uma pequena digressão, lembro-me de que, anos atrás, ouvi Mildred Cable falar sobre os artesãos de jade da Ásia Central e de Pequim. Ela disse que alguns dos artesãos que conheciam, e que se tornaram seus amigos, às vezes passavam até seis anos — não sem parar, mas ao longo de anos e anos — olhando para um pedaço de jade com uma imperfeição.
Toda a arte consistia em fazer da imperfeição a parte central da peça.
Alguns de vocês já viram belas peças de jade. Há algumas em Washington, naquela galeria, seja lá como ela se chama. E o que o artista fez? Pegou uma imperfeição — aquele pedacinho marrom numa bela peça de jade — e a transformou numa abelha sobre uma peônia. Ou pegou uma pequena faixa cinzenta e feia e a transformou num sapo sobre uma folha de lótus.
A imperfeição se tornou a peça central, a razão de ser do conjunto.
Não há jade mencionado na cidade, mas, vejam, é a mesma coisa que acontece com a pérola. Essa cidade — está tudo ali no início da Bíblia. Tudo está ali, só que não podemos ver a olho nu. Mas está tudo ali.
Quando o Espírito de Deus abre os olhos do nosso coração, descobrimos de repente uma correspondência extraordinária entre o início e o fim da Bíblia. Nenhum homem fez isso. O Espírito de Deus uniu essas duas coisas.
Se tomarmos os dois primeiros capítulos de Gênesis e os dois últimos de Apocalipse, teremos o início e o fim da questão, sem a queda do homem ou o pecado.
Temos algo que Deus Se propôs a fazer, e, lá no fim, isso está concluído. Aqui, tudo está de forma oculta; lá, tudo foi produzido e trabalhado, tornando-se algo de beleza eterna e incrível.
Em Gênesis 3, temos a queda, a entrada de Satanás, a queda do homem, o pecado, a maldição, a morte e tudo o mais. Todos nós sabemos disso, cada um de nós nesta sala.
Em Apocalipse 20, temos o fim disso, graças a Deus. Satanás é lançado no lago de fogo, e esse é o fim de tudo — de toda a questão do pecado.
É como se Deus dissesse: “Agora, prestem atenção: vocês entendem a palavra ‘parêntese’?” Tenho de tomar cuidado. Lembro-me de que, quando vim pela primeira vez aos Estados Unidos, a pequena frase no alto do New York Times dizia: “O inglês é a língua que separa os Estados Unidos do Reino Unido”.
Às vezes usamos as mesmas palavras, mas elas têm significados ligeiramente diferentes. Mas vocês sabem o que quero dizer com um parêntese.
Em Gênesis 1 e Gênesis 2, temos o princípio. Em Gênesis 3, temos o início do parêntese: a queda, o tempo e toda a história trágica do homem. Contudo, temos também a história gloriosa da vinda do Messias, prometido desde o início.
Acompanhamos a história ao longo da queda do homem e da vinda do Messias, até que o Messias vem, nascido de mulher, da linhagem de Davi, e finalmente dá Sua vida pela salvação de todos nós.
Ainda temos a queda do homem, mas agora temos um povo remido. Contudo, ainda estamos no parêntese. Todos nós ainda estamos nesse parêntese; ainda estamos entre os sinais de parênteses.
Mas, quando chegamos a Apocalipse 20, é como se Deus dissesse: “Agora vou fechar o parêntese. Aqui estamos: o fim do parêntese. Terminou”.
As primeiras coisas passaram.
Eis que faço novas todas as coisas.
Isso não é maravilhoso? Se você não disser “Aleluia” diante disso, deve estar morto.
Não sabemos o que Deus realmente vai fazer. As pessoas tentam dizer que acham o céu um tanto monótono — ficar o dia inteiro sem fazer nada, participando de uma espécie de coro eterno. “Não vamos ficar um pouco cansados depois de cantar louvores por mil anos sem parar?”
Isso é uma compreensão equivocada da eternidade.
Claro que vamos cantar. Claro que vamos tocar instrumentos. Mas vocês acham que Deus, Que é o Ser criador, vai parar? Claro que não.
Este mundo, com toda a sua beleza, é um reflexo pálido do que Deus originalmente tinha em mente para o homem. Romanos 8 diz que toda a criação foi sujeita à escravidão — à escravidão da corrupção. Nem sequer sabemos plenamente o que isso significa.
Parece que, de alguma forma, essas árvores, esses campos, essas colinas, essa criação natural estavam originalmente ligados a algo mais. Mas, por causa da queda do homem, perderam seu objetivo, seu propósito, seu cerne — chamem como quiserem. Tudo se tornou um ciclo interminável de produção e corrupção: vaidade, vaidade, vazio, inutilidade.
E tudo aguarda a manifestação da glória dos filhos de Deus.
Tudo o que sabemos é isto: a Bíblia termina com um casamento. Há apenas duas maneiras de olhar para o casamento. Ou ele é o fim, ou é um começo.
Algumas pessoas dizem: “Ah, coitado, acabou para ele”. Outras dizem: “Que maravilha, ele está começando a vida”. O casamento é, na verdade, duas coisas: o fim de uma fase e o início de outra.
A Bíblia termina com um casamento. Filho de Deus, você ama seu Senhor, não ama? Quanto mais você O conhece, não descobre que Ele é absolutamente maravilhoso? Você pode se decepcionar com os crentes, mas nunca se decepciona com Ele. Por Deus, deve haver algo errado com você se estiver decepcionado com o Senhor.
Já me decepcionei com os crentes mil vezes, e comigo mesmo ainda mais. Mas com o Senhor nunca me decepcionei.
Quando começamos a perceber algo do propósito de Deus, é tão maravilhoso. A Bíblia termina com um casamento, e é como se Deus dissesse: “Agora não vou lhes dizer o que farei na eternidade. Tudo o que estou lhes dizendo é que, finalmente, uni vocês e Meu Filho”.
Aqui, filho de Deus, com todas essas experiências maravilhosas que temos, estamos apenas prometidos em casamento. Estamos apenas noivos. Ainda não estamos casados.
Estamos numa condição de noivado. Estamos, de fato, noivos de nosso Senhor, mas a ceia das bodas do Cordeiro ainda está por vir. Como será? Ora, deveríamos ficar fora de nós de alegria quando esse casamento finalmente se consumar e quando realmente formos um só, em espírito, alma e corpo, por toda a eternidade. Será absolutamente maravilhoso.
Quando olharmos para trás, diremos: “Valeu a pena”. Valeu a pena cada aflição. Valeu a pena cada momento escuro. Valeu a pena cada encontrão que recebemos de outros santos enquanto éramos edificados juntos. Valeu a pena suportar fulano e passar por aquelas coisas. Valeu absolutamente a pena, porque aqui estamos.
Não somos apenas aqueles bem-aventurados convidados para a ceia das bodas do Cordeiro; somos os que constituem a própria noiva.
O propósito de Deus é que você e eu nos tornemos parte Dele. Isso parece quase blasfemo, mas vocês sabem que está na Palavra.
Ouçam estas palavras maravilhosas. Vou lhes dar uma passagem de 2 Pedro 1:4:
Pelas quais Ele nos tem dado as Suas preciosas e grandíssimas promessas;
para que por elas vos torneis participantes da natureza divina.
Participantes da natureza divina. Aqui está: devemos nos tornar participantes da natureza divina. Devemos nos tornar aqueles que estão em Cristo, aqueles que se tornam membros de Cristo.
Vocês conhecem a palavra membro, não conhecem? Significa parte de Cristo, membros do corpo de Cristo — não membros numa lista de igreja ou num pedaço de papel, mas membro no sentido em que falamos de desmembrar um corpo.
Devemos nos tornar membros de Cristo. Que coisa gloriosa. Se a Bíblia não dissesse isso, seria quase blasfemo, não seria?
O Senhor Jesus nunca perde Sua divindade única. Nunca perde Sua posição única como Deus Filho. Contudo, nós nos tornamos parte Dele. Que maravilha.
Os cristãos fizeram uma coisa terrível. O evangelho que temos pregado tem sido tão pobre que demos ao mundo a ideia de que as pessoas são salvas, perdoadas, vão à igreja, cantam hinos, fazem orações, leem sua Bíblia — de preferência todos os dias — e, se forem muito zelosas, testemunham a outros. Então, um dia, morrem e ficam sentadas numa nuvem para sempre, tocando harpa num coro eterno de aleluias.
O mundo se volta para nós e diz: “Se isso é o cristianismo, podem ficar com ele”.
Desvalorizamos tudo. Transformamos isso numa espécie de conto de fadas. Não é de admirar que a nova geração diga: “O que o cristianismo tem para nós?”
Mas isso não é cristianismo. Não estou desvalorizando o perdão, nem o custo do nosso perdão, nem a justificação. A coisa mais gloriosa no evangelho é que Deus nos justifica plenamente — não parcialmente, mas plenamente.
De nossos pecados e de nossas iniquidades Ele não Se lembra mais. Foram lançados para longe Dele. Foram apagados. Não há nem mesmo um registro deles. Desapareceram.
Mas, querido filho de Deus, isso é apenas o começo. É um meio para um fim. Quando Deus o salva, é para que você se torne participante de Sua natureza, para que se torne alguém que participa Dele, para que compartilhe Dele.
Deixem-me lhes dar outra passagem: 1 Coríntios 1:9.
Fiel é Deus, pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Não à comunhão com Seu Filho, mas à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
O que é essa comunhão de Seu Filho? Encontramos isso em 1 Coríntios 12: é um corpo. Meu corpo é uma comunhão dos meus membros. Vocês podem não gostar dele, mas aqui está: é uma comunhão.
Meu dedo mínimo diz: “Estou na comunhão de Lance Lambert”. Minha orelha diz: “Estou na comunhão de Lance Lambert”. Meu pé diz: “Também estou na comunhão de Lance Lambert”. Meu olho diz: “Estou na comunhão de Lance Lambert”.
Não é uniformidade. Temos dedos, pés, orelhas, olhos, nariz e boca — todos diferentes —, mas temos uma comunhão. Essa comunhão é uma participação conjunta.
Meu dedo mínimo poderia dizer: “Fui chamado à comunhão de Lance Lambert. Compartilho sua vida. Compartilho sua inteligência — a pouca que ele tem. Compartilho sua mente. Compartilho sua vontade. Compartilho tudo. Compartilho seu nome”.
Meu dedão do pé diz: “Não estou nem perto de você, dedo mínimo. Estou bem lá embaixo, do outro lado. Mas compartilho a mesma vida. Compartilho a mesma inteligência, quando ela chega até mim aqui embaixo. Faço parte da mesma coisa”.
O apóstolo Paulo diz:
Fiel é Deus, pelo Qual fostes chamados à comunhão de Seu Filho.
Vocês são todos membros uns dos outros. O olho não pode dizer à orelha: “Não preciso de você”. A mão não pode dizer ao pé: “Não preciso de você”. Todos pertencemos uns aos outros.
Tornamo-nos participantes do Senhor Jesus Cristo. Essa palavra grega, koinonia, vem de uma palavra que significa ter coisas em comum — compartilhar.
Fiel é Deus, pelo Qual vocês foram chamados a compartilhar de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Meu Senhor é o seu Senhor.
Tenho uma determinada origem. Tenho uma determinada origem étnica. Mas meu Senhor é o seu Senhor. Você pode ser polinésio, mas seu Senhor é o meu Senhor. Nele não há polinésio, nem hebreu, nem britânico, nem americano.
Isso não é maravilhoso? Vocês não são irmãos e irmãs americanos; são irmãos e irmãs que vêm dos Estados Unidos. Eu não sou um irmão britânico; sou um irmão que vem da Grã-Bretanha. Há uma grande diferença.
Sou um membro da família. Não sou um membro britânico da família; sou um membro da família que mora na Grã-Bretanha.
Não sou a igreja de Richmond, Surrey, vindo visitar a igreja de Richmond, Virgínia. Não sou visitante. Sou membro. Portanto, por favor, não me tratem como visitante.
Eu costumava perguntar às pessoas: “A que igreja pertencia o apóstolo Paulo?” Será que ele dizia: “Bem, sou membro em Antioquia, sabe? Estou visitando vocês aqui só para ver como estão, e depois vou voltar para Antioquia”?
Claro que não. Ele era membro da Igreja de Deus. Quando chegava a Éfeso, chegava à família. Quando chegava a Corinto, chegava à família.
As únicas pessoas que são visitantes são as que não conhecem o Senhor. Elas são visitantes. Todos os demais somos membros da família.
Qual é o propósito de Deus? Abram em Efésios 2:21-22:
No Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor;
no Qual também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.
Observem, por favor, que não diz “cresce para templo santo do Senhor”. Diz que “cresce para templo santo no Senhor”.
Isso muda toda a concepção da questão, não muda? Se é um templo santo do Senhor, isso está num nível inferior ao de ser um templo santo no Senhor.
Se é um templo santo do Senhor, significa que Ele pode visitá-lo. É como se Ele viesse ao Seu templo e dissesse: “Bem, aqui estou. Estou aqui para abençoar vocês. Estou aqui para falar com vocês. Ficarei aqui por um pouco de tempo, e depois, adeus; vou embora”.
Mas, se somos um templo santo no Senhor, isso faz toda a diferença.
Significa que somos extraídos do Senhor como pedras de uma pedreira. Somos pedras vivas, extraídas da rocha de Sua natureza e da rocha de Sua vida. De Sua substância, fomos produzidos como pedras vivas, e estamos sendo edificados juntos Nele.
No Qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor.
“No Qual” — em Cristo:
Também vós juntamente sois edificados para habitação de Deus no Espírito.
Não deixem a palavra habitação ficar presa na garganta por ser uma palavra antiga. Pensem na palavra morada, ou, melhor ainda, lar. Um lar para Deus no Espírito.
Em Cristo, todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. Em Cristo, vocês estão sendo edificados juntos para um lar de Deus no Espírito.
Em algum ponto entre os três primeiros capítulos e os três últimos, descobrimos qual é o propósito de Deus: um lar para Si mesmo no Espírito; que cresçamos para ser um templo santo no Senhor.
Esse é o propósito de Deus.
Querido filho de Deus, pergunto-me se você compreende isso. Quando abrimos em Efésios 3:11, lemos:
Segundo o eterno propósito que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Ou, como outra versão traduz:
Segundo o eterno propósito que Ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Esse propósito eterno de Deus está sendo realizado em Cristo Jesus, nosso Senhor. Tudo está Nele.
Há duas coisas que temos em Gênesis 2: a árvore da vida e o casamento. A árvore da vida, naturalmente, representa a vida eterna.
Quando você come alguma coisa, o que acontece? Ela se torna você. Aquela refeição que fizemos há pouco agora é sua carne e seu sangue. Não demora muito. Temos em nosso corpo um sistema extraordinário que transforma uma banana em carne e sangue em meia hora.
O que você come se torna você. Você toma da árvore da vida, e ela se torna você.
O Senhor Jesus disse em João 6 que aquele que come Sua carne e bebe Seu sangue permanece Nele, e Ele nessa pessoa. Quem O come e bebe Seu sangue tem vida eterna. Ele Se torna nossa vida, nossa salvação, a força e o poder do nosso ser.
Essa é a primeira coisa.
A segunda coisa que temos é o casamento. Quando fui salvo, eu vinha de um ambiente de caráter pagão. Quando comecei a ler a Bíblia, estava cheio de perguntas.
Lembro-me de que, quando começamos Gênesis, chegamos muito rapidamente a Gênesis 2. Eu não conseguia entender por que o Senhor tomou Adão e disse: “Adão, agora dê nome a todas estas criaturas”.
Eu pensava: “O Senhor as criou, então por que Ele não diz: ‘Agora, Adão, vamos chamar isto de hipopótamo. Isto, Adão, é uma girafa. Isto é um elefante’?” Mas Ele diz a Adão: “Adão, você dê nome a essas coisas”.
Deus não estava interessado apenas em Adão lhes dar nomes. Havia algo muito maior nisso, porque a passagem começa com esta declaração importante:
Não se achou para ele uma auxiliadora idônea.
O hebraico é muito bonito. Significa que não havia aquilo que correspondesse ao seu rosto. É a palavra usada para o reflexo na água. Não havia nada que correspondesse a ele, que fosse seu equivalente, que o complementasse, que fosse ele.
Deus disse, em essência: “Adão não tem pecado, é inocente, mas não é perfeito. Não está completo”.
Então todos esses animais passam diante de Adão. Vem um hipopótamo, e Adão diz: “Vamos chamar isso de hipopótamo”, e ele vai embora. Vem um elefante, e ele diz: “Vou chamar isso de elefante”. Vem um cisne, e ele diz: “Vou chamar isso de cisne”.
Ele não encontra nada que corresponda a si mesmo. Pode gostar da criatura e achá-la bastante cativante, mas ela não corresponde a ele.
Até o orangotango, quando apareceu — Adão nunca tinha visto outro ser humano —, talvez lhe tenha parecido o mais próximo de si. Talvez tenha pensado: “Bem, acho que estou um pouco solitário. Talvez possamos viver juntos e estabelecer algum tipo de relacionamento que seja útil para nós dois”.
Mas não, não se achou para ele uma auxiliadora idônea.
Então o Senhor o fez dormir, fez cair sobre ele um sono profundo, abriu seu lado e tomou de sua carne e de seus ossos. Com essa carne e esses ossos, Ele fez a mulher.
Então acordou Adão, e Adão disse imediatamente:
Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne.
“Esta sou eu. Esta sou eu.”
Depois a passagem prossegue dizendo:
Portanto, os dois se tornarão um só.
Nosso Senhor Jesus, o último Adão e o segundo Homem, foi posto para dormir na cruz.
Em João 19:31, creio que seja essa a referência, quando Ele clamou:
Está consumado.
Sabemos que nossa salvação foi conquistada por esse clamor: “Consumado”. Naquele momento, o véu do templo foi rasgado em dois. Estava concluído. Nossa salvação havia sido conquistada.
Por que, então, o apóstolo João dá tanta importância ao fato de que um soldado romano perfurou Seu lado, e dali saíram sangue e água?
O apóstolo João disse:
Aquele que viu deu testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro.
Por que ele dá tanta importância a isso? Por que testemunhou a respeito do lado aberto, do sangue e da água?
Não pode ser simplesmente a salvação, porque nossa salvação já havia sido conquistada. Então, o que significa esse lado sendo aberto? Mais tarde, quando João escrevia sua carta, disse que há três que dão testemunho: o sangue, a água e o Espírito.
O que é isso? Era nosso Senhor Jesus, o último Adão, o segundo Homem, adormecido. Seu lado foi aberto, e de Seu lado saíram sangue e água. Pelo sangue e pela água, uma mulher é formada. Uma noiva é formada. Uma igreja é formada.
Então é como se o Senhor fosse ressuscitado dentre os mortos e voltasse, por assim dizer, abrindo imediatamente os braços e dizendo: “Esta sou Eu”.
É um novo dia, uma nova criação, um novo homem, um novo começo. “Esta sou Eu. Vocês são Eu. Pela Minha obra consumada, pelo sangue e pela água do Meu lado aberto, pela obra do Espírito de Deus, vocês são Eu.”
O propósito eterno de Deus.
Portanto, quando chegamos a Crônicas, não estamos tratando de um velho livro seco e empoeirado que contém apenas algumas crônicas de reis de milhares e milhares de anos atrás.
É como se Deus dissesse: “Venham Comigo. Quero que venham para além da história. Quero ir além de tudo isso e mostrar-lhes o que está por trás de tudo”.
Quero que vocês entendam que:
Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus,
daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Vejam, quer saibam disso ou não, vocês foram chamados segundo um propósito.
O propósito não era apenas salvar você. O propósito era fazer de você o lar de Deus. Esse é o chamado para o qual Deus o trouxe. Ele o salvou para isso.
Portanto, querido filho de Deus, sua salvação é um meio para um fim. Nunca faça dela o fim. Ela é o meio.
Isso não é desvalorizar sua salvação, que é tão grande e tão custosa. Mas há algo maior até mesmo do que sua salvação. O que é maior até mesmo do que sua salvação é esse glorioso objetivo de Deus, aquilo que Deus tinha em Seu coração desde o princípio para realizar, e que realizou por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito.
A última coisa: em Gênesis 1:2, o Espírito de Deus está pairando — pairando, adejando. A palavra descreve uma águia, se quiserem, pairando sobre as trevas, o caos e o vazio. Aqui está o Espírito de Deus pairando.
Mas, nos três últimos capítulos, o que aconteceu?
Apocalipse 22:17 diz:
E o Espírito e a noiva dizem: Vem.
Durante todo esse tempo, é como se o Espírito de Deus estivesse pairando como uma águia, procurando algum ninho, algum lugar onde pudesse encontrar Seu lar, algum pequeno lugar onde pudesse pousar e encontrar uma habitação. Mas Ele não conseguia encontrá-lo ao longo da história.
A primeira vez que Ele pousa é sobre um Homem: o Senhor Jesus, em Seu batismo. Os céus se abrem, e o Espírito de Deus desce sobre Ele como uma pomba. É como se o Espírito Santo tivesse encontrado Seu lar em um Homem.
Mas agora, pela obra consumada do Senhor Jesus Cristo, pelo sangue e pela água, o Espírito de Deus encontrou Seu lar em um povo.
Assim, a Bíblia termina com aquelas palavras maravilhosas:
E o Espírito e a noiva dizem: Vem.
É como se o Espírito Santo dissesse: “Finalmente chegamos. Finalmente, Eu o fiz. Preparei-a para seu Esposo”.
Que o Senhor abra nossos olhos. Se não entendemos o que eu disse nesta noite, que isso ao menos desperte em nós um pouco de fome.
Às vezes é bom saber que há muito mais além daquilo que conhecemos. Que isso desperte nossa fome, para que nos sintamos como o apóstolo Paulo:
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.